[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

[1615.] JOÃO GOMES JÚNIOR [V]

* PRESO PELA PVDE EM 29 DE AGOSTO DE 1936 *

[1872 - 1957]

Republicano, antes da República, João Gomes Júnior foi um corajoso opositor do regime instaurado em 28 de Maio de 1926, tendo sofrido duras consequências políticas, económicas e familiares ao ser preso e deportado já sexagenário.

Nos anos 30, a partir da mercearia que detinha na Rua da Sofia, colaborou com alguns dos filhos na impressão e difusão do jornal A Verdade, sendo aquele estabelecimento "também frequentado assiduamente por tertúlias de vários «desafetos» ao regime" [Alberto Vilaça]. O armazém, que abastecia a cidade e muitos lugares dos arredores, foi fechado e, "logo após a sua fuga e as dos filhos, seguidas das prisões destes, a esposa ter-se-á visto mesmo forçada, por falta de todos estes apoios, a encerrar a mercearia, convocando os credores" [Alberto Vilaça].

Por andar fugido, João Gomes Júnior foi julgado à revelia pelo Tribunal Militar Especial do Porto em 6 de Julho de 1934, acusado de ter autorizado, no segundo semestre de 1933, a armazenarem na sua mercearia muitos pacotes com o jornal clandestino A Verdade e que escondessem o tipo da impressão com que foi feito o seu número 5, para além de o ter distribuído na cidade de Coimbra.

Na sequência desse envolvimento, João Gomes Júnior, com a cumplicidade das populações locais e apoios familiares, conseguiu sobreviver quase três anos fugido à Polícia Política, escondendo-se onde podia na zona da Figueira da Foz, Lares e Coimbra, inclusivamente em estações de comboio.

Foi finalmente detido em Coimbra, em 29 de Agosto de 1936, quando tinha 63 anos de idade, sendo dessa data a fotografia que aqui se publicita com a devida autorização do ANTT:

[PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 21, registo n.º 4058 || PT/TT/PlDE/E/010/21/4058 "Imagem cedida pelo ANTT"]

Transferido para o Aljube em 26 de Setembro, foi deportado para a Fortaleza de Angra do Heroísmo em 17 de Outubro do mesmo ano, tendo embarcado no dia seguinte no vapor Luanda.

O regresso deu-se em 3 de Novembro de 1937 e foi solto no dia 8, véspera de completar 65 anos.

[PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 21, registo n.º 4058 || PT/TT/PlDE/E/010/21/4058 "Imagem cedida pelo ANTT"]

[João Esteves]

sábado, 19 de novembro de 2016

[1547.] DETENÇÃO, DEGREDO E DEPORTAÇÃO NO IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS (XIX-XX): HISTÓRIA E MEMÓRIA [I]

* I COLÓQUIO INTERNACIONAL *

|| IHC - FCSH/NOVA || Museu de Angra do Heroísmo (Açores) || 23 a 25 de Novembro de 2016 ||


* JOÃO GOMES JÚNIOR *
(1872-1957/8)

Um dos muitos resistentes que foi deportado e cumpriu pena na Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo.

Republicano de Coimbra, aquando do triunfo da Ditadura Militar enfileirou a oposição activa e sofreu duras consequências políticas, familiares e económicas.

Imprimiu e distribuiu clandestinamente nos anos 30, no armazém que detinha na Rua da Sofia, números do jornal A Verdade, afecto a Afonso Costa, e na sequência dessas actividades andou fugido à Polícia Política, bem como vários filhos, foi preso, condenado e os bens apreendidos.

Depois de ter conseguido andar fugido à polícia política durante muitos meses, escondendo-se onde podia na zona da Figueira da Foz, Lares, Fontela e Coimbra, foi finalmente preso em Coimbra em 29 de Agosto de 1936, quando tinha 63 anos de idade.

Transferido para o Aljube em 26 de Setembro de 1936, foi deportado já sexagenário para a Fortaleza de Angra do Heroísmo em 17 de Outubro do mesmo ano.

Regressou em 8 de Novembro de 1937, tendo sido então restituído à liberdade.

[João Esteves]

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

[1284.] JOÃO GOMES JÚNIOR [IV]

* JOÃO GOMES JÚNIOR *

[1872 - 1957]

João Gomes Júnior é um dos muitos nomes que passa despercebido na historiografia da 1.ª República e na da Oposição às Ditaduras Militar e Estadonovista e, no entanto, foi um denodado republicano, antes da República, e corajoso opositor do regime instaurado em 28 de Maio de 1926, tendo sido perseguido, preso e deportado já sexagenário.

Filho de Guilhermina dos Prazeres e de João Gomes, nasceu em Coimbra, em 9 de Novembro de 1872, e casou com Mariana da Conceição Gomes [10/09/1875 - 1961(?)], tendo o casal tido nove filhos [Carlos Gomes, Jaime, José Gomes dos Santos, Berta, Felismina, Mário Gomes dos Santos, João, Maria e uma rapariga falecida ainda bebé].

Industrial, serralheiro de reconhecida arte e comerciante, foi ativista do Partido Republicano de Coimbra - Comissão Paroquial da Freguesia de Santa Cruz, onde era, em 1910, o respectivo Secretário, sendo um dos muitos cidadãos que, em 6 de Outubro, assinou o Auto de Proclamação da República em Coimbra elaborado na sede do Município. 



Aquando do triunfo da Ditadura Militar, enfileirou a oposição ativa republicana e sofreu duras consequências políticas, económicas e familiares. Amigo e correligionário de Bissaya Barreto [1886-1974], fez questão de cortar relações e não mais lhe dirigir a palavra na sequência do posterior posicionamento ideológico deste.

Nos anos 30, a partir da mercearia que detinha na Rua da Sofia, colaborou com alguns dos filhos na impressão e difusão do jornal A Verdade, afeto a Afonso Costa, sendo aquele estabelecimento "também frequentado assiduamente por tertúlias de vários «desafetos» ao regime" [Alberto Vilaça]. 
 

Na sequência desse envolvimento, andou quase três anos fugido à Polícia Política, escondendo-se onde podia na zona da Figueira da Foz, Lares e Coimbra, inclusivamente em estações de comboio, foi condenado, preso e deportado. O armazém, que abastecia a cidade e muitos lugares dos arredores, foi fechado e, "logo após a sua fuga e as dos filhos, seguidas das prisões destes, a esposa ter-se-á visto mesmo forçada, por falta de todos estes apoios, a encerrar a mercearia, convocando os credores" [Alberto Vilaça], causando danos económicos e familiares extremamente gravosos ao quotidiano familiar. 

Um dos filhos, José Gomes dos Santos, esteve diretamente envolvido na fuga de Armando Cortesão, um dos responsáveis pelo órgão republicano, e entregou, por volta de 1935, parte do tipo que se salvara, "escondida talvez nos escaninhos da mercearia de João Gomes Júnior" ao Partido Comunista "que dele pôde assim passar a usufruir" [Alberto Vilaça]. Os caracteres tipográficos salvos foram entregues dentro de um saco a António Mano Fernandes [n. 23/01/1911], estudante antifascista conimbricense que faleceu em 30 de Janeiro de 1938, com 27 anos, por falta de assistência médica, tendo sido transferido já moribundo do Forte de Peniche para os Hospitais Universitários de Coimbra.


Por andar fugido, João Gomes Júnior foi julgado à revelia pelo Tribunal Militar Especial do Porto em 6 de Julho de 1934, acusado de ter autorizado, no segundo semestre de 1933, a armazenarem na sua mercearia muitos pacotes com o jornal clandestino A Verdade e que escondessem o tipo da impressão com que foi feito o seu número 5, para além de o ter distribuído na cidade de Coimbra.


Preso em Coimbra em 29 de Agosto de 1936, quando tinha 63 anos de idade, João Gomes Júnior foi transferido para o Aljube em 26 de Setembro e deportado para a Fortaleza de Angra do Heroísmo em 17 de Outubro do mesmo ano, tendo embarcado no dia seguinte no vapor Luanda.


O regresso deu-se em 3 de Novembro de 1937, quando embarcou no navio Carvalho de Araújo, e foi solto a 8, na véspera de completar 65 anos.


No final da década de 1930, Manuel Campos Lima [1916-1996], então diretor do jornal O Diabo, era visita de sua casa quando se deslocava a Coimbra, onde se reunia, entre outros, com José Gomes  dos Santos.

 [Coimbra || Década de 1950]

João Gomes Júnior faleceu em Coimbra, na sua residência, com 85 anos de idade [o nome próprio da esposa é Mariana e não Maximina como consta da necrologia].


[João Esteves]

domingo, 20 de dezembro de 2015

[1272.] CARLOS GOMES [I]

* PARTIDO REPUBLICANO DE COIMBRA || COMISSÃO PAROQUIAL DE SANTA CRUZ || 1910 *

- CARLOS GOMES [DOS SANTOS] || RUA DE MONTES CLAROS -

Filho mais velho de Mariana da Conceição Gomes [n. 1875] e de João Gomes Júnior [n. 1872].

Integrava, em 1910, a Comissão Paroquial da Freguesia de Santa Cruz do Partido Republicano de Coimbra, de que seu pai era o Secretário, e foi um dos muitos cidadãos que, em 6 de Outubro de 1910, assinou o Auto de Proclamação da República em Coimbra elaborado na sede do Município.

Filho e irmão de republicanos e oposicionistas à Ditadura Militar e à ditadura do Estado Novo, este militar de carreira [tenente em 1930, major na década de 40, tenente-coronel na década de 50] entrou em variadas conspirações e sublevações contra o regime, sendo disso acusado pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado e alvo de processos políticos levantados pela instituição militar, atenuados por ter sido colega de Santos Costa [1899 - 1982], com o qual sempre terá mantido uma relação de camaradagem militar.

Pai de Henrique Aureliano Vieira Gomes, médico com residência na Figueira da Foz que seria, na década de 1980, deputado pelas listas do Partido Socialista; de Humberto Carlos Vieira Gomes; e de Maria da Conceição Helena Vieira Gomes [Lopes Rego].  

[1910]

quarta-feira, 29 de julho de 2015

[1043.] JOÃO GOMES JÚNIOR [III]

 [1872-1957/8]
 
[João Gomes Júnior, já octogenário no quintal da sua residência em Coimbra]

Filho de Guilhermina dos Prazeres e de João Gomes, nasceu em Coimbra em 9 de Novembro de 1872.

Industrial e serralheiro de reconhecida arte, foi activista do Partido Republicano de Coimbra - Comissão Paroquial da Freguesia de Santa Cruz, onde era em 1910 o respectivo Secretário. 

Aquando do triunfo da Ditadura Militar, enfileirou a oposição ativa republicana e sofreu duras consequências políticas e económicas.

Imprimiu e distribuiu clandestinamente nos anos 30, no armazém que detinha na Rua da Sofia, números do jornal A Verdade, afecto a Afonso Costa, e na sequência dessas actividades andou fugido à Polícia Política, bem como vários filhos, foi preso, condenado e os bens apreendidos.

Depois de ter conseguido andar fugido à polícia política durante muitos meses, escondendo-se onde podia na zona da Figueira da Foz, Lares e Coimbra, foi finalmente preso em Coimbra em 29 de Agosto de 1936, quando tinha 63 anos de idade.

Transferido para o Aljube em 26 de Setembro de 1936, foi deportado já sexagenário para a Fortaleza de Angra do Heroísmo em 17 de Outubro do mesmo ano.

Regressou em 8 de Novembro de 1937, tendo sido então restituído à liberdade [TT, RGP, Livro 22, R. 4058; PIDE/DGS, SC, PC 1184/36 NT 4448].


Pai de José Gomes dos Santos [19/03/1899-03/04/1991], antifascista muito conhecido em Coimbra que também passou pelo Aljube, Peniche e Fortaleza de Angra do Heroísmo, e de Mário Gomes dos Santos, preso no Aljube do Porto em 1934 e que não manteve posterior militância oposicionista; e avô de Lucinda Mariana Gomes Franco [01/11/1923-10/01/2012].

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

[0729.] JOSÉ GOMES DOS SANTOS [V]

* JOSÉ GOMES DOS SANTOS *
[1899-1991]
[Manifestação de 26/04/1974 - Coimbra,
in Victor Costa e Alexandre Ramires, A força do Povo. O 25 de Abril em Coimbra, Lápis de Memórias, 2014]
- MUD JUVENIL - 1946 -
[in Alberto Vilaça, O MUD Juvenil em Coimbra. História e estórias, Campo das Letras, 1998]


Na década de 1930, em parte devido ao caso que envolveu o jornal A Verdadeligado a Afonso Costa e com alguns números publicados clandestinamente e escondidos no armazém do pai [João Gomes Júnior, 0363], José Gomes dos Santos "passou" por Peniche (1933), Fortaleza de Angra do Heroísmo e Aljube (1939-1940), onde "conviveu" com Miguel Torga, de quem tinha toda a obra autografada e com dedicatória, caso raríssimo naquele autor. 

Alberto Vilaça descreveu, no seu livro À Mesa d'A Brasileira, a importância do relacionamento de José Gomes dos Santos com escritores, artistas e inteletuais.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

[0016.] JOSÉ LUÍS CARNEIRO FRANCO [I]

* JOSÉ LUÍS CARNEIRO FRANCO *
[Figueira de Castelo Rodrigo, 14/09/1900 - Coimbra, 19/03/1969]

[José Luís Carneiro Franco || 1968]

Filho de António Maria Carneiro Franco, nascido em Vila Maior, concelho do Sabugal, em 1860, e de Lucinda Augusta Rodrigues, nascida em Mortágua em 1866, José Luís Carneiro Franco nasceu em 14 de Setembro de 1900, em Figueira de Castelo Rodrigo, e faleceu de doença oncológica a 19 de Março de 1969, nos Hospitais Universitários de Coimbra.

Irmão de Ernesto Carneiro Franco [07/11/1886 - 1965] que interveio activamente na implantação da República; de António Maria Carneiro Franco [22/10/1895 - 26/05/1946], alferes que integrou o Regimento de Infantaria 23 durante a I Guerra; e de Aníbal Carneiro Franco [n. 20/02/1903], professor antifascista que esteve preso por militância comunista em Caxias e em Peniche na segunda metade da década de 30.

Casado com a professora primária Berta da Conceição Gomes [25/11/1903 - 04/02/1994]; genro de João Gomes Júnior; e cunhado de José Gomes dos Santos.  

[João Esteves]

terça-feira, 16 de março de 2010

[0005.] PARTIDO REPUBLICANO DE COIMBRA [II] || 1910

* PARTIDO REPUBLICANO DE COIMBRA || COMISSÃO PAROQUIAL DA FREGUESIA DE SANTA CRUZ || 1910 *

[Talão de João Gomes Júnior, Secretário do Centro]

[João Esteves]

[0004.] PARTIDO REPUBLICANO DE COIMBRA || 1910 [I]

* PARTIDO REPUBLICANO DE COIMBRA || MEMBROS DA COMISSÃO PAROQUIAL DA FREGUESIA DE SANTA CRUZ || 1910 *

[Nº 6 || João Gomes Júnior]

[João Esteves]

[0003.] JOÃO GOMES JÚNIOR [I]

* JOÃO GOMES JÚNIOR *
[1872 - 1957/1958]


Serralheiro de reconhecida arte e activista do Partido Republicano de Coimbra - Comissão Paroquial da Freguesia de Santa Cruz, onde era em 1910 o respectivo Secretário, imprimiu e distribuiu clandestinamente nos anos 30, no armazém que detinha na Rua da Sofia, números do jornal A Verdade, afecto a Afonso Costa, e na sequência dessas actividades andou fugido à Polícia Política, bem como vários filhos, foi preso, condenado e os bens apreendidos.

[João Gomes Júnior]

[João Esteves]