[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

[2688.] PAULO MARQUES DA SILVA || A PIDE - CASOS E PROCESSOS

 * PAULO MARQUES DA SILVA *

A PIDE - CASOS E PROCESSOS

Palimage || Dezembro de 2021 

Após mais de década e meia de pesquisas dedicadas a esta temática, acaba de ser publicado outro relevante livro do Historiador Paulo Marques da Silva sobre a PIDE/DGS, reunindo trinta histórias.

Histórias que são casos concretos, vividos e muito diversos, que procuram, também, mostrar (e demonstrar) a acção da PIDE/DGS: a violação de correspondência; a acção dos informadores; as vigilâncias de rua, de residências e de reuniões; as vigilâncias a professores universitários, entre outros exemplos. 

Fala-se, também, no decorrer das várias crónicas apresentadas, de denúncias, de casos de retaliações do Governo sobre cidadãos nacionais, das mulheres da oposição, do Processo dos 108, das Juntas de Acção Patriótica ou do Movimento Associativo Estudantil, histórias que permitem uma visão geral sobre o modus operandi da PIDE/DGS.

Todas as histórias / textos são baseadas em documentos escritos, constantes nos arquivos da PIDE/DGS, patentes na Torre do Tombo.

Investigação rigorosa, na senda de outras edições de Paulo Marques da Silva, brevemente será feita a apresentação pública do livro.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

[2684.] LUCINDA MARIANA GOMES FRANCO || 01/11/1923 - 10/02/2012

 * LUCINDA MARIANA GOMES FRANCO *

[01/11/1923 - 10/02/2012]


[Coimbra || Início dos anos 1940]

[João Esteves]

[2683.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CXLII] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CXLII *

01036. Custódio Maldonado de Freitas [1931, 1932, 1947, 1947]

[Custódio Maldonado de Freitas || F. 08/06/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Fotografia cedida pelo ANTT"]

[Atalaia - Vila Nova da Barquinha, 13/07/1886, farmacêutico - Caldas da Rainha. Filiação: Maria da Nazaré Freitas, António Maldonado de Freitas. Casado, em segundas núpcias, com Maria Pereira de Sousa Freitas. Residência: Rua da Liberdade, 12 - Caldas da Rainha. Formou-se em Farmácia, em 1908, e estabeleceu-se nas Caldas da Rainha nos últimos anos da 1ª década do século. Republicano e maçon, iniciado na loja Fraternidade, de Óbidos, desenvolveu intensa atividade política durante a Monarquia e depois da implantação da República. Chegou a estar preso 70 dias durante a Monarquia e alguns dias aquando da Ditadura de Pimenta de Castro (1915). Membro do Partido Republicano, desempenhou várias funções nas Caldas da Rainha: Administrador do Concelho (1911, 1913), Presidente da Câmara Municipal (1919), secretário e presidente da comissão concelhia dos bens da Igreja, Presidente da Comissão Administrativa do Hospital das Caldas (1919). Eleito Deputado pelo Círculo de Alcobaça em 1919, nas listas do Partido Democrático, e em 1922, nas do Partido Republicano da Reconstituição Nacional (vulgo Partido Reconstituinte). Fundador, no ano seguinte, do Partido Republicano Nacionalista, onde se manteve até 1935, não foi eleito pelo Círculo de Alcobaça nas eleições de 08/11/1925. Embora tenha tido uma posição ambígua em relação ao movimento que esteve na origem do 28/05/1926, tal como outros dirigentes do Partido Republicano Nacionalista, cedo passou a combater a Ditadura Militar, sendo um dos nomes referenciados no atentado ocorrido em 13/01/1931 contra a linha férrea e telegráfica em Pataias. Preso em Abril de 1931, por estar envolvido, com Utra Machado, num movimento revolucionário a desencadear durante a Revolta das Ilhas; conseguiu fugir em 19/04/1931, andando escondido durante mais de um ano. Preso em Abril de 1932, foi-lhe fixada residência obrigatória em Castro Daire, para onde seguiu em 18 ou 19/08/1932. Estava, então, preso na Penitenciária de Lisboa, juntamente com Carlos Luís Correia Matoso, tendo este seguido para Peniche. Em 1933, estando João Lopes Soares deportado nos Açores, acolheu o filho, Mário Soares, na sua casa. João Lopes Soares e Custódio Maldonado de Freitas eram muito amigos e correligionários, sendo em casa daquele que o farmacêutico se escondeu quando andava fugido.

[Custódio Maldonado de Freitas || F. 21/03/1947 || ANTT || RGP/17281 || PT-TT-PIDE-E-010-87-17281]

Preso em 21/03/1947, "para averiguações", e levado para o Aljube; libertado em 01/07/1947 (Processo 231/47). Preso em 17/12/1947, por ordem do Ministério da Guerra, levado para o Aljube e libertado em 24/04/1948 (Processo 737/47). Participou, em 1949, na campanha presidencial de Norton de Matos, continuando a sua farmácia a ser um local de encontro de oposicionistas e, por isso, vigiada. Colaborou e dirigiu o periódico “Direito do Povo” (1910-1911) e fundou "O Defensor" (1913-1922, 1923, 1924-1925) e “O Regionalista” (1920-1925), tendo assinado textos na imprensa como Galeno, nome simbólico adotado na Maçonaria. Faleceu em 15/04/1964, com 78 anos, nas Caldas da Rainha, cidade onde residia desde há quase seis décadas. Teve cinco filhos do casamento com Maria Pereira de Sousa Freitas, alguns deles com relevante atividade política oposicionista: António Maldonado de Freitas (1910-1975), Artur Maldonado de Freitas (1912-2000), João Maldonado de Freitas, Custódio Pereira Maldonado de Freitas (28/03/1917-06/10/1994), médico, e Maria Antónia Maldonado de Freitas.]

[João Esteves]

[2682.] MARIANA || 10/01/1995

 * MARIANA *

[2681.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CXLI] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CXLI *

01035. Carlos Luís Correia Matoso [1931, 1932, 1938

[Carlos Luís Correia Matoso || F. 12/09/1931 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Fotografia cedida pelo ANTT"]

[Vila do Bispo, 15/07/1908, estudante - Lisboa. Filiação: Elisa Correia Dias Matoso, José Matoso. Solteiro. Residência: Rua Francisco Tomás da Costa, 49 / Rua Passos Manuel, 101 - Lisboa.


[Elisa Matoso e José Matoso || Fotografias enviadas por Rodney de Castro Rodrigues, casado com a neta de Carlos Matoso, em 14 de julho de 2018]

Carlos Matoso foi um relevante militante do Partido Comunista na década de 30, tendo sido deportado para o Campo de Concentração do Tarrafal em 1939, onde foi vítima de inenarrável violência e assistiu ao falecimento do seu camarada Bento GonçalvesRegressou em 10/01/1946, “acabrunhado, tristonho, perdida a sua magnífica exuberância antiga" [Armindo Rodrigues], e exilou-se no Brasil, onde constituiu família e se suicidou em 03/03/1959. 

[Carlos Matoso aos 4 e 7 anos de idade || Fotografias da Família, cedidas por Rodney de Castro Rodrigues]

Estudante de Agronomia, aderiu à Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas, onde foi um importante quadro, juntamente com Carolina Loff da Fonseca, Edmundo Pedro, Francisco Paula de Oliveira (Pável), Fernando Quirino, Francisco Ferreira, Gilberto Florindo de Oliveira, Grácio Ribeiro, Manuel Rodrigues de Oliveira, Pedro Baptista da Rocha e Victor Hugo Velez GriloDesempenhou, durante a década de 1930, actividade muito relevante no seio do Partido Comunista Português, tendo trabalhado, entre outros, com Bento Gonçalves, seu Secretário-Geral. Preso em 1931, pois há uma fotografia no Livro de Cadastrados com a data de 12/09/1931. No ano seguinte, fez parte do grupo que preparava ações no 1.º de Maio, com recurso a engenhos explosivos.

[Carlos Matoso || Agosto de 1932 || Fotografia da Família cedida por Rodney de Castro Rodrigues]

Terá sido preso em 24/04/1932, quando experimentavam bombas na Serra de Monsanto, juntamente com Abel Augusto Gomes de Abreu (gráfico da Casa da Moeda), António Franco Trindade, Álvaro Augusto Ferreira, Eduardo Valente Neto (marítimo), João Lopes Dinis (canteiro, faleceu no Tarrafal em 12/12/1941), Manuel Francisco da Silva (pedreiro) e Silvino Fernandes Costa (ajudante de farmácia). Foi-lhe fixada residência obrigatória em Peniche, para onde seguiu da Penitenciária de Lisboa em 18 ou 19/08/1932, e de onde terá fugido. Em 1933 ou 1934, nasceu-lhe a filha Helena, fruto da sua relação com Carolina Loff. Esta e a filha recém-nascida partiram para a União Soviética, onde chegaram em Abril de1935, tendo Helena sido recolhida na escola internacional de Ivanovo. Julgado à revelia pelo Tribunal Militar Especial em 20/10/1934, foi condenado a dez anos de prisão no degredo e multa de vinte mil escudos, ficando, depois, à disposição do Governo. Depois de andar anos na clandestinidade e procurado, foi preso pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) em 11/05/1938, aquando do assalto noturno a uma tipografia clandestina, no Rego (Processo 562/938, enviado ao TME em 01/09/1938). Levado para uma esquadra, incomunicável, entrou no Aljube em 3 de Agosto, foi transferido, no dia 10, para uma esquadra, regressou ao Aljube em 23 e enviado para Caxias em 26 do mesmo mês. Transferido para a 1ª Esquadra em 27/09/1938, seguiu, dois dias depois, para o Reduto Norte de Caxias e enviado para Peniche em 1 de Novembro. Voltou ao Aljube em 22/03/1939. A mãe procurou, sempre que possível, visitá-lo, o que se tornava muito difícil com a mudança constante de prisão. Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 10/05/1939, viu a pena de 20/10/1934 ser agravada para doze anos e perda dos direitos políticos por cinco anos. Integrou, em 20/06/1939, a 6.ª leva de presos políticos enviada para o Campo de Concentração do Tarrafal, juntamente com Alberto Araújo e Augusto Valdez, de onde só foi libertado em 20/12/1945.
No Tarrafal, foi, como muitos outros presos, vítima de inenarrável violência, tendo assistido ao falecimento de Bento Gonçalves, que há muito conhecia e com quem militara no Partido Comunista: “Carlos Matoso ao notar aquela imobilidade, aquela qualquer coisa que logo nos fazia distinguir a vida da morte; pegou num pequeno espelho e aproximou-o à boca de Bento Gonçalves. Já não havia sopro de vida, e Carlos Matoso não pode conter toda a sua mágoa e toda a sua revolta. // - Assassinos! // O capitão Olegário fitou-o demoradamente e não tardou que o chamasse à secretaria para o esbofetear” (Tarrafal – Testemunhos, 1978). No Campo de Concentração, integrou o núcleo dirigente Organização Comunista Prisional do Tarrafal, juntamente com outros membros do Comité Central, alguns dos quais haviam pertencido ao seu Secretariado, como Alberto Araújo, Francisco Miguel, Júlio Fogaça, Manuel Alpedrinha, Miguel Wager Russell e Militão RibeiroRegressou em 10 de Janeiro de 1946: “Vinha acabrunhado, tristonho, perdida a sua magnífica exuberância antiga”. No livro Um poeta recorda-se – Memórias de uma vida, o médico e poeta Armindo Rodrigues, amigo de convívio diário de Carlos Matoso durante a década de 30, tece-lhe os maiores elogios políticos, partidários e humanos: Do Carlos Matoso nunca me adveio o menor perigo. Pelo contrário, quando o prenderam pela última vez, no assalto nocturno a uma tipografia clandestina, no Rego […] não disse uma palavra que pudesse comprometer-me” [p. 16]; “[…] homem honrado e inflexível” [p. 150]; Dos regressados da deportação, um era o meu amigo Carlos Matoso, a quem devo a mudez leal que a meu respeito manteve. Vinha acabrunhado, tristonho, perdida a sua magnífica exuberância antiga. E a breve trecho, por diligência do irmão rico, oficial da Aviação Marítima e genro único do banqueiro Soto Maior, emigraria para o Brasil” (pp. 223-224).


[Carlos Luís Correia Matoso || 1946 || Documento referente à emigração, em 1946, para o Brasil, enviado pelo Historiador Brasileiro Paulo Valadares]

Exilado, desembarcou no Rio de Janeiro em 14/05/1946, passando a trabalhar como caixeiro viajante, comercializando produtos da empresa do irmão, o Comandante José Francisco, casado com a única herdeira do banco Pinto Souto Maior, por todo o Brasil.

[Carteira de trabalho do comércio do Rio de Janeiro || 1954 || Cedidas por Rodney de Castro Rodrigues]

Reconstruiu a sua vida e formou família: casou com Raimunda Mirtes Soares, que conhecera quando trabalhava em Fortaleza, e do enlace nasceu Maria Tereza Soares Matoso Sampaio

[Carlos Luís Correia Matoso e Raimunda Mirtes || Maio de 1949 || Fotografia da Família, cedida por Rodney de Castro Rodrigues]

Residiu, ainda, em Salvador da Baía e em São Paulo, antes de se fixar no Rio de Janeiro, trabalhando sempre para o irmão. Apesar das diligências feitas, nunca reencontrou a filha Helena e as duas irmãs, talvez com cerca de quinze anos de diferença, também nunca se viram. 

[Carlos MatosoRaimunda Mirtes e a filha Maria Tereza || Fotografia cedida por Rodney de Castro Rodrigues]

Visitou Portugal com a mulher e a filha, tendo sido, temporariamente, detido quando desembarcou.

[Carlos Matoso || Fotografia do Passaporte] 

[Momento em que foi festejada sua chegada a Portugal ao lado de sua mãe e esposa, horas após ser solto de uma prisão logo que desembarcou || Fotografias cedidas por Rodney de Castro Rodrigues]

No dia 3 de março de 1959, quando a filha tinha apenas sete anos, Carlos Matoso saiu de casa para um dia comum de trabalho, acabando por suicidar-se no Hotel Quitandinha, em Petrópolis e em cujo cemitério foi enterrado. 

[Maria Tereza ao lado de sua mãe Raimunda Mirtes em visita ao túmulo de seu pai, em Petrópolis || Fotografia cedida por Rodney de Castro Rodrigues]

Nota: As informações referentes à vida de Carlos Matoso no Brasil devem-se a Maria Tereza Matoso Sampaio, sua filha, à neta Rafaela Matoso e a Rodney de Castro Rodrigues, marido de Rafaela, a quem se agradece a confiança de poder disponibilizar esta documentação.]

[João Esteves]

domingo, 9 de janeiro de 2022

[2680.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CXL] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CXL *

01030. Faustino Policarpo Timóteo [1932]

[Preso em 16/08/1932, no mesmo dia que António de Sá Pavillon, recolheu, incomunicável, a uma esquadra.]

01031. António de Sá Pavillon [1932]

[António de Sá Pavillon || F. 03/09/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Fotografia cedida pelo ANTT]

[Sernancelhe, c. 1878, comissário de vinhos. Filiação: Maria Augusta Lino. Casado. Residência: Rua Capitão Humberto de Ataíde, 8 - Lisboa. Com ligações ao Partido Republicano Português foi, em 1912, Administrador do Concelho de Torres Novas e, em 1915-1916, do Concelho de Setúbal. Preso em 16/08/1932, juntamente com Faustino Policarpo Timóteo, por ter sido visto várias vezes a conversar "com elementos conhecidos como conspiradores contra a atual Situação Política do País", tendo-lhe sido encontrado documentos de uma subscrição e manifestos clandestinos. Recolheu, incomunicável, a uma esquadra. Foi-lhe fixada residência obrigatória em Peniche, para onde seguiu em 27/09/1932. Abrangido pela amnistia de 05/12/1932.]

01032. José da Costa Mortágua [1932]

[José da Costa Mortágua || F. 27/08/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Fotografia cedida pelo ANTT"]

[Aveiro, c. 1890, comerciante. Filiação: Emília Rodrigues de Meco, João da Costa Mortágua. Casado. Residência: Calçada da Estrela, 74 - Lisboa. Preso em 17/08/1932, "acusado de manter ligações revolucionárias com praças e oficiais e reunir no seu estabelecimento indivíduos para fins revolucionários" (v. Processo 490). Levado, incomunicável, para uma esquadra; libertado em 26/08/1932, embora a fotografia do Cadastro tenha inscrito a data de 27/08/1932.] 

01033. Joaquim Martins de Lemos [1932]

[Joaquim Martins de Lemos || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Fotografia cedida pelo ANTT"]

[Oliveira do Hospital, c. 1877, funcionário público - Ministério da Agricultura. Filiação: Maria Joaquina Correia, Leonel Martins de Lemos. Casado. Residência: Rua dos Cavaleiros, 91 - Lisboa. Preso em 18/08/1932, por ter ligações com António Maria da Praça e conhecimento de movimentos revolucionários, sendo apontado como tendo participado nos de 07/02/1927, de 20/07/1928 e de 26/08/1931; levado, incomunicável, para uma esquadra. Poderá ter sido afastado da função pública, "chegando mesmo a passar necessidades, simplesmente por nada querer aceitar da Ditadura" (v. Processo 529/SPS). Libertado em 25/10/1932 e enviado cópia do Processo ao Ministério da Agricultura. O jornal República, de 25/01/1951, aquando da trasladação dos restos mortais, apelidava-o de "um honrado e indefetível republicano e democrata".]

01034. Carlos Pereira dos Santos [1932]

[Carlos Pereira dos Santos || F. 21/08/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Fotografia cedida pelo ANTT"]

[Lisboa, c. 1893, advogado e funcionário público (Tribunal de Desastre no Trabalho). Filiação: Maria da Conceição Santos, Gaspar Pereira dos Santos. Solteiro. Residência: Rua da Penha de França, 62 - Lisboa. Preso em 17/08/1932, por volta das cinco horas da manhã, por se ter tornado suspeito, recolheu, incomunicável, a uma esquadra. Foram encontradas na carteira noventa e três cotas do Partido Comunista, no valor de 50 centavos cada e, na busca à residência, um manifesto da Confederação Geral do Trabalho e o livro "Cartas de Máximo Gorki" (Processo 482). Libertado em 22/08/1932.]

[João Esteves]

[2679.] NUNO || 09/01/1990

 * NUNO || 26/02/1991 *

sábado, 8 de janeiro de 2022

[2678.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CXXXIX] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CXXXIX *

01026. Joaquim Martins Branco [1932]

[Joaquim Martins Branco || F. 03/09/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903]

[Gouveia, c. 1885, comerciante. Filiação: Maria Emília de Jesus Branco, Albino Martins Branco. Casado. Residência: Rua do Embaixador 2-4. Preso em 16/08/1932, sob a acusação de se realizarem reuniões na sua mercearia e, na sua residência, se vender o jornal espanhol "Rebelião" haver vários manifestos clandestinos e uma pistola com as respetivas munições. Além disso, a pedido de Alfredo Pires, contribuiu para a subscrição a favor de Custódio Rodrigues Ferreira, fugido da esquadra da Pampulha (v. Processo 499). Recolheu, incomunicável, a uma esquadra. Remetido, em 09/09/1932, a Juízo Criminal, tendo sido entregue, em 15/09/1932, ao Tribunal da Boa-Hora.]

01027. Joaquim Gameiro [1932]

[Joaquim Gameiro || F. 28/08/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903]

[Ferreira do Alentejo, c. 1876, comerciante. Filiação: Ana Moleira, Joaquim Filipe Gameiro. Casado. Residência: Largo da Porta Nova. Preso pela PSP de Évora e entregue em 16/08/1932, por suspeita de estar implicado nos acontecimentos de Dezembro de 1931, quando foi morto o dr. Silva Dias, tendo estado ausente cerca de oito meses. Recolheu incomunicável, a uma esquadra; libertado em 08/12/1932, por ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932.]

01028. Bernard Freund [1932]

[in Uma vida em história. Estudos em Homenagem a António Borges Coelho || Caminho || 2001 || pp. 609-626]

[Viena, 1927, empregado do comércio. Filiação: Olga Freund, Gottlieb Freund. Casado. Residência: Rua da Torre da Pólvora, 8 - Lisboa. Tornou-se militante comunista em Praga, onde foi empregado de escritório em 1928-1929. Neste mesmo ano, começou a trabalhar como correspondente estrangeiro para a empresa de conservas "Algarve Exportador", já que dominava várias línguas: desembarcou em Lisboa em Julho, conseguiu estabelecer contactos com o sindicato de arsenalistas de marinha, ligando-se, assim, ao Partido Comunista em processo de reorganização, liderado por Bento Gonçalves, e vai ser um dos impulsionadores da criação da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas. Adotou o pseudónimo "René", integrou o respetivo Secretariado e, em Junho de 1930, passou a ser o seu representante junto do Secretariado do Partido e, como tal, membro deste. Responsável por diversas tarefas do Secretariado da FJCP, participou em reuniões do comité Regional e de células, assegurou a correspondência, em francês e em alemão, com a Internacional Comunista da Juventude (ICJ), e ficou a frente da edição do boletim "O Jovem", órgão mensal daquela Federação, onde escrevia, datilograva os artigos em stencil e trabalhava na impressão, mediante um copiador manual, sendo um periódico mais orientado para as questões do movimento comunista internacional. A ele se deveu, em parte, o rápido crescimento da FJCP durante os ano 1930-1931 e a sua visibilidade em diversas ações. Em 1930, conheceu Wilma Abramowitsch Klein, eslovaca também chegada a Portugal em 1929 e com ligações ao movimento comunista internacional, com quem casou em 1931, em Paris, onde ambos se encontraram em Março para a realização de tarefas partidárias. Bernard Freund assegurou contactos da FJCP e do PCP com a ICJ e IC, nomeadamente sobre a formação dos militantes portugueses e o envio de alguns para a Escola Leninista, em Moscovo, enquanto a mulher tinha a cargo o trabalho a desenvolver entre as mulheres, vindo a ser, no regresso, a responsável pelo início da organização comunista daquelas em Portugal. Num partido em claro crescimento em número de células e de militantes, incluindo o sector juvenil e estudantil, Bernard Freund continuou a desenvolver intensa atividade partidária: participação nos Secretariados da FJCP e do PCP, controlo do organismo militar, com a criação de células comunistas no Exército e na Armada, acompanhamento do Comité Regional de Lisboa, elaboração de um programa sindical, organização de um caderno reivindicativo dos empregados de comércio, contactos com intelectuais, para além de assegurar a edição de "O Jovem" e contactos internacionais. Preso em 20/01/1932, no escritório da empresa "Algarve Exportador", foram apreendidos em sua casa, que funcionava como sede do arquivo dos comunistas, vasta documentação partidária, tendo as declarações à polícia agravado a extensão dos prejuízos causados nas duas estruturas: Partido Comunista e FJCP. Entregue à Polícia Internacional Portuguesa em 21/03/1932, a fim de lhe ser dado destino. Passou, em 28/05/1932, do Aljube para a Penitenciária, tendo o casal sido expulso de Portugal em 16/08/1932. O filho de ambos, Sasha, nasceu na prisão, já que Wilma também fora detida. Bernard e Wilma Freund seguiram para Viena e, depois, para Moscovo, onde já se encontravam em finais desse ano. Os dois foram executados em 1938, por altura do terceiro dos grandes processos de Moscovo, acusados de "espionagem". (Informações retiradas do artigo de João Arsénio Nunes "O camarada René e a Juventude Comunista no princípio dos anos 30").]   

01029. Wilma Freund [1932]    

[Kosice - Eslováquia, 1901, doméstica / professora de ballet. Filiação: Ana Klein, Desider Klein. Casada. Residência: Rua da Torre da Pólvora, 8 - Lisboa.  Wilma Abramowitsch Klein  viveu na Hungria, onde militou no respetivo Partido Comunista, e em Viena, tendo chegado a Portugal em 1929, onde dava aulas particulares de ballet, já que estudara com o coreógrafo Rudolf Laban, também nascido na Eslováquia. Conheceu, no ano seguinte, Bernard Freund, com quem casou em 1931, em Paris, onde ambos se encontraram em Março para a realização de tarefas partidárias. Foi a responsável pelo início da organização comunista das mulheres em Portugal, tendo Carolina Loff da Fonseca trabalhado com ela. Considerada, por uma militante sua contemporânea, "uma mulher bonita, muito enérgica, muito disciplinada e muito dedicada ao Partido" (João Arsénio Nunes, p. 617)Presa em 20/01/1932, tal como o marido, teve o filho Sasha quando estava detida. O casal foi expulso de Portugal em 16/08/1932, tendo seguido para Viena e, depois, para Moscovo, onde já se encontrava em finais desse ano. Wilma e Bernard foram executados em 1938, por altura do terceiro dos grandes processos de Moscovo, acusados de "espionagem". (Informações retiradas do artigo de João Arsénio Nunes "O camarada René e a Juventude Comunista no princípio dos anos 30").]      

[João Esteves]

[2677.] ANTÓNIO DIAS LOURENÇO || ENTREVISTA INÉDITA DE 2004 DE FRANCISCO DUARTE MANGAS - GAZETA LITERÁRIA Nº 9

* ANTÓNIO DIAS LOURENÇO *

As cartas da prisão ao filho que ia morrer

ENTREVISTA DE FRANCISCO DUARTE MANGAS || GAZETA LITERÁRIA || Nº 9 (2021)

Edição da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto

Datada de 2004, esta entrevista, feita aquando da publicação do livro As cartas da Prisão para o Meu Filho Tóino, ficou inédita por "birra ideológica de um editor do jornal onde eu trabalhava" a ter recusado. O jornal, para que conste, era o Diário de Notícias!


[Gazeta Literária Nº 9 || Edição da AJHLP || 2021]

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

[2676.] JOSÉ DOS SANTOS || FUZILADO EM FRANÇA EM 04/11/1942

 * JOSÉ DOS SANTOS *

[22/06/1906 - 04/11/1942]

Militante comunista e membro da Resistência Francesa, integrando a rede FTPF (Francs-Tireus et Partisans Français), José dos Santos, nascido em Valtorno - Vila Flor, foi preso pela polícia francesa em 13 de Agosto de 1942, condenado à morte em 22 de Outubro de 1942 e fuzilado em 4 de Novembro de 1942.

[Les Fusillés (1940 - 1944) || Les Éditions de l'Atelier || 2015 || p. 591] 


Les Fusillés (1940 - 1944)
Dictionnaire biographique des fusillés et exécutés
par condamnation et comme otages
ou guillotinés en France 
pendant l'Occupation


[João Esteves]

[2675.] HENRIQUE VALE DOMINGUES FERNANDES || A MORTE NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL EM 07/01/1942

HENRIQUE VALE DOMINGUES FERNANDES *

[24/08/1913 - 07/01/1942]

Há 80 anos, a morte no Campo de Concentração do Tarrafal!

[ANTT || Processo SPS n.º 1985, 1.º vol. || PT-TT-PIDE-E-009-1985-1_m0280]

Grumete de manobra do Bartolomeu Dias, Henrique Vale Domingues Fernandes participou na Revolta dos Marinheiros de 8 de Setembro de 1936 e foi deportado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde faleceu em 7 de Janeiro de 1942, com apenas 28 anos de idade.

A família não terá sido avisada do seu falecimento, tendo a irmã, Gabriela Fernandes, sabido do sucedido por ter sido devolvida uma encomenda enviada para a Colónia Penal.

[João Esteves]

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

[2674.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CXXXVIII] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CXXXVIII *

01019. José Maria Nunes Marques [1932]

[Santa Maria - Covilhã, c. 1874, tecelão. Filiação: Rita Marques, António Nunes. Solteiro. Residência: Amora. Preso e entregue pelo Administrador do Concelho de Almada em 10/08/1932, "por na madrugada de 7 de Agosto do corrente ano, no lugar da Cova da Piedade, dizer em público que Suas Exas. o Sr. Presidente  da República e Ministro das Finanças mereciam ser assassinados, porque tinham a barriga cheia, e ele andava ali com fome, e ainda por fazer propaganda contra a atual Situação" (v. Processo 481). Recolheu, incomunicável, a uma esquadra; libertado em 23/08/1932.]

01020. Francisco Augusto [1932]

[Preso e entregue pelo Administrador do Concelho de Almada em 10/08/1932; levado, incomunicável, para uma esquadra.]

01021. António Martins [1932]

[António Martins || F. 27/08/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903]

[Seia, c. 1910, maleiro. Filiação: Maria José Luís, António Martins. Solteiro. Residência: Casal de António Foz - Peniche. Preso e enviado pelo Comando Militar de Peniche em 10/10/1932, "por ter feito explodir uma bomba que encontrou misturada com umas pedras junto  um muro pertencente a uma vacaria em Peniche, propriedade de José Luís Fidalgo, provando-se que o epigrafado desconhecia que se tratava de um engenho desta espécie" (v. Processo 491); libertado em 27/08/1932.]  

01022. Jacinto Vítor de Almeida Lança [1932]

[Silves, c. 1913, 1º Cabo Ajudante da 3ª Companhia de Saúde. Filiação: Georgina Vieira Tadeu de Almeida Lança, César Augusto Lança. Solteiro. Requisitado, em 06/06/1932, à Repartição do Gabinete do Ministério da Guerra, a sua detenção, "em virtude de se encontrar envolvido em manejos comunistas com o 1º cabo de Infantaria Nº 5, António Roque Pinto e Silvino Leitão Fernandes Costa" e "fazer parte do núcleo de Jovens Comunistas organizado dentro do quartel da Companhia de Saúde pelo cabo António Roque Pinto e do qual faz parte também o cabo Mamede, assistindo às reuniões do mesmo núcleo na arrecadação do cabo Pinto". Escreveu um texto, assinado como "Um Jovem Comunista", no nº 1 do "Soldado Vermelho" (v. Processo 411). Depois de organizado o respetivo processo, foi entregue às autoridades militares, tendo a 3ª Companhia de Saúde voltado a entregá-lo, preso, em 10/10/1932 (Processo 474). Libertado em 10/12/1932, por ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932. O irmão, Francisco José de Almeida Lança, seria preso em 1948.] 

01023. António de Moura [1932]

[Lisboa, c. 1894, funcionário colonial. Filiação: Laura de Jesus, Gervásio de Moura. Casado. Residência: Vila Cândida, 12 - Lisboa. Preso em 11/08/1932, "para averiguações", recolheu a uma esquadra; libertado em 08/09/1932.]

01024. João Dias [1932]

[Libertado, por ordem do Ministro do Interior, em 11/08/1932, quando se encontrava na Penitenciária a aguardar deportação.]

01025. Francisco Moura [

[Francisco Moura || F. 25/08/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903]

[Lisboa, c. 1897, vendedor de livros. Filiação: Maria Moura. Solteiro. Entregue, em 14/08/1932, pela PSP de Viseu à Secção de Vigilância Política e Social da Polícia Internacional, "sob a acusação de manifestar ideias comunistas", afirmando "que continuará a fazer propaganda das mesmas ideias sempre que tenha oportunidade para o fazer, o que é prejudicial, em virtude dos meios que ele frequenta" (Processo 487). Libertado em 10/12/1932, por ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932. O seu processo foi enviado, em Fevereiro de 1933, ao TME, tendo sido emitido, em 20/07/1933, um mandado de captura.] 

[João Esteves]

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

[2673.] GAZETA LITERÁRIA - Nº9 || PRIMAVERA/VERÃO 2021

 * GAZETA LITERÁRIA || Nº 9 *

Mais um excelente número, desta vez dedicado a Victor de Sá, "O homem que gostava de livros".

Edição da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto


[2672.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CXXXVII] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CXXXVII * 

01015. José Luís Duarte [1932]

[Leiria, c. 1901, barbeiro - Leiria. Filiação: Justina Rodrigues Duarte, Manuel Luís Duarte. Casado. Residência: Rua Barão de Viamonte, 56 - Leiria. Preso pela PSP de Leiria e entregue em 19/01/1932, por ser detentor de bombas explosivas, em colaboração com Alípio Ferreira, César Lourenço e Henrique dos Santos. Preso no Aljube, foi-lhe fixada residência obrigatória em Peniche pelo Ministro do Interior, para onde seguiu, com mais onze presos políticos, em 09/08/1932 (Processo 320). Por não ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932, continuou em Peniche e, em 09/06/1933, passou a ter residência obrigatória em Leiria, para onde seguiu no dia 14, passando a ter de apresentar-se às autoridades todas as quartas-feiras e sábados, pelas 13 horas.]

01016. Henrique dos Santos [1927, 1932]

[Leiria, c. 1898, criado de mesa / comerciante / chofer. Filiação: Colúmbia Maria. Casado. Residência: Rua das Azeiteiras, 30 - Coimbra / Travessa do Marmeleiro - Coimbra / Rua João das Regras, 4 - Leiria. Preso em 14-15/11/1927, "por suspeita de ser anarquista"; deportado para a Ilha do Príncipe em 01/12/1927 (chegou a estar prevista a deportação para Timor), de onde regressou em 20/08/1928, apresentando-se no Comissariado da PSP de Leiria em 22/08/1928. Preso pela PSP de Leiria e entregue em 19/01/1932, por ser detentor de bombas explosivas, em colaboração com José António RodriguesJosé Luís Duarte e Manuel Francisco Plácido. Preso no Aljube, foi-lhe fixada residência obrigatória em Peniche pelo Ministro do Interior, para onde seguiu, com mais onze presos políticos, em 09/08/1932 (Processo 320). Por não ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932, continuou em Peniche e, em 09/06/1933, passou a ter residência obrigatória em Leiria, para onde seguiu no dia 14, passando a ter de apresentar-se às autoridades todas as quartas-feiras e sábados, pelas 13 horas. Solicitou, em 08/07/1933, autorização para ir residir, provisoriamente, na Figueira da Foz, por ter arranjado emprego no Hotel Reis, o que foi autorizado por despacho do ministro, ficando obrigado a apresentar-se diariamente ao Administrador do Concelho, o que fez no dia 21/07/1933. Em 11/10/1933, foi autorizado a mudar a sua residência obrigatória para a Figueira da Foz, por ter conseguido colocação na cidade.] 

01017. José António Rodrigues [1932]

[Tui - Espanha, c. 1911, empregado do comércio. Filiação: Emília Elias, José António Rodrigues. Solteiro. Residência: Rua de Alcobaça - Leiria. Preso pela PSP de Leiria e entregue em 19/01/1932, por ser detentor de material explosivo, em colaboração com Henrique dos Santos e Manuel Francisco Plácido, tendo sido convidado por este para pertencer ao Socorro Vermelho Internacional. Preso no Aljube, foi-lhe fixada residência obrigatória em Peniche pelo Ministro do Interior, para onde seguiu, com mais onze presos políticos, em 09/08/1932 (Processo 320). Por não ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932, continuou em Peniche; requereu, em 06/06/1933, para regressar a Leiria, o que foi autorizado. Passou a residir nessa cidade em 26/06/1933, devendo apresentar-se às autoridades todas as segundas e sextas-feiras, pelas 13 horas.]

01018. Manuel Francisco Plácido [1932]

[Manuel Francisco Plácido || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-1-NT-8902]

[Preso ainda no década de 1920. Preso, provavelmente, pela PSP de Leiria e entregue em 19/01/1932, por ser detentor de material explosivo, em colaboração com, pelo menos, José António Rodrigues, tendo, ainda, ligações ao Socorro Vermelho Internacional. Preso no Aljube, foi-lhe fixada residência obrigatória em Peniche pelo Ministro do Interior, para onde seguiu, com mais onze presos políticos, em 09/08/1932 (Processo 320).]

[João Esteves]