[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

[2000] MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO [VI] || MÁRIO RODRIGUES FARIA [II]

* MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO *
[27/01/1922 - 27/12/2018]

[Edições Fénix || Dezembro de 2016]

Em Setembro de 2008, Maria Lucília Estanco Louro escreveu o Posfácio ao livro "Contos e Outras Prosas de Mário Rodrigues Faria", com Prefácio, Organização e Notas de Luísa Duarte Santos [Edições Fénix, 2016].

Ao esboçar uma "breve notícia biográfica sobre Mário Rodrigues Faria", integra o Autor no contexto do grupo neo-realista de Vila Franca de Xira, descreve o ambiente vivido na fragata "LIberdade", utilizada nos Passeios do Tejo, e desvenda a militância dos estudantes antifascistas da Faculdade de Letras em finais da década de 1930 - inícios da de 1940.

Mas neste precioso livro, que tem passado algo despercebido, é possível ainda rever desenhos de Maria Lucília, extractos de missivas trocadas com Mário Rodrigues Faria e fotografias inéditas,quer dos Passeios do Tejo, quer dos colegas, amigos e camaradas da Faculdade de Letras.

Com Prefácio, Organização e Notas de Luísa Duarte Santos, o livro compila oito Contos e quinze outras Prosas de Mário Rodrigues Faria [11/01/1921 - 08/02/2004] publicadas, entre Março de 1938 e Outubro de 1940, nos periódicos Sol Nascente (1938/39), O Diabo (1938/40), Mensageiro do Ribatejo (1939/40), Pensamento (1940) e Jornal de Ílhavo (1940).

Nascido em Vila Franca de Xira em 1921, Mário Rodrigues Faria integrou o "grupo de jovens com renovados interesses literários sociais e políticos e que viria a constituir a nova geração neo-realista" [Luísa Duarte Santos, p. 7], tornando-se amigo e camarada de ideais de Alves Redol, de Carlos Pato, de Arquimedes Silva Santos e de Garcez da Silva.

No ano lectivo de 1938/39, começou a frequentar o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, instituição onde passou a conviver com alguns dos principais intelectuais antifascistas: Cândida Ventura, Fernando Piteira Santos, Joana Campina, Joaquim Barradas de Carvalho, Joel Serrão, Jorge Borges de Macedo, Manuel Campos Lima, Maria Lucília Estanco Louro, Matilde Rosa Araújo, Olívia Cunha Leal e Rui Grácio,

Participou, em 1940/41, na reorganização do Partido Comunista, integrando o Comité Local em Vila Franca, juntamente com António Dias Lourenço e Carlos Pato, e foi um dos convivas da fragata Liberdade (1940-1942).

Por dificuldades financeiras, abandonou a Faculdade e seguiu, mais tarde, a carreira militar, falecendo em Lisboa, em 8 de Fevereiro de 2004, aos 83 anos.

Começou a publicar com apenas dezassete anos e, apesar da reconhecida qualidade literária, os seus últimos escritos editados findaram ao fim de dois anos e meio: se "o tempo e as circunstâncias, pessoais e sociais, levaram a sua escrita ao silêncio", "é hora de voltar à sua leitura" [Luísa Duarte Santos, p. 15].

Projecto nascido da investigação de Luísa Duarte Santos do reencontro de dois amigos e correlegionários de Mário Rodrigues Faria - Arquimedes da Silva Santos e Maria Lucília Estanco Louro -, este livro "oferece" ainda um conjunto de fotografias, onde constam, para além destes dois nomes, Alves Redol, Atilano dos Reis Ambrósio (Jorge Reis), Dias Lourenço, Garcez dos Santos, Maria Ângela Montenegro, Rui Grácio.

O Posfácio de Maria Lucília Estanco Louro é de leitura obrigatória pelo enquadramento histórico que faz de Mário Rodrigues Faria.

[João Esteves]

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

[1999.] MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO [V] || ENTREVISTA À REVISTA "FACES DE EVA" (2015)

* MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO *
[27/01/1922 - 27/12/2018]


É indispensável a leitura da entrevista que Maria Lucília Estanco Louro concedeu em 2015, "num agradável encontro de fim de tarde", a Ilda Soares de Abreu e Maria José Remédios e publicada no nº 34 da revista Faces de Eva, através da qual se desvenda muito do seu percurso familiar, profissional, cívico e político, permitindo, também, completar o que dela consta em Feminae. Dicionário Contemporâneo [Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 2013].










[Faces de Eva || N.º 34 || 2015 || Edições Colibri]

[1998.] MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO [IV] || 1922 - 2018

* MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO *
[27/01/1922 - 27/12/2018]

[Fotografia retirada, com a devida vénia, do FB da Biblioteca Municipal de São Brás de Alportel "Dr. Estanco Louro]

Nascida em Beja em 27 de Janeiro de 1922, filha de Albertina Emília Freire [1898-1971] e de Manuel Francisco Estanco Louro [1890-1953], Maria Lucília Estanco Louro pertence a uma geração única que em tempos sombrios soube, corajosamente, conciliar a docência e a intervenção cívica com o combate militante à ditadura do Estado Novo.

Se Maria Lucília Estanco Louro, licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1944, com a tese Paul Gauguin visto à luz da Caracterologia - Vida e Obra, continua a ser uma referência enquanto docente que se preocupou com a formação pedagógica, cultural e científica dos seus alunos à luz da historiografia mais avançada, também o é pelo activismo antifascista desde o início dos anos 40 do século XX, tendo feito parte dos célebres passeios do Tejo e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz.

Professora.

Militante da Associação Feminina Portuguesa para a Paz entre 1940 e 1944, tendo sido sua Secretária durante três anos, numa altura em que era Presidente Cândida Madeira Pinto e tinham cargos directivos Maria Alice Lamy, Stella Fiadeiro e Maria Helena Pulido Valente, sendo muito ativas Cândida Gaspar, Maria Luísa Bastos, Joana Campina e Cândida Ventura. 

Com Cândida Ventura, colega da Faculdade de Letras de Lisboa, colaborou na mobilização de artistas, escritores, actores e poetas para colaborarem nas sessões culturais e pacifistas que a AFPP promovia. 

Na sede da Associação, na Rua D. Pedro V, ao Príncipe Real, organizavam pequenos pacotes com cigarros e géneros que mandavam, em colaboração com o Socorro Vermelho Internacional, para os prisioneiros nos campos de concentração. 

Ainda no âmbito das actividades da AFPP, no dia 9 de abril, data da Batalha de La Lys, costumavam, depositar ramos de flores no monumento aos mortos da Grande Guerra. 

Participou, no início da década de 1940, nos passeios de barco  culturais e políticas realizados no rio Tejo, sendo, com Cândida Ventura, uma das duas únicas sobreviventes [sobre eles consultar http://antonioanicetomonteiro.blogspot.pt/]. 

Posteriormente, já professora do Liceu, apoiou a campanha de Humberto Delgado; subscreveu as listas da Oposição Democrática; foi “compagnon de route” do Partido Comunista Português desde 1940 e filiada desde os anos setenta; tornou-se sócia da Associação de Amizade Portugal-Cuba; e pertence ao Conselho Português para a Paz e Cooperação. 

O seu empenhamento profissional (pedagógico-didático) não é menos intenso e relevante. Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1944, a sua tese, intitulada Paul Gauguin visto à luz da Caracterologia - Vida e Obra suscitou polémica visto ser então a primeira a versar sobre Arte, considerada então uma parente pobre da História. 

Em 1948, fez Exame de Estado no Liceu Pedro Nunes com a tese Filosofia - Valores Éticos e Estéticos.

Lecionou nos Liceus de Faro, Beja, Évora, Oeiras, Lisboa (D. Leonor, D. João de Castro, Passos Manuel e Pedro Nunes) e na Escola do Magistério Primário de Évora. 

Orientadora de Estágios Pedagógicos nos Liceus de Oeiras, Pedro Nunes e Passos Manuel, entre 1973 e 1976. 

Participou nos Colóquios de História e de Filosofia realizados em 1959, no Liceu Pedro Nunes, sob a égide do Reitor Francisco Dias Agudo, que pela ousadia da sua promoção e pela categoria dos intervenientes (Professores Delfim Santos, Vieira de Almeida, Rui Grácio, Joel Serrão) representavam então uma luta pela actualização e dignificação dos conteúdos pedagógicos e informativos dos ramos abrangidos. 

Dentro do mesmo combate ao ensino orientado pelo Estado Novo e veiculado pelos compêndios fascizantes, participou nas reuniões de professores progressistas, realizadas um tanto clandestinamente na Escola Francisco Arruda sob a direcção do Professor Calvet de Magalhães; frequentou os Cursos de Aperfeiçoamento Profissional orientados pelo Professor Rui Grácio no Sindicato dos Professores; e cursou, em 1975, o 10.º Curso de Pós-Graduação em História de Arte, instituído pelo Professor José Augusto França na Universidade Nova de Lisboa. 

Após o 25 de Abril, interveio activamente, com muitos outros docentes [José Magno, Maria de Lurdes Ribeiro, Hardisson Pereira, João Cruz, Maria Eugénia Bráulia Reis, Ana Leal de Faria, Margarida Matos...], numa Comissão presidida por Maria Emília Diniz com o intuito de acabar com os velhos programas e actualizá-los com tudo o que tinha ocorrido na investigação e na metodologia. 

Estes novos programas foram divulgados em cadernos de apoio editados pelo Ministério da Educação, substituindo os antigos compêndios do 6.° e 7.° anos. Coube a Maria Lucília Estanco Louro fazer o tema Humanismo e Experimentalismo na Cultura do século XVI e, em coautoria com João Cruz, A Arte Portuguesa nos Séculos XIX e XX, não tendo este último fascículo chegado a ser publicado, porque entretanto estes programas, julgados demasiadamente revolucionários, foram abolidos. 

Realizou inúmeras palestras, participou em colóquios, escreveu artigos e colaborou em publicações. 

Redigiu várias entradas no Dicionário de História de Portugal, dirigido pelo Professor Joel Serrão, e a convite deste. 

Dos muitos escritos dispersos, é de mencionar “O Jovem Piteira” [Fernando Piteira Santos], publicado no Jornal de Letras, por se referir a “alguém cuja inteligência, sólida formação cultural (especialmente política) e fulgurante lucidez e poder de comunicação marcaram os jovens da minha geração, seus colegas na Faculdade de Letras de Lisboa nos anos 40” e que integrava “Barradas de Carvalho, Rute Arons, Olívia Cunha Leal, Rui Grácio, Joel Serrão, Joana Campina, Eunice Oliveira, Jorge Borges de Macedo, Francisco Morais Janeiro, Mário Faria, Nataniel Costa, Tony Nogueira Santos e eu própria, Maria Lucília”. 

A competência, profissionalismo, dedicação e intervenção cívica de Maria Lucília Estanco Louro, quer sob condições políticas adversas, quer após a Revolução de Abril,  podem ser testemunhados pelos seus antigos alunos, muitos dos quais tornadas figuras públicas, entre os quais se contam: Ana Maria Magalhães; António Damásio; António Torrado; Diogo Freitas do Amaral; Guilherme de Oliveira Martins; Joaquim Benite; Joaquim Letria; Joel Hasse Ferreira; Jorge Martins; José Meco; José Viana da Mota Brandão, Maria Beatriz Ruivo; Miriam Halpern Pereira; Maria Ângela de Sousa; Maria José Moura; Mário Vieira de Carvalho; Norberto Barroca; Rui Vieira Nery.

Pertence a uma geração única que dedicou décadas da sua vida na luta contra a ditadura e, coerentemente, continua, dentro das suas possibilidades, a manifestar o mesmo empenho político e cívico. 

Existe uma entrada mais completa sobre Maria Lucília Estanco Louro em Feminae. Dicionário Contemporâneo [Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 2013].

[João Esteves]

terça-feira, 6 de junho de 2017

[1606.] MÁRIO RODRIGUES FARIA [I]

* CONTOS E OUTRAS PROSAS DE MÁRIO RODRIGUES FARIA || PREFÁCIO, ORGANIZAÇÃO E NOTAS DE LUÍSA DUARTE SANTOS *

[Edições Fénix || Dezembro de 2016]


Eis um livro que, provavelmente, terá passado despercebido e que, no entanto, merece particular atenção a todos os estudiosos da geração vilafranquense do neo-realismo e da luta antifascista no final da década de 30.

Com Prefácio, Organização e Notas de Luísa Duarte Santos e Posfácio de Maria Lucília Estanco Louro, compila oito Contos e quinze outras Prosas de Mário Rodrigues Faria [11/01/1921 - 08/02/2004] publicadas, entre Março de 1938 e Outubro de 1940, nos periódicos Sol Nascente (1938/39), O Diabo (1938/40), Mensageiro do Ribatejo (1939/40), Pensamento (1940) e Jornal de Ílhavo (1940).



Nascido em Vila Franca de Xira em 1921, integrou o "grupo de jovens com renovados interesses literários sociais e políticos e que viria a constituir a nova geração neo-realista" [Luísa Duarte Santos, p. 7], tornando-se amigo e camarada de ideais de Alves Redol, de Carlos Pato, de Arquimedes Silva Santos e de Garcez da Silva.

No ano lectivo de 1938/39, começou a frequentar o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, instituição onde passou a conviver com alguns dos principais intelectuais antifascistas: Cândida Ventura, Fernando Piteira Santos, Joana Campina, Joaquim Barradas de Carvalho, Joel Serrão, Jorge Borges de Macedo, Manuel Campos Lima, Maria Lucília Estanco Louro, Matilde Rosa Araújo, Olívia Cunha Leal e Rui Grácio,

Participou, em 1940/41, na reorganização do Partido Comunista, integrando o Comité Local em Vila Franca, juntamente com António Dias Lourenço e Carlos Pato, e foi um dos convivas da fragata Liberdade (1940-1942).

Por dificuldades financeiras, abandonou a Faculdade e seguiu, mais tarde, a carreira militar, falecendo em Lisboa, em 8 de Fevereiro de 2004, aos 83 anos.

Começou a publicar com apenas dezassete anos e, apesar da reconhecida qualidade literária, os seus últimos escritos editados findaram ao fim de dois anos e meio: se "o tempo e as circunstâncias, pessoais e sociais, levaram a sua escrita ao silêncio", "é hora de voltar à sua leitura" [Luísa Duarte Santos, p. 15].

Projecto nascido da investigação de Luísa Duarte Santos do reencontro de dois amigos e correlegionários de Mário Rodrigues Faria - Arquimedes da Silva Santos e Maria Lucília Estanco Louro -, este livro "oferece" ainda um conjunto de fotografias, onde constam, para além destes dois nomes, Alves Redol, Atilano dos Reis Ambrósio (Jorge Reis), Dias Lourenço, Garcez dos Santos, Maria Ângela Montenegro, Rui Grácio.

O Posfácio de Maria Lucília Estanco Louro é de leitura obrigatória pelo enquadramento histórico que faz de Mário Rodrigues Faria. 



[João Esteves]

sábado, 4 de junho de 2016

[1489.] ESTÓRIAS DO TEMPO DA OUTRA SENHORA [IX] || RTP2

* ESTÓRIAS DO TEMPO DA OUTRA SENHORA || RTP2 || EDGAR FELDMAN *

|| 8.º EPISÓDIO || 6 DE JUNHO || 23H30 || OS PASSEIOS DO TEJO ||

Com Maria Lucília Estanco Louro e Arquimedes da Silva Santos que participaram nos passeios e ainda António Pedro Pita, António Mota Redol, Manuel Augusto Araújo, Sérgio Ribeiro. 

Música: Fernando Lopes Graça. 

Desenhos: Teresa Carvalho.

[Retirado, com a devida vénia, do excelente Blogue António Aniceto Monteiro]

Nos finais da década de 30 e inicio de 40 do século passado, o grupo neorrealista que se formava em Vila Franca de Xira organizava passeios culturais e políticos no rio Tejo. É o início do Estado Novo, com novas formas de resistência ao fascismo que começam a surgir.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

[1267.] MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO [III]

* MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO *




Nascida em Beja em 27 de Janeiro de 1922, filha de Albertina Emília Freire [1898-1971] e de Manuel Francisco Estanco Louro [1890-1953], Maria Lucília Estanco Louro pertence a uma geração única que em tempos sombrios soube, corajosamente, conciliar a docência e a intervenção cívica com o combate militante à ditadura do Estado Novo.

Se Maria Lucília Estanco Louro, licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1944, com a tese Paul Gauguin visto à luz da Caracterologia - Vida e Obra, continua a ser uma referência enquanto docente que se preocupou com a formação pedagógica, cultural e científica dos seus alunos à luz da historiografia mais avançada, também o é pelo ativismo antifascista desde o início dos anos 40 do século XX, tendo feito parte dos célebres passeios do Tejo e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz.

Por isso, é indispensável a leitura da entrevista que concedeu, "num agradável encontro de fim de tarde", a Ilda Soares de Abreu e Maria José Remédios e publicada no nº 34 da revista Faces de Eva, através da qual se desvenda muito do seu percurso familiar, profissional, cívico e político, permitindo, também, completar o que dela consta em Feminae. Dicionário Contemporâneo [Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 2013].


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 [Ilda Abreu e Maria José Remédios - Maria Lucília Estanco Louro || Faces de Eva, Nº 34, 2015 || Edições Colibri]


terça-feira, 28 de outubro de 2014

[0817.] MARIA DO PILAR BAPTISTA RIBEIRO [I] || 1911 - 2011

* MARIA DO PILAR BAPTISTA RIBEIRO *
[05/10/1911 - 28/03/2011]


Professora e matemática. 

Filha de Joaquim Rodrigues Carreira e de Luísa Loureiro Peres, nasceu em Lisboa a 5 de Outubro de 1911 e faleceu, em Cascais, a 28 de Março de 2011, com 99 anos de idade.

Frequentou o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho e, em 1933, licenciou-se em matemática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde conheceu Hugo Baptista Ribeiro [16/05/1910-1988], com quem casaria no ano seguinte, estudante da mesma instituição que se evidenciou pelas atitudes antifascistas, intervenção associativa, activista do Socorro Vermelho Internacional e militância comunista, só tendo por isso concluído o curso em 1939.

[Hugo Baptista Ribeiro || 1960]

No Verão de 1934, juntamente com o marido e Francisco Lyon de Castro [24/10/1914-11/04/2004], “participam num congresso das Juventudes Comunistas de Espanha e, no âmbito desse congresso, organizam exposições de solidariedade com os presos portugueses” [JPP, Vol. 1, p. 200].

Terá pertencido à Associação Feminina Portuguesa para a Paz e participou, com muitos outros jovens intelectuais, nomeadamente Maria Lucília Estanco Louro*, Maria Virgínia Redol, Maria Olívia, Lídia Monteiro [n. 31/10/1910], Stella Fiadeiro* (depois, Stella Biker Correia Ribeiro Piteira Santos), Maria Helena Correia Guedes, nos passeios de barco pelo rio Tejo, de características culturais e políticas, realizados nos anos de transição da década de 30 para a de 40.

A par da intensa actividade política oposicionista, destacou-se também na vida profissional.

Estagiou no Liceu Pedro Nunes e leccionou Matemática no Liceu Camões, enquanto frequentava o Seminário de Análise Geral, organizado por António Aniceto Monteiro [31/05/1907-29/10/1980].

Sócia n.º 1 da Sociedade Portuguesa de Matemática, de que foi uma das fundadoras a 12 de Dezembro de 1940, juntamente com Bento de Jesus Caraça, integrou, enquanto 1.ª Secretária, a sua primeira Direcção [1941/1942]. Foi também uma das fundadoras da Gazeta de Matemática, em 1939, onde colaborou com textos sobre o “Ensino da Matemática na Suíça”.

Entre 1942 e 1946, permaneceu com o marido em Zurique, por este estar a fazer o doutoramento na Escola Politécnica Federal de Zurique, e aproveitou para frequentar vários cursos de especialização em Matemática nesta mesma instituição.

Regressou a Portugal em 1946. Voltou a ser 1.ª Secretária da Direcção da SPM no biénio 1946/1947, quando esta tinha por Secretário-Geral Hugo Ribeiro, mas em 1947 acompanhou o marido no exílio forçado devido às perseguições salazaristas a vários cientistas, investigadores, matemáticos e docentes universitários.


[Pilar Baptista Ribeiro, 1960]

Tornou-se, então, instrutora de Matemática na Pennsylvania State University, só regressando dos Estados Unidos da América depois do 25 de Abril de 1974, após quase trinta anos de exílio.

Na década de 1960, o casal Pilar e Hugo Baptista Ribeiro estiveram no Brasil, onde Hugo Ribeiro leccionou, pontualmente, na Universidade Federal de Pernambuco, Recife, e reencontraram Maria Helena de Vinha Novais e José Morgado.

[José Morgado, Helena Novais, Pilar e Hugo Ribeiro, em Recife, in blogue Ruy Luís Gomes, de Jorge  Rezende]

Entre 1976 e 1980, esteve como professora na Universidade do Porto, a convite de Ruy Luís Gomes, e na Escola Biomédica Abel Salazar.

Em Janeiro de 2005, doou à Biblioteca Nacional o espólio do marido, constituído essencialmente por correspondência de personalidades nacionais e estrangeiras, incluindo um núcleo de cartas familiares e alguns rascunhos de cartas enviadas.

Por ocasião do centenário do seu nascimento, a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), em colaboração com os CTT, lançou um Inteiro Postal Comemorativo.

Feminae. Dicionário Contemporâneo, editado em 2013 pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, contém uma entrada dedicada a Maria do Pilar Baptista Ribeiro.

Os blogues António Aniceto Monteiro e Ruy Luís Gomes inserem dados biográficos e fotografias de Pilar Ribeiro, para além de muita outra informação sobre matemáticos, cientistas e intelectuais perseguidos pela ditadura do Estado Novo.

[João Esteves]

sexta-feira, 20 de junho de 2014

[0675.] MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO [II]



[0674.] MARIA LUCÍLIA ESTANCO LOURO [I]



Professora.

Militante da Associação Feminina Portuguesa para a Paz entre 1940 e 1944, tendo sido sua Secretária durante três anos, numa altura em que era Presidente Cândida Madeira Pinto e tinham cargos directivos Maria Alice Lamy, Stella Fiadeiro e Maria Helena Pulido Valente, sendo muito ativas Cândida Gaspar, Maria Luísa Bastos, Joana Campina e Cândida Ventura

Com Cândida Ventura, colega da Faculdade de Letras de Lisboa, colaborou na mobilização de artistas, escritores, actores e poetas para colaborarem nas sessões culturais e pacifistas que a AFPP promovia. 

Na sede da Associação, na Rua D. Pedro V, ao Príncipe Real, organizavam pequenos pacotes com cigarros e géneros que mandavam, em colaboração com o Socorro Vermelho Internacional, para os prisioneiros nos campos de concentração. 

Ainda no âmbito das actividades da AFPP, no dia 9 de abril, data da Batalha de La Lys, costumavam, depositar ramos de flores no monumento aos mortos da Grande Guerra. 

Participou, no início da década de 1940, nos passeios de barco  culturais e políticas realizados no rio Tejo, sendo, com Cândida Ventura, uma das duas únicas sobreviventes [sobre eles consultar http://antonioanicetomonteiro.blogspot.pt/]. 

Posteriormente, já professora do Liceu, apoiou a campanha de Humberto Delgado; subscreveu as listas da Oposição Democrática; foi “compagnon de route” do Partido Comunista Português desde 1940 e filiada desde os anos setenta; tornou-se sócia da Associação de Amizade Portugal-Cuba; e pertence ao Conselho Português para a Paz e Cooperação. 

O seu empenhamento profissional (pedagógico-didático) não é menos intenso e relevante. Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1944, a sua tese, intitulada Paul Gauguin visto à luz da Caracterologia - Vida e Obra suscitou polémica visto ser então a primeira a versar sobre Arte, considerada então uma parente pobre da História. 

Em 1948, fez Exame de Estado no Liceu Pedro Nunes com a tese Filosofia - Valores Éticos e Estéticos.

Lecionou nos Liceus de Faro, Beja, Évora, Oeiras, Lisboa (D. Leonor, D. João de Castro, Passos Manuel e Pedro Nunes) e na Escola do Magistério Primário de Évora. 

Orientadora de Estágios Pedagógicos nos Liceus de Oeiras, Pedro Nunes e Passos Manuel, entre 1973 e 1976. 

Participou nos Colóquios de História e de Filosofia realizados em 1959, no Liceu Pedro Nunes, sob a égide do Reitor Francisco Dias Agudo, que pela ousadia da sua promoção e pela categoria dos intervenientes (Professores Delfim Santos, Vieira de Almeida, Rui Grácio, Joel Serrão) representavam então uma luta pela actualização e dignificação dos conteúdos pedagógicos e informativos dos ramos abrangidos. 

Dentro do mesmo combate ao ensino orientado pelo Estado Novo e veiculado pelos compêndios fascizantes, participou nas reuniões de professores progressistas, realizadas um tanto clandestinamente na Escola Francisco Arruda sob a direcção do Professor Calvet de Magalhães; frequentou os Cursos de Aperfeiçoamento Profissional orientados pelo Professor Rui Grácio no Sindicato dos Professores; e cursou, em 1975, o 10.º Curso de Pós-Graduação em História de Arte, instituído pelo Professor José Augusto França na Universidade Nova de Lisboa. 

Após o 25 de Abril, interveio activamente, com muitos outros docentes [José Magno, Maria de Lurdes Ribeiro, Hardisson Pereira, João Cruz, Maria Eugénia Bráulia Reis, Ana Leal de Faria, Margarida Matos...], numa Comissão presidida por Maria Emília Diniz com o intuito de acabar com os velhos programas e actualizá-los com tudo o que tinha ocorrido na investigação e na metodologia. 

Estes novos programas foram divulgados em cadernos de apoio editados pelo Ministério da Educação, substituindo os antigos compêndios do 6.° e 7.° anos. Coube a Maria Lucília Estanco Louro fazer o tema Humanismo e Experimentalismo na Cultura do século XVI e, em coautoria com João Cruz, A Arte Portuguesa nos Séculos XIX e XX, não tendo este último fascículo chegado a ser publicado, porque entretanto estes programas, julgados demasiadamente revolucionários, foram abolidos. 

Realizou inúmeras palestras, participou em colóquios, escreveu artigos e colaborou em publicações. 

Redigiu várias entradas no Dicionário de História de Portugal, dirigido pelo Professor Joel Serrão, e a convite deste. 

Dos muitos escritos dispersos, é de mencionar “O Jovem Piteira” [Fernando Piteira Santos], publicado no Jornal de Letras, por se referir a “alguém cuja inteligência, sólida formação cultural (especialmente política) e fulgurante lucidez e poder de comunicação marcaram os jovens da minha geração, seus colegas na Faculdade de Letras de Lisboa nos anos 40” e que integrava “Barradas de Carvalho, Rute Arons, Olívia Cunha Leal, Rui Grácio, Joel Serrão, Joana Campina, Eunice Oliveira, Jorge Borges de Macedo, Francisco Morais Janeiro, Mário Faria, Nataniel Costa, Tony Nogueira Santos e eu própria, Maria Lucília”. 

A competência, profissionalismo, dedicação e intervenção cívica de Maria Lucília Estanco Louro, quer sob condições políticas adversas, quer após a Revolução de Abril,  podem ser testemunhados pelos seus antigos alunos, muitos dos quais tornadas figuras públicas, entre os quais se contam: Ana Maria Magalhães; António Damásio; António Torrado; Diogo Freitas do Amaral; Guilherme de Oliveira Martins; Joaquim Benite; Joaquim Letria; Joel Hasse Ferreira; Jorge Martins; José Meco; José Viana da Mota Brandão, Maria Beatriz Ruivo; Miriam Halpern Pereira; Maria Ângela de Sousa; Maria José Moura; Mário Vieira de Carvalho; Norberto Barroca; Rui Vieira Nery.

Pertence a uma geração única que dedicou décadas da sua vida na luta contra a ditadura e, coerentemente, continua, dentro das suas possibilidades, a manifestar o mesmo empenho político e cívico. 

Existe uma entrada mais completa sobre Maria Lucília Estanco Louro em Feminae. Dicionário Contemporâneo [Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 2013].

[João Esteves]

quarta-feira, 30 de abril de 2014

[0614.] FEMINAE [XXXI] - Letra M [V]

- ENTRADAS -


- LETRA M [V] -


0751. Maria Lúcia Ramos Frutuoso [Namorado]
0752. Maria Lucília Estanco Louro
Maria Luísa Costa Dias - v. Maria Luísa Palhinha da Costa Dias
0753. Maria Luísa Costa Silva Bastos
0754. Maria Luísa de Melo Carneiro Zagalo
0755. Maria Luísa de Sousa e Holstein
0756. Maria Luísa Domingas de Sales e Borja de Assis de Paula de Sousa e Holstein 
0757. Maria Luísa Faria de Magalhães
0758. Maria Luísa Maire 
0759. Maria Luísa Palhinha da Costa Dias
Maria Machado - v. Maria dos Santos Machado
0760. Maria Madalena Bagão da Silva Biscaia de Azeredo Perdigão
Maria Madalena Azeredo Perdigão - v. Maria Madalena Bagão da Silva Biscaia de Azeredo Perdigão
Maria Madalena Biscaia Farinha - v. Maria Madalena Bagão da Silva Biscaia de Azeredo Perdigão
0761. Maria Madalena de Azevedo Duarte de Sousa Gerbert
Maria Madalena Martel Patrício - v. Maria Madalena Valdez Trigueiros de Martel Patrí-cio
0762. Maria Madalena Valdez Trigueiros de Martel Patrício
0763. Maria Manuela da Conceição Carvalho Margarido
0764. Maria Manuela de Brito e Castro de Figueiredo e Melo da Costa Lorena 
0765. Maria Margarida Canavarro de Meneses Fernandes Costa 
0766. Maria Margarida da Silva
0767. Maria Margarida Oliveira Pinto 
0768. Maria Matos
0769. Maria Micaela de Sousa Folque
0770. Maria Miquelina Monteiro
Maria Monjardino - v. Maria Medina Monjardino Brito do Rio
0771. Maria Ofélia Freire de Oliveira Corrêa 
0772. Maria Olímpia da Cunha Viana Vaz Simões Anjos
Maria O´Neill - v. Maria da Conceição Infante de Lacerda Pereira de Eça Custance O´Neill
0773. Maria Palmira Passos da Fonseca de Abreu Castelo Branco 
0774. Maria Peres
Maria Pia - v. Maria Seabra da Cruz Almeida
Maria Pia de Almeida - v. Maria Seabra da Cruz Almeida
0775. Maria Pia de Sabóia e Bragança [Rainha D.]
0776. Maria Pinto
0777. Maria Pinto Ribeiro
0778. Maria Portuzelos
0779. Maria Pureza 
0780. Maria Reis
Maria Ribeiro de Oliveira Freire - v. Maria da Graça Freire
Maria Rita Chiappe Cadet - v. Maria Rita Colaço Chiappe Cadet
Maria Rita Colaço Chiappe - v. Maria Rita Colaço Chiappe Cadet
0781. Maria Rita Colaço Chiappe Cadet 
0782. Maria Rita Mesquita
0783. Maria Rodrigues Pato

[Edição da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) / 2013]