[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

[0459.] LUCINDA MARIANA GOMES FRANCO [III] 1923 - 2012

* LUCINDA MARIANA GOMES FRANCO *

[01/11/1923-10/01/2012]




Nasceu em Coimbra em 1 de Novembro de 1923, na Rua António José de Almeida, e faleceu em Lisboa a 10 de Janeiro de 2012, com 88 anos de idade.

Oriunda de uma família de republicanos activos, desde nova assistiu às perseguições, prisões e deportações políticas que vários familiares da família paterna e materna sofreram durante as ditaduras militar e salazarista.

Fez a instrução primária na Mucela e em Lares, tendo a mãe por professora e sendo, por vezes, a única rapariga a estudar. Concluiu, em 1941, o 7.º ano de Letras e de Ciências no Liceu Nacional Infanta D. Maria, de Coimbra.

Enquanto estudante finalista do liceu, cuja reitora era Dionísia Camões, recusou continuar a pertencer à Mocidade Portuguesa Feminina, caso único entre todas as colegas.

Fez a aptidão a Farmácia e concorreu à Escola Normal, acabando por só frequentar a Escola de Farmácia, concluída em 1945.

Trabalhou, então, em Oliveirinha, Cebolais de Cima, Ceira, Pinhanços (Seia) e, na década seguinte, ainda que por pouco tempo, no Instituto Ricardo Jorge.

Em 1946, Lucinda Franco integrou o numeroso grupo que subscreveu a carta solicitando à Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Maria Lamas, a formação de uma delegação em Coimbra.

Na década de 50, já a viver em Lisboa, esteve envolvida na impressão do jornal clandestino Uni-vos pela Paz!, concluído durante a noite na casa onde morava.

No início dos anos setenta retomou os estudos e licenciou-se na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (1970/1971 a 1972/1973).

Participou nas campanhas eleitorais da CDE – Comissão Democrática Eleitoral (1969 e 1973), colaborou com a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos e viveu intensamente a revolução de Abril de 1974.

Integrou, com Cipriano Dourado (08/02/1921-17/01/1981), a Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de S. João de Deus, em Lisboa.

Discreta e corajosa, sem medo de intervir, mesmo quando isso implicava riscos, revelou-se sempre uma mulher generosa, dedicada e solidária com todos os que com ela conviveram, independentemente das crenças políticas e religiosas. Entre muitas outras organizações, pertenceu à União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), ao Conselho Português para a Paz e Cooperação e militou, até ao fim, no Partido Comunista.

[João Esteves]

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

[0458.] LUÍSA PAULO [II]


* LUÍSA DA CONCEIÇÃO PAULO *

Biografia Prisional
 
[Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, Presos Políticos no Regime Fascista II – 1936-1939, Mem Martins, 1982, pp. 374-375]

[0457.] RICARDO MACHAQUEIRO [II]

* RICARDO MACHAQUEIRO *
[09/01/1958 - 04/11/2013]

[1974/1975]

[0456.] LUÍSA PAULO [I]

* LUÍSA DA CONCEIÇÃO PAULO *
[25/12/1898-1966]


Tecedeira.

Nasceu em Lisboa a 25 de dezembro de 1898 e faleceu em 1966, com 67 anos de idade, após décadas de militância no Partido Comunista.

Começou a trabalhar aos 17 anos na indústria têxtil, onde se evidenciou nas lutas por melhores salários e condições de trabalho. Durante a I República, terá participado nas grandes manifestações e greves da CGT.

Casou-se, aos 19 anos, com Carlos Luís Paulo, pintor da construção civil, perseguido, várias vezes preso no Governo Civil de Lisboa e deportado para Angola em 1927, devido às suas posições políticas.

Dezoito meses depois partiu com a filha, Aida da Conceição Paulo, para África.

Regressadas a Portugal, mãe e filha desenvolveram intensa actividade conspirativa, com angariação de fundos para os presos políticos, que visitavam ao domingo.

Durante a Guerra Civil de Espanha, Luísa Paulo cuidou de quatro refugiados espanhóis em sua casa, enquanto continuava a trabalhar numa fábrica. Data desse período o início da militância activa no Partido Comunista, formando com a filha um dos pares com mais experiência da vida clandestina.

Presa com Aida Paulo a 27 de Maio de 1939, numa tipografia ilegal em Algés, manteve-se incomunicável numa esquadra até ser transferida, a 21 de Junho, para a Cadeia das Mónicas: julgada no Tribunal Militar Territorial em 19 de Outubro de 1940, foi condenada a vinte meses de prisão correccional, que cumpriu naquele estabelecimento, onde conviveu com presas de delito comum, e saiu em liberdade a 1 de Fevereiro de 1941.

Voltou à militância activa, passando imediatamente com a filha para uma casa na Chamboeira (Freixial, Loures), com Sérgio Vilarigues e, posteriormente, Álvaro Cunhal, de quem fazia de “mãe”.

Trabalhou nos serviços de apoio, participaram ao I Congresso Ilegal do PCP, realizado no Monte Estoril em 1943.

Tornou a ser detida em 1947, também numa tipografia, e com a filha, numa casa clandestina, a 2 de dezembro de 1958, data do último trio de fotografias que consta da sua Biografia Prisional.

Enviada para Caxias, foi julgada em 25 de fevereiro de 1960 pelo Plenário do Tribunal Criminal da Comarca de Lisboa e sentenciada a dois anos de prisão maior, suspensão dos direitos políticos durante 15 anos e a medida de segurança de internamento indeterminado de seis meses a três anos, prorrogável. Acabou por ser libertada em 5 de Julho de 1962, por se encontrar gravemente doente.

Aprendeu a ler e a escrever somente na clandestinidade, quando tinha mais de 40 anos. Maria Eugénia Varela Gomes, sua companheira de cela, descreve-a no livro Contra ventos e marés:

“A velha Luísa Paulo, a mãe Luísa, como lhe chamávamos. Era uma verdadeira operária. Só entrara para o Partido Comunista aos quarenta anos, já viúva, depois de uma vida de luta cá fora, e de caminhadas para as cadeias, a apoiar o marido e os amigos. Fora no partido que aprendera a ler, e a sua ânsia de se cultivar era comovedora. Inteligente, esperta como um alho, era capaz de pensar pela sua cabeça, e não havia demagogia nem artes oratórias que a dobrassem, enfrentando constantemente as intelectuais. Doentíssima, superava a doença com a sua energia indomável. Estudava, lia, fazia ginástica, apesar da sua idade avançada e de um coração que funcionava muito mal. Tive sempre o apoio dela, embora discreto. Só não se lhe podia falar em padres, porque perdia a cabeça. Viera da I República, e era de um anticlericalismo total” [MMC, Maria Eugénia Varela Gomes..., p. 233].

Considerada um símbolo da defesa das casas clandestinas durante três décadas, Rose Nery Nobre de Melo dedicou-lhe um capítulo no livro Mulheres Portuguesas na Resistência. Tal como a filha, o apelido aparece frequentemente como Paula.
[João Esteves]

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[0455.] Aida Paulo [IV]


- Aida da Conceição Paulo -

[1975, pp. 31-40]

[0454.] AIDA PAULO [III] // DEPOIMENTO A GINA DE FREITAS


* AIDA DA CONCEIÇÃO PAULO * 


[pp. 57-67]

[0453.] AIDA PAULO [II]


* AIDA DA CONCEIÇÃO PAULO *

- Ficha Prisional -
 
 
[Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, Presos Políticos no Regime Fascista II – 1936-1939, Mem Martins, 1982, pp. 371-373]

[0452.] AIDA PAULO [I]

* AIDA DA CONCEIÇÃO PAULO *
[09/12/1918-25/10/1993]

[Fotografia publicada por António Ventura, Memórias da Resistência – Literatura Autobiográfica da Resistência ao Estado Novo, Câmara Municipal de Lisboa, 2001]

Ajuntadeira de Calçado.

Filha de Luísa da Conceição Paulo, tecedeira, e de Carlos Luís Paulo, pintor da construção civil, nasceu em Lisboa, na Rua de Campo de Ourique, a 9 de Dezembro de 1918, e faleceu a 25 de Outubro de 1993, com 75 anos de idade.

Aderiu ao Partido Comunista Português em 1936, com apenas 18 anos, e manteve, tal como a mãe, duradoura actividade nas casas de apoio, sendo indissociável o percurso e cumplicidade de ambas na luta clandestina e durante as várias prisões.

Presa pela polícia política do Estado Novo (PVDE, PIDE) por 3 vezes, entre 1939 e 1967, duas das quais com a mãe.

A primeira detenção aconteceu com a mãe e Augusto da Costa Valdez (01/02/1914-1988) a 27 de Maio de 1939, numa tipografia clandestina em Algés. Transferida para a Cadeia das Mónicas a 13 de Junho, seria julgada pelo Tribunal Militar Especial a 19 de Outubro de 1940 e condenada a 12 meses de prisão e perda de direitos políticos por cinco anos [de 27/05/1939 a 27/10/1940 (Cadeia das Mónicas)].

Libertada, voltaria à militância, passando com a mãe para uma casa na Chamboeira (Freixial, Loures), com Sérgio Vilarigues e, posteriormente, Álvaro Cunhal. A filha e a mãe foram as duas únicas mulheres que, através dos serviços de apoio, participaram no I Congresso Ilegal do PCP realizado no Monte Estoril em 1943.

A segunda prisão deu-se quase 20 anos depois, numa habitação clandestina em Lisboa, na Rua Castilho, da qual resultou a condenação a dois anos e meio e a que correspondeu, na prática, a mais de 6 anos de reclusão [de 02/12/1958 a 14/01/1965 (Caxias)]. Foi, então, autora duma das treze cartas incluídas no manifesto enviado clandestinamente da Prisão de Caxias, datado de Maio de 1961, e dirigido às “organizações femininas e democráticas do mundo inteiro”, onde se fazia a denúncia das torturas e das precárias condições em que as presas políticas estavam encarceradas.

Abandonou a clandestinidade em 1965, para cuidar da mãe, gravemente doente.

A última detenção [de 28/07/1967 a 02/05/1968 (Caxias)] deu-se na legalidade, em Julho de 1967. Enviada incomunicável para a esquadra de Campolide e torturada pela PIDE, foi julgada a 2 de Maio de 1968, absolvida e imediatamente libertada.

Trabalhou no consultório da médica Julieta Gandra, na Rua Manuel da Maia, cujo conhecimento datava da prisão de Caxias, onde partilharam a mesma cela.

Pouco tempo depois da revolução de 25 de Abril de 1974, assinou o livro  Com a certeza de quem quer vencer e prestou depoimentos separados a Gina de Freitas [“E assim passavam os meses que se podiam somar por anos”, A Força Ignorada das Companheiras] e a Rose Nery Nobre de Melo [Mulheres Portuguesas na Resistência] sobre três décadas de vivência política clandestina, antes e depois da reorganização do PCP em 1940-1941, e as prisões sofridas. Neles, evocou a infância em Campo de Ourique, a aspiração de ser médica, a deportação do pai para Angola, em 1927, a leitura do jornal Avante! e a adesão ao PCP, actividades clandestinas, a família, a solidão, o isolamento, situações em que se deram as detenções, agentes envolvidos, interrogatórios, humilhações, condições prisionais, torturas e contacto com presas de delito comum, entre muitos outros aspetos.


O apelido surge na maior parte das vezes como Paula, inclusive na ficha prisional da PIDE e na capa do seu livro, editado em 1974, na coleção Episódios da Resistência Antifascista contados por quantos a viveram.
[João Esteves]

[0451.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS


* LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS *

[25/01/1912] A direcção da LRMP, acompanhada por grande número de sócias, entrega a Alexandre Braga uma mensagem de agradecimento pela sua apresentação de um projecto de lei sobre os direitos da mulher. 

As sócias da LRMP à saída do Parlamento, depois de terem entregue a Representação a Alexandre Braga

«Os Direitos da Mulher - As sócias da Liga Republicana entregam uma mensagem ao sr. Dr. Alexandre Braga

A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, tendo resolvido entregar ao sr. Dr. Alexandre Braga uma mensagem de felicitação e agradecimento pela apresentação do projecto de lei acerca dos direitos da mulher, convidou ontem as suas sócias a acompanharem a direcção ao edifício do Congresso, onde seria feita a entrega daquele documento. Com efeito umas duzentas e cinquenta senhoras foram ontem, pelas 15 horas, ao palácio de S. Bento em procura do ilustre parlamentar, depositando-lhe nas mãos, depois de lido pela sr.ª D. Maria Veleda, o seguinte documento: 
Ilustre cidadão – Reunida em sessão extraordinária a assembleia geral da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas para apreciar o acto belamente humanitário e da mais alta significação moral que vindes de praticar, apresentando no parlamento um projecto de lei que tem por objecto a emancipação civil e económica da Mulher, a qual até hoje tem vivido numa situação de escrava igualada aos irresponsáveis nos direitos, comparada aos Idiotas, submetida a uma tutela deprimente, tanto para ela como para os seres livres que a exerciam – seus pais ou seus maridos – foi por todas as sócias presentes e que assinam esta mensagem, o vosso nome aclamado como o de um benemérito, digno e nobilíssimo continuador daquele a quem as mulheres portuguesas devem os primeiros fulgores de justiça na sua aurora de libertação. Glória a Afonso Costa! Glória a vós, que, pondo o pé sobre a cabeça viperina do preconceito, levais a mulher até onde ela devia e era justo que fosse elevada. Numa República democrática não se compreendia que a Mulher pudesse permanecer na angustiosa, cruel e aviltante situação em que o Código Civil a mantinha. Não se compreendia que mães de homens livres continuassem sendo escravas. O projecto de lei, que apresentastes ao parlamento, e que este decerto aprovará integralmente, dando a todo o mundo culto mais um grandioso exemplo de solidariedade humana e engrandecendo cada vez mais a República, para que todas nós trabalhámos na medida das nossas forças – a nossa querida República! A nossa República bem amada, tão jovem e já de tanto prestígio! – o projecto de lei que apresentastes ao parlamento, constituiria ele só por si – ainda que outros e muitos outros não tivésseis – um preclaríssimo título de glória. Encarecê-lo mais é inútil: no seu mesmo significado, está o seu maior engrandecimento. Nós vimos simplesmente prestar-vos o tributo da nossa profunda gratidão. Milhares de bocas femininas proclamam reconhecidamente o vosso nome. Ele ficará, como um sol de rutilante brilho iluminando as páginas da nossa história. Viva Alexandre Braga! Viva a República! 
(Seguem-se as assinaturas). 
O sr. Dr. Alexandre Braga recebeu as sócias da Liga Republicana num dos gabinetes da câmara, e respondeu com um pequeno discurso, em que agradecia a manifestação, afirmando que ela lhe daria mais força para sustentar o projecto que apresentara. Foram soltados depois muitos vivas ao seu nome e à República. 
O sr. Dr. Magalhães Lima, que tinha prometido incorporar-se na manifestação e apresentar a direcção da Liga ao sr. Dr. Alexandre Braga, não compareceu por estar àquela hora impedido junto de um amigo que necessitava da sua presença para um acto solene.»
[O Mundo, 26/01/1912, p. 1, cols. 3-5]

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

[0450.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS


* Liga Republicana das Mulheres Portuguesas *

[09/07/1911] Organizada pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, realiza-se no Coliseu dos Recreios uma sessão solene de homenagem ao ministro da Justiça, Afonso Costa, tendo-se aí inaugurado o seu retrato. A sessão é presidida por Bernardino Machado e discursam Alfredo de Magalhães, Maria Veleda, Eusébio Leão, Carneiro de Moura, Agostinho Fortes, Visconde da Ribeira Brava e França Borges. A APF faz-se representar.

A direção da LRMP com Bernardino Machado
[Julho de 1911]

[0449.] MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO [VII]


* MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO *

 [Edições Colibri, 2007]

* Ricardina Maria Gaudêncio *


* Rosalina Maria Morraceira *


* Sofia Maria dos Santos Machado *


* Vitalina da Conceição Pavia Roque Pires Sofio *

[0448.] MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO [VI] || TERESA FONSECA (COORDENAÇÃO)

 MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO *

[Coord. Teresa Fonseca || Edições Colibri || 2007]

Maria Luísa Tomate


Maria Margarida dos Santos Machado 


Maria Matilde Caldeira Badalinho Pires


Maria Teresa Machado Barreiros


Mariana Amália Vidigal Alves Besuga


[0447.] MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO [V]

* MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO *

[Edições Colibri, 2007] 

* Lisete de Jesus Liberato Rodrigues Pinto de Sá *


* Maria Bernardina de Oliveira Pais *


* Maria Cristina Pavia *


* Maria Fernanda Testos Batista Pereira *


* Maria Lourença Cabecinha *


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

[0446.] MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO [IV]


* MULHERES DE MONTEMOR-O-NOVO *

[Edições Colibri, 2007]

* Florentina da Visitação Catarro *


* Florinda Margarida Concórdia Anes *


* Fortunata Lourenço dos Santos *


Gertrudes Maria Borla Calção Marmeleira *


* Joaquina de Jesus *