[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quarta-feira, 17 de maio de 2023

[3297.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCXXVI

PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCXXVI * 

01391. Manuel Zacarias Avilez da Silva Coelho [1933]

[Lisboa, c. 1896, empregado comercial. Filiação: Emília da Encarnação Silva Coelho, António Zacarias Avilez Silva Coelho. Solteiro. Residência: Travessa da Boa-Hora, 18. Preso pela PSP de Lisboa, juntamente com Armando dos Santos Fernandes, e entregue na SVPS em 21/01/1933, sendo levado, incomunicável, para uma esquadra. Considerado que as suas declarações não interessavam àquela Polícia, foi entregue ao Comando da PSP de Lisboa em 24/01/1933.]
[alterado em 19/05/2023]

01392. Armando dos Santos Fernandes [1933]

[Chaves, c. 1900, empregado comercial. Filiação: Maria Júlia Barrigos, Manuel António. Solteiro. Residência: Rua Elias Garcia, 10 - Cacilhas. Preso pela PSP de Lisboa, juntamente com Manuel Zacarias Avilez da Silva Coelho, e entregue na SVPS em 21/01/1933, sendo levado, incomunicável, para uma esquadra. Entregue, em 23/01/1933, à Polícia de Investigação Criminal e, em 24/01/1933, ao Comando da PSP de Lisboa, por se considerar que as suas declarações não interessavam à SVPS.]
[alterado em 19/05/2023]

01393. Manuel Adriano Gouveia Sarmento [1933]

[Lisboa, c. 1906, alfaiate. Filiação: Maria Emília de Gouveia Sarmento, Eugénio Vítor Sá Viana Couto. Solteiro. Residência: Rio de Mouro. Preso pela SVPS em 22/01/1933, "para averiguações", tendo recolhido incomunicável a uma esquadra. Entregue, em 23/01/1933, à Polícia de Investigação Criminal.]

01394. Virgínio de Jesus Luís [1933]

[Lisboa, c. 1913, barbeiro. Filiação: Maria Jacinta de Jesus, Manuel Luís. Solteiro. Residência: Rua Possidónio da Silva, 14-16. Procurado desde, pelo menos, Novembro de 1932, por ser um elemento muito ativo dentro das Juventudes Comunistas, a que aderira por intermédio de Júlio dos Santos Pinto e onde usava o pseudónimo "Barbeiro". Preso em 21/01/1933, "por estar envolvido em manejos comunistas" e, em 20/01/1933, ter tomado parte na manifestação promovida pelas Juventudes Comunistas à porta das Oficinas Gerais da CML, na Rua 24 de Julho - Alcântara. Militaria nas Juventudes Comunistas desde finais de 1931 ou início de 1932, tendo colaborado com Bernard Freund: militou na Célula N.º 11; pertenceu ao Comité de Zona N.º 4; fez parte da Comissão Central de Organização (Comorg), juntamente com Isaac Soares e José Pedro da Rocha; integrou o Comité Regional de Lisboa das JC, com o pseudónimo "Fu-Manchu"; participou na conferência regional realizada na Costa da Caparica, onde ficou encarregado, com Álvaro Duque da Fonseca, Carolina Loff da Fonseca, José Pedro da Rocha, Júlio dos Santos Pinto e Togo da Silva Batalha, de reorganizar o Secretariado Político das Juventudes Comunistas; e era membro do Comité Central Executivo, tal como muitos daqueles nomes, participando em reuniões realizadas na Costa da Caparica e na sede do Sindicato do Pessoal do Arsenal da Marinha. Esteve envolvido na organização, em 04/09/1932, da 18.ª Jornada Internacional das Juventudes Comunistas, dinamizando e participando ativamente nas diferentes atividades realizadas. Voltou a ter importante intervenção na propaganda e comício-relâmpago realizado, em 20/01/1933, à porta das oficinas da CML. Entrou, em 06/05/1933, na enfermaria da Cadeia do Limoeiro, para tratamento. Devido ao seu estado de saúde, os facultativos das Cadeias Civis de Lisboa opinaram que devia ser enviado para um Sanatório ou Hospital de especialidade por ter uma tuberculose pulmonar, o que não terá sucedido. Reingressou, em 05/12/1933, no Aljube. Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 02/03/1934, foi condenado em 600 dias de prisão correcional e perda dos direitos políticos por cinco anos. Transferido, em 20/03/1934, para Peniche, foi libertado desta prisão em 27/09/1934, por ter cumprido a pena imposta.]
[alterado em 18/05/2024]

[João Esteves]

quinta-feira, 7 de maio de 2020

[2371.] AMÉRICO GOMES [I] || A MORTE AOS 21/22 ANOS POR COMBATER A DITADURA

* AMÉRICO GOMES *
[1912 (?) - 16/03/1934]

Américo Gomes faleceu em 1934, na Penitenciária de Lisboa, depois de 14 meses de cativeiro, na sequência de pertencer às Juventudes Comunistas e ter participado em diversas acções de rua contra a Ditadura implantada em 28 de Maio de 1926.

Havendo três presos políticos com o mesmo nome, tem sido apresentado, incorrectamente, como serralheiro mecânico, nascido em 31 de Outubro de 1906. 

Filho de Elisabete Ferreira e de Alfredo Gomes, Américo Gomes terá nascido em 1912, em Lisboa. 

Ajudante de caldeireiro, com residência na Travessa do Conde da Ponte - 13, Américo Gomes militou nas Juventudes Comunistas desde, pelo menos, 1931, tendo desempenhado algumas tarefas relevantes.

Em Janeiro de 1932, participou na distribuição de manifestos em inglês aquando da passagem de navios de guerra ingleses pelo Tejo.

Fez parte da Célula da Fábrica Dargent, uma fábrica de estruturas metálicas e caldeiras, e integrou, posteriormente, o Comité de Zona N.º 4, juntamente com Adolfo Teixeira Pais - "O Diabo", João Ferreira de AbreuManuel dos Santos - "O Manuel da Fonte Santa", e Virgínio de Jesus Luís, entre outros, onde representava a Célula N.º 40. 

Foi preso, pela primeira vez, em 26 de Setembro de 1932, por suspeita de ter participado na manifestação e comício-relâmpago organizado pela Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas no Largo de Alcântara, em 4 de Setembro de 1932, para celebrar o Dia da Juventude, tendo Francisco de Paula  Oliveira (Pavel) sido o orador e estando presentes, entre outros, Domingos dos Santos - "O Calabrez", Manuel dos Santos e Pedro Batista da Rocha [v. Processo 558]. Acabou por ser libertado em 21 de Outubro de 1932, por falta de provas.

Pouco tempo depois, em 20 de Janeiro de 1933, foi preso pela PSP em Alcântara, na sequência da distribuição de manifestos clandestinos à porta das Oficinas Gerais da CML. Estava, então, armado de um revólver, tendo disparado um tiro para o ar. Anteriormente, tinha servido de ligação entre Aníbal Trindade, que andava fugido e só seria preso em 1938, e Virgínio de Jesus Luís.

Devido às actividades que desenvolveu, foi considerado «um elemento activo e bastante perigoso» [Processo 626] e julgado pelo Tribunal Militar Especial em 2 de Março de 1934, sendo condenado na pena de 600 dias de prisão correccional [Processo 31/933 do TME].  

Segundo registo no seu Cadastro Político, faleceu em 16 de Março de 1934, na Penitenciária de Lisboa. 

Fonte:
ANTT Cadastro Político 5939 [Américo Gomes / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0962, m0962a, m0962b].

[João Esteves]

segunda-feira, 6 de abril de 2020

[2345.] ALBINO SALGADO [I] || MILITANTE DAS JUVENTUDES COMUNISTAS (1932)

* ALBINO SALGADO *
[1913 - ?]

[Albino Salgado || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria das Dores Branco Salgado e de Jaime António Baião Salgado, Albino Salgado terá nascido em 1913, em Sines. 

Empregado do comércio a viver em Lisboa, na Travessa do Giestal, foi preso em 18 de Outubro de 1932, por «fazer  parte das Juventudes Comunistas Portuguesas», a  que aderiu por intermédio de Virgínio de Jesus Luís

Ingressou na Célula N.º 11 e participou nos acontecimentos ocorridos em Santo Amaro em 29 de Fevereiro de 1932. 

Segundo o seu Cadastro Político, Albino Salgado organizou, depois, uma nova célula, a N.º 42, composta por José Luís, José Maria dos Santos e Leopoldo Gonçalves Henriques, ficando ele como Secretário e assegurando as ligações ao Comité de Zona N.º 4. Também passou a integrar este, juntamente com Júlio dos Santos Pinto e Virgílio de Jesus Luís

Na sequência de uma conferência regional das Juventudes Comunistas, ascendeu ao Comité Regional de Lisboa, formado por Elísio Monteiro (pseudónimo Azevedo), João "Cara Linda", Virgínio de Jesus Luís e dois outros de que só se conhecem os pseudónimos "Freire" e "Borodine", ficando responsável Albino Salgado pela organização dos Pioneiros. Entretanto, o Comité de Zona N.º 4 passou a ser constituído por Francisco Sampaio, Júlio dos Santos Pinto, Lúcio Augusto PereiraVirgínio de Jesus Luís, para além de Albino Salgado que continuava como responsável pela Célula 44. 

[Albino Salgado || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

No âmbito das suas responsabilidades, envolveu-se nos preparativos da 18.ª Jornada das Juventudes Comunistas, de forma a celebrar-se o Dia da Juventude em 4 de Setembro de 1932: distribuiu entre os camaradas exemplares de "O Jovem" e cartazes de propaganda e preparou, com Virgínio de Jesus Luís, a tinta vermelha destinada à pintura de inscrições nas paredes e desenho de foices e martelos. Jorge Monteiro ajudou na distribuição de pequenas latas com tinta. 

No dia 4 de Setembro realizou-se, em Alcântara, a manifestação e o comício-relâmpago com a participação de Francisco de Paula Oliveira enquanto orador e estando presentes, entre outros, Domingos dos Santos - "O Calabrez", Manuel dos Santos e Pedro Batista da Rocha, tendo-se gritado vivas ao Comunismo, às Juventudes Comunistas e à URSS e abaixo a Ditadura e o Capitalismo. Na sequência dos confrontos havidos, Albino Salgado assistiu ao baleamento de José Ruas Ferreira, que era portador de uma bandeira comunista e viria a falecer no hospital.

Quando da sua detenção [Processo 568], Albino Salgado estava na posse de 200 exemplares de "Frente Vermelha", o novo órgão das Juventudes e do Partido, estando encarregado de o distribuir no Barreiro e enviá-lo para Espanha. Foi, então, considerado «um elemento perigosíssimo, em virtude da grande actividade desenvolvida não só na reorganização das Juventudes, como também na preparação da agitação de 4 de Setembro último, o que prova que apesar de apenas contar 19 anos de idade, é já um elemento de autêntico valor dentro da organização extremista».

Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 16 de Dezembro de 1933, foi libertado em 19 de Dezembro por ter sido amnistiado [Processo 11/933, do TME]. 

Novamente preso em 18 de Dezembro de 1934, acusado de fazer parte das Juventudes Comunistas Portuguesas [Processo 1303], foi libertado em 24 de Dezembro, por falta de provas.

Fontes:

ANTT, Livro de Cadastrados 4 [Albino Salgado / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904].

ANTT, Cadastro Político 5247 [Albino Salgado / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0519, m0519a, m0519b, m0519c].

[João Esteves]

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

[2256.] ADOLFO TEIXEIRA PAIS [I] || PRESO EM 1933, 1935, 1936, 1952 E DEPORTADO PARA O TARRAFAL (1936-1945)

* ADOLFO TEIXEIRA PAIS *
[07/07/1912 - ?]

Militante das Juventudes Comunistas, Adolfo Pais, referenciado como "O Cantador de Fado" ou "O Diabo", foi preso por quatro vezes e passou nove anos no Tarrafal.

[Adolfo Teixeira Pais || ANTT || RGP/896 || PT-TT-PIDE-E-010-5-896_m0197]

Filho de Ana Joaquina Teixeira e de Germano Pais, Adolfo Teixeira Pais nasceu em 7 de Julho de 1912, em Lisboa.

Empregado no comércio, militava nas Juventudes Comunistas e integrava a Célula N.° 47 do Comité de Zona N.° 4, tendo, anteriormente, pertencido à Célula N.° 46.

Este Comité reunir-se-ia às terças-feiras, pelas 21 horas, no Jardim da Parada, em Campo de Ourique e Adolfo Teixeira Pais desempenharia as funções de Secretário da Comissão de Organização, composta, entre outros, por Manuel dos Santos, "O Manuel da Fonte Santa", e Virgínio de Jesus Luís.

Segundo o seu Cadastro Político, também assistiria às reuniões que se efetuavam às segundas-feiras, à esquina do Café Itália ou à porta do Coliseu, com a Comissão Regional e onde estavam presentes os delegados das outras Zonas: Cintra, pela Zona N.° 1, Luna pela número 3, ele, pela N.° 4, e um tal Liberto ou Ferreira, da Comissão Regional.

Integrou o grupo que, em 20 de Janeiro de 1933, distribuiu manifestos clandestinos à porta das Oficinas Gerais da CML, na Rua 24 de Julho - Alcântara, entregues por Virgínio de Jesus Luís, enquanto Manuel dos Santos discursava no comício relâmpago então efectuado.

Finda a reunião do Comité de Zona N.° 4 realizada em 24 de Janeiro de 1933, os intervenientes  foram abordados na rua por dois guardas da PSP, tendo, na sequência de um tiro e do ferimento de um dos agentes, Adolfo Teixeira Pais fugido com Manuel dos Santos.

[Adolfo Teixeira Pais || ANTT || RGP/896 || PT-TT-PIDE-E-010-5-896_m0197]

Em 26/02/1933, Adolfo Pais seria preso em casa pela PSP, levado para o Governo Civil e, depois, entregue à Polícia de Defesa Política e Social. Considerado «elemento bastante ativo e perigoso», foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 2 de Março de 1934 e condenado a 600 dias de prisão.

Subscreveu a Carta Aberta impressa, datada de 30 de Março de 1933, em resposta a uma visita do Ministro do Interior [Albino Soares Pinto dos Reis Júnior (30/09/1888 - 14/05/1983)] ao Aljube e à respectiva nota oficiosa publicada nos jornais, em que 56 dos 75 presos no Aljube de Lisboa esclarecem e denunciam as torturas sofridas, sendo que «foram espancados 49, e alguns duma  maneira bastante selvagem».

Libertado em 21 de Dezembro de 1934, voltou a ser preso no ano seguinte, em Abril de 1935, quando era soldado. A ordem do Ministro da Guerra indicava que devia ser entregue à PVDE, tendo, em 24 de Abril de 1935, o Regimento de Artilharia de Costa N.° 1 - Trafaria confiado o soldado recruta Adolfo Teixeira Pais.

Levado para a 1.ª Esquadra, foi transferido para Peniche em 16 de Maio, «em virtude de ter sido um dos principais autores duma insubordinação levada a efeito no calabouço N.° 6 do Governo Civil». Licenciado da tropa em 21 de Junho, voltou para os calabouços do Governo Civil em 12 de Julho, sendo libertado em 22 do mesmo mês.

[Adolfo Teixeira Pais || ANTT || RGP/896 || PT-TT-PIDE-E-010-5-896_m0197]

No ano seguinte, em 19 de Fevereiro de 1936, voltaria a ser preso, «enquanto comunista», pela Secção Política e Social da PVDE. Permaneceu numa esquadra até ser levado, em 15 de Abril, para Peniche e, em 14 de Outubro, já estava em Caxias, antecâmara da deportação para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde integraria a primeira leva de presos políticos e ficaria por 9 anos.

Abrangido pela amnistia de 18 de Outubro de 1945, regressou a Lisboa em 1 de Fevereiro de 1946, saindo em liberdade e ido viver para a Rua Convento da Encarnação 43 - 3.°.

Referenciado como eletricista, Adolfo Teixeira Pais foi preso pela última vez em 18 de Agosto de 1952, «por emigração clandestina». Recolheu à Cadeia de Castelo de Vide, sendo julgado pelo Tribunal daquela Comarca.

Terá aderido ao Partido Socialista depois do 25 de Abril de 1974 e, nos anos 70, estaria como porteiro da embaixada portuguesa em Paris [Edmundo Pedro, 1978].

[João Esteves]
[alterado em 07/02/2023]
[alterado em 04/03/2026]