[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 27 de outubro de 2018

[1884.] MARIA VELEDA || ESTRELA DO MINHO | 1902

* MARIA VELEDA || 02/11/1902 *

1.ª página de 2 de Novembro de 1902 do periódico Estrela do Minho, de Vila Nova de Famalicão, dedicada a Maria Veleda e enviada por Amadeu Gonçalves, a quem, mais uma vez, muito se agradece.


[Estrela do Minho || N.º 377 || 02/11/1902]

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

[1741.] ACÁCIA DE CARVALHO GONÇALVES DE RESENDE [I]

ACÁCIA DE CARVALHO GONÇALVES DE RESENDE *

* ACTIVISTA DO CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || 1931 - 1945 || LISBOA *

Filha dos republicanos Maria Emília de Carvalho Gonçalves [? - 15/12/1942] e de César Gonçalves [n. 27/09/1876], director do jornal O Rebate de Tomar, sobrinha de Bárbara Rosa de Carvalho [Pereira] e neta materna de António Teixeira de Carvalho, presidente da Comissão Municipal Republicana de Tomar, empossado presidente da câmara na sequência da revolução de 5 de Outubro, Acácia de Carvalho Gonçalves nasceu na cidade nabantina e conviveu desde pequena com o associativismo feminista, republicano e maçónico. 

Em 1909, quando era muito nova já que os pais tinham casado em 29 de maio de 1899, o seu nome apareceu inscrito na lista de subscritores a favor das vítimas da catástrofe do Ribatejo promovida pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas de que a mãe e a tia eram activistas. 

Entre 1931 e 1945, quando estava a viver próximo da capital, evidenciou-se na militância activa no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas para onde entrou por proposta da mãe. 

Em Dezembro de 1934, participou na recepção promovida pelo Conselho a Adelaide Cabete quando do seu regresso de Angola e desempenhou, a partir de 1932, várias funções nos corpos gerentes: Vogal da Direcção (1932-1935) e 2.ª (1944) e 3.ª Vogal (1943) do Conselho Fiscal; Secretária das Secções de Educação (1937) e de Propaganda e Biblioteca (1938); membro da Comissão de Assistência (1945). 

Entretanto, terá casado, já que, a partir de 1943, é acrescentado o apelido Resende ao nome, perdendo-se o seu rasto pouco depois do enlace. 

Terá vivido na casa que os pais construíram em Paço de Arcos quando saíram de Tomar e que denominaram “Vivenda Acácia”. 

Amiga e correligionária da mãe e da tia, Maria Veleda dedicou, em 1922, o texto “Noite de Natal - Sinite párvulos venire ad me” “À minha querida amiguinha, Acácia de Carvalho Gonçalves”. 

[João Esteves]

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

[1331.] GRUPO PORTUGUÊS DE ESTUDOS FEMINISTAS [I]

* GRUPO PORTUGUÊS DE ESTUDOS FEMINISTAS || 1907-1908 *


Fundado em 1907 por Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete, Carolina Beatriz Ângelo e Maria Veleda, entre outros nomes, o Grupo Português de Estudos Feministas tinha por objectivo difundir o feminismo e doutrinar as portuguesas através da edição de livros e folhetos.

[Contracapa de Folheto editado em 1908] 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

[1257.] A LRMP DESLOCA-SE AO PARLAMENTO || 08/07/1912

* UMA DELEGAÇÃO DA LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS NO PARLAMENTO || JULHO DE 1912 *


Uma delegação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas desloca-se ao Parlamento aquando da leitura da representação entregue ao Presidente da Câmara dos Deputados, onde reclamava o direito de voto para as mulheres que fossem contribuintes, chefes de família, professoras ou operárias, ampliando, desta forma, as concessões restritas que o Senado lhes fez, que previam o direito de voto apenas às mulheres diplomadas com um curso secundário, superior ou especial.

[O Mundo || 10/07/1912]

[1256.] A LRMP SAÚDA ALEXANDRE BRAGA || 25/01/1912

* LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS || MENSAGEM ENTREGUE A ALEXANDRE BRAGA || 25 DE JANEIRO DE 1912 *

A direcção da LRMP, acompanhada por grande número de sócias [cerca de 250], entregou a Alexandre Braga uma mensagem de agradecimento pela sua apresentação de um projecto de lei sobre os direitos da mulher.

[Direção da LRMP e Sócias junto ao Parlamento || 25/01/1912]

[O Mundo || 26/01/1912]

«Os Direitos da Mulher -
As sócias da Liga Republicana entregam uma mensagem ao sr. Dr. Alexandre Braga
A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, tendo resolvido entregar ao sr. Dr. Alexandre Braga uma mensagem de felicitação e agradecimento pela apresentação do projecto de lei acerca dos direitos da mulher, convidou ontem as suas sócias a acompanharem a direcção ao edifício do Congresso, onde seria feita a entrega daquele documento. Com efeito umas duzentas e cinquenta senhoras foram ontem, pelas 15 horas, ao palácio de S. Bento em procura do ilustre parlamentar, depositando-lhe nas mãos, depois de lido pela sr.ª D. Maria Veleda, o seguinte documento: 

Ilustre cidadão – Reunida em sessão extraordinária a assembleia geral da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas para apreciar o acto belamente humanitário e da mais alta significação moral que vindes de praticar, apresentando no parlamento um projecto de lei que tem por objecto a emancipação civil e económica da Mulher, a qual até hoje tem vivido numa situação de escrava igualada aos irresponsáveis nos direitos, comparada aos Idiotas, submetida a uma tutela deprimente, tanto para ela como para os seres livres que a exerciam – seus pais ou seus maridos – foi por todas as sócias presentes e que assinam esta mensagem, o vosso nome aclamado como o de um benemérito, digno e nobilíssimo continuador daquele a quem as mulheres portuguesas devem os primeiros fulgores de justiça na sua aurora de libertação. Glória a Afonso Costa! Glória a vós, que, pondo o pé sobre a cabeça viperina do preconceito, levais a mulher até onde ela devia e era justo que fosse elevada. Numa República democrática não se compreendia que a Mulher pudesse permanecer na angustiosa, cruel e aviltante situação em que o Código Civil a mantinha. Não se compreendia que mães de homens livres continuassem sendo escravas. O projecto de lei, que apresentastes ao parlamento, e que este decerto aprovará integralmente, dando a todo o mundo culto mais um grandioso exemplo de solidariedade humana e engrandecendo cada vez mais a República, para que todas nós trabalhámos na medida das nossas forças – a nossa querida República! A nossa República bem amada, tão jovem e já de tanto prestígio! – o projecto de lei que apresentastes ao parlamento, constituiria ele só por si – ainda que outros e muitos outros não tivésseis – um preclaríssimo título de glória. Encarecê-lo mais é inútil: no seu mesmo significado, está o seu maior engrandecimento. Nós vimos simplesmente prestar-vos o tributo da nossa profunda gratidão. Milhares de bocas femininas pro-clamam reconhecidamente o vosso nome. Ele ficará, como um sol de rutilante brilho iluminando as páginas da nossa história. Viva Alexandre Braga! Viva a República! 

(Seguem-se as assinaturas). 

O sr. Dr. Alexandre Braga recebeu as sócias da Liga Republicana num dos gabinetes da câmara, e respondeu com um pequeno discurso, em que agradecia a manifestação, afirmando que ela lhe daria mais força para sustentar o projecto que apresentara. Foram soltados depois muitos vivas ao seu nome e à República. 

O sr. Dr. Magalhães Lima, que tinha prometido incorporar-se na manifestação e apresentar a direcção da Liga ao sr. Dr. Alexandre Braga, não compareceu por estar àquela hora impedido junto de um amigo que necessitava da sua presença para um acto solene.»

[O Mundo, 26/01/1912]

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

[1255.] A LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS E OS JOVENS DA OBRA MATERNAL || 02/03/1913

* A DIREÇÃO DA LRMP COM AS CRIANÇAS DA OBRA MATERNAL || 2 DE MARÇO DE 2013 *

[2 de Março de 1913]

[O Mundo || 03 de Março de 1913]

[1253.] DIREÇÃO DA LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS COM BERNARDINO MACHADO

* A LRMP COM BERNARDINO MACHADO || 9 DE JULHO DE 1911 *

Maria Veleda, sem chapéu, encontra-se à direita de Bernardino Machado
[9 de Julho de 1911]

Organizada pela LRMP, realiza-se no Coliseu dos Recreios uma sessão solene de homenagem ao ministro da Justiça, Afonso Costa, tendo-se aí inaugurado o seu retrato. 

A sessão é presidida por Bernardino Machado e discursaram Alfredo de Magalhães, Maria Veleda, Eusébio Leão, Carneiro de Moura, Agostinho Fortes, Visconde da Ribeira Brava e França Borges. A Associação de Propaganda Feminista fez-se representar.
[O Mundo || 10 de Julho de 1911]

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

[1178.] CENTRO ESCOLAR FERNÃO BOTTO MACHADO [I] || 20/07/1906

* INAUGURAÇÃO DO CENTRO ESCOLAR FERNÃO BOTTO MACHADO || 20 DE JULHO DE 1906 *

Margarida Lima Pereira e Maria Veleda declaram a sua adesão à inauguração do Centro Escolar Fernão Botto Machado, cuja festa decorre em 20 de Julho de 1906 na sede do Centro Eleitoral Democrático de Lisboa, sita no Largo de S. Carlos, 4, 2º.

[Vanguarda || 21 de Julho de 1906]

terça-feira, 10 de novembro de 2015

[1166.] HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DE COURRIÈRES [I] || 15/07/1906

* SESSÃO NA CAIXA ECONÓMICA OPERÁRIA DE HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DA CATÁSTROFE DE COURRIÈRES || 15/07/1906 *

A sessão foi presidida por Magalhães Lima e contou com a intervenção de Angelina Vidal [1853-1917]. Maria Veleda deu a sua adesão à iniciativa e, durante o evento, felicitou a propagandista Angelina Vidal, podendo considerar-se a primeira grande iniciativa pública a que aquela professora compareceu.

[Vanguarda || 16 de Julho de 1906]

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

[1147.] FEMINISMO [III] || 1906

* FEMINISMO || 1906 *

É na imprensa que, a partir de 1906, se encontra com regularidade um vasto manancial de reflexões sobre o feminismo, nomeadamente sobre o que se reivindicava para as mulheres portuguesas, pronunciando-se, entre outras, Albertina Paraíso, Ana de Castro Osório, Lucinda Tavares, Maria Veleda e Virgínia Quaresma. 

Os textos dedicados ao feminismo pelo “Jornal da Mulher”, secção do periódico O Mundo iniciada em 25 de Junho de 1906 e da responsabilidade de Albertina Paraíso, são imprescindíveis para compreender o que se passava nesse campo nos últimos anos da Monarquia. 

Os vocábulos feminista e feminismo surgiram com frequência na imprensa republicana dos anos de 1906, 1907 e 1908, quer em artigos assinados por mulheres, quer em textos e secções da responsabilidade dos redactores. 

A temática feminista passou a fazer parte do conteúdo de diários como O Mundo e Vanguarda e são mais as apreciações positivas do que os comentários depreciativos. 

Por exemplo, a Vanguarda, diário republicano independente, inclui, em 1906, a secção “Galeria feminista”, criada depois da apresentação pública da Secção Feminista da Liga Portuguesa da Paz e dedicada a mulheres que se destacavam pelo empenhamento a favor dos seus direitos. O texto, por vezes desenvolvido, era acompanhado da fotografia da homenageada, recaindo as escolhas em Carmen de Burgos y Seguí (24/5/1906), Lisa Lualdi, portuguesa a viver em Nápoles (6/6/1906), Belén Sarraga de Ferrero (7/6/1906), Avril de Sainte-Croix (27/6/1906).

A generalização do vocábulo feminismo não pode ser dissociado do que se entendia por ele, considerado genericamente como a luta justa pelos direitos da mulher. Existia a consciencialização de que a sua condição tinha de mudar e, durante algum tempo, ela envolve tanto a elite feminina, como líderes do republicanismo, com o trunfo, não desprezável, de que a sua imprensa não hostilizava essa aspiração.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[0451.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS


* LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS *

[25/01/1912] A direcção da LRMP, acompanhada por grande número de sócias, entrega a Alexandre Braga uma mensagem de agradecimento pela sua apresentação de um projecto de lei sobre os direitos da mulher. 

As sócias da LRMP à saída do Parlamento, depois de terem entregue a Representação a Alexandre Braga

«Os Direitos da Mulher - As sócias da Liga Republicana entregam uma mensagem ao sr. Dr. Alexandre Braga

A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, tendo resolvido entregar ao sr. Dr. Alexandre Braga uma mensagem de felicitação e agradecimento pela apresentação do projecto de lei acerca dos direitos da mulher, convidou ontem as suas sócias a acompanharem a direcção ao edifício do Congresso, onde seria feita a entrega daquele documento. Com efeito umas duzentas e cinquenta senhoras foram ontem, pelas 15 horas, ao palácio de S. Bento em procura do ilustre parlamentar, depositando-lhe nas mãos, depois de lido pela sr.ª D. Maria Veleda, o seguinte documento: 
Ilustre cidadão – Reunida em sessão extraordinária a assembleia geral da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas para apreciar o acto belamente humanitário e da mais alta significação moral que vindes de praticar, apresentando no parlamento um projecto de lei que tem por objecto a emancipação civil e económica da Mulher, a qual até hoje tem vivido numa situação de escrava igualada aos irresponsáveis nos direitos, comparada aos Idiotas, submetida a uma tutela deprimente, tanto para ela como para os seres livres que a exerciam – seus pais ou seus maridos – foi por todas as sócias presentes e que assinam esta mensagem, o vosso nome aclamado como o de um benemérito, digno e nobilíssimo continuador daquele a quem as mulheres portuguesas devem os primeiros fulgores de justiça na sua aurora de libertação. Glória a Afonso Costa! Glória a vós, que, pondo o pé sobre a cabeça viperina do preconceito, levais a mulher até onde ela devia e era justo que fosse elevada. Numa República democrática não se compreendia que a Mulher pudesse permanecer na angustiosa, cruel e aviltante situação em que o Código Civil a mantinha. Não se compreendia que mães de homens livres continuassem sendo escravas. O projecto de lei, que apresentastes ao parlamento, e que este decerto aprovará integralmente, dando a todo o mundo culto mais um grandioso exemplo de solidariedade humana e engrandecendo cada vez mais a República, para que todas nós trabalhámos na medida das nossas forças – a nossa querida República! A nossa República bem amada, tão jovem e já de tanto prestígio! – o projecto de lei que apresentastes ao parlamento, constituiria ele só por si – ainda que outros e muitos outros não tivésseis – um preclaríssimo título de glória. Encarecê-lo mais é inútil: no seu mesmo significado, está o seu maior engrandecimento. Nós vimos simplesmente prestar-vos o tributo da nossa profunda gratidão. Milhares de bocas femininas proclamam reconhecidamente o vosso nome. Ele ficará, como um sol de rutilante brilho iluminando as páginas da nossa história. Viva Alexandre Braga! Viva a República! 
(Seguem-se as assinaturas). 
O sr. Dr. Alexandre Braga recebeu as sócias da Liga Republicana num dos gabinetes da câmara, e respondeu com um pequeno discurso, em que agradecia a manifestação, afirmando que ela lhe daria mais força para sustentar o projecto que apresentara. Foram soltados depois muitos vivas ao seu nome e à República. 
O sr. Dr. Magalhães Lima, que tinha prometido incorporar-se na manifestação e apresentar a direcção da Liga ao sr. Dr. Alexandre Braga, não compareceu por estar àquela hora impedido junto de um amigo que necessitava da sua presença para um acto solene.»
[O Mundo, 26/01/1912, p. 1, cols. 3-5]

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

[0450.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS


* Liga Republicana das Mulheres Portuguesas *

[09/07/1911] Organizada pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, realiza-se no Coliseu dos Recreios uma sessão solene de homenagem ao ministro da Justiça, Afonso Costa, tendo-se aí inaugurado o seu retrato. A sessão é presidida por Bernardino Machado e discursam Alfredo de Magalhães, Maria Veleda, Eusébio Leão, Carneiro de Moura, Agostinho Fortes, Visconde da Ribeira Brava e França Borges. A APF faz-se representar.

A direção da LRMP com Bernardino Machado
[Julho de 1911]

domingo, 3 de fevereiro de 2013

[0414.] FERREIRA MANSO / MARIA VELEDA

[03.02.1910]
- Liga Republicana das Mulheres Portuguesas -

A LRMP e a sua Comissão de Propaganda encabeçam o cortejo fúnebre do republicano e maçónico Ferreira Manso. Maria Veleda discursa no cemitério:

«A derradeira Homenagem - É sepultado Ferreira Manso - [...] - No cemitério - Falam a sr.ª D. Maria Veleda e o dr. Magalhães Lima
[...] // À beira da sepultura usou em primeiro lugar da palavra a sr.ª D. Maria Veleda, que em frase sentida pôs em relevo as qualidades morais e de carácter de Ferreira Manso, que, ainda quando o ano passado, um pasquim jesuítico a agrediu infamemente, saiu à estacada em sua defesa, ele que mal a conhecia. É digno de gratidão e de registo este acto do morto, como de resto o são todos os da sua vida de luta, de abnegação e sacrifício. Despede-se dele fazendo votos por que o seu exemplo seja seguido, e a sua vaga o menos sentida possível.»
[O Mundo, 4/2/1910, p. 3, col. 4]

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

[0399.] MARIA VELEDA [XXII] || MEMÓRIAS [VI]

* MARIA VELEDA || MEMÓRIAS *

Apresentação do Livro “Maria Veleda (1871-1955)”, Uma Professora Feminista, Republicana e Livre-Pensadora e Conversa com a autora, Natividade Monteiro, dia 8 de fevereiro de 2013, pelas 18h00, na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos - TAVIRA.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

[0370.] MARIA VELEDA [XX] || MEMÓRIAS [IV]

* LEIRIA || MARIA VELEDA || 06/04/2011 *

Numa sessão emotiva e gratificante, numerosa assistência, sentada e em pé, encheu a belíssima Fundação da Caixa de Crédito de Leiria para assistir ao lançamento das Memórias de Maria Veleda, transcritas por Maria José Guerreiro da Franca e Silva Miranda, sua bisneta, e anotadas e estudadas por Natividade Monteiro.

Ao abrir, um Fado (... saudade e esperança nascem no mesmo dia ...), com letra de Maria Veleda e música de Eulália Amado, ambas militantes da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, interpretado de forma arrepiante.

Republicana, feminista, democrata, cidadã empenhada, Maria Veleda, nascida em 1871 e falecida a 8 de Abril de 1954, procurou sempre servir a República, antes, durante e depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910. Não se serviu da República!

"Mulher de princípios, fiel à divisa “Eu morro onde me prendo”, Maria Veleda pôde sempre afirmar que “a República não me concedeu favores nem a mim nem aos meus – e disso me orgulho”. Por isso, estas Memórias, pela primeira vez editadas e contextualizadas, não podiam surgir em melhor altura, associando-se assim o percurso de uma protagonista, testemunha privilegiada da época, à celebração do I Centenário da República."

Edição Imagens e Letras, 2011, 167 pp.

terça-feira, 5 de abril de 2011

[0368.] MARIA VELEDA [XIX] || MEMÓRIAS [III]

* MARIA VELEDA || MEMÓRIAS NA BMRR || 05 DE ABRIL DE 2011 *


Um sentido obrigado à Natividade Monteiro e a Maria José Guerreiro da Franca, bisneta de Maria Veleda, pela excelente edição das Memórias de Maria Veleda e pela comovente e familiar sessão realizada hoje na Biblioteca Museu República e Resistência, que contou também com a presença das netas Maria Leonor e Maria Ester, contribuindo, assim, para perpetuar a memória desta invulgar republicana.

* MARIA VELEDA *

Contemporânea de Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório, Angelina Vidal, Carolina Beatriz Ângelo e Beatriz Pinheiro de Lemos, Maria Veleda interveio activamente no processo de transição da Monarquia para a República, notabilizando-se nos acontecimentos sociais, políticos e educativos. E embora não seja tão conhecida como aquelas companheiras, não deixando obra publicada para além de alguns contos e uma colectânea de discursos, datada de 1909, manteve regular colaboração na imprensa e editou, no jornal República, em 1950, as suas Memórias, quando já tinha quase 80 anos.


Estas, constituem um dos raros documentos de uma protagonista feminina desse período e são elucidativas dos obstáculos que as mulheres tinham de enfrentar quando procuravam a sua independência, mesmo na área do ensino, tradicionalmente considerada mais acessível. Reflectem ainda a esperança e o desencanto que o regime republicano transportou consigo.

Nascida em Faro, em 1871, só na viragem do século é que começou a ganhar notoriedade: começou por exercer a profissão de professora no Algarve, Alentejo e, finalmente, em Lisboa; ambicionou ser escritora e acabou a lutar pela implantação da República; promoveu a emancipação feminina; liderou o movimento reivindicativo dos docentes do ensino livre; e foi pioneira das campanhas de protecção às crianças de rua.

É com a partida para Lisboa, em 1905, que começou a desvincular-se da produção literária e a sua vida mudou de rumo, ao empregar-se como professora regente no Centro Escolar Republicano Afonso Costa. De dia, ensina as crianças e, à noite, convivia com os principais dirigentes republicanos que frequentavam a casa, iniciando aí a sua formação política.

Começou por assistir a conferências e sessões de propaganda e, cedo, passou a oradora e a redigir artigos de opinião sobre questões feministas e educativas, onde defendeu a emancipação política e económica da mulher e combateu a educação congreganista.

Ainda durante a Monarquia, procurou implementar, juntamente com Ana de Castro Osório, Escolas Maternais, e esteve na origem da criação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Foi no âmbito desta organização que promoveu a criação, em 1909, da Obra Maternal, organismo que visava proteger e educar as crianças de rua sem família, abandonadas ou vítimas de maus tratos. Dependia das contribuições dos respectivos subscritores e conseguiu recolher apenas nove crianças. Aliás, esta dedicação às crianças contribuiu para a sua nomeação para Delegada da Tutoria Central de Infância de Lisboa, onde exerceu funções entre 1912 e 1941.

Maria Veleda preocupou-se igualmente com a situação do sexo feminino, tendo criado, em 1911, o Grupo das Treze, como forma de combater as superstições e, em 1914, promoveu a Escola Solidariedade Feminina, orientada por uma educação moderna e sem recorrer a castigos corporais. O projecto não vingou, devido ao reduzido número de inscrições.

Com a implantação da República, lutou pela sua consolidação, denunciando os oportunistas e adesivos; participou em campanhas de esclarecimento; combateu a ditadura de Pimenta de Castro; e apoiou convictamente a intervenção de Portugal na Guerra.

Desiludida com o rumo da Liga Republicana, ainda fundou, em 1915, a Associação Feminina de Propaganda Democrática, organização assumidamente política e que visava apoiar a acção de Afonso Costa. Mas as divergências e cisões entre os políticos republicanos; a instabilidade governativa; as revoltas e revoluções constantes; a resignação de Manuel de Arriaga; o consulado sidonista; e a noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921, fizeram com que abandonasse prematuramente as actividades de carácter político, ainda que nunca tivesse abdicado dos seus ideais.

Morreu em 1955, com 84 anos de idade.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

[0367.] MARIA VELEDA [XVIII] || MEMÓRIAS [II]

* MARIA VELEDA || MEMÓRIAS *


O lançamento, amanhã, dia 5 de Abril de 2011, das Memórias de Maria Veleda, com introdução, transcrição e anotações da historiadora Natividade Monteiro, é um acontecimento extremamente importante a vários níveis.

- As Memórias são o único testemunho memorialista feminino dos acontecimentos que antecederam a implantação da República e reflectem o empenhamento das mulheres republicanas na construção do novo regime.

- Comprovam que a República também foi uma construção no feminino, antes e depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910.

- São paradigmáticas na forma como revelam a necessidade do republicanismo capitalizar a intervenção feminina, de modo a acelerar a corrosão da Monarquia.

- Evidenciam os sobressaltos por que a mulher, ainda para mais mãe solteira e com um filho adoptivo a cargo, passava para conseguir sobreviver e obter emprego, mesmo na área do ensino, tradicionalmente considerada mais acessível.

- A sua publicação é uma justa homenagem a uma republicana íntegra e coerente que sempre serviu a República e nunca se serviu dela, nem por ela foi beneficiada: “a República não me concedeu favores nem a mim nem aos meus – e disso me orgulho.