[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

[2054.] ARTÍLIO BATISTA [I] || 36 ANOS A CAMINHO DAS PRISÕES FASCISTAS DO ESTADO NOVO (1936 - 1972)

* ARTÍLIO BATISTA *
[1918 - ?]

PRESO ENTRE 1936 - 1939 (PENICHE, ALJUBE, CAXIAS) || 1948 (ALJUBE) || 1949 (ALJUBE) || 1958 (CAXIAS) || 1960 (ALJUBE) || 1971 - 1972 (CAXIAS)

Militante comunista nos anos 30 e resistente antifascista, Artílio Batista foi, entre 1936, quando tinha somente dezassete anos, e 1972, sucessivamente preso por seis vezes e fotografado pela PVDE/PIDE/DGS, passando repetidamente pelo Aljube, Caxias e Peniche, para além de Esquadras da Polícia.

Nunca abdicou do combate à Ditadura, representou o Concelho da Moita no II Congresso Republicano (1969) e preparou uma tentativa de fuga de vários presos políticos de Caxias (1937) e concretizou outra de Peniche (1938), sendo, no entanto, capturado no mesmo dia. 

No início da década de 1970, integrou e participou em acções das Brigadas Revolucionárias, juntamente com o filho e outros familiares.

[Artílio Batista || 1936 || ANTT || RGP/3113 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239d]

Filho de Maria da Graça Martins, natural de São Vicente de Fora, Lisboa, e de Nuno Batista, Artílio Batista nasceu em Setembro de 1918, em Vila Nova da Barquinha.

Serralheiro, com residência na Rua dos Corvos nº 3 - 1 - Lisboa, Artílio Batista começou por ser preso pela Secção Política e Social da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado em 11 de Maio de 1936, quando ainda era menor, encaminhado para uma esquadra e, em 26 do mesmo mês, entrou na 1.ª Esquadra, onde regressaria por mais duas vezes nesse ano.

Depois da passagem por esquadras da PSP e de ter sido mantido em regime de incomunicabilidade, entrou na Fortaleza Militar de Peniche em 28 de Julho de 1936.

Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 18 de Novembro, foi condenado a 23 meses de prisão correccional e na perda de direitos políticos por cinco anos, contabilizados somente quando maior de idade [Processo 699/36].

[Artílio Batista || 1936 || ANTT || RGP/3113 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239d]

No dia a seguir ao julgamento foi levado para o Aljube, reentrando em Peniche em 20 de Novembro de 1936.

O ano de 1937 seria particularmente agitado quanto a passagens pelas prisões fascistas: 1.ª Esquadra (30 de Março); Aljube (9 de Abril); Caxias (26 de Junho); e Peniche (17 de Novembro), sendo esta última transferência motivada «por ter sido organizador de uma tentativa de fuga de vários presos em Caxias» [ANTT, RGP/3113].

Regressaria a Caxias no ano seguinte, em 23 de Novembro, «ficando ali em regime de isolamento e sem visitas por ter preparado e levado a efeito a evasão de Peniche em 18/11/38, sendo recapturado no mesmo dia». 

Embora já tivesse terminado a pena a que fora condenado pelo TME, Artílio Batista foi mantido em prisão preventiva «no regime anteriormente citado, visto ser mal comportado e reincidente na preparação de fugas de outros presos».

Levado para o Aljube em 24 de Março de 1939, só seria libertado em 16 de Julho de 1939,  três anos depois de ter sido detido.

[Artílio Batista || 02/03/1948 || ANTT || RGP/3113 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239c]

Ainda a residir em Lisboa, Artílio Batista seria preso pela segunda vez em 2 de Março de 1948. Enviado para o Aljube, saiu em liberdade condicional em 16 de Março do mesmo mês [Processo 1012/48].

[Artílio Batista || 02/03/1948 || ANTT || RGP/3113 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239c]

No ano seguinte, envolveu-se activamente na candidatura presidencial de Norton de Matos e, em 22 de Setembro de 1949, foi novamente detido, permanecendo no Aljube até finais desse ano [Processo 1024/49].

Já se encontrava a viver na Margem Sul do Tejo, no Barreiro, quando se deu a quarta prisão, sendo entregue pela GNR à PVDE em 31 de Maio de 1958, provavelmente na sequência da campanha presidencial desse ano, envolvendo as candidaturas oposicionistas de Arlindo Vicente, de quem era apoiante, e de Humberto Delgado [Processo 644/958]. 

[Artílio Batista || 17/06/1960 || ANTT || RGP/3113 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239b]

Libertado em 21 de Agosto de 1958, Artílio Batista voltou a ser detido em 17 de Maio de 1960 e encaminhado para o Aljube, donde saiu em 22 de Julho [Processo 832/960]. Esta prisão terá resultado do seu envolvimento com o capitão Almeida Santos, tendo-o visitado no presídio da Trafaria em 1959 e, de certa forma, aderido a eventuais acções militares contra o regime, integrando o núcleo de civis.

[Artílio Batista || 17/06/1960 || ANTT || RGP/3113 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239b]

Em Maio de 1969, Artílio Batista integrou a representação da CDE do distrito de Setúbal ao II Congresso Republicano, juntamente com Manuel Cabanas (Barreiro), Herculano Pires (Almada) e Joaquim Carreira Tapadinhas (Montijo), apresentando-se pela Moita.

[Artílio Batista || 02/12/1971 || ANTT || RGP/3113 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239a]

[Artílio Batista || 02/12/1971 || ANTT || RGP/3113 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239a]

No início da década de 1970, e por intermédio de Isabel do Carmo que o conhecia do Barreiro e sabia da  sua "apetência" pela luta armada, Artílio Batista integrou as Brigadas Revolucionárias e participou, com Carlos Antunes, na sabotagem da Base da NATO na Fonte da Telha, em 7 de Novembro de 1971 [Isabel do CarmoLuta Armada, 2017].

A sexta, e última, prisão de Artílio Batista ocorreu no período marcelista, imediatamente a seguir àquela acção, tendo sido detido pela Direcção Geral de Segurança em 2 de Dezembro de 1971.

Recolheu a Caxias e saiu em liberdade em 28 de Fevereiro de 1972.


 
[Artílio Batista || ANTT || RGP/3113 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239]

Nesse mesmo ano, em Julho de 1972, também esteve envolvido nos preparativos da acção em que as BR soltaram porcos vestidos de almirante, numa alusão à reeleição de Américo Tomás como Presidente da República.

Apesar da resistência à Ditadura ter sido assegurada por muitos "anónimos" como Artílio Batista, este nome raramente consta dos livros da oposição antifascista: no entanto, foi um daqueles que nunca desistiu de resistir e lutar, tendo uma das vezes sido preso juntamente com a mulher.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

O seu filho, Artílio Vasco Batista (20/02/1942 - 05/05/2015), sempre se orgulhou do percurso do pai, sendo também um opositor ao regime: nos anos 60, envolveu-se nos movimentos estudantis, tendo sido expulso, após julgamento sumário, da Escola Industrial e Comercial Alfredo da Silva. Posteriormente, foi um dos fundadores e operacionais das Brigadas Revolucionárias. 

NOTA: Obrigado a José Marcelino, também ele um resistente e ex-preso político, pela informação e documentação disponibilizadas.

Fontes:
ANTT, Registo Geral de Presos 3113 [Artílio Batista / PT-TT-PIDE-E-010-16-3113_P4_m0239].

[João Esteves]

terça-feira, 11 de agosto de 2015

[1061.] LÍLIA DA FONSECA [I]

* MARIA LÍGIA VALENTE DA FONSECA SEVERINO *
[21/05/1906 - 13/08/1991]
[Fotografia publicada em Faces de Eva, nº 9, 2003, cedida pela irmã Hortense de Almeida]

Jornalista, publicista e escritora que ficou conhecida pelo pseudónimo literário de Lília da Fonseca.

Filha “de uma angolana natural de Luanda” [Hortense de Almeida] e de um republicano e maçon, nasceu em 21 de Maio de 1906, “e não em 1916 como sempre declarou nos seus dados biográficos” [H. de Almeida], em Benguela. 

[O Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV (Coordenação de Ilídio Rocha), Publicações Europa-América, 1997, pp. 607-608, apresenta a mesma data de nascimento].

Estudou em Coimbra, no Liceu Infanta D. Maria, e no Porto, na Escola Carolina Michaëlis.  

Foi redactora de A Província de Angola e Jornal de Angola; colaborou nos periódicos Acção, Jornal de Benguela, Modas & Bordados, Os Nossos Filhos e Seara Nova; e idealizou e dirigiu, entre 1950 e 1956, o Jornal-Magazine da Mulher, concretizando o projecto de publicar uma revista mensal dedicada aos problemas das mulheres portuguesas. 

Lília da Fonseca era também um dos proprietários deste magazine, sendo o trabalho de feitura e coordenação efectuado na sua casa, “posto que os meios financeiros para o empreendimento eram muito escassos e não consentiam despesas com instalações próprias” [Gastão de Vasconcelos], e contou com o apoio e a colaboração de intelectuais ligados à oposição à ditadura e que tinham aderido ao Movimento de Unidade Democrática, nomeadamente Alberto Ferreira, Clara Sérgio, Humberto d’Ávila, Lima de Freitas, Nascimento Rodrigues e Gastão de Vasconcelos [Gastão de Vasconcelos, "Jornal-Magazine da Mulher", Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Lisboa, Livros  Horizonte, 2005].

No editorial de apresentação, explicava-se o seu aparecimento, pretendendo proporcionar uma leitura de temas relacionados com a mulher, “a que coopera com o homem na luta pelas condições de vida, na educação dos filhos, nas melhorias do trabalho”.  Começou com 30 páginas, a partir de 1954 passou a ter 48 e até Fevereiro de 1956 saíram 52 números, sendo que a partir do nº 49, de Setembro de 1955, passou a chamar-se apenas Jornal Magazine, numa tentativa de chegar a um público mais vasto. 

Não deixa de ser relevante a qualidade dos colaboradores deste projecto de Lília da Fonseca, quase todos oposicionistas, referidos por Gastão de Vasconcelos no seu texto para o Dicionário no Feminino: "no conto, Miguel Torga, Fernando Namora, Manuela de Azevedo, José Saramago, Alexandre Cabral, Manuela Porto (prematuramente falecida, infelizmente); em artes e letras, José Régio, Alves Redol, Ilse Losa, Carlos Oliveira, Nascimento Rodrigues; ilustradores, foram Júlio Pomar, Lima de Freitas, Querubim Lapa; sobre teatro, Jacinto Ramos, Fernando Gusmão, Maria Barroso; sobre música, Humberto d’Ávila, João de Freitas Branco, Francine Benoit... No desporto e campismo, encontramos Fernando de Almeida, enquanto em assuntos sobre as “colónias”, escreveram a directora, Lília da Fonseca, Alda Sara, Augusto Casimiro; questões jurídicas foram tratadas por Luz Pinheiro. Foram ainda colaboradores (entre muitos outros, repita-se) José Marinho, Graça Brosque, Isaura Correia Santos". 

É de destacar que o periódico inseriu um depoimento de Maria Barroso sobre a Associação Feminina Portuguesa para a Paz e abordou o caso das enfermeiras dos Hospitais Civis que então não eram autorizadas a casar.

A par do jornalismo, sendo autora de crónicas e de reportagens, publicou, durante mais de 30 anos, novelas, romances, contos, poesias, literatura infantil, onde se notabilizou, e peças de teatro, tendo-lhe sido atribuído, em 1960 e 1963, o Prémio João de Deus. 

Fundou a Cooperativa «Ludus», de livros infantis, e dedicou-se à arte das marionetas, consubstanciada na fundação do Teatro de Branca Flor em 1962 [História do Teatro de Branca-Flor nos seus 20 anos de existência (1962-1982), 1982] e, no seu seio, do Centro de Animação de Fantoches. 

Data da década de 40, quando se fixou definitivamente em Lisboa, a defesa de posições políticas de esquerda e o engrossar da oposição à Ditadura do Estado Novo. 

Na segunda metade da década de 40, durante a presidência de Maria Lamas, militou activamente no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, tendo, segundo o estudo de Célia Costa, participado em 37 reuniões realizadas entre 10 de Novembro de 1945 e 26 de Junho de 1947, número só superado por Fernanda Tasso de Figueiredo. Algumas das suas obras estiveram expostas na Exposição de Livros Escritos por Mulheres organizada pelo Conselho em 1947. 

Assinou na revista Alma Feminina, órgão do CNMP, um artigo sobre o sufrágio feminino [“O voto da mulher”, Alma Feminina, nº 14, Novembro, 1945, pp. 8-9]. Neste texto, e a propósito do que se passava em França, Lília da Fonseca não só considerava que “quando os governos de todo o mundo forem mistos, é possível que diminua a possibilidade da guerra”, como defendeu, para Portugal, o direito da mulher poder votar nas mesmas condições que o homem. No mesmo escrito, apelou à sua consciência cívica, que não se devia limitar à futilidade dos chás de caridade e das esmolas, “dadas muito embora com carinho e devoção”.

Também marcou presença na Associação Feminina Portuguesa para a Paz, tendo assinado um escrito sobre a Paz no seu Boletim [“A Paz pela transformação do homem”, Boletim da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, nº 7, Julho, 1950]. 

A seguir ao fim da Guerra, em Novembro de 1945, foi signatária de um manifesto de intelectuais em que se protestava contra «as limitações de toda a espécie» de que a sua actividade era objecto [Mário Matos e Lemos, Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário, Texto Editores, 2009].

Em 1957, com a médica Cesina Bermudes e a escritora Natália Correia, fez parte da Comissão Cívica Eleitoral de Lisboa, que procurava dar enquadramento legal à oposição nas eleições que se avizinhavam. Aquela Comissão organizou, a 4 de Janeiro de 1958, um jantar de homenagem a Lília da Fonseca, a que compareceram cerca de 120 pessoas, entre as quais Cesina Bermudes, e durante o qual se procurou acordar numa estratégia comum para a escolha de um candidato presidencial de toda a oposição, tendo a escritora integrado, posteriormente, a Comissão Central da Candidatura de Arlindo Vicente [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política – O Prisioneiro (1949-1960), Vol. 3, Lisboa, Temas e Debates, 2005].

Em 21 de Abril de 1960 proferiu uma conferência na Casa dos Estudantes do Império intitulada "O jornalismo em Angola", tendo já em 1948 estado associada ao Movimento dos Novos Intelectuais de Angola [MNIA], que tinha como lema "Vamos descobrir Angola", onde trabalhou ao lado de outros poetas e escritores, nomeadamente Cochat Osório.

Em 1969, participou no grupo restrito de dez  mulheres que formaram a Comissão Democrática Eleitoral de Mulheres e fez parte da Comissão Distrital da CDE de Lisboa. 

A partir de 1977, e até ao seu falecimento, integrou o Conselho Nacional do Movimento Democrático de Mulheres.

Faleceu em Alverca do Ribatejo, com 85 anos de idade, deixando “um conjunto de 23 obras” inéditas. 

Hortense de Almeida testemunha o que foi a sua vivência em texto publicado na revista Faces de Eva [Hortense de Almeida, “Pioneiras - Lília da Fonseca”, Faces  de Eva. Estudos sobre a Mulher, nº 9, 2003, pp. 167-174, 2003]. 

[João Esteves]

segunda-feira, 13 de julho de 2015

[1026.] DIA DA MULHER || CDE - ELEIÇÕES DE 1973

* CDE || CAMPANHA ELEITORAL OUTUBRO DE 1973*

- DIA 17 DE OUTUBRO || DIA DEDICADO À MULHER -

[Diário de Lisboa, 17 de Outubro de 1973]

quarta-feira, 8 de julho de 2015

[1016.] MARIA FERNANDA CORTE REAL GRAÇA E SILVA [I]

[28 de Abril de 1947]

Filha de Emília de Mascarenhas Corte Real Graça e Silva, com raízes numa família abastada, monárquica e conservadora do Algarve, e do republicano Henrique Augusto da Silva, advogado e conservador do registo civil de Beja, nasceu em Setúbal a 1 de Outubro de 1925. 

Frequentou o Colégio do Sagrado Coração de Jesus entre a 1ª classe e o 3º ano, quando passou para um liceu estatal, e cursou Direito na Universidade de Lisboa. 

Começou cedo a sua militância política, a que não terá sido alheia o republicanismo e antisalazarismo do pai, bem como a perseguição a este movida pelas autoridades do Estado Novo por ter assinado as listas do Movimento de Unidade Democrática e o convívio com oposicionistas comunistas. 

Na Faculdade, fez parte do MUNAF, a convite de um colega de Direito; em 1945, com 19 anos, associou-se ao numeroso grupo de estudantes que aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas; no ano seguinte, integrou a Comissão Central do MUD Juvenil com, entre outros, António Abreu, Francisco Salgado Zenha, Júlio Pomar, Mário Sacramento, Mário Soares, Octávio Pato e Rui Grácio; e conheceu o futuro marido, Orlando Pereira, estudante do 2.º ano e dirigente estudantil ligado ao Partido Comunista. 

Data de então a sua adesão a este, fazendo-se a intervenção no âmbito daquela organização juvenil, onde foi a única mulher a ter lugar na primeira direcção composta por dez homens. 

Foi enquanto dirigente do MUD Juvenil que foi presa por duas vezes, o que fez com que não concluísse imediatamente o curso: a primeira, em Évora, juntamente com Júlio Pomar, a 27 de Abril de 1947, foi libertada quatro meses depois; tornou a ser detida, desta vez em Beja, em 24 de Abril de 1948, recolhendo mais uma vez ao Forte de Caxias. 

Saiu em liberdade condicional passados três meses, em 29 de Julho. 

Julgada inicialmente pelo Tribunal Plenário de Lisboa em 15 de Março de 1949, seria condenada a 40 dias de prisão correccional e suspensão de todos os direitos políticos por três anos. No entanto, a sentença seria agravada para 100 dias de prisão correccional, por acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 19 de Julho de 1950. 

Casou neste ano e a partir de 1951 a militância foi-se desvanecendo em resultado de passar a residir com a família em Abrantes, para onde o marido fora tomar conta de um escritório de um advogado amigo.

Participou ativamente na campanha eleitoral da oposição democrática de 1969, tendo discursado no comício realizado pela CDE em Santarém a 4 de Outubro de 1969.

Na sequência da revolução de Abril de 1974 e da nomeação daquele como notário, partiu para Lisboa. Só então concluiu o curso, tantas vezes adiado ora por questões políticas, ora pelo nascimento dos filhos. 

Na capital, retomou as ligações partidárias, leccionou no Liceu Passos Manuel a disciplina de Introdução à Política e exerceu, por escasso tempo, a advocacia num escritório particular. 

O quarto volume de Presos Políticos no Regime Fascista insere cópia da sua “Biografia Prisional”, incluindo as três habituais fotografias enquanto presa política; e Vanda Gorjão entrevistou-a para o seu trabalho Mulheres em tempos sombrios. Oposição feminina ao Estado Novo, citando-a com frequência. Trata-se, aliás, de uma obra imprescindível para compreender o percurso pessoal, político e profissional de Maria Fernanda Silva, bem como das mulheres oposicionistas da mesma geração. 

[João Esteves]

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

[0927.] EDUARDO RIBEIRO [I]

* EDUARDO RIBEIRO MARTINS *
[n. 1926]

[1969]

* DISTRITO DE BRAGA *
- CANDIDATO DA CDE ÀS ELEIÇÕES DE 26 DE OUTUBRO DE 1969 -

[As eleições de Outubro de 1969, Publicações Europa-América, 1970]

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

[0926.] JOSÉ SAMPAIO [I]

* JOSÉ DE ARAÚJO PEREIRA SAMPAIO *
[n. 10/06/1929]

[1969]

* DISTRITO DE BRAGA *
- CANDIDATO DA CDE NAS ELEIÇÕES DE 26 DE OUTUBRO DE 1969 -

[As eleições de Outubro de 1969, Publicações Europa-América, 1970] 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

[0922.] MARGARIDA MALVAR [I]

 * MARIA MARGARIDA BRAGA MALVAR *

[1969]

* DISTRITO DE BRAGA *
- CANDIDATA PELA CDE ÀS ELEIÇÕES DE 26 DE OUTUBRO DE 1969 -

 [As eleições de Outubro de 1969, Publicações Europa-América, 1970]

Filha de Joana de Sá Braga Malvar [1912-2004], que foi activista da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, com residência em Famalicão, e do prestigiado militante antifascista António Cleto Malvar [1913-1987], comerciante em Vila nova de Famalicão com o 4º ano de Direito.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

[0921.] LINO LIMA [I]

* LINO DE CARVALHO LIMA *

[1917-1999]

* DISTRITO DE BRAGA *
- CANDIDATO PELA CDE ÀS ELEIÇÕES DE 26 DE OUTUBRO DE 1969 -

  
 [As eleições de Outubro de 1969, Publicações Europa-América, 1970] 


Entre muitas outras actividades oposicionistas, Lino Lima foi, tal como o irmão Artur Carvalho Lima, apoiante da Associação Feminina Portuguesa para a Paz.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

[0918.] OS DEMOCRATAS DE BRAGA / TESTEMUNHOS E EVOCAÇÕES [I]

* OS DEMOCRATAS DE BRAGA *
- TESTEMUNHOS E EVOCAÇÕES -

Uma obra imprescindível para o estudo das Oposições à Ditadura (Militar, Salazarista, Marcelista) por terras do Distrito de Braga.

Embora escrita sobretudo "no masculino", este livro, de grafismo muito cuidado e cativante, contém testemunhos, vivências, anotações, memórias, episódios, nomes de quem combateu, de forma más ténue ou persistentemente, o regime ditatorial que vigorou no país entre 1926 e 1974.

Dado preocupante, a merecer reflexão, até porque se está actualmente a avançar para uma forçada e habilmente escondida "municipalização da educação", é que a maioria das Câmaras Municipais do Distrito pautaram-se pela ausência de colaboração, excepção da de Vila Nova de Famalicão que, desde o início, se manteve no projecto. Uma Câmara, apenas uma!, em catorze, manteve-se fiel à iniciativa.

 [Foto da capa: Teatro Circo, Braga, Outubro de 1969 - Comício da CDE]


  


[Edições Húmus / Universidade do Minho, 2014]


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

[0843.] FERNANDO MASCARENHAS [I]

* FERNANDO JOSÉ FERNANDES COSTA MASCARENHAS *
[17/04/1945-12/11/2014]

Licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa, frequentou a Universidade de Coimbra e a de Nanterre. Foi Assistente e, depois, Assistente Convidado da Universidade de Évora entre 1979 e 1988. Instituiu, em 1989, a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, atribuindo-lhe uma vocação cultural. 12.º Marquês de Fronteira.

Nas eleições de Outubro de 1969, foi candidato nas listas da Oposição Democrática (CDE) pelo círculo de Portalegre.


Fernando Mascarenhas escreveu para Feminae. Dicionário Contemporâneo, editado em 2013 pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, uma entrada biográfica sobre Maria Margarida de Sousa Canavarro de Meneses Fernandes Costa [24/02/1917-25/12/2003], sua mãe. 

[in Feminae. Dicionário Contemporâneo, CIG, 2013]

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

[0831.] HUMBERTO SOEIRO [I]

[28/06/1921-06/01/1999]

[Porto, distribuição da Editorial Inova, 1973]

Professor no Ensino Primário e Ensino Secundário Técnico e licenciado em Ciências  Históricas e Filosóficas [1947] e em Direito [1955] pela Universidade de Coimbra, Humberto Soeiro foi, tal como Lino de Carvalho Lima [21/02/1917-07/01/1999] e Victor de Sá, um nome fulcral da oposição à ditadura do Estado Novo em Braga.

Devido à sua intensa e corajosa atividade política, o regime não permitiu que nas eleições de 1969 o seu nome constasse na lista da CDE (Comissão Democrática Eleitoral) apresentada naquele distrito, sendo substituído por Joaquim António dos Santos Simões. O mesmo sucedeu a Victor de Sá, substituído por José de Araújo Pereira Sampaio que seria, depois do 25 de Abril, governador civil de Braga [1974-1975]. 

Em 1973, Humberto Soeiro encabeçou a seleção e edição do livro Intervenção Política, recolha de documentos integrais da oposição bracarense entre 1949 e 1970.