[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

[2193.] IVONE MARIA DA CONCEIÇÃO TELES [II] || 1916 - 1990

* IVONE TELES *
[09/09/1916 - 13/12/1990]

[Ivone Teles || Fotografia cedida pela sobrinha Ivone Maria Pessoa Teles]

Ivone Maria da Conceição Teles foi uma importante activista antifascista e militante comunista de Coimbra desde, pelo menos, a década de 1940, só tendo caído nas malhas da PIDE em 1962, quando presa com outras militantes do Partido Comunista: a professora Madalena Coelho Marques de Almeida, Eva Amado e a advogada Maria Regina Dias Carvalheiro.

Filha de Maria da Conceição Marques Teles e de Adolfo Teles, nasceu em Coimbra, Freguesia de Almedina, em 9 de Setembro de 1916. 

Licenciada em Farmácia, Ivone Teles esteve na origem da fundação, em Coimbra, da Delegação local do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, tendo participado numa sessão organizada, em Agosto de 1946, nas Caldas da Rainha, e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz

Participou, entre outras actividades antifascistas, na Campanha Presidencial de Norton de Matos (1949) e, em Outubro de 1950, foi eleita Tesoureira da Delegação de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, agremiação que seria, então, presidida por Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes [21/05/1900 - 29/08/1980]. 

Manteve relevante actividade semiclandestina no âmbito da militância comunista, tendo o grupo de mulheres sido detectado tardiamente pela PIDE. Presa em 30 de Outubro de 1962, quando residia na Rua Bernardo de Albuquerque, 96, 1.º direito, recolheu às prisões privativas da subdelegação de Coimbra e, no dia seguinte, foi transferida para Caxias, tendo como companheiro de viagem o professor e historiador Flausino Torres [1906 - 1974], pai do Arqueólogo Cláudio Torres

Libertada em 6 de Novembro, mediante caução, foi julgada pelo Tribunal Criminal de Lisboa em 16 de Novembro do ano seguinte, sendo absolvida. 

Do mesmo processo fazia parte, entre outros nomes, Madalena Coelho Marques de Almeida, condenada a um ano de prisão, Eva Amado, condenada a 14 meses de prisão, e a advogada Maria Regina Dias Carvalheiro, também absolvida [Proc. 1536/62, 1.ª Div.].

[Grupo de Sócias de Coimbra do CNMP || Julho (?) de 1947 || Judite Rosales Marques de Almeida, Madalena Coelho Marques de Almeida, Clarisse, Celeste Teles de Almeida Costa, Maria Helena Pinto Loureiro, Branca, ?]

Também a irmã mais velha de Ivone Teles, a professora primária Celeste da Conceição Teles [casada com o Inspector Escolar José Almeida Santos Costa], teve militância antifascista e participou na Delegação de Coimbra do CNMP, tendo sido impedida de exercer a profissão. O cunhado, José Almeida Costa, também esteve preso [1938-1939] e foi afastado do ensino, sobrevivendo o casal da orientação de estudos particulares de filhos de famílias com algumas posses.


[José Almeida Santos Costa || 28/06/1938 || ANTT || RGP/10329 || PT-TT-PIDE-E-010-52-10329]

Faleceu em Coimbra em 13 de Dezembro de 1990, em casa da sobrinha e afilhada Ivone Maria Pessoa Teles, a quem agradecemos a partilha de informações relevantes.

[João Esteves]

quinta-feira, 24 de março de 2016

[1413.] IVONE MARIA DA CONCEIÇÃO TELES [I] || 1916 - 1990

* IVONE TELES *
[09/09/1916 - 13/12/1990]

|| CNMP + AFPP || COIMBRA ||

Tal como sucedeu com as protagonistas republicanas, envolvendo alguns milhares de nomes, também as ativistas do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, para além de muitas outras oposicionistas à Ditadura Militar e à Ditadura do Estado Novo, acabaram por ser menorizadas pela Historiografia e remetidas para um silenciamento que urge quebrar enquanto é tempo.

Um desses nomes é Ivone Maria da Conceição Teles, que faria este ano cem anos.

Licenciada em Farmácia. 

Filha de Maria da Conceição Marques Teles e de Adolfo Teles, nasceu em Coimbra em 9 de Setembro de 1916. 

Militou, na década de 40, no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, tendo participado numa sessão organizada em Agosto de 1946 nas Caldas da Rainha. 

Em Outubro de 1950, foi eleita Tesoureira da Delegação de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, agremiação que, então, seria presidida por Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes [1900-1980]. 

Presa pela PIDE em 30 de Outubro de 1962, quando residia na R. Bernardo de Albuquerque, 96, 1.º direito, recolheu às prisões privativas da subdelegação de Coimbra e, no dia seguinte, foi transferida para Caxias. 

Libertada em 6 de Novembro, mediante caução, foi julgada pelo Tribunal Criminal de Lisboa em 16 de novembro do ano seguinte, sendo absolvida. 

Do mesmo processo fazia parte, entre outros nomes, Madalena Coelho Marques de Almeida, condenada a um ano de prisão, Eva Amado, condenada a 14 meses de prisão, e a advogada Maria Regina Dias Carvalheiro, também absolvida [Proc. 1536/62, 1.ª Div.].

Faleceu a 13 de Dezembro de 1990.

O meu obrigado a Ivone Maria Pessoa Teles, sobrinha de Ivone Maria da Conceição Teles, pela informação da data de falecimento.

[João Esteves]

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

[1345.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXXI] || FIGUEIRA DA FOZ [I]

* CNMP || FIGUEIRA DA FOZ || 1946 *

CARTA A MARIA LAMAS DE 14 MULHERES DA FIGUEIRA DA FOZ A SOLICITAR A CRIAÇÃO DE UMA DELEGAÇÃO DO CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS

[AP/JE || Cópia cedida por Natividade Correia em Fevereiro de 1998]

Subscritoras:

1. Celeste Harrisson.
[Celeste Pereira Harrisson. Poetisa e autora de peças de teatro, nasceu no Porto a 27 de Abril de 1907. Manteve colaboração nos periódicos O Comércio do Porto, O Jornal da Mulher, Jornal de Notícias, Notícias da Figueira, Notícias de Lourenço Marques, Portugal Feminino e A Tarde. Esteve representada na grande “Exposição de Livros Escritos por Mulheres”, organizada pelo CNMP em 1947. Terá falecido em 1977.]

2. Maria Rosa dos Santos.

3. Maria do Carmo Santos [?] Costa.
[Professora de Inglês].

4. Maria Fernanda das Neves.
[Estudante universitária].

5. Maria Madalena Nogueira e Silva.

6. Maria Isabel Marques de Andrade Salgado.

7. Maria Celinda Dias Carvalheiro.
[Comerciante. Filha de Manuel Duarte Carvalheiro e de Albertina Dias Carvalheiro, nasceu em 21 de Agosto de 1915 e faleceu a 25 de Dezembro de 2000, com 85 anos. Tal como a irmã, Maria Regina Dias Carvalheiro, associou-se desde muito nova à oposição ao Estado Novo, mantendo-se coerente com os seus ideais até à morte. Foi também ativista da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, à qual aderiu por intermédio de Eva Amado.]

8. Maria Cristina Esteves.
[Maria Cristina Damas Esteves. Filha de João Soares Esteves e de Maria Teresa Damas Esteves, nasceu em Rio de Moinhos, Abrantes, a 26 de Junho de 1912. Para além de subscritora desta carta, aderiu, por proposta de Maria Joana Rosendo Dias, à Delegação de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Residia então na Figueira da Foz, na Rua da República, 94, 1.º.]

9. Natividade Pinheiro.
[Mãe da ativista Maria da Natividade Pinheiro Correia, impulsionadora da Delegação de Coimbra.]

10. Maria Eugénia Cruz.

11. Dulce Coelho Costa Redondo.



14. Cesaltina Bengala Vasco.
[Professora, casada com o médico comunista Gilberto Vasco. Foi da sua autoria a proposta da subcomissão da Figueira da Foz organizar Cursos de Puericultura.]

sexta-feira, 18 de julho de 2014

[0713.] MARIA REGINA DIAS CARVALHEIRO [I]

* MARIA REGINA DIAS CARVALHEIRO *
[27/10/1917 - 14/06/2003]
[in Alberto Vilaça, O MUD Juvenil em Coimbra - História e estórias, Campo das Letras, 1998]

Prestigiada antifascista e militante comunista, a advogada Regina Carvalheiro foi uma das principais referências do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz na Figueira da Foz e em Coimbra e pertenceu, durante décadas consecutivas, aos meios oposicionistas das duas cidades.

Filha de Albertina Teixeira Dias Carvalheiro [11/05/1890-15/06/1976] e de Manuel Duarte Carvalheiro [19/10/1889-01/11/1949], Maria Regina Dias Carvalheiro nasceu na freguesia de S. Julião, Figueira da Foz, a 27 de outubro de 1917 e faleceu na mesma localidade a 14 de junho de 2003, com 85 anos de idade. 

No ano letivo de 1937/1938, quando tinha 18 anos, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, datando desse período a leitura do jornal clandestino Avante!.

Em 1946, quando era notária na sua terra natal [1945-1949], integrou, juntamente com a irmã Maria Celinda Dias Carvalheiro [21/08/1915-25/12/2000], o grupo das catorze subscritoras que, através de abaixo-assinado dirigido à Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Maria Lamas [1893-1983], solicitou a criação duma delegação na Figueira da Foz, “tendo em vista levar a efeito várias realizações de alcance cultural e social, no sentido de elevar a mulher a um grau de maior dignificação e de prestar à criança a assistência de que carece” [documentação cedida por Maria da Natividade dos Santos Silva Pinheiro Correia, n. 09/02/1922].

Concluiu o curso de Direito no ano letivo de 1948/1949 e foi enquanto “candidata a advocacia” que aderiu ao núcleo de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, a que aderiu, tal como a irmã, por intermédio de Eva Amado [n. 21/01/1908], cunhada de Armando Bacelar [25/08/1918-1998].

Em Outubro de 1950, foi eleita 1.ª Secretária da Delegação de Coimbra da AFPP. 

A ação de Regina Carvalheiro estender-se-ia também a Lisboa, já que foi por seu intermédio que a médica Maria da Purificação Araújo aderiu a essa agremiação, tendo o convite sido concretizado numa das varandas do cinema São Jorge, em Lisboa.   

Exercendo advocacia em Coimbra e na Figueira da Foz, “participou ativamente em todos os movimentos oposicionistas desde a campanha do general Norton de Matos para a Presidência da República” [Mário Matos Lemos, 2009].

Presa em 1962, tal como Eva Amado e a professora Madalena Coelho Marques de Almeida [01/02/1916-2013] , foi julgada no Tribunal Plenário de Lisboa, tendo sido absolvida.

Na década de 1970, integrou o Movimento Democrático de Coimbra, tendo sido candidata pela lista da oposição às eleições de 1973 para a Assembleia Nacional.

Em janeiro de 1974, integrou o grupo de cidadãos que procurou realizar em Coimbra uma sessão comemorativa do 31 de Janeiro de 1891 e que foi recusada pelo Governador Civil [Blogue Livre e Humano].

Na sequência do 25 de Abril de 1974, a 28 de abril fez parte da delegação daquele Movimento, juntamente com Alberto Vilaça [07/12/1929-21/05/2007], João Vilar, Luís Carlos Januário, Trocado da Costa e Victor Costa, que se dirigiu a Lisboa para o Encontro Nacional de todos os movimentos democráticos nacionais. Segundo Victor Costa, seria a única mulher presente [Victor Costa, A força do povo - o 25 de Abril em Coimbra, Lápis de Memórias, 2014].

Em 1975, esteve, juntamente com os professores Carrington da Costa, Luís Albuquerque, Orlando de Carvalho, Paulo Quintela, e Teixeira Ribeiro, Rui Clímaco, Major Lestro Henriques, Padre Cruz Dinis, Maria Benedita Albuquerque, Ivone Teles e Manuela Macário, na fundação do Núcleo de Coimbra do Conselho Português para a Paz e Cooperação.

[Albano Cunha - 1915-1968]
Casada com Albano Rodrigues da Cunha [04/04/1915-05/08/1968], advogado e militante comunista muito considerado em Coimbra, várias vezes preso e torturado pela PIDE sem ter prestado quaisquer declarações.

[João Esteves]