[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 24 de janeiro de 2016

[1316.] ASSEMBLEIA CONSTITUINTE DE 1911 [II]

* SESSÃO INAUGURAL DA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE || 19 DE JUNHO DE 1911 *

MULHERES, ENTRE AS QUAIS SÓCIAS DA LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS E DA ASSOCIAÇÃO DE PROPAGANDA FEMINISTA, NOMEADAMENTE CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO, NA GALERIA DA SALA DO CONGRESSO AQUANDO DA SESSÃO INAUGURAL DA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE


"Fui assistir à abertura das Constituintes e digo-lhe que nunca em minha vida senti tamanha comoção. Sim, o que eu senti, o que todos sentimos só se experimenta uma vez na vida. Chorei, chorei e q.do, envergonhada, limpava furtiva.te as lágrimas reparei que a toda a gente, homens e mulheres, sucedia o mesmo. Todos choravam e se abraçavam enternecidamente. Por bastante tempo parecia que todos estavam delirantes, braços que se agitavam, vivas, palmas, lenços a acenarem, punhados de flores lançadas sobre os deputados, enfim, uma loucura."
[Extrato da carta de 2 de Julho de 1911 enviada por Carolina Beariz Ângelo a Ana de Castro Osório || BNP, ACPC, Colecção Castro Osório, Esp. N12/419. ] 

[Ilustração Portuguesa || 26 de Junho de 1911]

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

[1257.] A LRMP DESLOCA-SE AO PARLAMENTO || 08/07/1912

* UMA DELEGAÇÃO DA LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS NO PARLAMENTO || JULHO DE 1912 *


Uma delegação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas desloca-se ao Parlamento aquando da leitura da representação entregue ao Presidente da Câmara dos Deputados, onde reclamava o direito de voto para as mulheres que fossem contribuintes, chefes de família, professoras ou operárias, ampliando, desta forma, as concessões restritas que o Senado lhes fez, que previam o direito de voto apenas às mulheres diplomadas com um curso secundário, superior ou especial.

[O Mundo || 10/07/1912]

[1256.] A LRMP SAÚDA ALEXANDRE BRAGA || 25/01/1912

* LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS || MENSAGEM ENTREGUE A ALEXANDRE BRAGA || 25 DE JANEIRO DE 1912 *

A direcção da LRMP, acompanhada por grande número de sócias [cerca de 250], entregou a Alexandre Braga uma mensagem de agradecimento pela sua apresentação de um projecto de lei sobre os direitos da mulher.

[Direção da LRMP e Sócias junto ao Parlamento || 25/01/1912]

[O Mundo || 26/01/1912]

«Os Direitos da Mulher -
As sócias da Liga Republicana entregam uma mensagem ao sr. Dr. Alexandre Braga
A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, tendo resolvido entregar ao sr. Dr. Alexandre Braga uma mensagem de felicitação e agradecimento pela apresentação do projecto de lei acerca dos direitos da mulher, convidou ontem as suas sócias a acompanharem a direcção ao edifício do Congresso, onde seria feita a entrega daquele documento. Com efeito umas duzentas e cinquenta senhoras foram ontem, pelas 15 horas, ao palácio de S. Bento em procura do ilustre parlamentar, depositando-lhe nas mãos, depois de lido pela sr.ª D. Maria Veleda, o seguinte documento: 

Ilustre cidadão – Reunida em sessão extraordinária a assembleia geral da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas para apreciar o acto belamente humanitário e da mais alta significação moral que vindes de praticar, apresentando no parlamento um projecto de lei que tem por objecto a emancipação civil e económica da Mulher, a qual até hoje tem vivido numa situação de escrava igualada aos irresponsáveis nos direitos, comparada aos Idiotas, submetida a uma tutela deprimente, tanto para ela como para os seres livres que a exerciam – seus pais ou seus maridos – foi por todas as sócias presentes e que assinam esta mensagem, o vosso nome aclamado como o de um benemérito, digno e nobilíssimo continuador daquele a quem as mulheres portuguesas devem os primeiros fulgores de justiça na sua aurora de libertação. Glória a Afonso Costa! Glória a vós, que, pondo o pé sobre a cabeça viperina do preconceito, levais a mulher até onde ela devia e era justo que fosse elevada. Numa República democrática não se compreendia que a Mulher pudesse permanecer na angustiosa, cruel e aviltante situação em que o Código Civil a mantinha. Não se compreendia que mães de homens livres continuassem sendo escravas. O projecto de lei, que apresentastes ao parlamento, e que este decerto aprovará integralmente, dando a todo o mundo culto mais um grandioso exemplo de solidariedade humana e engrandecendo cada vez mais a República, para que todas nós trabalhámos na medida das nossas forças – a nossa querida República! A nossa República bem amada, tão jovem e já de tanto prestígio! – o projecto de lei que apresentastes ao parlamento, constituiria ele só por si – ainda que outros e muitos outros não tivésseis – um preclaríssimo título de glória. Encarecê-lo mais é inútil: no seu mesmo significado, está o seu maior engrandecimento. Nós vimos simplesmente prestar-vos o tributo da nossa profunda gratidão. Milhares de bocas femininas pro-clamam reconhecidamente o vosso nome. Ele ficará, como um sol de rutilante brilho iluminando as páginas da nossa história. Viva Alexandre Braga! Viva a República! 

(Seguem-se as assinaturas). 

O sr. Dr. Alexandre Braga recebeu as sócias da Liga Republicana num dos gabinetes da câmara, e respondeu com um pequeno discurso, em que agradecia a manifestação, afirmando que ela lhe daria mais força para sustentar o projecto que apresentara. Foram soltados depois muitos vivas ao seu nome e à República. 

O sr. Dr. Magalhães Lima, que tinha prometido incorporar-se na manifestação e apresentar a direcção da Liga ao sr. Dr. Alexandre Braga, não compareceu por estar àquela hora impedido junto de um amigo que necessitava da sua presença para um acto solene.»

[O Mundo, 26/01/1912]

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

[1255.] A LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS E OS JOVENS DA OBRA MATERNAL || 02/03/1913

* A DIREÇÃO DA LRMP COM AS CRIANÇAS DA OBRA MATERNAL || 2 DE MARÇO DE 2013 *

[2 de Março de 1913]

[O Mundo || 03 de Março de 1913]

[1254.] A LRMP HOMENAGEIA OS MÁRTIRES DA REPÚBLICA || 25/02/1912

* A LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS JUNTO ÀS CAMPAS DE BUÍÇA E COSTA || 25 DE FEVEREIRO DE 1912 *

[25 de Julho de 1912]

Integrada nas comemorações do 3.º aniversário da LRMP, esta organiza uma romagem ao cemitério do Alto de São João, visando homenagear os mártires e precursores da República.

[1253.] DIREÇÃO DA LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS COM BERNARDINO MACHADO

* A LRMP COM BERNARDINO MACHADO || 9 DE JULHO DE 1911 *

Maria Veleda, sem chapéu, encontra-se à direita de Bernardino Machado
[9 de Julho de 1911]

Organizada pela LRMP, realiza-se no Coliseu dos Recreios uma sessão solene de homenagem ao ministro da Justiça, Afonso Costa, tendo-se aí inaugurado o seu retrato. 

A sessão é presidida por Bernardino Machado e discursaram Alfredo de Magalhães, Maria Veleda, Eusébio Leão, Carneiro de Moura, Agostinho Fortes, Visconde da Ribeira Brava e França Borges. A Associação de Propaganda Feminista fez-se representar.
[O Mundo || 10 de Julho de 1911]

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

[1094.] MARIA ADELAIDE BRITO [II]



 
[O Mundo, 25/07/1908]

Neta do republicano Anselmo Xavier (Anselmo Augusto da Costa Xavier) [25/08/1850 - 23/05/1915], Adelaide Brito secretariou o comício de propaganda republicana realizado em Benavente em 23 de Agosto de 1908, estando presentes António José de Almeida, Bernardino Machado e Magalhães Lima. 

Na sequência da participação no comício promovido pela Comissão Municipal Republicana, o jornal O Mundo publicou a sua fotografia na 1.ª página.

No ano seguinte aderiu à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e integrou o núcleo de Benavente, tendo sido eleita Vice-Presidente na reunião de 4 de Outubro de 1909.

[João Esteves]

terça-feira, 7 de outubro de 2014

[0780.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS E A GUERRA

- CONFERÊNCIA DE LEOTE DO REGO A CONVITE DA LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS -
* DEZEMBRO DE 1914 *

Textos dos jornais O Século e A Capital de 12 de Dezembro de 1914 publicados pelo Dr. Manuel Sá Marques no Blog Bernardino Machado.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[0451.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS


* LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS *

[25/01/1912] A direcção da LRMP, acompanhada por grande número de sócias, entrega a Alexandre Braga uma mensagem de agradecimento pela sua apresentação de um projecto de lei sobre os direitos da mulher. 

As sócias da LRMP à saída do Parlamento, depois de terem entregue a Representação a Alexandre Braga

«Os Direitos da Mulher - As sócias da Liga Republicana entregam uma mensagem ao sr. Dr. Alexandre Braga

A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, tendo resolvido entregar ao sr. Dr. Alexandre Braga uma mensagem de felicitação e agradecimento pela apresentação do projecto de lei acerca dos direitos da mulher, convidou ontem as suas sócias a acompanharem a direcção ao edifício do Congresso, onde seria feita a entrega daquele documento. Com efeito umas duzentas e cinquenta senhoras foram ontem, pelas 15 horas, ao palácio de S. Bento em procura do ilustre parlamentar, depositando-lhe nas mãos, depois de lido pela sr.ª D. Maria Veleda, o seguinte documento: 
Ilustre cidadão – Reunida em sessão extraordinária a assembleia geral da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas para apreciar o acto belamente humanitário e da mais alta significação moral que vindes de praticar, apresentando no parlamento um projecto de lei que tem por objecto a emancipação civil e económica da Mulher, a qual até hoje tem vivido numa situação de escrava igualada aos irresponsáveis nos direitos, comparada aos Idiotas, submetida a uma tutela deprimente, tanto para ela como para os seres livres que a exerciam – seus pais ou seus maridos – foi por todas as sócias presentes e que assinam esta mensagem, o vosso nome aclamado como o de um benemérito, digno e nobilíssimo continuador daquele a quem as mulheres portuguesas devem os primeiros fulgores de justiça na sua aurora de libertação. Glória a Afonso Costa! Glória a vós, que, pondo o pé sobre a cabeça viperina do preconceito, levais a mulher até onde ela devia e era justo que fosse elevada. Numa República democrática não se compreendia que a Mulher pudesse permanecer na angustiosa, cruel e aviltante situação em que o Código Civil a mantinha. Não se compreendia que mães de homens livres continuassem sendo escravas. O projecto de lei, que apresentastes ao parlamento, e que este decerto aprovará integralmente, dando a todo o mundo culto mais um grandioso exemplo de solidariedade humana e engrandecendo cada vez mais a República, para que todas nós trabalhámos na medida das nossas forças – a nossa querida República! A nossa República bem amada, tão jovem e já de tanto prestígio! – o projecto de lei que apresentastes ao parlamento, constituiria ele só por si – ainda que outros e muitos outros não tivésseis – um preclaríssimo título de glória. Encarecê-lo mais é inútil: no seu mesmo significado, está o seu maior engrandecimento. Nós vimos simplesmente prestar-vos o tributo da nossa profunda gratidão. Milhares de bocas femininas proclamam reconhecidamente o vosso nome. Ele ficará, como um sol de rutilante brilho iluminando as páginas da nossa história. Viva Alexandre Braga! Viva a República! 
(Seguem-se as assinaturas). 
O sr. Dr. Alexandre Braga recebeu as sócias da Liga Republicana num dos gabinetes da câmara, e respondeu com um pequeno discurso, em que agradecia a manifestação, afirmando que ela lhe daria mais força para sustentar o projecto que apresentara. Foram soltados depois muitos vivas ao seu nome e à República. 
O sr. Dr. Magalhães Lima, que tinha prometido incorporar-se na manifestação e apresentar a direcção da Liga ao sr. Dr. Alexandre Braga, não compareceu por estar àquela hora impedido junto de um amigo que necessitava da sua presença para um acto solene.»
[O Mundo, 26/01/1912, p. 1, cols. 3-5]

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

[0450.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS


* Liga Republicana das Mulheres Portuguesas *

[09/07/1911] Organizada pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, realiza-se no Coliseu dos Recreios uma sessão solene de homenagem ao ministro da Justiça, Afonso Costa, tendo-se aí inaugurado o seu retrato. A sessão é presidida por Bernardino Machado e discursam Alfredo de Magalhães, Maria Veleda, Eusébio Leão, Carneiro de Moura, Agostinho Fortes, Visconde da Ribeira Brava e França Borges. A APF faz-se representar.

A direção da LRMP com Bernardino Machado
[Julho de 1911]

domingo, 3 de fevereiro de 2013

[0415.] Representações da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas

[03/02/1911] 
- Comissão de Propaganda Feminista -

Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo e Maria Laura Monteiro Torres, em nome da Comissão de Propaganda Feminista da LRMP, entregam uma representação a Teófilo Braga, Presidente do Governo Provisório, onde se reclama o direito de voto para a mulher economicamente independente. É assinada por toda a comissão de propaganda feminista e sufragista [Adelaide da Cunha Barradas, ] e Teófilo Braga «comprometeu-se a apresentá-la na primeira reunião de ministros, pois que as reivindicações que nela se fazem são de justiça e estão em harmonia com as suas ideias» [“Propaganda feminista e sufragista”, O Mundo, 4/2/1911, p. 2, col. 4]:
«Reclamações
A Comissão de propaganda feminista da «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» foi no dia 3 recebida pelo sr. Dr. Teófilo Braga, digno presidente do Governo Provisório, apresentando-lhe a representação que a seguir publicamos. // O ilustre homem de ciência, depois de ouvir ler a representação, cumprimentou as senhoras presentes pelo trabalho apresentado, dizendo-lhes que de todo o seu coração advogaria uma causa tão justa e que tão claramente corresponde à evolução da sociedade moderna. O sr. Dr. Teófilo Braga disse, numa verdadeira e interessante conferência sobre o feminismo, palavras de tanta lucidez e tanta verdade, que bom seria fossem escutadas por aqueles que sem ciência nem consciência falam levianamente de coisas que nem sabem explicar e muito menos compreender.

Representação

Ao Ex.mo Sr. Dr. Teófilo Braga e mais membros do Governo Provisório da República // Cidadãos: // A «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas», tendo muitos e variados assuntos a tratar dentro do seu vasto plano de orientação e auxílio moral da mulher, delegou, na comissão que assina a presente, o especial encargo da propaganda feminista e do estudo e reclamações a fazer sobre as leis existentes e as que o Governo venha a promulgar sob o ponto de vista de interesse feminino.  // Cumprindo pois o mandato que nos foi concedido, nós vimos ainda uma vez mais reclamar para o nosso sexo o sufrágio nas condições modestíssimas em que julgamos de nosso dever fazê-lo, para não pôr o Governo Provisório na contingência desagradável de recusar o que constitui uma das mais nobres afirmações do Partido Republicano – a igualdade de direitos da mulher. // Nós desejamos que a República nascente, para a qual trabalhámos com o entusiasmo da nossa propaganda, e que já tem legislado tão larga e nobremente, não cometa o erro imperdoável que a grande revolução francesa cometeu, negando à mulher todos os direitos políticos, tendo-se aliás servido dela para a sua propaganda na oposição. // Nós não vimos reclamar, porque isso seria pedir por agora um impossível social, o sufrágio universal, como  à luz da razão e da ciência seria justo, mas vimos reclamar o que temos feito desde o princípio: o direito de voto para as mulheres que pela sua posição especial devem poder exercê-lo; isto é – as que contribuam para a colectividade com o dinheiro das suas contribuições directas, as que exerçam uma profissão científica ou literária, as que sendo independentes moral e economicamente não podem, por uma imposição do preconceito e da rotina, continuar na República a viver no regimen vexante dos tutelados, fora da sociedade como os cretinos. // O voto como o pedimos é apenas o estabelecimento dum princípio de justiça, o qual, honrando o Governo da República, auxiliará a nossa propaganda, pois que a mulher tratará de trabalhar e se elevar para obter o direito que hoje apenas a uma minoria pequena aproveitará. // Vimos também reclamar para as mulheres o direito de serem votadas e nomeadas para todas as comissões pedagógicas de higiene e assistência, como para as juntas paroquiais e municipais, onde por certo farão bons serviços, por isso que a mulher é, talvez mais do que o homem, amante do seu torrão, agarrada à sua pequenina pátria – quer dizer à sua localidade – que desejará ver aumentada e melhorada. Assim, aproveitando a tendência regionalista da mulher, a República poderá encontrar no seu trabalho um bom auxílio para a renovação pátria. // A terra portuguesa, tão baixo caída pela criminosa incúria da monarquia, necessita para se erguer à altura que lhe compete do concurso de todos os cidadãos, e a mulher é um factor que não pode nem deve desprezar neste momento único de renovação social. Por isso, cidadãos, nós vimos requerer parta a mulher o direito de trabalhar pelo ressurgimento duma Pátria que também julga pertencer-lhe. // Em todos os países civilizados a mulher é hoje ouvida e chamada, especialmente nas questões pedagógicas, desempenhando cargos nos altos conselhos da instrução. Em Portugal, onde há mulheres da competência de Carolina Michaëlis de Vasconcelos, as reformas do ensino serão feitas sem que se chame a dar a sua opinião esta senhora, ou qualquer outra que do assunto tenha largo conhecimento? // Terminando por agora, não podemos deixar de vir reclamar contra o limite de idade, que é sempre vexante e injusto, e para a mulher muito mais ainda porque no nosso país onde a sua educação é tão descurada, só tarde ela pensa em adquirir uma posição que a torne independente, e que a incúria das famílias lhe não deu em moça. // Assim, nós pedimos que seja abolido o limite de idade para a admissão nas Escolas Normais, nas Juntas do Crédito Público e outras, como já conseguimos que fosse abolido para as estudantes de enfermagem, por pedido directamente feito pelas signatárias D.ra Carolina Beatriz Ângelo e Ana de Castro Osório ao actual enfermeiro-môr do hospital de S. José, o sr. Dr. Augusto de Vasconcelos. // Finalizando, não podemos deixar de cumprimentar o sr. Ministro do Interior pelo seu decreto que garante às professoras dois meses de descanso, com vencimento, no último período de gravidez e no primeiro depois do parto. // É uma medida de salvação pública que desejaríamos ver estender-se com força de lei a todos os empregos exercidos pelas mulheres, principalmente nos trabalhos violentos da indústria, sendo os patrões obrigados ao mesmo que o Governo se obriga hoje para as professoras, e amanhã fará a todas as suas empregadas. // A maternidade é a dolorosa e difícil contribuição de sangue que a mulher paga à sociedade; portanto é justo que a República, que olha carinhosamente pelos seus soldados, não despreze as mães, que mais ainda necessitam de protecção e amparo. // Não podemos terminar sem muito especialmente saudar, na nova legislação portuguesa, em que a mulher começa a ser considerada um indivíduo consciente e autónomo, a obra grandiosa do sr. Dr. Afonso Costa. // Saúde e fraternidade // Lisboa, 3 de Fevereiro de 1911
(a.a.) D.ra  Carolina Beatriz Ângelo
         Joana de Almeida Nogueira
         Virgínia da Fonseca

         Rita Dantas Machado

         Laura Monteiro Torres
         Adelaide da Cunha Barradas
         Constança Dias
         Ana de Castro Osório.»
[O Radical, 12/2/1911]

- A mesma Comissão assina uma outra mensagem dirigida ao ministro das Finanças, José Relvas, elogiando-o por ter proporcionado a admissão de mulheres em empregos do Estado. 
[“Expediente da Liga - Comissão de propaganda feminista - Representação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas entregue ao Ministro das Finanças, sr. José Relvas”, A Mulher e a Criança, n.º 22, Março de 1911, p. 9, col. 2 e p. 10, col. 1].

[0414.] FERREIRA MANSO / MARIA VELEDA

[03.02.1910]
- Liga Republicana das Mulheres Portuguesas -

A LRMP e a sua Comissão de Propaganda encabeçam o cortejo fúnebre do republicano e maçónico Ferreira Manso. Maria Veleda discursa no cemitério:

«A derradeira Homenagem - É sepultado Ferreira Manso - [...] - No cemitério - Falam a sr.ª D. Maria Veleda e o dr. Magalhães Lima
[...] // À beira da sepultura usou em primeiro lugar da palavra a sr.ª D. Maria Veleda, que em frase sentida pôs em relevo as qualidades morais e de carácter de Ferreira Manso, que, ainda quando o ano passado, um pasquim jesuítico a agrediu infamemente, saiu à estacada em sua defesa, ele que mal a conhecia. É digno de gratidão e de registo este acto do morto, como de resto o são todos os da sua vida de luta, de abnegação e sacrifício. Despede-se dele fazendo votos por que o seu exemplo seja seguido, e a sua vaga o menos sentida possível.»
[O Mundo, 4/2/1910, p. 3, col. 4]

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

[0412.] ANA DE CASTRO OSÓRIO [XVIII] || 01/02/1913

* 01 DE FEVEREIRO DE 1913 *

|| Liga Republicana das Mulheres Portuguesas + Associação de Propaganda Feminista ||



Muitas sócias da LRMP e da APF acorrem a esperar Ana de Castro Osório, que regressa de S. Paulo para uma curta visita ao país.

[0411.] Liga Republicana das Mulheres Portuguesas

[01.02.1911]
- LRMP / Estatutos -

Reunião da direcção da LRMP, decidindo-se pedir a convocação da assembleia geral para deliberar se o art.º 11.º dos antigos Estatutos deve, ou não, ser excluído do novo regulamento.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

[0409.] 31 de Janeiro de 1891

[31.01.1916]
- LRMP + AFPD -

A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e a Associação Feminina de Propaganda Democrática fazem-se representar na romagem aos túmulos de Heliodoro Salgado, Costa e Buíça, organizada pela Associação do Registo Civil para homenagear os regicidas e comemorar a data de 31 de Janeiro de 1891.