[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

segunda-feira, 15 de julho de 2019

[2161.] PEDRO SOARES [I] || 20 DE AGOSTO DE 1937

* PEDRO DOS SANTOS SOARES *
[13/01/1915 - 10/05/1975]

20 DE AGOSTO DE 1937 || FOTOGRAFIA DE CINCO PRESOS POLÍTICOS EM PENICHE, ANTES DE PEDRO SOARES SER DEPORTADO PARA O TARRAFAL || PEDRO SOARES É O PRIMEIRO À DIREITA

[in Pedro e Luísa: morrer antes do fim || Texto: Nuno Gomes dos Santos || Fotos: José Tavares || edições dêágâ || Junho de 1975]

domingo, 14 de julho de 2019

[2160.] SOEIRO PEREIRA GOMES [I] || POEMA DE 1949 DEDICADO A CÂNDIDA VENTURA [V]

* POEMA DE SOEIRO PEREIRA GOMES || 20 DE JULHO DE 1949 *

Já gravemente doente, Soeiro Pereira Gomes [1909 - 1949] esteve clandestino em casa de Nina Perdigão [1902 - 1988], onde reencontrou Cândida Ventura [1918 - 2015] numa das suas muitas passagens pela mesma residência. 

Desse convívio, resultou o "Poema Único - Para a C...", dedicado a Cândida Ventura que, então, usava o pseudónimo "Carlota". Perdido durante muito tempo, foi reencontrado por Rui Perdigão em 1983, «numa caixa de velhos papéis que andou mais de vinte anos de um lado para o outro e que, por fim, voltou a chegar-me às mãos» e que inseriu no seu livro O PCP visto por dentro e por fora [Editorial Fragmentos, 1988].

Poema Único

Para a C...

                                    Menina dos olhos grandes,
                                    Tão grandes que neles vejo
                                     A minha imagem e o mundo
                                     Com que sonho e que porfio...

                                     Menina do riso ingénuo
                                     À porta dos lábios mudos
                                     Como fio de água fresca
                                     Entre o musgo duma rocha...

                                     Menina de tez morena
                                     Que o sol beija e mais ninguém
                                     E de corpo tamanino
                                     E de rosto tão bonito...

                                     - Porque usas carrapito?
                                     P'ra realçar teus encantos
                                     Que são tantos, tantos, tantos
                                     Como estrelas há no céu?...

                                     Menina do meu enleio
                                     Menina doutras meninas
                                     Que tenho nos olhos tristes:
                                     - Solta as tranças, vai cortar
                                     (Não dói nada... e é mais bonito)
                                     Vai cortar o carrapito!

                                                                               20/07/1949

[Rui Perdigão || O PCP visto por dentro e por fora || Fragmentos || 1988]

sábado, 13 de julho de 2019

[2159.] NINA PERDIGÃO [IV] || 1902 - 1988

* TOMÁZIA JOSEFINA HENRIQUES PERDIGÃO *
[02/05/1902 - 1988]

[Tomázia Josefina Henriques Perdigão || ANTT || RGP/5021 || PT-TT-PIDE-E-010-26-5021]

Mais conhecida por Nina Perdigão

Filha de Tomázia Alves de Azevedo Henriques [f. 24/08/1936], proprietária, e de Joaquim dos Santos Henriques, Nina Perdigão nasceu a 2 de Maio de 1902 na Freguesia de Cedofeita, Porto, cidade onde faleceu em 1988. 

Teve quatros irmãos, todos rapazes: Luís, Carlos, Joaquim e António Azevedo Santos Henriques

Casou com Licínio Pinheiro Perdigão [1905 - 1934], nascido em Manaus, Brasil, arquitecto que cursou a Faculdade de Belas Artes do Porto entre 23/09/1922 e 03/10/1929 e que faleceu muito novo em início de carreira, não voltando a contrair matrimónio. 

[Licínio Pinheiro Perdigão || Fotografia retirada do Blogue Família Perdigão da autoria da neta Manuela Perdigão]

Viúva muito nova e mãe de dois filhos pequenos (Rui e Gil Perdigão), ficou economicamente dependente dos pais que estavam ligados à indústria têxtil portuense e detinham inúmeras propriedades. A sua militância política iniciou-se na década de 30, no âmbito do Socorro Vermelho Internacional, vendendo o boletim Solidariedade e selos para angariar fundos para os presos políticos, militantes clandestinos e vítimas da Guerra Civil de Espanha. 

Com 34 anos e recém viúva, foi presa na residência da Avenida da Boa Vista, 341, Porto, em 22 de Outubro de 1936, acusada de fazer parte do Socorro Vermelho Internacional do Norte [ANTT-PIDE/DGS Proc. 122/37], só sendo libertada em 30 de Maio de 1937. 

[Rui Perdigão || O PCP visto por dentro e por fora || Fragmentos || 1988]

Novamente detida em 9 de Agosto deste ano a fim de ser submetida a julgamento, recolheu ao Aljube do Porto e saiu em liberdade em 26 de Agosto depois de ter sido condenada pelo Tribunal Militar Especial na multa de 2.400$00, que se substituía, quando não paga, por quatro meses de prisão correccional [Processo nº 39/937 do Tribunal Militar Especial de Lisboa, fl. 25].

A mulher do Presidente Óscar Carmona, Maria do Carmo Ferreira da Silva [1888 - 1956], procurou interceder por Nina Perdigão junto de Salazar, tendo este afirmado: «Será um bom exemplo para as mulheres portuguesas»! [Rui Perdigão, O PCP visto por fora e por dentro]. 

Cumpriu a sentença no Aljube do Porto, numa cela juntamente com Alice Pereira Gomes [1910 - 1983], irmã de Soeiro Pereira Gomes. 

Em 1944, aderiu, formalmente, ao Partido Comunista Português, tendo a sua insuspeitada casa na Rua do Breyner - 213 funcionado, durante  muito tempo, como ponto de apoio às actividades dos dirigentes, nomeadamente os do Secretariado. Passaram por lá, entre outros, Cândida Ventura [1918 - 2015], Joaquim Pires Jorge [1907 - 1984], Júlio Fogaça [1907 - 1980], Octávio Pato [1925 - 1999], Sérgio Vilarigues [1914 - 2007] e, no Verão de 1949, Soeiro Pereira Gomes [1909 - 1949], este na fase terminal da doença que o vitimou, levado por Pires Jorge

Apesar de gravemente doente, «a sua alegria, em geral, era esfusiante», «o riso contagioso» e, nessa casa, reencontrou Cândida Ventura, que usava o pseudónimo Carlota, e a quem dedicou o "Poema Único - Para a C...", datado de 20 de Julho de 1949. Foi, também aí, que Soeiro Pereira Gomes se inspirou para os últimos escritos, escondidos até ser possível recuperá-los mais tarde: «Foi minha mãe, Nina Perdigão, que com uma enorme paciência reconstruiu os textos, tendo sido em muitos sítios obrigada a dar uma versão sua de certas frases, totalmente desaparecidas. Foi este o texto que serviu à primeira edição dos Contos Vermelhos aparecida clandestinamente» [Rui Perdigão]. 

Na década de 50, Nina Perdigão, os dois filhos e a nora, Fernanda Maria Baía da Silva, casada com Rui Perdigão, montaram um "aparelho" de apoio técnico e logístico «altamente importante» de apoio ao seu Secretariado, «no qual se integram automóveis para deslocações dos seus membros pelo País, casas  de refúgio, apartamentos «legais» para reuniões, etc.». [Rui PerdigãoO PCP visto por dentro e por fora, 1988]. Envolvia, ainda, o serviço clandestino de fronteiras que permitia a saída do país de militantes na clandestinidade. 

[Rui Perdigão || O PCP visto por dentro e por fora || Fragmentos || 1988]

Além disso, Nina Perdigão tornou-se o seu principal sustentáculo económico durante a clandestinidade, envolvendo, segundo o filho Rui Perdigão, 150.000 contos, doados principalmente durante a década de 50: «Referindo-se à importância do aparelho e desta dádiva, Pires Jorge disse-me certa vez: Diz-se que o Partido é indestrutível, e é; mas nos anos 50, se não fosse a herança que Júlio Fogaça entregou, e a dádiva que a vossa família fez, assim como o apoio técnico que prestou, não sei o que teria acontecido ao Partido. Decerto teríamos voltado à situação dos anos que se seguiram à "reorganização"» [Rui Perdigão].  

Tomázia Perdigão foi, segundo o Diário de Maria Luísa Ribeiro de Lemos, uma das fundadoras da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, sendo a sócia nº 273 de acordo com o caderno de Irene [Fernandes Morais] Castro, a sua última presidente, com residência na Rua do Breyner [Lúcia Serralheiro, Mulheres em Grupo Contra a Corrente, 2011] . 

O investigador José Pacheco Pereira considera que foram duas as famílias do Porto que mais ajudaram o Partido Comunista na clandestinidade, a saber, a família de Guilherme da Costa Carvalho, cujos pais e irmã também pertenciam à AFPP, e a de Nina Perdigão.

Nina Perdigão, tal como o filho Rui e a nora, afastou-se do Partido Comunista após os acontecimentos da Checoslováquia: «Uma parte muito importante da sua fortuna deu-a ao PCP nos anos difíceis que se seguiram à prisão de Cunhal e Militão Ribeiro. Apesar da sua posição intransigentemente crítica, quanto à orientação do PCP nos últimos anos, Sérgio Vilarigues, do Secretariado, e Georgete Ferreira, do Comité Central, quiseram prestar-lhe homenagem, tendo ido visitá-la ao hospital onde morreu» [Rui Perdigão]. 

[Rui Perdigão || O PCP visto por dentro e por fora || Fragmentos || 1988]

Faleceu no Verão de 1988. 

Lúcia Serralheiro incluiu uma biografia de Tomázia Josefina Henriques Perdigão/Nina Perdigão no Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX) [Livros Horizonte, 2005].

[João Esteves]

sexta-feira, 12 de julho de 2019

[2158.] JANTAR DE OPOSICIONISTAS DE 20/07/1957 [I] || CONVOCATÓRIA DE 10/07/1957

* JANTAR DE OPOSICIONISTAS DE 20 DE JULHO DE 1957 || "ELEIÇÕES" PARA A ASSEMBLEIA NACIONAL DE 3 DE NOVEMBRO DE 1957 *

No âmbito das "eleições" de 3 de Novembro de 1957 para a Assembleia Nacional, um grupo de 38 prestigiados democratas antifascistas de todo o país, muitos deles já anteriormente perseguidos e presos pela Ditadura instaurada em 28 de Maio de 1926, subscreveram a convocatória para um jantar  a realizar no dia 20 de Julho, em Lisboa, sob o pretexto de se comemorar a entrada na cidade das tropas liberais em 24 de Julho de 1834.


O jantar visava reunir «o maior número possível de oposicionistas de todo o País, e de todas as tendências - sejam quais forem os seus pontos de vista actuais sobre o desenrolar da situação política», de forma a proporcionar «um debate proveitoso à volta das diferentes ideias que vão sendo formuladas em face das próximas eleições».

O evento realizou-se no restaurante Castanheira de Moura e terão participado "cerca de 300 pessoas de vários pontos do país" [Mário Matos e Lemos, Oposição e Eleições no Estado Novo, 2012].

O professor e publicista Luís da Câmara Reis [1885 - 1961], provavelmente o detentor do panfleto acima publicado pelo carimbo que nele consta, abriu os discursos para "afirmar que aquela reunião se destinava a «assentar numa atitude a tomar perante o próximo ato eleitoral e congregar os esforços de todos os antissituacionistas, fossem quais fossem as suas correntes de opinião», acrescentando que «até mesmo os monárquicos liberais seriam bem recebidos»" [Mário Matos e Lemos].

Intervieram, entre outros, o médico António Ferreira da Costa [1904 - 2004], que estivera degredado no Campo de Concentração do Tarrafal entre 1942 e 1944; o jornalista e libertário Artur Inês [1898 - 1968]; o advogado Artur Morgado dos Santos Silva [1879 – 1960]; o arquitecto Artur Vieira de Andrade [1913 - 2005]; o advogado marinhense José Henriques Vareda [1927 - 1989]; o advogado Lino Lima [1917 - 1999]; o advogado Manuel Campos Lima [1916 - 1996]; o advogado Manuel Sertório [Marques da Silva] [1926 - 1985]; a escritora Natália Correia [1923 - 1993]; e o estudante Silas Coutinho Cerqueira.

Segundo Mário Matos e Lemos, na obra Oposição e Eleições no Estado Novo, "no fim, uma moção aprovou a participação na campanha eleitoral, ficando para mais tarde a decisão de ir ou não às urnas".

A Oposição constituiu listas em Aveiro, Braga, Lisboa e Porto, tendo só a lista independente de Braga chegado a ir às urnas. Aveiro e Porto desistiram de se apresentar ao acto eleitoral em vésperas da sua realização e a lista de Lisboa não foi aceite sob o pretexto de ter sido entre fora do prazo. Faro também elaborou uma lista, mas não a chegou a apresentar.

Candidatos efectivos por Aveiro: Alfredo Ângelo Vidal Coelho de Magalhães [1919 - 1988], arquitecto; Júlio Correia da Rocha Calisto [1897 - 1973], advogado; Manuel Augusto dos Santos Pato [1918 - 1975], médico; Manuel Joaquim da Costa Pereira [1911 - 1981], advogado; Manuel Martins das Neves [1919 - 1997], professor e advogado; e Virgílio Pereira da Silva [1888 - 1963], advogado e notário.

Candidatos por Braga: Eduardo Pereira dos Santos [1903 - ?], comerciante; Francisco Alberto Pinto Rodrigues [1900 - ?], advogado; Guilherme Francisco Aguiar Branco [1909 - 2002], advogado; Joaquim José Resende Pereira Borges [1905 - 2005], advogado; José Justino de Amorim [1894 - ?], engenheiro agrónomo; Luís Gonzaga Vieira de Castro Caseiro [1929 - 1978], advogado; e Miguel Augusto Alves Ferreira [1878 - 1961], militar.

Candidatos por Lisboa, cuja lista foi recusada: Arlindo Augusto Pires Vicente [1906 - 1977], advogado; Domingos Martins de Carvalho [1917 - 2008], agente comercial; José Alves da Cruz Ferreira [1909 - 1988], advogado; Luís Augusto Ferreira Martins [1875 - 1967], militar na reserva; Luís da  Câmara Reis [1885 - 1961], licenciado em Direito, professor e publicista; Manuel João da Palma Carlos [1915 - 2001], advogado; Manuel Sertório de Carvalho Marques da Silva [1926 - 1985], advogado; Maria Lígia Valente da Fonseca Severino [Lília da Fonseca] [1916 - 1991], jornalista e escritora; Nikias Ribeiro Skapinakis [n. 1931], artista plástico; Óscar dos Reis Figueiredo [1924 - 2007], operário serralheiro; Rogério Gomes Lopes Ferreira [Rogério Paulo] [1927 - 1993], actor e encenador; e Rui Manuel Sequeira Cabeçadas [1928 - 1992], licenciado em Direito.

Candidatos pelo Porto: Amadeu Alves Morais [1920 - 1987], advogado; Artur de Oliveira Valença [1897 - 1978], industrial, comerciante, empresário e jornalista; Artur Morgado Ferreira dos Santos Silva [1910 - 1980], advogado; Artur Vieira de Andrade [1913 - 2005], arquitecto; Augusto César de Barros [1888 - 1973]; Jaime Alves Vilhena de Andrade [1922 - 2000], advogado; Manuel Coelho dos Santos [1927 - 2012], advogado; Mem Tinoco Verdial [1887 - 1974], engenheiro; Pedro Emiliano Veiga [1909 - 1987], licenciado em Direito e em Letras, professor; e Rodrigo Teixeira Mendes de Abreu [1908 - ?], professor e lavrador - "viria a ser identificado como informador da PIDE ainda antes do 25 de Abril" [Mário Matos e Lemos, Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945 - 1973) - Um Dicionário, 2009]. 

A lista de Faro, que não chegou a ser apresentada, integraria: João da Silva Nobre [1878 - 1968], médico; João Diogo Marreiros Neto [1904 - 1980], advogado; Manuel de Aguiar Campos de Lima [1916 - 1996], advogado; e Zacarias da Fonseca Guerreiro [1891 - 1978], advogado e lavrador.  

[João Esteves]

segunda-feira, 1 de julho de 2019

[2157.] ANTÓNIO MANUEL HESPANHA [I] || 1945 - 2019

* ANTÓNIO MANUEL HESPANHA *
[1945 - 2019]


António Hespanha foi meu Professor de Mestrado de História dos Séculos XIX-XX no já longínquo ano lectivo de 1985-1986. Um Docente invulgar que abria horizontes (quando lhos tentavam fechar em anos difíceis e de incertezas para o seu futuro académico), proporcionava leituras multidisciplinares e transnacionais e fomentava a discussão, numa interrogação inacabada.

Mas era muito mais. Um Pedagogo preocupado com os jovens candidatos a mestres!

Já a leccionar, procurando conciliar a docência com o mestrado, chegava sistematicamente (muito) atrasado às suas aulas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, esbaforido depois de apanhar o comboio, autocarros e de algumas caminhadas.

Nunca disse nada e, como por acaso, propôs que as aulas passassem para os sábados de manhã. Não poderia ser na instituição académica, por estar fechada nesse dia de semana, sugerindo um edifício a que todos os ex-directores gerais do Ministério da Educação ainda tinham acesso e que estava, na prática, vazio, ali para os lados da António Augusto Aguiar. As aulas passaram a decorrer na respectiva cozinha, à volta de uma mesa, sem mais atrasos deste aluno.

Mas, atento a quem o rodeava, certo dia pediu para me deslocar a sua casa. Recebido numa sala onde se trabalhava à volta de uma mesa com uma enorme tábua que, praticamente, ocupava o espaço, demonstrou preocupação com a investigação para a disciplina que ministrava: Metodologia de História Institucional e Política. Preocupação genuína que tinha toda a razão de ser, já que só durante os meses de Julho, Agosto e meados de Setembro seria possível avançar com aquela, aproveitando a interrupção lectiva.

O Verão foi, mais uma vez, passado na Biblioteca Nacional, o texto final - Legislação e Regulamentos Internos do Trabalho (1870-1910): a disciplina e regulamentação do e no trabalho como primeiro contributo para a sua organização racional e científica - entregue dentro do prazo e, um dia, cruzando-nos na Nova, informou-me, como se se tratasse de algo natural, que o tinha citado numa História do Portugal Contemporâneo.

Três "pequenos" exemplos que nunca esqueci e que me acompanham na minha própria docência junto dos mais novos.

Até sempre, Professor Hespanha!


[João Esteves]

quarta-feira, 26 de junho de 2019

[2156.] JOAQUIM BARRADAS DE CARVALHO [VII] || FALECIMENTO E FUNERAL (1980)

* JOAQUIM BARRADAS DE CARVALHO *
[13/06/1920 - 18/06/1980]

[Imagem retirada do texto de Tiago Brandão publicado na Seara Nova N.º 1718]

FALECIMENTO E FUNERAL DE JOAQUIM BARRADAS DE CARVALHO || DIÁRIO DE LISBOA (JUNHO DE 1980)

 [Diário de Lisboa || 18 de Junho de 1980]

 [Diário de Lisboa || 19 de Junho de 1980]

segunda-feira, 24 de junho de 2019

[2155.] JOAQUIM BARRADAS DE CARVALHO [VI] || ARNALDO PEREIRA (1982)

* JOAQUIM BARRADAS DE CARVALHO *
[13/06/1920 - 18/06/1980]

«[...] não estou aqui para reprovar alunos, mas para iniciá-los no conhecimento da história» [resposta de Joaquim Barradas de Carvalho a António Arnaldo Pereira, por o acusarem «de dar notas muito elevadas, de não "chumbar" ninguém» [Depoimento in História e Crítica N.º 9, 1982].


[História e Crítica || 09 || Junho - Julho de 1982]

[História e Crítica || 09 || Junho - Julho de 1982]

[2154.] JOAQUIM BARRADAS DE CARVALHO [V] || FERNANDO PITEIRA SANTOS (19/06/1980)

* JOAQUIM BARRADAS DE CARVALHO *
[13/06/1920 - 18/06/1980]

"Um historiador pouco cómodo para a Universidade"

[História e Crítica || 09 || Junho - Julho de 1982]

Texto de Fernando Piteira Santos no Diário de Lisboa de 19 de Junho de 1980

[Fernando Piteira Santos || Diário de Lisboa || 19/06/1980]

sábado, 22 de junho de 2019

[2153.] MOVIMENTO NACIONAL DEMOCRÁTICO [I] || COMISSÃO CENTRAL

* MOVIMENTO NACIONAL DEMOCRÁTICO *

[Da esquerda para a direita - António Areosa Feio, Albertino Macedo, Virgínia Moura, Rui Luís Gomes, Maria Lamas e José Morgado]

[Virgínia Moura || Mulher de Abril, Álbum de Memórias || Edições Avante! || 2015]

sexta-feira, 21 de junho de 2019

[2152.] AO POVO DE LISBOA || SETEMBRO DE 1971

* MANIFESTO "AO POVO DE LISBOA" || SETEMBRO DE 1971 *

[António Areosa Feio || 04/08/1922 - 21/06/2019]

No dia do desaparecimento físico de António Areosa Feio [1922 - 2019], o Manifesto "Ao Povo de Lisboa", datado de Setembro de 1971, denunciando os riscos, inclusivamente de morte, em que os presos políticos incorriam em virtude das torturas e/ou de falta de assistência médica. Entre os seus autores e subscritores constava, também, António Esteves [1916 - 2017]

[Arquivo Particular]
[João Esteves]

quinta-feira, 20 de junho de 2019

[2151.] JOSÉ LEONEL MARTINS RODRIGUES [I] || PRESO EM 1946 E 1959

* JOSÉ LEONEL MARTINS RODRIGUES *
[09/03/1926 - ]

Um ano mais velho do que o irmão Francisco Martins Rodrigues [1927 - 2008], José Leonel Martins Rodrigues foi preso aos 20 anos, na sequência dos preparativos para a celebração do 1.º de Maio de 1946 e, "muito maltratado pelos esbirros da Pide", "endoideceu e recolheu ao Júlio de Matos" [Júlia Coutinho, As Causas da Júlia], "nunca recuperando por completo" [Miguel Cardina, Margem de Certa Maneira. O maoismo em Portugal 1964 - 1974].

[José Leonel Martins Rodrigues || 02/05/1946 || ANTT || RGP 17068 || PT-TT-PIDE-E-010-86-17068]

Filho de Maria José Cuba Martins Rodrigues e de José Joaquim Clemente Rodrigues, José Leonel Martins Rodrigues nasceu em Moura, em 9 de Março de 1926.

Frequentou, em Lisboa, a Escola António Arroio e integrou, a partir de 1942, o grupo embrionário do movimento surrealista em Portugal que se reunia no Café Herminius, na Avenida Almirante Reis, constituído por António Domingues, Cruzeiro Seixas, Fernando de Azevedo, Fernando José Francisco, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Pedro Oom e Vespeira [Maria de Fátima Aires Pereira Marinho Saraiva, O Surrealismo em Portugal e a Obra de Mário Cesariny de Vasconcelos, 1986].

Em 30 de Abril de 1946, quando era desenhador, vivia na Av. Almirante Reis 178 e se prepararia "para entrar na Escola de Belas Artes, foi apanhado pela Pide numa noite em Campo de Ourique onde, com outro, fazia pichagens nas paredes em vésperas do 1.º de Maio de 1946" [Júlia CoutinhoAs Causas da Júlia]. Quem o acompanhava era o motorista Américo Dias Rocha, nascido em 1 de Dezembro de 1907 [Processo 469/946].

[José Leonel Martins Rodrigues || 02/05/1946 || ANTT || RGP 17068 || PT-TT-PIDE-E-010-86-17068]

Preso pela PSP, foi levado para o Aljube. Em 30 de Julho foi posto à disposição dos Tribunais Criminais de Lisboa e entregue às respectivas Cadeias Civis Centrais, provavelmente porque «escrevera: "Morte a Salazar" e isso era um crime gravíssimo. Indiciava-o como muito capaz de matar o chefe do Estado! A Pide tirou mesmo uma fotografia daqueles dizeres como prova do grave delito» [As Causas da Júlia, segundo entrevista dada pelo irmão Francisco Martins Rodrigues a Júlia Coutinho em 2006].

Libertado mais tarde sob caução, "nunca mais foi o mesmo. Nunca mais se dedicou à arte. Nunca mais conseguiu conviver com ninguém. Sempre assustado, sempre com medo, vendo polícias por todo o lado, desconfiando da própria sombra. Isolou-se e fechou-se num mutismo de que nunca mais se libertou" [Júlia CoutinhoAs Causas da Júlia].

[José Leonel Martins Rodrigues || ANTT || RGP 17068 || PT-TT-PIDE-E-010-86-17068]

Voltou a ser preso em 1 de Junho de 1959, em Setúbal, «para averiguações - suspeita de actividades contra a Segurança do Estado», sendo libertado em 15 de Julho [Proc. 303/959].

Ainda segundo o precioso escrito de Júlia Coutinho: "Um dia desapareceu. Fugiu da própria família. Nunca ninguém o conseguiu encontrar. Já após a morte dos pais e de praticamente todos os irmãos, apareceu. Sem mais palavras. Creio que o irmão o foi buscar. E vivia com o Chico que tratou dele até ao fim. Foi o António Domingues, que fora seu colega na António Arroio, quem me alertou para o drama do José Leonel. Uma vítima da Pide de quem ninguém fala. Que ninguém conhece. De que não ficaram sequer registos gráficos. Apenas um eventual processo nos arquivos da Pide, como tantos outros" [Júlia CoutinhoAs Causas da Júlia]. 

NOTA: Exactamente um mês antes de falecer, Francisco Martins Rodrigues escreveu uma nota referente ao irmão Leonel e que se encontra publicada em Os Anos do Silêncio, Dinossauro edições, 2008. Nela, revela o seu sofrimento em consequência do tempo que esteve preso [Aljube, Caxias] e dos tratamentos a que fora submetido por duas vezes no Hospital Júlio de Matos. 

[João Esteves]

quarta-feira, 19 de junho de 2019

[2150.] JOSÉ DIAS COELHO [X] || TEXTO DE PEDRO ALVIM (20/06/1974)

* JOSÉ DIAS COELHO * 
[19/06/1923 - 19/12/1961]

[José Dias Coelho || 07/01/1949 || ANTT || RGP 18718 || PT-TT-PIDE-E-010-94-18718_m0241]

TEXTO DE PEDRO ALVIM [Pedro Manuel Portela de Melo Alvim (18/01/1935 - 11/11/1997] PUBLICADO NO DIÁRIO DE LISBOA EM 20 DE JUNHO DE 1974

[Diário de Lisboa || 20 de Junho de 1974]

[2149.] OEIRAS || PARQUE DOS POETAS [V]

* OEIRAS || PARQUE DOS POETAS *




[Oeiras || Parque dos Poetas || 5 de Junho e 2019]

quinta-feira, 13 de junho de 2019

[2148.] ISAURA ASSUNÇÃO DA SILVA (BORGES COELHO) [II] || DEPOIMENTO A ROSE NERY NOBRE DE MELO

* ISAURA ASSUNÇÃO DA SILVA (BORGES COELHO) *
[20/06/1926 - 11/06/2019]

[Isaura Assunção da Silva || 05/11/1953 || ANTT || RGP/21365]

Depoimento a Rose Nery Nobre de Melo || Mulheres Portuguesas na Resistência || Seara Nova || 1975









[Rose Nery Nobre de Melo || Mulheres portuguesas na resistência || 1975]

quarta-feira, 12 de junho de 2019

[2147.] ISAURA ASSUNÇÃO DA SILVA (BORGES COELHO) [I] || POEMA DE ANTÓNIO BORGES COELHO

* ISAURA ASSUNÇÃO DA SILVA (BORGES COELHO) * 
[20/06/1926 - 11/06/2019]

«SIM» || POEMA DE ANTÓNIO BORGES COELHO

in Ponte Submersa || Livro de poemas || 1969 || Capa de Cipriano Dourado 


[António Borges Coelho || Ponte Submersa || 1969]

segunda-feira, 10 de junho de 2019

sábado, 8 de junho de 2019

[2145.] ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS E HOMENS DE LETRAS DO PORTO || O MUNDO QUE VIVI (2015- 2016)

* O MUNDO QUE VIVI - I *

Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto || Maio de 2019


Contrariando a Memória Perecível, seis de treze testemunhos de "O Mundo que Vivi" respigados do ciclo de colóquios organizado pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto entre Abril de 2015 e Julho de 2016: Arnaldo Trindade ("Quem não gosta de poesia é porque não sabe ouvir"); Jorge Sarabando (A resistência em Aveiro e o Verão Quente no Porto); José Luís Borges Coelho (Os socos "contra o medo" no funeral de Militão Ribeiro); Júlio Cardoso ("O teatro tem cada vez mais futuro, eu vou morrer com esta esperança"); Laura Soutinho ("Fui a primeira mulher a usar calças no Porto"); Vítor Ranita "Fui defender Angola, regressei anti-colonialista").

Arnaldo Trindade || 7 de Julho de 2016

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «Pena tive de não ter gravado a Brigada Vítor Jara»]

Jorge Sarabando || 12 de Novembro de 2015

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «É a imagem da cabeça de Gravito que aqui vos trago, que me coube em herança»]

José Luís Borges Coelho || 2 de Junho de 2016

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «A minha timidez de outra fora ficando para trás. Tinha uma bonita voz»]

Júlio Cardoso || 3 de Dezembro de 2015

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «Vocês hoje estão a ver um pobre comediante a falar, mas feliz...»]

Laura Soutinho || 7 de Maio de 2015

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || "Quem não passou o 25 de Abril, não consegue nunca imaginar o que foi"

Vítor Ranita || 5 de Maio de 2016

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «Fomos uma geração educada com o temor»]

Nota: O meu muito obrigado à Manuela Espírito Santo. Por esta e todas as outras leituras!

[João Esteves]