[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

[1179.] ANTÓNIO AUGUSTO ZUZARTE CORTESÃO [I]

ANTÓNIO AUGUSTO ZUZARTE CORTESÃO *
[1916 - 1995]

Médico. 

Filho de Carolina Ferreira Cortesão [n. 27/05/1888] e de Jaime Zuzarte Cortesão [1884-1960], nasceu em Benfica, Lisboa, em 29 de Janeiro de 1916. 

Sócio nº 135 da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, com residência na Avenida da Boavista, 219. 

As cunhadas e a mulher, Maria Irene Coelho Cortesão Abreu, também integravam a mesma agremiação. 

Preso quando estudante em 16 de Fevereiro de 1935, por escrever nas paredes “matéria subversiva”, foi enviado para o Aljube do Porto e libertado em 24 de Abril na sequência de ter sido julgado pelo Tribunal Militar Especial, sendo condenado na multa de 1000$00 e perda dos seus direitos por 5 anos. 

Já médico, foi novamente preso no Porto em 21 de Junho de 1958, recolheu às prisões privativas daquela Delegação, sendo libertado em 31 de Julho mediante termo de identidade e residência. 

A morada aquando desta última prisão é a mesma que consta quando era sócio auxiliar da AFPP/Porto: Av. da Boavista, 219, Porto 

Irmão de Maria Judite Zuzarte Cortesão [31/12/1914 - 25/09/2007], também com militância política na década de 30 e, posteriormente, casada com Agostinho da Silva e mãe de alguns dos seus filhos.

[João Esteves] 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

[1071.] MARIA IRENE COELHO CORTESÃO ABREU [I]

* IRENE CORTESÃO *
[1924-2010]


Professora. 

Nasceu na freguesia de Cedofeita, Porto, a 23 de fevereiro de 1924, filha de Elvira Peixoto Coelho Cortesão Abreu [1890-1982], que tinha a instrução primária, e de Camilo Zuzarte Cortesão Abreu [17/06/1890 – 22/02/1966], que chegou a estudar na Faculdade de Letras e abandonou-a por se envolver em questões políticas. 

O avô materno era proprietário de fábricas em Vila do Conde; a mãe era prima de Leonardo Coimbra; e o pai era primo direito de Jaime Cortesão, tendo Irene Cortesão casado com o filho deste, o médico António Augusto Zuzarte Cortesão [1916-1995], e de Maria Ester Zuzarte Cortesão [24/06/1882 – 12/03/1914] que, em 20 de Novembro de 1910, presidiu à sessão fundadora do Núcleo de Cantanhede da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e foi eleita sua Secretária. 

Oriunda de uma família com intenso envolvimento político republicano e, posteriormente, oposicionista, tendo o pai participado nas primeiras revoltas contra a Ditadura Militar, andou fugido, foi deportado para S. Tomé e Príncipe, viveu em Espanha e, finalmente, exilou-se no Brasil onde faleceu, a mãe desempenhou papel crucial na sua formação, transmissão de valores, educação e estabilidade. 

Irene Cortesão, tal como a irmã Elvira, fez em casa a instrução primária com professoras particulares, estudou no Liceu Carolina Michaëlis por decisão da mãe, onde sofreu algumas contrariedades por não ser baptizada e não ter aderido à Mocidade Portuguesa Feminina e foi aluna de Natércia Freitas Guimarães da Silva [Medina] [1914-1963], professora efectiva de Biologia e futura activista da AFPP (sócia nº 193). Licenciou-se em Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. 

Na década de 40, juntamente com a irmã Maria Elvira Coelho Cortesão Abreu [25/03/1921 – Dezembro de 2011], integrou o grupo fundador da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, onde era a sócia nº 124 segundo apontamentos de Irene Castro, tendo a irmã mais nova, Maria Luísa Coelho Zuzarte Cortesão [n. 1932] pertencido à mesma agremiação. 

O marido consta do rol de sócios auxiliares da AFPP/Porto, onde era o sócio nº 135, foi por duas vezes preso [1935, 1958], ambos pertenceram ao MUD, sendo muitas vezes em casa das irmãs Cortesão que se reunia a sua Comissão Feminina, e participaram na campanha presidencial de Norton de Matos em 1949. 

Enquanto activista da AFPP, Irene Cortesão participou regularmente nas suas iniciativas e reuniões, tendo sido entrevistada por Lúcia Serralheiro em 8 de Abril de 2002 sobre essa militância [Mulheres em grupo contra a corrente, Edições Evolua, 2011]. 

O percurso profissional enquanto professora foi afectado por pertencer a uma família oposicionista. Segundo relato de Vanda Gorjão, que entrevistou Irene Cortesão em 21 de Fevereiro de 1999, então com 74 anos, “começou a dar aulas no Colégio Araújo Lima, «um colégio de gente que, em princípio, era de esquerda». Quando precisou de legalizar a sua situação, o Ministério da Educação recusou-lhe o diploma de ensino particular. Sem conseguir colocação em nenhum estabelecimento de ensino, ficou dois anos em casa, dando lições particulares e escrevendo sebentas à máquina. Um período que recorda como muito difícil: «fui uma aluna bem classificada, todas as minhas colegas ocuparam lugares na Faculdade e eu fiquei em casa. Foi muito duro. [...] Senti imenso que estava a ser realmente penalizada»”. Por fim, devido “a intervenção de um parente e da família de uma ex-aluna, movendo influências, permitiram-lhe obter o diploma do Ministério, quando o mesmo já lhe tinha sido recusado antes. «Pude então dar aulas. Não continuei no Colégio [porque] tinha um ambiente pouco do meu agrado: eram meninas bem. Gostei muito mais de passar para o ciclo preparatório»” [Vanda Gorjão, Mulheres em tempos sombrios. Oposição feminina ao Estado Novo]. 

Após a data de 25 de Abril de 1974, foi autora de programas e manuais escolares e, segundo Lúcia Serralheiro, foi pioneira na escrita de um manual de educação sexual. 

Sócia nº 1635 da Associação de Solidariedade Social dos Professores. 

A Câmara Municipal do Porto, presidida por Fernando Cabral, atribuiu-lhe a Medalha de Mérito em 15 de Junho de 1989. 

[João Esteves]