[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 24 de setembro de 2016

[1521.] 5 DE OUTUBRO DE 2016 [I]

* EVOCAÇÃO À LIBERDADE PELO GRANDE ORIENTE LUSITANO UNIDO *


Para além da homenagem a Edmundo Pedro, António Ventura evocará a memória dos Maçons falecidos que estiveram no Tarrafal, entre os quais António Correia.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

[1340.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXVI] || COIMBRA [I]

* CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || COIMBRA || JANEIRO DE 1946 *

Em Janeiro de 1946, Maria da Natividade Pinheiro Correia, militante comunista de Coimbra casada com António Correia, assinou, com as iniciais M. C., na Gazeta de Coimbra, então periódico "largamente influenciado pelos comunistas locais" [Alberto Vilaça], o artigo "Porque não se cria em Coimbra uma delegação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas", o qual constituiu o primeiro passo para a sua efetiva concretização.  

[Gazeta de Coimbra || Janeiro de 1946]

A cópia deste artigo, bem como outra documentação e informações, foi gentilmente enviado pela autora, Dr.ª Natividade Correia, em Fevereiro de 1998.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

[0916.] ANTÓNIO CORREIA [II]

* ANTÓNIO CORREIA *

 [1895-1961]

|| BIOGRAFIA PRISIONAL ||

[Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, Presos Políticos no Regime Fascista III – 1940-1945, 1984]

domingo, 8 de fevereiro de 2015

[0914.] ANTÓNIO CORREIA [I]

* ANTÓNIO CORREIA *

[1895-1961]

Capitão de Artilharia e Aviador.

Filho de Maria Lucinda Lemos e de Henrique Martins Correia, António Correia nasceu a 21 de Julho de 1895 em S. Pedro de France, perto de Viseu, e faleceu na Quinta das Mestras, Vila da Feira, em 1961, vítima de uma hemorragia cerebral. 

Casado com Florinda Cerqueira de Mesquita [n. 28/04/1886], teve duas filhas. A mais nova, Maria Amélia Cerqueira Martins Correia, casou com o advogado e antifascista Fernando Mouga

Ainda estudante do liceu, alistou-se "como voluntário na unidade de artilharia de Viseu" [Fernando Mouga, Janela da Memória, p. 271], "fez a guerra em França" e obteve, em Inglaterra, "o diploma de piloto-aviador de combate que dele fez um dos pioneiros da aviação militar portuguesa". Um acidente de aviação em Torres Novas, quando voava com Ribeiro da Fonseca, fizeram-no regressar à Arma de Artilharia, sendo "o capitão mais novo, ao tempo, do Exército português e na Arma permaneceu até que, já na situação de reserva, o ministro, fascista, da Guerra - Fernando dos Santos Costa - o demitiu".

Embora tenha cursado Direito em Coimbra, "ficando-se pela frequência do primeiro ano", seguiu a carreira militar.

Radicado em Viseu, depois de "desligado da aviação e de servir na Artilharia, em Amarante", este "republicano de consequente acção democrática" fomentou a "criação de uma Universidade Livre", onde também leccionou, e fundou o jornal local República, que dirigia e onde escrevia. Conviveu, entretanto, com os seareiros Raul Proença e Câmara Reys e Almeida Moreira, fundador do Museu Grão Vasco.

Durante a Guerra de 1939-1945, o capitão António Correia foi preso e conheceu, durante quase quatro anos, as principais prisões fascistas, em virtude de uma carta enviada ao embaixador de Inglaterra em Portugal onde "se afirmava o apoio dos republicanos de Viseu à causa dos Aliados e se censurava a posição de Salazar". 


Por denúncia, a polícia política teve conhecimento da missiva e António Correia foi preso a 11 de Janeiro de 1942, enviado para o Aljube e, como era militar, seguiu para a Casa de Reclusão da Trafaria a 19 do mesmo mês. Demitido do Exército por despacho de Santos Costa, foi transferido, a 8 de Julho do mesmo ano, para o Aljube, por si considerado muito pior do que o inferno em missiva ao capitão Arruda, detido na Trafaria. Dali passou para Caxias (28 de Julho) e, a 5 de Agosto, embarcou para o Tarrafal, onde permaneceu até 27 de Janeiro de 1944.

De regresso ao continente, voltou a Caxias a 2 de Fevereiro e foi transferido para Peniche a 23 de Maio, prisão onde permaneceu até ser restituído à liberdade a 1 de Novembro de 1945. Poucos dias depois, foi um dos oradores do imponente comício realizado no Teatro Avenida: "pela primeira vez depois do advento do fascismo salazarista era possível à oposição democrática de Viseu manifestar-se maciçamente num acto público". 

Libertado, "tratou de viver com honra na situação a que fora reduzido de homem sem haveres nem rendimentos que lhe permitissem subsistir: trabalhou no comércio em Lisboa e Viseu como empregado, na Seara Nova com Câmara Reys ao lado de Manuel Ricardo; fixado por fim, nos arredores de Vila da Feira em casa de Maria Isabel, sua filha mais velha, leccionou num colégio da vila com o simples nome de António Correia até que a pide o localizou e impôs ao director que o despedisse".

Publicou dois livros, Poucos Conhecem os Açores, com prefácio de Câmara Reys (1942) e Palavras Sem Eco (1960), tendo esta recolha de escritos de opinião sido apreendido pela PIDE.

Na sequência do 25 de Abril, foi restituído, postumamente, no posto e na Arma de onde tinha sido demitido. A nova gestão da Câmara Municipal de Viseu atribuiu o nome de António Correia a uma rua, "embora secundária, da cidade". Por pouco tempo, pois a vereação eleita tratou de riscar aquele nome da toponímia.

O advogado, escritor e investigador José António Barreiros, no seu blogue O Mundo das Sombras, dedica-lhe um post com uma fotografia lindíssima de António Correia.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

[0910.] FERNANDO MOUGA [II]

* FERNANDO DA SILVA MOUGA *

[05/12/1914-15/01/1997]

Advogado.

Neto de camponeses alentejanos de Safara por parte da mãe e de ribatejanos por parte do pai, filho de professores primários que, "namorando-se nos tempos da implantação da República, se escreviam tratando-se por «cidadãos»", Fernando Mouga nasceu em Casais de Ferreira do Zézere, "terra de meus avós paternos", a 5 de Dezembro de 1914, "numa terça-feira, às três horas da tarde, pormenor que me foi dado por minha mãe para me satisfazer a curiosidade de saber quando, exatamente, apareci no mundo", e faleceu em Viseu a 15 de Janeiro de 1997.

Frequentou o Instituto dos Missões Laicas, de Sernache do Bonjardim, para onde entrou em 1924, o Instituto do Professorado Primário Português - Instituto Sidónio Pais, em Lisboa, o Liceu Camões e o Gil Vicente, onde foi colega e amigo de Mário Dionísio e de José Pedro Dias Júnior, "dançarino de fandango com requintes subtis de sapateado aprendido nas terras da Borda de Água do Ribatejo onde nascera e se criara", e que passou vários anos preso em Peniche no início da década de 60 quando era Professor do Ensino Técnico.

Matriculou-se em Direito, primeiro na Universidade de Coimbra (1933), onde emparceirou, em meados de 1936, com António Maldonado de Freitas no boicote à conferência de um catedrático fascista italiano, transferindo-se depois para Lisboa (1936), para o Campo de Sant'Ana. Na capital, conviveu politicamente com Álvaro Cunhal, Fernando Piteira Santos, Manuel João da Palma Carlos, Manuel da Fonseca e Manuel Campos Lima, tendo frequentado a redação do jornal O Diabo. Voltaria a reencontrar Álvaro Cunhal, inesperadamente, em Viseu, pouco antes da sua prisão em 1949, no Luso. 

Devido ao falecimento da Mãe a 17 de Setembro de 1937, teve de conciliar o trabalho com os estudos, passando a aluno voluntário de Direito. 

Aluno de Marcelo Caetano, "cujos méritos de sabedoria e de proficiência de ensino se não podem negar de boa-fé", descreve-o, em duas situações por si presenciada, como "homem autoritário e impiedoso": uma com Fernando Piteira Santos que, ao confrontar aquele no plano das ideias, ouviu um "Senhor Piteira, cale-se!" e aconselhou-o, sob forma de ameaça, a pedir transferência para a Faculdade de Letras; a outra, muito mais elucidativa do seu carácter fascizante, ao recusar a possibilidade de um aluno, operário vindo de Alhandra, realizar o exame por o comboio se ter atrasado, fazendo com que perdesse o ano.   

Cumpriu o serviço militar em Beja e Viseu, cidade onde se fixou definitivamente em Maio de 1944 e iniciou a advocacia.

A militância política, iniciada na década de trinta, intensificou-se naquela cidade, datando de finais dos anos 40 a ligação ao Partido Comunista.

Participou ativamente no MUD, "a minha primeira experiência de combate político, organizado, ao fascismo", tendo-se oposto, juntamente com o médico César Anjo (1915-1969), à entrega posterior das listas locais às autoridades por irem "enriquecer gratuitamente o ficheiro da polícia política e possibilitar represálias a todo o tempo e em qualquer aspetos da vida dos cidadãos comprometidos".

Em 1949, interveio na campanha do general Norton de Matos, integrando as comissões concelhia e distrital de Viseu.

Fez parte, em 1951, do Movimento Nacional Democrático liderado por Ruy Luís Gomes e participou nos Congressos Republicanos de Aveiro, tendo apresentado com Augusto César Anjo e J. Simões uma comunicação intitulada "Tomás da Fonseca Vivo - Um inteletual sem Bandeira irmanado com o Povo" (1969).

Autor do poema "Esta Guerra Não É Nossa", "manifesto contra as guerras coloniais, em jeito de romance popular, bem rimado e de palavras simples" e editado em folheto clandestino pelo Partido Comunista.

Escreveu poesia, embora a maioria não tenha sido editada. Poemas seus integraram a obra coletiva Contos e Poemas de autores modernos portugueses, organizado e editado por Carlos Alberto Lança e Francisco José Tenreiro (1942). Segundo Otto Solano, Luís de Freitas Branco (1890-1955) compôs "duas canções revolucionárias sobre poemas de Fernando Mouga e José Gomes Ferreira de conteúdo abertamente subversivos".

Após o 25 de Abril interveio politicamente no âmbito do MDP/CDE.

Em 1974, aceitou "o cargo de delegado da Direção-Geral dos Desportos, em Viseu, para comparticipar pela prática (e que maravilhosa experiência foi!) na autêntica revolução que, dirigida pelo Prof. Melo de Carvalho [...], se propunha, na pureza do ideal do 25 de Abril, implantar no país uma política desportiva no real interesse do Povo e, consequentemente, da Nação". 

Por sua casa, em Viseu, passaram, em absoluta segurança, clandestinos e lá se realizaram reuniões de responsáveis do Partido Comunista. 

Casado com Maria Amélia Cerqueira Martins Correia, filha de António Correia (1895-1961) que, entre 1942 e 1945, passou pelas prisões da Trafaria, Aljube, Caxias, Tarrafal e Peniche, Fernando Mouga, Cidadão íntegro de um "país onde os grandes homens sempre foram muito poucos e muitas as coisas pequenas", é um nome a evocar da Resistência e da Intervenção Cívica em Viseu.

Escreveu o livro memorialista Janela de Memória (Gente, Bichos, Factos e outras coisas que tecem a vida e à vida chegaram nas voltas do mundo), concluído "exatamente às dezassete horas e um quarto do dia treze de Setembro de 1995" e publicado em 1996.


[0909.] FERNANDO MOUGA [I]

* FERNANDO DA SILVA MOUGA *
[1914-1997]

Eis um livro de Memórias provavelmente pouco mediático e que urge divulgar e reler, não só pela descrição de vivências pessoais, mas também pelo que nos é dado a conhecer da luta contra a ditadura salazarista, nomeadamente em Viseu. 

Por estas páginas perpassam nomes da Resistência (uns mais conhecidos, outros menos), pequenas/grandes histórias desconhecidas (como a das listas do MUD em Viseu) e ainda a evocação comovente de António Correia, sogro de Fernando Mouga, capitão de artilharia e aviador que esteve em França na I Guerra e que, devido à sua oposição à Ditadura, foi demitido do Exército por Santos Costa e conheceu, entre 1942 e 1945, a prisão militar da Trafaria, o Aljube, Caxias, Tarrafal e, finalmente Peniche.

Um abraço ao José Mouga, pela amizade, pelas Histórias, pelo convívio que a profissão proporcionou e por esta Janela da Memória.