[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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segunda-feira, 21 de julho de 2014

[0715] ALCINA DE SOUSA BASTOS [III]

[07/04/1915-17/08/1993]
[Alcina Bastos sentada à direita durante o comício do general Humberto Delgado no Liceu Camões a 18 de Maio de 1958] [Fonte: CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_114759 (2014-7-22)]

Advogada e jurista, Alcina Bastos é mais um nome que tem sido estranhamente esquecido tanto pelo periodismo mediático como pela historiografia contemporânea, apesar de ter sido uma das poucas advogadas de presos políticos e da ativa participação na campanha presidencial do general Humberto Delgado [15/05/1906-13/02/1965] em 1958, sendo, não raras vezes, a única mulher a marcar presença nas mesas das sessões políticas então realizadas, apesar de se omitir a sua identificação.

Desde muito nova que Alcina Bastos, até por motivos familiares já que o pai, republicano, conspirou contra o salazarismo e foi condenado a quatro anos de prisão, se associou a quase todas as principais iniciativas de combate às ditaduras salazarista e marcelista, sempre com enorme coerência e dignidade, mantendo a mesma intervenção cívica nos quase 20 anos que viveu em democracia na sequência da revolução de Abril de 1974.

Filha de Filomena de Sousa Vilarinho Bastos e de Adelino Soares de Bastos, professor e inspetor escolar, nasceu em Fiães, concelho de Vila da Feira, a 7 de abril de 1915.

Fez a instrução primária na terra natal, frequentou o Colégio dos Carvalhos e, entre 1934-1935 e 1939-1940, cursou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou e deu colaboração ao Socorro Vermelho Internacional (SVI).

Inicialmente, exerceu a advocacia no Porto, Espinho e Vila da Feira. Aí aderiu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD) e militou na Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, onde era a sócia n.º 211. 
  
Em 1949, empenhou-se na candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República e, em 1958, integrou, juntamente com o irmão Joaquim Bastos, também advogado, a equipa que promoveu e organizou a candidatura presidencial do general Humberto Delgado, de quem foi colaboradora próxima e a quem procurou honrar a memória póstuma. Esteve diretamente envolvida no processo que procurou fundir as candidaturas de Arlindo Vicente [05/03/1906-24/11/1977] e a de Delgado.

Após as eleições, fez parte da Comissão Permanente do Movimento Nacional Independente (MNI), criado pelo general em 18 de junho, e desempenhou cargos no Centro Republicano António José de Almeida e Centro Escolar Republicano Almirante Reis

Solidária, defensora, enquanto advogada, de vários presos políticos, integrou a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem.

Reconquistada a liberdade, empenhou-se no julgamento dos assassinos de Humberto Delgado, marcando presença nas audiências dos agentes da PIDE, e na trasladação dos restos mortais do general para Portugal e, depois, para o Panteão Nacional.

Após o 25 de Abril de 1974, aderiu ao Movimento Democrático Português (MDP), onde se manteve entre 1975 e 1979; participou no Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC); interveio no âmbito da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), de que fora uma das fundadoras e dirigente; tornou-se sócia da Associação das Mulheres Juristas; e integrou o Conselho Nacional do Movimento Democrático de Mulheres, eleita no II Congresso (1980) e no III Congresso (1984).

Casada com o militar republicano Armando Pereira de Castro Agatão Lança [19/08/1894-23/05/1965], também interveniente ativo nas conspirações para derrubar o regime que pôs fim à I República, teve uma filha (n. 1955) que seguiu o mesmo trajeto profissional da mãe.

Aquando da sua morte preparava um livro sobre o assassinato de Humberto Delgado.

Faleceu a 17 de agosto de 1993, tendo o voto de pesar aprovado pela Assembleia da República sublinhado que “o seu nome, ultimamente, aparecia pouco nas colunas da imprensa. Esquecimento injusto, porque Alcina Bastos foi uma das personalidades cuja intervenção na vida nacional, nos difíceis anos do fascismo, se caraterizou por uma firmeza e uma coerência exemplares”.
  
Quis ser enterrada com a sua toga no Cemitério dos Prazeres e, um ano depois, a título póstumo, foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade. 

[João Esteves]

terça-feira, 11 de março de 2014

[0541.] FEMINAE [XI] - Letra A /02

- ENTRADAS -


- LETRA A / 02 -

0026. Adocinda Lobato
0027. Adozinda Tavares
0028. Adriana de Noronha
0029. Adriana de Vecchi
0030. Advogadas
0031. Águeda Conceição Albuquerque Osório Garcia
0032. Aida Cardigos
0033. Aida da Conceição Paulo
0034. Aida de Freitas Loureiro Magro
0035. Aida Laranjeiro dos Reis
0036. Albertina de Oliveira
0037. Albertina de Sousa Pedroso e Mota
0038. Albertina Marques Teixeira
0039. Albina Cândida Pereira Magro
0040. Albina Fernandes
Albina Pato - v. Albina Fernandes
0041. Alcina
Alcina Bastos - v. Alcina de Sousa Bastos
0042. Alcina de Sousa Bastos

0043. Alda Chaves de Aguiar Simões Vieira
Alda de Aguiar - v. Alda Chaves de Aguiar Simões Vieira
0044. Alda de Sousa
0045. Alda Henriques Verdial Godinho

0046. Alda Soares
0047. Alda Soler
0048. Alda Teixeira
Aldina de Sousa - v. Gualdina Soromenho de Carvalho
Alexandrina - v. Alexandrina Maria da Costa
0049. Alexandrina Andrade Silva
Alexandrina de Balasar - v. Alexandrina Maria da Costa
0050. Alexandrina Maria da Costa


[Edição da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) / 2013]

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

[0478.] ALCINA BASTOS [II]


- ALCINA DE SOUSA BASTOS -
[1915-1993]


[Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, n.º 10, 2003, pp. 217-218]

[0477.] ALCINA BASTOS [I]

* ALCINA DE SOUSA BASTOS *
[07/04/1915-17/08/1993]

Mais um nome injustamente esquecido e que teve bastante relevância na campanha presidencial de Humberto Delgado, em 1958

Advogada e jurista. 

Filha de Filomena de Sousa Vilarinho Bastos e de Adelino Soares de Bastos, inspetor escolar e oposicionista republicano, nasceu em Fiães, concelho de Vila da Feira. 

Entre 1934-1935 e 1939-1940, cursou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou neste último ano.

Exerceu a advocacia no Porto, Espinho, Vila da Feira e, posteriormente, Lisboa. 

Teve desde muito nova consciência das perseguições políticas salazaristas – o pai, foi condenado a 4 anos de prisão – e participou nas atividades antifascistas que procuravam restabelecer a liberdade e a democracia. 

Quando estudante em Coimbra, deu colaboração ao Socorro Vermelho Internacional (SVI) e, na década seguinte, já no Porto, tornou-se sócia da Delegação da Associação Feminina Portuguesa para a Paz (AFPP), e aderiu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD). 

Em 1949, empenhou-se na candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República. 

Em 1958, integrou, juntamente com o irmão Joaquim Bastos, também advogado, a equipa que promoveu e organizou a candidatura presidencial do general Humberto Delgado, de quem foi colaboradora próxima e a quem procurou honrar a memória póstuma. 

Esteve diretamente envolvida no processo que procurou fundir as duas candidaturas oposicionistas, a de Arlindo Vicente e a de Delgado. 

- Após as eleições, fez parte da Comissão Permanente do Movimento Nacional Independente (MNI), criado pelo general em 18 de junho, e desempenhou cargos nos Centros Republicanos António José de Almeida e Almirante Reis. 

Defendeu, enquanto advogada, vários presos políticos. 

Após 25 de Abril de 1974, aderiu ao Movimento Democrático Português (MDP), onde se manteve entre 1975 e 1979; interveio no âmbito da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), de que fora uma das fundadoras e dirigente; e colaborou com o Movimento Democrático de Mulheres. 

Foi-lhe atribuída, a título póstumo, a Ordem da Liberdade. 
[João Esteves]