[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

[2279.] ARTUR RODRIGUES PAQUETE [I] || BRIGADAS INTERNACIONAIS/GCE - TARRAFAL

* ARTUR RODRIGUES PAQUETE *
[28/05/1906 - ?]

Artur Rodrigues Paquete militou no Partido Comunista Francês, país de onde partiu para Espanha para integrar, como voluntário, as Brigadas Internacionais. Esteve internado, entre 1939 e 1941, em campos criados em França para os refugiados da Guerra Civil e, de regresso a Portugal, foi preso, conheceu as prisões do Aljube, de Peniche e de Caxias, até ser enviado para o Tarrafal, onde permaneceu entre 1942 e 1945.

[Artur Rodrigues Paquete || 07/05/1941 || ANTT || RGP/13268 || PT-TT-PIDE-E-010-67-13268]

Filho de Ercília da Rosa e de António Rodrigues Paquete, Artur Rodrigues Paquete nasceu em Almancil, em 28 de Maio de 1906.

Em 1927, cumpriu como soldado, durante seis meses, o serviço militar em Lagos, no Batalhão de Infantaria 33, e Faro, em Caçadores 4, tendo emigrado para Espanha nesse mesmo ano. Aí permaneceu até 1930, ano em que seguiu para França, onde viveu até 1938.

Em Puy-de-Dôme, na região de Clermont-Ferrand, aderiu à CGT e filiou-se no Partido Comunista Francês em 1935, tendo frequentado um curso político de três meses e escrito, segundo o próprio, alguns artigos no periódico Montanha. Por fim, trabalhou como mineiro em Saint-Etienne e residia, com a mulher e filhos em Villars. Mantinha, ainda, contactos com a Federação dos Emigrados Portugueses, sediada em Paris, através de António Ferreira.

Por intermédio do Partido Comunista Francês, chegou a Espanha em 31 de Maio de 1938 «para lutar contra o fascismo», integrando a 14.ª Brigada, 2.º Batalhão, 1.ª Companhia. 

Terá participado, como soldado, na Batalhas do Ebro, permanecendo cerca de três meses na frente: 2 meses em Tortosa e 18 dias na Serra de Pàndols. A sua conduta foi considerada boa e pediu a admissão ao Partido Comunista Espanhol. 

Aquando do repatriamento para França, o Comité dirigente do Partido da XII Brigada Internacional, onde predominavam os italianos, assinalou-o como «disciplinado, sério, corajoso» e «simpatizante comunista, muito activo, inteligente», com «nível político elevado».   

Desempenhou as funções de comissário do "Centro de Desmobilização dos Camaradas Portugueses" em Torelló, na Província de Barcelona. Em Dezembro de 1938, recebeu ordens para se deslocar com os portugueses das Brigadas Internacionais que com ele estavam para Puig-Alt de Ter, onde se havia estabelecido um campo para aqueles e cujo comandante era o Major Inácio Augusto Anta [05/04/1906 - 1945]. Este, viria a ser morto numa câmara de gás, no Campo de Concentração de Sachsenhausen, no norte da Alemanha, em Fevereiro de 1945.

No campo de desmobilização de tropas estrangeiras N.º 3, em Puig-Alt de Ter, foi nomeado, por unanimidade, por soldados e oficiais, comissário político, tendo como uma das preocupações a formação cultural dos soldados ali reunidos. Terá, então, entrado em conflito com Inácio Augusto Anta por este pretender, de forma aventureira, formar uma unidade militar de voluntários para fazer a revolução em Portugal.

Atravessou os Pirenéus em direcção a França no início de 1939, juntamente com centenas de portugueses, ficando no campo de internamento de Argelès-sur-Mer, onde manteve algum papel de destaque. 

Por já ter vivido em França, foi-lhe permitido abandonar aquele mas, em Janeiro de 1940, voltou a ser internado, desta vez no Campo Vernet d'Ariège onde, com o início da Segunda Guerra, foram mantidos os estrangeiros considerados perigosos à ordem pública francesa, antifascistas e brigadistas.

[Artur Rodrigues Paquete || 07/05/1941 || ANTT || RGP/13268 || PT-TT-PIDE-E-010-67-13268]

Provavelmente por ter sido repatriado, Artur Rodrigues Paquete foi preso em 6 de Maio de 1941 e transferido para o Aljube em 3 de Junho [Processo 885/941]. Em 8 de Julho passou para Caxias e, no mês seguinte, 6 de Agosto, foi enviado para Peniche, onde permaneceu dez meses.

Regressou a Caxias em 19 de Junho de 1942 para embarcar, no dia seguinte, para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde ficou três anos e quatro meses.

Abrangido pela amnistia de 18 de Outubro de 1945, regressou a Lisboa no paquete "Guiné", tendo desembarcado em 1 de Fevereiro de 1946. 

Libertado, declarou que iria viver para Almancil. 

Desconhece-se o seu percurso posterior, não sendo de excluir o regresso a França, onde tinha família.

Fonte:
ANTT, Registo Geral de Presos 13268 [Artur Rodrigues Paquete / PT-TT-PIDE-E-010-67-13268].

[João Esteves]

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

[1622.] AUGUSTO BENIGNO DOS ANJOS OU BENIGNO CASEIRO OU BENIGNO CACEIRO ANJOS [I]

* UM PORTUGUÊS NAS BRIGADAS INTERNACIONAIS *

Foram vários os portugueses anónimos que combateram na Guerra Civil de Espanha do lado da República e, alguns, integraram as Brigadas Internacionais.

Augusto Benigno dos Anjos ou Benigno Caseiro foi um desses anónimos, tendo sido entregue, em Dezembro de 1939, pela polícia franquista à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado "sob a acusação de ter feito parte das Brigadas Internacionais que no país vizinho combateram a favor dos vermelhos".

Filho de Maria dos Anjos Caseiro, nasceu em 1898, em Eiras - Chaves e, segundo declarações do próprio à PVDE, vivia em Espanha há mais de 30 anos, trabalhando como jornaleiro.

Confirmou ter integrado as Brigadas Internacionais, incorporado numa Companhia de Saúde.

Em 8 de Maio de 1940, por ser refractário, foi entregue ao Quartel-General da Região Militar de Lisboa. 

Fonte: ANTT, PIDE, Serviços Centrais, Cadastros / Cadastro Político Nº 8539.

O seu nome também consta do Registo Geral de Presos, Livro 60, Registo N.º 11915 [ANTT, PIDE, Serviços Centrais]. 

[João Esteves]


NOTA de 8 de Outubro de 2018:
Agradeço a Rui Aballe Vieira, investigador do Instituto de História Contemporânea (da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas), a seguinte informação que ajuda a desvendar um pouco mais o percurso de Augusto Benigno dos Anjos:
  • «Augusto Benigno dos Anjos [...] esteve detido no campo de concentração de San Pedro de Cardeña (identificado como Benigno Caceiro Anjos), nas proximidades de Burgos. Desconheço ainda a data em que ingressou no campo, mas suspeito que tal terá ocorrido aquando da captura pelas tropas fascistas de numerosos combatentes republicanos na sequência da queda da frente Norte, possivelmente nas Astúrias, onde antes da guerra trabalhavam (no sector mineiro) muitos dos portugueses imigrados em Espanha, e onde também se alistaram nas milícias partidárias e sindicais para defender a legalidade republicana contra os sediciosos.» [Rui Aballe Vieira]