[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 23 de março de 2014

[0554.] FEMINAE [XVIII] || LETRA D

* FEMINAE || D *


0235. Daisy Price
0236. Dalila Duque da Fonseca
0237. Dalila Marques Maia
0238. Dalila Pereira
0239. Delfina Costa
0240. Delfina Cruz
0241. Delfina da Conceição
0242. Delfina Lopes
0243. Delfina Perpétua do Espírito Santo
0244. Delmira Mendes
Denise Lester - v. Margaret Denise Eileen Lester
0245. Deodata Costa Castilho
0246. Deolinda A. Loureiro
0247. Deolinda da Luz
0248. Deolinda de Campos
0249. Deolinda de Macedo
0250. Deolinda Lopes Vieira Pinto Quartin
0251. Deolinda Saial
0252. Deonilde Gouveia
0253. Diamantina Jesus Vicente
0254. Dina Pereira
0255. Dinah Santos Lima
0256. Dinah Stichini
Dinorah Noémia - v. Conceição Vitória Marques
0257. Direitos Sexuais e Reprodutivos
0258. Dolores Rentini
Dona Amélia - v. Maria Amélia Luísa Helena de Orleães e Bragança
Dona Maria Pia - v. Maria Pia de Sabóia e Bragança
0259. Dora Vieira
Dores Aço - v. Maria das Dores Aço Rodrigues
0260. Dores Brêa 
Dorinda Rodriguez - v. Maria Dorinda Rodrigues Nóvoa
0261. Doroteia Coutinho
0262. Doroteia Cruz
0263. Dorothea Mary Potter Lewis Mitchell 
0264. Dorothy Eleanor Houssemayne du Boulay
0265. Dulce de Almeida Sant’Anna
Duquesa de Palmela (3.ª) - v. Maria Luísa de Sousa Holstein

sábado, 11 de dezembro de 2010

[0222.] DEOLINDA LOPES VIEIRA [I] || 1888 - 1993

* DEOLINDA LOPES VIEIRA PINTO QUARTIN *
[08/07/1888 - 08/06/1993]

[Deolinda Lopes Vieira || 1928 || Pormenor de uma fotografia do II Congresso Feminista]

Deolinda Lopes Vieira manteve, durante a sua longa existência, a mesma coerência e coragem enquanto educadora e cidadã, tendo sido uma das mulheres a integrar o movimento libertário.

Natural de Beja, frequentou a Escola Normal de Lisboa, onde foi aluna de Luís Passos, especializou-se no ensino infantil e exerceu a profissão na Escola Oficina n.º 1. 

Após a implantação da República, interveio no Segundo Congresso Nacional do Livre Pensamento, onde secretariou uma das sessões nocturnas (17/10/1910).

Dinamizadora do ensino da puericultura na escola, Deolinda Lopes Vieira evidenciou-se no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas a partir do início da década de 20, intervindo no âmbito da sua actividade profissional: em Abril de 1923, foi a autora do manifesto às associadas, apelando à sua intervenção em defesa da mulher grávida e da criança; presidiu à Secção de Educação entre 1922 e 1926; e, entre 1927 e 1929, foi eleita Presidente da Secção de Educação Infantil, sendo a responsável pelos seus relatórios.

Nos primeiros anos da década seguinte continuou ligada à Comissão responsável pela Educação (1931, 1933-1934), secretariou reuniões e exerceu o cargo de Vogal da Direcção (1932). Entretanto, foi iniciada na Maçonaria em 1923, tendo integrado a Loja Humanidade do Direito Humano, com o nome simbólico de Igualdade.

Deolinda Lopes Vieira foi, ainda, uma das oradoras da sessão solene comemorativa do aniversário do CNMP (1923); desempenhou as funções de Vogal da comissão organizadora do Primeiro Congresso Feminista e de Educação (1924), sendo a autora da tese Educação de anormais; foi vogal da Comissão Organizadora do Primeiro Congresso Abolicionista Português (1926); apresentou, no 2.º Congresso, a tese Escola única (1928); participou na recepção promovida pelo Conselho a Adelaide Cabete quando do seu regresso de África; e, em Outubro de 1931, representou-o no Congresso Internacional de Protecção à Criança.

Depois de um interregno, Deolinda Lopes Vieira Pinto Quartin voltou a aderir ao CNMP, integrando o numeroso grupo de Lisboa que, em 1945, se filiou na agremiação.

Para além das intervenções em reuniões dedicadas aos problemas educativos e associativos, foi essencialmente através da imprensa que expôs o seu pensamento. 

Colaborou em Amanhã, revista popular de orientação racional, publicada em Lisboa, em 1909; Boletim Oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e Alma Feminina; Educação, revista quinzenal de pedagogia, publicada em 1913; Educação Social, revista de pedagogia e sociologia, editada entre 1924 e 1927, dirigida por Adolfo Lima; Escola Nova, porta-voz da Associação de Professores de Portugal; Revista de Educação Geral e Técnica; Boletim da Sociedade de Estudos Pedagógicos; A Voz do Professor, Órgão da Associação do Professorado Primário Terceirense, publicado em 1909-1910, em Angra do Heroísmo; e no Suplemento Literário e Ilustrado - A Batalha.

Casada com António Tomás Pinto Quartin, faleceu em Lisboa, em 1993, com 104 anos de idade.

[João Esteves]

domingo, 7 de novembro de 2010

[0066.] VITÓRIA PAIS FREIRE DE ANDRADE MADEIRA [I] || 1883 - 1930

* VITÓRIA PAIS FREIRE DE ANDRADE MADEIRA * 

[Vitória Pais Freire de Andrade || 20/01/1883 - 07/11/1930]


Em 7 de Novembro de 1930 morre, em Lisboa, com 47 anos, a professora e militante feminista Vitória Pais Freire de Andrade Madeira.

Professora, natural de Ponte de Sor, onde nasceu em 1883, Vitória Pais era filha de José Albertino Freire de Andrade,  professor, e de Arsénia Maria Mineira e casou, muito nova, com o comerciante de Portalegre Manuel Joaquim Madeira.

Cursou a Escola Normal de Portalegre (1903), leccionou no distrito - Avis, Vale de Açor e Ponte de Sor – e inaugurou, nesta última localidade, uma escola por si dirigida e denominada “Uma missão das Escolas Móveis” (1913).

Durante a I Guerra, partiu para a capital, a fim de se inscrever no Curso de Enfermagem organizado pela Cruzada das Mulheres Portuguesas, fez exame de enfermeira em 04 de Dezembro de 1917 e prestou serviços aos mutilados no Instituto de Santa Isabel.

Frequentou a Escola Normal de Lisboa (1921), onde foi sempre a presidente da Associação Escolar, e algumas cadeiras da Faculdade de Letras.

A par do seu empenhamento nas questões pedagógicas e no associativismo docente, evidenciou-se na militância cívica e feminista, tendo aderido à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, à Associação de Propaganda Feminista e ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, de que foi um dos pilares, quer pelos cargos directivos que desempenhou, como pela participação nos Congressos Feministas e Abolicionistas.

Enquanto sócia da Liga, colaborou na revista A Mulher e a Criança (1911) e no jornal A Madrugada (1913-1915), participou na campanha a favor da aprovação, pelo Parlamento, duma lei proibitiva da venda de tabaco e bebidas alcoólicas a menores (1912), foi subscritora da Obra Maternal entre, pelo menos, 1913 e 1915, e contribuiu para subscrições.

No âmbito da APF, foi accionista da Empresa de Propaganda Feminista e Defesa dos Direitos da Mulher (Junho de 1915), responsável pela edição do jornal A Semeadora, e contribuiu para a sua propaganda na região onde leccionava.

Quando da formação da Cruzada das Mulheres Portuguesas, presidiu à subcomissão de Ponte de Sor e desempenhou, em 1918, as funções de Vogal da Comissão de Propaganda e Organização de Trabalho.

Seguindo o percurso de muitas outras activistas, foi iniciada na Maçonaria (1916) e integrou as Lojas Carolina Ângelo, com o nome simbólico de Liberdade, e Humanidade, com o de Mariana de Lencastre, tendo aderido em 1917, ainda enquanto professora na sua terra natal, ao projecto do Grémio Carolina Ângelo de instituir as Ligas de Bondade, que procuravam afastar as crianças da delinquência e da criminalidade. Nos anos vinte, pertenceu à Loja Humanidade do Direito Humano.

Quanto ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidiu a reuniões, interveio noutras, empenhou-se no combate à prostituição e à sua regulamentação pelo Estado, encabeçou o movimento pela extinção das touradas e, a partir de 1920, pertenceu aos corpos gerentes, tendo sido eleita Vogal (1920, 1922) e Tesoureira (1926) da Direcção, Vogal do Conselho Fiscal (1921) e Presidente da Assembleia Geral (1923, 1925). Também integrou a Assembleia Geral em 1924. Vitória Pais Madeira foi ainda Secretária da Comissão Jornalística (1920) e da Comissão de Educação (1920) e presidiu às Secções de Paz (1922), de Sufrágio (1925) e de Propaganda (1926).

Em 1924, exerceu as funções de Vogal da comissão organizadora do Congresso Feminista, onde defendeu a tese “Influência dos espectáculos públicos na educação”, e no Primeiro Congresso Nacional Abolicionista, realizado em 1926, apresentou a comunicação “Moral única”, que foi debatida na 2.ª Sessão Ordinária (03/08/1926).

Preocupada com o bem estar colectivo, reivindicou uma participação social mais activa por parte dos cidadãos, e assumiu-se permanentemente como educadora, tanto no exercício da profissão, como na vida associativa e cívica, sendo muito conceituada entre o professorado primário. Valorizou a importância da educação consciente da mulher, como forma de contribuir para o derrube de preconceitos e extinção das injustiças sociais, procurou transmitir aos alunos os sentimentos de solidariedade e independência, pugnou pela educação dos adultos, realizou conferências, escreveu para periódicos, tendo pertencido à comissão redactora da revista Educação Social, publicada em Lisboa, sob a direcção de Adolfo Lima, colaborou com a Universidade Popular Portuguesa e representou o CNMP na Comissão Central de Propaganda da Semana da Criança, organizada em Maio de 1925, por iniciativa da Associação dos Professores de Portugal. Aliás, integrou sucessivas comissões organizadoras da “Semana da Criança”.

Vitória Pais também nunca descurou o movimento associativo docente, procurando valorizar o papel das professoras, que constituíam a maioria da classe. Em 1918, representou o concelho de Ponte de Sor no Congresso do Professorado Primário Português, realizado em Lisboa, em 20 e 21 de Junho, e enquanto sócia da Associação de Professores de Portugal e da Liga de Acção Educativa, influiu nas suas reuniões. Posteriormente, e enquanto redactora da revista Educação Social, representou-a no Congresso das Escolas e Bibliotecas de Estudos Sociais, que decorreu no Porto, em Janeiro de 1927, e em Abril do mesmo ano participou no 9.º Congresso dos professores primários, realizado em Viseu.

Em 1928, numa atitude coerente e corajosa, foi Vogal da Comissão Executiva em prol das famílias dos presos, deportados e emigrados políticos, que visava recolher donativos, organizada por sugestão do jornal republicano O Rebate, tornando-se, significativamente, no seu último acto público conhecido.

Morava em Lisboa, na Estrada da Damaia, 69, rés-do-chão, quando faleceu, em 7 de Novembro de 1930, com 47 anos. Pertencia então ao quadro das escolas primárias da capital, trabalhando na de Benfica, e fizeram-se representar no funeral diversas sociedades, associações e estabelecimentos de ensino, nomeadamente o CNMP, o Grémio Humanidade, a Liga Portuguesa Abolicionista, a Mocidade Popular Portuguesa, a Escola Normal e a Escola-Oficina N.º 1.

Em artigo publicado no semanário pedagógico O Ensino Primário, Deolinda Lopes Vieira lembrava que tinha sido uma “pugnadora entusiasta por uma educação moderna, científica e sem dogmas”, tratando-se de um “espírito lúcido e aberto a todas as ideias de progresso e liberdade”.

Era sobretudo referenciada por Vitória Pais Freire de Andrade ou, simplesmente, Vitória Pais, e raramente utilizava o apelido do marido.


[v. João Esteves, Dicionário de Educadores Portugueses (dir. de António Nóvoa), Asa, 2003; e "Vitória Pais Freire de Andrade Madeira", Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005]

[Consultar também António Ventura, A Maçonaria no Distrito de Portalegre (1903-1935), Caleidoscópio, 2007, pp. 347-348, 365-366]


[João Esteves]

terça-feira, 16 de março de 2010

[0008.] SEGUNDO CONGRESSO FEMINISTA E DE EDUCAÇÃO [I] || 1928

* O jornal O Rebate anuncia, em 16 de Março de 1928, a realização do 2.º Congresso Feminista e de Educação * 

«O 2.º Congresso Feminista e de Educação realizar-se-á na próxima primavera em Lisboa

O Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, vasta organização feminista em todo o país conhecida pela sua bela e grandiosa obra de emancipação da mulher vai realizar na próxima primavera um congresso feminista e de educação. A ajuizar pelo que foi o primeiro congresso promovido por esta associação de senhoras no ano de 1924, esta segunda manifestação da sua actividade social constituirá uma segura garantia de êxito.

A direcção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas reuniu há poucos dias para tratar dos trabalhos preparatórios do congresso. Vão ser feitos convites a várias instituições de instrução para colaborar. Já estão escolhidas as teses que pelo seu enunciado, hão-de despertar grande interesse e algumas já com relatores.

Entre os temas a debater no congresso encontram-se os seguintes: «Escola única», pela professora D. Deolinda Lopes Vieira; «A acção moral do trabalho», por D. Angélica Porto; «O poder maternal», «A mulher casada profissional», «A protecção à mulher trabalhadora», pela Dr.ª Elina Guimarães.

Está garantida a colaboração da Dr.ª Aurora Teixeira de Castro, Dr.ª Adelaide Cabete, professoras D. Beatriz Magalhães e D. Júlia Franco e dr. Arnaldo Brazão.

Brevemente vão ser expedidas circulares e programas.

Todos os esclarecimentos serão prestados na sede do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Praça dos Restauradores, 13, 2º.».

[O Rebate, 16/03/1928, p. 1, col. 4]

[João Esteves]