* NATÉRCIA BABO *
[1914 - 2004 ?]
[21/09/1914 - 2004[?)]
Advogada.
Filha de Albertina Vieira de Azevedo e de Isolino Alves Caramalho [Póvoa de Varzim, 1889 — Lisboa, 1943], nasceu a 21 de Setembro de 1914 em Santa Leocádia de Briteiros, Guimarães.
Frequentou, na segunda metade da década de 30, a Faculdade de Direito de Lisboa, então no Campo Santana, onde foi colega, entre outros de Álvaro Cunhal [1913 - 2005] e Alexandre Babo [30/09/1916 - 02/11/2007], com quem casou.
Após a licenciatura, conseguiu, no início dos anos 40, colocação num Bairro administrativo do Porto, cidade onde o casal passou a viver.
Integrou o grupo fundador da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, onde era a sócia nº 182: proferiu conferências, marcou presença no almoço de homenagem à escritora Maria Lamas aquando da sua deslocação àquela cidade e foi por seu intermédio que João Villaret aceitou realizar um recital a favor da Paz promovido pela agremiação no Teatro S. João, o qual foi apresentado por si.
Natércia Babo esteve ainda associada a outros episódios da luta antifascista.
Pertenceu à Comissão Distrital Feminina do Porto do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e assinou a Circular nº 1, juntamente com Amélia Cal Brandão, Beatriz Almeida Cal Brandão, Irene Cortesão, Irene de Castro, Maria Branca Lemos, Maria Elvira Cortesão e Maria Manuela David, todas sócias da AFPP.
Em 1949, participou activamente na campanha presidencial de Norton de Matos e discursou na sessão realizada em Viana de Castelo, no Teatro de Sá de Miranda, onde fez «uma intervenção bem estruturada e firme, condenando e atacando o regime sem tibiezas» [Alexandre Babo, Recordações de um caminheiro, 1993].
Foi na sequência dessa reunião de propaganda que foi presa um mês depois pela PIDE, em 4 de Março de 1949, por ter afrontado publicamente o comandante daquela polícia local por não se ter levantado para cantar o Hino Nacional.
Por intermédio do marido, escritor a advogado que passou a militar no Partido Comunista a partir de 1943 e de quem se divorciou na segunda metade da década de 50, Natércia Babo conviveu com o activismo antifascista do Porto e, embora nunca tenha sido daquela organização, por influência de Joaquim Pires Jorge, dirigente que muitas vezes se abrigou na casa do casal, chegou a «tomar posição e praticar actos que muita gente do partido não seria capaz», responsabilizando-se por ir várias vezes a Coimbra de comboio buscar o jornal Avante! para ser redistribuído no Norte: «Arriscava comigo sem se opor e sabia perfeitamente que, sendo presa, nada lhe valia afirmar que não era filiada» [A. Babo].
Traduziu alguma literatura com Alexandre Babo, tendo o seu pai também sido tradutor de nomes como Gogol, Tolstoi, Maupassant e Sienkiewicz.
Filha de Albertina Vieira de Azevedo e de Isolino Alves Caramalho [Póvoa de Varzim, 1889 — Lisboa, 1943], nasceu a 21 de Setembro de 1914 em Santa Leocádia de Briteiros, Guimarães.
Frequentou, na segunda metade da década de 30, a Faculdade de Direito de Lisboa, então no Campo Santana, onde foi colega, entre outros de Álvaro Cunhal [1913 - 2005] e Alexandre Babo [30/09/1916 - 02/11/2007], com quem casou.
Após a licenciatura, conseguiu, no início dos anos 40, colocação num Bairro administrativo do Porto, cidade onde o casal passou a viver.
Integrou o grupo fundador da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, onde era a sócia nº 182: proferiu conferências, marcou presença no almoço de homenagem à escritora Maria Lamas aquando da sua deslocação àquela cidade e foi por seu intermédio que João Villaret aceitou realizar um recital a favor da Paz promovido pela agremiação no Teatro S. João, o qual foi apresentado por si.
Natércia Babo esteve ainda associada a outros episódios da luta antifascista.
Pertenceu à Comissão Distrital Feminina do Porto do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e assinou a Circular nº 1, juntamente com Amélia Cal Brandão, Beatriz Almeida Cal Brandão, Irene Cortesão, Irene de Castro, Maria Branca Lemos, Maria Elvira Cortesão e Maria Manuela David, todas sócias da AFPP.
Em 1949, participou activamente na campanha presidencial de Norton de Matos e discursou na sessão realizada em Viana de Castelo, no Teatro de Sá de Miranda, onde fez «uma intervenção bem estruturada e firme, condenando e atacando o regime sem tibiezas» [Alexandre Babo, Recordações de um caminheiro, 1993].
Foi na sequência dessa reunião de propaganda que foi presa um mês depois pela PIDE, em 4 de Março de 1949, por ter afrontado publicamente o comandante daquela polícia local por não se ter levantado para cantar o Hino Nacional.
Por intermédio do marido, escritor a advogado que passou a militar no Partido Comunista a partir de 1943 e de quem se divorciou na segunda metade da década de 50, Natércia Babo conviveu com o activismo antifascista do Porto e, embora nunca tenha sido daquela organização, por influência de Joaquim Pires Jorge, dirigente que muitas vezes se abrigou na casa do casal, chegou a «tomar posição e praticar actos que muita gente do partido não seria capaz», responsabilizando-se por ir várias vezes a Coimbra de comboio buscar o jornal Avante! para ser redistribuído no Norte: «Arriscava comigo sem se opor e sabia perfeitamente que, sendo presa, nada lhe valia afirmar que não era filiada» [A. Babo].
Traduziu alguma literatura com Alexandre Babo, tendo o seu pai também sido tradutor de nomes como Gogol, Tolstoi, Maupassant e Sienkiewicz.
Aparece referenciada no Caderno de Irene de Castro como Dr.ª Natércia Babo, com escritório na Rua Alexandre Braga, 40, 2º e residência na Rua do Bairro do Comércio, 91, R/C, Porto. É esta a morada que também aparece no Registo Geral de Presos da PIDE como sua residência [ANTT, RGP, Registo nº 19002].
[João Esteves || 29/09/2015]

3 comentários:
Tia Néné fora de série. Mulher valente e sem medo.
Maria Alberta Caramalho
Lembro me da tia Nené quando eu era menina, há cerca de 65 anos. Tenho tantas boas recordações do seu espírito independente e sempre me senti orgulhosa por ter o nome dela.
Natercia Caramalho Principe. 31 de Julho 2025
Lembro me da tia Nené quando eu era menina, há cerca de 65 anos. Tenho tantas boas recordações do seu espírito independente e sempre me senti orgulhosa por ter o nome dela.
Natercia Caramalho Principe. 31 de Julho 2025
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