[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

domingo, 18 de fevereiro de 2018

[1745.] ACÁCIO AUGUSTO ROCHA [I]

* ACÁCIO AUGUSTO ROCHA || REVOLTA DE 20 DE JULHO DE 1928 || "DEPORTADO PARA O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE ANGOLA" *

2.º Sargento Músico de Caçadores 10, Acácio Augusto Rocha foi preso por ter participado no movimento revolucionário de 20 de Julho de 1928 contra a Ditadura Militar.

Segundo as escassas linhas que constam do seu Cadastro Político, em 21 de Agosto de 1928 "foi deportado para o Campo de Concentração de Angola" [Ofício do Ministério da Guerra 3185, de 24/08/928].

Fonte: ANTT, Cadastro Político, 2718.

[João Esteves]

[1744.] ACÁCIO AUGUSTO [I]

* ACÁCIO AUGUSTO || REVOLTA DE 26 DE AGOSTO DE 1931 CONTRA A DITADURA MILITAR || DEPORTADO PARA TIMOR *

Guarda dos Caminhos-de-Ferro.

Filho de Maria da Conceição e de Francisco Augusto, Acácio Augusto nasceu em 1896, em Moimenta da Beira.

Preso por dois militares da GNR, acusado de ter participado na Revolta de 26 de Agosto de 1931 contra a Ditadura Militar [Processo 192].

Na semana seguinte, em 2 de Setembro de 1931, foi deportado para Timor e, abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, regressou a Portugal em meados de 1933.

Apresentou-se às autoridades em 12 de Junho e declarou ir residir para Ponte de Carenque - Queluz, morada onde vivia aquando da sua detenção.

Voltou a ser detido em 19 de Dezembro de 1933, "por suspeita de ter ligações revolucionárias com vários indivíduos desafectos à Situação, e ainda por suspeita de saber do paradeiro de vário material de guerra" [Processo 905].

Libertado em 13 de Janeiro de 1934 [ANTT, Cadastro Político 3208].

Fonte: ANTT, Cadastro 3208.

[João Esteves]

sábado, 17 de fevereiro de 2018

[1743.] ADELAIDE BRAMÃO [I]

* ADELAIDE BRAMÃO *
[1872 - 1963]

* ACTIVISTA DO CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || 1945 || LISBOA *

Nasceu em 1872 e faleceu, nonagenária, em 1963. 

Casada com o escritor e político Alberto Allen Pereira de Sequeira Bramão [1865-1944] que, nos últimos anos da Monarquia, reivindicou a Lei do Divórcio e cooperou, em 1909, com Ana de Castro Osório na campanha promovida pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas a favor da sua aprovação pelo Parlamento. 

A sua casa era frequentada por Maria Lamas, enviuvou em 1944 e no ano seguinte, já septuagenária, integrou o numeroso grupo de mulheres que, em Lisboa, aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas quando aquele passou a ser presidido por aquela escritora. 

[12/01/1935 || O júri do concurso infantil promovido pelo Modas e Bordados || Maria Lamas; Alice Ogando; Adelaide de Lima Cruz; Maria Rio de Carvalho; Adelaide Bramão; Judite Maggioli Serra Ribeiro || ANTT]

Na mesma época, substituiu o marido na chefia da delegação da Voz de Portugal, periódico do Rio de Janeiro, e colaborou em O Senhor Doutor, “um amigo que diverte, educa e instrui”, jornal para crianças criado na década de trinta. 

Usou o pseudónimo Baronesa X, sob o qual publicou O que as crianças devem saber: história de dois traquinas, para os mais novos, e os livros Breviário da dona de casa e Saber viver: regras de etiqueta, opiniões e conselhos, que teve várias edições. 

Esteve representada com este último na “Exposição de Livros Escritos por Mulheres” promovida pelo CNMP na Sociedade Nacional de Belas Artes (1947). 

Colaborou na organização de dois livros póstumos do marido, ambos datados de 1945. 

[João Esteves]

[1742.] ABÍLIO DA ENCARNAÇÃO PEREIRA [I]

* ABÍLIO DA ENCARNAÇÃO PEREIRA || GREVE GERAL DE 18 DE JANEIRO DE 1934 - COIMBRA || DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO *

Bolacheiro em Coimbra, Abílio da Encarnação Pereira teve participação activa nos preparativos da Greve Geral Revolucionária de 18 de Janeiro naquela cidade. Condenado a 12 anos de degredo com prisão, foi deportado para Angra do Heroísmo. Esteve preso mais de 15 anos, sendo que os últimos seis passou-os em Peniche.

[Abílio da Encarnação Pereira || ANTT || RGP/19]

Filho de Maria Emília Alves e de Aníbal da Encarnação Pereira, Abílio da Encarnação Pereira nasceu em Coimbra, m 26 de Maio de 1886.

Trabalhador da Fábrica Triunfo, onde era bolacheiro, Abílio da Encarnação integrou o Comité Sindical Revolucionário, constituído por anarquistas, que preparou a Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934 em Coimbra. era o responsável pela guarda do material explosivo e armamento a utilizar e participou na distribuição de manifestos revolucionários. 

Nesse âmbito, manteve contactos com António Paiva, bolacheiro, residente nos Carvalhais, Lousã; Arnaldo Simões Januário, barbeiro; Joaquim Duarte; José Alexandre, carpinteiro; Manuel dos Santos, carvoeiro; Manuel Rodrigues da Cunha Maia, Presidente do Sindicato de Manipuladores de Pão; Raúl Ferreira Galinha [ANTT, Cadastro Político 5127; Processo 1011 - A/SPS].

Julgado, em 9 de Fevereiro de 1934, pelo Tribunal Militar Especial, foi condenado em 12 anos de degredo com prisão e vinte mil escudos de multa [Processo 51/934 do TME]. Interpôs recurso, mas o mesmo tribunal, reunido em 10 de Março, confirmou a sentença.

[Abílio da Encarnação Pereira || ANTT || RGP/19]

Embarcou, em 8 de Setembro, para Angra do Heroísmo, de onde regressou ao fim de 9 anos, em 9 de Julho de 1943.

Levado para Peniche, só saiu em liberdade condicional em 2 de Abril de 1949. Sujeito a apresentações mensais em Coimbra durante quatro anos, só foi restituído à liberdade definitiva em 23 de Abril de 1953, muito tempo depois de cumprida a pena decretada pelo TME. 

[Abílio da Encarnação Pereira || ANTT || RGP/19]

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

Fontes: ANTT, Cadastro Político 5127; RGP/19.

[João Esteves]

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

[1741.] ACÁCIA DE CARVALHO GONÇALVES DE RESENDE [I]

ACÁCIA DE CARVALHO GONÇALVES DE RESENDE *

* ACTIVISTA DO CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || 1931 - 1945 || LISBOA *

Filha dos republicanos Maria Emília de Carvalho Gonçalves [? - 15/12/1942] e de César Gonçalves [n. 27/09/1876], director do jornal O Rebate de Tomar, sobrinha de Bárbara Rosa de Carvalho [Pereira] e neta materna de António Teixeira de Carvalho, presidente da Comissão Municipal Republicana de Tomar, empossado presidente da câmara na sequência da revolução de 5 de Outubro, Acácia de Carvalho Gonçalves nasceu na cidade nabantina e conviveu desde pequena com o associativismo feminista, republicano e maçónico. 

Em 1909, quando era muito nova já que os pais tinham casado em 29 de maio de 1899, o seu nome apareceu inscrito na lista de subscritores a favor das vítimas da catástrofe do Ribatejo promovida pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas de que a mãe e a tia eram activistas. 

Entre 1931 e 1945, quando estava a viver próximo da capital, evidenciou-se na militância activa no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas para onde entrou por proposta da mãe. 

Em Dezembro de 1934, participou na recepção promovida pelo Conselho a Adelaide Cabete quando do seu regresso de Angola e desempenhou, a partir de 1932, várias funções nos corpos gerentes: Vogal da Direcção (1932-1935) e 2.ª (1944) e 3.ª Vogal (1943) do Conselho Fiscal; Secretária das Secções de Educação (1937) e de Propaganda e Biblioteca (1938); membro da Comissão de Assistência (1945). 

Entretanto, terá casado, já que, a partir de 1943, é acrescentado o apelido Resende ao nome, perdendo-se o seu rasto pouco depois do enlace. 

Terá vivido na casa que os pais construíram em Paço de Arcos quando saíram de Tomar e que denominaram “Vivenda Acácia”. 

Amiga e correligionária da mãe e da tia, Maria Veleda dedicou, em 1922, o texto “Noite de Natal - Sinite párvulos venire ad me” “À minha querida amiguinha, Acácia de Carvalho Gonçalves”. 

[João Esteves]

[1740.] ABÍLIO AUGUSTO BELCHIOR [I]

* ABÍLIO AUGUSTO BELCHIOR || DEPORTADO PARA ANGRA DE HEROÍSMO E TARRAFAL, ONDE FALECEU *

Marmorista, Abílio Augusto Belchior foi preso por fazer parte da Confederação Geral do Trabalho e acusado de participar em atentados. Condenado a degredo, com prisão, foi enviado para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, e integrou a primeira leva de presos que seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde faleceu.

 
[Abílio Augusto Belchior || RGP/587]

Filho de Maria Joaquina e de Manuel dos Santos Belchior, Abílio Augusto Belchior nasceu em Urros, Concelho de Moncorvo, em 1 de Janeiro de 1898.

Com residência no Porto [Rua Nova de São Crispim, 220 - Ilha N.º 12], onde trabalhava como marmorista, foi detido naquela cidade em 2 de Janeiro de 1932, "por fazer parte da Confederação Geral do Trabalho" e libertado em 13 de Fevereiro [ANTT, Cadastro Político 5306].

Novamente detido em 14 de Abril de 1932, acusado de ter participado no atentado de 2 de Janeiro, juntamente com Francisco Alberto, contra Francisco do Passo, Adjunto da Polícia Política do Porto [Processo 79/Porto]. 

Por parecer do Director-Geral da Segurança Pública e concordância do Ministro do Interior, deliberou-se, em 22 de Junho, que lhe fosse fixada residência na Ilha Terceira.

Em 16 de Julho de 1932, entrou na Penitenciária de Lisboa, vindo do Porto, ficando a aguardar o embarque para os Açores [Processo 515/SPS Lisboa].  

[Presos Políticos no Regime Fascista (1932-1935) || CLNSRF || 1981]

Voltou à Cadeia da Relação do Porto para, em 26 de Julho de 1933, ser julgado pelo Tribunal Militar Especial, o que sucedeu só no ano seguinte, em 23 de Junho de 1934, sendo condenado a 14 anos de degredo, com prisão, e na multa de vinte mil escudos [Processo 100/933, TME].

Entrou no Aljube de Lisboa em 19 de Março de 1935 [Processo 1395/SPS] e, em 23 de Março, embarcou para Angra do Heroísmo no vapor "Carvalho Araújo" [Ofício 191/22-03-1935/SPS].

No ano seguinte, em 23 de Outubro, Abílio Augusto Belchior integrou a primeira leva de presos políticos enviada para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde faleceu em 29 de Outubro de 1937, com 39 anos de idade.

Fontes: ANTT, Cadastro Político 5306; RGP/587.

[João Esteves]
     

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

[1739.] ABIGAIL DE PAIVA CRUZ [I]

* ABIGAIL DE PAIVA CRUZ *
[1883 - 1944]

* CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || 1931-1938 || LISBOA *

[Abigail de Paiva Cruz || 1928]

Escultora, pintora e tecedora de rendas. 

Nasceu em 28 de Abril de 1883, no Porto, e faleceu em Lisboa em 8 de Outubro de 1944. 

Embora autora de quadros a óleo e de estatuetas, esta discípula de Marques de Oliveira e aluna de Teixeira Lopes destacou-se enquanto artista de rendas, com exposições em Lisboa, Paris (Casa Fast, 1925) e Madrid. 

A revista lisboeta Vida Feminina dedicou-lhe, no número de 10 de Agosto de 1925, uma notícia elogiosa e Sara Beirão enalteceu, em texto datado de Março de 1928, o talento reconhecido internacionalmente. 

[Abigail de Paiva Cruz || Ilustração Portuguesa - N.º 734 || 15/03/1920]

Em 1931, foi convidada pela revista Portugal Feminino a inserir nas suas páginas um curso de rendas de bilros, de croché e outras. 

Nesse mesmo ano, quando gozava de reconhecido prestígio e acabara de abrir uma escola de rendas na Rua das Picoas, n.º 9, aderiu, juntamente com a pintora Emília Adelaide dos Santos Braga, ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas por proposta da Vice-Presidente em exercício, a escritora Sara Beirão. 

Desempenhou, entre 1932 e 1938, funções na Comissão de Arte, onde colaborou com as escritoras Ana das Neves Patrício Álvares (Anita Patrício), Beatriz Arnut, Branca de Gonta Colaço e Maria Amélia Teixeira. Foi eleita sua Secretária em 1936 e 1937 e, em 1938, tornou-se Presidente.

[João Esteves]

[1738.] ABEL BAPTISTA DA SILVA [I]

* ABEL BAPTISTA DA SILVA || DEPORTADO PARA ANGOLA E CABO VERDE || 1928-1932 *

* CAPITÃO DE INFANTARIA - BATALHÃO DE CAÇADORES 7 || PARTICIPAÇÃO, EM 20 DE JULHO DE 1928, NA "REVOLTA DO CASTELO" CONTRA A DITADURA MILITAR *

Nasceu em 1883.

Em 10 de Outubro de 1922, quando era Tenente de Infantaria, Abel Baptista da Silva foi proposto pelo Ministro da Guerra para ser condecorado com o Grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, o que sucedeu no ano seguinte [Conselho das Ordens, em 1 de Março de 1923; Boletim de Aceitação, de 14 de Março de 1923; Decreto de Concessão, Diário do Governo, de 31 de outubro de 1923].

Em 1928, já Capitão de Infantaria do Batalhão de Caçadores 7, instalado no Castelo de S. Jorge, foi um dos oficiais detidos por ter participado no movimento revolucionário de 20 de Julho de 1928 contra a Ditadura Militar.

Preso em 20 de Julho, foi deportado para Angola em 21 de Agosto [Ofício do Ministério da Guerra N.º 3185, de 24/08/1928] e, posteriormente, seguiu para Cabo Verde.

Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, encontrando-se, então, "com residência obrigatória em Cabo Verde, por motivos políticos" [ANTT, Cadastro Político 2759].
  
Fonte: ANTT, Cadastro Político 2759.

[João Esteves]

[1737.] AARÃO SOEIRO MOREIRA DE LACERDA [I]

AARÃO SOEIRO MOREIRA DE LACERDA *
[23/02/1890 - 07/09/1947] 

[Aarão Soeiro Moreira de Lacerda || U. Porto]

Conceituado professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto até ao seu encerramento, em 31 de Julho de 1931, Aarão Soeiro Moreira de Lacerda foi detido nessa cidade em 13 de Maio desse mesmo ano "por se manifestar contra a actual Situação Política do País", sendo libertado no dia seguinte [ANTT, Cadastro 8771].

Filho de Josefina Cândida Moreira e de Aarão Ferreira Lacerda (1863 - 1921), zoólogo, médico e professor universitário da Academia Politécnica e da Faculdade de Ciências do Porto, Aarão Soeiro Moreira de Lacerda nasceu no Porto em 23 de Fevereiro de 1890 e faleceu em 7 de Setembro de 1947, na Curia, aos 57 anos.

Professor da Faculdade de Letras e da Escola de Belas Artes do Porto e, entre 1945 e 1947, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o seu percurso académico e literário pode ser consultado aqui e as principais obras aqui.

Apesar da sua detenção ter sido de pouco mais de 24 horas, seria, em 1931, vigiado pela Polícia Política do Porto.

Fonte: ANTT, Cadastro Político 8771.

[João Esteves]

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

[1736.] RAÚL HESTNES FERREIRA [I]

* RAÚL JOSÉ HESTNES FERREIRA *
[24/11/1931 - 11/02/2018]

Retrato de Raúl Hestnes Ferreira pintado por Ofélia Marques em 1936 e inserido por aquele na Fotobiografia do pai, o poeta José Gomes Ferreira [Publicações Dom Quixote, 2001].
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[Colecção da família de José Gomes Ferreira || Publicações Dom Quixote, 2001]

[Publicações Dom Quixote || 2001]

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

[1731.] ALBERTO EMÍDIO MIDÕES [I]

* 3 DE FEVEREIRO DE 1927 || DEPORTADO PARA TIMOR E S. TOMÉ || ALJUBE (LISBOA E PORTO) || PENICHE *

[Alberto Emídio Midões || ANTT || RGP/197]

Alberto Emídio Midões é um dos muitos nomes insuficientemente estudados na luta contra a Ditadura Militar e o Estado Novo, tendo desenvolvido a sua ação política conspirativa a partir de Matosinhos, localidade onde era dono do Central Hotel, situado no então n.º 19 da R. Brito Capelo, e do Café Central. 

Republicano e, posteriormente, comunista, por estar envolvido nas primeiras revoltas contra a Ditadura, foi deportado para Timor e transferido, depois, para Angola, esteve ainda preso no Aljube, de Lisboa e do Porto, e em Peniche.

Filho de Guilhermina de Jesus Midões e de Valentim José Midões, nasceu em Lisboa, em 21 de Novembro de 1882.

Negociante, comerciante e proprietário conotado, inicialmente, como elemento influente do Partido Republicano Português, foi preso, pela primeira vez, em 28 de Outubro de 1927, quando já tinha 45 anos, por ser "o chefe do grupo civil da conspiração revolucionária", que integrava Alfredo Fonseca Campelo, Augusto Araújo, Emílio Campos  Negrais, Pimentel e Silva, e "por ser revolucionário de 3 de Fevereiro" [ANTT, Cadastro Político 367].

Segundo as informações recolhidas pela Polícia de Informações do Ministério do Interior do Porto, era em Matosinhos, no seu Central Hotel, que se reuniam, sendo Alberto Midões acusado de "chefiar o grupo que atacou a coluna fiel ao governo que desembarcou em Leixões" [ANTT].

[Alberto Emídio Midões || ANTT || RGP/197]

Enviado para Lisboa em 29 de Outubro, foi deportado, em 22 de Novembro de 1927, para Timor, de onde se evadiu em 17 de Janeiro de 1929. No entanto, a fuga pode ter-se dado já a caminho de Angola, para onde fora transferido em 6 de Janeiro, segundo registo do seu Cadastro Político.

Segundo informações prestadas a Manuela Espírito Santo pelo neto, Alberto Midões "fugiu de S. Tomé, onde estava deportado, para Tenerife. De Tenerife chegou a Vigo, cidade onde permaneceu algum tempo, graças à  generosidade de uma família galega que o acolheu. A relação  (e amizade) com essa família chegou até  às gerações mais próximas" [informação via Manuela Espírito Santo].

Em 3 de Janeiro de 1930, um informador dava conta da sua presença em Matosinhos, com várias deslocações à Póvoa do Varzim.

Mais de meio ano depois, em 23 de Julho, era dada a informação que Alberto Midões continuava a deslocar-se a Matosinhos.

No ano seguinte, em 1 de Maio, é referenciado como estando envolvido na revolução preparada para o dia 2 e que acabou por fracassar. O mesmo informador dá conta de, ao ter conhecimento do movimento revolucionário, se ter deslocado de Vila do Conde para Matosinhos, talvez "acompanhado do ex-capitão Ramalho" [ANTT] e ter sido "hasteado no café de que é proprietário" "uma bandeira vermelha".

Alberto Emídio Midões só seria preso em 2 de Dezembro de 1931, no Porto, por andar fugido da deportação e estar envolvido nos acontecimentos do 1.º de Maio.

Enviado para Lisboa em 19 de Dezembro, saiu em liberdade em 18 de Fevereiro de 1932.

Novamente preso em 3 de Outubro de 1934, no Porto, "por estar envolvido em manejos revolucionários", envolvendo, entre outros, Armando Soares, Camilo Cortesão, Gregório Mendes e José Ferreira da Costa e Silva.

[ANTT || RGP/197]

Considerado pela Polícia como "um elemento irrequieto, conspirando sempre, embora o faça com toda a segurança, pois trata-se de uma pessoa esperta" [ANTT], foi transferido para a Fortaleza Militar de Peniche em 14 de Outubro, onde ficou a aguardar julgamento. e, em 9 de Novembro, passou para o Aljube.

Libertado em 14 de Dezembro de 1934, voltou a ser preso em 21 de Maio de 1935, no Porto. e enviado para o Aljube daquela cidade.

Solto em 1 de Julho, seria novamente detido, sempre no Porto, em 5 de Maio de 1937 e libertado em 2 de Agosto.

[Central Hotel || Matosinhos]

Segundo José Rodrigues, Alberto Midões "foi um comerciante, proprietário e militante do PCP que residiu em Matosinhos a maior parte da sua vida" e comprara o Central Hotel antes de Janeiro de 1927, tendo, durante a Ditadura Militar, pedido "a um pedreiro para fazer um quarto falso", "no qual ele sempre se escondia quando se perspectivava a sua prisão (além do pedreiro que o fez e do seu amigo e barbeiro Miguel Garcia, seus companheiros de Partido, ninguém mais sabia da existência desse quarto secreto)" [José Rodrigues].

Alberto Emídio Midões faleceu em 1946.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

Fontes: ANTT, Cadastro Político 367; RGP/197. 
Informações prestadas pelo neto de Alberto Midões a Manuela Espírito Santo, a quem muito agradecemos a preciosa colaboração.

[João Esteves]

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

[1730.] ALBINO DOMINGOS JUBILEU [I]

* ALBINO DOMINGOS JUBILEU || 18 DE JANEIRO DE 1934 || DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO *

[Albino Domingos Jubileu || ANTT || RGP/14]

Filho de Joaquina Josefa e de José Domingos [ou Domingues] Jubileu, Albino Domingos Jubileu nasceu na Marinha Grande em 1 de Junho de 1910.

Vidreiro da Marinha Grande, participou, tal como os irmãos António e Manuel, mais velhos, no movimento revolucionário de 18 de Janeiro de 1934.

Segundo o seu Cadastro Político [ANTT, Cadastros, 5142], participou na reunião preparatória ocorrida no Casal Galego, integrou, com Álvaro de Carvalho, José Gregório e Teotónio Martins, o grupo que atacou o posto local da GNR, e, por fim, colaborou no assalto ao Sindicato dos Vidreiros, sendo um dos responsáveis pela distribuição de cartuchos de caçadeira e transporte de duas bombas de choque que, no entanto, não utilizou.

Foi um dos vidreiros que socorreu o seu irmão Manuel Jubileu, ferido pela GNR de Leiria.

[Albino Domingos Jubileu || ANTT || RGP/14]

Entregue pela PSP de Leiria à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) em 1 de Abril de 1934, foi julgado no Tribunal Militar Especial em 25 de Julho e condenado a 11 anos de degredo e multa de vinte mil escudos, ficando à disposição do governo depois de cumprida a pena.

Recorreu da pena, mas o mesmo tribunal confirmou-a uma semana depois, em 1 de Agosto.

Embarcou para a Fortaleza de são João Baptista, em Angra do Heroísmo, em 8 de Setembro de 1934, de onde só regressou em 9 de Julho de 1943. 

[Albino Domingos Jubileu || ANTT || RGP/14]

Permaneceu em Peniche até 25 de Dezembro, quando saiu em liberdade condicional.

O nome tanto aparece como Albino Domingos Jubileu como Albino Domingues Jubileu.

Consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

Fontes: ANTT, Cadastro Político 5142; RGP/14.

[João Esteves]

[1729.] ÉVORA [IV]

* ÉVORA || 2017 *

[Évora || Fevereiro de 2017]

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

[1727.] OS TRÊS IRMÃOS JUBILEU [I]

* ANTÓNIO, MANUEL E ALBINO DOMINGOS JUBILEU || GREVE GERAL DE 18 DE JANEIRO DE 1934 || DEPORTADOS PARA ANGRA DO HEROÍSMO *

Por terem tido participação activa na Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934, os três irmão António (28/10/1906 - 24/09/2004), Manuel (06/12/1908) e Albino Domingos Jubileu (01/06/1910), todos vidreiros da Marinha Grande, foram presos e deportados para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo.

[António Domingos Jubileu || ANTT || RGP/15]

António e Albino seguiram para os Açores em 8 de Setembro de 1934 e Manuel seguiu 15 dias depois, em 23 de Setembro.

Durante o movimento revolucionário, Manuel Domingos Jubileu "foi ferido por uma rajada de metralhadora e transportado em braços", nomeadamente pelo irmão Albino, "para o posto dos bombeiros, onde recebeu os primeiros tratamentos pelo médico da terra" [José Gregório, 1955]. 

[Manuel Domingos Jubileu || ANTT || RGP/155]

[Albino Domingos Jubileu || ANTT || RGP/14]

Os apelidos aparecem como Domingos ou Domingues.

[João Esteves]

[1726.] ANTÓNIO CARVALHO BRAGA [I]

* TENENTE || REVOLTA DOS DEPORTADOS (AÇORES) || 1931 *

Tenente do Quadro Auxiliar de Artilharia, natural da ilha de Santa Maria, António Carvalho Braga fez carreira militar nos Açores. 

Em 1931, quando era comandante do Forte de São Brás, em Ponta Delgada, aderiu à Revolta dos Deportados / Revolta das Ilhas contra a Ditadura Militar, tendo sido afastado do exército.


Filho de uma família humilde, António Carvalho Braga nasceu em 1 de Janeiro de 1885, na ilha de Santa Maria. Seguiu a carreira militar e, em 1922, atingiu o posto de Tenente. 

Segundo a nota biográfica inserida na Wikipédia, participou na criação do Albergue Nocturno (1921), e na Instituição de Beneficência Açoriana (1923), destacou-se pelo empenho em defesa dos mais desfavorecidos e colaborou nos periódicos "Diário de Angra" e "A União", e dirigiu "A Pátria" (1925), "Jornal das Ilhas" (1926-1927) e "Os Bandalhos" (1926), tendo assinado a maioria dos seus artigos sob o pseudónimo de "João das Ilhas".

Em Abril de 1931, aquando da Revolta dos Deportados, encontrava-se a prestar serviço na ilha de s. Miguel, sendo o comandante do Forte de São Brás de Ponta Delgada. Conhecido pelo seu republicanismo, aderiu àquele movimento contra a Ditadura Militar e, perante o seu fracasso, foi o último oficial daquele aquartelamento a render-se às tropas governamentais. 

Como consequência, foi-lhe fixada, "por motivos políticos" residência obrigatória no Distrito de Ponta Delgada [ANTT, Cadastro Político 4075]. Embora tenha sido abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, a sua carreira militar acabara aos 46 anos.

Maçon, integrou as Lojas «"Silêncio e Acção", cujos obreiros foram apanhados pela polícia, em plena reunião, em São Miguel (1933). Pertenceu ainda à Loja "8 de Abril", em Angra do Heroísmo, cujos integrantes eram, na sua maioria, saneados na sequência da Revolta dos Deportados» [Wikipédia].

Faleceu em 2 de Agosto de 1967, com 82 anos, em Água de Pau, constando o seu nome da toponímia da ilha de Santa Maria.

Fonte: ANTT, Cadastro Político 4075.

[João Esteves]

domingo, 4 de fevereiro de 2018

[1725.] ANTÓNIO AUGUSTO SARAIVA E SILVA [I]

* CABO DO EXÉRCITO || DEPORTADO PARA S. TOMÉ E PRÍNCIPE *

Filho de Maria da Conceição Saraiva e de Alfredo Saraiva e Silva, António Augusto Saraiva e Silva terá nascido em 1906, no Porto.

Cabo do Exército, com residência no Porto, Rua da Picaria, 61, foi preso pela Polícia de Informação do Ministério do Interior (P. I. M. I.) em 4 de Outubro de 1927, por "conspirar contra a actual Situação Política do País" [ANTT, Cadastro Político 8744].

Em 24 de Outubro do mesmo ano terá sido entregue ao Ministério da Guerra e deportado para s. Tomé.

Desconhecem-se outras informações sobre António Augusto Saraiva e Silva.

Fonte: ANTT, Cadastro Político 8744.

[João Esteves]

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

[1723.] ABÍLIO GONÇALVES - "O GARRADAS" [I] || CORTICEIRO

* ABÍLIO GONÇALVES - "O GARRADAS" || DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO E PARA O TARRAFAL *

Anarco-Sindicalista, Abílio Gonçalves, "O Garradas", foi preso e deportado para Angra do Heroísmo e para o Tarrafal por estar envolvido, no Barreiro, nos preparativos da Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934.

Com 52 anos, foi o mais velho preso político a ser enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal.

["O Garradas" || ANTT || RGP/13]

Filho de Quitéria da Conceição e de José Gonçalves, Abílio Gonçalves era natural de Silves, onde nasceu em 18 de Maio de 1884.

[Maria João Raminhos Duarte || Colibri, 2010]

"Anarco-Sindicalista desde muito jovem", "vestia-se de modo peculiar", "tinha dotes de orador" e "destacou-se no seio dos corticeiros e na sua Associação de Classe" [Maria João Raminhos Duarte, Silves e o Algarve - Uma Historia da Oposição à Ditadura (1926-1958), Colibri, 2010].  No Barreiro, trabalhou na fábrica Cantinho & Marques, Lda, tal como José dos Reis Sequeira, seu conterrâneo, que o descreve «como “um tipo original”, o protótipo do anarquista clássico, infelizmente analfabeto” [in Maria João Raminhos Duarte].  

[José dos reis Sequeira || A Regra do Jogo, 1978]

A viver e a trabalhar no Barreiro, amigo e correlegionário de João Montes, foi preso em 20 de Janeiro de 1934, à entrada de Alhos Vedros, acusado de participar em reuniões e ter na sua posse bombas de dinamite, recebidas de Bernardino Augusto Xavier, a utilizar no movimento revolucionário de 18 do mesmo mês.

Julgado no Tribunal Militar Especial de 5 de Fevereiro, foi condenado a dez anos de degredo, com prisão, multa de vinte mil escudos e perda dos direitos políticos por dez anos.

Embarcou, em 8 de Setembro de 1934, para Angra do Heroísmo e dois anos depois, em 23 de Outubro de 1936, integrou a primeira leva de presos políticos enviada para o Tarrafal, de cujo Campo só foi libertado em 16 de Novembro de 1945.

[Caminho, 1978]

O livro Tarrafal - Testemunhos refere-se a "O Garralas" como um velho militante das lutas sindicais", "rijo, vaidoso da bigodeira que penteava muitas vezes no espelho suspenso do apoio central da barraca" e que terá sido o primeiro preso a ser afectado pela biliosa, embora tenha recuperado. [Caminho, 1978]. 

["O Garradas" || ANTT || RGP/13]

Cândido de Oliveira anotou, no livro Tarrafal - O Pântano da Morte, editado postumamente em 1974, que Abílio Garradas sobreviveu a três biliosas (10/01/1937, 18/02/1939, 30/11/1941).

[Cândido de Oliveira || Editorial República, 1974]

Por sua vez, Maria João Raminhos Duarte escreve, na sua magnífica obra Silves e o Algarve - Uma Historia da Oposição à Ditadura (1926-1958), que ele «dizia não gostar de “andar a toques”, pelo que diariamente se levantava antes do toque da alvorada e se deitava antes do toque de recolher». 

[Gilberto de Oliveira || Edições Avante!, 1987]

Gilberto de Oliveira, em Memória Viva do Tarrafal [Edições Avante!, 1987], incluiu-o na lista de cerca de três dezenas de “rachados”, aqueles que ganhavam alguns "benefícios" por transigirem com as autoridades salazaristas do Campo; José Correia Pires, em Memórias de um prisioneiro do Tarrafal [Ed. Déagá, 1975], "ao contrário deste, fala da invulgar irreverência de Abílio Gonçalves (o Garradas) e da sua fidelidade ao anarquismo" [Maria João Raminhos Duarte].

Regressou no paquete "Guiné" em 1 de Fevereiro de 1946, "com a saúde muito abalada" e "morreu triste e esquecido" [M. J. Raminhos Duarte].

Fontes: ANTT, Cadastro Político 8505 e RGP/13.

[João Esteves]

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

[1722.] ABÍLIO GONÇALVES [I] || AMASSADOR / PADEIRO

* ABÍLIO GONÇALVES (1911-2004) || DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO E TARRAFAL *

Filiado na Aliança Libertária Portuguesa, Abílio Gonçalves esteve envolvido nos preparativos da Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934. 

Preso nesse mesmo dia, esteve 13 anos preso: deportado, primeiro, para Angra do Heroísmo, integrou, dois anos depois, a primeira leva de presos políticos enviada para o Campo de Concentração do Tarrafal, de onde foi libertado em Janeiro de 1946.

[Abílio Gonçalves || ANTT || RGP/12]

Filho de Guilhermina de Jesus e de José Gonçalves, Abílio Gonçalves nasceu em Vinhó, concelho de Arganil, em 16 de Outubro de 1911.

Segundo a notícia necrológica publicada no jornal A Batalha, começou a trabalhar muito novo devido a dificuldades económicas da família e, "após alguns anos nas fainas agro-pastoris veio para Lisboa onde foi marçano, aprendendo em seguida o ofício de padeiro (amassador)".

Filiado na Associação de Classe dos Manipuladores de Pão, foi eleito secretário da Mesa da Assembleia Geral e, posteriormente, integrou a Comissão Administrativa do respectivo Sindicato. Nessa qualidade, envolveu-se nos preparativos da Greve de 18 de Janeiro de 1934, mantendo contactos com António Gonçalves, Luís Gonçalves Amorim, Manuel Henriques Rijo, entre outros.

Empregado numa padaria da Rua D. Pedro V, foi preso nesse mesmo dia, acusado de ter à sua guarda bombas de dinamite para serem utilizadas durante o movimento revolucionário. 

[Abílio Gonçalves || ANTT || RGP/12]

Espancado durante os interrogatórios e transferido para o Presídio Militar da Trafaria, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 24 de Março e condenado a dez anos de degredo, com prisão, e multa de vinte mil escudos.

Em 8 de Setembro de 1934, embarcou no navio "Lima" para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, onde voltou a ser "sujeito a frequentes espancamentos e a encerramento de castigo na poterna" [A Batalha, N.º 203]. 

[Fotografia de 17/10/1935 || Acácio Tomás de Aquino || O Segredo das Prisões Atlânticas, 1978]

Dois anos depois, em 23 de Setembro de 1936, seguiu no navio "Luanda" para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, aí permanecendo mais de dez anos. Segundo Cândido de Oliveira, no seu livro Tarrafal - O Pântano da Morte, passou, ao todo, 48 dias de internamento na "frigideira". 

Abrangido pela amnistia de 18 de Outubro de 1945, Abílio Gonçalves foi libertado em 23 de Janeiro de 1946 e regressou, no navio "Guiné", em 1 de Fevereiro.

[Abílio Gonçalves || ANTT || RGP/12]

Com dificuldades de arranjar trabalho em Portugal, partiu para Moçambique e, depois, estabeleceu-se na Suazilândia, de onde regressou após o 25 de Abril de 1974.

Abílio Gonçalves manteve, então, as ligações aos Libertários: sócio do Centro de Estudos Libertários, foi presidente do respectivo Conselho Fiscal (1987) e membro da  Comissão Administrativa (1988 e 1989), colaborando, também, no jornal A Batalha.

Faleceu em 20 de Janeiro de 2004, com 92 anos, em Pinheiro de Loures, onde tinha estabelecido um restaurante e residia.

Fontes: ANTT, Cadastro Político 5141 e RGP/12; A Batalha, N.º 203.

[João Esteves]