[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

quarta-feira, 6 de junho de 2018

[1829.] LUÍSA RODRIGUES [III]

* LUÍSA RODRIGUES (1903 - 1960) || MILITANTE COMUNISTA NAS DÉCADAS DE 1930, 1940 E 1950 || PRESA EM 1936 E 1949 *

[Luísa Rodrigues || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Operária e militante comunista nas décadas de 1930, 1940 e 1950. 

Filha de Maria Rosa e de Marçalo Rodrigues, Luísa Rodrigues nasceu em 7 de Março de 1903, em Lisboa - Freguesia de Santa Isabel.

Residia na Rua de São Ciro, 42, 4.º Dto, quando foi presa em 21 de Novembro de 1936, juntamente com Susana Mendonça dos Santos, acusada “de fazer propaganda subversiva e haver a suspeita de ter distribuído panfletos clandestinos nas oficinas da fábrica onde trabalha”, sendo “conhecida como pessoa de ideias avançadas, chegando a cantar a Internacional e mais versos comunistas, na oficina onde é operária” [ANTT, Cadastro Político 8807].

Levada para a 1.ª Esquadra no dia 23, foi transferida para o regime de incomunicabilidade em 5 de Dezembro de 1936, passou para a 1.ª Esquadra da PSP em 14 de Dezembro e, em 19 de Dezembro, seguiu para a Cadeia das Mónicas em 19 de Dezembro, onde permaneceu cerca de 4 meses, até ser libertada, tal como Susana Mendonça Rodrigues, em 12 de Abril de 1937 [ANTT, RGP/5322; Processo 1757/936]. 

[Luísa Rodrigues || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Ter-se-á tornado funcionária do Partido Comunista por volta de 1942 [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política, Vol. 2, Lisboa, Temas e Debates, 2001, p. 640]. 

Escassos anos depois, era companheira de casa de Manuel dos Santos, operário comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov” [03/02/1914 - 25/10/1947], condenado nos anos 30 a 22 anos de prisão e fugido do Limoeiro em Setembro de 1944, após 12 anos em várias prisões, morrendo na clandestinidade com apenas 33 anos. 

Em 20 de Junho de 1945, quando usava o pseudónimo “Laura”, abandonou a tempo, com aquele, a casa-tipografia de Ermesinde assaltada pela PIDE. 

Novamente presa em 10 de Fevereiro de 1949, em Macinhata do Vouga, Sever do Vouga, na casa clandestina que partilhava com Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896 - 02/01/1950], tendo este conseguido, temporariamente, escapar, enquanto Luísa Rodrigues, que usava o pseudónimo “Maria”, destruía documentação. 

Levada para a sede da PIDE do Porto e acusada de pertencer ao Partido Comunista Português, recusou prestar quaisquer informações apesar de "forçada a estar 4 dias e meio sem comer nem beber” [Avante! N.º 134]. Um mês depois, assistiu à chegada às mesmas instalações de Álvaro Cunhal [10/11/1913 - 15/06/2005], Militão Ribeiro e Sofia Ferreira [01/05/1922 - 22/04/2010], tendo os seus constantes gritos contribuído para que se soubesse daquelas prisões. 

[Luísa Rodrigues || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Atendendo ao estado de saúde em que Sofia Ferreira reencontrou Luísa Rodrigues, exigiu assistência médica e tentou dar-lhe apoio moral através de um bilhete, entretanto descoberto. Em entrevista a Antónia Balsinha, datada de 30 de Maio de 2000, aquela refere que “o estado da minha amiga era tão grave que a PIDE acabou por a libertar sem processo” [Antónia Balsinha, As Mulheres de Alhandra na Resistência. Anos quarenta, século XX, Porto, Editora Ausência, 2005, p. 203]. 

Libertada em 9 de Maio de 1949, o número de Setembro do Avante! denunciava que tinha sido torturada até à loucura.    

[PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]
              
Faleceu em 1 de Dezembro de 1960, com 57 anos de idade. 
                 
Referenciando-a como companheira de Militão Ribeiro, o Avante! de Janeiro de 1961 sublinhou que o assassinato do companheiro pela PIDE e a saúde fortemente abalada pela prisão, martirizou toda a sua existência [Avante!, N.º 296].

[Desenho de António Domingues, in José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política – O Prisioneiro (1949-1960), Vol. 3, Lisboa, Temas e Debates, 2005]

António Domingues assinou, em 1954, um desenho onde a retratou com um ar acusador e o braço esquerdo levantado, tendo umas grilhetas quebradas na mão, o qual foi publicado por Pacheco Pereira no III volume dedicado à biografia política de Álvaro Cunhal.

Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género em 2013, inseriu a sua biografia.

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 8807 [Luísa Rodrigues / PT-TT-PIDE-E-001-CX13_m0341].
ANTT, PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos/5322 [Luísa Rodrigues / PT-TT-PIDE-E-010-27-5322].

[João Esteves]

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