[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
Mostrar mensagens com a etiqueta António Maria da Silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Maria da Silva. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

[3667.] PRESOS POLÍTICOS 1926-1933: NOTÍCIAS || 0001

 * PRESOS POLÍTICOS 1926-1933: NOTÍCIAS || 0001 * 

0001. 15 de janeiro de 1927

Em S. Julião da Barra e na Trafaria estão presos vários políticos em evidência nos partidos

«Numa nota oficiosa fornecida pelo Governo, e que inserimos ontem, consta terem-se realizadas prisões determinadas pela démarche dos Diretórios de alguns dos partidos a que vimos fazendo referência. Segundo as nossas informações, os presos militares que se encontram na torre de S. Julião da Barra são os srs. major Vitorino Guimarães, do P. R. P.; tenente-coronel Tavares de Carvalho, major Cortez dos Santos e coronel Aníbal Ramos de Miranda, da Esquerda Democrática; general Sá Cardoso e tenente-coronel Hélder Ribeiro, da Ação Republicana. 

No forte da Trafaria encontram-se presos, entre outros, os srs. António Maria da Silva, do P. R. P., e dr. Lopes de Oliveira, do Partido Radical. 

O sr. major Tamagnini Barbosa, do Partido Nacionalista, que estava preso em S. Julião da Barra, foi posto em liberdade ontem, ao fim da tarde, tendo recolhido a sua casa pelas 21 horas. 

Por ordem do Governo, têm sido procurados para serem detidos os srs. Daniel Rodrigues, do P. R. P.; dr. José Domingues dos Santos, da Esquerda Democrática; e dr. Álvaro de Castro, chefe da Ação Republicana, os quais, ao que parece, saíram de Lisboa. 

Consta terem-se realizado ainda muitas mais prisões de políticos de relativo destaque. 

O Governo, que resolveu deportar todos os presos para S. Tomé, fretou o vapor S. Miguel, da Empresa Insulana de Navegação, a fim de os transportar para aquela nossa colónia. 

O S. Miguel deve sair em breves horas com carta de prego.»

[João Esteves]

domingo, 23 de junho de 2024

[3448.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXXXIII

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXXXIII *

01982. António Maria da Silva [1927, 1928, 1928, 1929]

[António Maria da Silva || F. 11/12/1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903]

[Lisboa, 26/05/1872. Engenheiro pela Escola do Exército (1892). Filiação: Maria da Luz da Silva, António Maria Garcia da Silva. Casado. Residência: Avenida Praia da Vitória, 18 - Lisboa. Maçom, carbonário e republicano, sendo militante e dirigente do Partido Republicano Português - Partido Democrático. Eleito deputado por Silves (1911, 1925) e por Lisboa (1915, 1919, 1921, 1922). Integrou diversos governos enquanto ministro do Fomento (1913, 1915), do Trabalho e Previdência Social (1916), das Finanças (1920, 1920, 1920, 1921), do Interior (1922, 1925), da Guerra (1923, 1925), da Instrução Pública (1923) e da Agricultura (1922, 1922), tendo sido, ainda, o republicano que presidiu a mais governos (1920, 1922, 1922, 1922, 1925, 1926). Chefiava o Governo aquando do golpe militar de 28/05/1926. Preso em janeiro de 1927 e levado para o Forte da Trafaria, por estar associado ao Partido Republicano Português. Vigiado. Preso em 15/06/1928, «acusado de ter contribuído com a quantia de cem escudos para a confecção de manifestos clandestinos»; libertado no dia seguinte. Continuou a ser vigiado e anotados os seus contactos, incluindo participação em reuniões. Preso em 27/11/1928, «por estar implicado num movimento militar em preparação»; libertado em 25/12/1928. Continuou vigiado. Preso em 13/04/1929, «por estar em ligação com o "comité revolucionário"», e deportado, em 08/05/1929, para a Madeira, onde lhe foi fixada residência. Autorizado pelo Ministério do Interior a regressar, embarcou em 22/05/1930. Continuou a conspirar a partir de Cascais. Faleceu em Lisboa, em 14/10/1950.]

01983. José Lopes de Oliveira [1927]

[José Lopes de Oliveira]

[Vale de Açores, Mortágua, 25/12/1881. Professor e historiador. Filiação: Maria Adelaide de Jesus, João Lopes de Oliveira. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1905), enveredou pela profissão docente, começando a lecionar em Viseu. Após a implantação da República, foi nomeado diretor da Escola Normal de Lisboa e professor no Liceu Passos Manuel, onde também foi reitor (1920). Republicano e maçom, pertenceu, até 1920, ao Partido Republicano Português, aderindo, em 1923, ao Partido Republicano Radical, do qual se tornou Presidente em 1925. Preso em janeiro de 1927 e levado para o Forte da Trafaria, por estar associado ao Partido Republicano Radical. Deportado para Cabo Verde, regressou no vapor "África" em 19/06/1927. No momento do desembarque, declarou ao jornal "O Século" que era «francamente contra as ditaduras, mas não defendo o regresso à anarquia política em que vivíamos», afastando-se da posição das pretensões dos «republicanos exilados em Paris». As suas considerações sobre o apoio do Partido Radical ao golpe do 28/05/1926 seriam cortadas pela censura. Aposentou-se em 1946 e faleceu na Parede em 03/08/1971.] 
[alterado em 25/06/2024]
[alterado em 26/06/2024]

01984. Mário Marrecas Ferreira Pimentel [1927]

[Capitão de Infantaria 10. Participou ativamente na revolução de 3 de fevereiro de 1927, no Porto, ficando detido na Casa de Reclusão até ser transferido para Lisboa no "Infante de Sagres". Continuou a combater a Ditadura Militar, sendo vigiado quando em liberdade. Incluído na lista dos 33 nomes afastados de todo o serviço público ao abrigo do Decreto-Lei N.º 25317, de 13 de maio de 1935, o qual «manda aposentar, reformar ou demitir os funcionários ou empregados, civis ou militares, que tenham revelado ou revelem espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política ou não deem garantia de cooperar na realização dos fins superiores do Estado».]

01985. Manuel Joaquim Oliveira [1927]

[Capitão farmacêutico. Participou ativamente na revolução de 3 de fevereiro de 1927, no Porto, ficando detido na Casa de Reclusão até ser transferido para Lisboa no "Infante de Sagres". Posteriormente, quando trabalhava na Farmácia Barreto, na Rua do Loreto, estava conotado com a Oposição e apoiou o general Humberto Delgado na campanha presidencial de 1958.]

01986. António José da Costa Cunhal [1927]

[Tenente do Exército – Batalhão de Metralhadoras 2. Quando alferes do Batalhão de Infantaria 35, integrou o 1.º Corpo Expedicionário Português. Participou na Revolta de Fevereiro de 1927, no Porto, e ficou detido na Casa de Reclusão até ser transferido para Lisboa no "Infante de Sagres". Continuou na carreira militar.]

01987. José Bonifácio da Costa [1927]

[Delegado do Ministério Público em Miranda do douro e Presidente da Comissão Administrativa da Câmara de Mesão Frio. Acusado de estar envolvido na Revolta de Fevereiro de 1927, no Porto, ficou preso na Casa de Reclusão até ser transferido para Lisboa no "Infante de Sagres".]

01988. Nicolau Pereira Gouveia [1927]

[Secretário da administração do concelho de Murça. Acusado de estar envolvido na Revolta de Fevereiro de 1927, no Porto, ficou preso na Casa de Reclusão até ser transferido para Lisboa no "Infante de Sagres".]

01989. Bernardo António Barros [1927]

[Salgueiral - Régua. Acusado de estar envolvido na Revolta de Fevereiro de 1927, no Porto, ficou preso na Casa de Reclusão até ser transferido para Lisboa no "Infante de Sagres".]

01990. António da Silva Correia [1927]

[Solicitador na Régua. Acusado de estar envolvido na Revolta de Fevereiro de 1927, no Porto, ficou preso na Casa de Reclusão até ser transferido para Lisboa no "Infante de Sagres".]

[João Esteves]

quinta-feira, 12 de maio de 2016

[1473.] ANA DE CASTRO OSÓRIO || 1916

* SUBINSPECTORA DOS TRABALHOS TÉCNICOS FEMININOS *

Em Junho de 1916, António Maria da Silva, ministro do Trabalho, criou a inspecção feminina ao trabalho das mulheres e para subinspectora dos trabalhos técnicos femininos foi nomeada Ana de Castro Osório.

No entanto, esse cargo trouxe-lhe dissabores e acusações graves ao seu desempenho, tendo o jornal A Voz, através da articulista Adelaide Abrantes, questionado a utilidade dessas subinspectoras, considerando um favorecimento do ministro às suas afilhadas, e atacado directamente o papel de Ana de Castro Osório, acusando-a de ditadora e de conivência com os patrões, ao não aplicar no terreno a abolição dos serões das costureiras, lei então decretada pelo governo da República. 

A representante das costureiras que, segundo a própria, militava há vinte e seis anos no movimento de classe e há vinte e dois na política socialista foi contundente em relação à escritora, considerando que isso já era de prever “com a nomeação de senhoras que nunca trabalharam, nem conhecem o valor do trabalho, nem os sacrifícios dos que trabalham [...] E diz-se essa sr.ª subinspectora defensora do sexo feminino”.

Para Adelaide Abrantes, “a emancipação dos trabalhadores há-de ser obra dos mesmos trabalhadores”, não podendo esse posicionamento crítico ser dissociado da escassa influência de Ana de Castro Osório junto do operariado feminino. 

[A Folha || 30 de Setembro de 1916]