[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 10 de outubro de 2026

[3627.] MANUEL VIEIRA TOMÉ || ASSASSINADO PELA PVDE EM ABRIL DE 1934

 * MANUEL VIEIRA TOMÉ *

(1920, 1928, 1928, 1930, 1934)

[Manuel Vieira Tomé || 1887 - 1934]

Filho de Perpétua Jesus Oliveira Tomé e de Manuel Vieira Tomé, nasceu em 1887, em Tomar. Empregado de escritório, destacou-se, durante a I República, como um dos principais sindicalistas ferroviários. Em setembro de 1920, era apontado como fazendo «parte do comité revolucionário da CP»: integrava a «Comissão de Melhoramentos do pessoal da C.P., andando a reclamar melhoria de situação para a sua classe» (18/09/1920) e era considerado «o maior agitador da greve ferroviária, tendo como companheiros Luís de Andrade e Bernardino Fernandes» (08/10/1920). Preso em 15 de março de 1928, por «ordem superior», foi entregue à Polícia de Informações do Ministério do Interior (P.I.M.I.) de Santarém. Acusado de «estar implicado no complô do Entroncamento», voltou a ser detido em 1 de abril, tendo sido libertado em 8 de julho. Dirigente do Sindicato dos Ferroviários de Lisboa e diretor do Ferroviário, órgão daquela organização, foi novamente preso em 30 de setembro de 1930. A detenção foi justificada pelas autoridades por ser «um agitador perigoso» e por integrar uma comissão encarregada de organizar um congresso de trabalhadores dos transportes, que, segundo a polícia, visava «preparar uma greve geral de todos os meios de condução terrestres e marítimos». Apesar de, em 2 de outubro, ter sido proposta a fixação da sua residência nos Açores, o despacho acabou por ser revogado. Manuel Vieira Tomé foi libertado em 7 de maio de 1931, já depois da reunião da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Transportes e Comunicações, que contou com a participação de cerca de 2000 trabalhadores. Militante do Partido Comunista Português (PCP), intensificou a atividade sindical e partidária em 1931 e 1932, mantendo ligações com os comunistas Alberto Matias, José Sequeira Valentim, Manuel Alpedrinha e Tomás Ferreira Rato. Em junho de 1933, encontrava-se fugido à polícia política, que o relacionava com reuniões conspirativas em que participariam Artur Guilherme Rodrigues Cohen, Carlos Filipe Rodrigues Consiglieri, o capitão César de Almeida, João Antunes, João Lopes Soares, Manuel Jacinto e Roque Laia, entre outros. Interveio ativamente na preparação da greve geral revolucionária de 18 de janeiro de 1934. Manteve contactos com Coimbra através do ferroviário António Afonso Pereira e foi apontado como um dos responsáveis pelo descarrilamento de um comboio na Póvoa de Santa Iria. Denunciado, foi preso em 16 de abril de 1934 e morreu poucos dias depois, provavelmente em 21 ou 22 de abril, na sequência das violentas torturas a que foi submetido. Os relatos existentes referem a aplicação de choques elétricos, o arrancamento das unhas das mãos e uma greve de fome. Segundo a versão policial, «suicidou-se por enforcamento na Cadeia do Aljube, servindo-se para esse efeito do cobertor que lhe estava distribuído, que rasgou em tiras». Esta versão é, contudo, contrariada pelo testemunho de outros presos políticos, que descreveram os sinais de tortura e a gravidade dos ferimentos que apresentava. Antónia Gato Pinto, neta de António Gato Pinto, reproduz o relato que o avô deixou sobre o dia 26 de abril de 1934, quando foi transferido da Trafaria para o Aljube: «Logo que ali entramos, fomos informados que no dia 18 de Abril dera entrada no segredo daquele estabelecimento prisional o camarada comunista Manuel Vieira Tomé, que aparecera enforcado na manhã de 21 para 22 de Abril de 1934. Conforme nos foi dito, enforcou-se com o cinto das calças, o que de forma alguma acreditamos pois tinham-lhe arrancado as unhas dos dedos da mãos e até tinha alguns dos dedos partidos, quanto ao corpo estava completamente negro de tanta pancada que levara na policia. A tão violentas torturas o sujeitaram, entre elas a do “capacete eléctrico”, pois além de queimaduras tinha também vários ossos quebrados, tal foi o sofrimento deste infeliz!» (Diário de António Gato Pinto, 1934) O seu funeral realizou-se a 27 de abril de 1934.

[João Esteves]