[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

[2699.] ASSOCIAÇÃO FRATERNIDADE OPERÁRIA || 1872

 * ASSOCIAÇÃO FRATERNIDADE OPERÁRIA *

1872

NOS 150 ANOS DA ASSOCIAÇÃO FRATERNIDADE OPERÁRIA

[Imagem retirada, com a devida vénia, do Almanaque Republicano da autoria de Artur Barracosa Mendonça e José Manuel Martins]

Criada em Janeiro de 1872, englobou numerosas associações de classe, quer em Lisboa, quer no Porto, dinamizando um conjunto relevante de greves naquele mesmo ano e em 1873.

Segue a transcrição possível de um texto retirado do Diário de Notícias de 22 de Setembro de 1872, recolhido há 40 anos quando fazia investigação nesta área e agora reencontrado entre a papelada.

                      «Sociedades de Resistência

A Associação Fraternidade Operária, diz a correspondência do Comércio do Porto, conta cerca de 7000 operários. Estão nela representadas 43 classes, das quais as mais importantes são de:

- tabacos, 960 homens e 680 mulheres;

- serralheiros, 400;

- calafates, 340;

- carpinteiros navais, 300;

- tecelões, 280 homens e 260 mulheres;

- ferreiros, 160;

- fundidores, 120;

- torneiros, 100;

- trabalhadores, 250;

- sapateiros, 200;

- tipógrafos, 150;

- carpinteiros, 120;

- marceneiros, 160;

- encadernadores, 40;

- marinheiros, 90;

- serradores, 50;

- pedreiros, 100;

- canteiros, 180;

- caldeireiros, 90;

- barbeiros, 80;

- costureiras, 40;

- alfaiates, 60.

Cada associação paga 130 reis por mês. As greves são discutidas pelas 43 classes. Há mais as seguintes classes de resistência em Lisboa:

- associação fraternal das classes trabalhadoras, a Santa Clara, diz ainda a correspondência, com mais de 3000 associados;

- Fraternidade Almadense com 300;

- Fraternidade do Seixal com 200;

- Fraternidade, a Santa Isabel, com 180; 

- Fraternidade Agrícola, ao Poço do Bispo, com 200;

- associação protectora do trabalho nacional com 360.»

[Diário de Notícias, 22/09/1872, p. 1, cols. 2-3]

[João Esteves]

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

[2438.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS - DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LX] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LX *

0527. Eugénio Rodrigues Aresta [1927]

[Eugénio Rodrigues Aresta || Anos 1920 || Arquivo Histórico Parlamentar]

Moura, 23/05/1891, militar, político, professor e filósofo. Filho de Inácia Rodrigues Acabado e de Manuel Aresta Jorge, era casado com Adélia Emília Borges [nalguns registos, o nome próprio é referenciado por Adelina], nascida em 1899. 

Fez o ensino primário em Moura; continuou os estudos secundários em Évora; frequentou o curso preparatório para a Escola do Exército na Academia Politécnica do Porto onde, em 1908, foi condiscípulo de Leonardo Coimbra em Física; e, finalmente, tirou o Curso de Infantaria em Lisboa, concluído em 1913, prosseguindo a carreira militar: praça (1909); alferes (1914); tenente (1917); capitão (1919). 

Em 1915, sob o comando do general Pereira de Eça Coutinho, fez parte da Coluna Expedicionária enviada a Angola, tendo recebido um louvor, datado de 28/10/1915, e mantido contacto com o, então, tenente-coronel Adalberto Gastão de Sousa Dias. Voltou à metrópole em 1916 e, no ano seguinte, integrou o Corpo Expedicionário Português, seguindo para França em 22/02/1917: permaneceu em Flandres até ao fim da Guerra, recebendo importantes distinções e louvores militares. Regressou em 21/02/1919, sendo colocado no Estado-Maior de Infantaria. 

Neste mesmo ano, iniciou a intervenção política activa: militou na União Republicana, de Manuel Brito Camacho; no Partido Republicano Liberal (1919), em cujas listas foi eleito deputado por Beja (legislaturas de 1921, 1922); e no Partido Republicano Nacionalista (1923). Na sequência do falecimento da sua única filha, renunciou ao mandato de deputado em 20/11/1923. Manteve colaboração nos jornais A Luta e República, assim como em periódicos do Baixo Alentejo. 

Integrou a Loja Progredior, onde chegou a Mestre Maçon em 1926, e combateu a Ditadura Militar, participando na preparação e execução da revolta de 3 de Fevereiro de 1927, no Porto. Preso na sequência do seu fracasso, havendo uma fotografia a ser levado de olhos vendados, seguiu para a Casa de Reclusão da 1.ª Região Militar e enviado, de seguida, para o paquete Infante de Sagres. Separado do serviço e deportado para S. Tomé, terá desembarcado nesta ilha, juntamente com outros militares envolvidos no movimento, por volta de 12/03/1927. Nesse mesmo ano, foi redactor do jornal clandestino O Constitucional e, aquando do regresso, no início do ano seguinte, esteve com residência obrigatória fixada fora do Porto, embora no norte do país. 

Em 19/07/1928, concluiu a licenciatura em Ciências Filosóficas da Universidade do Porto, defendendo uma dissertação sobre o método filosófico de Bergson, com a qual obteve a classificação de 20 valores. Manteve colaboração activa com a Renascença Portuguesa, chegando a ser Vogal do Conselho de Administração e a colaborar na revista A Águia [1925, 1928, 1932], e exerceu, entre 1928 e 1932, a docência no ensino secundário. 

[Eugénio Rodrigues Aresta || in Almanaque Republicano]

Amnistiado nos termos do decreto n.º 21.140, de 9 de Abril de 1932, foi reintegrado no Exército em 1933, como capitão no Quartel-General da 1.ª Região Militar. Esteve, em 1934, na organização do 1.º Congresso Militar Colonial, enviuvou em 20/02/1936 e passou, voluntariamente, à reserva em 31/12/1937, enveredando pela docência liceal nos Colégios Almeida Garret e João de Deus, já que estava impedido de leccionar nos estabelecimentos oficiais, liceais e universitários, apesar de recomendado por Aarão de Lacerda. 

Figura muito enraizada e conceituada no meio cultural e filosófico do Porto, conviveu e manteve colaboração, entre outros, com Agostinho da Silva, de quem foi professor, Álvaro Ribeiro, Augusto Saraiva, Delfim Santos, José Marinho, Leonardo Coimbra e Sant'Anna Dionísio. 

Maçon, participou no Movimento de Unidade Democrática (MUD) e, em 1949, na campanha presidencial do general Norton de Matos, estando para ser um dos oradores do comício de 23/01/1949, realizado no Centro Hípico da Fonte da Moura, Porto, o que não sucedeu «devido ao adiantado da hora». 

Autor dos manuais liceais Noções de Filosofia (1933) e Primeiras Noções de Filosofia (1941), publicou um romance sobre a participação portuguesa na 1.ª Guerra (A Guerra de Sempre, 1920) e escreveu para diversas revistas e jornais. 

Faleceu na sua residência, no Porto, em 24/08/1956, em consequência dos gaseamentos sofridos na 1.ª Guerra, encontrando-se sepultado no Cemitério de Valongo. Tinha 65 anos de idade. Deixou, entre outros inéditos manuscritos, “Diário da Deportação – revolução de 3 de Fevereiro de 1927” e “Discurso no Comício no Centro Hípico da Fonte da Moura \ candidatura do general Norton de Matos à presidência da República”.

O Blogue Almanaque Republicano inseriu a sua biografia, dividida em duas partes, da autoria de Artur Barracosa Mendonça: Parte I e Parte II.

[João Esteves]

domingo, 6 de dezembro de 2020

[2436.] JOSÉ EUGÉNIO DIAS FERREIRA [I] || PRESO NA SEQUÊNCIA DO 28 DE MAIO DE 1926

 * JOSÉ EUGÉNIO DIAS FERREIRA *

[13/11/1882 - 17/01/1953]

Embora com ligações aos revoltosos do 28 de Maio de 1926, nomeadamente ao general Gomes da Costa, a quem se apresentou «com uma pasta cheia de projectos para a governação total do país», reclamando mesmo a autoria de uma proclamação do movimento [Luís Bigotte Chorão, "Ferreira, José Eugénio Dias Ferreira (1882-1953)", Dicionário de História da I República e do Republicanismo, Vol. II, 2014], José Eugénio Dias Ferreira foi um dos muitos republicanos que acabou por ser detido imediatamente a seguir ao triunfo da Ditadura Milita, disso havendo registo fotográfico no ANTT.

[José Dias Ferreira || 1908 || Álbum Republicano]

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, foi a sua atitude de se candidatar à obtenção do grau de doutor que levou à Greve Académica de 1907 ao ser reprovado de uma forma indigna e vexante pelo júri, despoletando uma reação imediata e inédita dos estudantes da academia. 

Republicano e maçon, José Eugénio Dias Ferreira foi preso em 25 de Junho de 1926, juntamente com o general Alfredo Ernesto de Sá Cardoso, e levado para a fragata D. Fernando. 

A sua detenção terá sido, provavelmente, um equívoco, já que há muito que defendia a regeneração do sistema político, sendo libertado três dias depois, em 28 de Junho de 1926, ao princípio da noite. Há muito que conspirava e era autor, conhecido e reconhecido, de parte da proclamação dos revoltosos, sendo clara a sua adesão ao regime que tinha terminado com a 1.ª República.

[Prisão dos srs. general Sá Cardoso e dr. José Eugénio Dias Ferreira || 26/06/1926 || ANTT || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0003/0934A]

[José Eugénio Dias Ferreira || 26/06/1928 || ANTT || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0003/0936A]

[José Eugénio Dias Ferreira || 26/06/1926 || ANTT || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0003/0937A]

[João Esteves]

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

[2291.] VICTOR CASTRO DA FONSECA [I] || REVOLTA DE FEVEREIRO DE 1927 - FARO

* VICTOR CASTRO DA FONSECA *
[12/04/1879 - 14/04/1956]

Advogado e notário em Faro, Victor Castro da Fonseca participou activamente no movimento revolucionário de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura Militar, integrando a Junta Revolucionária de Faro.

[Victor Castro da Fonseca || in António Ventura, 120 Anos de Maçonaria no Algarve 1816 - 1936 || Sul, Sol e Sal || 2019]

Filho de Maria Júlia Castro da Fonseca e de Manuel José da Fonseca, Victor Castro da Fonseca nasceu em 12 de Abril de 1879, em Faro. 

Frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, cidade onde, em 1900, foi iniciado na Maçonaria, na Loja Academia Livre N.º 202, com o nome simbólico de "Sólon". Licenciou-se em 1907 e até 1927 manteve-se activo na Maçonaria, integrando e fundando diversas Lojas [António Ventura, 120 Anos de Maçonaria no Algarve 1816 - 1936].

[António Ventura || 120 Anos de Maçonaria no Algarve 1816 - 1936 || Sul, Sol e Sal || 2019]

Permaneceu na Beira, Moçambique, entre 1912 e 1915, tendo regressado a Faro neste último ano, cidade onde se fixou até morrer. Aí, dirigiu, em 1923, o quinzenário O Progresso do Sul.

Com o advento da Ditadura Militar, participou na revolta de Fevereiro de 1927, integrando, com Manuel Pedro Guerreiro e Sebastião José da Costa, a Junta Revolucionária de Faro. Permaneceu na canhoneira "Bengo" quando esta, no dia 4, começou a bombardear a cidade [Artur Barracosa Mendonça, Blogue Almanaque Republicano].

Na sequência do fracasso desse movimento revolucionário, Victor Castro da Fonseca foi julgado e condenado a 18 meses de prisão, tendo permanecido na Penitenciária de Lisboa durante cerca de quatro meses [ANTT, Cadastro Político 1397]. 

Libertado, regressou a Faro, onde passou a ser vigiado. Em 22 de Novembro de 1930, o Delegado da Polícia Política informava que Victor Castro da Fonseca «é o chefe geral do movimento revolucionário em todo o Algarve» e, em 25 de Novembro, tinha recebido Plínio Silva.

A residir no Largo da Cruz 13, voltou a ser preso em 31 de Maio de 1933 pela PSP de Faro e entregue, no dia seguinte, à Polícia de Defesa Política e Social. Negou, então, ter voltado à actividade política depois do fracasso do movimento revolucionário de Fevereiro de 1927, bem como ter apresentado Elvino Martins Nunes a  José Eduardo de Sousa Barbosa, sendo libertado em 7 de Junho [ANTT, Cadastro Político 1397]. 

Segundo António Ventura, em 1945 apoiou o Movimento de Unidade Democrática (MUD), integrando a Comissão Distrital de Faro.

Faleceu em 14 de Abril de 1956, dois dias depois de completar 77 anos.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 1397 [Vítor Castro da Fonseca / PT-TT-PIDE-E-001-CX15_m0718, m0718a].

António Ventura, 120 Anos de Maçonaria no Algarve 1816 - 1936, Sul, Sol e Sal, 2019.

Blogue Almanaque Republicano, de Artur Barracosa Mendonça e José Manuel Martins.

[João Esteves]

terça-feira, 14 de julho de 2015

[1028.] AFONSO COSTA || JORGE PAIS DE SOUSA

QUANDO NÃO SE DEVE ESCREVER PRECIPITADAMENTE SOBRE O QUE SE DESCONHECE [MESMO TRATANDO-SE DE OPÇÕES HISTORIOGRÁFICAS] OU A URGÊNCIA DE LER O TEXTO "AFONSO COSTA E O REVISIONISMO EM HISTÓRIA" POR JORGE PAIS DE SOUSA

COM A DEVIDA VÉNIA, AQUI NO ALMANAQUE REPUBLICANO


domingo, 7 de novembro de 2010

[0065.] ASSOCIAÇÃO FEMININA DE PROPAGANDA DEMOCRÁTICA [I] || FELISMINA BRANQUINHO LOPES DE OLIVEIRA [I]

* ASSOCIAÇÃO FEMININA DE PROPAGANDA DEMOCRÁTICA || 07/11/1915 *

Reunião da Associação Feminina de Propaganda Democrática de 7 de Novembro de 1915, onde se lê uma carta de Afonso Costa e  se aprovam 25 propostas para sócias, entre as quais Felismina Branquinho Lopes de Oliveira, esposa do republicano Lopes de Oliveira.

[Álbum Republicano || 1908]

[João Esteves]

sexta-feira, 2 de abril de 2010

[0051.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS [X] || BERNARDINO MACHADO

* LRMP || BERNARDINO MACHADO *
[28/03/1851 - 29/04/1944]


[Álbum Republicano || 1908]

Nasce no Rio de Janeiro o estadista republicano Bernardino Luís Machado Guimarães, um dos impulsionadores da fundação, em 1908, da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.

Sobre o percurso familiar, político, pedagógico, científico e humano de Bernardino Machado v. o imprescindível e actualizado Blogue da autoria do Dr. Manuel Sá Marques [http://manuel-bernardinomachado.blogspot.com/].

[João Esteves]