[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 18 de outubro de 2020

[2409.] LUÍS ALVES DE CARVALHO [II] || DESLOCAÇÃO AO TARRAFAL EM DEZEMBRO DE 1949

 * LUÍS ALVES DE CARVALHO *

[15/12/1899 - 1978]

[Porto, 22/06/1974 || Pormenor de uma fotografia de Sérgio Valente || Sérgio Valente. Um fotógrafo na revolução || Edições Afrontamento || 2015]

Pai de Guilherme da Costa Carvalho, a ele se deve um enorme reconhecimento pela solidariedade e generosidade que sempre demonstrou para com os presos políticos, ajudando-os no que podia, mesmo depois de libertados.

Foi o autor do levantamento fotográfico de todos os deportados para o Tarrafal quando, em Dezembro de 1949, juntamente com a mulher, se deslocou ao Campo de Concentração para visitar o filho.

Escreve-se, geralmente, sobre Herculana e Guilherme da Costa Carvalho, mas não se pode esquecer o que Luís Alves de Carvalho fez pelo filho e por todos os presos políticos até 1974.

Filho de Luísa de Azevedo ou Luísa de Jesus [15/07/1876 - 11/11/1966], natural do Porto, e de José Alves de Carvalho [01/04/1867 - 06/06/1954], natural de Celorico de Basto, Luís Alves de Carvalho nasceu em 15 de Dezembro de 1899.

Concluiu o Curso Comercial, foi contabilista da primeira cooperativa de táxis existente no Porto e, mais tarde, ligou-se à Banca, sendo corrector de fundos públicos da Bolsa do Porto durante quase cinquenta anos [Lúcia Serralheiro, "Herculana de Jesus da Costa Dias Carvalho", Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX), 2005].

Conhecido corretor da cidade do Porto, procurou, em conjunto com a mulher, minorar o sofrimento do filho sempre que este estava preso, contribuindo, também, para ajudar todos os outros presos que se encontravam na mesma situação daquele.

Devido às suas influências, foi possível ao casal visitar Guilherme da Costa Carvalho quando este estava preso no Campo de Concentração do Tarrafal, a única visita que os Tarrafalistas receberam e que nunca esqueceram, e deveu-se muito a Luís Alves de Carvalho a ideia e o custeamento do Mausoléu aos 32 resistentes antifascistas que ali morreram erigido no Cemitério do Alto de S. João, em Lisboa.

A correspondência trocada entre Virgínia Moura e António Lobão Vital refere, por diversas vezes, a solidariedade exemplar do casal Herculana e Luís Alves de Carvalho, sendo que, mesmo presa, Virgínia Moura procurou dar o apoio possível a este quando enviuvou em maio de 1952: "Querido António, se ainda não escreveste ao senhor Luís de Carvalho, peço-te muito muito que o faças rapidamente. É muito nosso amigo e por isso merece ser tratado por nós com todas as deferências. Ele escreveu-te logo ao outro dia do funeral da esposa. Mesmo nos momentos dolorosíssimos que passou, nunca nos esqueceu. É bem uma prova a carta que te escreveu. Eu tenho-lhe escrito." [carta de VM a ALV datada de 28 de Maio de 1952, Manuela Espirito Santo, Tem cuidado, meu amor. Cartas da prisão de Virgínia Moura e António Lobão Vital, Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, 2015]

[Fotografia completa prontamente disponibilizada por Sérgio Valente, a quem muito se agradece. Atrás, Albertina Diogo Carvalho, a nora que, tal como Guilherme da Costa Carvalho, também conheceu a prisão e a tortura durante a ditadura. Também estão na fotografia Raul de Castro, Hernâni Silva, Carlos Costa, Óscar LopesDiamantino]

[João Esteves]

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

[2246.] OLINDA LOPES RODRIGUES FERNANDES [I] || AFPP (COIMBRA), MUD JUVENIL, PRESA EM 1952-1953

* OLINDA LOPES RODRIGUES FERNANDES *
[N. 30/10/1926]

[Olinda Lopes Rodrigues Fernandes || 20/11/1952 || ANTT || RGP/20958 || PT-TT-PIDE-E-010-105-20958]

Filha de Diamantina de Jesus Lopes e de Daniel Lopes Rodrigues, Olinda Lopes Rodrigues nasceu em Coimbra, em 30 de Outubro de 1926. 

Costureira, interveio no âmbito da Delegação de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, organização a que aderiu por intermédio da professora Madalena Coelho Marques de Almeida, e foi no mesmo período, entre 1950 e 1952, reconhecida apoiante do MUD Juvenil

Foi presa em 19 de Novembro de 1952, em Peniche, juntamente com Virgínia Moura e Palmira da Silva Roque, na sequência de protestos levados a cabo pelos familiares dos presos políticos da Fortaleza, onde o marido estava encarcerado: os detidos estavam em greve de fome devido à qualidade da comida servida e familiares e população reuniram-se junto da prisão como forma de denúncia do que se estava a passar. 

Levada para Caxias, seria libertada, tal como as outras duas companheiras, em 7 de Fevereiro de 1953. Julgada somente em 25 de Fevereiro do ano seguinte, foi absolvida.   

 Olinda Lopes Rodrigues Fernandes || 20/11/1952 || ANTT || RGP/20958 || PT-TT-PIDE-E-010-105-20958

Fonte:
ANTT, Registo Geral de Presos 20958 [Olinda Lopes Rodrigues Fernandes / PT-TT-PIDE-E-010-105-20958].

João Esteves, "Olinda Lopes Rodrigues Fernandes", in Feminae. Dicionário Contemporâneo, CIG, 2013.

[João Esteves]

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

[2227.] CADERNOS DE CULTURA DEMOCRÁTICA [I] || COMÍCIO DE 22 DE OUTUBRO DE 1969

* COMISSÃO DEMOCRÁTICA DO PORTO || COMÍCIO DE 22 DE OUTUBRO DE 1969 *


INTERVENÇÕES DE: 
Alberto Teixeira de Sousa
Armando Bacelar
Armando Cotta
Armando de Castro
Joaquim Felgueiras
João Maia
Óscar Lopes
Papiniano Carlos
Virgínia Moura


sábado, 22 de junho de 2019

[2153.] MOVIMENTO NACIONAL DEMOCRÁTICO [I] || COMISSÃO CENTRAL

* MOVIMENTO NACIONAL DEMOCRÁTICO *

[Da esquerda para a direita - António Areosa Feio, Albertino Macedo, Virgínia Moura, Rui Luís Gomes, Maria Lamas e José Morgado]

[Virgínia Moura || Mulher de Abril, Álbum de Memórias || Edições Avante! || 2015]

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

[1646.] BENTO GONÇALVES [I] || A MORTE NO TARRAFAL (1902 - 1942)

* HÁ 75 ANOS, BENTO ANTÓNIO GONÇALVES FALECIA NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL *

[02/03/1902 - 11/09/1942]

Quando Bento Gonçalves, Secretário-Geral do Partido Comunista Português, faleceu no Tarrafal, vítima de uma biliose, já tinha cumprido a pena a que fora condenado pelo Tribunal Militar Territorial em 3 de Agosto de 1936.

Filho de Germana Alves e de Francisco Gonçalves, Bento António Gonçalves nasceu em 2 de Março de 1902, em Fiães do Rio (Montalegre - Trás-os-Montes).

[Seara Nova || 1976]

Segundo António Ventura, no livro Bento Gonçalves. Escritos (1927-1930) [Seara Nova, 1976], e a "Contestação de Bento Gonçalves à secretaria do Tribunal Militar Especial" [Os Comunistas 1 - Bento Gonçalves, Opinião, 1976], aos 13 anos, depois de concluída a instrução primária, já se encontrava a trabalhar em Lisboa, no Bairro da Sé, como torneiro de madeira e, posteriormente, tornou-se aprendiz de torneiro mecânico, profissão que manteve até ao fim da vida.

Com pouco mais de 17 anos, em 29 de Outubro de 1919, foi admitido como aprendiz no Arsenal da Marinha, onde onze anos depois, em 29 de Setembro de 1930, seria preso, e aí se manteve até 1933 como operário metalúrgico do quadro (oficinas de máquinas).

Frequentou, segundo o próprio, a Escola Industrial Afonso Domingues e, em 16 de Junho de 1922, foi alistado no Exército: aí fez serviço efectivo na Escola de Condutores Militares de Automóveis, tirou o 2.º ano do Curso elementar de Pilotagem na Escola Auxiliar de Marinha e embarcou, em Janeiro de 1924, para Angola onde, até 1926, trabalhou como torneiro mecânico de primeira classe nas Oficinas Gerais do Caminho de Ferro de Luanda e colaborou com o Sindicato dos Operários locais.

[A Opinião || 1976]

Licenciado em 25 de Março de 1926, regressou a Portugal e, no ano seguinte, iniciou a sua actividade sindical ao intervir activamente na reorganização do Sindicato do Pessoal do Arsenal da Marinha, sendo eleito Secretário-Geral da sua Comissão Administrativa.

[Alberto Vilaça || Bento Gonçalves. Inéditos e Testemunhos || Edições Avante!, 2003]

Em Outubro de 1927, aquando do décimo aniversário da Revolução de Outubro, deslocou-se à Rússia, tendo Alberto Vilaça inserido uma fotografia desse tempo no seu livro dedicado a Bento Gonçalves [Edições Avante!, 2003]. Esta fotografia da Delegação Portuguesa ao Congresso dos Amigos da URSS consta dos Arquivos em Moscovo, tendo João Arsénio Nunes obtido uma reprodução [p. 66].

[Alberto Vilaça || Bento Gonçalves. Inéditos e Testemunhos || Edições Avante!, 2003]

Em 1928, em 20 de Setembro, convicto que "só o bolchevismo poderá conduzir a nossa classe à emancipação integral", tornou-se militante do Partido Comunista, sendo Secretário da Célula do Arsenal da Marinha e, em 21 de Abril do ano seguinte, com apenas 26 anos, foi eleito Secretário-Geral e participou na sua reorganização tendo em conta as condições resultantes do triunfo da Ditadura Militar de 28 de Maio de 1926: "não se podia aceitar a inactividade de trabalho comunista, tanto legal, como ilegal, neste momento em que [...] toda a nossa organização operária se afunda em pleno marasmo, tanto do ponto de vista de ideologia, como de acção sindical". 

Em 29 de Setembro de 1930, é preso no seu local de trabalho e enviado para o forte de S. Julião da Barra (8 de Outubro), de onde seguiu para os Açores, Lajes do Pico, com residência fixa. 

Em 15 de Fevereiro de 1931, foi transferido para Cabo Verde, para as ilhas do Sal e Fogo, de onde regressou em Fevereiro de 1933.

Nesse mesmo ano, em 9 de Agosto, Bento Gonçalves entrou na clandestinidade, tendo sobrevivido devido ao apoio e cotização de militantes do Partido Comunista e doutros opositores à Ditadura, como Francisco Pulido Valente: Armindo Rodrigues, no livro Um poeta recorda-se - Memórias de uma vida [Edições Cosmo, 1998], refere que uma "tarde procurei-o com uma ponta de comoção e contei-lhe que o secretário-geral do Partido Comunista Português, o camarada Bento Gonçalves, força exclusiva que sem tréguas combatia a ditadura do Salazar, atravessava dificuldades tremendas, até fome sofrendo, e que urgia dinheiro para ele. Imediatamente se levantou, foi ao casaco que guardava num compartimentozinho, dele tirou a carteira [...]".

Em Julho-Agosto de 1935, interveio no VII Congresso da Internacional Comunista organizado em Moscovo, sendo preso, juntamente com José de Sousa e Júlio Fogaça, pouco tempo depois do seu regresso, em Novembro.

Transferido para o Aljube em 20 de Dezembro de 1935, foi deportado para Angra do Heroísmo em 8 de Janeiro de 1936, condenado a 4 anos de prisão e enviado para o Tarrafal, onde chegou a 29 de Outubro do mesmo ano. Mesmo longe, vivendo em condições inimagináveis para os vindouros, é (mais uma vez) um dos obreiros da reorganização do Partido Comunista iniciada e concretizada em 1941-1942. Aí dirigiu a Organização Prisional Comunista e redigiu "Palavras Necessárias" e "Duas Palavras".

Nome muito respeitado por todos aqueles que com ele conviveram no local de trabalho, na tropa, no Partido Comunista, nas prisões e deportações, Bento Gonçalves faleceu aos 40 anos, sem a devida assistência médica no Campo de Concentração do Tarrafal. Já tinha cumprido a pena a que fora condenado, sendo, pois, mais uma vítima das muitas arbitrariedades do fascismo.


[Alberto Vilaça || Bento Gonçalves. Inéditos e Testemunhos || Edições Avante!, 2003]

Em 1973, Virgínia de Moura editou Palavras Necessárias. A vida do proletária em Portugal de 1872 a 1927, com introdução sua e de António Lobão Vital.


[Edição de Virgínia Moura || Fevereiro de 1973]

Em 11 de Setembro de 1974, no 32.º Aniversário da sua morte, realizou-se uma sessão evocativa no Arsenal da Marinha/Alfeite, estando presentes centenas de operários, assim como Francisco Miguel e Pedro Soares que estiveram com ele no Tarrafal.

[Augusta Madaleno Rodrigues e António Policarpo || Bento António Gonçalves. Vida e descendência em Portugal e Cabo Verde || Edições Avante! 2012]

[João Esteves]

terça-feira, 26 de abril de 2016

[1450.] TEM CUIDADO MEU AMOR. CARTAS DA PRISÃO DE VIRGÍNIA MOURA E ANTÓNIO LOBÃO VITAL [II]

* VIRGÍNIA MOURA || ANTÓNIO LOBÃO VITAL *
|| ORGANIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO E NOTAS DE MANUELA ESPÍRITO SANTO ||

[Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto || 2015]

Para além da relevância do texto introdutório, as notas de Manuela Espírito Santo contêm dados biográficos sobre quase todos os nomes referenciados nas cartas trocadas entre o casal entre dezembro de 1951 e 27 de agosto de 1957, a saber:

- Agustina Bessa-Luís (n. 1922).
- Albertino Macedo (n. 1912).
- Alberto Saavedra (1890-1979).
- Alexandre Babo (1916-2007).
- Alfredo Coelho de Magalhães (1919-1988).
- Américo de Faria de Moura.
- Amílcar Ramada Curto (1886-1961).
- António Cleto Malvar (1913-1988).
- António José Saraiva (1917-1993).
- António Macedo (1906-1989).
- António Machado (1912-2002).
- António Ramos de Almeida (1912-1961).
- António Sérgio (1883-1969).
- António Simões Abreu (1923-2005).
- António Veloso (1923-2014).
- Armando Bacelar (1918-1998).
- Armando Cotta (n. 1905).
- Armando de Castro (1918-1999).
- Arnaldo Mascarenhas (n. 1905).
- Artur Santos Silva (1910-1980).
- Artur Vieira de Andrade (1913-2005).
- Augusto César Rodrigues Anjo (1915-1969).
- Carlos Cal Brandão (1906-1973).
- Carlos Costa (n. 1928).
- Carlos João Chambers Ramos (1897-1969).
- Carvalhão Duarte (1897-1972).
- David de Carvalho (1899-1986).
- Eduardo Ralha (1907-1988).
- Egídio dos Santos (1910-1991).
- Élio Amorim (n. 1906).
- Eugénie Cotton (1881-1967).
- Eurico Ferreira.
- Fernando da Conceição Fonseca (1895-1974).
- Ferreira de Castro (1898-1974).
- Flávio Martins (1915-1993).
- Francisco José da Rocha Martins (1879-1952).
- Francisco Keil do Amaral (1910-1975).
- Francisco Vieira de Almeida (1888-1962).
- Gonçalves Magno.
- Hernâni Cidade (1887-1975).
- Inácio Peres Fernandes (1910-1989).
- João de Barros (1881-1960).
- João Gaspar Simões (1903-1987).
- João Menéres de Castro Campos (1912-1988).
- Joaquim Ângelo Caldeira Rodrigues (1925-2004).
- José Alberto Rodrigues (1905-1979).
- José Borrego.
- José Morgado (1919-2003).
- José Vital de Matos.
- Lino Lima (1917-1999).
- Luís Alves de Carvalho (1899-1978).
- Luís Neves Real (1910-1985).
- Luís Severiano da Veiga (n. 1904).
- Manuel de Azevedo (1916-1984).
- Manuel João da Palma Carlos (1915-2001).
- Manuel Luís Guedes Pinheiro (1904-1997).
- Margarida Carmona (1920-2003).
- Maria Faria Moura.
- Maria Irene Morais e Castro (1895-1975).
- Maria Isabel Aboim Inglês (1902-1963).
- Maria Lamas (1893-1983).
- Mário Cal Brandão (1910-1996).
- Mário Corino da Costa Andrade (1906-2005).
- Óscar Lopes (1917-2013).
- Raúl Ramalho (1914-2002).
- Rosa de Faria Moura (n. 1891).
- Ruy Luís Gomes (1905-1984).
- Teixeira de Pascoais (1877-1952).
- Vasco Cabral (1926-2005).
- Vasco da Gama Fernandes (1908-1991).
- Veloso de Pinho.