[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

terça-feira, 8 de maio de 2018

[1807.] JOAQUIM LOPES MARTINS [I]

* JOAQUIM LOPES MARTINS || MORTO AOS 21/22 ANOS EM CONSEQUÊNCIA DE ESPANCAMENTOS NA PRISÃO *

Joaquim Lopes Martins foi um dos muitos jovens vítima das torturas sofridas quando preso pela Polícia de Defesa Política e Social, tendo falecido no Hospital Curry Cabral em 2 de Julho de 1933.

Se pouco se sabe do seu percurso político para além de ser militante da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas ["Reorganização da FJCP – 1934-1935", Avante!, 08/05/2003] e, eventualmente, com ligações à Célula N.º 18 do Comité de Zona Nº 1 do Partido Comunista [ANTT, Cadastro Político 4119], importa preservar a sua memória fixando-lhe o rosto ainda tão juvenil, tanto mais que é um nome que não consta de "Os que ficaram pelo caminho".   

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria de Jesus e de Joaquim Martins Gomes, Joaquim Lopes Martins nasceu em Arganil, em 1911.

Padeiro, a viver na Praça Luís de Camões nº 46, 5.º Esquerdo (Lisboa), foi preso em 27 de Junho de 1932, acusado de ser "simpatizante da Célula Nº 18 do Comité de Zona Nº 1 do Partido Comunista Português" e ser "detentor de uma mala com material destinado ao fabrico de bombas", dada a guardar por João Marques Lustosa.

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Joaquim Lopes Martins foi acusado de integrar o Grupo Defesa Sindical da Associação de Classe dos Manipuladores de Pão, que negou e, "nos interrogatórios, tentou o mais possível encobrir a sua qualidade de membro de uma Célula Comunista, acabando, por fim, por confessar" [ANTT, Cadastro 4119; Processo 460].

Em 11 de Agosto de 1932, por parecer do Director Geral da Segurança Pública e anuência do Ministro do Interior, foi-lhe "fixada residência obrigatória em Timor ou Cabo Verde".

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Em consequência dos maus-tratos policiais e prisionais, entrou no Hospital Curry Cabral em 28 de Novembro de 1932, onde faleceu em 2 de Julho de 1933, "pelas 5 e 30 horas, no Serviço 1, Sala 1" [informação da Direcção dos Hospitais Civis].

Como o seu processo já se encontrava no Tribunal militar Especial de Lisboa desde 24 de Fevereiro, a Polícia de Defesa Política e Social informou-o do "falecimento do epigrafado" [Ofício 783, de 05707/933].  

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANT

NOTA: Atenção ao uso indevido destas imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 4119 [Joaquim Lopes Martins / PT-TT-PIDE-E-001-CX11_m0264, m0264a].
ANTT, Fotografia 1924 [Joaquim Lopes Martins / C-4119 / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0025].
"Reorganização da FJCP – 1934-1935", Avante!, 08/05/2003.

[João Esteves]

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