[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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terça-feira, 8 de março de 2016

[1394.] EVOCAÇÕES

* HERCULANA DE CARVALHO || IRENE CASTRO || AMÉLIA CAL BRANDÃO *

[Herculana de Carvalho || in Lúcia Serralheiro, Mulheres em Grupo Contra a Corrente, Evolua Edições, 2011 ] 

 [Amélia Cal Brandão]

[Irene Castro]

Segundo Lúcia Serralheiro, o Movimento Democrático das Mulheres do Porto homenageou, em 1981 e 1982, Herculana de Carvalho, Irene Castro e Amélia Cal Brandão, todas da mesma geração e sócias da AFPP, Associação Portuguesa Feminina para a Paz, Delegação do Porto, organizando no Dia Internacional da Mulher romagens aos cemitérios onde estão sepultadas. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

[1035.] BEATRIZ MONTEIRO MAGALHÃES ALMEIDA [I]

[27/10/1881-1956]

Filha de Arminda Monteiro Magalhães e de Miguel Fernandes Magalhães, Beatriz Monteiro Magalhães Almeida nasceu em Cedofeita, Porto, em 27 de Outubro de 1881.

Casou, em 1913, com Francisco Almeida Dias Pinheiro e no ano seguinte, em 2 de Março, nasceu a filha Beatriz Magalhães Almeida Pinheiro, conhecida por Beatriz Cal Brandão por ter casado com Mário Manuel Cal Brandão [1910-1996]. 

Quando nos anos quarenta se tornou a sócia nº 67 da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, com residência na Vila Margarida, Avenida de Gaia, 1001, Vila Nova de Gaia, já tinha um tracjeto politico oposicionista relevante.  

Viúva, com 56 anos, foi presa com a irmã mais velha [Carolina Magalhães Costa] e a única filha [Beatriz Magalhães Almeida Pinheiro] em 18 de Dezembro de 1937, às duas horas da manhã, na sua residência na Rua do Moreira, 283, Porto, por notícias enviadas a um familiar da província sobre a Guerra Civil de Espanha. Julgada a 28 de Junho de 1938 pelo TME, foi condenada na pesada multa de 8.400$00 e libertada no dia seguinte, tal como a irmã, enquanto a filha já tinha saído em liberdade em 31 de Dezembro de 1937. 

Segundo José Viale Moutinho, no livro Primeira Linha de Fogo. Da Guerra Civil de Espanha aos Campos de Extermínio Nazis, Beatriz Magalhães Almeida Pinheiro deixou descrita essa sua experiência prisional no livro inédito No Patamar do 3.º Esq., "dedicado a Jorge Amado e subscrito pelo pseudónimo Tiza Maga" [Capítulo 9 da obra de José Viale Moutinho].

Lúcia Serralheiro, em Mulheres em Grupo Contra a Corrente [Associação Feminina Portuguesa para a Paz (1935-1952), Rio Tinto, Evolua Edições, 2011], refere que testemunhos orais recolhidos por si indicaram que Beatriz Almeida redigia quadras contra a política de Salazar e distribuía-as pelas caixas de correio das ruas do Porto, assim como escrevia postais de correio com endereços fictícios contendo notícias sobre a Guerra Civil de Espanha para que os carteiros, ao interrogarem-se sobre os destinatários, os lessem e comentassem. 

[in Lúcia Serralheiro, Mulheres em Grupo Contra a Corrente, Evolua Edições, 2011]

Segundo a filha, entrevistada por Lúcia Serralheiro, era uma mulher muito culta, autodidata e de fortes convicções, preocupando-se com as camadas mais desfavorecidas. 

Testemunhou, no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, a favor de Guilherme da Costa Carvalho [1921-1973], filho da amiga e correlegionária Herculana de Carvalho [23/12/1900-16/05/1952].

Beatriz Magalhães Almeida publicou, na primeira metade da década de 40, vários livros com o pseudónimo Zita Maga. Esteve representada com cinco obras (A Mãe, A Aninhas, A Rosinha, A capucha serrana e O último modelo) na Exposição de Livros Escritos por Mulheres organizada, em Janeiro de 1947, pelo Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. No Catálogo, refere-se que “tem desenvolvido grande atividade literária de há vinte anos para cá, embora não tenha publicado todos os seus trabalhos”. 

Lúcia Serralheiro inseriu dados biográficos no Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), editado em 2005 pelos Livros Horizonte, tendo aí referido, citando a filha, que «Viveu sempre ansiosa do conhecimento exacto e sobretudo da génese e da finalidade de um partido comunista que se interessasse sobre o desenvolvimento das camadas mais infelizes, mais desprotegidas da sociedade. Era uma mulher muito inteligente, muito culta, uma autodidacta, que se fez à sua custa, e que educou a filha “sempre no horizonte de liberdade, solidariedade, de abertura e de aceitação ao que os outros pensam, contanto que eles tenham o limite de convicções, mas não de agressão às ideias dos outros”».

João Esteves
[Texto actualizado em 17/08/2017]


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

[0428.] AMÉLIA ALMEIDA BRANDÃO DE CAL OU AMÉLIA ALMEIDA CAL BRANDÃO [II]

* AMÉLIA ALMEIDA BRANDÃO DE CAL *

[extractos da biografia escrita por Lúcia Serralheiro para o Dicionário no Feminino (Livros Horizonte, 2005)]

Amélia Almeida Brandão de Cal, ou Amélia Cal Brandão como ficou conhecida, foi sócia n.º 315 da AFPP – Associação Feminina Portuguesa para a Paz –, Delegação do Porto. 

Casou, em 1905, com Silo José Cal Muiños, oriundo da Galiza, imigrante radicado no Porto e funcionário da empresa inglesa Casa Graham. 


Em 5 de Novembro de 1906 nasceu o primeiro filho, Carlos Cal Brandão, na freguesia de Ramalde, Porto. 


A 23 de Março de 1908 nasceu o segundo filho, Silo José Cal Brandão. 


Dois anos depois, a 25 de Março de 1910, nasceu Mário Cal Brandão que, em 1927, concluiu o 1.º ano de Direito em Coimbra, quando o mais velho terminava o curso de advogado. Entretanto o filho Silo, estudante de Medicina no Porto, viu-se obrigado a refugiar-se em Espanha, na Galiza, após a greve académica na Faculdade de Medicina do Porto, na sequência da qual a Polícia Política provocou a morte do estudante Branco. 


Carlos começou a sua vida profissional no Porto, mas como era também o director de um jornal de ideias republicanas foi preso pela PIDE. Na sequência dessa prisão, e porque no dia da sua libertação ocorreu uma revolta no Porto, foi juntamente com outros presos metido num barco e acabou por ser deportado para Timor em 1931, onde irá permanecer até depois da II Guerra. Regressou a Portugal em 1946. 


Amélia Cal Brandão foi sempre interessada por questões culturais, pertencia ao Cineclube e participou noutras actividades. Não faltava às manifestações de rua, como no 31 de Janeiro, no 5 de Outubro e na luta pelas eleições livres. 


Esteve nas manifestações do fim da II Guerra e, após a desistência do MUD às eleições de Novembro, tendo lido nos jornais o discurso de Clyde Alflalo, assistente social que em Lisboa, numa sessão de propaganda eleitoral do partido único do Governo, UN – União Nacional, agradecia a Salazar por não ter entrado na Guerra, decidiu responder, em carta aberta, a essa mulher. 


Nesse documento de 30 de Outubro de 1945, contrapõe às afirmações de Clyde Alflalo as enormes dificuldades económicas que Salazar impôs ao País e, sobretudo, às mulheres portuguesas, as quais, suportando as vicissitudes do mercado negro e dos racionamentos, tinham envelhecido precocemente. O texto expõe os motivos pelos quais as mulheres portuguesas nada tinham a agradecer a Salazar, pois o facto da não entrada de Portugal na guerra se ficou mais a dever à sorte e  à situação geográfica. Menciona ainda as injustiças políticas do Governo e as prisões da PIDE. 


Segundo testemunhas da época, esta carta teve em 1945 uma circulação no Porto superior à que mais tarde foi escrita pelo Bispo D. António, depois da campanha eleitoral do General Humberto Delgado em 1958. A carta circulou primeiro em texto dactilografado à máquina e, depois, foi impressa num dos documentos do MUD, como se pode ver no Arquivo Mário Soares em Lisboa. 


Foi testemunha de defesa de Guilherme da Costa Carvalho, filho da sócia da AFPP Herculana de Carvalho, juntamente com Beatriz de Almeida, em Lisboa, no Tribunal da Boa Hora. 


Ermelinda Brandão, que foi por ela educada desde os dez anos, quando foi estudar para o Porto, recorda-a como grande educadora e mãe corajosa que se deslocou a todas as autoridades do país, no Porto e em Lisboa, requerendo condições humanas nas prisões. 


Embora tivesse ideias republicanas e fosse anticlerical, não impôs aos seus filhos rumos políticos ou religiosos, mas proporcionou-lhes uma educação e uma formação moral que lhes permitiu rasgarem eles o seu próprio caminho, que ela sempre respeitou, nunca os tendo induzido a quaisquer atitudes


O MDM, Movimento Democrático das Mulheres do Porto, lembrou-a em 1981 e 1982, juntamente com Irene Castro e Herculana de Carvalho, todas da mesma geração e sócias da Associação Portuguesa Feminina para a Paz, Delegação do Porto, organizando no Dia Internacional da Mulher romagens aos cemitérios onde estão sepultadas. 


Faleceu em Vila Nova de Gaia a 14 de Novembro de 1974.


[Lúcia Serralheiro]