[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

terça-feira, 15 de junho de 2021

[2284.] ELAS ESTIVERAM NAS PRISÕES DO FASCISMO || URAP - JUNHO DE 2021

 * ELAS ESTIVERAM NAS PRISÕES DO FASCISMO *

 1755 MULHERES PRESAS (1926-1974)

URAP || JUNHO DE 2021

Na capa, fotografia prisional de Albina Pato, tendo o seu filho Rui, então com dois anos, ao colo

Albina Pato [1929 - 1970] foi detida em 15 de dezembro de 1961, no mesmo dia que o companheiro Octávio Pato [01/04/1925 - 19/02/1999], embora em locais diferentes. 

Sem ter a quem os confiar, levou os filhos Isabel (filha de Antónia Joaquina Monteiro) e Rui Pato (filha de Albina), de seis e dois anos, e manteve-os junto de si em Caxias: deitava-os no único divã e “descansava de joelhos no chão e com as mãos agarradas aos pulsos deles, para que não lhos tirassem” [A Forças Ignorada das Companheiras, p. 30], segundo descrição da própria a Maria Rodrigues Pato, a quem entregou os netos. 

Julgada em 17 de novembro de 1962, no mesmo dia de Octávio Pato, e condenada “na pena de prisão maior, na variável de 3 anos, na fixa de suspensão de direitos políticos durante quinze anos e no mínimo de Imposto de Justiça e na medida de segurança de internamento de seis meses a três anos prorrogável” [“Biografia Prisional”], acabou por permanecer seis anos e sete meses na Cadeia de Caxias. 

Em Novembro de 1966, numerosos cidadãos assinaram uma petição a solicitar a sua libertação, atendendo a ter já cumprido a pena a que tinha sido condenada e ao debilitado estado de saúde em que se encontrava. 

Só lhe foi concedida a liberdade condicional em 9 de Julho de 1968 e solta em 11, depois de devidamente fotografada. 

Suicidou-se em 2 de outubro de 1970, com apenas 41 anos de idade, situação denunciada pela Circular n.º 6, de 23 de outubro de 1970, da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. 

A mesma Comissão, em telegrama enviado ao Presidente do Conselho Marcelo Caetano e subscrito, entre outros, por Cecília Areosa Feio, Maria Eugénia Varela Gomes e Sophia de Mello Breyner Andresen, responsabilizou diretamente o Governo pelo “trágico acontecimento consequência não só longa prisão sofrida condições desumanas como cruel expectativa quanto à situação seu marido Octávio Rodrigues Pato preso há nove anos cumprindo agora medidas de segurança”.

Sofia Ferreira [10/05/1922 – 22/04/2010] responsabilizou o conhecido médico da PIDE José Godinho Gama Barata pelo falecimento precoce, por não lhe ter prestado “nenhuma assistência, apesar de ter sido testemunha visual de inúmeras crises nervosas e psíquicas que ela teve na prisão”; Maria Eugénia Varela Gomes, sua companheira de cela, em conversa com Manuela Cruzeiro, referiu a forma impiedosa como os filhos pequenos e a mãe foram tratados na cadeia.

[João Esteves]

domingo, 30 de maio de 2021

[2283.] A ILUSÃO DO SUFRÁGIO FEMININO NA REVOLUÇÃO REPUBLICANA DE 1910 || HISTORIA CONSTITUCIONAL 15 (2014)

 * DA ESPERANÇA À DECEPÇÃO: A ILUSÃO DO SUFRÁGIO FEMININO NA REVOLUÇÃO REPUBLICANA PORTUGUESA DE 1910 *

HISTORIA CONSTITUCIONAL 15 || 2014

Foi durante as primeiras três décadas do século XX que se consolidou a contaminação do espaço público por uma elite feminina devido, em grande parte, ao contributo discursivo, argumentativo e organizativo de feministas e republicanas. Quando a revolução republicana triunfou em 5 de Outubro de 1910, havia já alguns anos de movimentações de mulheres esclarecidas que lutavam pelo reconhecimento dos seus direitos e cujas reivindicações se impuseram durante a I República. Se o republicanismo contribuíra para o impacto e consolidação do feminismo português, sendo este suportado por escritoras, médicas, farmacêuticas, professoras, educadoras, jornalistas e domésticas, aquele começara a esboçar-se em finais do século XIX e revelou-se, inicialmente, autónomo, independente e diversificado.

A consciencialização, mobilização e intervenção cívica, associativa e política das mulheres em Portugal beneficiou da conjuntura política vivida no dealbar do século, resultou de contributos diversos e envolveu opiniões convergentes quanto aos novos papéis que lhes caberiam desempenhar na sociedade, embora nem sempre coincidentes quanto a orientações políticas, estratégias, lideranças e reclamações.

Desde os últimos anos da Monarquia até ao II Congresso Feminista e de Educação, em 1928, assistiu-se ao questionar da situação das mulheres portuguesas, cuja subalternidade sobressaía do Código Civil em vigor e da elevada taxa de analfabetismo (85,4%, em 1890, 85%, em 1900 e 81,2%, em 1911); divulgação das lutas travadas por todo o mundo, com enfoque nos países europeus, Canadá e Estados Unidos da América; intervenção, mediante a palavra escrita, na imprensa e, posteriormente, através de discursos públicos; adesão ao pacifismo; proximidade e iniciação na Maçonaria das principais líderes e dirigentes; constituição de agremiações feministas de cariz pacifista, maçónico, republicano, sufragista, apolítico ou nacionalista; politização, confrontos ideológicos e fragmentações; envolvimento no republicanismo militante e na construção da República triunfante; formulação de representações, umas vezes específicas, outras de natureza genérica; filiações nas organizações internacionais mais representativas; promoção de eventos.

Procuravam combater a menorização das mulheres e, paulatinamente, centraram-se na conquista de direitos políticos, nomeadamente o do sufrágio feminino, embora com cambiantes consoante quem o formulava. Se na primeira década do século XX a ação recaiu na denúncia das condições legais, sociais, políticas, económicas, educativas e morais em que se encontravam as portuguesas e na justeza de obterem os mesmos direitos e deveres de que beneficiavam a parte masculina da sociedade, os anos de 1910 foram marcados por sucessivas reivindicações, evidenciando-se nas movimentações o feminismo republicano e sufragista.

[in http://www.unioviedo.es/historiaconstitucional/index.php/historiaconstitucional/article/view/410/369?fbclid=IwAR0yTrQ6yDq-2KjzuPExYYYqbQIy0-FRgEsMpfBzyB5EwL9arZrkrdGFet4]

[João Esteves]

[2282.] O VOTO DE CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO HÁ 110 ANOS || 28 DE MAIO DE 1911

 * O VOTO DE CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO HÁ 110 ANOS *

28 DE MAIO DE 1911 || 28 DE MAIO DE 2021

[Desenho do Mestre José Ruy || Novembro de 2016]

Apesar do voto de Carolina Beatriz Ângelo ser considerado como fortuito e, como tal, sistematicamente desvalorizado no contexto da I República, ele deve ser, antes, entendido no âmbito de um processo iniciado nos últimos anos da Monarquia e que levou a esse desfecho não tão imprevisível como isso.

Embora se possa sempre invocar que se tratou de um acto isolado, sem consequências outras que não uma vitória individual, a que não seria alheio o facto do juiz que autorizou o recenseamento eleitoral de Carolina ser o pai da amiga Ana de Castro Osório, também não é menos verdade que o sufrágio feminino era o culminar de uma estratégia mobilizadora das militantes republicanas e que vinha sendo delineada antes do triunfo da República.

O voto, mais do que um acaso, só foi tornado possível porque a elite das republicanas funcionara, ainda durante a Monarquia, como um verdadeiro grupo de pressão junto dos dirigentes republicanos, por pertencerem à mesma geração e frequentarem meios e terem objectivos comuns.

A força da sua capacidade reivindicativa e mobilizadora foi potenciada pelo 5 de Outubro de 1910 e o sufrágio feminino restrito, ao ter adeptos importantes na nova governação, chega a ser encarado como uma possibilidade real, disso dando conta a jornalista e feminista francesa Madeleine Pelletier que se deslocara a Portugal para se inteirar do que se passava.   

O seu voto só foi possível na sequência de uma revolução e quando o país ainda estava sob o efeito das suas consequências mais imediatas. Não por acaso, aconteceu sob a governação do Governo Provisório saído do 5 de Outubro e a sua aspiração seria definitivamente afastada com o triunfo do republicanismo mais conservador, patente nos governos subsequentes. 

Ao votar, Carolina ganhou notoriedade em Portugal, reforçou a mobilização em torno da reivindicação do sufrágio feminino e contribuiu, de forma decisiva, para a internacionalização do feminismo português.

Considerar o sucedido a 28 de Maio de 1911 um acaso é desvalorizar a intensa e persistente campanha que mobilizou, entre 1906 e 1911, cerca de dois milhares de mulheres em torno do reconhecimento de alguns dos seus direitos.

[João Esteves]

[2281.] CICLO INTERNACIONAL DE CONFERÊNCIAS MULHERES SEM FRONTEIRAS [I] || 28/05/2021 - COMEMORANDO o 110.º ANIVERSÁRIO DO VOTO DE CBA

 * CICLO INTERNACIONAL DE DE CONFERÊNCIAS MULHERES SEM FRONTEIRAS *

MOVIMENTOS DE MULHERES NOS SÉCULOS XX E XXI

1.ª SESSÃO || 28 DE MAIO DE 2021

Movimentos sufragistas da 1.ª vaga - História e Memória: Comemorando o 110.º aniversário do Voto de Carolina Beatriz Ângelo


Comissão Organizadora

Alexandra Alves Luís – Associação Mulheres sem Fronteiras / CICS.NOVA - Faces de Eva

Christine Auer – Associação Mulheres sem Fronteiras

Cristina L. Duarte - CICS.NOVA - Faces de Eva / Ass. Mulheres sem Fronteiras

Isabel Ventura - CEMRI-Uab / Associação Mulheres sem Fronteiras

Natividade Monteiro - HTC-NOVA FCSH / CEMRI-UAb / CICS.NOVA - Faces de Eva

Parcerias: CICS.NOVA / Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher / CEMRI - ESM-GSC

sexta-feira, 7 de maio de 2021

[2280.] DAVID DE CARVALHO [I] || OS SINDICATTOS OPERÁRIOS E A REPÚBLICA BURGUESA (1910-1926)

 * DAVID DE CARVALHO *
[06/11/1899 - 26/11/1985]

Jornalista, entre muitas outras profissões, preso inúmeras vezes durante a 1.ª República e catorze vezes durante os 48 anos de fascismo, David de Carvalho continua a ser um nome insuficientemente estudado e referenciado, apesar de ter integrado as Juventudes Sindicalistas, militado na Confederação Geral do Trabalho, fazer parte da redacção do jornal "A Batalha" aquando do seu encerramento em 1927 e militar, posteriormente, no Partido Comunista.

[David de Carvalho || Seara Nova || 1977]

Em 1977, no capítulo "Memória dum tempo vivido" do livro Os Sindicatos Operários e a República Burguesa (1910-1926) [Seara Nova], sublinhava "que o povo não tem ainda os seus historiadores como os tem a burguesia, embora se diga sempre que é o povo que faz a história; ele a faz, na verdade, porém, ninguém a escreveu ainda" [ p. 13].



[David de Carvalho || Seara Nova || 1977]

[João Esteves]

sábado, 1 de maio de 2021

[2279.] VIRGÍLIO MARTINS - VIRGÍLIO CELESTINO OLIVEIRA MARTINS [I] || DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO E PARA O TARRFAL

  * VIRGÍLIO MARTINS - VIRGÍLIO CELESTINO OLIVEIRA MARTINS *

Virgílio Martins foi preso em 1934 e enviado para a Fortaleza de São João Batista, em Angra do Heroísmo, de onde seguiu para o Tarrafal em 1936. Apesar de ter concluído o cumprimento da pena em Março de 1938, ficou em prisão preventiva, por ordem da SPS da PVDE, até 20/02/1945, quando regressou a Lisboa e foi libertado.

[Virgílio Martins / Virgílio Celestino Oliveira Martins || ANTT || RGP/174 || PT-TT-PIDE-E-010-1-174]

Filho de Maria Carlota de Oliveira e de Celestino dos Santos Martins, nasceu em 27 de Outubro de 1907, em Lisboa.
 
Preso e entregue, em 29/01/1934, pelo Comando da PSP de Lisboa à Secção Política e Social da PVDE, acusado de ser membro da Célula 25 do Partido Comunista e ter tomado parte, com Ernesto José Ribeiro e Gabriel Pedro, entre outros, no comício relâmpago realizado na Rocha Conde de Óbidos junto dos operários da Administração do Porto de Lisboa, no âmbito da preparação da Greve Geral Revolucionária de 18/01/1934. 

Tendo-lhe sido apreendido uma pistola, pertença de um guarda da PSP, então desarmado, e "um pedaço de carvão com que nas paredes das escadas e prédios da cidade desenhava a foice e o martelo" (Processo 1011), foi julgado pelo TME em 08/03/1934 e condenado a quatro anos de degredo numa das colónias (Processo 106/934, do TME). 

Em Junho, foi também englobado no Processo 1166

[Virgílio Martins / Virgílio Celestino Oliveira Martins || ANTT || RGP/174 || PT-TT-PIDE-E-010-1-174]

Enviado, em 23/09/1934, para a Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, daí seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal em 23/10/1936, integrando a primeira leva de presos políticos que o foi inaugurar. 

Apesar de ter cumprido em 1938 a pena a que fora condenado, continuou em prisão preventiva pelo Ofício da SPS da PVDE de 08/03/1938. 

Só regressou do Tarrafal em 20 de Fevereiro de 1945, saindo, então, em liberdade e voltando a residir, depois de onze anos de cativeiro e de deportação, nas Escadinhas do Marquês de Ponte de Lima.

[João Esteves]

terça-feira, 27 de abril de 2021

[2276.] LIBERTAÇÃO DOS PRESOS POLÍTICOS - 1974 || JOÃO MENINO VARGAS - 2019

 * JOÃO MENINO VARGAS *

Foi um dos Oficiais do MFA directamente envolvido libertação dos presos políticos de Caxias.

- No Porto, em Caxias e em Peniche, foram libertados em 26 e 27 de Abril de 1974.


"Nas colónias, o número de prisioneiros políticos era superior a 4200":

- Em 29 de Abril, foram libertados 19 presos em Bissau e 85 em Luanda.

- Em 1 de Maio, foram libertados 68 presos no Tarrafal e 554 presos na Machava (554 presos).

- Em 3 de Maio, foram libertados 1200 prisioneiros do Campo de São Nicolau (Angola) e 25 da Ilha das Galinhas (Guiné).

- Em 12 de Maio, em Angola, foram libertados 306 presos de S. Nicolau e de Ponta Albina.

- Em 17 de Maio, foram libertados mais 330 presos daquelas duas prisões e 420 da Machava.

- Em 21 de Maio, foram libertados da Ilha do Ibo, Moçambique, 600 combatentes; outros, somente em 1 de Setembro.

- "Os últimos prisioneiros independentistas libertados foram os 33 guineenses trocados a 14 de Setembro por sete soldados portugueses aprisionados pelo PAIGC".

João Menino Vargas publicou, em 26 de Abril de 2019, a Peça de Teatro "Todos ou Nenhum - a libertação dos presos de Caxias" [Colibri, 2019].



[João Esteves]

domingo, 25 de abril de 2021

[2275.] CIPRIANO DOURADO || "CAMPONESA DE ABRIL" - 1974

* CIPRIANO DOURADO *
[1921 - 1981]

"Camponesa de Abril" || 1974

[https://www.facebook.com/Dourado1921]

[Desenho, técnica mista || Original de uma reprodução || Edição do Autor]

[2274.] FERNANDO MOUGA [IV] || VISEU - 30/04/1974

 * FERNANDO MOUGA *

VISEU || 30/04/1974

[30/04/1974 | |Manifestação popular de agradecimento às Forças Armadas, em Viseu || Frame da RTP Arquivos || Na ponta direita, o advogado e democrata Fernando Mouga]

domingo, 18 de abril de 2021

[2273.] ANTÓNIO BORGES COELHO || HISTÓRIA E OFICIAIS DA HISTÓRIA (2021)

* ANTÓNIO BORGES COELHO *

HISTÓRIA E OFICIAIS DA HISTÓRIA

Caminho || Janeiro 2021

O historiador é um manipulador do tempo o qual, ao comportar as marcas dos acontecimentos gravados em diferentes registos, carrega consigo as chaves da compreensão do passado, tornando-o legível.

Liberta verdades oprimidas, torna conhecido o desconhecido, encontra outros sentidos no processo humano: revela, exalta, incomoda. Vê sentidos no que parece não ter sentido. Retifica e altera. Tece e destece a teia inacabada da História, incorporando o seu próprio tempo, aquele em que vive ou viveu.

É um artesão que marca a obra com a sua mente e a sua mão através das palavras que, em cada momento, escolheu inscrever.





[António Borges Coelho || História e Oficiais da História || Caminho || 2021]

[João Esteves]

sábado, 17 de abril de 2021

[2272.] CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO || CARTÃO PARA TEÓFILO BRAGA (1911)

 * CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO *

Cartão pessoal de Carolina Beatriz Ângelo, Presidente da Associação de Propaganda Feminista, para Teófilo Braga, desejando as suas melhoras || 1911

[Museu da Presidência da República || PT/MPR/ATB/CX120/023]

sexta-feira, 16 de abril de 2021

[2271.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXXXV] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXXXV *

0679. Augusto Veríssimo de Sousa [1928, 1930]

[Augusto Veríssimo de Sousa || 12/04/1928 || ANTT || Livro de Cadastrados 3 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Lisboa, 1882 (?), industrial de pesca. Filiação: Virgínia Veríssimo de Sousa e António Veríssimo de Sousa. Preso em 15/03/1928, "por ter ligação com indivíduos que constituem o complô de Algés"; libertado em 23/05/1928 (v. Processo 3717). Preso em 28/11/1930, "por estar comprometido num movimento revolucionário em preparação", nomeadamente no transporte e distribuição de bombas por Lisboa, Almada e Trafaria, envolvendo, também, João António Pires, José Correia Fernandes, José Francisco Moedas e ex-sargento Santos, sob o comando do ex-tenente Manuel António Correia. Deportado para Timor em 02/09/1931, embarcou no dia seguinte no vapor "Pedro Gomes" com mais 357 deportados (271 civis e 87 militares). Seguiam, naquele transporte, os principais chefes militares da revolta de 26 de Agosto de 1931, tendo o barco navegado pelo Mar Mediterrâneo, atravessado o Canal do Suez e chegado a Díli em 16 de Outubro, sem fazer qualquer escala nas colónias portuguesas. Nas primeiras semanas, terá permanecido no campo de concentração de Oecussi ou de Ataúro e, posteriormente, fixou-se em Liquiçá. Terá sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932 e continuou a viver em Timor, onde nasceram duas filhas (1937, 1939) e catorze netos. Terá falecido em 30 de Junho de 1950.]

[João Esteves]

quarta-feira, 14 de abril de 2021

[2270.] EXPOSIÇÃO PERCURSOS, CONQUISTAS E DERROTAS DAS MULHERES NA 1.ª REPÚBLICA - BMRR [X] || 02/10/2010 - 19/12/2010

 PERCURSOS, CONQUISTAS E DERROTAS DAS MULHERES NA 1.ª REPÚBLICA *

EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA MUSEU REPÚBLICA E RESISTÊNCIA || 02/10/2010 - 19/12/2010

COMISSÁRIA: TERESA PINTO 

CONSULTORIA ARTÍSTICA: MESTRE JOSÉ RUY

PAINEL || 04 || NA REVOLUÇÃO... 5 DE OUTUBRO DE 1910


[João Esteves]

terça-feira, 13 de abril de 2021

[2269.] AS EXPRESSÕES DO INFORMADOR INÁCIO || TEXTO DE PAULO MARQUES DA SILVA [IV]

 * AS EXPRESSÕES DO INFORMADOR INÁCIO *

Texto || Paulo Marques da Silva

«As expressões do informador Inácio

     Inácio não hesitava nos seus relatórios em diminuir, depreciar ou desprezar os elementos ligados à oposição, especialmente os de mais baixa condição social, manifestando um forte sentimento de repulsa, visível nos comentários pejorativos, e até ofensivos, que vertia para os mesmos relatórios. Expressões como “ralé”, “escumalha”, “camarilha”, “vadios”, “gente reles e ordinária”, que “vomitavam o seu ódio”, que “expeliam veneno”, “cheios de raiva”, entre outras, são relativamente comuns. O que é interessante verificar é que a aversão por estas pessoas toma tais proporções, que ele desenvolve também diversas críticas aos diferentes representantes da autoridade, quando entende que estes actuam com demasiada permissividade em relação aos primeiros. E, assim, podemos encontrar nos relatórios de Inácio criticas à PSP, à GNR, ao Governador Civil, ao Reitor da Universidade, à União Nacional, entre outros. E, muitas vezes, ao criticar algum laxismo das forças locais ligadas ao regime, o informador, na tentativa de incutir ênfase a essa mesma crítica e procurar demonstrar o grande contraste que existia em relação aos adversários da situação, acaba por enaltecer o trabalho da organização da oposição, o que não deixa de ser paradoxal.
     Já fiz algumas destas referências no meu trabalho sobre este informador quando, por exemplo, em 1948, nas vésperas das eleições presidenciais, Inácio criticava a má organização e o débil trabalho da União Nacional no distrito de Coimbra, em comparação com a oposição, ao afirmar que os “mudistas e comunistas” eram “muito mais trabalhadores” e “ardentes na luta”, asseverando mesmo que nada os detinha. Já os nacionalistas da U.N. demonstravam “um comodismo pasmoso” e que não estavam “para se incomodar”. 
     Em outra ocasião, a propósito das comemorações do 31 de Janeiro, em Coimbra, no ano de 1946, e devido a alguns incidentes ocorridos, houve necessidade da intervenção da PSP e da GNR, mas, segundo Inácio, fora uma intervenção “bem fraca”, concluindo que, pelo facto de não terem sido efectuadas prisões, “os homens do MUD e os comunistas” apregoavam que tal não tinha acontecido em virtude da “fraqueza do Governo”, que se via “num beco sem saída” e até “sem prestígio”.
     Vejamos agora um outro exemplo visando, desta vez, a preocupação do informador quanto ao crescimento da influência da oposição em Coimbra. Num relatório, datado de Março de 1947, referente a um almoço de homenagem ao professor Paulo Quintela, realizado no Hotel Avenida, devido a este ter obtido o grau de Doutor, e que contou com a presença dos “comunistas” Carlos de Oliveira, Almeida e Costa, Salgado Zenha, Fernando Valle, Adolfo Rocha, Manuel Deniz Jacinto, António Sousa, João Farinha, António Soares, José Teixeira Vale, Guilherme de Oliveira, Manuel Melo, Joaquim Namorado e António Ferrer, assistindo ainda os “mudistas” Manuel Leite da Silva, Anselmo Ferraz de Carvalho, Eduardo Correia e Frederico de Moura, Inácio potenciava a dinâmica e o desenvolvimento da oposição em Coimbra e afirmava que estes elementos tinham feito ao “camarada” Paulo Quintela o que nunca se fizera naquela cidade em qualquer doutoramento, rematando:


     Venho afirmar que basta só a cidade de Coimbra para bolchevizar o país inteiro. As liberdades comunistas nesta cidade estão a tomar foros de uma capital importância e com um alastramento fantástico.
 
     Uma outra situação bastante interessante (e porque não dizer, algo cómica) prende-se com alguns casos em que os representantes locais do regime se deixavam “enredar” em algumas manobras da oposição, como referia Inácio.
     O cenário é um jantar de homenagem ao jornalista do Século, Sertório Fragoso, em Coimbra, realizado em Junho de 1968, onde estiveram presentes Presidentes de Câmara, alguns Deputados e o Governador Civil substituto, Dr. Carlos Costa, bem como muitos elementos da oposição ao regime, incluindo o próprio jornalista, segundo Inácio, que como tal sempre assim o rotulara. Quando os discursos ao homenageado se iniciaram, também por parte de vários oposicionistas bem conhecidos, como Alfredo Fernandes Martins ou Rui Clímaco, relevando nas suas palavras a inteireza de carácter do jornalista, e que este se mantivera “sempre fiel ao seu pensar”, sendo então entusiasticamente aplaudidos, ou “estrondosamente aplaudidos”, como referia o informador, rapidamente o ambiente se tornava «obscuro» para os nacionalistas presentes. Inácio sintetizava assim o discurso de Rui Clímaco:

 
     Quando este comunista falava, o Governador Civil não olhava, de cabeça baixa e apoiada a uma das mãos, parecia desmoralizado.

     E concluía:

     Foi uma verdadeira parada de elementos da oposição e comunistas em grande regozijo e apoiados pelos homens que se dizem do Estado Novo.
     […] Verifiquei que mais uma vez os elementos do Estado Novo, se é que os havia, fizeram figura ridícula ao aplaudir os seus adversários
 
[Documento do arquivo da PIDE/DGS, processo Del. C. n.º 1826, de Francisco Brito Amaral].

[Paulo Marques da Silva]

domingo, 11 de abril de 2021

[2268.] EXPOSIÇÃO PERCURSOS, CONQUISTAS E DERROTAS DAS MULHERES NA 1.ª REPÚBLICA - BMRR [IX] || 02/10/2010 - 19/12/2010

  PERCURSOS, CONQUISTAS E DERROTAS DAS MULHERES NA 1.ª REPÚBLICA *

EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA MUSEU REPÚBLICA E RESISTÊNCIA || 02/10/2010 - 19/12/2010

COMISSÁRIA: TERESA PINTO 

CONSULTORIA ARTÍSTICA: MESTRE JOSÉ RUY

PAINEL || 03 || NA REVOLUÇÃO... 5 DE OUTUBRO DE 1910

[João Esteves]

sábado, 10 de abril de 2021

[2267.] EXPOSIÇÃO PERCURSOS, CONQUISTAS E DERROTAS DAS MULHERES NA 1.ª REPÚBLICA - BMRR [VIII] || 02/10/2010 - 19/12/2010

 PERCURSOS, CONQUISTAS E DERROTAS DAS MULHERES NA 1.ª REPÚBLICA *

EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA MUSEU REPÚBLICA E RESISTÊNCIA || 02/10/2010 - 19/12/2010

COMISSÁRIA: TERESA PINTO 

CONSULTORIA ARTÍSTICA: MESTRE JOSÉ RUY

PAINEL || 02 || CAMINHANDO PELA REPÚBLICA... (1908)

[João Esteves]

[2266.] EXPOSIÇÃO PERCURSOS, CONQUISTAS E DERROTAS DAS MULHERES NA 1.ª REPÚBLICA - BMRR [VII] || 02/10/2010 - 19/12/2010

 * PERCURSOS, CONQUISTAS E DERROTAS DAS MULHERES NA 1.ª REPÚBLICA *

EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA MUSEU REPÚBLICA E RESISTÊNCIA || 02/10/2010 - 19/12/2010

COMISSÁRIA: TERESA PINTO 

CONSULTORIA ARTÍSTICA: MESTRE JOSÉ RUY

PAINEL || 01

domingo, 4 de abril de 2021

[2265.] ANA LAURA CHAVEIRO CALHAU [II] || 28/07/1908

 * ANA LAURA CHAVEIRO CALHAU *

[1892 - 27/05/1955]

[Ana Laura Chaveiro Calhau || Fotografia do jornal O Mundo restaurada pelo Mestre José Ruy para o Catálogo da Exposição Percursos, Conquistas e Derrotas das Mulheres na 1.ª República || 2010 || Coordenação de Teresa Pinto]

O jornal O Mundo, de 28 de Julho de 1908, dá destaque a Ana Laura Chaveiro Calhau que, dois dias antes, discursara num comício republicano.

[O Mundo || 28/07/1908]

[João Esteves]

[2264.] GRUPO PORTUGUÊS DE ESTUDOS FEMINISTAS [V] || 16/07/1908

 * GRUPO PORTUGUÊS DE ESTUDOS FEMINISTAS *

A REPÚBLICA || 16/07/1908

[A República || 16/07/1908]

[João Esteves]

quinta-feira, 1 de abril de 2021

[2263.] MARIA VELEDA || "A PROPÓSITO..." - 06/03/1908

 * MARIA VELEDA *

"A PROPÓSITO..." || 06/03/1908

- Continua, na livraria - editora Gomes de Carvalho, a recolha de assinaturas para a mensagem a ser enviada a Maria Veleda pelo seu artigo "A propósito...".

[Vanguarda || 06/03/1908]

- A assembleia geral do Centro Escolar Democrático do Socorro, realizada em 6 de Março de 1908, aprova uma moção a felicitar Maria Veleda pelo artigo “A propósito...”. 

[João Esteves]

[2262.] MARIA VELEDA || "A PROPÓSITO..." - 28 -29/02/1908

MARIA VELEDA *

"A PROPÓSITO..." || 28-29/02/1908

- A Vanguarda, de 28 de Fevereiro de 1908, continua a referir-se ao forte impacto junto da opinião pública do artigo “A propósito...” de Maria Veleda

«D. Maria Veleda

Apesar de publicado em dois números da “Vanguarda” e depois em folha solta o brilhante artigo de D. Maria Veleda, intitulado “A propósito...”, continuam a afluir a esta redacção grande quantidade de pedidos de exemplares  daqueles números, o que nos obriga a reproduzi-lo amanhã, mais uma vez, para satisfazer esses pedidos.» [Vanguarda || 28/02/1908]


- Em 29 de Fevereiro de 1908, o jornal Vanguarda volta a publicar na 1.ª página o artigo de Maria Veleda “A propósito...”, em virtude da grande aceitação que o público lhe dispensou.

[João Esteves]

[2261.] MARIA VELEDA || "A PROPÓSITO..." - 22/02/1908

* MARIA VELEDA *

"A PROPÓSITO..." || 22/02/1908

Muitos periódicos continuam a transcrever o artigo de Maria Veleda.

[Vanguarda || 22/02/1908]

[João Esteves]

[2260.] MARIA VELEDA || "A PROPÓSITO..." - 20/02/1908

* MARIA VELEDA *

"A PROPÓSITO..." || 20/02/1908 

O jornal Vanguarda noticia a iniciativa de uma mensagem endossada a Maria Veleda, saudando-a pelo texto "A propósito...", estando aberta a todos quantos a queiram subscrever.

[Vanguarda || 20/02/1908] 

[João Esteves]

quarta-feira, 31 de março de 2021

[2259.] MARIA VELEDA || "A PROPÓSITO..." - 09/02/1908

 * MARIA VELEDA *

"A PROPÓSITO..." || 09/02/1908

Texto, muito contundente, de Maria Veleda sobre o Regicídio, o qual foi reproduzido em vários jornais de todo o país e distribuído em folhas avulsas:

«[...]
Morreu um rei? Antes ele de que um Homem.
Os reis porque os embalsamam, são inúteis até na morte. Mas os homens, na eterna decomposição da matéria, vão dar vida aos vermes e colorir o seio perfumado das rosas!»
 
[Vanguarda || 09/02/1908]

Devido ao impacto deste artigo de opinião, o mesmo foi republicado pela Vanguarda em 14/02/1908.

[João Esteves]

[2258.] LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES - SECÇÃO PORTUGUESA [XVI] || 21/07/1907

 * LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES *

SECÇÃO PORTUGUESA || 21/07/1907

O jornal Vanguarda, de 22 de Julho de 1907, noticia a realização de mais uma reunião do Comité Português da agremiação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes.

A sessão foi presidida por Madalena Frondoni Lacombe e secretariada por Virgínia Quaresma, sendo lidas duas cartas de Sylvie Camille Flammarion.

[Vanguarda || 22/07/1907]

[João Esteves]

segunda-feira, 29 de março de 2021

[2257.] LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES - SECÇÃO PORTUGUESA [XV] || 22/06/1907

  * LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES *

SECÇÃO PORTUGUESA || 22/06/1907

A Vanguarda, de 22 de Junho de 1907, anuncia mais nomes que aderiram ao Comité Português da associação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes.

[Vanguarda || 22/06/1907]

[João Esteves]

[2256.] LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES - SECÇÃO PORTUGUESA [XIV] || 11/06/1907

  * LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES *

SECÇÃO PORTUGUESA || 11/06/1907

A Vanguarda, de 12 de Junho de 1907, noticia a reunião realizada na véspera do Comité Português da agremiação La Paix el le Désarmement par les Femmes, presidida por Madalena Frondoni Lacombe e secretariada por Virgínia Quaresma. É lida uma carta de Sylvie Camille Flammarion e intervêm Albertina Paraíso e Elisa Curado, para além de Virgínia Quaresma.

[Vanguarda || 12/06/1907]

[João Esteves]

[2255.] LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES - SECÇÃO PORTUGUESA [XIII] || 27/03/1907

 LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES *

SECÇÃO PORTUGUESA || 27/03/1907

O jornal Vanguarda publicita mais adesões à Secção Portuguesa da agremiação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes.

[Vanguarda || 27/03/1907]

[João Esteves]

[2254.] LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES - SECÇÃO PORTUGUESA [XII] || 10/03/1907

 * LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES *

SECÇÃO PORTUGUESA || 10/03/1907

A Vanguarda, de 10 de Março de 1907, insere nomes que aderiram ao Comité Português da associação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes e publica uma carta de Charles Richet dirigida a Madalena Frondoni Lacombe.

[Vanguarda || 10/03/1907]

[João Esteves]

[2253.] JOÃO PEDRO DOS SANTOS [I] || PRESO EM 1927, 1935 e 1936

 * JOÃO PEDRO DOS SANTOS *

[07/08/1892 - 24/05/1961]

[João Pedro dos Santos || Portugal Democrático || Agosto de 1961]

Filho de Bernardina dos Anjos e de João Pedro dos Santos, João Pedro dos Santos nasceu em 7 de Agosto de 1892, em Évora.

Cedo passou a viver em Lisboa, onde aderiu ao Partido Republicano Português. Em 1918, foi detido durante o Sidonismo e, na década seguinte esteve sempre muito próximo de José Domingues dos Santos, sendo seu secretário em 1921, quando foi Ministro do Trabalho, e em 1924, quando assumiu a Justiça. 

[João Pedro dos Santos || Fotografia de 30/04/1918 || ANTT || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Entre 04/12/1924 e 04/04/1925, foi Comissário da Polícia de Segurança e do Estado e esteve com aquele político na fundação do Partido Republicano da Esquerda Democrática, sendo candidato pelo círculo de Évora nas eleições de 08/11/1925.

Secretário da Comissão Municipal de Lisboa do PRED e Vice-Presidente da Assembleia-Geral do Centro Republicano José Domingues dos Santos, trabalhava no Ministério do Trabalho quando se deu o golpe militar de 28/05/1926. A partir daí, esteve sempre no combate à Ditadura e aos regimes que lhe sucederam. 

Preso pela primeira vez em 3 de Julho de 1927 pela Polícia de Informações do Ministério do Interior e levado para a Penitenciária com os outros detidos na mesma altura [ANTTPT-TT-MI-DGAPC-2-701-553]

Novamente preso em 13 de Setembro de 1927, «por colaborar na preparação de um movimento revolucionário», e «deportado para Angola em 18 do mesmo mês» [v. Processo 3202], de onde se evadiu. 

Vigiado, estaria já em Lisboa em 12 de Agosto de 1929, encontrando-se em «precárias circunstâncias», até porque tinha sido demitido. 

Em Março de 1933, continuava fugido à Polícia, mantendo ligações com Eduardo OrtizJoaquim José GodinhoSarmento de Beires (v. Processo 706), Joaquim Pires Jorge e José Santos Calet [Processo 730]. Julgado à revelia pelo TME em 15/03/1935, foi absolvido por não se ter provado as acusações [Processo 62/933 do TME]. 

Seria preso em 21 de Setembro de 1935, na sequência da apreensão de uma carta dirigida por Abel Lopes de Almeida a João da Costa [Processo 1646]. Levado para uma esquadra e transferido para o Aljube em 19/10/1935, foi libertado em 30 de Outubro de 1935. 

A última prisão deu-se em 5 de Novembro de 1936: levado para o Aljube, saiu em liberdade em 12 de Dezembro. 

[Diário de Lisboa || 25/05/1961]

Quando faleceu, em 24 de Maio de 1961, era membro do Conselho Fiscal da "Editorial República", proprietária do jornal República, e secretário do advogado Nuno Simões, conhecido republicano e opositor ao regime. 

[João Pedro dos Santos || Portugal Democrático || Agosto de 1961]

O jornal Portugal Democrático, publicado em São Paulo, deu destaque ao seu falecimento, aos 68 anos de idade.

[João Esteves]

domingo, 28 de março de 2021

[2252.] LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES - SECÇÃO PORTUGUESA [XI] || 22/02/1907

 * LA PAIX ET LE DÉSARMEMENT PAR LES FEMMES *

SECÇÃO PORTUGUESA || 22/02/1907

O "Jornal da Mulher" dedica a sua crónica de 26 de Fevereiro ao "Banquete da Paz" promovido pela Secção Portuguesa da agremiação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes: "Crónica Feminista: O pacifismo em Portugal".

[O Mundo || 26/02/1907]

[João Esteves]