[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quinta-feira, 24 de março de 2016

[1413.] IVONE MARIA DA CONCEIÇÃO TELES [I] || 1916 - 1990

* IVONE TELES *
[09/09/1916 - 13/12/1990]

|| CNMP + AFPP || COIMBRA ||

Tal como sucedeu com as protagonistas republicanas, envolvendo alguns milhares de nomes, também as ativistas do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, para além de muitas outras oposicionistas à Ditadura Militar e à Ditadura do Estado Novo, acabaram por ser menorizadas pela Historiografia e remetidas para um silenciamento que urge quebrar enquanto é tempo.

Um desses nomes é Ivone Maria da Conceição Teles, que faria este ano cem anos.

Licenciada em Farmácia. 

Filha de Maria da Conceição Marques Teles e de Adolfo Teles, nasceu em Coimbra em 9 de Setembro de 1916. 

Militou, na década de 40, no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, tendo participado numa sessão organizada em Agosto de 1946 nas Caldas da Rainha. 

Em Outubro de 1950, foi eleita Tesoureira da Delegação de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, agremiação que, então, seria presidida por Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes [1900-1980]. 

Presa pela PIDE em 30 de Outubro de 1962, quando residia na R. Bernardo de Albuquerque, 96, 1.º direito, recolheu às prisões privativas da subdelegação de Coimbra e, no dia seguinte, foi transferida para Caxias. 

Libertada em 6 de Novembro, mediante caução, foi julgada pelo Tribunal Criminal de Lisboa em 16 de novembro do ano seguinte, sendo absolvida. 

Do mesmo processo fazia parte, entre outros nomes, Madalena Coelho Marques de Almeida, condenada a um ano de prisão, Eva Amado, condenada a 14 meses de prisão, e a advogada Maria Regina Dias Carvalheiro, também absolvida [Proc. 1536/62, 1.ª Div.].

Faleceu a 13 de Dezembro de 1990.

O meu obrigado a Ivone Maria Pessoa Teles, sobrinha de Ivone Maria da Conceição Teles, pela informação da data de falecimento.

[João Esteves]

domingo, 14 de fevereiro de 2016

[1347.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXXII] || COIMBRA [VI] || FIGUEIRA DA FOZ [II]

* CNMP || COIMBRA || FIGUEIRA DA FOZ || 1946 *

|| CARTA DE MARIA LAMAS, DATADA DE 21 DE AGOSTO, A MARIA DA NATIVIDADE PINHEIRO CORREIA, INFORMANDO-A DA POSSÍVEL DESLOCAÇÃO A COIMBRA E À FIGUEIRA DA FOZ ||
[AP/JE || Cópia cedida por Natividade Correia em Fevereiro de 1998]

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

[1344.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXX] || COIMBRA [V]

* CNMP || COIMBRA || 1947 *

|| GRUPO DE SÓCIAS DE COIMBRA DO CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || JULHO DE 1947 [?] || 

[AP/JE || Fotografia doada por Madalena Coelho Marques de Almeida (1916-2013) ||

Judite Rosales Marques de Almeida, Madalena Coelho Marques de Almeida, Clarisse, Celeste Teles de Almeida Costa, Maria Helena Pinto Loureiro, Branca, ?]

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

[1343.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXIX] || COIMBRA [IV]

* CNMP || COIMBRA || JULHO DE 1947 *

|| EXPOSIÇÃO DE BRINQUEDOS E DESENHOS INFANTIS ORGANIZADA PELAS SÓCIAS DE COIMBRA DO CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS ||




[AP/JE || Cópia cedida por Natividade Correia em Fevereiro de 1998]

domingo, 3 de janeiro de 2016

[1294.] MARIA DA GRAÇA SIMÕES DE CARVALHO DÓRIA (COCHOFEL) [I]

* MARIA DA GRAÇA DÓRIA [COCHOFEL] *
[02/04/1922 - ]

[1946 || Av. da Liberdade]
[Pormenor de uma reprodução inserida na Fotobiografia de José Gomes Ferreira, da autoria de Raúl Hestnes Ferreira, encontrando-se ladeada de José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira, João José Cochofel e Ângela de Oliveira || Publicações Dom Quixote, 2001]

Maria da Graça Dória integrou, nos anos 40, o grupo de inteletuais antifascistas de Coimbra, sendo que até agora tem sido dado escasso relevo à componente feminina. No entanto, mais de uma centena de mulheres procurou formar, em 1946, uma Delegação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e havia na mesma cidade um núcleo ativo da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, sendo a sua última presidente Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes Nemésio [1900-1980].

Filha de Jaime Castanhinha Dória [Coimbra, 09/04/1895 – Coimbra, 09/06/1956] e de Irene Simões de Carvalho Dória [Coimbra, 12/03/1896 – Coimbra, 14/03/1972], nasceu em Coimbra em 2 de Abril de 1922 e faleceu no Porto. 

Casou, em 2 de maio de 1942, com João José de Melo Cochofel Aires de Campos [Coimbra, 17/07/1919 – Lisboa, 14/03/1982], intelectual comunista na década de 40. 

Maria da Graça Dória Cochofel integrou o numeroso grupo de mulheres da região centro que, em 1946, subscreveu o documento solicitando a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a formação de uma delegação em Coimbra. 

Já a viver em Lisboa, aderiu à Associação Feminina Portuguesa para a Paz, onde desempenhou as funções de 1.ª Vogal do Conselho Fiscal (1950) e Vice-Presidente da Direção (1951). 

Irmã de Maria Vitória Simões de Carvalho Dória [18/07/1917 – 29/11/2008] que casou, em 22 de Agosto de 1940, com Ivo da Veiga Cortesão [Figueira da Foz, 05/09/1910 – Coimbra, 16/01/2001]. Nora de Maria Albina de Manique e Melo Cochofel [12/09/1887 - 29/10/1947] que também integrou a Delegação de Coimbra do CNMP. 

Viúva, Maria da Graça Simões de Carvalho Dória casou, em 23 de Fevereiro de 1990, com Rui Feijó [Rui Maria Malheiro de Távora de Castro Feijó, 25/03/1921 - 15/05/2008].

[João Esteves]

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

[1277.] MARIA VIRGÍNIA CORREIA PEREIRA NOGUEIRA SECO [I]

* MARIA VIRGÍNIA CORREIA PEREIRA NOGUEIRA SECO || CNMP - COIMBRA *

- Provável familiar de Francisco e Sílvio Nogueira Seco, membros da Comissão Paroquial da Freguesia de Santa Cruz do Partido Republicano de Coimbra -


Professora. 

Nasceu em Coimbra em 1923 e faleceu em 2013, filha de Júlio Nogueira Seco, empregado dos correios. 

Frequentou, a partir do início da década de 40, a Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, licenciando-se em Ciências Matemáticas. 

Integrou o numeroso grupo de mulheres da região centro que, em 1946, solicitou a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a formação de uma delegação em Coimbra, subscrevendo-se como Maria Virgínia Nogueira Seco, licenciada em Matemáticas. 

Irmã de Maria Luísa Nogueira Seco, licenciada em Filologia Germânica e que pertenceu ao mesmo núcleo. Casou com José Machado Gil, também professor de matemática e mãe do médico psiquiatra José Augusto Seco Machado Gil [Coimbra, 13/03/1953 – Joanesburgo, 15/06/1996].

[João Esteves]

[1276.] MARIA LUÍSA CORREIA PEREIRA NOGUEIRA SECO [I] || CNMP - COIMBRA

* MARIA LUÍSA CORREIA PEREIRA NOGUEIRA SECO || CNMP - COIMBRA *

Provável familiar de Francisco e Sílvio Nogueira Seco, membros da Comissão Paroquial da Freguesia de Santa Cruz do Partido Republicano de Coimbra

Licenciada em Filologia Germânica. 

Natural de Coimbra, filha de Júlio Nogueira Seco, empregado dos correios. 

Frequentou, a partir do ano letivo 1938-1939, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde concluiu a licenciatura em Filologia Germânica com a monografia Breve estudo sobre Adalbert Stifter através das Bunte Steine (1944). 

Integrou o numeroso grupo de mulheres da região centro que, em 1946, solicitou a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a formação de uma delegação em Coimbra, subscrevendo-se como Maria Luísa Nogueira Seco, licenciada em Letras. 

Irmã de Maria Virgínia Nogueira Seco, licenciada em Ciências Matemáticas e que pertenceu ao mesmo núcleo.


[João Esteves]

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

[0896.] MARIA ISABEL BEATO DENIZ-JACINTO [I] || CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS - COIMBRA..

* MARIA ISABEL BEATO DENIZ-JACINTO *

Aproveitando a oportuna evocação feita pelo Almanaque Republicano do centenário do nascimento do ensaísta, crítico, conferencista, professor, actor, encenador e resistente antifascista Manuel Deniz-Jacinto [08/01/1915-08/01/1998], relembra-se que em 1946 Maria Isabel Beato, sua esposa, foi uma das numerosas subscritoras do documento endossado a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, para a criação de uma Delegação em Coimbra.

Quão importante seria aproveitar estas efemérides para retirar da penumbra outros nomes que também merecem ser evocados e repostos na História e cujos dados públicos ainda são escassos ou inexistentes.

[João Esteves]

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

[0721.] JOAQUIM NAMORADO / GUILHERMINA NAMORADO / MARIA JOSÉ NAMORADO

* ASSOCIAÇÃO FEMININA PORTUGUESA PARA A PAZ || CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || COIMBRA *

Texto imprescindível para compreender o poeta, cidadão e militante Joaquim Namorado, contém ainda informações sobre Guilhermina Namorado, sua esposa, nome associado à fundação, em 1942, do núcleo de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz e, mais tarde, do núcleo local do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Também a irmã, Maria José Vitorino Namorado, esteve, em 1946, associado à criação deste organismo local.

A delegação de Coimbra da AFPP e a do CNMP envolveram mais de uma centena de nomes de mulheres que merecem destaque, investigação e divulgação. 

Alguns desses nomes já foram aqui referidos: Madalena Coelho Marques de Almeida, Maria Regina Dias Carvalheiro, Maria Judite Pinto Mendes de Abreu, Laura Celeste Tavares Mendes Lemos, Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes Nemésio, Lucinda Mendes [Saboga]. 

domingo, 20 de julho de 2014

[0714.] AMÉRICO GONÇALVES DE SOUSA [I] || 1918 - 1993

* AMÉRICO DE SOUSA *
[1918 - 1993]

[Dezembro de 1961]

Militante e dirigente do Partido Comunista, tendo integrado o seu Comité Central, Américo de Sousa, “O russo”, iniciou muito novo a actividade política, esteve várias vezes preso e conheceu as principais prisões (Aljube, Peniche, Caxias, Tarrafal), sendo enviado, com apenas 18 anos, para o Campo de Concentração do Tarrafal.

Fundidor de profissão, era filho de Maria Gonçalves e de Joaquim Mário de Sousa e nasceu em Lisboa, na freguesia de Santo Estêvão, em 1918 (a 18 de Julho ou 3 de Agosto, constando esta imprecisão da data na Biografia Prisional da autoria da polícia política).

A sua militância política iniciou-se na Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas, quando trabalhava no Arsenal da Marinha, e prolongou-se por décadas, tendo sofrido a violência da ditadura mal completara os dezassete anos. 

Preso pela primeira vez a 7 de Setembro de 1935, por actividades comunistas, percorreu, em escassos meses, o Aljube, Peniche e de novo o Aljube, de onde partiu para o Tarrafal: detido inicialmente numa esquadra, foi transferido para a Cadeia do Aljube a 30 de Dezembro e, a 28 de Abril de 1936, para a Fortaleza de Peniche, regressando ao Aljube a 6 de maio, data em que foi julgado e condenado pelo Tribunal Militar Especial a 18 meses de prisão correccional. 

Apesar de “só” faltarem cumprir 301 dias, foi enviado a 17 de Outubro para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, integrando o grupo de presos que o foi inaugurar.

Cumprida a pena a que fora condenado, continuou preso no Tarrafal, de onde só saiu em 15 de Julho de 1940, sendo então restituído à liberdade.

Voltou à luta política e escassos meses, ainda em 1940, integrou, com Joaquim Pires Jorge [28/11/1907 - 06/06/1984], José Gregório [m. 1961], Júlio Fogaça [1907 - 1980], Manuel Guedes [14/12/1909 - 08/03/1983], Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896 - 02/01/1950] e Sérgio Vilarigues [1914 - 08/02/2007], o primeiro grupo que procurava a reorganização do Partido Comunista [JPP, Álvaro Cunhal – Uma biografia política, Vol. 2, 1941-1949]. No ano seguinte, era funcionário, tal como todos aqueles, usando o pseudónimo de “Abel”.

Em Julho de 1946, participou no II Congresso Ilegal do Partido Comunista realizado numa casa da Lousã com a ajuda do casal António e Natividade Correia [esta também desenvolvera actividade importante no seio das secções de Coimbra/Figueira da Foz da AFPP e CNMP] e teve importantes funções no Comité Local de Lisboa (anos 40/50). 

Porque há ainda muito que relacionar, Américo Guerreiro de Sousa chegou a controlar o historiador Jorge Borges de Macedo, cuja esposa, Branca Braga de Macedo, militou na década de 40 na Associação Feminina Portuguesa para a Paz, desempenhando cargos nas direcções de 1947 e 1948. 

A 29 de Setembro de 1955, quinze anos depois de sair do Tarrafal e quando era dirigente do Comité Local de Lisboa e destacado membro do Comité Central, foi preso em Lisboa e levado para o Aljube. Em 22 de Novembro, passou para o Forte de Caxias, onde foi sujeito a continuados castigos.

Em 3 de Fevereiro de 1957, regressou ao Aljube, cadeia de onde se evadiu na madrugada de 26 de Maio do mesmo ano com Carlos Brito e Rolando Verdial [a mãe deste, Emília Dionísia Ferreira dos Santos Silva Verdial, morreu a 7 de Outubro de 1960, no regresso de uma visita ao filho, então preso em Caxias. Segundo o jornal Avante!, de Novembro, o seu desaparecimento foi acelerado pela forma desumana e humilhante como a PIDE a tratou, não atendendo sequer à idade avançada da progenitora: começou por impedir a visita do dia 6 pelo facto de Emília e Mem Verdial, vindos do Porto, terem chegado minutos depois da hora regulamentar; no dia seguinte concederam-na, mas não foi permitida aos pais que se aproximassem do preso, o beijassem e abraçassem; e o desenlace fatal deu-se no regresso a casa, chegando já sem vida à sua residência] através da janela de uma enfermaria desactivada situada no último andar e para onde tinham sido enviados os presos mais perigosos: cortaram parte das grades e, após passarem por vários prédios, apanharam um táxi no Largo da Graça.

E porque não é possível haver resistência(s) sem mulheres, aquela fuga contou, entre outros, com o apoio da militante comunista Deolinda Franco.

Mais uma vez, regressou ao trabalho clandestino do Partido Comunista, continuando a integrar o Comité Central eleito no V Congresso realizado entre 8 e 15 de Dezembro de 1957. Então, entre as pessoas que controlaria estava o advogado Manuel João da Palma Carlos, ambos com papel de relevo na preparação das eleições presidenciais de 1958 [JPP, Álvaro Cunhal, Vol. 3]. No âmbito do trabalho partidário no terreno, e segundo Pacheco Pereira, Américo de Sousa defendeu a partir de certa altura a desistência de Arlindo Vicente enquanto candidato presidencial e o apoio a Humberto Delgado.

No ano seguinte, em Abril, integrou com Alexandre Castanheira [n. 1928] e Octávio Pato [01/04/1925 - 19/02/1999] a delegação do Partido Comunista que se reuniu em Itália com o Partido Comunista Italiano.

Américo de Sousa voltou a ser preso a 15 de Dezembro de 1961, juntamente com Carlos Costa, quase cinco anos depois de andar fugido e ter regressado à clandestinidade, constando da sua ficha prisional a indicação que tinha na cara marcas de varíola para, assim, ser mais facilmente identificado.

Nesta sua terceira prisão, voltou a fazer o percurso Caxias-Aljube-Peniche, prisão para onde foi transferido a 18 de Abril do ano seguinte por ter sido condenado, por cúmulo jurídico, a 4 anos.

O vaivém entre as prisões não pára, já que a 1 de Junho de 1964 entrou, mais uma vez, em Caxias de onde foi transferido, em 25 de Setembro, para Peniche. 

No ano seguinte, a 23 de Fevereiro de 1965, foi condenado na pesada pena de oito anos e meio, supressão de direitos políticos por quinze e medidas de segurança de internamento de seis meses a três anos, prorrogável, as quais iniciou em Dezembro de 1968.

Quase toda a década de 1960 foi passada em prisões, já que Américo de Sousa só seria libertado a 20 de Outubro de 1971, depois de ter estado preso consecutivamente quase dez anos.

Em 53 anos de idade, totalizou cerca de 16 anos nas prisões Salazaristas e 19 de intensa e continuada luta clandestina.

Dirigente da URAP depois do 25 de Abril de 1974.

Faleceu em Março de 1993. 

   [João Esteves]

quarta-feira, 16 de julho de 2014

[0712.] MARIA JUDITE PINTO MENDES DE ABREU [I] || 1916 - 2007

* MARIA JUDITE PINTO MENDES DE ABREU *
[16/02/1916 - 10/05/2007]
[09/02/1974: Discursando na Homenagem a Cristina Torres dos Santos e José Rafael Sampaio, in Joaquim Sousa, Cristina Torres, 1983]

A Figueira da Foz conta com alguns nomes de mulheres muito relevantes (e pouco estudados) na oposição ao Estado Novo, entre os quais sobressaem os de Cesaltina Benguela Carrapiço Vasco, casada com o médico comunista Gilberto Vasco, Cristina Torres dos Santos [0711], Lucinda Mendes [Saboga], companheira de Agostinho Saboga, as irmãs Maria Celinda e Maria Regina Dias Carvalheiro, esta casada com o advogado Albano Cunha, Natividade Pinheiro (mãe) e Maria Judite Pinto Mendes de Abreu.
  
Filha de Guilhermina Andrade Pinto e de Maurício Augusto Águas Pinto, republicano e democrata que se evidenciou no combate à ditadura, Maria Judite Pinto Mendes de Abreu nasceu na Figueira da Foz a 16 de fevereiro de 1916 e faleceu em Coimbra a 10 de maio de 2007, com 91 anos de idade.

Matriculou-se, aos 17 anos, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, tendo concluído o curso no ano letivo de 1937/1938, com a classificação de 15 valores, e era também licenciada em Germânicas, curso onde conviveu com Madalena Coelho Marques de Almeida [0492], nome igualmente importante nas lutas oposicionistas das décadas de 40 e de 50 naquela cidade. 

Tal como o pai, interveio, depois da II Guerra, na oposição democrática, intervindo nas suas principais iniciativas e movimentos. Por isso, apenas pode lecionar no ensino particular já que, por motivos políticos, lhe foi recusada a possibilidade de trabalhar na Escola Brotero, em Coimbra. 

Fez parte do Movimento de Unidade Democrática e, em 1946, integrou o numeroso grupo constituído por mais de cem mulheres que solicitou a Maria Lamas [0555], na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a constituição de um núcleo em Coimbra, “tendo em vista levar a efeito várias realizações de alcance cultural e social, no sentido de elevar a mulher a um grau de maior dignificação, e de prestar à criança a assistência de que carece”.

Presidiu, nos últimos meses do CNMP, a esse importante núcleo, dando continuidade ao trabalho desenvolvido por Maria da Luz Casanova. 

Militou, no mesmo período, na Associação Feminina Portuguesa para a Paz, à qual aderiu por intermédio de Maria Joana Rosendo Dias. 

Interveio, entre 1949 e 1973, em todas as campanhas eleitorais da oposição e muito apoiou as lutas dos estudantes da academia de Coimbra, nomeadamente em 1962 e 1969. 
  
Nos últimos anos da ditadura, integrou a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, o que lhe trouxe vários dissabores, e o Movimento Democrático de Coimbra, com intervenção local e distrital significativa.

Aderiu, depois do 25 de Abril de 1974, ao Partido Socialista. Devido ao seu percurso e intervenção cívica, foi indigitada para Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Figueira da Foz (de 30 de outubro de 1974 a dezembro de 1976), tendo sido eleita Presidente da Câmara Municipal de Coimbra nas primeiras eleições autárquicas (1976-1979).

Em 1983, recebeu, do Presidente da República general Ramalho Eanes, a Ordem da Liberdade.  

[João Esteves]

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

[0492.] MADALENA COELHO MARQUES DE ALMEIDA [II]


* MADALENA COELHO MARQUES DE ALMEIDA *
[1916-2013]

Um nome essencial aos núcleos de Coimbra do 
CNMP e da AFPP 
 [Madalena Almeida e Boaventura Tavares, pormenor
08/05/1956]
[Fotografia retirada de Alberto Vilaça, O MUD Juvenil em Coimbra. História e estórias, Campo das Letras, 1998]

domingo, 19 de janeiro de 2014

[0490.] MADALENA COELHO MARQUES DE ALMEIDA [I]

* MADALENA COELHO MARQUES DE ALMEIDA *
[01/02/1916 - 2013]

 
[Pormenor de um grupo de sócias do CNMP - Coimbra]

Professora, licenciada em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 

Apoiante do MUD e do MUD-Juvenil, integrou o numeroso grupo de mulheres da região centro que, em 1946, subscreveu o documento solicitando a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a formação de uma delegação em Coimbra. 

Aderiu, no mesmo período, ao núcleo de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. 

Participou na campanha presidencial de Norton de Matos, tendo discursado, a 13 de Janeiro de 1949, no comício realizado no Teatro Avenida, em Coimbra. 

Manteve actividade oposicionista na década seguinte.

Presa pela PIDE juntamente com o marido, Boaventura de Almeida Lopes Tavares [15/06/1917-17/05/1974], em 27 de Agosto de 1962, na Figueira da Foz. Na mesma data, mas em Coimbra, foi detida Eva Amado.

Levada para Caxias, permaneceu detida até 20 de Novembro, sendo libertada sob caução. Julgada em 16 de Novembro do ano seguinte, foi condenada a 1 ano de prisão e perca de direitos políticos, enquanto Eva Amado foi condenada a 14 meses de prisão.

Ivone Maria da Conceição Teles, licenciada em Farmácia, e Maria Regina Dias Carvalheiro, advogada, integraram o mesmo processo, embora tenham sido detidas posteriormente - a 30 de Outubro e a 18 de Dezembro -, tendo ambas sido absolvidas aquando do julgamento a 16 de Novembro de 1963.


Acusada de pertencer ao Partido Comunista, foi afastada do ensino e reintegrada na sequência da revolução de Abril de 1974. 

O marido, engenheiro civil, faleceu menos de um mês decorrido sobre esta data com 57 anos.


[João Esteves]

domingo, 28 de novembro de 2010

[0161.] MARIA ALZIRA DE MOURA PIRES MACHADO [I] || CNMP - COIMBRA

* MARIA ALZIRA DE MOURA PIRES MACHADO *

Nasce em Cernache, em 28 de Novembro de 1929, Maria Alzira de Moura Pires Machado. 

Em 1946, quando seria estudante liceal, fez parte do numeroso grupo que subscreveu o documento a solicitar à Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Maria Lamas, a formação de uma delegação em Coimbra.

Autora da peça infantil ilustrada Natalinho.

[João Esteves]

sábado, 27 de novembro de 2010

[0156.] ADÉLIA ROSALES MARQUES DE ALMEIDA [I] || CNMP E AFPP - COIMBRA

* ADÉLIA ROSALES MARQUES DE ALMEIDA *

Filha de José Marques de Almeida e de Adelaide Rosales de Almeida, Adélia Rosales Marques de Almeida nasce em Lisboa em 27 de Novembro de 1914.

Integrou o numeroso grupo de mulheres da região centro que, em 1946, subscreveu o documento a solicitar a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a formação de uma delegação em Coimbra e foi sócia, por proposta de Maria Joana Rosendo Dias, do núcleo local da Associação Feminina Portuguesa para a Paz.

[João Esteves]