[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 17 de janeiro de 2021

[2467.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXXVI] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXXVI * 

00625. Francisco Filipe de Sousa [1927, 1931]

[Francisco Filipe de Sousa || Fotografia retirada do Blogue Esquina do Tempo]

[Francisco Filipe de Sousa.
12-07-1887. Major de Administração Militar. Participou ativamente na Revolta de Fevereiro de 1927, em Lisboa, sendo preso e deportado nesse mesmo mês, como muitos outros militares, para a Guiné - região de Bula. Enquanto permaneceu na Guiné, escreveu cartas a diversas individualidades da Ditadura Militar, incluindo o Presidente da República e, por terem sido consideradas insultuosas, foi condenado a 30 dias de prisão. Por opinião da Junta de Saúde daquele território, foi transferido para a Madeira, onde participou na Revolta de Abril de 1931. Preso, seguiu, em 09/06/1931, a bordo do vapor Pedro Gomes para Cabo Verde, onde lhe foi fixada residência e demitido do Exército. Foi explicitamente excluído da amnistia de 05/12/1932, permanecendo naquele território. Em finais de Julho de 1935, após o falecimento do general Sousa Dias, o Governador de Cabo Verde propôs, em telegrama ao Ministério do Interior, o seu repatriamento, juntamente com António Fernandes Varão (major), Fernando Augusto Freiria (coronel), Francisco Alexandre Lobo Pimentel (major), Inácio Severino de Melo Bandeira (major), João Manuel Carvalho (contra-almirante), José Mendes dos Reis (coronel) e Luís António da Silva Tavares de Carvalho (major), até porque três se encontravam doentes. O parecer da Polícia de Vigilância de Defesa do Estado foi desfavorável, considerando-os "altamente inconvenientes no Continente e Ilhas Adjacentes", posição secundada por Salazar, enquanto Presidente do Conselho, em documento datado de 13/09/1935. Só em finais de 1944, lhe seria levantada a deportação, mas Fernando Filipe de Sousa, que tinha constituído família em Cabo Verde, terá aí permanecido e falecido em 13/08/1961, como evidencia a campa erigida pelos filhos.]
[alterado em 10/05/2025] 

[Campa de Francisco Filipe de Sousa || Fotografias cedidas por José J. Cabral, a quem muito se agradece]

NOTA: Agradece-se a Conceição Filipe de Sousa a preciosa informação sobre a data de nascimento.

00626. Augusto Gomes [1927]

[Augusto Gomes.
Civil. Participou no movimento revolucionário de fevereiro de 1927, em Lisboa, sendo preso e deportado nesse mesmo mês para a Guiné - região de Bula.]
[alterado em 10/05/2025]

00627. Manuel Augusto Garcês/Garcez [1927]

[Manuel Augusto Garcês.
Civil. Residência: Beco dos Três Engenhos, 8, à Mouraria - Lisboa. Participou no movimento revolucionário de fevereiro de 1927, sendo preso e deportado nesse mesmo mês para a Guiné - região de Bula. Seguiu, depois, para Ponta Delgada, onde lhe foi fixada residência. De regresso, apresentou-se, em 10/01/1929, no Ministério do Interior, indo residir para o Beco dos 3 Engenhos - 8, à Mouraria.]
[alterado em 10/05/2025]

00628. Francisco da Silva Sereno [1927]

[Francisco da Silva Sereno.
Tenente-coronel. Participou na Revolta de Fevereiro de 1927, sendo preso e deportado nesse mesmo mês para a Guiné - Bissorã.]
[alterado em 10/05/2025]

00629. Faustino Otero Ferreira [1927]

[2.º tenente da Armada Faustino Otero Ferreira || AHM || PT/BCM-AH/FMA-AF/Álbuns de Fotografias de Oficiais/Livro 13/27]

[Faustino Otero Ferreira.
2.º tenente da Armada. Participou na Revolta de Fevereiro de 1927, sendo preso e deportado nesse mesmo mês para a Guiné - Bissorã.]
[alterado em 10/05/2025]

00630. António Augusto de Almeida [1927]

[António Augusto de Almeida.
Tenente do QA. Participou na Revolta de Fevereiro de 1927, sendo preso e deportado nesse mesmo mês para a Guiné - Bissorã.]
[alterado em 10/05/2025]

00631. Manuel Duarte de Almeida [1927, ?]

[Manuel Duarte de Almeida.
Capitão de Artilharia. Participou na Revolta de Fevereiro de 1927, sendo preso e deportado nesse mesmo mês para a Guiné - Bissorã. Regressado da deportação, apresentou-se, em 15/11/1929, no Ministério do Interior. Em Junho de 1934, estava com residência fixada na Figueira da Foz.]
[alterado em 10/05/2025]

[João Esteves]

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

[2441.] TARRAFAL DE S. NICOLAU - CABO VERDE [II] || 1931-1932 / 2020

 * TARRAFAL DE S. NICOLAU || CABO VERDE *

[1931-1932 || Campo de Concentração de Presos Políticos do Tarrafal de S. Nicolau || Documento disponibilizado por José J. Cabral]

Planta propositadamente invertida para melhor se perceber a localização das casernas utilizadas no Campo de Concentração
[Tarrafal de S. Nicolau || 1931-1932 || Planta do Campo de Concentração dos Presos Políticos do Tarrafal, São Nicolau || (s.d.), "Deportação - Planta do Tarrafal", Fundação Mário Soares / João do Carmo Miranda de Oliveira, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_78928 (2020-12-5)]

[17/12/2020 || Tarrafal de S. Nicolau || Fotografia actual disponibilizada por Cess--]

Nesta fotografia é ainda possível ver algumas das marcações das casernas utilizadas no Campo de Concentração do Tarrafal de S. Nicolau. 

Como assinala José J. Cabral, as fundações das demais casernas estão soterradas, mas encontram-se lá.

[João Esteves]

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

[2440.] CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE PRESOS POLÍTICOS DO TARRAFAL DE S. NICOLAU [I] || 1931-1932

 * TARRAFAL DE SÃO NICOLAU *

[1931 - 1932]

[Campo de Concentração de Presos Políticos do Tarrafal de S. Nicolau || Documento disponibilizado por José J. Cabral]

Em 1931, foi iniciado a construção de «um novo Campo de Concentração na Ilha de S. Nicolau, num sítio conhecido pelo nome de Tarrafal».

O general Adalberto Gastão de Sousa Dias pode observá-lo em Agosto de 1931, aquando da sua viagem de transferência do Campo de Concentração de Presos Políticos, instalado no ex-Seminário de S. Nicolau, para Ponta do Sol, na Ilha de Santo Antão.

Encontrava-se bordo do rebocador que o transportava e, como este teve de deixar em terra quem estava encarregado de apurar o andamento das obras, pode observar o que se preparava, disso dando conta em carta ao filho Adalberto, datada de 21/08/1931:

«O local escolhido é simplesmente pavoroso! O Tarrafal - misérrima povoação de pescadores, fica situado, próxima e ao lado de uma apertada ravina de ásperos e escalvados flancos, - flancos elevados e de abruptos declives, que se alargam um pouco, próximo ao mar, e onde se está estabelecendo o aludido campo de concentração. 3 raquíticas árvores é a única vegetação que ali se encontra. O sol, batendo todo o dia, neste pedregulhoso e árido terreno, sem que possível seja furtar-se à ardência dos seus raios, converterá, certamente, a existência dos desterrados que para ali forem mandados numa torturante vida de esfacelamento físico e moral!».

«Mas há mais: [...] já estão levantadas 4 casas desmontáveis, adquiridas no estrangeiro [...]» e «os postes para ser pregado o arame farpado, da vedação do estreito campo de prisão!».

[Excertos da carta enviada pelo general Sousa Dias ao filho Adalberto, datada de 21/08/1931, in O General Sousa Dias e as Revoltas contra a Ditadura – 1926/1931, organização de A. H. de Oliveira Marques, com a colaboração de A. Sousa Dias, Publicações Dom Quixote, Abril de 1975].

Como se pode ver pela relevante fotografia disponibilizada por José J. Cabral, o Campo de Concentração está de acordo com a planta que consta do Espólio de João do Carmo Miranda de Oliveira, que esteve deportado em S. Nicolau, depositado na Casa Comum - Fundação Mário Soares.

[Tarrafal de S. Nicolau || Planta do Campo de Concentração dos Presos Políticos do Tarrafal, São Nicolau || (s.d.), "Deportação - Planta do Tarrafal", Fundação Mário Soares / João do Carmo Miranda de Oliveira, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_78928 (2020-12-5)]

No entanto, o Campo de Concentração dos Presos Políticos do Tarrafal de S. Nicolau não terá sido concluído, embora tenha recebido presos, tal como confirma o investigador e estudioso José J. Cabral.  

Muito do seu material seria reutilizado no Tarrafal de Santiago, aberto em 1936.

[João Esteves]

domingo, 6 de dezembro de 2020

[2435.] ADALBERTO GASTÃO DE SOUSA DIAS [IV] || DEPORTADO EM SÃO NICOLAU (CABO VERDE)

* ADALBERTO GASTÃO DE SOUSA DIAS *

REGISTO DE ÓBITO || 28 DE JULHO DE 1935

Registo de óbito do General Sousa Dias, comprovando o seu falecimento em 28 de Julho de 1935, na cidade do Mindelo, Ilha de S. Vicente (Cabo Verde). 

Nele, aparece como sendo natural de Vila Real, tendo a causa da morte sido uma peritonite.

Mais uma vez, o agradecimento a José J. Cabral pela disponibilização pública deste documento.


Averbamento da trasladação dos restos mortais do General Sousa Dias para o cemitério público da Guarda 

[Documentos disponibilizados por José J. Cabral, a quem muito se agradece]

[João Esteves]

[2434.] DEPORTADOS EM SÃO NICOLAU (CABO VERDE) || C. 1931

* QUATRO DEPORTADOS EM CABO VERDE *

[C. 1931]

Fotografia de deportados na Ilha de São Nicolau, juntamente com mais quatro deportados, amavelmente disponibilizada por José J. Cabral que, já há anos, investiga, entre outras temáticas, a deportação e o Estado Novo em Cabo Verde. 

[Cerca de 1931 || Fotografia disponibilizada por José J. Cabral, a quem muito se agradece]

Nota muito importante: inicialmente, o Militar foi aqui referenciado, incorrectamente, como sendo o general Adalberto Gastão de Sousa Dias. 

Agradece-se a oportuna e rigorosa correcção feita pelos investigadores e estudiosos José J. Cabral e Aires Barata Henriques. 

José J. Cabral informa que «não consta que ele [o general Sousa Dias] faça parte do grupo». 

Aires Barata Henriques refere «que o oficial fardado não se assemelha com a figura do general A, Sousa Dias que, na altura do seu internamento, tinha uma idade aparentemente mais avançada e um ar envelhecido. O mesmo sucede com uma outra foto neste blogue em que o general aparece com outras três figuras. Também a farda terá que ser devidamente ponderada, para ajudar ao entendimento de quem é efectivamente o oficial que, para mais, aparece demasiado obesa relativamente à figura como é mais conhecido o general que, para mais, se encontrava doente e pouco saía das instalações do seminário, segundo os relatos que são conhecidos e que o próprio João Esteves publica.»  


[João Esteves]
[texto corrigido em 18/12/2020] 

sábado, 5 de dezembro de 2020

[2433.] O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE SÃO NICOLAU - CABO VERDE [I] || O EDÍFICIO DO SEMINÁRIO - 1931

 * O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE PRESOS POLÍTICOS DE S. NICOLAU || CABO VERDE *

[1931]

Na sequência do insucesso da Revolta da Madeira, iniciada em 4 de Abril e vencida cerca de um mês depois, militares e civis foram deportados para Cabo Verde, primeiro para a cidade da Praia, na Ilha de Santiago, e depois para a Ilha de S. Nicolau, sendo instalados no antigo Seminário, que funcionou como espaço concentracionário.

[O Seminário de S. Nicolau || Fotografia de 1897 || Pesquisa de Maria João Dias]

[O Seminário de S. Nicolau || Sem data || Pesquisa de Maria João Dias]

O edifício do Seminário-Liceu de S. Nicolau, que fora encerrado no ano lectivo de 1917-1918, era um velho casarão de dois andares, chegando a comportar cerca de 170 deportados, sem camas ou «qualquer cobertura para se cobrirem durante a noite!»: «no pavimento superior alojaram-se os presos políticos de 1.ª categoria (oficiais e civis de posição superior). No andar térreo, em três dependências do edifício principal, os sargentos e civis de 2ª e 3ª categorias».

Fora, «uma pequena cerca fica adjacente a este prédio», «onde era permitido aos deportados passearem durante o dia», ladeando todo o espaço um muro de cinco metros de altura. A guardar os presos, uma força indígena ida de Angola e 40 guardas civis, com dois subchefes e um chefe, idos de Lisboa, armados de duas metralhadoras ligeiras.

O Delegado do Governador no Campo era André da Silva e, segundo o general Sousa Dias, em carta ao filho Adalberto datada de 21 de Agosto de 1931, o regime era de «incomunicabilidade com exterior»; «visitas médicas diariamente determinadas a uma certa hora»; «censura a toda a correspondência», entregue aberta e devidamente estampilhada; acesso, apenas a «jornais reaccionários»; o dinheiro vindo de fora dependia da vontade do delegado do Governo; e «algumas ofertas ficavam na posse dos "carcereiros"».

A alimentação era «diminuta», «pessimamente mal confeccionada» e «sempre a mesma comida», preparada com «falta de asseio».

Depois de «Campanhas de protestos», conseguiu-se que «as sentinas fossem, de vez em quando, limpas e desinfectadas».

Faltavam os medicamentos, «ainda os mais simples», e o médico «dizia que não lhes satisfaziam as requisições feitas por ele e que não dispunha de meios médicos e cirúrgicos para exercer proficuamente a sua profissão!!... Um pavor!». 

Os presos políticos castigados eram sujeitos ao isolamento e a «jejuns em dias alternados», sendo que «jejuns, prolongados, em África, é uma condenação à morte».

Para além deste Seminário, transformado em Campo de detenção de deportados políticos, foi iniciado a construção de «um novo Campo de Concentração na Ilha de S. Nicolau, num sítio conhecido pelo nome de Tarrafal».

O general Sousa Dias pode observá-lo a bordo do rebocador aquando da sua viagem de transferência para Ponta do Sol, na Ilha de Santo Antão, já que aquele teve de desembarcar André da Silva, que ia «observar o estado de adiantamento das obras e providenciar em harmonia»: 

«O local escolhido é simplesmente pavoroso! O Tarrafal - misérrima povoação de pescadores, fica situado, próxima e ao lado de uma apertada ravina de ásperos e escalvados flancos, - flancos elevados e de abruptos declives, que se alargam um pouco, próximo ao mar, e onde se está estabelecendo o aludido campo de concentração. 3 raquíticas árvores é a única vegetação que ali se encontra. O sol, batendo todo o dia, neste pedregulhoso e árido terreno, sem que possível seja furtar-se à ardência dos seus raios, converterá, certamente, a existência dos desterrados que para ali forem mandados numa torturante vida de esfacelamento físico e moral!».

«Mas há mais: [...] já estão levantadas 4 casas desmontáveis, adquiridas no estrangeiro [...]» e «os postes para ser pregado o arame farpado, da vedação do estreito campo de prisão!».

[Fonte: excertos da carta enviada pelo general Sousa Dias ao filho Adalberto, datada de 21/08/1931, in O General Sousa Dias e as Revoltas contra a Ditadura – 1926/1931, organização de A. H. de Oliveira Marques, com a colaboração de A. Sousa Dias, Publicações Dom Quixote, Abril de 1975].

[Tarrafal de S. Nicolau || Planta do Campo de Concentração dos Presos Políticos do Tarrafal, São Nicolau || (s.d.), "Deportação - Planta do Tarrafal", Fundação Mário Soares / João do Carmo Miranda de Oliveira, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_78928 (2020-12-5)]

No entanto, apesar do plano inicial, descrito na planta do Espólio de João do Carmo Miranda de Oliveira (que esteve deportado em S. Nicolau) depositada na Casa Comum - Fundação Mário Soares, o Campo de Concentração dos Presos Políticos do Tarrafal de S. Nicolau não terá sido concluído e, por isso, posto a funcionar, sendo muito do seu material reutilizado no Tarrafal de Santiago, aberto em 1936.  

[Duas fotografias enviadas por José J. Cabral, a quem, mais uma vez se agradece toda a disponibilidade na partilha de informação e de documentação muito relevante e de difícil acesso]

O internamento e as condições físicas e psicológicas vividas quotidianamente pelos deportados no Seminário/Prisão de S. Nicolau, sob isolamento, regras de clausura, repressão, incomunicabilidade, acomodação, censura, restrições, vigilância policial e despotismo arbitrário e humilhante [Victor Barros, Campos de Concentração em Cabo Verde - As Ilhas como espaço de Deportação e de Prisão no Estado Novo, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009], fez com que ficasse conhecido como o Campo de Concentração de Presos Políticos de S. Nicolau.

[João Esteves]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

[2432.] DEPORTADOS EM SÃO NICOLAU (CABO VERDE) || C. 1931

 * DEPORTADOS EM CABO VERDE *

[C. 1931]

Fotografia de quatro deportados na Ilha de São Nicolau, amavelmente disponibilizada por José J. Cabral que, já há anos, investiga, entre outras temáticas, a deportação e o Estado Novo em Cabo Verde.

Há, ainda, um longo caminho de investigação e de divulgação a percorrer.

[C. 1931 || Fotografia disponibilizada por José J. Cabral, a quem muito se agradece]

Nota muito importante: inicialmente, o Militar foi aqui referenciado, incorrectamente, como sendo o general Adalberto Gastão de Sousa Dias. 

Agradece-se a oportuna e rigorosa correcção feita pelos investigadores e estudiosos José J. Cabral e Aires Barata Henriques. 

José J. Cabral informa que «não consta que ele [o general Sousa Dias] faça parte do grupo». 

Aires Barata Henriques refere «que o oficial fardado não se assemelha com a figura do general A, Sousa Dias que, na altura do seu internamento, tinha uma idade aparentemente mais avançada e um ar envelhecido. O mesmo sucede com uma outra foto neste blogue em que o general aparece com outras três figuras. Também a farda terá que ser devidamente ponderada, para ajudar ao entendimento de quem é efectivamente o oficial que, para mais, aparece demasiado obesa relativamente à figura como é mais conhecido o general que, para mais, se encontrava doente e pouco saía das instalações do seminário, segundo os relatos que são conhecidos e que o próprio João Esteves publica.»  

[João Esteves]

[texto corrigido em 18/12/2020]

sexta-feira, 20 de abril de 2018

[1793.] AFONSO DE MOURA [I] || A MORTE NA DEPORTAÇÃO (1898 - 1931)

* AFONSO DE MOURA || ANARQUISTA || DEPORTADO PARA CABO VERDE EM 1931, ONDE FALECEU EM 7 DE DEZEMBRO *

Filho de Amélia Machado de Moura e de Augusto de Moura, Afonso de Moura nasceu em 1898, em Coimbra. 

Cerâmico, era um conhecido anarquista e libertário de Coimbra, tendo participado no respectivo associativismo nas décadas de 1910 e de 1920. 

Com a Ditadura Militar, por estar identificado como anarquista, foi preso uma primeira vez em 10 de Maio de 1927, sendo libertado no mesmo dia.

Novamente preso em 23 de Dezembro de 1930, acusado de estar envolvido na organização de um grupo civil contra a Ditadura, juntamente com Henrique Magalhães e Hermenegildo Granadeiro [Processo 4745, enviado ao Tribunal Especial de Instrução]. Casado, residia, então, na Rua dos Esteireiros. 

Deportado para Cabo Verde em 6 de Junho de 1931, embarcou no vapor "Pedro Gomes".

Faleceu em 7 de Dezembro de 1931, "pelas 12 horas e 30 minutos, na Ilha de São Nicolau da Colónia de Cabo Verde, onde se encontrava deportado" [ANTT, Cadastro Político 2551].

O que consta da certidão de óbito é que faleceu de septicemia pós furunculose, informação apurada por José J. Cabral. 

Roberto das Neves descreve-o como "um dos homens mais inteligentes, mais leais e mais destemidos que tenho conhecido, uma espécie de Suvarine do Germinal de Zola, e que, por tudo isto, foi, mais tarde preso e deportado, pelo governo do sr. dr. Oliveira Salazar, para África, onde morreu de febres" ["O Diário do Dr. Satã", A Ideia, 75-76,  Outono de 2015].

Fotografia da sua sepultura na Ilha de São Nicolau, enviada por José J. Cabral, a quem muito se agradece por mais este contributo. 


Na lápide, consta a seguinte inscrição: "Afonso de Moura || Deportado Político Defensor da Liberdade || Homenagem dos seus camaradas || 1898 - 1931".

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 2551 [Afonso de Moura / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0280].

[João Esteves]