[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques dos Santos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques dos Santos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 28 de abril de 2016

[1455.] JOÃO MARTINS BRANCO [I]

* JOÃO MARTINS BRANCO || MORTO HÁ 85 ANOS *

[F. 28/04/1931]

João Martins Branco era estudante do Instituto Industrial e morreu na sequência da intervenção policial durante uma reunião de contestação ao regime que se estava a realizar na Faculdade de Medicina, no Porto, em 28 de Abril de 1931. 

O funeral realizou-se em 30 de Abril, no Porto, tendo havido vários feridos devido a nova repressão policial.


[Diário de Lisboa || 30 de Abril de 1931]

[Fotografia retirada, com a devida vénia, de Paulo Barrosa]

Provavelmente, foi durante esta reunião de estudantes do dia 28 que Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques dos Santos, então a frequentar Medicina, interveio no socorro aos feridos e conheceu Antónia Girão Azuaga dos Santos [1908-2002], com quem viria a casar em 1933/1934.

Antónia Girão Azuaga dos Santos foi uma das ativista da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz durante a década de 40.

domingo, 14 de junho de 2015

[0999.] ANTÓNIA GIRÃO DE AZUAGA SANTOS [I]

[1908-2002]
[Antónia e Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques  dos Santos | década de 50]

Antónia Girão de Azuaga Santos é mais um dos muitos nomes que continua ignorado, que as histórias não referem e, no entanto, integrou o importantíssimo núcleo do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, agremiação que nas décadas de 40 e de 50 envolveu os principais nomes da oposição feminina daquela cidade, nomeadamente a escritora Ilse Losa, a engenheira Virgínia Moura ou a professora Irene Castro

Filha de Fernanda Girão de Azuaga [1884/5-1968] e de Fernando Ezequiel de Moura Viana de Azuaga, nasceu a 30 de setembro de 1908 em Luanda e faleceu a 4 de novembro de 2002, com 94 anos.

Casou, no início da década de 30 (1933 ou 1934), com Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques dos Santos [f. 06/11/1964], conceituado médico e antifascista portuense, para além de poeta, alpinista e um dos pioneiros do montanhismo em Portugal, que conhecera, ainda estudante de medicina, aquando duma manifestação de jovens estudantes nos primórdios da ditadura.

Em 1934, Antónia Azuaga assinou, com Aida Mesquita, Berta Neves, Cândida Bastos, Cecília Moreira, Claudina Martins, Ema Rosine Cunha, Henriqueta Mesquita, Laura Neves de Castro, Leopoldina Mesquita, Maria Clarisse Bastos, Maria Lucena, Maria Silva e Natalina Mora Pereira Bastos, o manifesto O Dia do Armistício que um grupo de senhoras distribuiu profusamente na cidade do Porto e noutras terras do país.

Na década seguinte, tornou-se a sócia nº 228 da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, com residência na Rua do Bonfim, 295. A sua filha, Maria Ermelinda Azuaga Marques dos Santos [junho de 1935 - abril de 2015], estava também inscrita na mesma agremiação, sendo a sócia nº 230.

Conviveu intensamente com a ativista Maria Branca de Lemos e o  marido Afonso, tendo-se ocupado da Casa-Museu Abel Salazar. 

Depois de enviuvar, passou a viver com a filha e o genro [Agostinho dos Santos Monteiro] em Favaios e, posteriormente, na Senhora da Hora, em cujo cemitério se encontra sepultada.

O meu muito obrigado à disponibilidade e amabilidade do filho e da neta, filha de Maria Ermelinda, pelas informações prestadas e que muito contribuíram para a construção desta pequena nota biográfica.

O dar rosto a cada um destes nomes que viveram e lutaram em tempos sombrios, retirando-os assim de um prolongado anonimato, só foi possível pelo contributo do filho Jorge Santos ao ceder esta fotografia do casal datada da década de 50. 

domingo, 15 de março de 2015

[0941.] FERNANDA GIRÃO DE AZUAGA [I]

* FERNANDA GIRÃO DE AZUAGA *
[1884/5-1968]

[Pormenor de uma fotografia de família, Abril de 1965]

Embora praticamente desconhecido, o nome de Fernanda Girão de Azuaga merece particular atenção por ter aderido aos ideais da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ainda antes da implantação da República, e da Associação de Propaganda Feminista e pela circunstância da filha, Antónia Girão de Azuaga Santos [1908-2002] ter militado, décadas depois, na Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Aliás, tanto a filha como o genro, o médico Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques  dos Santos, tiveram militância antifascista nas décadas de 30 a 50 na cidade do Porto.

Nasceu em 1884/5, neta de José Francisco Martins Viana e de Fernanda de Azuaga, sobrinha de Marciano do Carmo Martins Viana de Azuaga e de Joaquim de Azuaga (1853-1893) e filha de Clara de Azuaga.

Casou com Fernando Ezequiel de Moura Viana de Azuaga, funcionário da alfândega, sobretudo em Angola, segundo informações do neto Jorge Santos, tendo o casal tido cinco filhos: Antónia, Edite, Alfredo, João e Fernando.

Em 1909, quando se encontrava em Moçâmedes na companhia do marido, Fernanda Girão de Azuaga terá escrito uma carta de adesão à Liga Republicana das Mulheres Republicanas, agremiação recentemente constituída dirigida por Ana de Castro Osório, sendo referenciada de forma indireta na seção “Expediente da Liga” do Nº 1 da revista A Mulher e a Criança: “Mossamedes – Agradecemos a sua carta e esperemos que ponha em execução o art.º 13º dos nossos Estatutos” [“Expediente da Liga”, A Mulher e a Criança, Nº 1, Abril, 1909, p. 5]. 

Em Maio de 1916, também a partir de Moçâmedes, tornou-se acionista da Empresa de Propaganda Feminista e Defesa dos Direitos da Mulher, sociedade responsável pela edição do jornal A Semeadora (1915-1918), órgão da Associação de Propaganda Feminista dirigido por Ana de Castro Osório [“Empresa de propaganda feminista e defesa dos direitos da mulher”, A Semeadora, nº 12, 15/6/1916, p. 4, col. 3 e nº 21, 15/3/1917, p. 4, col. 4].

Segundo informações do neto, o marido era maçon, terá falecido em 1933 ou 1934 e foi enterrado com aquelas insígnias. Fernanda Girão de Azuaga faleceu em Fevereiro ou Março de 1968, com 83 anos de idade, na cidade do Porto. 

O pormenor da fotografia e alguns dados aqui referidos (outros se seguirão referentes a esta família) só foram possíveis devido à extrema amabilidade e disponibilidade do neto Jorge Santos, há 50 anos a viver em França, da neta e bisnetas. 

Para eles o meu sentido agradecimento, por permitirem dar um rosto e uma história a um nome nascido há 130 anos e que, em terras longínquas e numa época em que a intervenção feminina era rara e incorria riscos, integrou o feminismo e o sufragismo de cariz republicano.