[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

[1531.] MUSEU DO ALJUBE - RESISTÊNCIA E LIBERDADE [XI]

* MULHERES NA RESISTÊNCIA E NA CLANDESTINIDADE *

|| 19 DE OUTUBRO || 16 HORAS *

|| MESA REDONDA COM MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO E ÉVORA ||

|| MODERAÇÃO: ANA ARANHA ||


01. A reconstrução da História reflecte, sempre, os pressupostos  (ideológicos) do Historiador. 

02. Não há oposição e resistência duradoura à(s) Ditadura(s) sem a participação feminina. Muito menos quando ela se prolonga por décadas. 

03. A História das Oposições (1926-1974) continua a ser feita no masculino.

04. A História das Oposições, em Portugal, continua a preferir as partes ao todo.

05. Perduram os silêncios e esquecimentos. 

06. As mulheres, aquelas que lutaram, resistiram e afirmaram-se não podem ser entendidas como personagens secundárias ou figurantes.

07. Intervieram, mesmo quando muitos e muitas outras não o fizeram, não o quiseram ou cansaram-se.

08. E só porque intervieram, sobretudo em tempos difíceis e sombrios em que poucos e poucas ousavam arriscar, não merecem o atributo de vencidas, derrotadas ou irrelevantes, detentoras de papéis menores.

09. A História destas Mulheres, bem como dos Homens, está muito para além das suas prisões, insucessos, erros, episódios. 

10. A sua História é, também, o que souberam construir, as vitórias do dia a dia, a capacidade de resistir, as sociabilidades que desenvolveram... E isto, só por si, é muito, muitíssimo!

11. Estiveram lá, mesmo quando não as viam. Deixaram um legado, tarefa tanto mais difícil por muitas daquelas não terem sido presos ou não constarem, directamente, de processos da polícia política.

12. Importa redescobri-lo, sendo que por detrás de cada nome há um rosto e uma história. 

[Rose Nery Nobre de Melo, 1975]

[Gina de Freitas, 1975]

[Vanda Gorjão, 2002]


[Ana Barradas, 2004]

[Antónia Balsinha, 2005]


[João Céu e Silva, 2006]

[Teresa Fonseca, 2007]

[Lúcia Serralheiro, 2011]

[Cecília Honório, 2014]

domingo, 6 de julho de 2014

[0703.] GEORGETTE DE OLIVEIRA FERREIRA [I]

* GEORGETTE DE OLIVEIRA FERREIRA *
[n. 25/07/1925]
[1959]
[in João Céu e Silva, Álvaro Cunhal e as mulheres que tomaram partido, Edições ASA, 2006]
- A 1.ª mulher a evadir-se enquanto presa política -

Nasceu em Alhandra a 25 de julho de 1925. 

Filha de Joaquina de Oliveira Ferreira e de Augusto Ferreira, trabalhadores rurais com muitas dificuldades económicas, teve de ir viver com os padrinhos e começou, com apenas oito anos, a trabalhar na agricultura. 

Posteriormente, trabalhou como operária na Juta – Sociedade Têxtil do Sul, Lda. Embora o pai fosse republicano, foi o padrinho que a “esclareceu politicamente e que me levou, com o seu exemplo, a aderir à causa antifascista” [As Mulheres de Alhandra na Resistência. Anos quarenta, século XX, Porto, Editora Ausência, 2005, p. 100]. 

Tal como as irmãs Sofia [1922-2010] e Mercedes Ferreira [n. 1928], desde muito nova que se evidenciou enquanto militante, e posteriormente dirigente, do Partido Comunista Português, a que aderiu na década de 40, quando era operária têxtil, tendo o relacionamento com Alves Redol [29/12/1911-29/11/1969], Carlos Pato [21/12/1920-26/06/1950] e Soeiro Pereira Gomes [14/04/1909-05/12/1949], entre outros nomes locais, muito contribuído para a sua formação política. Interveio, em 1943, na luta pela criação de uma secção do Sindicato das Costureiras em Vila Franca. 

No ano seguinte, foi uma das organizadoras em Alhandra e Vila Franca de Xira das greves de 8 e 9 de maio de 1944 e da marcha do dia 8, que culminou com a prisão de várias mulheres nas Praças de Touros de Vila Franca de Xira e do Campo Pequeno, tendo algumas sido remetidas, a 11, para Caxias, onde permaneceram até Agosto. 

Em 1945, tal como as duas irmãs, passou à clandestinidade, vivendo como “companheira” de António Assunção Tavares, operário da Fábrica Cimentos Tejo e forçado a “mergulhar” na sequência do movimento grevista de 1944: apenas um irmão, o mais velho, não teve atividade política e, por isso, acabou por ser o único a dar apoio, com a mulher, aos pais já idosos, circulando as informações familiares com muita dificuldade e morosidade. 

Escapou, em 28 de agosto de 1945, de ser presa na casa da Lapa, onde vivia com o companheiro e, em 1946, participou com Cândida Ventura [n. 1918] no II Congresso Ilegal do PCP realizado na Lousã. 

Detida pela PIDE às três horas da madrugada de 17 de dezembro de 1949 com António Dias Lourenço [25/03/1915-07/08/2010], na casa de Monte de Moraventos, concelho de Palmela. Recolheu ao Forte de Caxias, onde conviveu na mesma cela, ainda que por poucos dias, com Cecília Areosa Feio [05/12/1921-08/02/1980], Maria Lamas [06/10/1893-06/12/1983] e Virgínia Moura [19/07/1915-19/04/1998]. 

Durante a reclusão, em resultado da alimentação a doença de estômago de que padecia agravou-se, conseguindo, devido à solidariedade dos outros presos, ser levada de urgência para o hospital; e recebeu correspondência de Álvaro Cunhal [1913-2005], preso na Penitenciária de Lisboa, da qual extratos de uma carta de 3 de setembro de 1950 foram publicados no boletim 3 Páginas. 

Evadiu-se, em 4 de Outubro de 1950, do Hospital de Santo António dos Capuchos, depois de a fuga ser devidamente planeada com o seu Partido, a família, o médico Arménio Ferreira [1920-2002] e o camarada que a esperava com um carro cá fora e a transportou para uma casa clandestina em Lisboa. Daqui passou para o Comité Local do Porto, posteriormente teve responsabilidades na organização de Lisboa e integrou o Comité Central entre 1952 e 1988.

Participou, em março de 1954, na V Reunião Ampliada do Comité Central do Partido Comunista e voltou a ser detida em dezembro desse ano, num encontro com Jaime Serra, quando ambos trabalhavam na organização da capital. 

Condenada, em 1957, a três anos e medidas de segurança, gerou enorme movimento de solidariedade para que as cumprisse em liberdade. 

Libertada somente em 1959, partiu clandestinamente para a Checoslováquia, saindo do país por Chaves, a convite da organização de mulheres do país e lá curou a sua doença pulmonar, percorrendo vários sanatórios até 1962. Aí conviveu com José Gregório [19/03/1908-10/05/1961], que também estava naquele país em tratamento, e a sua companheira Amélia Fonseca do Carmo. 

Representou Portugal, juntamente com Maria Lamas, no Congresso Mundial das Mulheres de 1963. 

Passou depois por Paris, onde viveu quase três anos, e regressou à luta clandestina em Portugal, encontrando-se na região de Setúbal aquando do 25 de Abril de 1974. 

Usou o pseudónimo “Paiva”. 

Após a revolução, foi uma das deputadas comunistas na Assembleia da República. 

Antónia Balsinha incluiu o seu nome no estudo pioneiro que fez sobre o papel das mulheres de Alhandra na resistência ao fascismo nos anos 40, tendo-a entrevistado a 30 de setembro de 2000.

[João Esteves]