[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quinta-feira, 2 de abril de 2020

[2336.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS - DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [XVIII] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || XVIII *

00140. Alberto de Sousa Tavares [1933]

[Lisboa, c. 1912. Cauteleiro. Filiação: Elvira Emília de Sousa Tavares, Artur Tavares. Solteiro. Residência: Rua da Esperança, ao Cardal, 24. Preso pela SPS/Lisboa em 21/12/1933, «por ter dirigido frases ofensivas contra os agentes desta Polícia e contra o Estado Novo»; libertado em 27/12/1933.]
[alterado em 22/05/2024]

00141. Alberto Dias Pombo [1928, 1932]

[Alberto Dias Pombo || 12/07/1928 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-1-NT-8902 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Covilhã, c. 1898, empregado na CML - Lisboa. Filiação: Felismina Soares, Manuel Dias. Casado. Residência: R. do Forno ao Castelo, 15 - Lisboa. Há muito procurado pela Polícia, "por ter tomado parte num transporte de bombas efectuado para dentro do Castelo de S. Jorge(v. Processo 3791), foi preso em 08/07/1928, juntamente com Daniel Severino e Filipe José da Costa, fugidos da Guiné, onde estavam deportados; deportado para Angola em 21/08/1928. Embarcou, em 12/05/1931, da Madeira, onde se encontrava vindo de Angola, para Cabo Verde, onde lhe foi fixada residência por ordem superior. Autorizado, em 22/07/1931, a ausentar-se para o Rio de Janeiro. Preso em Monção, em 22/05/1932, quando entrava em Portugal (Processo 89/Porto). Enviado do Porto para Lisboa em 03/07/1932, ficou a aguardar na Penitenciária a deportação para Cabo Verde, decidida em 21/06/1932. Libertado em 08/12/1932 por ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932 (Processo 585/SPS).]
[alterado em 23/12/2021]

00142. Alberto Dias [1928]

[Alberto Dias || 10/06/1928 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Preso, provavelmente, em Junho de 1928].

00143. Alberto dos Santos [1931]

[Lisboa, 1909, gráfico - Lisboa. Preso, em 04/11/1931, pela Secção de Justiça e Informações do Comando da PSP de Lisboa e libertado em 13/11/1931 (Processo 147)].

00144. Alberto Duarte Areosa [1927]

[Coimbra, 1883, comerciante - Coimbra. Preso em 05/10/1927 (Processo 3261), libertado em 09/10/1927].

00145. Alberto Emídio Midões [1927, 1931, 1934, 1935, 1937]   

[Alberto Emídio Midões || 28/11/1927 (?) || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Lisboa, 1883, negociante e proprietário - Matosinhos. Preso em 28/10/1927 e enviado pela Polícia de Informações do Porto para Lisboa em 29/10/1927 (Processo 3304). Deportado para Timor em 22/11/1927, de onde se evadiu em 17/01/1929, talvez a caminho de Angola para onde tinha sido transferido em 06/01/1929. Preso no Porto em 02/12/1931 (Processo 30/Porto), enviado para Lisboa em 19/12/1931 (Processo 257) e libertado em 18/02/1932. Preso no Porto em 03/10/1934 (Processo 368), transferido, em 14/10/1934, para Peniche e daí, em 09/11/1934, para o Aljube de Lisboa, sendo libertado em 14/12/1934. 

[Alberto Emídio Midões || 25/05/1935 || ANTT || RGP/197 || PT-TT-PIDE-E-010-1-197]

Preso em 21/05/1935, enviado para o Aljube do Porto e libertado em 01/07/1935. Preso no Porto em em 05/05/1937 e libertado em 02/08/1937 (Processo 565/37)].

[João Esteves]

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

[1731.] ALBERTO EMÍDIO MIDÕES [I]

* 3 DE FEVEREIRO DE 1927 || DEPORTADO PARA TIMOR E S. TOMÉ || ALJUBE (LISBOA E PORTO) || PENICHE *

[Alberto Emídio Midões || ANTT || RGP/197]

Alberto Emídio Midões é um dos muitos nomes insuficientemente estudados na luta contra a Ditadura Militar e o Estado Novo, tendo desenvolvido a sua ação política conspirativa a partir de Matosinhos, localidade onde era dono do Central Hotel, situado no então n.º 19 da R. Brito Capelo, e do Café Central. 

Republicano e, posteriormente, comunista, por estar envolvido nas primeiras revoltas contra a Ditadura, foi deportado para Timor e transferido, depois, para Angola, esteve ainda preso no Aljube, de Lisboa e do Porto, e em Peniche.

Filho de Guilhermina de Jesus Midões e de Valentim José Midões, nasceu em Lisboa, em 21 de Novembro de 1882.

Negociante, comerciante e proprietário conotado, inicialmente, como elemento influente do Partido Republicano Português, foi preso, pela primeira vez, em 28 de Outubro de 1927, quando já tinha 45 anos, por ser "o chefe do grupo civil da conspiração revolucionária", que integrava Alfredo Fonseca Campelo, Augusto Araújo, Emílio Campos  Negrais, Pimentel e Silva, e "por ser revolucionário de 3 de Fevereiro" [ANTT, Cadastro Político 367].

Segundo as informações recolhidas pela Polícia de Informações do Ministério do Interior do Porto, era em Matosinhos, no seu Central Hotel, que se reuniam, sendo Alberto Midões acusado de "chefiar o grupo que atacou a coluna fiel ao governo que desembarcou em Leixões" [ANTT].

[Alberto Emídio Midões || ANTT || RGP/197]

Enviado para Lisboa em 29 de Outubro, foi deportado, em 22 de Novembro de 1927, para Timor, de onde se evadiu em 17 de Janeiro de 1929. No entanto, a fuga pode ter-se dado já a caminho de Angola, para onde fora transferido em 6 de Janeiro, segundo registo do seu Cadastro Político.

Segundo informações prestadas a Manuela Espírito Santo pelo neto, Alberto Midões "fugiu de S. Tomé, onde estava deportado, para Tenerife. De Tenerife chegou a Vigo, cidade onde permaneceu algum tempo, graças à  generosidade de uma família galega que o acolheu. A relação  (e amizade) com essa família chegou até  às gerações mais próximas" [informação via Manuela Espírito Santo].

Em 3 de Janeiro de 1930, um informador dava conta da sua presença em Matosinhos, com várias deslocações à Póvoa do Varzim.

Mais de meio ano depois, em 23 de Julho, era dada a informação que Alberto Midões continuava a deslocar-se a Matosinhos.

No ano seguinte, em 1 de Maio, é referenciado como estando envolvido na revolução preparada para o dia 2 e que acabou por fracassar. O mesmo informador dá conta de, ao ter conhecimento do movimento revolucionário, se ter deslocado de Vila do Conde para Matosinhos, talvez "acompanhado do ex-capitão Ramalho" [ANTT] e ter sido "hasteado no café de que é proprietário" "uma bandeira vermelha".

Alberto Emídio Midões só seria preso em 2 de Dezembro de 1931, no Porto, por andar fugido da deportação e estar envolvido nos acontecimentos do 1.º de Maio.

Enviado para Lisboa em 19 de Dezembro, saiu em liberdade em 18 de Fevereiro de 1932.

Novamente preso em 3 de Outubro de 1934, no Porto, "por estar envolvido em manejos revolucionários", envolvendo, entre outros, Armando Soares, Camilo Cortesão, Gregório Mendes e José Ferreira da Costa e Silva.

[ANTT || RGP/197]

Considerado pela Polícia como "um elemento irrequieto, conspirando sempre, embora o faça com toda a segurança, pois trata-se de uma pessoa esperta" [ANTT], foi transferido para a Fortaleza Militar de Peniche em 14 de Outubro, onde ficou a aguardar julgamento. e, em 9 de Novembro, passou para o Aljube.

Libertado em 14 de Dezembro de 1934, voltou a ser preso em 21 de Maio de 1935, no Porto. e enviado para o Aljube daquela cidade.

Solto em 1 de Julho, seria novamente detido, sempre no Porto, em 5 de Maio de 1937 e libertado em 2 de Agosto.

[Central Hotel || Matosinhos]

Segundo José Rodrigues, Alberto Midões "foi um comerciante, proprietário e militante do PCP que residiu em Matosinhos a maior parte da sua vida" e comprara o Central Hotel antes de Janeiro de 1927, tendo, durante a Ditadura Militar, pedido "a um pedreiro para fazer um quarto falso", "no qual ele sempre se escondia quando se perspectivava a sua prisão (além do pedreiro que o fez e do seu amigo e barbeiro Miguel Garcia, seus companheiros de Partido, ninguém mais sabia da existência desse quarto secreto)" [José Rodrigues].

Alberto Emídio Midões faleceu em 1946.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

Fontes: ANTT, Cadastro Político 367; RGP/197. 
Informações prestadas pelo neto de Alberto Midões a Manuela Espírito Santo, a quem muito agradecemos a preciosa colaboração.

[João Esteves]