[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

[0291.] VIRGÍNIA QUARESMA [I] 1882 - 1973

* VIRGÍNIA SOFIA DA GUERRA QUARESMA *

[28/12/1882 - 26/10/1973]

Nasce, a 28 de Dezembro de 1882, a militante feminista e jornalista Virgínia Sofia da Guerra Quaresma.

Filha do general Júlio Guerra Ferreira Quaresma, que chegou a ser comandante militar dos Açores, Virgínia Quaresma nasceu em Elvas, diplomou-se pela Escola Normal de Lisboa e pelo Curso Superior de Letras e distinguiu-se como jornalista, tanto na imprensa feminina, como nos jornais diários de expansão nacional. Foi, aliás, a primeira mulher que exerceu essa profissão no país, notabilizando-se na reportagem de acontecimentos políticos.

Durante muito tempo ignorado, o seu nome é indissociável da primeira fase do movimento feminista português, tendo colaborado, a partir de 1906, na secção "Jornal da Mulher" (O Mundo), onde assinou importantes textos em defesa do feminismo e manteve uma esclarecedora polémica com Maria Veleda.

Foi redactora principal e Secretária da Redacção da revista Alma Feminina (1907-1908), dirigida por Albertina Paraíso; endossou, ao ministério do reino, uma carta contestando a exclusão de estudantes do sexo feminino do pensionato ao estrangeiro (1907); e em 1909, segundo a Revista Pedagógica, acumulava as funções de co-redactora do jornal O Século com as de professora de instrução secundária da Real Casa Pia.

Activista do pacifismo, integrou a Secção Feminista da Liga Portuguesa da Paz e pertenceu ao Comité Português da associação La Paix et le Désarmement par les Femmes, criado em Dezembro de 1906. 

Enquanto republicana, participou em numerosas sessões de propaganda realizadas nos Centros Escolares, ainda antes de 5 de Outubro de 1910, onde enalteceu o papel destes na difusão da instrução e no reforço da assistência infantil.

Virgínia Guerra Quaresma também militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ainda que nunca tenha desempenhado qualquer cargo dirigente: engrossou a campanha a favor da aprovação da Lei do Divórcio (1909); interveio na emblemática assembleia geral de 26/10/1910; e, a convite de Ana de Castro Osório, foi oradora na sessão de homenagem à médica e feminista francesa Madeleine Pelletier (11/12/1910), tendo produzido “um substancioso discurso sobre o feminismo, concluindo por dizer que a propaganda feminista devia, de facto, começar agora e prosseguir persistentemente, fossem quais fossem os escolhos encontrados no seu caminho”.

Um ano depois, em 03/11/1911, discursou na sessão solene organizada pelo Grupo das Treze em memória de Carolina Beatriz Ângelo.

Em Fevereiro de 1911, F. da Silva Passos defendeu, na 1.ª página do jornal A Capital, a nomeação de Virgínia Quaresma para segundo secretário de legação, já que não só possuía o curso de diplomacia - constante das seguintes cadeiras, História Universal, Filologia Românica, Geografia, Francês, Inglês, Filologia Portuguesa, Literatura Nacional e História Pátria -, como tinha obtido melhores classificações que os colegas.

Em Agosto, o mesmo periódico noticiou que ia ser “nomeada para, em comissão de serviço público, estudar, em França, Itália, Suíça e Alemanha, a organização e funcionamento dos estabelecimentos modelares de educação feminina”.

Pouco depois da implantação da República, partiu para o Rio de Janeiro, de onde regressou em finais de 1915, e foi directora da sucursal, em Lisboa, da Agência Americana de Notícias. Voltou diversas vezes àquele país, onde trabalhou no Correio Português e em A Época.

[Voz de Portugal, 08/01/1961]

Devido aos serviços que prestou durante a 1.ª Guerra Mundial, Virgínia Quaresma foi condecorada com o grande oficialato da Ordem de Santiago.

Faleceu em 26 de Outubro de 1973, em Lisboa, com 90 anos de idade.

A jornalista Maria Augusta Seixas apresentou uma dissertação sobre a sua vida, estando em vias de publicação.


[João Esteves]

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