[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sexta-feira, 12 de julho de 2019

[2158.] JANTAR DE OPOSICIONISTAS DE 20/07/1957 [I] || CONVOCATÓRIA DE 10/07/1957

* JANTAR DE OPOSICIONISTAS DE 20 DE JULHO DE 1957 || "ELEIÇÕES" PARA A ASSEMBLEIA NACIONAL DE 3 DE NOVEMBRO DE 1957 *

No âmbito das "eleições" de 3 de Novembro de 1957 para a Assembleia Nacional, um grupo de 38 prestigiados democratas antifascistas de todo o país, muitos deles já anteriormente perseguidos e presos pela Ditadura instaurada em 28 de Maio de 1926, subscreveram a convocatória para um jantar a realizar no dia 20 de Julho, em Lisboa, sob o pretexto de se comemorar a entrada na cidade das tropas liberais em 24 de Julho de 1834.


O jantar visava reunir «o maior número possível de oposicionistas de todo o País, e de todas as tendências - sejam quais forem os seus pontos de vista actuais sobre o desenrolar da situação política», de forma a proporcionar «um debate proveitoso à volta das diferentes ideias que vão sendo formuladas em face das próximas eleições».

O evento realizou-se no restaurante Castanheira de Moura e terão participado "cerca de 300 pessoas de vários pontos do país" [Mário Matos e Lemos, Oposição e Eleições no Estado Novo, 2012].

O professor e publicista Luís da Câmara Reis [1885 - 1961], provavelmente o detentor do panfleto acima publicado pelo carimbo que nele consta, abriu os discursos para "afirmar que aquela reunião se destinava a «assentar numa atitude a tomar perante o próximo ato eleitoral e congregar os esforços de todos os antissituacionistas, fossem quais fossem as suas correntes de opinião», acrescentando que «até mesmo os monárquicos liberais seriam bem recebidos»" [Mário Matos e Lemos].

Intervieram, entre outros, o médico António Ferreira da Costa [1904 - 2004], que estivera degredado no Campo de Concentração do Tarrafal entre 1942 e 1944; o jornalista e libertário Artur Inês [1898 - 1968]; o advogado Artur Morgado dos Santos Silva [1879 – 1960]; o arquitecto Artur Vieira de Andrade [1913 - 2005]; o advogado marinhense José Henriques Vareda [1927 - 1989]; o advogado Lino Lima [1917 - 1999]; o advogado Manuel Campos Lima [1916 - 1996]; o advogado Manuel Sertório [Marques da Silva] [1926 - 1985]; a escritora Natália Correia [1923 - 1993]; e o estudante Silas Coutinho Cerqueira.

Segundo Mário Matos e Lemos, na obra Oposição e Eleições no Estado Novo, "no fim, uma moção aprovou a participação na campanha eleitoral, ficando para mais tarde a decisão de ir ou não às urnas".

A Oposição constituiu listas em Aveiro, Braga, Lisboa e Porto, tendo só a lista independente de Braga chegado a ir às urnas. Aveiro e Porto desistiram de se apresentar ao acto eleitoral em vésperas da sua realização e a lista de Lisboa não foi aceite sob o pretexto de ter sido entregue fora do prazo. Faro também elaborou uma lista, mas não a chegou a apresentar.

Candidatos efectivos por Aveiro: Alfredo Ângelo Vidal Coelho de Magalhães [1919 - 1988], arquitecto; Júlio Correia da Rocha Calisto [1897 - 1973], advogado; Manuel Augusto dos Santos Pato [1918 - 1975], médico; Manuel Joaquim da Costa Pereira [1911 - 1981], advogado; Manuel Martins das Neves [1919 - 1997], professor e advogado; e Virgílio Pereira da Silva [1888 - 1963], advogado e notário.

Candidatos por Braga: Eduardo Pereira dos Santos [1903 - ?], comerciante; Francisco Alberto Pinto Rodrigues [1900 - ?], advogado; Guilherme Francisco Aguiar Branco [1909 - 2002], advogado; Joaquim José Resende Pereira Borges [1905 - 2005], advogado; José Justino de Amorim [1894 - ?], engenheiro agrónomo; Luís Gonzaga Vieira de Castro Caseiro [1929 - 1978], advogado; e Miguel Augusto Alves Ferreira [1878 - 1961], militar.

Candidatos por Lisboa, cuja lista foi recusada: Arlindo Augusto Pires Vicente [1906 - 1977], advogado; Domingos Martins de Carvalho [1917 - 2008], agente comercial; José Alves da Cruz Ferreira [1909 - 1988], advogado; Luís Augusto Ferreira Martins [1875 - 1967], militar na reserva; Luís da  Câmara Reis [1885 - 1961], licenciado em Direito, professor e publicista; Manuel João da Palma Carlos [1915 - 2001], advogado; Manuel Sertório de Carvalho Marques da Silva [1926 - 1985], advogado; Maria Lígia Valente da Fonseca Severino [Lília da Fonseca] [1916 - 1991], jornalista e escritora; Nikias Ribeiro Skapinakis [n. 1931], artista plástico; Óscar dos Reis Figueiredo [1924 - 2007], operário serralheiro; Rogério Gomes Lopes Ferreira [Rogério Paulo] [1927 - 1993], actor e encenador; e Rui Manuel Sequeira Cabeçadas [1928 - 1992], licenciado em Direito.

Candidatos pelo Porto: Amadeu Alves Morais [1920 - 1987], advogado; Artur de Oliveira Valença [1897 - 1978], industrial, comerciante, empresário e jornalista; Artur Morgado Ferreira dos Santos Silva [1910 - 1980], advogado; Artur Vieira de Andrade [1913 - 2005], arquitecto; Augusto César de Barros [1888 - 1973]; Jaime Alves Vilhena de Andrade [1922 - 2000], advogado; Manuel Coelho dos Santos [1927 - 2012], advogado; Mem Tinoco Verdial [1887 - 1974], engenheiro; Pedro Emiliano Veiga [1909 - 1987], licenciado em Direito e em Letras, professor; e Rodrigo Teixeira Mendes de Abreu [1908 - ?], professor e lavrador - "viria a ser identificado como informador da PIDE ainda antes do 25 de Abril" [Mário Matos e Lemos, Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945 - 1973) - Um Dicionário, 2009]. 

A lista de Faro, que não chegou a ser apresentada, integraria: João da Silva Nobre [1878 - 1968], médico; João Diogo Marreiros Neto [1904 - 1980], advogado; Manuel de Aguiar Campos de Lima [1916 - 1996], advogado; e Zacarias da Fonseca Guerreiro [1891 - 1978], advogado e lavrador.  

[João Esteves]

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