[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

quinta-feira, 31 de maio de 2018

[1824.] FERNANDO ALVES PEREIRA [I]

* FERNANDO ALVES PEREIRA || PRESO EM 1928 E 1932 *

[Fernando Alves Pereira || 08/08/1932 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Fernando Alves Pereira é um dos muitos nomes que teve alguma participação em episódios pontuais contra Ditadura Militar saída do 28 de Maio de 1926 e que caiu no esquecimento. 

Duas vezes preso - em 1928 e 1932 - e rapidamente libertado, é possível conhecer-lhe o rosto, acompanhado do registo biográfico possível.

[Fernando Alves Pereira || 08/08/1932 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Berta de Jesus Pereira e de Henrique Alves Afonso, Fernando Alves Pereira terá nascido em 1905, em Lisboa.

Caldeireiro, com residência na Travessa do Pátio das Vacas - 34, foi preso em 22 de Julho de 1928, por suspeita de ter participado no movimento revolucionário de 20 de Julho (Revolta do Castelo), e libertado em 24 de Agosto [Processo 3881].

[Fernando Alves Pereira || 08/08/1932 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Fernando Alves Pereira foi novamente preso quatro anos depois, em 21 de Julho de 1932, "por estar envolvido numas experiências para o fabrico de bombas", tendo trazido da Central Eléctrica, à Junqueira, "o tubo de ferro que se destinava à experiência que, com ele, faria o arguido Manuel de Almeida, para o fabrico de uma bomba explosiva" [ANTT, Cadastro Político 1261; Processo 523].

Libertado em 8 de Agosto do mesmo ano, depois de devidamente fotografado de frente e de perfil, nada mais se sabe do percurso deste Preso Político da Ditadura Militar.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 1261 [Fernando Alves Pereira / PT-TT-PIDE-E-001-CX09_m0132].
ANTT, Fotografia 1912 [Fernando Alves Pereira / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0024].

[João Esteves]

quarta-feira, 30 de maio de 2018

[1823.] RAFAEL TOBIAS PINTO DA SILVA [I]

* RAFAEL TOBIAS PINTO DA SILVA (1910 - 1937) || A MORTE AOS 26 ANOS NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL *

Pouco se conhece de Rafael Tobias Pinto da Silva para além de ser um dos 32 jovens presos políticos que morreu no Campo de Concentração do Tarrafal.

No entanto, quando estudante, integrou os Grupos de Defesa Académica, tendo, nesse âmbito, sido preso, pela primeira vez, em 1934 e enviado para Peniche. No ano seguinte, referenciado como relojoeiro, foi novamente detido, enviado para Peniche, passou pelo Aljube e, embora absolvido pelo Tribunal Militar Especial de 3 de Abril de 1936, integrou a primeira leva de presos enviada para o Tarrafal, onde faleceu ao fim de um ano.

[Rafael Tobias || 1934 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Elisa da Silva e de Júlio Cândido da Silva, Rafael Tobias Pinto da Silva terá nascido em 14 de Dezembro de 1910, em Lisboa.

Membro dos Grupos de Defesa Académica desde 1932, com ligações ao Partido Comunista, foi preso em 9 de Março de 1934, por integrar um grupo de manifestantes que percorria "a Rua da Escola Politécnica dando gritos subversivos", empunhava "cartazes com palavras ofensivas para a actual Situação Política do País" e distribuía "manifestos clandestinos" [ANTT, Cadastro Político, 5531].

[Rafael Tobias || 1934 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Aquando da sua captura, foi-lhe apreendida uma pistola com o respectivo carregador e seis cartuchos, para além de selos destinados a financiar os Grupos de Defesa Académica.

[Rafael Tobias || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Fazia, então, parte do Secretariado daqueles Grupos, assegurava a sua ligação com o Comité Local de Lisboa do Partido Comunista, tinha organizado o Comité de Zona N.º 2 e, com Helder David Dias de Meneses, era responsável pela impressão de manifestos clandestinos [Processo 1073/SPS].

Transferido, em 19 de Maio de 1934, para a Fortaleza Militar de Peniche, Rafael Tobias foi libertado em 23 de Agosto.

[Rafael Tobias || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Novamente preso no ano seguinte, em 7 de Novembro, deu entrada numa esquadra e enviado, em 27 de Dezembro de 1935, para Peniche.

Transferido para o Aljube em 24 de Março de 1936, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 3 de Abril e, apesar de absolvido [Processo 55/36], continuou preso à ordem da Polícia de Defesa e Vigilância dos Estado.

[Rafael Tobias || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Rafael Tobias Pinto da Silva requereu, em 4 de Junho de 1936, para ser amnistiado tendo, no entanto, sido enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde chegou em 29 de Outubro.

Menos de um ano depois, em 22 de Setembro de 1937, faleceu, integrando o grupo de seis presos políticos que perdeu a vida entre 20 e 24 do mesmo mês.

O seu envio para o Tarrafal não foi um acaso, mas antes uma decisão pensada, já que dos arquivos da Polícia Política constam, num curto espaço de tempo, três registos fotográficos diferentes.

[Rafael Tobias Pinto da Silva || RGP/2045 || PT-TT-PIDE-E-010-11-2045_m0107]

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5531 [Rafael Tobias Pinto da Silva / PT-TT-PIDE-E-001-CX15_m0062, m0063].
ANTT, Registo Geral de Presos/2045 [Rafael Tobias Pinto da Silva - Livro 14/2045].
ANTT, Fotografia 2037 [Rafael Pinto da Silva ou Rafael Tobias Pinto da Silva / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0032].
ANTT, Fotografia 2059 [Rafael Tobias Pinto da Silva / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0033].
ANTT, Fotografia 2997 [Rafael Tobias Pinto da Silva / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0042].

[João Esteves]
[Revisto em 18/12/2018]

segunda-feira, 28 de maio de 2018

[1822.] CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO

* CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO NA ASSEMBLEIA DE VOTO DE S. JORGE DE ARROIOS || 28 DE MAIO DE 1911 *

[O Tempo || 29/05/1911]

[1821.] CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO

* O VOTO DE CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO EM 28 DE MAIO DE 1911 *

[A Vanguarda || 31 de Maio de 1911]

[1820.] CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO

* CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO || O VOTO HÁ 107 ANOS *

FOTOGRAFIA DE "O SÉCULO" DE 29/05/1911 || CBA É A TERCEIRA A CONTAR DA ESQUERDA, LOGO A SEGUIR A ANA DE CASTRO OSÓRIO 

[O Século || 29 de Maio de 1911]

domingo, 27 de maio de 2018

[1819.] HOMERO VIRGÍLIO DE AZEVEDO FREITAS SAMPAIO [I]

* HOMERO VIRGÍLIO DE AZEVEDO FREITAS SAMPAIO || ALIANÇA LIBERTÁRIA DE LISBOA || DETIDO EM 1932 E 1933 E LIBERTADO *

[Homero Sampaio || ANTT || Fotografia 1973 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria Benedita Marcolino de Azevedo Sampaio e de Álvaro Máximo de sousa Freitas Sampaio, Homero Virgílio de Azevedo Freitas Sampaio nasceu em 1908, na Batalha.

Empregado do comércio em Lisboa, residia na Rua de Santa Marinha, nº 48, 3.º.

Filiado na Aliança Libertária de Lisboa, foi preso em 24 de Agosto de 1932, quando se dirigia à sua Sede, na Travessa da Água da Flor, 16-1.º, para se encontrar com Manuel Joaquim de Sousa (1883 - 1944), sendo libertado em 7 de Setembro [Processo 507/SPS]. 

[Homero Sampaio || ANTT || Fotografia 1973 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Segundo o Cadastro Político de Homero Sampaio, naquele local funcionavam, também, os Sindicatos do Mobiliário, dos Manufactores do Calçado e dos operários do Município, para além da ilegalizada Confederação Geral do Trabalho [ANTT, Cadastro Político 2111].

Voltou a ser preso no ano seguinte, em 9 de Novembro de 1933, juntamente com José Francisco Moedas, "sob a acusação de manter ligações com indivíduos detentores de material explosivo, acusação essa que se não provou", e libertado dias depois, em 12 do mesmo mês [Cadastro 2111; Processo 840].

Em 10 de Março de 1934, aquando do julgamento no Tribunal Militar Espacial do Processo 507/SPS, Homero Sampaio foi considerado abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932.

[Homero Sampaio || ANTT || Fotografia 1973 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido destas imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 2111 [Homero Virgílio de Azevedo Freitas Samapio / PT-TT-PIDE-E-001-CX10_m0143, m0143a].
ANTT, Fotografia 1973 / -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903].

[João Esteves]

quinta-feira, 24 de maio de 2018

[1816.] MÁRIO JOSÉ DE BARROS [I]

* MÁRIO JOSÉ DE BARROS || A CONVIVÊNCIA COM MILITÃO RIBEIRO EM MURÇA || PRESO NO ALJUBE DO PORTO E DE LISBOA E EM PENICHE *

Quando alfaiate em Murça, de onde era natural, Mário José de Barros conviveu na década de 30 com Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896 - 02/01/1950], nascido na mesma terra e que, quando expulso do Brasil e enviado sob prisão para Portugal, aí se refugiu, desenvolvendo actividade política no âmbito do Partido Comunista. 

Influenciado pelas ideias de Militão Ribeiro, Mário José de Barros foi preso em 1935 por propaganda contra a Ditadura Fascista e reencontrou-o no Aljube e em Peniche.

Desse duplo convívio com Militão Ribeiro, Mário José de Barros terá recebido vários livros que fez circular clandestinamente naquela localidade durante as décadas de 30 e de 40, sendo provavelmente através deste que o historiador António Borges Coelho, expulso do Seminário em Maio de 1945 e de regresso a Murça, de onde também era natural, terá tomado contacto com Carlos Marx, de Max Beer, Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed, ou O Estado e a Revolução, de Lenine. 

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria da Conceição e de Domingos Barros, Mário José de Barros nasceu em 24 de Março de 1910, em Murça, distrito de Vila Real.

Identificado como alfaiate, foi preso por, no dia 31 de Janeiro de 1935, "ter escrito nas paredes dos prédios da vila de Murça dísticos de carácter subversivo, e de ter arrancado, sujando-os com excrementos, os cartazes de propaganda para a reeleição de Sua Ex.ª o Senhor Presidente da República" [ANTT, Cadastro Político 5978; Processo 1401].

Entregue à Delegação do Porto da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado em 23 de Abril de 1935. Envido para o Aljube local, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial daquela cidade em 25 de Abril e condenado a dezoito meses de prisão e perda dos direitos políticos por cinco anos [Processo 49/935 do TME].

Transferido, em 9 de Maio, do  Porto para a Fortaleza Militar de Peniche, tendo, em 8 de Julho sido enviado para Lisboa e hospitalizado, no dia seguinte, no Hospital de São José.

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Recebeu alta hospitalar em 7 de Agosto, seguiu para os calabouços da 1.º Esquadra e, em 31 do mesmo mês, foi novamente internado no Hospital de São José, onde permaneceu sob prisão até 2 de Outubro de 1935 [ANTT, Cadastro Político]. 

Segundo a Biografia Prisional que consta do Registo Geral de Presos, voltou à 1.ª Esquadra em 6 de Novembro e entrou no Aljube em 19 de Dezembro.

[Mário José de Barros || RGP/909 || PT-TT-PIDE-E-010-5-909_m0227

Novamente enviado para Peniche em 8 de Fevereiro de 1936, de onde só foi libertado em 17 de Janeiro de 1937, totalizando cerca de dois anos de cativeiro em prisões do fascismo.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido destas imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5978 [Mário José de Barros / PT-TT-PIDE-E-001-CX14_m0368, m0368a].
ANTT, RGP/909 [Mário José de Barros / PT-TT-PIDE-E-10-5-909_c0239].
ANTT, Fotografia 3001 [Mário José de Barros / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0042].

[João Esteves]
[Revisto em 18/12/2018]

quarta-feira, 23 de maio de 2018

terça-feira, 22 de maio de 2018

[1814.] JÚLIO POMAR [I]

* NA MORTE DE JÚLIO POMAR (10/01/1926 - 22/05/2018) || UM LIVRO DE IRENE PIMENTEL *

Júlio Pomar - O pintor no tempo





[Cadernos do Atelier - Museu Júlio Pomar || 2017]

domingo, 20 de maio de 2018

[1813.] MARIA JOSÉ MARINHO [III]

* MARIA JOSÉ MARINHO || DÉCADA DE 1950 || MUD JUVENIL *

FOTOGRAFIA: GUALTER SOARES, SACUNTALA DE MIRANDA E MARIA JOSÉ MARINHO


[in Sacuntala de Miranda || Memórias de um peão nos combates pela liberdade || Edições Salamandra || 2003]

quinta-feira, 17 de maio de 2018

[1812.] MARIA JOSÉ MARINHO [II]

* MARIA JOSÉ MARINHO || HOMENAGEM NA BIBLIOTECA NACIONAL *

 22 DE MAIO || 18.00 HORAS

Fotografia de há 35 anos de um grupo excepcional com quem muito aprendi e que nunca esquecerei! O SABER ao serviço dos outros!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

[1811.] MARGARIDA TENGARRINHA [V]

* MARGARIDA TENGARRINHA || MEMÓRIAS DE UMA FALSIFICADORA: A LUTA NA CLANDESTINIDADE PELA LIBERDADE EM PORTUGAL *

MUSEU DO ALJUBE || 15 DE MAIO

[Museu do Aljube || 15/05/2018]

sábado, 12 de maio de 2018

[1810.] MARGARIDA TENGARRINHA [IV]

* MARGARIDA TENGARRINHA || MEMÓRIAS DE UMA FALSIFICADORA: A LUTA NA CLANDESTINIDADE PELA LIBERDADE EM PORTUGAL *

MUSEU DO ALJUBE || 15 DE MAIO || 18.30 ||

|| HELENA PATO || JOÃO ESTEVES || MARGARIDA TENGARRINHA ||

Luís Farinha: «No momento em que decorre no espaço de exposições temporárias do Museu do Aljube a exposição José Dias Coelho Artista Militante Revolucionário, fazemos o convite para a apresentação do livro de Margarida Tengarrinha «Memórias de uma falsificadora: A luta na clandestinidade pela Liberdade em Portugal».

sexta-feira, 11 de maio de 2018

[1809.] CARLOS LUZ PAULA [I]

* CARLOS LUZ PAULA || DEPORTADO PARA ANGOLA (1928 - ?) || MARIDO DE LUÍSA PAULA || PAI DE AIDA PAULA *

Carlos Luz Paula é um dos muitos opositores à Ditadura Militar pouco conhecido, apesar de ter sido deportado, em 1928, para Angola e ser esposo e pai de duas resistentes comunistas várias vezes presas, formando um dos pares com maior experiência de clandestinidade: Luísa da Conceição (25/12/1897 ou 1898 - 1966) e Aida da Conceição Paula (09/12/1918 - 25/10/1993).

           [Luísa da Conceição]                    [Aida da Conceição Paula]

Filho de Leonor da Conceição e de António Luz Paula, Carlos Luz Paula nasceu em Lisboa, provavelmente em 1899.

Pintor da construção civil, terá casado aos 18 anos com Luísa da Conceição, tecedeira da indústria têxtil e ambos trilharam o mesmo caminho em defesa dos trabalhadores, participando em lutas comuns. 

Em 1918, nasceu na Rua de Campo de Ourique, 75, onde o casal residia, a filha Aida da Conceição Paula. 

Com o advento da Ditadura Militar, Carlos Luz Paula sofreu várias perseguições, passou pelos calabouços do Governo Civil de Lisboa e, em 14 de Abril de 1928, foi preso acusado de "ser fabricante de explosivos" [ANTT, Cadastro Político 1890].

Deportado para Angola em 7 de Junho, evadiu-se em 9 de Junho, quando o vapor "Moçambique" aportou no Funchal, e foi recapturado em finais de Julho de 1928.

Cerca de dezoito meses  depois, Luísa da Conceição e Aida Paula partiram para Angola tendo, posteriormente, Carlos Luz Paulo regressado à metrópole por pressão dos médicos já "que o clima lhe fora adverso e ele estava em perigo de vida" [depoimento de Aida Paula em Mulheres Portuguesas na Resistência, 1975].

De regresso a Campo de Ourique, aproximou-se do Partido Comunista e começou a levar o Avante! para casa, lendo-o em voz alta à esposa, que não sabia ler.

Em 24 de Julho de 1934, na sequência da prisão do ourives Armando Alves de Castro, que já estivera deportado em Timor e era procurado por se ter evadido, em 6 de Junho, do Hospital de S. José, foi novamente detido e libertado em 8 de Agosto.

Em 26 de Junho de 1936 andava fugido à polícia, "acusado de suspeita de ter feito alguns dizeres e desenhos de carácter comunista nas guaritas das novas instalações da Esquadra dos Caminhos de Ferro" [ANTT, Cadastro 1890].

Durante a Guerra Civil de Espanha, o casal Carlos e Luísa acolheu quatro refugiados espanhóis, enquanto a mulher continuava a trabalhar numa fábrica.

Carlos Luz Paulo deve ter falecido pouco tempo depois, já que quando a mulher foi presa pela primeira vez numa tipografia clandestina do Partido Comunista, em Maio de 1939, foi registada como viúva.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 1890 [Carlos Luz Paulo / PT-TT-PIDE-E-001-CX08_m0191].

Aida Paulo, “E assim passavam os meses que se podiam somar por anos”, depoimento a Gina de Freitas, A Força Ignorada das Companheiras, Lisboa, Plátano Editora, 1975, pp. 57-67.

Maria Manuela Cruzeiro, Maria Eugénia Varela Gomes – Contra ventos e marés, Porto, Campo das Letras, 2003.

Rose Nery Nobre de Melo, Mulheres Portuguesas na Resistência, Lisboa, Seara Nova, 1975, pp. 41-45.


[João Esteves]

quinta-feira, 10 de maio de 2018

[1808.] EURICO PINTO MATEUS [I]

* EURICO PINTO MATEUS || ANARCO-SINDICALISTA || PARTICIPAÇÃO NO 18 DE JANEIRO DE 1934 || EXILADO EM ESPANHA || DEPORTADO PARA O TARRAFAL (1937-1945) *

Estucador, Eurico Pinto Mateus desenvolveu, no início da década de 1930, intensa actividade sindical no âmbito do Sindicato da Construção Civil, chegando a integrar a Comissão Inter-sindical (CIS), militou no Partido Comunista e, por volta de 1932, já era um defensor das ideias anarquistas, aproximando-se do anarco-sindicalismo.

Preso uma primeira vez em 1932, foi absolvido. Por ter participado nos preparativos da Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934, refugiou-se em Espanha, onde integrou a Federação dos Anarquistas Portugueses Exilados (FAPE). Expulso daquele país, foi preso em 1937 e enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde permaneceu cerca de sete anos.

[Eurico Pinto Mateus || 1932 ? || ANTT || PVDE, Polícias Anteriores 3 NT 8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Carolina Maria Pereira e de Simão Mateus, Eurico Pinto Mateus nasceu em Lisboa, em 24 de Novembro de 1908.

No início dos anos 30, quando militava no Partido Comunista, fez parte da Comissão Inter-Sindical (CIS), trabalhando politica e partidariamente com Francisco Roque Júnior, detido no Aljube, Grácio Ribeiro, estudante deportado para Timor, e Manuel Moor [RGP/8793], fugido à polícia e só preso em 1937.

Entretanto, abraçou o anarco-sindicalismo, por estar "mais de acordo com os princípios estabelecidos pelo proletariado, pois é contra a força armada, contra o Estado Organizado e contra as classes privilegiadas", proferindo "conferências e preleções aos operários da Construção Civil, nas quais lhe explica as razões do aparecimento do anarco-sindicalismo e seus fins, bem como aconselha a massa operária a desprezar as ideias expostas pelos partidos que se servem dela, para os seus fins, com falsas promessas". Era ainda "contra todas as ditaduras, inclusive a proletária, à maneira russa" [ANTT, Cadastro Político 4559].

No âmbito da intervenção junto da classe dos estucadores, Eurico Pinto Mateus era seu delegado ao Conselho Administrativo do Sindicato da Construção Civil [Processo 587/SPS].

Preso, pela primeira vez, em 21 de Outubro de 1932, "por ter entregue manifestos anarquistas a Alfredo Crispim Duarte", tendo-os recebido de Francisco Cardoso Pires [RGP/7499], libertado do Aljube havia pouco tempo [ANTT, Cadastro Político].

Considerado pela Polícia de Defesa Política e Social como tendo "uma relativa cultura e facilidade em falar e escrever", desenvolvendo, "apesar de bastante novo", "uma enorme actividade de ideias social-revolucionárias", Eurico Pinto Mateus foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 17 de Junho de 1933 e absolvido, pelo que foi libertado.

No ano seguinte, pertenceu ao Comité de Acção do 18 de Janeiro, não tendo concretizado a distribuição das armas prevista aquando do desencadear da Greve Geral. Cooperou, entre outros, com Armando dos Santos Calet [RGP/302], Bartolomeu José da Costa, Custódio da Costa [RGP/54], João Sarmento Dias [RGP/334], João Serra,  José Severino de Melo Bandeira [RGP/331], Manuel Henriques Rijo [RGP/349], Silvino Augusto Ferreira [RGP/12592] [Processos 1011, 1227 e 1237/SPS].

Após essa data, exilou-se em Espanha onde integrou o Secretariado da Federação dos Anarquistas Portugueses Exilados, após uma reunião promovida por Marques da Costa e onde estiveram presentes Alberto Dias, de Lisboa, Custódio Bresce de Lima, do Porto, e José Rodrigues Reboredo, de Viana do Castelo [RGP/12947] [ANTT, Cadastro 4559; Cristina Clímaco, "Os anarquistas no exílio (1930-1936)"].


[CLNSRF || Presos Políticos No Regime Fascista II (1936-1939) || 1982]

Expulso de Espanha, Eurico Pinto Mateus foi novamente preso em 4 de Março de 1937 e levado para o Aljube, onde recolheu à enfermaria. 

Passou, de seguida, por uma esquadra, regressou ao Aljube e seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal em 6 de Novembro, integrando a 3.ª leva de presos políticos. Aí permanece até 20 de Fevereiro de 1945.

Regressado a Portugal, Eurico Pinto Mateus voltou a residir na Rua da Saudade, 3, Cave - Lisboa.

[Eurico Pinto Mateus || 1932 ? || ANTT || PVDE, Polícias Anteriores 3 NT 8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido desta imagem sem a devida autorização dos serviços do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 4559 [Eurico Pinto Mateus / PT-TT-PIDE-E-001-CX09_m0044, m0044a, m0044b, m0044c].
ANTT, Fotografia 2011 [Eurico Pinto Mateus / C-4559 / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0030].
ANTT, Fotografia 2049 [Eurico Pinto Mateus / C-4559 / [ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0033].
ANTT, Registo Geral de presos/6244.

[João Esteves]

terça-feira, 8 de maio de 2018

[1807.] JOAQUIM LOPES MARTINS [I]

* JOAQUIM LOPES MARTINS || MORTO AOS 21/22 ANOS EM CONSEQUÊNCIA DE ESPANCAMENTOS NA PRISÃO *

Joaquim Lopes Martins foi um dos muitos jovens vítima das torturas sofridas quando preso pela Polícia de Defesa Política e Social, tendo falecido no Hospital Curry Cabral em 2 de Julho de 1933.

Se pouco se sabe do seu percurso político para além de ser militante da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas ["Reorganização da FJCP – 1934-1935", Avante!, 08/05/2003] e, eventualmente, com ligações à Célula N.º 18 do Comité de Zona Nº 1 do Partido Comunista [ANTT, Cadastro Político 4119], importa preservar a sua memória fixando-lhe o rosto ainda tão juvenil, tanto mais que é um nome que não consta de "Os que ficaram pelo caminho".   

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria de Jesus e de Joaquim Martins Gomes, Joaquim Lopes Martins nasceu em Arganil, em 1911.

Padeiro, a viver na Praça Luís de Camões nº 46, 5.º Esquerdo (Lisboa), foi preso em 27 de Junho de 1932, acusado de ser "simpatizante da Célula Nº 18 do Comité de Zona Nº 1 do Partido Comunista Português" e ser "detentor de uma mala com material destinado ao fabrico de bombas", dada a guardar por João Marques Lustosa.

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Joaquim Lopes Martins foi acusado de integrar o Grupo Defesa Sindical da Associação de Classe dos Manipuladores de Pão, que negou e, "nos interrogatórios, tentou o mais possível encobrir a sua qualidade de membro de uma Célula Comunista, acabando, por fim, por confessar" [ANTT, Cadastro 4119; Processo 460].

Em 11 de Agosto de 1932, por parecer do Director Geral da Segurança Pública e anuência do Ministro do Interior, foi-lhe "fixada residência obrigatória em Timor ou Cabo Verde".

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Em consequência dos maus-tratos policiais e prisionais, entrou no Hospital Curry Cabral em 28 de Novembro de 1932, onde faleceu em 2 de Julho de 1933, "pelas 5 e 30 horas, no Serviço 1, Sala 1" [informação da Direcção dos Hospitais Civis].

Como o seu processo já se encontrava no Tribunal militar Especial de Lisboa desde 24 de Fevereiro, a Polícia de Defesa Política e Social informou-o do "falecimento do epigrafado" [Ofício 783, de 05707/933].  

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANT

NOTA: Atenção ao uso indevido destas imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 4119 [Joaquim Lopes Martins / PT-TT-PIDE-E-001-CX11_m0264, m0264a].
ANTT, Fotografia 1924 [Joaquim Lopes Martins / C-4119 / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0025].
"Reorganização da FJCP – 1934-1935", Avante!, 08/05/2003.

[João Esteves]

segunda-feira, 7 de maio de 2018

[1806.] HELENA PATO [II]

* HELENA PATO || A NOITE MAIS LONGA DE TODAS AS NOITES (1926-1974) *

23 DE MAIO || 18.30 || BIBLIOTECA ESPAÇO EUROPA

APRESENTAÇÃO: IRENE PIMENTEL || MÁRIO DE CARVALHO

PREFÁCIO: MARIA TERESA HORTA

POSFÁCIOS: LUÍS FARINHA || JORGE SAMPAIO

[Edições Colibri || Maio de 2018]

[1805.] GALAMARES [III]

* GALAMARES || 2018 *




[Galamares || Maio de 2018]