[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

domingo, 16 de fevereiro de 2020

[2295.] JOAQUIM LEMOS DE OLIVEIRA - "O REPAS" [I] || ASSASSINADO PELA PIDE EM FEVEREIRO DE 1957

* JOAQUIM LEMOS DE OLIVEIRA - "O REPAS" *
[21/05/1908 - 14-15/02/1957]

O percurso político do barbeiro Joaquim Lemos de Oliveira começou muito cedo, tendo aderido às Juventudes Comunistas ainda durante a 1.ª República, em 1922, com 14 ou 15 anos. Com a Ditadura instituída em 28 de Maio de 1926 e a sua rápida fascização, tornou-se num dos primeiros presos políticos de Fafe. A continua militância no Partido Comunista levou-o a ser preso por cinco vezes entre 1936 e 1957, tendo aparecido morto numa das celas da Subdirectoria do Porto da PIDE aquando da última detenção, após vários dias de tortura da estátua e bárbaros espancamentos. 

[Joaquim Lemos de Oliveira quando jovem || in Artur Ferreira Coimbra, Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe, Junta de Freguesia de Fafe, 2003]

Filho de Emília de Lemos e de Joaquim de Oliveira, Joaquim Lemos de Oliveira nasceu no lugar de Fafoa, freguesia de Fafe, em nasceu em 21 de Maio de 1908.

Feita a 4.ª classe, começou a trabalhar e, com treze anos, aprendeu o ofício de barbeiro. Segundo João Freitas, autor da biografia romanceada A noite fatal de um comunista [2010], foi-se politizando mediante as conversas com os clientes, lendo, ainda, jornais e panfletos comunistas Em 1922, ter-se-à filiado nas Juventudes Comunistas, tornando-se um militante activo até à sua morte. 

[João Freitas || A noite fatal de um comunista || 2010]

Com o triunfo da Ditadura Militar e o fascismo vieram as perseguições e as constantes fugas, sendo apelidado pela PVDE por A Truta”, «por causa da facilidade como lhes escapava» [Blogue Sala de Visitas do Minho, de Artur Coimbra].

Conhecido no meio fafense por "O Repas", foi preso, juntamente com Egídio Gonçalves e mais algumas dezenas de antifascista, em 17 de Outubro de 1936, acusado de "propaganda subversiva", e condenado a 20 meses de prisão. Segundo declarações daquele a Artur Ferreira Coimbra, inseridas no livro Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe, Joaquim Lemos de Oliveira seria agredido violentamente numa noite de 1937, por motivos fúteis, pelo agente Roquete, antigo guarda-redes da selecção portuguesa, o mesmo que espancaria, nos anos 40, Cândido de Oliveira.

[Artur Ferreira Coimbra || Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe || 2003]

Novamente preso em 24 de Novembro de 1949, por ter um mandado de captura por "crime contra a segurança do Estado" emitido pelo Tribunal Criminal do Porto, e entregue pela GNR de Felgueiras à Subdirectoria do Porto da PIDE [Processo 1004/948].

Libertado em 25 de Fevereiro de 1950, foi preso em Fafe dias depois, em 4 de Março, "para averiguações", levado para o Porto e solto no dia 16 [Processo 155/50].

[Joaquim Lemos de Oliveira || ANTT || RGP/19520 || PT-TT-PIDE-E-010-98-19520]

Preso, pela quarta vez em 15 de Agosto de 1951, terá ficado dois anos nos calabouços da PIDE no Porto, seguindo, depois, em 16 de Junho de 1953, para Peniche, para cumprir um ano de medida de segurança.

Libertado em 16 de Junho de 1954, retomou a militância no Partido Comunista e seria preso pela derradeira vez em 29 de Janeiro de 1957, pela PSP de Fafe, e levado para as prisões privativas da PIDE no Porto. 

[Joaquim Lemos de Oliveira || 30/01/1957 || ANTT || RGP/19520 || PT-TT-PIDE-E-010-98-19520]

Joaquim Lemos de Oliveira faleceu, em 14 ou 15 de Fevereiro de 1957, numa das celas da Subdirectoria da PIDE no Porto. Segundo declarações de Luís Nogueira, outro militante comunista com diversas prisões, transcritas por Lino Lima no livro Romanceiro do Povo Miúdo - Memórias e confissões [Edições Avante!, 1991], «eu e o Mário de Araújo Lopes estávamos por baixo da cela onde o camarada se encontrava e tínhamos ouvido o agente da PIDE dizer para o guarda Moreira, quando vinha trazer o Repas do interrogatório: "guarde para aí esse pássaro que anda mesmo a morrer e nunca mais morre"». Tinha sido submetido à tortura da estátua durante nove dias e vergastado a cavalo marinho, pontapeado e socado, nomeadamente pelo subdirector Costa Pereira.

Por sua vez, Victor de Sá contou que, quando detido em 1960, «um guarda prisional lhe disse que os agentes da PIDE, quando foram tirar do quarto o cadáver do Lemos de Oliveira, o arrastaram pelas escadas abaixo sem nenhum respeito, sem nenhuma sensibilidade» [José Ricardo/Lino Lima, Romanceiro do Povo Miúdo - Memórias e confissões, Edições Avante!, 1991]. 

Quando no caixão, a mulher e os filhos puderam ver que «tinha ferimentos na cabeça e equimoses no corpo», tendo a PIDE procurado que o funeral fosse feito em Fafe tarde e às escondidas. Este, realizado no dia 19 de Fevereiro, constituiu «um momento importante de protesto e de revolta contra a PIDE e a GNR que vigiaram com mão de ferro as cerimónias» [Artur Ferreira Coimbra].

A morte, aos 48 anos, de Joaquim Lemos de Oliveira suscitou diversos protestos e teve repercussão em diversos meios.

Presos no Porto, Agostinho Neto, Ângelo Veloso, António Borges CoelhoCecília Alves, Hermínio Marvão, Hernâni Silva, Pedro Ramos de Almeida e Virgínia Moura subscreveram uma petição dirigida ao Presidente da República, para que «Seja feito um rigoroso inquérito, dirigido por uma entidade estranha à PIDE sobre as circunstâncias em que se deram as mortes de Joaquim Lemos de Oliveira e Manuel da Silva Júnior [o nome correcto é Manuel Zola Pereira Fiúza], extensivo aos métodos usados para investigações nesta Polícia Internacional e de Defesa do Estado; Nesse inquérito possam depor livremente todas as pessoas actualmente presas e aquelas que já o estiveram; A nossa situação prisional passe a deixar de ser dependente da PIDE e não mais se verifique a circunstância de investigadores serem simultaneamente carcereiros» [Blogue O Castendo, de António Vilarigues].

Também doze advogados dirigiram, sem sucesso, uma exposição ao Ministro da Presidência, «exigindo um amplo e rigoroso inquérito das causas da morte do Repas e de um outro preso a seguir assassinado, Manuel Silva Júnior, de Viana do Castelo» [Artur Ferreira Coimbra].

Papiniano Carlos dedicou-lhe o poema seguinte: 

Glória a Joaquim Lemos de Oliveira

Em Fafe
O cemitério
ficava entre campos lavrados
a meio da colina.

Aí iria descansar o herói anónimo
de sua tarefa, sofrimento e morte.
Sentindo bem junto à violada face
a carícia das madrugadas.
O sorriso das espigas,
a frescura do orvalho de manso
gotejando entre as raízes
de seu coração.

Entre alas de povo
o caixão atravessava lentamente
o pequeno cemitério.
Entre dezenas de polícias armados
de metralhadoras
Joaquim Lemos de Oliveira
ia agora descansar no seu coval.
Foi quando, no silêncio da colina,
a voz dum menino atravessou os ares,
atravessou o fogo, o chumbo, a violência,
o terror, a morte.
O menino gritava:
- Eu vou crescer, vencer contigo, meu pai!
[in Blogue Sala de Visitas do Minho, de Artur Coimbra]

Entretanto, a PIDE prendeu e assassinou, nas mesmas instalações prisionais, o velho militante anarquista Manuel Zola Pereira Fiúza [1887-1957], frequentemente referido como Manuel Silva Júnior, acusando-o de ser o responsável pela autoria e distribuição, em Viana do Castelo, de um manifesto onde se denunciava o sucedido com Joaquim Lemos de Oliveira. Também Manuel Fiúza foi torturado e submetido à Estátua. 

Fontes:
ANTT, Registo Geral de Presos 19520 [Joaquim Lemos de Oliveira / PT-TT-PIDE-E-010-98-19520].

Artur Ferreira Coimbra, Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe, Junta de Freguesia de Fafe, 2003.

João Freitas, A noite fatal de um comunista, 2010.

Blogue Sala de Visitas do Minho, de Artur Coimbra.

Blogue O Castendo, de António Vilarigues.

[João Esteves]

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

[2294.] GRUPO DE DEPORTADOS EM MALANJE || DEZEMBRO DE 1927

* GRUPO DE DEPORTADOS EM MALANJE *
Grupo de implicados na Revolução de 7 de Fevereiro de 1927

[Colecção Particular de Manuel Mesquita || 24/12/1927 || Malanje]

Fotografia tirada em 24 de Dezembro de 1927 em Malanje (Angola), pertencente ao espólio de Manuel da Piedade e publicada pelo neto, Manuel Mesquita, em Antifascistas da Resistência

Em primeiro plano, da esquerda para a direita:
4.º - Capitão DJALME de AZEVEDO, Caçadores 9
5.º - Comandante AGATÃO LANÇA, Armada
9.º - Alferes António CARNEIRO FRANCO
10.º - Dr. RAFAEL de Sampaio, Infantaria 2
Na segunda fila, o 6.º, envergando uniforme militar é MANUEL DA PIEDADE.

[2293.] ANTÓNIO PEREIRA LOPES [I] || DA MILITÂNCIA COMUNISTA À GUERRA CIVIL DE ESPANHA

* ANTÓNIO PEREIRA LOPES *
[28/07/1915 - ?]

Militante do Partido Comunista, António Lopes foi um dos muitos portugueses anónimos que combateram em defesa da Espanha Republicana.

[António Pereira Lopes || 1934 || ANTT || RGP/300 || PT-TT-PIDE-E-010-2-300]

Filho de Maria da Conceição Pereira, vendedeira, e de António Lopes, fundidor, António Pereira Lopes nasceu em 28 de Julho de 1915, em Lisboa. Nascido e criado em Alcântara, começou a trabalhar quando concluiu a 4.ª Classe.

Caldeireiro de ferro, trabalhava nas Oficinas da Sociedade de Construções e Reparações Navais, na Rocha de Conde de Óbidos, quando terá sido aliciado pelo colega Zé Ruço, mais velho, a aderir às Juventudes Comunistas. 

Integrava a Célula N.° 41, onde era o Secretário responsável pela Comissão Sindical, quando foi preso, em 23 de Setembro de 1934, pela PSP de Lisboa e entregue à Secção Política e Social da PVDE, «por fazer parte das Juventudes Comunistas Portuguesas» e «afixar panfletos subversivos pelas paredes», juntamente com Sérgio de Matos Vilarigues, nos bairros de Campo de Ourique, Fonte Santa, Necessidades e Avenida 24 de Julho [Cadastro Político 5451]. Também distribuía publicações clandestinas no local de trabalho [Processo 1238].

Depois de submetido a interrogatórios, foi levado para o Aljube em 8 de Novembro de 1934 e julgado pelo Tribunal Militar Especial em 20 de Março de 1935, sendo condenado em 12 meses de prisão e perda de direitos políticos por cinco anos [Processo 219/934 do TME].

[António Pereira Lopes || 1934 || ANTT || RGP/300 || PT-TT-PIDE-E-010-2-300]

Permaneceu em Peniche entre 5 de Abril e 15 de Setembro de 1935, data em que foi libertado.

[Peniche - Páscoa de 1934 || Diário de Lisboa de 7 de Março de 1984]

Impedido de regressar ao estaleiro, empregou-se como pasteleiro, mantendo amizade com Alípio dos Santos Rocha e o aprendiz de traçador Manuel Almeida Costa, também militantes das Juventudes Comunistas.

Juntamente com aqueles dois, decidiu ir defender a República Espanhola e, em Dezembro de 1936, introduziu-se clandestinamente no navio francês "Lipari", desembarcando em Bordéus três dias depois. Confiante, declarou-se às autoridades como voluntário internacionalista, acabando por ficar dois meses presos.

Em liberdade, o cônsul espanhol arranjou aos três um passaporte colectivo, onde constavam como naturais da Galiza, entrando, então, em Espanha por Perpignan. Ao declararem-se como portugueses, foram novamente presos, já que o passaporte os referia como galegos. Libertado ao fim de quinze dias por intervenção de Mário Reis, ligado aos antifascistas portugueses de Barcelona, António Lopes filiou-se no Partido Socialista Unificado Catalão.

Recebeu instrução durante um mês num Centro da Juventude do PSUC e seguiu para a frente de Aragão como miliciano, integrando a 122.ª Brigada Mista da 27.ª Divisão, no sector de Rober, perto da serra de Alcubierre, na margem esquerda do Ebro: permaneceu naquela frente defensiva até Novembro de 1937.

Seguidamente, participou na batalha de Teruel, integrado na 27.ª Divisão comandada por José del Barrio Navarro  [divisão Karl Marx], sendo preso na zona de Alfambra em 18 de Fevereiro de 1938. Nesse mesmo período, foi preso o major médico Inocêncio de Vasconcelos da Câmara Pires [não confundir com o familiar Inocêncio Matoso da Câmara Pires que se exilaria em Paris], chefe dos serviços de saúde da 27.ª Divisão, tendo assistido ao seu fuzilamento pelos franquistas.

Para escapar ao mesmo fim, António Lopes fez-se passar pelo catalão Juan Pujol Toés. Percorreu, então, por vários campos de prisioneiros, ficando cerca de um ano no de Orduña, no País Basco. Em meados de 1939, estava no de Jaén, norte da Andaluzia, incorporado numa brigada de trabalhos forçados.

Conseguiu fugir, com mais dois espanhóis: atravessou a nado o rio Guadalquivir, passou a serra Morena e chegou a Jerez de los Caballeros, já próximo de Portugal. Preso, declarou-se português, sendo levado para Badajoz, onde o espancaram. Novamente internado num campo, desta vez perto de Burgos, no mosteiro de São Pedro de Cardeña, e entregue, em 26 de Dezembro de 1940, às autoridades portuguesas no Posto da Beirã [Processo 2262/940].

[António Pereira Lopes || 28/10/1941 || ANTT || RGP/300 || PT-TT-PIDE-E-010-2-300]

Seguiu para Peniche e, por ter sido indultado, saiu em liberdade condicional em 10 de Janeiro de 1943.

Segundo Varela Gomes, que recolheu o seu depoimento em 1983 ou 1984 e publicou-o no Diário de Lisboa, António Lopes, conhecido por "O Espanhol", trabalhou uns sete ou oito anos na Sociedade Geral, na reparação de navios, e continuou a militar no Partido Comunista.

[Diário de Lisboa || 7 de Março de 1984]

Denunciado, tentou emigrar para França, país onde estavam Alípio Rocha e Manuel da Costa, seus antigos companheiros de Alfama, da Guerra Civil e do Partido. No entanto, segundo o Registo Geral de Presos, foi preso no Funchal, em 4 de Janeiro de 1953, por tentativa de emigração clandestina, tendo sido entregue pelo Capitão do navio Vera-Cruz.

[António Pereira Lopes || 17/01/1953 || ANTT || RGP/300 || PT-TT-PIDE-E-010-2-300]

Enviado para o continente, esteve detido no Aljube e foi entregue ao Delegado do Procurador da República de turno nos Tribunais Correccionais de Lisboa [Processo 25/953].

[Diário de Lisboa || 7 de Março de 1984]

Acabou por ir mesmo para França, de onde só regressou definitivamente após Abril de 1974.

[Diário de Lisboa || 7 de Março de 1984]

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5451 [António Pereira Lopes / PT-TT-PIDE-E-001-CX06_m0922, m0922a].

ANTT, Registo Geral de Presos 300 [António Pereira Lopes, PT-TT-PIDE-E-010-2-300].

Varela Gomes, "Portuguesas na Guerra de Espanha - Terceiro depoimento", Diário de Lisboa, 07/03/1984.

[João Esteves]

domingo, 9 de fevereiro de 2020

[2292.] DESAFECTOS AO ESTADO NOVO EM FAFE [I] || ARTUR FERREIRA COIMBRA - 2003

* ARTUR FERREIRA COIMBRA *

DESAFECTOS AO ESTADO NOVO - EPISÓDIOS DA RESISTÊNCIA AO FASCISMO EM FAFE

Junta de Freguesia de Fafe || 2003





[Artur Ferreira Coimbra || Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe || 2003]

sábado, 8 de fevereiro de 2020

[2291.] GERVÁSIO DA COSTA [I] || A MORTE AOS 34 ANOS OU A RESISTÊNCIA OPERÁRIA EM FAFE

* GERVÁSIO DA COSTA *
[02/03/1917 - 17/05/1951]

Operário, Gervásio da Costa integrou, em 1936, o primeiro grupo de presos políticos de Fafe. Militante do Partido Comunista, tal como muitos outros operários da Companhia de Fiação de Tecidos de Fafe, mais conhecida pela "Fábrica do Ferro", terá integrado o MUD Juvenil e sido preso em Dezembro de 1948. Na sequência das torturas sofridas e das condições prisionais, tuberculizou, sendo libertado para vir a falecer num sanatório, em Maio de 1951. Aos 34 anos!

[Gervásio da Costa || 14/12/1948 || ANTT || RGP/18681 || PT-TT-PIDE-E-010-94-18681]

Filho de Júlia Fernandes e de José da Costa, Gervásio da Costa nasceu em 2 de Março de 1917, em Fafe. 

Quando tinha 19 anos, integrou, em 17 de Outubro de 1936, o grupo de 36 oposicionistas de Fafe presos pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, juntamente com Egídio Gonçalves, Joaquim Pereira Castro e Joaquim Lemos de Oliveira. Este último haveria de morrer assassinado na Subdirectoria da Pide no Porto, em 14 de Fevereiro de 1957.

[Gervásio da Costa quando jovem || in Artur Ferreira Coimbra, Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe, Junta de Freguesia de Fafe, 2003]

Enquanto operário tecelão na Companhia de Fiação de Tecidos de Fafe, mais conhecida pela "Fábrica do Ferro", terá participado na luta e manifestação pelo pão, ocorridas em Fevereiro de 1946. 

Nesse mesmo ano, envolveu-se no MUD Juvenil e manteve colaboração na Biblioteca clandestina então criada e onde se podiam ler ou requisitar livros de autores, portugueses e estrangeiros, que ajudavam a despertar a consciência social ou política: Aquilino Ribeiro, Eça de Queirós, Emile Zola, Ferreira de Castro, Karl Marx, Soeiro Pereira Gomes e Victor Hugo, por exemplo. Esta biblioteca tinha a particularidade de funcionar em várias casas, para não ser facilmente detectada, concentrando-se o serviço na de Ricardo Ferreira da Silva, também ele vítima das torturas da PIDE [Artur Ferreira Coimbra, Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe, Junta de Freguesia de Fafe, 2003].

[in Artur Ferreira Coimbra, Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe, Junta de Freguesia de Fafe, 2003]

Em 1947, Gervásio da Costa integrava, com Carlos Costa e o barbeiro Joaquim Oliveira de Lemos, o Comité Local de Fafe do Partido Comunista.

Em 13 de Fevereiro de 1948, foi preso em Fafe, «por actividades subversivas», e levado para a Subdirectoria do Porto da PIDE, onde foi barbaramente torturado. Devido às condições em que se encontrava, foi encaminhado para Hospital de Santo António em 21 de Março de 1949 e teve alta em 26, regressando à sede da PIDE no Porto.

[Gervásio da Costa || 14/12/1948 || ANTT || RGP/18681 || PT-TT-PIDE-E-010-94-18681]

Saiu em liberdade condicional em 6 de Abril de 1949, para falecer «num sanatório em Lisboa, sem nenhumas condições, devido à tortura infligida nas prisões da PIDE» [Artur Ferreira Coimbra]. Segundo Carlos Costa, «morreu de pancada e de tuberculose, tendo tido uma hemorragia frente àquele» [Artur Ferreira Coimbra].

Casado, tinha apenas 34 anos!



[Amanhã || Junho de 1951]

O Boletim da Comissão Distrital de Lisboa do MUD Juvenil, Amanhã, destacou no seu número de Junho de 1951 a morte de Gervásio da Costa em consequência do que sofreu na prisão.

Fontes:
ANTT, Registo Geral de Presos 18681 [Gervásio da Costa / PT-TT-PIDE-E-010-94-18681].

Artur Ferreira Coimbra, Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe, Junta de Freguesia de Fafe, 2003.

[João Esteves]

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

[2290.] PEDRO BATISTA DA ROCHA [VI] || DA MILITÂNCIA COMUNISTA À GUERRA CIVIL DE ESPANHA

* PEDRO BAPTISTA DA ROCHA *
[25/07/1912 - ?]

MILITANTE DAS JUVENTUDES COMUNISTAS E DO PARTIDO COMUNISTA || ACTIVISTA DO SOCORRO VERMELHO INTERNACIONAL || PRESO POLÍTICO || COMBATENTE DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA || PASSAGEM PELOS CAMPOS DE INTERNAMENTO EM FRANÇA E DE TRABALHO NA ALEMANHA NAZI || EXILADO

[Pedro Batista da Rocha || 06/12/1943 || ANTT || RGP/288 || PT-TT-PIDE-E-010-2-288]

O percurso político de Pedro Rocha revelou-se invulgarmente rico e complexo, tendo abrangido quase todo o período da Ditadura Militar e do Fascismo: militante comunista desde 1929; activista do Socorro Vermelho Internacional; combatente da Guerra Civil de Espanha; internado em Angelès-sur-Mer, Gurs e Vernet; passagem pela Alemanha nazi; preso nos anos 30 e 40; exílio no Congo francês e Brasil, só regressando após Abril de 1974.

Filho único de Hermínia do Carmo Batista e de António José da Rocha, sargento músico preso por estar envolvido na Revolta Republicana de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, Pedro Batista da Rocha nasceu em 25 de Julho de 1912, em Lisboa - Anjos, e cresceu em Alfama. 

Frequentou o Liceu Gil Vicente, tendo os amigos, as greves estudantis, as leituras, as dificuldades económicas e o ambiente familiar em torno dos ideais da República, contribuído para a sua adesão à luta contra a Ditadura Militar e militância comunista desde 1929. Usou os pseudónimos de "Hélder", nas Juventudes Comunista, de "Osvaldo", no Socorro Vermelho Internacional, e "José Pedro da Rocha".

Segundo as suas memórias, intituladas Escrito com paixão [Caminho, 1991], com 18 anos era já membro das Juventudes Comunistas, tendo aderido por influência de César Maurício e trabalhado directamente com Francisco Paula de Oliveira e, depois, com Fernando Quirino. Participou, então,  nas greves estudantis e nos comícios relâmpago. 

[Pedro Rocha || Escrito com paixão || Caminho || 1991]

Detectado e procurado como activista comunista desde 1932, Pedro Rocha desempenhou ainda trabalho partidário, entre outros, com Afonso Henriques Ventura, Afonso Martins da SilvaÁlvaro Duque da Fonseca, Bento Gonçalves, Bernard FreundCarolina Loff da Fonseca, Cassiano Nunes Diogo, Eliseu Monteiro, Isaac Soares, Joaquim Domingos LisboaJúlio dos Santos Pinto, Manuel Augusto da Rosa Alpedrinha, Mário Rodrigues PioTogo da Silva Batalha e Virgínio de Jesus Luís. Em 1933, integrou o Secretariado Político e Executivo das Juventudes Comunistas.

Foi, simultaneamente, activista, desde 1929, do Socorro Vermelho Internacional, em Lisboa, sendo funcionário da sua sede clandestina instalada no Regueirão dos Anjos. Posteriormente, em 1933, foi encarregue da sua reorganização no Alentejo e Algarve, assim como dos Comités Locais do Partido Comunista e das suas Juventudes: saiu de Lisboa em 19 de Junho e passou por Vale de Vargos, Aldeia Nova de São Bento, Beja, Aljustrel, Portimão, Lagos, Odeceixe, Monchique, Silves e Faro [Processo 799].

Integrou, ainda, diversas agremiações, como a Associação dos Amigos da União Soviética, criada em 1931, Caixa Económica Operária e Clube Naval de Lisboa. Enquanto empregado comercial, foi delegado do seu sindicato, filiado na Comissão Intersindical (CIS).

Preso, pela primeira vez, em 23 de Julho de 1933, juntamente com Rodrigo Ollero das Neves [n. 27/06/1906], na casa da Rua Bernardim Ribeiro, 57, 4.º, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 22 de Janeiro de 1934, juntamente com mais vinte jovens, e condenado a dezoito meses de prisão correccional e perda dos direitos políticos por dois anos [Processo 87/933 do TME - Processo 798 da Polícia de Defesa Política e Social].

Libertado em 27 de Janeiro do ano seguinte, tinha passado pela Penitenciária de Lisboa, Aljube e Peniche, mantendo colaboração em periódicos feitos, clandestinamente, pelos presos.

Voltou a ser preso, «para averiguações», em 16 de Maio de 1936 e libertado em 26 do mesmo mês [Processo 1803].

Em Abril de 1937, dando seguimento ao apelo do Partido Comunista para que militantes e simpatizantes se juntassem às forças republicanas de Espanha e/ou porque tivesse sido enviado pela Frente Popular Portuguesa para se especializar em assuntos militares, Pedro Rocha saiu legalmente de Portugal para França, aproveitando a organização da Exposição Internacional de Artes e Técnicas Aplicadas à Vida Moderna. 

Embarcou no paquete "Aurigny", desembarcou no Havre, passou por Paris, onde contactou com os portugueses antifascistas residentes em França, assistiu ao 1.º de Maio em Lyon e, depois, atravessou os Pirenéus a pé e chegou a Figueras, na Catalunha, em Maio, após uma atribulada e tormentosa viagem. 

 [Pedro Batista da Rocha || 1937 ou 1938]

Em Espanha, manteve contactos estreitos com os portugueses Caetano João, Carolina Loff da Fonseca, César de Almeida, Jaime de Morais, José Ramos, Manuel Roque Júnior, Mário Batista Reis, Miguel Ramos, Óscar Morais, Utra Machado e Telmo dos Santos, entre outros. Aí também se cruzou com Luís António Soares, "um homem de meia-idade", pai de Pedro Soares, seu camarada das Juventudes Comunistas.

Por usar óculos, não pode ser piloto de caça, passando para a artilharia. Frequentou, segundo as suas memórias dactilografadas, a escola pré-militar de Pins del Vallès, em Sant Cugat del Vallès; a escola de comissários, cujo responsável militar era o major César de Almeida; e, por fim, a Escola de Artilharia N.º 2, em Lorca, perto de Valência, onde estavam mais cinco portugueses: Caetano João, Manuel Roque Júnior, Mário Batista Reis, Miguel Ramos e Óscar Morais.

Concluído aquele curso, foi promovido a tenente de artilharia. Adstrito à Reserva Geral de Artilharia e colocado no 2.º Grupo de Canhões de 7.62, Pedro Rocha participou em combates no sector Tremp/Blaguer; Lérida; frente do Levante (Sagunto), entre outros.

Foi quando estava em Lorca que, em Outubro de 1937, aderiu ao Partido Comunista de Espanha, talvez por intermédio de Mário Batista Reis, delegado português no Partido Socialista Unificado da Catalunha, integrando a célula da Escola Popular de Guerra N.º 2. 

[Diário de Lisboa || 9 de Setembro de 1983]

Em finais de Outubro de 1938, terá passado a capitão, como consta do Certificado passado em nome de Juan Negrín López, Presidente do Governo de Espanha e Ministro de Defesa Nacional. 

[Diário de Lisboa || 9 de Setembro de 1983]

Em Fevereiro de 1939, juntamente com Jaime Cortesão, Jaime de Morais, Mário Fernandes e outros portugueses, saiu de Espanha e começou, durante cerca de dois anos e meio, a prolongada passagem pelos campos de internamento franceses: Argelès-sur-Mer, Gurs, novamente Argelès e, por fim, Vernet d'Arriège, vigiado por milícias de Vichy. 

Forçado pelas condições desumanas e políticas deste último campo, inscreveu-se para trabalhar, como voluntário, na Alemanha nazi, onde trabalhou como carregador na IGFarben, em Bitterfeld e, depois, em Berlim, no escritório da editora da revista “O Espelho de Berlim”, de propaganda nazi. Também terá trabalhado como locutor de rádio, ganhando razoavelmente.

[Pedro Batista da Rocha || 06/12/1943 || ANTT || RGP/288 || PT-TT-PIDE-E-010-2-288]

Invocando a necessidade de visitar os pais, regressou a Portugal no Verão de 1942, entrou em contacto com os antigos camaradas de Partido, agora sujeito a nova reorganização, e viveu numa semiclandestinidade até ser preso, «para averiguações», em 4 de Dezembro de 1943. Enviado para o Aljube, foi libertado em 19 de Janeiro de 1944.

[Pedro Batista da Rocha || 06/12/1943 || ANTT || RGP/288 || PT-TT-PIDE-E-010-2-288]

Nesse mesmo ano, em Maio, partiu para Angola, onde se manteve por mais de dois anos e continuou a ser vigiado e perseguido pela PIDE.

Seguiu, então, para Brazaville e aí permaneceu, durante 14 anos, como locutor da RTF. Em fins de 1959, fixou-se no Brasil, trabalhando no Estado de São Paulo.

Logo que eclodiu a Revolução de 25 de Abril, Pedro Rocha ofereceu, por carta, os seus préstimos profissionais ao Movimento das Forças Armadas, não tendo obtido qualquer resposta. Em 1976, ao fim de 28 anos de exílio e de 43 de militância antifascista, regressou a Portugal.

João Varela Gomes, em artigo publicado no Diário de Lisboa de 9 e 10 de Setembro de 1983, dá amplo destaque ao percurso político de Pedro Rocha, inserindo documentação sua enquanto participante na Guerra Civil de Espanha. Voltou a dedicar um capítulo a Pedro Rocha no livro Guerra de Espanha. Achegas ao redor da participação portuguesa - 70 anos depois [Fim de Século, 2006].

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 4602 [Pedro Baptista da Rocha / PT-TT-PIDE-E-001-CX14_m0725, m0725a, m0725b, m0725c, m0725d].

ANTT, Registo Geral de Presos 288 [Pedro Batista da Rocha / PT-TT-PIDE-E-010-2-288].

Varela Gomes, Diário de Lisboa, 9 e 10 de Setembro de 1983.

Varela Gomes, Guerra de Espanha. Achegas ao redor da participação portuguesa - 70 anos depois, Fim de Século, 2006.

[João Esteves]

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

[2289.] ARTUR RODRIGUES PAQUETE [I] || BRIGADAS INTERNACIONAIS/GCE - TARRAFAL

* ARTUR RODRIGUES PAQUETE *
[28/05/1906 - ?]

Artur Rodrigues Paquete militou no Partido Comunista Francês, país de onde partiu para Espanha para integrar, como voluntário, as Brigadas Internacionais. Esteve internado, entre 1939 e 1941, em campos criados em França para os refugiados da Guerra Civil e, de regresso a Portugal, foi preso, conheceu as prisões do Aljube, de Peniche e de Caxias, até ser enviado para o Tarrafal, onde permaneceu entre 1942 e 1945.

[Artur Rodrigues Paquete || 07/05/1941 || ANTT || RGP/13268 || PT-TT-PIDE-E-010-67-13268]

Filho de Ercília da Rosa e de António Rodrigues Paquete, Artur Rodrigues Paquete nasceu em Almancil, em 28 de Maio de 1906.

Em 1927, cumpriu como soldado, durante seis meses, o serviço militar em Lagos, no Batalhão de Infantaria 33, e Faro, em Caçadores 4, tendo emigrado para Espanha nesse mesmo ano. Aí permaneceu até 1930, ano em que seguiu para França, onde viveu até 1938.

Em Puy-de-Dôme, na região de Clermont-Ferrand, aderiu à CGT e filiou-se no Partido Comunista Francês em 1935, tendo frequentado um curso político de três meses e escrito, segundo o próprio, alguns artigos no periódico Montanha. Por fim, trabalhou como mineiro em Saint-Etienne e residia, com a mulher e filhos em Villars. Mantinha, ainda, contactos com a Federação dos Emigrados Portugueses, sediada em Paris, através de António Ferreira.

Por intermédio do Partido Comunista Francês, chegou a Espanha em 31 de Maio de 1938 «para lutar contra o fascismo», integrando a 14.ª Brigada, 2.º Batalhão, 1.ª Companhia. 

Terá participado, como soldado, na Batalhas do Ebro, permanecendo cerca de três meses na frente: 2 meses em Tortosa e 18 dias na Serra de Pàndols. A sua conduta foi considerada boa e pediu a admissão ao Partido Comunista Espanhol

Aquando do repatriamento para França, o Comité dirigente do Partido da XII Brigada Internacional, onde predominavam os italianos, assinalou-o como «disciplinado, sério, corajoso» e «simpatizante comunista, muito activo, inteligente», com «nível político elevado».   

Desempenhou as funções de comissário do "Centro de Desmobilização dos Camaradas Portugueses" em Torelló, na Província de Barcelona. Em Dezembro de 1938, recebeu ordens para se deslocar com os portugueses das Brigadas Internacionais que com ele estavam para Puig-Alt de Ter, onde se havia estabelecido um campo para aqueles e cujo comandante era o Major Inácio Augusto Anta [05/04/1906 - 1945]. Este, viria a ser morto numa câmara de gás, no Campo de Concentração de Sachsenhausen, no norte da Alemanha, em Fevereiro de 1945.

No campo de desmobilização de tropas estrangeiras N.º 3, em Puig-Alt de Ter, foi nomeado, por unanimidade, por soldados e oficiais, comissário político, tendo como uma das preocupações a formação cultural dos soldados ali reunidos. Terá, então, entrado em conflito com Inácio Augusto Anta por este pretender, de forma aventureira, formar uma unidade militar de voluntários para fazer a revolução em Portugal.

Atravessou os Pirenéus em direcção a França no início de 1939, juntamente com centenas de portugueses, ficando no campo de internamento de Argelès-sur-Mer, onde manteve algum papel de destaque. 

Por já ter vivido em França, foi-lhe permitido abandonar aquele mas, em Janeiro de 1940, voltou a ser internado, desta vez no Campo Vernet d'Ariège onde, com o início da Segunda Guerra, foram mantidos os estrangeiros considerados perigosos à ordem pública francesa, antifascistas e brigadistas.

[Artur Rodrigues Paquete || 07/05/1941 || ANTT || RGP/13268 || PT-TT-PIDE-E-010-67-13268]

Provavelmente por ter sido repatriado, Artur Rodrigues Paquete foi preso em 6 de Maio de 1941 e transferido para o Aljube em 3 de Junho [Processo 885/941]. Em 8 de Julho passou para Caxias e, no mês seguinte, 6 de Agosto, foi enviado para Peniche, onde permaneceu dez meses.

Regressou a Caxias em 19 de Junho de 1942 para embarcar, no dia seguinte, para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde ficou três anos e quatro meses.

Abrangido pela amnistia de 18 de Outubro de 1945, regressou a Lisboa no paquete "Guiné", tendo desembarcado em 1 de Fevereiro de 1946. 

Libertado, declarou que iria viver para Almancil. 

Desconhece-se o seu percurso posterior, não sendo de excluir o regresso a França, onde tinha família.

Fonte:
ANTT, Registo Geral de Presos 13268 [Artur Rodrigues Paquete / PT-TT-PIDE-E-010-67-13268].

[João Esteves]

[2288.] MANUEL SÁ MARQUES || 1923 - 2020

* MANUEL MACHADO SÁ MARQUES *
[1923 - 04/02/2020]

[Manuel Sá Marques]

Partiu o Médico, o Cidadão e o Resistente Antifascista Dr. Manuel Sá-Marques. Fundador da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Pioneiro na defesa das carreiras médicas e defensor do Serviço Nacional de Saúde. Infatigável guardador da Memória e de memórias, que gostava de partilhar com alegria contagiante. Um Médico que se foi transformando em Historiador e Investigador. Rigoroso e metódico. Um Ser extraordinário que cultivava a simplicidade e que fará sempre muita falta a quem o conheceu e conviveu. Um Homem "estupendo". Um Amigo!

[João Esteves]

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

[2287.] FERNANDO ROQUE VENTURA [I] || GUERRA CIVIL DE ESPANHA

* FERNANDO ROQUE VENTURA *
[18/07/1912 - ?]

Fernando Roque Ventura lutou na Guerra Civil de Espanha, tendo sido ferido por duas vezes. Preso, para averiguações, em Maio de 1939, quando terá regressado a Portugal, foi libertado cerca de um mês depois.

[Fernando Roque Ventura || 11/05/1939 || ANTT || RGP/11292 || PT-TT-PIDE-E-010-57-11292]

Filho de Maria Roque Ventura e de Jacinto Evaristo Ventura, Fernando Roque Ventura nasceu em Faro em 18 de Julho de 1912.

Electricista, emigrou para Espanha à procura de trabalho, chegando a Madrid em 2 de Julho de 1936, 16 dias antes da revolta nacionalista liderada por Franco.

Segundo declarações do próprio quando tentava passar a fronteira para França, tomou parte no assalto ao Quartel de La Montaña, em Madrid; ingressou no Batalhão Pasionaria no Quartel dos Salesianos, em Valência; esteve na Sierra, onde foi ferido; passou pelo 5.º Regimento; combateu no 4.º Batalhão da 42.ª Brigada Mista, onde conheceu Francisco de Oliveira Pio, voltando a ser ferido em Carabanchel; e, por fim, integrou a XIII Brigada Internacional.

Sargento, duas vezes ferido e sem pertencer a nenhuma organização ou partido político, terá desertado da última Brigada e preso na fronteira com a França, alegando estar cansado de estar naquela. Em 17 de Setembro de 1937, marchou, então, para a frente como soldado.

[Fernando Roque Ventura || 11/05/1939 || ANTT || RGP/11292 || PT-TT-PIDE-E-010-57-11292]

Preso pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado em 10 de Maio de 1939, «para averiguações», foi levado, «incomunicável», para o Aljube e libertado em 13 de Junho.

Fonte:
ANTT, Registo Geral de Presos 11292 [Fernando Roque Ventura / PT-TT-PIDE-E-010-57-11292].

[João Esteves]

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

[2286.] REVOLTA DE FEVEREIRO DE 1927 || LISBOA

* REVOLTA DE FEVEREIRO DE 1927 CONTRA A DITADURA MILITAR || LISBOA *

Fotografia publicada no periódico Ilustração || 16 de Fevereiro de 1927

[Lisboa || Fevereiro de 1927 || Praças da marinha a caminho das posições que ocuparam durante a revolta]

[2285.] AGATÃO LANÇA [I] || REVOLTA DE FEVEREIRO DE 1927 - LISBOA

* ARMANDO PEREIRA DE CASTRO AGATÃO LANÇA *
[19/08/1894 - 23/05/1965]

A Revolta de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura Militar teve início no Porto e só muito tardiamente foi secundada por Lisboa, quando aquele movimento já estava perdido. 

O 1.º Tenente Agatão Lança foi um dos militares que se evidenciou na capital, comandando os marinheiros revoltosos.

Fotografia publicada no periódico Ilustração || 16 de Fevereiro de 1927


[Lisboa || Fevereiro de 1927 || Agatão Lança comandando os marinheiros revoltosos]