[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

[2437.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS - DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LVI] || 1926 - 1933

  * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LVI *

0497. António Casimiro Rodrigues Merca [1931]

[Lisboa, 1899, comerciante - Lisboa. Preso em 12/10/1931, «por falsas declarações» em benefício de Alexandre Pereira Nunes, implicado no movimento revolucionário de 26/08/1931. Libertado em 15/10/1931 (Processo 13)].

0498. António Castanheira [1932, 1933]

[Lisboa, 1909, fundidor - Lisboa. Preso em 23/01/1932, por «professar ideias comunistas» e se relacionar com a Juventude Comunista Portuguesa, figurando como simpatizante dentro da Célula N.º 10. Libertado em 24/03/1932 (Processo 225). Preso em 09/02/1933, acusado se fazer parte de um núcleo de simpatizantes do Partido Comunista que se reunia no Largo da Esperança e que incluía, ainda, Emílio Miguel Valoroso e Firmino de Matos, controlado por Mário Rodrigues Pio. Tinha a seu cargo a Comissão Sindical, integrava o Socorro Vermelho Internacional, para o qual contribuía, e adquiriu, com os restantes, armas para serem utilizadas em caso de necessidade, sendo considerado no seu Cadastro Político como «um elemento bastante perigoso» (Processo 626). Julgado pelo TME em 02/03/1934 (Processo 31/933 do TME) e libertado em 29/07/1934].  

0499. António Castela [1931]

[Santarém, 1888, Guarda do Cemitério de Carnide. Preso, em 01/10/1931, pela Secção de Justiça e Informações do Comando da PSP de Lisboa, acusado de ter participado no movimento revolucionário de 26 de Agosto - assalto ao Grupo de Sapadores Mineiros, aquartelados na Pontinha. Libertado em 13/01/1932 (Processo 184)].

0500. António Cera [1932]

[Ourique, 1891, trabalhador - Conceição, concelho de Ourique. Preso em 28/03/1932 e entregue pelo Comando da PSP de Beja em 11/04/1932, acusado de estar envolvido em gritos subversivos, juntamente com Garibaldi Marques, Jacinto Angélica e José Bernardino, depois de terem saído duma locanda da aldeia da Conceição - Ourique. Também estava presente Ernesto Raposo, o qual foi morto na sequência da intervenção das autoridades chamadas pelo Regedor (Processo 341). Libertado em 07/07/1932].

0501. António César do Nascimento [1930]

[Lisboa, 1910, 1.º Cabo de Caçadores 7. Preso em 24/07/1930, «por fazer parte da organização revolucionária do Regimento a que pertence, tendo ligações revolucionárias com o ex-tenente Quilhó». Entregue às autoridades militares em 07/09/1930 (Processo 4670); libertado em 17/03/1931].

0502. António Cesário [1928]

[Tenente S.A.M. Preso em 20/07/1928, por ter tomado parte no movimento revolucionário desse dia. Em 21/08/1928, foi-lhe fixada residência em Lisboa].

0503. António Coelho [1931]

[Tenente do Batalhão de Caçadores 7. Em 03/03/1931, o Ministério da Guerra comunicou ao Ministério do Interior que foi ordenada a sua prisão, dando entrada na Casa de Reclusão Temporária de S. Julião da Barra].

0504. António Constantino [1933]

[Caldas da Rainha, 1907, trabalhador rural. Preso em 25/06/1933, «por ser detentor duma pistola "Savage"» (v. Processo 721); libertado em 28/06/1933].

0505. António Correia Gonçalves [1931]

[1.º Sargento Cadete de Infantaria 17. Quando pertencia a Infantaria 18, terá tomado parte activa nos acontecimentos de Maio de 1931, no Porto, sendo mandado residir, obrigatoriamente, em Almeida. Em 28/09/1931, apresentou-se em Peniche, onde lhe foi fixada residência obrigatória]. 

0506. António Correia [1930-1934 (residência fixa), 1942 

[António Correia || 09/07/1942 || ANTT || RGP/14176]

[S. Pedro de France (Viseu), 21/07/1895, Capitão de Artilharia e Aviador. Ainda estudante do liceu, alistou-se "como voluntário na unidade de artilharia de Viseu" [Fernando Mouga, Janela da Memória, p. 271], "fez a guerra em França" e obteve, em Inglaterra, "o diploma de piloto-aviador de combate que dele fez um dos pioneiros da aviação militar portuguesa". Um acidente de aviação em Torres Novas, quando voava com Ribeiro da Fonseca, fizeram-no regressar à Arma de Artilharia, sendo "o capitão mais novo, ao tempo, do Exército português e na Arma permaneceu até que, já na situação de reserva, o ministro, fascista, da Guerra - Fernando dos Santos Costa - o demitiu". Em 1930, estava com residência obrigatória em Fafe, não tendo a Polícia Internacional Portuguesa autorizado que fosse passar o Natal a Viseu, onde residia a família. Em Maio de 1931, quando estava com residência fixada em Ceia, requereu ao Ministério da Guerra transferência para Viseu, não lhe tendo sido autorizado por parecer da Polícia. Em Agosto de 1932, fez novo pedido para ser transferido para Viseu. Em Agosto de 1934, quando se encontrava com residência fixa em Viseu, solicitou que fosse colocado em uma Unidade de Artilharia, o que foi autorizado em 05/09/1934. Durante a Guerra de 1939-1945, o capitão António Correia foi preso e conheceu, durante quase quatro anos, as principais prisões fascistas, em virtude de uma carta enviada ao embaixador de Inglaterra em Portugal onde "se afirmava o apoio dos republicanos de Viseu à causa dos Aliados e se censurava a posição de Salazar". Por denúncia, a polícia política teve conhecimento da missiva e foi preso em 11/01/1942, enviado para o Aljube e, como era militar, seguiu para a Casa de Reclusão da Trafaria em 19 do mesmo mês. Demitido do Exército por despacho de Santos Costa, foi transferido, em 8 de Julho do mesmo ano, para o Aljube, por si considerado muito pior do que o inferno em missiva ao capitão Arruda, detido na Trafaria. Dali passou para Caxias (28 de Julho) e, em 5 de Agosto, embarcou para o Tarrafal, onde permaneceu até 27/01/1944. De regresso ao continente, voltou a Caxias em 2 de Fevereiro e foi transferido para Peniche em 23 de Maio, prisão onde permaneceu até ser restituído à liberdade em 01/11/1945. Poucos dias depois, foi um dos oradores do imponente comício realizado no Teatro Avenida: "pela primeira vez depois do advento do fascismo salazarista era possível à oposição democrática de Viseu manifestar-se maciçamente num acto público". Libertado, "tratou de viver com honra na situação a que fora reduzido de homem sem haveres nem rendimentos que lhe permitissem subsistir: trabalhou no comércio em Lisboa e Viseu como empregado, na Seara Nova com Câmara Reys ao lado de Manuel Ricardo; fixado por fim, nos arredores de Vila da Feira em casa de Maria Isabel, sua filha mais velha, leccionou num colégio da vila com o simples nome de António Correia até que a pide o localizou e impôs ao director que o despedisse". Publicou dois livros, Poucos Conhecem os Açores, com prefácio de Câmara Reys (1942), e Palavras Sem Eco (1960), tendo esta recolha de escritos de opinião sido apreendido pela PIDE. Faleceu na Quinta das Mestras, Vila da Feira, em 1961, vítima de uma hemorragia cerebral. Na sequência do 25 de Abril, foi restituído, postumamente, no posto e na Arma de onde tinha sido demitido. A nova gestão da Câmara Municipal de Viseu atribuiu o nome de António Correia a uma rua, "embora secundária, da cidade". Por pouco tempo, pois a vereação eleita tratou de riscar aquele nome da toponímia].

[João Esteves]

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