[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 12 de dezembro de 2010

[0233.] ANGÉLICA PORTO [I]

[1928]


Natural de Paço de Arcos, Angélica Cristina Irene Lopes Viana Porto tornou-se, pela militância e dedicação, um dos pilares do associativismo feminista português das primeiras três décadas do século XX.

Integrou, em 1907, a comissão de senhoras que procurou implementar, em Lisboa, uma Escola Maternal destinadas às crianças desprotegidas entre os 3 e os 6 anos de idade.

Aderiu à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, militou no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1916, foi iniciada na Maçonaria.

Pertenceu às Lojas Carolina Ângelo e Humanidade, do Grande Oriente Lusitano Unido, com o nome simbólico de M.me Roland, e integrou a Loja Humanidade do Direito Humano.

No âmbito da Liga Republicana, participou na vida associativa entre, pelo menos, 1914 e 1918, concorrendo para a sobrevivência da organização quando parte dos nomes mais relevantes a iam abandonando: contribuiu para subscrições; respondeu a plebiscitos; fez parte de delegações; pertenceu à Direcção em 1916 e 1918, tendo, em seu nome, assinado a representação dirigida a Sidónio Pais, onde se reivindicava a concessão do direito de voto restrito para as mulheres, nomeadamente para aquelas que tivessem instrução ou rendimentos anuais próprios; e surgiu como directora do jornal A Madrugada em 1917 e 1918, coadjuvada por Filipa de Oliveira e Luísa de Almeida.

Depois da extinção da Liga, manteve-se fiel ao ideal feminista e, com o mesmo voluntarismo, passou a colaborar, a partir de 1919, na revista Alma Feminina, órgão do CNMP, e exerceu cargos nos corpos gerentes desta agremiação: foi eleita Secretária do Interior (1920), Vogal (1921-1923) e Vice-Presidente da Direcção (1929, 1931-1934, 1936).

Em Fevereiro de 1920, devido às suas funções, assinou a saudação ao deputado António Francisco Pereira, congratulando-se por ter apresentado no Parlamento um projecto de lei concedendo às mulheres o direito de serem eleitoras e elegíveis; enviou um ofício à Comissão de Legislação da Câmara dos Deputados, de forma a apreciar o mais rapidamente possível o projecto de lei dos deputados socialistas; e entregou, com Adelaide Ferreira de Carvalho e Percina de Vasconcelos, uma mensagem de agradecimento àquele parlamentar.

A par da sua participação nas reuniões, associou-se à sessão comemorativa do aniversário do CNMP (1923); desempenhou as funções de Vogal da comissão directora das Ligas de Bondade, iniciativa implementada no mesmo ano; pertenceu à comissão organizadora do Primeiro Congresso Feminista e de Educação, onde expôs a tese “Assistência às delinquentes” (1924); discursou na sessão pacifista promovida, no dia 18 de Maio de 1927, pela Secção da Paz; apresentou no II Congresso Feminista e de Educação*, organizado em 1928, a tese “A acção moral do trabalho”; e contribuiu para as compras de uma bandeira portuguesa, a ser enviada à Aliança Internacional Feminista, e de um avião, a oferecer à primeira aviadora portuguesa, Maria de Lurdes de Sá Teixeira.

Participou igualmente na recepção a Adelaide Cabete, quando do seu regresso de África; secretariou a sessão solene evocativa do 67.º aniversário daquela médica, organizada pelo Conselho na Universidade Popular Portuguesa; fez parte da Comissão de Beneficência (1921); e foi a principal mentora e responsável pela Secção de Moral entre 1922 e 1936, sucessivamente reeleita Presidente.

Enviou, em nome da Secção de Moral, uma tese ao Primeiro Congresso Nacional Abolicionista (1926), interveio em todos os debates e secretariou a sessão de encerramento (05/08/1926).

Em 1929, aderiu ao II Congresso Abolicionista, onde apresentou o texto “A valorização do trabalho feminino”.

Devido à sua abnegação e desvelo, Angélica Porto mereceu, em 1927, uma homenagem da revista Alma Feminina – Adelaide Cabete, Arnaldo Brazão, Beatriz Magalhães, Fábia Ochôa, Maria O’Neill e Bárbara Rosa de Carvalho Pereira assinaram os textos – e, uma década depois, foi proclamada Presidente Honorária do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

Para além da enorme respeitabilidade que granjeou nos meios feministas, educativos e operários, solidarizou-se, em 1928, com a campanha desenvolvida pelo jornal republicano O Rebate a favor dos presos, deportados e emigrados políticos e respectivas famílias, vítimas do regime repressivo que começava a consolidar-se em Portugal.

Apesar da condição de doméstica, estendeu a sua colaboração às revistas Educação Social, dirigida por Adolfo Lima, e Educação, órgão da União Educativa Portuguesa.

[v. JE, "Angélica Cristina Irene Lopes Viana Porto", Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005, pp. 110-112]

domingo, 21 de março de 2010

[0025.] MARIA O'NEILL [I]

* MARIA DA CONCEIÇÃO INFANTE DE LACERDA PEREIRA DE EÇA CUSTANCE O’NEILL *
[19/11/1873 - 21/03/1932]

Morre em 21 de Março de 1932, no Oceano Atlântico, quando regressava do Brasil, a escritora, poetisa, conferencista e propagandista republicana, socialista, feminista e espírita Maria da Conceição Infante de Lacerda Pereira de Eça Custance O’Neill.

Filha de Carlos Torlades O’Neill e de Maria Carlota Infante de Lacerda Pereira de Eça, Maria O’Neill nasceu em Lisboa, a 19 de Novembro de 1873. 

Para além da actividade literária, tendo começado a publicar nova e com regularidade anual, da colaboração em periódicos – Actualidades, Alma Feminina, Almanaque das Senhoras (1921-1924), Bem Público, Brasil-Portugal, Correio da Europa, Espiritismo, Ilustração Portuguesa, Intransigente, Jornal da Mulher, Pensamento, Prosa e Verso, Sátira, Serões, O Soneto Neo-Latino, A Vida Elegante (1915), Zig-Zag – e de ter sido directora do Almanaque da Senhoras (1911-1925) e do Almanaque Ilustrado, não descurou a intervenção associativa, cívica e política.

Em Maio de 1919, durante o 4.º Congresso da Região do Sul do Partido Socialista, Maria O’Neill é referenciada como militante socialista: apresentou, na sessão nocturna do dia 2, a tese “A acção da mulher no socialismo”.

Tornou-se num dos nomes emblemáticos do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, evidenciando-se no início da década de 20, quando proferiu, na Associação dos Caixeiros, a conferência “A ferocidade do egoísmo” (08/05/1920). 

Escreveu regularmente na revista Alma Feminina, foi, durante anos consecutivos, Presidente da Secção Trabalho e Assistência Social (1921) e Presidente da Secção de Assistência Social (1922, 1923, 1925-1929, 1931, 1932), presidiu à comissão directora da Liga de Bondade, iniciativa promovida em 1923, fez parte das Comissões Permanentes de Assistência e Trabalho e das Ligas de Bondade (1924) e, em 1926, exerceu o cargo de Vice-Presidente da Assembleia Geral.

O seu dinamismo estendeu-se aos Congressos Feministas e Abolicionistas. Fez parte da comissão organizadora do Primeiro Congresso Feminista e de Educação (1924) e, no segundo, realizado em 1928, apresentou a tese “O voto às mulheres”.

Quanto aos Congressos Abolicionistas de 1926 e 1929, usou da palavra, em nome pessoal, na sessão inaugural (1/8/1926), interveio nos debates da 1.ª Sessão Ordinária (2/8/1926), apresentou a tese “A escravatura feminina” na 2.ª Sessão (03/08/1926) e participou nos trabalhos da Sessão de Encerramento (05/08/1926). No Segundo Congresso Nacional Abolicionista, pronunciou-se sobre “A causa primordial do não-abolicionismo”.

Enquanto oradora, interveio na festa comemorativa do aniversário do Conselho (1923), discursou, em 18 de Maio de 1927, na sessão pacifista organizada pela Secção da Paz e, em Novembro de 1928, durante a Semana da Paz, proferiu uma conferência sobre a Paz Universal. Em 14 de Junho de 1928, quando da “Semana da Criança”, pronunciou-se, na Voz do Operário, sobre “Aprender brincando”.

Tal como outras intelectuais suas contemporâneas, dedicou-se ao espiritismo e pertenceu ao Conselho Superior da Federação Espírita Portuguesa e à redacção da revista Espiritismo.

Faleceu em 21 de Março de 1932, no Oceano Atlântico, quando regressava do Brasil, aonde se deslocara para fazer a sua propaganda, tendo a revista Alma Feminina manifestado o seu pesar: “Escritora notável, poetisa de valor; é considerável a bagagem literária que legou à sua terra. Oradora distintíssima, de uma espontaneidade extraordinária, eloquente e erudita, a sua voz arrebatava as massas”. Também o Portugal Feminino se referiu ao desaparecimento e publicou a sua fotografia no n.º 29, de Junho de 1932. 

Usou o pseudónimo Lina Marville.

[v. JE, Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005, pp. 625-626]

[João Esteves]