[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 12 de janeiro de 2025

[3483.] VÊ SE A PRIMAVERA JÁ CHEGOU. MARIA HELENA E ÓSCAR LOPES: CARTAS DA PRISÃO

 * VÊ SE A PRIMAVERA JÁ CHEGOU * 

[AJHLP || Dezembro de 2024]

VÊ SE A PRIMAVERA JÁ CHEGOU. Maria Helena e Óscar Lopes: cartas da prisão

"Vê se a Primavera já chegou às árvores do quintal. Em mim, é Primavera constantemente: basta viver e viverem pessoas como tu." [carta de Óscar Lopes a Maria Helena, 15-03-1955]

70 anos após a detenção de Óscar Lopes pela PIDE, no âmbito do "Processo dos 52" envolvendo o MUD Juvenil do Porto, Manuela Espírito Santo, em mais um trabalho rigoroso e oportuno, dá a conhecer a sua correspondência de prisão com a mulher, Maria Helena, e os filhos, preservada "a seu pedido", "para ficarem com uma recordação desses amargos dias".

São transcritos 52 postais e cartas do preso político Óscar Lopes para a mulher e uma carta dirigida aos filhos e 27 endossadas ao escritor e professor, produzidas entre 15 de março e 15 de julho de 1955, quando foi libertado sob caução, totalizando 80 documentos inéditos.

Editado, em dezembro de 2024, pela Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, é um livro belíssimo e imperdível, tanto pela contextualização do que foi o fascismo em Portugal, como por ajudar "a compor um retrato pouco conhecido do linguista: o marido, o pai, o filho, o amante da natureza, das flores e das plantas do jardim, dos gatos, o trabalhador incansável."

[João Esteves]

sábado, 30 de outubro de 2021

[2600.] MANUELA ESPÍRITO SANTO || UMA HISTÓRIA ILUSTRADA DA AJHLP

 * MANUELA ESPÍRITO SANTO *

Uma história Ilustrada da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto

AJHLP || Setembro de 2021


Se a solidariedade é "o lugar mais bonito da terra" [José Cruz dos Santos], a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto soube cumpri-la nestes 139 anos que leva de existência já que, fundada em 13 de Outubro de 1882, sempre "Acudiu aos necessitados, fez da Cultura arma de combate" [Manuela Espírito Santo, p. 013].

Em mais um trabalho de investigação minucioso e rigoroso, Manuela Espírito Santo revisita e reconta, em 39 capítulos repartidos por dois volunes, incluindo a exaustiva listagem dos sócios correspondentes, auxiliares e efectivos, a História desses quase 140 anos da AJHLP, Associação que "Atravessou a monarquia, assistiu à implantação da República, viveu revoltas e revoluções,  duas guerras mundiais, a peste, a cólera e outras epidemias", mantendo "intacta a sua matriz: a Cultura, a Beneficência e a Intervenção Cívica, elementos distintivos que, quanto a mim, justificam a sua longevidade." [p. 005]

Tal como já nos habituou em livros anteriores, nomeadamente os dedicados a Manuel Dias da Fonseca [2012], Virgínia Moura-Lobão Vital [2015] e Óscar Lopes [2015], o encadeamento, cativante, da narrativa é acompanhada de um grafismo apelativo, nunca descurando a preocupação de enquadrar cada momento revisitado e elucidar os respectivos protagonistas, intercalando passado e presente com a finalidade de deixar o legado da AJHLP aos vindouros: "os homens passam, mas é preciso manter vivo o espírito que presidiu à sua fundação para o entregar, límpido e honrado, aos que continuarão no futuro" [Vol. II, p. 168].

Trabalho hercúleo, esta magnífica e invulgar edição em dois volumes, proficuamente ilustrada com centenas de fotografias e outra documentação, inédita, vai muito além de um "repositório da vida social e cultural dos últimos 140 anos na cidade do Porto": é, também, o repositório da vida do próprio país desde finais do século XIX à actualidade.

É uma sorte e uma felicidade enorme poder aceder a mais este livro de Manuela Espírito Santo!

[João Esteves]

domingo, 18 de outubro de 2020

[2409.] LUÍS ALVES DE CARVALHO [II] || DESLOCAÇÃO AO TARRAFAL EM DEZEMBRO DE 1949

 * LUÍS ALVES DE CARVALHO *

[15/12/1899 - 1978]

[Porto, 22/06/1974 || Pormenor de uma fotografia de Sérgio Valente || Sérgio Valente. Um fotógrafo na revolução || Edições Afrontamento || 2015]

Pai de Guilherme da Costa Carvalho, a ele se deve um enorme reconhecimento pela solidariedade e generosidade que sempre demonstrou para com os presos políticos, ajudando-os no que podia, mesmo depois de libertados.

Foi o autor do levantamento fotográfico de todos os deportados para o Tarrafal quando, em Dezembro de 1949, juntamente com a mulher, se deslocou ao Campo de Concentração para visitar o filho.

Escreve-se, geralmente, sobre Herculana e Guilherme da Costa Carvalho, mas não se pode esquecer o que Luís Alves de Carvalho fez pelo filho e por todos os presos políticos até 1974.

Filho de Luísa de Azevedo ou Luísa de Jesus [15/07/1876 - 11/11/1966], natural do Porto, e de José Alves de Carvalho [01/04/1867 - 06/06/1954], natural de Celorico de Basto, Luís Alves de Carvalho nasceu em 15 de Dezembro de 1899.

Concluiu o Curso Comercial, foi contabilista da primeira cooperativa de táxis existente no Porto e, mais tarde, ligou-se à Banca, sendo corrector de fundos públicos da Bolsa do Porto durante quase cinquenta anos [Lúcia Serralheiro, "Herculana de Jesus da Costa Dias Carvalho", Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX), 2005].

Conhecido corretor da cidade do Porto, procurou, em conjunto com a mulher, minorar o sofrimento do filho sempre que este estava preso, contribuindo, também, para ajudar todos os outros presos que se encontravam na mesma situação daquele.

Devido às suas influências, foi possível ao casal visitar Guilherme da Costa Carvalho quando este estava preso no Campo de Concentração do Tarrafal, a única visita que os Tarrafalistas receberam e que nunca esqueceram, e deveu-se muito a Luís Alves de Carvalho a ideia e o custeamento do Mausoléu aos 32 resistentes antifascistas que ali morreram erigido no Cemitério do Alto de S. João, em Lisboa.

A correspondência trocada entre Virgínia Moura e António Lobão Vital refere, por diversas vezes, a solidariedade exemplar do casal Herculana e Luís Alves de Carvalho, sendo que, mesmo presa, Virgínia Moura procurou dar o apoio possível a este quando enviuvou em maio de 1952: "Querido António, se ainda não escreveste ao senhor Luís de Carvalho, peço-te muito muito que o faças rapidamente. É muito nosso amigo e por isso merece ser tratado por nós com todas as deferências. Ele escreveu-te logo ao outro dia do funeral da esposa. Mesmo nos momentos dolorosíssimos que passou, nunca nos esqueceu. É bem uma prova a carta que te escreveu. Eu tenho-lhe escrito." [carta de VM a ALV datada de 28 de Maio de 1952, Manuela Espirito Santo, Tem cuidado, meu amor. Cartas da prisão de Virgínia Moura e António Lobão Vital, Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, 2015]

[Fotografia completa prontamente disponibilizada por Sérgio Valente, a quem muito se agradece. Atrás, Albertina Diogo Carvalho, a nora que, tal como Guilherme da Costa Carvalho, também conheceu a prisão e a tortura durante a ditadura. Também estão na fotografia Raul de Castro, Hernâni Silva, Carlos Costa, Óscar Lopes e  Diamantino]

[João Esteves]

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

[2228.] ALBANO DA ROCHA PATO [I] || UMA LUZ NO MAR (2019)

* ROCHA PATO *
[1923 - 1983]

UMA LUZ NO MAR

 Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto || Novembro de 2019


Jornalista, fotógrafo prestigiado e premiado, produtor dos três primeiros discos de baladas de José Afonso e responsável pelas suas capas, Albano da Rocha Pato [25/09/1923 - 01/04/1983], nome indissociável da vida jornalística e cultural coimbrã, deixou, também, pequenos contos destinados à transmissão radiofónica e que a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, da qual foi sócio até à sua morte, agora publicou, com texto introdutório de Júlio Roldão («Ouvindo "Uma Luz no Mar"»).

Oriundos de famílias republicanas, militantemente opositoras à Ditadura e conhecendo exílios e prisões políticas, foi através do convívio do meu avô com Rocha Pato na livraria de Coimbra de O Primeiro Janeiro, onde Carneiro Franco trabalhava, que os discos de José Afonso da primeira metade da década de 1960 - Baladas de Coimbra (1962, 1963) e Baladas e Canções (1964) - chegaram a casa dos meus pais, já em Lisboa, e passaram a integrar a formação musical e política dos mais novos.

Obrigado à Manuela Espírito Santo por mais esta leitura!


[João Esteves]

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

[2210.] MANUEL DIAS DA FONSECA [II] || ENTREVISTA POR MANUELA ESPÍRITO SANTO

* MANUEL DIAS DA FONSECA *
[06/12/1923 - 27/08/2015]

Uma entrevista com o poeta Manuel Dias da Fonseca por Manuela Espírito Santo

Modo de Ler || 2012

Fotografia de Manuel Dias da Fonseca da autoria de Mel Lourenço

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

[2205.] MANUEL DIAS DA FONSECA [I] || OBRA POÉTICA

* MANUEL DIAS DA FONSECA *
[1923 - 2015]

"CÓPIA DE UM PANFLETO ENCONTRADO NUMA AULA DE ORGANIZAÇÃO POLÍTICA" (Maio.73) || in OBRA POÉTICA || MODO DE LER || 2012




[Retrato de Manuel Dias da Fonseca por Augusto Gomes]

[Manuel Dias da Fonseca || Obra Poética || Modo de Ler || 2012]

Edição de rara qualidade e sensibilidade, desde o grafismo ao fluir da conversa com o poeta, composta por dois volumes: Manuel Dias da Fonseca. Obra Poética; Uma entrevista com o poeta Manuel Dias da Fonseca por Manuela Espírito Santo.

Sempre reconhecido à Manuela Espírito Santo pela generosidade e descoberta de Manuel Dias da Fonseca. 

sábado, 8 de junho de 2019

[2145.] ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS E HOMENS DE LETRAS DO PORTO || O MUNDO QUE VIVI (2015- 2016)

* O MUNDO QUE VIVI - I *

Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto || Maio de 2019


Contrariando a Memória Perecível, seis de treze testemunhos de "O Mundo que Vivi" respigados do ciclo de colóquios organizado pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto entre Abril de 2015 e Julho de 2016: Arnaldo Trindade ("Quem não gosta de poesia é porque não sabe ouvir"); Jorge Sarabando (A resistência em Aveiro e o Verão Quente no Porto); José Luís Borges Coelho (Os socos "contra o medo" no funeral de Militão Ribeiro); Júlio Cardoso ("O teatro tem cada vez mais futuro, eu vou morrer com esta esperança"); Laura Soutinho ("Fui a primeira mulher a usar calças no Porto"); Vítor Ranita "Fui defender Angola, regressei anti-colonialista").

Arnaldo Trindade || 7 de Julho de 2016

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «Pena tive de não ter gravado a Brigada Vítor Jara»]

Jorge Sarabando || 12 de Novembro de 2015

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «É a imagem da cabeça de Gravito que aqui vos trago, que me coube em herança»]

José Luís Borges Coelho || 2 de Junho de 2016

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «A minha timidez de outra fora ficando para trás. Tinha uma bonita voz»]

Júlio Cardoso || 3 de Dezembro de 2015

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «Vocês hoje estão a ver um pobre comediante a falar, mas feliz...»]

Laura Soutinho || 7 de Maio de 2015

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || "Quem não passou o 25 de Abril, não consegue nunca imaginar o que foi"

Vítor Ranita || 5 de Maio de 2016

[Fotografia de J. Paulo Coutinho || «Fomos uma geração educada com o temor»]

Nota: O meu muito obrigado à Manuela Espírito Santo. Por esta e todas as outras leituras!

[João Esteves]

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

[2046.] GAZETA LITERÁRIA [II] || VERÃO/OUTONO 2018 - N.º 3

* GAZETA LITERÁRIA || 03 - VERÃO/OUTONO 2018 || ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS E HOMENS DE LETRAS DO PORTO *

[Gazeta Literária || 03 || 2018 || Edição: Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto || Director e Editor: Francisco Duarte Mangas]

Eis o Número 3 de Gazeta Literária, órgão oficial da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, dedicado a José Viale Moutinho, "O escritor da terra morta iluminada", que "há meio século publicava o primeiro livro" e, "escritor e cidadão empenhado", "manteve-se homens das letras e resistente" [Francisco Duarte Mangas].

Porque "escrever é lutar!, palavras intemporais de Ferreira de Castro na manifestação do 1.º de Maio de 1974, Manuela Espírito Santo evoca a luta daquele escritor contra a Censura e a lei de imprensa surgidas imediatamente após o triunfo da Ditadura Militar saída do 28 de Maio de 1926, dando a conhecer a sua exortação aos jornalistas do Porto, datada de 8 de Janeiro de 1927 e na qualidade de Presidente do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa, para que se juntem no combate aquelas duas mordaças à «nobre causa do Pensamento», «para que as nossas penas não tenham amanhã de se envergonhar da nossa covardia de hoje» [Ferreira de Castro, Carta aos jornalistas do Porto, Janeiro de 1927].


 [...]


Nas páginas da Gazeta há, ainda, três evocações oportunas: a do centenário do nascimento de Papiniano Carlos [09/11/1918 - 05/12/2012] através das palavras proferidas por Urbano Tavares Rodrigues na homenagem que a AJHLP lhe prestou em 1998 ["É o povo que fala nas páginas de Papiniano"]; a do sexagésimo aniversário da Carta do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, em escrito de Arnaldo de Pinho ["Contexto político e eclesiástico da chamada carta a Salazar"]; e dos 90 anos do "discretíssimo" Fernando Guimarães, através de uma extensa entrevista conduzida por Paulo Moreira Lopes e José Manuel Teixeira da Silva ["A solidão convivente do poeta"].

[Gazeta Literária || 03 || 2018 || Edição: Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto || Director e Editor: Francisco Duarte Mangas]

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

[1883.] ÓSCAR LOPES [II] || CARTA-ENSAIO DE AMOR

* ÓSCAR LOPES *

CARTA-ENSAIO DE AMOR (Um bater-nos o coração do Mundo no coração)


As oito páginas dactilografadas desta Carta-Ensaio foram descoberta por Manuela Espírito Santo - responsável pela inventariação do acervo do autor - num "aluvião de papéis" e a sua edição encerra as comemorações do centenário do nascimento de Óscar Lopes (1917 - 2013), promovidas pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras sob o lema "Longos Dias Têm Cem Anos".

"Um manto de mistério envolve as circunstâncias da criação do texto que agora se publica" e que conta com textos de Lídia Jorge ("Carta-Ensaio de Amor") e de José Manuel Mendes ("O amor, este amor") e ilustrações do artista plástico António Fernando. 

Um muito obrigado à Manuela Espírito Santo pela capacidade de  proporcionar outros caminhos em tempos de banalidades, de irracionalidades, de inculturas e do efémero.

[Óscar Lopes || Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto || 2018]

sexta-feira, 13 de julho de 2018

[1841.] HELENA PATO [III]

* HELENA PATO || A NOITE MAIS LONGA DE TODAS AS NOITES (1926 - 1974) *

Na apresentação do livro na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, com Helena Pato, Manuela Espírito Santo, Júlio Machado Vaz, Fernando Mão de Ferro e uma plateia atenta e solidária que enchia a sala:


Decorridos 44 anos desde 25 de Abril de 1974, há a incómoda sensação, para não dizer certeza, que não se soube, ou não se quis, ainda, honrar devidamente a memória de todos os que, entre 1926 e 1974, combateram a Ditadura, muitos dos quais “viram as suas vidas aniquiladas para sempre” [p. 238], e lutaram pela Liberdade.

Por outro lado, não se procurou, de forma sistemática, valorizar a memória daqueles que lutaram e resistiram, sob as mais diversas formas, dando-lhes voz, preservando os seus testemunhos e publicitando-os.

Eis uma das razões porque A noite mais longa de todas as noites (1926 - 1974), de Helena Pato merece reflexão detalhada: fugindo à tentação autobiográfica, apesar das vivências pessoais que o suportam, ele devolve-nos a memória de um tempo prolongado de luta numa sociedade dominada pela miséria e conservadorismo retrógrado e subjugada pelo medo e repressão, incorporando na sua narrativa aqueles e aquelas que a foram acompanhando desde que, ainda menina, se mudou da Bairrada para Lisboa a seguir ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Há quem duvide. Há quem desconheça. Há quem tenha esquecido, mas “ainda vamos a tempo de lhes contarmos, na primeira pessoa, aquilo por que muitos de nós passaram” [p. 11]. Simultaneamente, uma obrigação para com os mais novos, os jovens; por outro, um contributo para a “História da noite mais longa de todas as noites” [p. 11] através de momentos da Resistência e Oposição à ditadura fascista que perdurou até 1974.

Com “uma escrita luminosa”, como Teresa Horta se lhe refere, entrecruzando memórias pessoais com a memória colectiva da luta contra o fascismo, Helena Pato descreve, em sessenta capítulos, o país atrasado e pobre, dominado pelo medo da PIDE, mas onde sobressai a capacidade de resistência daqueles que foram dizendo NÃO, as solidariedades que só o combate político comportava, as pequenas alegrias do dia-a-dia, o saborear de cada momento, retirando daquele a felicidade improvável: “dias em que, apesar de tudo isso, fomos incomensuravelmente felizes” [p. 240]. 

Está-se perante um livro depurado de uma Cidadã e Resistente Antifascista, sem se enveredar por quaisquer “menções «gratuitas» de carácter estritamente pessoal” [p. 12]. Um testemunho “coerente”, “lúcido” e “corajoso”, como evidencia Maria Teresa Horta no texto inicial, onde o leitor acompanha a progressiva consciencialização das desigualdades sociais, até à intervenção associativa e política a partir de 1956, ano da entrada na Faculdade de Ciências, e que culmina no 25 de Abril de 1974.

Se o “MEDO”, “dezenas de anos a ter medos” [p. 12], “um medo latente, que atravessava toda a sociedade”, e a PIDE, ambas palavras com “quatro letras que marcaram o passado dos portugueses” [p. 13], cruzam a narrativa, “também com quatro letras se escreve LUTA” e “a luta exigia sempre superar o medo e fazer face à PIDE” [p. 13]. Não um Medo, mas vários Medos: da PIDE; das denúncias; de se ser escutado; da prisão, associada sempre à tortura e ao medo de falar - “houve companheiros que fraquejaram nos interrogatórios da Polícia” [p. 61]; dos “bufos”. 

“Eles estavam entre nós” [p. 14]: nos cafés; nas tabernas; ao pé e, parados, ao longe; nas paragens do autocarro; nos transportes; ao balcão de qualquer estabelecimento; num escritório ou sala de espera; entre os professores, sem que nada o fizesse prever.

Um episódio. quando Helena Pato consultou, na sequência do 25 de Abril, o seu dossiê que constava na PIDE/DGS, deparou-se com um cartão-de-visita de “um mestre, um poço de saber, uma doçura de criatura, um professor com quem trocava entusiasticamente ideias”, “um intelectual inteligente e culto, um homem bem-sucedido na vida, profissionalmente prestigiado, que não dava sinais de ser fascista ou, sequer, um situacionista”, dirigido a Silva Pais: “Muito obrigado, meu caro amigo, pelo favor prestado. Conforme prometido, seguem junto as informações que consegui recolher acerca da minha colega Maria Helena Pato” [pp. 227-228].

Mas também há o “situacionista com carácter”, neste caso o Director da Escola Nuno Gonçalves: “«Maria Helena, eles quiseram impedir que a aceitasse aqui como professora, mas eu apenas recebo ordens do Sr. Ministro da Educação. Procure gostar e compreender estes rapazes que vão ser seus alunos e conte sempre comigo para a ajudar»” [p. 193]. 

E quando, certo dia, “eles” se deslocaram à Escola, para terem “um breve esclarecimento consigo durante o intervalo”, Xavier Roberto dirigiu-se à sala de aula e avisou Helena Pato: “disse-lhes que hoje a menina não tinha aulas. Safe-se, safe-se já desta zona… E informo-a de que um deles vive na General Roçadas, aqui em frente.  Deu-me o braço e acompanhou-me até ao pátio. Surpreendeu-me com um beijo na testa e ficou a ver-me de longe” [p. 195].

Por isso, Helena Pato trata de reafirmar, mal o livro se desenrola, que “gosto de pessoas, aprecio-lhes a inteligência e exijo-lhes carácter” [p. 18].

“Eles” espiavam tudo e todos; escutavam os telefonemas; espiavam a correspondência; queriam saber o que se lia; com quem se falava: “Era com medo que eu acordava […] e era com medo que me deitava” [pp. 14-15]. Mas este MEDO que impregnava o quotidiano, não fazia com que se deixasse de lutar: “Não tínhamos recuo possível: lutar, lutar por todos os meios, em todas as frentes, lutar na esperança de que o regime teria um fim” [p. 161].

E assim, temos uma Helena Pato presente em muitas das lutas travadas a partir de 1957 (para não falar da petição, escrita aos oito anos e enviada ao Inspector Escolar, em defesa da sua Professora Primária, suspensa por a defender perante a prepotência da Directora – 30/10/1947): contra o Decreto-Lei 40.900, engrossando os milhares de estudantes que, de todo o país, se deslocaram à  Assembleia Nacional para exigir a sua revogação [16/01/1957]; as campanhas eleitorais de Arlindo Vicente e Humberto Delgado [1958]; o 1.º de Maio de 1962, com os polícias, que “pareciam drogados”, a reprimir violentamente os manifestantes, tendo as algibeiras atulhadas de pimenta para afugentar os cavalos da GNR; a crise académica de 1962, iniciada com a proibição do dia do Estudante e que levou à prisão, em 10 de Maio, de 1200 estudantes que tinham ocupado a Cantina Universitária, sendo transportados em autocarros da Carris e as raparigas, em crescendo nas fileiras da Oposição, “metidas, como sardinhas em lata, nos calabouços do Governo Civil – umas vinte por cada cela” [p. 58]; a fuga e partida para o Exílio, por denúncia da militância do marido [1962]; a viagem de comboio com o alentejano António José Piteira Júnior; e o “Exílio no Feminino”, onde a resistência assumia novas formas, até porque, “por Paris, as limitações à acção política dos exilados eram enormes. A polícia francesa seguia todos os nossos passos e a qualquer momento podíamos ser postos na fronteira” [p. 79]. 

Em Paris, “nem livre, nem exilada” [p. 101], onde as  dificuldades económicas foram muitas e os trabalhos duros, aprendeu com as divergências, dissidências e os conflitos, ainda que prevalecesse, sempre, a solidariedade entre os exilados; conviveu com intelectuais que ali tinham procurado refúgio, com destaque para Maria Lamas; conheceu os primeiros desertores e refractários da Guerra Colonial; desempenhou tarefas partidárias no âmbito do Partido Comunista, recolhendo assinaturas para abaixo-assinados a favor dos presos políticos ou participando no Fórum da Juventude de Moscovo, em 1964.

No regresso definitivo a Portugal, com o falecimento precoce de Alfredo Noales, com quem estava casada há menos de cinco anos, retomou a luta, envolvendo-se na primeira Comissão de Socorro aos Presos Políticos.

Presa em 14 de Junho de 1967, por incumprimento das regras de clandestinidade de quem a contactou, sofreu o isolamento e a tortura do sono: “mas foi em Caxias, aos vinte e muitos anos, que aprendi a deliciar-me com a observação de coisas insignificantes” [p. 133], numa busca incessante contra a solidão e procurando fugir “do que me deprimia ou de dar em doida”.

Na António Maria Cardoso, sujeita à tortura do sono, conseguiu arranjar um estratagema para “dormir” cinco segundos: “De olhos bem abertos, quando vinha em direcção à agente da PIDE […] mas adormecendo, logo que dava a volta, assim que lhe virava as costas e caminhava no sentido contrário. Seriam cinco segundos. Juro que adormecia de facto e que acordava no momento certo de me voltar de frente para a mesa e regressar” [p. 143].

E quando presa numa mesma cela com Lurdes, a Maria e o filho desta, que nem dois anos tinha e gritava o dia todo, “jamais dissemos a verdade, jamais quebrámos confidencialidades, jamais esclarecemos que actividades nos tinham levado, afinal, a Caxias. Andávamos de roda, guardando segredo do real motivo que ali nos conduzira: PCP uma, outra e outra, elas guardiãs corajosas das casas clandestinas e eu militante para o que desse e viesse e o partido quisesse” [p. 139].

Libertada ao fim de quase seis meses, sem acusação e sem nunca ter prestado quaisquer declarações, deu-se o regresso à luta, alimentada por encontros, piqueniques, convívios políticos, de forma a renovar “a energia revolucionária” que “nunca era um dado adquirido” [p. 128], envolvendo-se na construção do Movimento Democrático de Mulheres, em 1969 e, já professora, no Grupo de Estudos do Pessoal Docente (GEPDES). 

Mas um pilar deste livro, a par do MEDO, do retrato de um país pobre de enorme rigidez moral, e da LUTA, consiste num aspecto muito pouco referenciado e, talvez, secundarizado por outros testemunhos de resistentes e da resistência e que lhe dá um carácter único: o nunca abdicar de viver, tanto quanto possível, “os anos de oiro da juventude, das lutas, das paixões, das tasquinhas, do jazz e do fado” [p. 20] e em que todas as alegrias, as amizades, os amores, a família e os filhos constituem parte integrante da luta.

As reuniões, as sessões no Cineclube Universitário, os concertos da Juventude Musical, a frequência da Casa dos Estudantes do Império, os livros proibidos adquiridos na Livraria Escolar Editora, as exposições, os sábados dançantes, os bailes mais privativos, a audição das novidades musicais, o Hot Club, o Clube Universitário de Jazz de Lisboa, os convívios entre amigos, em que as relações pré-matrimoniais começavam a fazer o seu caminho… Tudo isto também era LUTA!

Com Alfredo Noales, e apesar dos riscos e responsabilidades políticas, “vivíamos felizes, com a facilidade com que se era feliz aos vinte e poucos anos” [p. 62], “com muito tempo e pouco dinheiro” [p. 63], em que a casa “era um espaço de alegria e de paz”, “com a opção consciente por caminhos mais ou menos clandestinos da luta antifascista” [p. 64].

Esta curta, mas intensa, felicidade, acabou, primeiro, pela traição que a desapossou “de uma parte sagrada da nossa juventude”: “O outro, de quem tanto quis esquecer o nome, o antifascista que traiu, talvez se tenha alegrado com a Revolução, mas não duvido que passou por um sofrimento prolongado” [p. 65].

Anos depois, a vida entregar-lhe-ia “um homem de eleição, bom e lúcido” [p. 166], há dias desaparecido, mas jamais esquecido: apesar de virada a página, “ficámos amigos, partilhando as grandes alegrias, as agruras da vida, conselhos e os nossos filhos” e em que “a luta pela preservação da memória do fascismo, pela Democracia e pelo socialismo, unir-nos-á para sempre” [p. 236].

Tal como Helena Pato tão bem nos descreve, a luta antifascista fez-se de dor, sofrimento e militância - “O que faria eu, a pedido de um camarada clandestino? Tudo” [p. 175] -, mas também de solidariedades, de amizades que marcaram cada tempo e ficaram para sempre, e de alegrias: pequenas e grandes: “Avançar na caminhada, com alegria e (sempre) a esperança de que o dia da vitória havia de chegar. Essa era a minha disposição” [p. 160].

E chegou. Com o 25 de Abril de 1974, o qual nunca teria chegado sem a luta, a dedicação, a abnegação, os sacrifícios de muitos e muitas resistentes como Helena Pato.

Por isso mesmo, “As vítimas (todas) merecem que lembremos simbolicamente o que a Pátria lhes deve. A História de Portugal tem que acolher com orgulho a memória dos combatentes pela Liberdade” [p. 239].

[João Esteves]

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

[1731.] ALBERTO EMÍDIO MIDÕES [I]

* 3 DE FEVEREIRO DE 1927 || DEPORTADO PARA TIMOR E S. TOMÉ || ALJUBE (LISBOA E PORTO) || PENICHE *

[Alberto Emídio Midões || ANTT || RGP/197]

Alberto Emídio Midões é um dos muitos nomes insuficientemente estudados na luta contra a Ditadura Militar e o Estado Novo, tendo desenvolvido a sua ação política conspirativa a partir de Matosinhos, localidade onde era dono do Central Hotel, situado no então n.º 19 da R. Brito Capelo, e do Café Central. 

Republicano e, posteriormente, comunista, por estar envolvido nas primeiras revoltas contra a Ditadura, foi deportado para Timor e transferido, depois, para Angola, esteve ainda preso no Aljube, de Lisboa e do Porto, e em Peniche.

Filho de Guilhermina de Jesus Midões e de Valentim José Midões, nasceu em Lisboa, em 21 de Novembro de 1882.

Negociante, comerciante e proprietário conotado, inicialmente, como elemento influente do Partido Republicano Português, foi preso, pela primeira vez, em 28 de Outubro de 1927, quando já tinha 45 anos, por ser "o chefe do grupo civil da conspiração revolucionária", que integrava Alfredo Fonseca Campelo, Augusto Araújo, Emílio Campos  Negrais, Pimentel e Silva, e "por ser revolucionário de 3 de Fevereiro" [ANTT, Cadastro Político 367].

Segundo as informações recolhidas pela Polícia de Informações do Ministério do Interior do Porto, era em Matosinhos, no seu Central Hotel, que se reuniam, sendo Alberto Midões acusado de "chefiar o grupo que atacou a coluna fiel ao governo que desembarcou em Leixões" [ANTT].

[Alberto Emídio Midões || ANTT || RGP/197]

Enviado para Lisboa em 29 de Outubro, foi deportado, em 22 de Novembro de 1927, para Timor, de onde se evadiu em 17 de Janeiro de 1929. No entanto, a fuga pode ter-se dado já a caminho de Angola, para onde fora transferido em 6 de Janeiro, segundo registo do seu Cadastro Político.

Segundo informações prestadas a Manuela Espírito Santo pelo neto, Alberto Midões "fugiu de S. Tomé, onde estava deportado, para Tenerife. De Tenerife chegou a Vigo, cidade onde permaneceu algum tempo, graças à  generosidade de uma família galega que o acolheu. A relação  (e amizade) com essa família chegou até  às gerações mais próximas" [informação via Manuela Espírito Santo].

Em 3 de Janeiro de 1930, um informador dava conta da sua presença em Matosinhos, com várias deslocações à Póvoa do Varzim.

Mais de meio ano depois, em 23 de Julho, era dada a informação que Alberto Midões continuava a deslocar-se a Matosinhos.

No ano seguinte, em 1 de Maio, é referenciado como estando envolvido na revolução preparada para o dia 2 e que acabou por fracassar. O mesmo informador dá conta de, ao ter conhecimento do movimento revolucionário, se ter deslocado de Vila do Conde para Matosinhos, talvez "acompanhado do ex-capitão Ramalho" [ANTT] e ter sido "hasteado no café de que é proprietário" "uma bandeira vermelha".

Alberto Emídio Midões só seria preso em 2 de Dezembro de 1931, no Porto, por andar fugido da deportação e estar envolvido nos acontecimentos do 1.º de Maio.

Enviado para Lisboa em 19 de Dezembro, saiu em liberdade em 18 de Fevereiro de 1932.

Novamente preso em 3 de Outubro de 1934, no Porto, "por estar envolvido em manejos revolucionários", envolvendo, entre outros, Armando Soares, Camilo Cortesão, Gregório Mendes e José Ferreira da Costa e Silva.

[ANTT || RGP/197]

Considerado pela Polícia como "um elemento irrequieto, conspirando sempre, embora o faça com toda a segurança, pois trata-se de uma pessoa esperta" [ANTT], foi transferido para a Fortaleza Militar de Peniche em 14 de Outubro, onde ficou a aguardar julgamento. e, em 9 de Novembro, passou para o Aljube.

Libertado em 14 de Dezembro de 1934, voltou a ser preso em 21 de Maio de 1935, no Porto. e enviado para o Aljube daquela cidade.

Solto em 1 de Julho, seria novamente detido, sempre no Porto, em 5 de Maio de 1937 e libertado em 2 de Agosto.

[Central Hotel || Matosinhos]

Segundo José Rodrigues, Alberto Midões "foi um comerciante, proprietário e militante do PCP que residiu em Matosinhos a maior parte da sua vida" e comprara o Central Hotel antes de Janeiro de 1927, tendo, durante a Ditadura Militar, pedido "a um pedreiro para fazer um quarto falso", "no qual ele sempre se escondia quando se perspectivava a sua prisão (além do pedreiro que o fez e do seu amigo e barbeiro Miguel Garcia, seus companheiros de Partido, ninguém mais sabia da existência desse quarto secreto)" [José Rodrigues].

Alberto Emídio Midões faleceu em 1946.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

Fontes: ANTT, Cadastro Político 367; RGP/197. 
Informações prestadas pelo neto de Alberto Midões a Manuela Espírito Santo, a quem muito agradecemos a preciosa colaboração.

[João Esteves]

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

[1678.] ÓSCAR LOPES [I] || MANUELA ESPÍRITO SANTO

* ÓSCAR LOPES - RETRATO DE ROSTO || MANUELA ESPÍRITO SANTO || 2017 *


NO ANO DO CENTENÁRIO DE ÓSCAR LOPES, UM LIVRO DE EXCEPCIONAL QUALIDADE (MAIS UM) DE MANUELA ESPÍRITO SANTO, EDITADO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE MATOSINHOS EM OUTUBRO DE 2017.

UM RETRATO EXAUSTIVAMENTE DOCUMENTADO E SUBLIME DO "LINGUISTA MILITANTE".

COM UMA TIRAGEM DE APENAS 500 EXEMPLARES, NÃO DEIXEM DE O LER/ENCOMENDAR À ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS E HOMENS DE LETRAS DO PORTO.

AS LIVRARIAS, CLARO, DESCONHECEM-NO!

terça-feira, 26 de abril de 2016

[1450.] TEM CUIDADO MEU AMOR. CARTAS DA PRISÃO DE VIRGÍNIA MOURA E ANTÓNIO LOBÃO VITAL [II]

* VIRGÍNIA MOURA || ANTÓNIO LOBÃO VITAL *
|| ORGANIZAÇÃO, APRESENTAÇÃO E NOTAS DE MANUELA ESPÍRITO SANTO ||

[Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto || 2015]

Para além da relevância do texto introdutório, as notas de Manuela Espírito Santo contêm dados biográficos sobre quase todos os nomes referenciados nas cartas trocadas entre o casal entre dezembro de 1951 e 27 de agosto de 1957, a saber:

- Agustina Bessa-Luís (n. 1922).
- Albertino Macedo (n. 1912).
- Alberto Saavedra (1890-1979).
- Alexandre Babo (1916-2007).
- Alfredo Coelho de Magalhães (1919-1988).
- Américo de Faria de Moura.
- Amílcar Ramada Curto (1886-1961).
- António Cleto Malvar (1913-1988).
- António José Saraiva (1917-1993).
- António Macedo (1906-1989).
- António Machado (1912-2002).
- António Ramos de Almeida (1912-1961).
- António Sérgio (1883-1969).
- António Simões Abreu (1923-2005).
- António Veloso (1923-2014).
- Armando Bacelar (1918-1998).
- Armando Cotta (n. 1905).
- Armando de Castro (1918-1999).
- Arnaldo Mascarenhas (n. 1905).
- Artur Santos Silva (1910-1980).
- Artur Vieira de Andrade (1913-2005).
- Augusto César Rodrigues Anjo (1915-1969).
- Carlos Cal Brandão (1906-1973).
- Carlos Costa (n. 1928).
- Carlos João Chambers Ramos (1897-1969).
- Carvalhão Duarte (1897-1972).
- David de Carvalho (1899-1986).
- Eduardo Ralha (1907-1988).
- Egídio dos Santos (1910-1991).
- Élio Amorim (n. 1906).
- Eugénie Cotton (1881-1967).
- Eurico Ferreira.
- Fernando da Conceição Fonseca (1895-1974).
- Ferreira de Castro (1898-1974).
- Flávio Martins (1915-1993).
- Francisco José da Rocha Martins (1879-1952).
- Francisco Keil do Amaral (1910-1975).
- Francisco Vieira de Almeida (1888-1962).
- Gonçalves Magno.
- Hernâni Cidade (1887-1975).
- Inácio Peres Fernandes (1910-1989).
- João de Barros (1881-1960).
- João Gaspar Simões (1903-1987).
- João Menéres de Castro Campos (1912-1988).
- Joaquim Ângelo Caldeira Rodrigues (1925-2004).
- José Alberto Rodrigues (1905-1979).
- José Borrego.
- José Morgado (1919-2003).
- José Vital de Matos.
- Lino Lima (1917-1999).
- Luís Alves de Carvalho (1899-1978).
- Luís Neves Real (1910-1985).
- Luís Severiano da Veiga (n. 1904).
- Manuel de Azevedo (1916-1984).
- Manuel João da Palma Carlos (1915-2001).
- Manuel Luís Guedes Pinheiro (1904-1997).
- Margarida Carmona (1920-2003).
- Maria Faria Moura.
- Maria Irene Morais e Castro (1895-1975).
- Maria Isabel Aboim Inglês (1902-1963).
- Maria Lamas (1893-1983).
- Mário Cal Brandão (1910-1996).
- Mário Corino da Costa Andrade (1906-2005).
- Óscar Lopes (1917-2013).
- Raúl Ramalho (1914-2002).
- Rosa de Faria Moura (n. 1891).
- Ruy Luís Gomes (1905-1984).
- Teixeira de Pascoais (1877-1952).
- Vasco Cabral (1926-2005).
- Vasco da Gama Fernandes (1908-1991).
- Veloso de Pinho.

quinta-feira, 3 de março de 2016

[1385.] HERCULANA DE CARVALHO [III]

* HERCULANA DE CARVALHO POR VIRGÍNIA MOURA E ANTÓNIO LOBÃO VITAL *

[Tem cuidado, meu amor. Cartas de prisão de Virgínia Moura e António Lobão Vital || Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto || 2015]

Para além de vivências pessoais do quotidiano prisional de cada um, das cartas trocadas entre Virgínia Moura e António Lobão Vital sobressai o retrato muito impressivo de Herculana de Carvalho e do seu marido, Luís Alves de Carvalho [1899-1978].

Herculana de Carvalho faleceu em Maio de 1952, quando o casal estava preso, e a sua perda foi muito sentida, sendo constantes as referências a si feitas a partir de finais desse mês.

Solidária, generosa, amiga, de uma amizade presente, Herculana de Carvalho tudo fez para minorar as condições prisionais do filho Guilherme da Costa Carvalho [1921-1973], acompanhando-o de prisão em prisão e deslocando-se, por duas vezes, ao Tarrafal, e dos outros militantes detidos por motivos políticos.

Desse carácter ímpar dá Virgínia Moura conta nas cartas de prisão, cabendo a António Lobão Vital , então também detido, projetar o jazigo de Herculana de Carvlho a pedido de Luís Alves de Carvalho. 

[João Esteves]