[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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terça-feira, 5 de junho de 2018

[1828.] SUSANA MENDONÇA DOS SANTOS [II]

* SUSANA MENDONÇA DOS SANTOS || PRESA EM 1936 E 1942 || UMA FAMÍLIA NAS PRISÕES POLÍTICAS DO FASCISMO: MÃE E TRÊS IRMÃOS *

[Susana Mendonça dos Santos || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5323, PT/TT/PIDE/E/010/27/5323 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Operária costureira, militante comunista.

Filha de Elvira Mendonça [n. 01/08/1883] e de António Luís dos Santos, Susana Mendonça dos Santos nasceu em 29 de Março de 1909, em Lisboa - S. Mamede.

Tal como a mãe e os irmãos André [n. 21/01/1910] e Manuel dos Santos [1914? - 25/10/1947], operário comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov” condenado nos anos 30 a 22 anos de prisão e fugido da Penitenciária de Coimbra em Setembro de 1944, com a saúde muito debilitada, morrendo na clandestinidade, manteve intensa actividade política nas décadas de 30 e de 40, conhecendo também ela a prisão por mais de uma vez.

Detida em 21 de Novembro de 1936 pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado/Secção Política e Social, com Luísa Rodrigues [07/03/1903 - 01/12/1960], de quem era colega de fábrica, acusada “de fazer propaganda subversiva e haver a suspeita de ter distribuído panfletos clandestinos nas oficinas onde trabalhava" [ANTT, Cadastro Político 8806; Processo 2210/SPS].

Transferida para o regime de incomunicabilidade em 5 de Dezembro de 1936, passou para a 1.ª Esquadra da PSP em 14 de Dezembro e enviada para a Cadeia das Mónicas em 19 de Dezembro, sendo restituída à liberdade em 12 de Abril de 1937 [ANTT, RGP/5323; Processo 1757/936].

[Susana Mendonça dos Santos || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5323, PT/TT/PIDE/E/010/27/5323 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Tornou a ser presa a 1 de Agosto de 1942. Transferida para a Inspecção de Coimbra no dia 5, regressou a Lisboa em 28 do mesmo mês, recolheu à 1.ª Esquadra e ingressou no Forte de Caxias em 15 de Setembro.

Julgada pelo Tribunal Militar Especial em 27 de Outubro de 1943, foi condenada a 1 ano de prisão correccional, dada por extinta, e saiu em liberdade em 22 de Novembro de 1943 [Processos 280/942 e 1493/42, do TME].

O jornal Avante! da primeira quinzena de Março de 1943, a propósito de novo julgamento do irmão Manuel dos Santos, informava que, para o pressionarem a fazer declarações, o regime fascista tinha condenado “a sua mãe «como jovem comunista» [?] a dois anos de prisão [...] e a sua irmã Susana no Tribunal Militar Especial a muitos meses de prisão” , preparando-se para “sujeitá-lo a novo julgamento em Tribunal Militar Especial ao lado de sua irmã bastante doente” [Avante!, Nº 28]. 

[Susana Mendonça dos Santos || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5323, PT/TT/PIDE/E/010/27/5323 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

O mesmo periódico clandestino denunciou, entre 1935 e 1947, a repressão policial que afectava quotidianamente a família daquele preso comunista, acusando de “prenderem, condenarem e assassinarem sua mãe”, ao detê-la em Fevereiro e Março de 1936, “como elemento de ligação entre ele e os seus camaradas” [“Salvemos Manuel dos Santos”, Avante!, Série II, Nº 20, Agosto de 1936, p. 2] e cuja condenação a dois anos de prisão “arruinaram o seu organismo depauperado pela miséria” [“Nos Tribunais Fascistas – Novo julgamento de Manuel dos Santos”, Avante!, Série VI, Nº 28, 1.ª Quinzena de Março de 1943, p. 2, col. 2].

Sendo Susana Mendonça dos Santos colega de fábrica e correlegionária de Luísa Rodrigues, não terá sido por acaso que o irmão Manuel dos Santos foi viver clandestinamente com esta quando fugiu da prisão, já muito doente, em 1944, falecendo três anos depois. 

Em tempos sombrios, em que muitos se calaram, pactuaram ou resignaram-se, esta família de origem modesta e operária mereceria, como muitas outras, um estudo mais aprofundado e enquadrado no contexto político e sócio-económico da época.

Feminae - Dicionário Contemporâneo [Lisboa, CIG, 2013] incluiu uma nota biográfica de Susana Mendonça dos Santos, sendo agora corrigidos e actualizados alguns dos dados ali inseridos.

[PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5323, PT/TT/PIDE/E/010/27/5323 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 8806 [Susana Mendonça dos Santos / PT-TT-PIDE-E-001-CX15_m0501].
ANTT, PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos/5323 [Susana Mendonça dos Santos / PT-TT-PIDE-E-010-27-5323].

[João Esteves]

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

[1300.] ANDRÉ MENDONÇA DOS SANTOS [I]

* UMA FAMÍLIA NAS PRISÕES POLÍTICAS DO SALAZARISMO: MÃE E TRÊS FILHOS *

Trabalhador marítimo.

Filho de Elvira Mendonça e de António dos Santos, André Mendonça dos Santos nasceu em Lisboa em 21 de Janeiro de 1910.

Tal como a mãe, Elvira Mendonça, e os irmãos Susana Mendonça dos Santos [n. 29/03/1909] e Manuel dos Santos [1914? - 25/10/1947],  operário comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov”, André Mendonça dos Santos também se revelou como oposicionista à Ditadura do Estado Novo.

Preso pela Diretoria de Lisboa em 1 de Agosto de 1942, foi enviado para o Aljube e transferido para Coimbra em 5 do mesmo mês, de onde regressou a 28, recolhendo à 1.ª Esquadra.

Foi transferido para Caxias em 15 de Setembro, sendo libertado quase seis meses depois, em 20 de Janeiro de 1943, na véspera de perfazer 33 anos, por ter sido despronunciado pelo Tribunal Militar Especial,

Novamente detido em 18 de Abril, a pedido do TME, recolheu ao Aljube e foi transferido, dois dias depois, para Caxias.

Julgado pelo TME em 27 de Outubro de 1943, foi absolvido e libertado em 2 de Novembro.

Em tempos sombrios, em que muitos se calaram, pactuaram ou resignaram-se, esta família de origem modesta e operária mereceria, como muitas outras, um estudo mais aprofundado e enquadrado no contexto político e sócio-económico da época.

[João Esteves] 
  

domingo, 18 de outubro de 2015

[1088.] HERMÍNIA DO CARMO BAPTISTA [I] || MÃE DE PEDRO BATISTA ROCHA

* MÃE DE PEDRO ROCHA *

Casada com António José da Rocha.

Mãe de Pedro Batista da Rocha, militante e dirigente, nos anos 30, da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas.

Em 1934, na sequência da primeira detenção do filho pela polícia política, integrou, com Elvira Mendonça, Susana Mendonça dos Santos e outros nomes, uma comissão de mulheres representante das famílias de presos junto do ministro do Interior, protestando contra o tratamento dado aos presos políticos e reivindicando uma amnistia. 


[Pedro Rocha, Escrito com paixão, Caminho, 1991]

Segundo Pedro Rocha, era quase sexagenária e "agia exclusivamente por solidariedade com os camaradas do seu filho".

[João Esteves]

sábado, 8 de agosto de 2015

[1056.] SUSANA MENDONÇA DOS SANTOS [I]

[n. 29/03/1909]

Costureira.

Filha de Elvira Mendonça e de António Luiz dos Santos, Susana Mendonça dos Santos nasceu em Lisboa a 29 de Março de 1909.

Tal como a mãe e o irmão Manuel dos Santos [1914? - 25/10/1947],  operário comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov” condenado nos anos 30 a 22 anos de prisão e fugido da Penitenciária de Coimbra em Setembro de 1944, com a saúde muito debilitada, morrendo na clandestinidade, manteve intensa atividade política nas décadas de 30 e de 40, conhecendo também ela a prisão por mais de uma vez.

Detida em 21 de Novembro de 1936 pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado/Secção Política e Social, com Luísa Rodrigues [07/03/1903 - 01/12/1960], de quem era colega de fábrica, esta última acusada “de fazer propaganda subversiva e de ter distribuído panfletos clandestinos nas oficinas onde trabalhava.

Transferida para o regime de incomunicabilidade em 5 de Dezembro de 1936, passou para a 1.ª Esquadra da PSP em 14 de Dezembro e foi enviada para a Cadeia das Mónicas em 19 de Dezembro, sendo restituída à liberdade em 12 de Abril de 1937 [TT, RGP 5323; Proc. 1757/936].

Tornou a ser presa a 1 de Agosto de 1942, foi transferida para a Inspeção de Coimbra no dia 5, regressou a Lisboa em 28 do mesmo mês, recolhendo à 1.ª Esquadra, e ingressou no Forte de Caxias em 15 de Setembro.

Julgada pelo Tribunal Militar Especial em 27 de Outubro de 1943, foi condenada a 1 ano de prisão correcional, dada por extinta, e saiu em liberdade em 22 de Novembro de 1943 [Proc. 280/942, enviado ao TME em 23/11/1942].

O jornal Avante! da primeira quinzena de Março de 1943, a propósito de novo julgamento de Manuel dos Santos, informava que para o pressionarem a fazer declarações o regime fascista tinha condenado “a sua mãe «como jovem comunista» (?) a dois anos de prisão [...] e a sua irmã Susana no Tribunal Militar Especial a muitos meses de prisão” [Avante!, n.º 28], preparando-se para “sujeitá-lo a novo julgamento em Tribunal Militar Especial ao lado de sua irmã bastante doente” [ibidem]. 

O mesmo periódico clandestino denunciou, entre 1935 e 1947, a repressão policial que afectava quotidianamente a família daquele preso comunista, acusando de “prenderem, condenarem e assassinarem sua mãe”, ao detê-la em Fevereiro e Março de 1936, “como elemento de ligação entre ele e os seus camaradas” [“Salvemos Manuel dos Santos”, Avante!, Série II, n.º 20, Agosto de 1936, p. 2] e cuja condenação a dois anos de prisão “arruinaram o seu organismo depauperado pela miséria” [“Nos Tribunais Fascistas – Novo julgamento de Manuel dos Santos”, Avante!, Série VI, n.º 28, 1.ª Quinzena de Março de 1943, p. 2, col. 2].

Sendo Susana Mendonça dos Santos colega de fábrica e correlegionária de Luísa Rodrigues, não terá sido por acaso que o irmão Manuel dos Santos foi viver clandestinamente com esta quando fugiu da prisão, já muito doente, em 1944, falecendo três anos depois. 

Feminae - Dicionário Contemporâneo [Lisboa, CIG, 2013] incluiu uma nota biográfica de Susana Mendonça dos Santos, sendo agora corrigidos e atualizados alguns dos dados ali inseridos.

[João Esteves]

terça-feira, 21 de julho de 2015

[1034.] ELVIRA MENDONÇA [II]

[n. 01/08/1883]

Elvira Mendonça é um dos muitos nomes esquecidos ou pouco conhecidos. No entanto, José Dias Coelho, no livro A Resistência em Portugal, inscreveu o seu nome na lista daqueles que “morreram às mãos da PIDE ou em consequência das torturas” [p. 77].

Elvira Mendonça era mãe de Manuel dos Santos [1914?-25/10/1947], "o pequeno Dimitrov", e de Susana Mendonça dos Santos [n. 29/03/1909], dois militantes comunistas que também conheceram as prisões nas décadas de 30 e 40 do século XX, e era correlegionária de Luísa Rodrigues, outro nome feminino emblemático da resistência.

domingo, 30 de março de 2014

[0566.] FEMINAE [XIX] // LETRA - E

- ENTRADAS -


* LETRA - E *


0266. Edite Falcão
0267. Elaine Antonia Sanceau 
0268. Elisa Abreu
Elisa Amado Bacelar - v. Maria Elisa Amado Bacelar
0269. Elisa Aragonez
0270. Elisa Cardoso Matinca 
0271. Elisa da Conceição Paninho
0272. Elisa da Conceição Lima
0273. Elisa da Conceição Santos Lima
0274. Elisa de Vasconcelos
0275. Elisa Frederica Hensler
0276. Elisa Santos
0277. Elsa de Oliveira
0278. Elvira Barreto de Figueiredo Perdigão
0279. Elvira Bastos
0280. Elvira Câmara Lopes
0281. Elvira Costa
0282. Elvira da Fonseca
0283. Elvira de Jesus
0284. Elvira Loureiro 
0285. Elvira Mendes
0286. Elvira Mendonça

0287. Elvira Saldanha
0288. Elzira Dantas Gonçalves Pereira Machado
Elzira Dantas Machado - v. Elzira Dantas Gonçalves Pereira Machado
0289. Ema da Conceição Oliveira
0290. Ema da Costa Pessoa
Ema de Oliveira - v. Ema da Conceição Oliveira
0291. Ema Pereira
Ema Quinta Alves - v. Ema Zaira Quinta Alves
0292. Ema Zaira Quinta Alves
Emília Adelaide - v. Emília Adelaide Pimentel
0293. Emília Adelaide Pimentel
Emília Adelaide Xavier dos Santos e Silva - v. Emília dos Santos Braga
0294. Emília Alves Martins
0295. Emília Amélia Sampaio Sirgado
0296. Emília Amélia Gomes Correia Pereira de Castro 
0297. Emília Augusta de Sá Vargas Morgado
0298. Emília Bähr Ferreira
0299. Emília Berardi
0300. Emília Brazão
0301. Emília Cândida
0302. Emília Costa
0303. Emília Costa Matos
Emília das Neves - v. Emília das Neves e Sousa
0304. Emília das Neves e Sousa
0305. Emília de Araújo Pereira
0306. Emília de Oliveira
0307. Emília Dionísia Ferreira dos Santos Silva Verdial

0308. Emília dos Anjos 

0309. Emília dos Santos Braga

0310. Emília Eduarda

0311. Emília Fernandes

0312. Emília Ferreira

0313. Emília Fossa

Emília Labourdonnay Gonçalves Roque - 
v. Condessa de Alto Mearim

0314. Emília Letroublon

0315. Emília Lopes

0316. Emília Pinheiro 

0317. Emília Pomar de Sousa Machado

Emília Possoz - 
v. Mily Possoz

0318. Emília Rochedo

0319. Emília Romo

0320. Emília Sarmento

0321. Emília Vieira

0322. Encarnação Pereira
0323. Ermelinda dos Santos
0324. Ermelinda Santos
0325. Ernesta Cerri
0326. Ernestina Augusta de Gambôa
0327. Ernestina Burguete
0328. Ernestina Cândida Martins Morgado dos Santos Silva
0329. Ernestina Cruz

0330. Ernestina de Lorena


0331. Ernestina Duarte

0332. Ernestina Santieiro

0333. Escola Maria Pia

0334. Estefânia Aurora de Sousa Pinheiro

0335. Estefânia Pinheiro

0336. Estefânia Pinto

0337. Estela da Cunha

0338. Ester Amélia da Costa Coutinho da Silva Carva-lho

0339. Ester Augusta de Oliveira

0340. Ester de Azevedo Eusébio Leão


Ester de Carvalho - 
v. Ester Amélia da Costa Coutinho da Silva Carvalho

Ester Durval - 
v. Ester de Azevedo Eusébio Leão

Ester Leão - 
v. Ester de Azevedo Eusébio Leão

0341. Ester Sousa

0342. Etelvina Augusta da Paz Assunção [Guizado]

0343. Etelvina de Almeida
0344. Ethel Marguerite Jequier Bucknall 
0345. Eufémia Marques 
Eugénia Câmara - v. Eugénia Infante da Câmara
0346. Eugénia Infante da Câmara
0347. Eulália de Sousa Amado
0348. Eustáquia Carneiro Chaves
Eva de Val-Flor - Pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispim*.
0349. Evelyn Louisa Burton Rangel Wallace 


[Edição da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) / 2013]

domingo, 21 de março de 2010

[0026.] ELVIRA MENDONÇA [I]

* PRESA POLÍTICA *

Em 21 de Março de 1936 é presa, pela segunda vez, Elvira Mendonça.

Nascida em 1 de Agosto de 1883, na Póvoa de Santa Iria, foi presa duas vezes pela Polícia de Segurança Pública na década de 30, quando era viúva, acusada de “ligações comunistas”. 


Já quinquagenária, a primeira verificou-se em 13 de Fevereiro de 1936, mas foi libertada pouco depois, no dia 28; enquanto a segunda, deu-se imediatamente a seguir, a 21 de Março, donde resultou julgamento pelo Tribunal Militar Especial em 21 de Dezembro e condenação a 22 meses de prisão correccional. 

Solta em 28 de Dezembro de 1937, terá morrido poucos anos depois: José Dias Coelho, no livro A Resistência em Portugal, inscreveu o seu nome na lista daqueles que “morreram às mãos da PIDE ou em consequência das torturas” [p. 77]. 

Rose Nery Nobre de Melo inseriu a “Biografia Prisional” no livro Mulheres Portuguesas na Resistência.