[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sexta-feira, 9 de junho de 2017

[1607.] BENEDITA VASCONCELOS [I]

* HÁ OS QUE PARTEM E HÁ OS QUE VIVEM SEMPRE EM NÓS *

[1947 - 2017]

Não há palavras para descrever esta (in)esperada notícia. 

Não conhecia pessoalmente a Benedita Vasconcelos, mas é como se ela existisse desde sempre. Via Facebook, que entendia só merecer ser utilizado de forma criteriosa, foram-se estabelecendo pontes através de nomes comuns de Coimbra: Benedita Vasconcelos por os ter conhecido, eu por saber que existiam via memórias familiares e investigações posteriores das activistas coimbrãs das décadas de 40 e 50.

De "enorme abertura de espírito", "uma antifascista de grande carácter" e "uma mulher de fibra, insubmissa e fiel a princípios", como tão bem a caracterizou Helena Pato, amiga de muitos anos e que nunca deixou de a acompanhar nestes últimos momentos, dando-lhe o ânimo possível, fomos trocando mensagens sobre esta "nossa gente", prontificando-se a identificar nomes que tinham integrado a Delegação de Coimbra do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. E era um contentamento enorme que nos unia quando se dava uma pequena descoberta, assim como falava com enorme carinho do Comandante José Moreira de Campos (1898 - 1967), seu tio, compulsivamente reformado pelo governo salazarista ao abrigo do Decreto Lei nº 25316, de 13 de Maio de 1935. 

Recorrendo, de novo, à Helena Pato, a Benedita Vasconcelos "ficará na nossa memória para sempre", até porque "é o esquecimento e não a morte que nos faz ficar fora da vida" (Mia Couto).

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