[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quinta-feira, 20 de junho de 2019

[2151.] JOSÉ LEONEL MARTINS RODRIGUES [I] || PRESO EM 1946 E 1959

* JOSÉ LEONEL MARTINS RODRIGUES *
[09/03/1926 - ]

Um ano mais velho do que o irmão Francisco Martins Rodrigues [1927 - 2008], José Leonel Martins Rodrigues foi preso aos 20 anos, na sequência dos preparativos para a celebração do 1.º de Maio de 1946 e, "muito maltratado pelos esbirros da Pide", "endoideceu e recolheu ao Júlio de Matos" [Júlia Coutinho, As Causas da Júlia], "nunca recuperando por completo" [Miguel Cardina, Margem de Certa Maneira. O maoismo em Portugal 1964 - 1974].

[José Leonel Martins Rodrigues || 02/05/1946 || ANTT || RGP 17068 || PT-TT-PIDE-E-010-86-17068]

Filho de Maria José Cuba Martins Rodrigues e de José Joaquim Clemente Rodrigues, José Leonel Martins Rodrigues nasceu em Moura, em 9 de Março de 1926.

Frequentou, em Lisboa, a Escola António Arroio e integrou, a partir de 1942, o grupo embrionário do movimento surrealista em Portugal que se reunia no Café Herminius, na Avenida Almirante Reis, constituído por António Domingues, Cruzeiro Seixas, Fernando de Azevedo, Fernando José Francisco, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Pedro Oom e Vespeira [Maria de Fátima Aires Pereira Marinho Saraiva, O Surrealismo em Portugal e a Obra de Mário Cesariny de Vasconcelos, 1986].

Em 30 de Abril de 1946, quando era desenhador, vivia na Av. Almirante Reis 178 e se prepararia "para entrar na Escola de Belas Artes, foi apanhado pela Pide numa noite em Campo de Ourique onde, com outro, fazia pichagens nas paredes em vésperas do 1.º de Maio de 1946" [Júlia CoutinhoAs Causas da Júlia]. Quem o acompanhava era o motorista Américo Dias Rocha, nascido em 1 de Dezembro de 1907 [Processo 469/946].

[José Leonel Martins Rodrigues || 02/05/1946 || ANTT || RGP 17068 || PT-TT-PIDE-E-010-86-17068]

Preso pela PSP, foi levado para o Aljube. Em 30 de Julho foi posto à disposição dos Tribunais Criminais de Lisboa e entregue às respectivas Cadeias Civis Centrais, provavelmente porque «escrevera: "Morte a Salazar" e isso era um crime gravíssimo. Indiciava-o como muito capaz de matar o chefe do Estado! A Pide tirou mesmo uma fotografia daqueles dizeres como prova do grave delito» [As Causas da Júlia, segundo entrevista dada pelo irmão Francisco Martins Rodrigues a Júlia Coutinho em 2006].

Libertado mais tarde sob caução, "nunca mais foi o mesmo. Nunca mais se dedicou à arte. Nunca mais conseguiu conviver com ninguém. Sempre assustado, sempre com medo, vendo polícias por todo o lado, desconfiando da própria sombra. Isolou-se e fechou-se num mutismo de que nunca mais se libertou" [Júlia CoutinhoAs Causas da Júlia].

[José Leonel Martins Rodrigues || ANTT || RGP 17068 || PT-TT-PIDE-E-010-86-17068]

Voltou a ser preso em 1 de Junho de 1959, em Setúbal, «para averiguações - suspeita de actividades contra a Segurança do Estado», sendo libertado em 15 de Julho [Proc. 303/959].

Ainda segundo o precioso escrito de Júlia Coutinho: "Um dia desapareceu. Fugiu da própria família. Nunca ninguém o conseguiu encontrar. Já após a morte dos pais e de praticamente todos os irmãos, apareceu. Sem mais palavras. Creio que o irmão o foi buscar. E vivia com o Chico que tratou dele até ao fim. Foi o António Domingues, que fora seu colega na António Arroio, quem me alertou para o drama do José Leonel. Uma vítima da Pide de quem ninguém fala. Que ninguém conhece. De que não ficaram sequer registos gráficos. Apenas um eventual processo nos arquivos da Pide, como tantos outros" [Júlia CoutinhoAs Causas da Júlia]. 

NOTA: Exactamente um mês antes de falecer, Francisco Martins Rodrigues escreveu uma nota referente ao irmão Leonel e que se encontra publicada em Os Anos do Silêncio, Dinossauro edições, 2008. Nela, revela o seu sofrimento em consequência do tempo que esteve preso [Aljube, Caxias] e dos tratamentos a que fora submetido por duas vezes no Hospital Júlio de Matos. 

[João Esteves]

quinta-feira, 26 de abril de 2018

[1797.] PAZ E TERRA || 43 ANOS DE FASCISMO EM PORTUGAL [I]

* 43 ANOS DE FASCISMO EM PORTUGAL *

[Revista Paz e Terra, ano IV, nº 10, Dez 1969, editora Civilização Brasileira]

Agradeço a Júlia Coutinho o envio e a partilha da Capa e Índice da revista brasileira Paz e Terra, dedicada aos 43 Anos de Fascismo em PortugalO número 10, saído em Dezembro de 1969, é inteiramente dedicado à denúncia do que se vivia em Portugal e foi da responsabilidade dos dirigentes do Portugal Democrático [Júlia Coutinho26 de Abril de 2018].

Nesta revista de Dezembro de 1969, constam quatro textos - da autoria de Augusto Aragão, de Joaquim Barradas de Carvalho, de Miguel Urbano Rodrigues e de Mário Moutinho de Pádua - que não fazem parte da edição portuguesa de 1974.



[Documentos cedidos por Júlia Coutinho || 2018]

"Na altura Barradas de Carvalho e Margarida ainda estavam no Brasil mas em breve iriam de novo para a Sorbonne, Paris, tal como Vítor Ramos iria dar aulas durante dois anos na universidade em Davis, Estados Unidos. Maria Antónia Fiadeiro também deixaria São Paulo e o Portugal Democrático para regressar ao exílio europeu. 

Todos fugiam à ditadura brasileira que se implantara em 1964. Apenas Vítor Ramos regressou por ter família brasileira e filhos adolescentes.

Dos autores dos artigos, apenas Augusto Aragão faleceu pouco antes do 25 de Abril, o que foi tremendamente injusto.

Vítor Ramos faleceu a 3 de Maio 74, sem regressar, mas viveu a alegria da boa notícia.

Miguel Urbano Rodrigues chegou a Portugal em Maio de 74 e foi o de maior longevidade, falecendo recentemente. 

O grande amigo de VR do tempo da Faculdade de Letras e da militância política dos anos quarenta e cinquenta, Joaquim Barradas de Carvalho, o único que poderia ter feito alguma coisa pela sua memória, morreria prematuramente em 1980.

Outros amigos: Jorge de Sena e Casais Monteiro. O primeiro faleceu em 79 e o Casais não chegaria a Abril de 74" [Júlia Coutinho26 de Abril de 2018].

* EDIÇÃO PORTUGUESA || JUNHO DE 1974 *


Como se pode observar, na capa só varia o número de anos vividos em Fascismo, totalizando, então, 43 anos e, em 1974, 48. No interior, não constam quatro textos, os da autoria de Augusto Aragão, de Joaquim Barradas de Carvalho, de Miguel Urbano Rodrigues e de Mário Moutinho de Pádua.



quarta-feira, 25 de abril de 2018

[1795.] VÍTOR RAMOS [I]

* VÍTOR RAMOS || CONFERÊNCIA PRONUNCIADA EM 25 DE SETEMBRO DE 1968 || BREVE ANÁLISE DA REPRESSÃO À VIDA INTELECTUAL EM PORTUGAL *

[Vítor Ramos || Fotografia de Antifascistas da Resistência]

Vítor Ramos (25/04/1920 - 03/05/1974), exilado político desde 1952 e fundador, em São Paulo, do jornal Portugal Democrático, faleceu de emoção ao saber da Revolução do 25 de Abril e quando se preparava para regressar imediatamente a Portugal. 

Antifascistas da Resistência inseriu a sua biografia da autoria de Júlia Coutinho e a Revista do Expresso, de 21 de Abril de 2018, dedicou-lhe um texto da autoria de Catarina Gomes, também baseado em informações cedidas por aquela investigadora.

Na sequência do 25 de Abril de 1974, foi editado em Junho o livro 48 Anos de Fascismo em Portugal, recolha de documentos referentes à Oposição Antifascista em Portugal e no Estrangeiro e à luta Anticolonial. Com recolha de Carme D. Carvalhas [?], provavelmente o livro corresponde a uma edição já preparada e o primeiro texto/documento é da autoria de Vítor Ramos, correspondendo a uma conferência proferida em 25 de Setembro de 1968, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, intitulada "Breve Análise da Repressão À Vida Intelectual em Portugal"



ADENDA, MUITO IMPORTANTE, DE JÚLIA COUTINHO, A QUEM AGRADEÇO ESTE IMPORTANTE ESCLARECIMENTO:

"Este livro é uma edição portuguesa, já depois de Abril, que reproduz [quase] integralmente o número 10 da revista brasileira PAZ e TERRA saído em Dezembro de 1969, inteiramente dedicado à denúncia do que se vivia em Portugal e da responsabilidade dos dirigentes do Portugal Democrático.

Tenho o original, raríssimo.

Na altura Barradas de Carvalho e Margarida ainda estavam no Brasil mas em breve iriam de novo para a Sorbonne, Paris, tal como Vítor Ramos iria dar aulas durante dois anos na universidade em Davis, Estados Unidos. Maria Antónia Fiadeiro também deixaria São Paulo e o Portugal Democrático para regressar ao exílio europeu. 

Todos fugiam à ditadura brasileira que se implantara em 1964. Apenas Vítor Ramos regressou por ter família brasileira e filhos adolescentes.

Dos autores dos artigos, apenas Augusto Aragão faleceu pouco antes do 25 de Abril, o que foi tremendamente injusto.

Vítor Ramos faleceu a 3 de Maio 74, sem regressar, mas viveu a alegria da boa notícia.

Miguel Urbano Rodrigues chegou a Portugal em Maio de 74 e foi o de maior longevidade, falecendo recentemente. 

O grande amigo de VR do tempo da Faculdade de Letras e da militância política dos anos quarenta e cinquenta, Joaquim Barradas de Carvalho, o único que poderia ter feito alguma coisa pela sua memória, morreria prematuramente em 1980.

Outros amigos: Jorge de Sena e Casais Monteiro. O primeiro faleceu em 79 e o Casais não chegaria a Abril de 74" [Júlia Coutinho, 26 de Abril de 2018].




















domingo, 5 de janeiro de 2014

[0442.] MARIA RODRIGUES PATO [I]


Uma vida de resistência a caminho das prisões políticas salazaristas * 
[1949-1974] 

Casada com João Floriano Baptista Pato, Maria Rodrigues Pato nasceu em outubro de 1900. 

Mãe de Abel, Carlos Alberto (1921-26/06/1950) e Octávio Floriano Rodrigues Pato (1925-1999), “sogra” de Albina Fernandes (1929-1970) e avó de Álvaro Pato, militantes comunistas. 

Foi a mulher que mais tempo caminhou para as prisões fascistas para ver aqueles familiares, presos, em simultâneo, ou de forma continuada, a partir da década de 40: segundo palavras do neto Álvaro, "percorreu milhares de quilómetros a andar de cadeia para cadeia"


[pp. 27-31]

Em 1974, em conversa com a jornalista Gina de Freitas, publicada a 25 de setembro de 1974 no Diário de Lisboa, contou o que foram “30 anos de sofrimento”, entre maio de 1949 e abril desse ano, a partir do momento em que a PIDE prendeu o filho Carlos, morto em Caxias depois de barbaramente torturado com 130 horas de estátua e sem lhe prestarem assistência médica, apesar das insistências dos outros presos, tendo guardado “uns sapatos dele, todos rebentados devido a ter ficado muito inchado por causa das torturas” [A força ignorada das companheiras, p. 30]. 

Depois detiveram Abel, empregado bancário, para ver se denunciava Octávio Pato, na clandestinidade desde 1945; de seguida, em 1961, calhou a vez a este e a Albina Fernandes, sua companheira, serem detidos com os dois filhos pequenos em Caxias; e, por último, em 1973, foi o neto, preso onze meses e um dia, sendo libertado de Peniche em 26 de abril de 1974. 
[João Esteves]

* Júlia Coutinho, no blogue As Causas da Júlia, insere a fotografia de Maria Rodrigues Pato, assim como a respectiva entrevista publicada no Diário de Lisboa *