[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 13 de dezembro de 2020

[2439.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS - DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXI] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXI * 

00528. Fernando Augusto Freiria [1927] 

[Fernando Augusto Freiria]

[Fernando Augusto Freiria.
Lisboa, 12/01/1877. Coronel de Artilharia - professor. Filiação: Maria da Piedade Vaz, Diogo Freiria. Casado com Germana de Alcântara de Albuquerque e Castro. Frequentou a Escola do Exército, a Arma de Artilharia e o Curso de Estado Maior, seguindo a carreira militar: praça (1893); alferes (1897); tenente (1897); capitão (1911); major (1917); tenente-coronel (1917); coronel (1919). Professor da Escola de Guerra (1912-1919) e do Instituto Feminino de Educação e Trabalho (1914-1915, 1920). Chefe do Estado Maior de Gomes da Costa (1914); incluído na restrita Missão Militar Portuguesa que debateu, em Londres, a participação de Portugal na Guerra; adjunto do quartel general de Divisão de Instrução de Tancos (1916); Chefe do Estado Maior da 1.ª Divisão do Corpo Expedicionário Português (1917-1918), sob o comando do general Gomes da Costa; Chefe do Estado Maior da 2.ª Divisão do CEP; Chefe do Estado Maior da Divisão de Operações encarregada de combater a Monarquia do Norte (Dezembro de 1918 – Abril de 1919), chegando a ser preso e, depois de ter conseguido escapar, comandou as tropas que derrotaram os revoltosos em Lisboa; diretor do Instituto Central de Oficiais (1920) e do Instituto dos Pupilos do Exército (1921). 

[Fernando Freiria || Fotografia retirada do Instituto dos Pupilos do Exército]

Manteve atividade política e governativa a partir deste ano: Ministro da Guerra, como independente, nos governos de Francisco Pinto da Cunha Leal e de António Maria da Silva (16/12/1921-06/02/1922, 07/12/1922-21/07/1923); e deputado por Viana do Castelo, integrando, também como independente, as listas do Partido Democrático nas eleições de 29/01/1922. 

[Ilustração Portuguesa || 24/12/1921 || 1.ª reunião do ministério de Francisco Cunha Leal || Fernando Freiria é o 1.º a esquerda]

Comandante, em 1926, do Regimento de Infantaria 16 de Santarém, onde tirocinava para a promoção a general, opôs-se, com os seus efetivos, ao golpe militar de 28 de Maio de 1926: assumiu o controlo da cidade e ordenou a detenção dos militares António Jacinto da Silva Brito de Pais, de Armando Humberto da Gama Ochoa, que viria a integrar o triunvirato que governou o país de 1 a 3 de Junho de 1926, e de José Mendes Cabeçadas, "que por lá andavam com intuitos subversivos" [José Luís Andrade, Ditadura ou Revolução, Casa das Letras, 2016]. Combateu, desde então, a Ditadura Militar. Integrou a liderança militar que desencadeou, no Porto, a Revolta de 3 de Fevereiro de 1927, sendo Chefe do seu Estado Maior. Fracassada aquela, foi detido e deportado para S. Tomé: juntamente com outros implicados, nomeadamente o general Adalberto Gastão de Sousa Dias, embarcou, em Leixões, no "Infante de Sagres” e, de regresso à capital, fez transbordo para o barco "Lourenço Marques", no qual seguiu para São Tomé, onde se manteve com residência fixada durante cerca de 13 meses. Este vapor saiu no dia 21/02/1927, à noite, levando deportados com destino aos Açores, Cabo Verde, Guiné e Angola, tendo aportado em S. Tomé por volta de 12/03/1927. Em fevereiro de 1928, por interferência da sua família e do general Sousa Dias, passou a ter residência obrigatória fixada no Funchal, instalando-se, primeiro, na Pensão Éden e, depois, na Quinta das Cruzes. Desembarcou, em 18/12/1928, em Lisboa, continuando na situação de preso, ainda que em sua casa. Seguiu, em 05/03/1929, para o presídio militar de Elvas, a fim de ser submetido a julgamento pelo Tribunal Militar Especial reunido, em 13/04/1929, no Forte da Graça. Presidiu a este o general Francisco das Chagas Parreira, tendo por um dos vogais o almirante Vitorino Gomes da Costa; o seu advogado foi Adelino da Palma Carlos, então um recém-licenciado em direito. Foi-lhe, novamente, fixada residência obrigatória na Madeira, permanecendo no Funchal entre 1929 e 1931, cidade onde leccionou, criou e dirigiu o Instituto de Instrução Secundária. Em Abril de 1931, integrou o grupo que preparou e dirigiu a Revolta da Madeira, assumindo, mais uma vez, as funções de chefe do seu Estado Maior. Demitido do Exército, por motivos políticos, em 15/04/1931. Na sequência do fracasso, engrossou o grupo de deportados para Cabo Verde. Terá desembarcado na cidade da Praia em 17/05/1931, ilha de Santiago, e levado, juntamente com os outros deportados, mais de trinta, civis e militares, para o Lazareto. Terá permanecido ali cerca de um mês e, em 06/06/1931, seguiu para a ilha de S. Nicolau, onde chegou no dia seguinte, ao anoitecer, e encaminhado para o edifício do Seminário, um velho casarão de dois andares, guardado por uma força indígena ida de Angola e 40 guardas civis, com dois subchefes e um chefe, deslocados de Lisboa. Foi um dos militares que não foi, explicitamente, abrangido pela amnistia decretada em 05/12/1932 (Decreto 21.943), permanecendo em Cabo Verde até 1936: no entanto, o seu nome deixou de constar em documentos assinados pelos deportados políticos nas diferentes ilhas. Em finais de julho de 1935, após o falecimento do general Sousa Dias, o Governador de Cabo Verde propôs, em telegrama ao Ministério do Interior, o seu repatriamento, juntamente com António Fernandes Varão (major), Francisco Filipe de Sousa (major), Francisco Alexandre Lobo Pimentel (major), Inácio Severino de Melo Bandeira (major), João Manuel Carvalho (contra-almirante), José Mendes dos Reis (coronel) e Luís António da Silva Tavares de Carvalho (major), até porque três se encontravam doentes, incluindo Fernando Freiria. O parecer da Polícia de Vigilância de Defesa do Estado foi desfavorável, considerando-os "altamente inconvenientes no Continente e Ilhas Adjacentes", posição secundada por Salazar, enquanto Presidente do Conselho, em documento datado de 13/09/1935. Regressou doente em 1936 e seria reintegrado no Exército, na situação de reforma, continuando sem atividade política conhecida. Faleceu em 13/04/1955, em Lisboa, com 78 anos de idade. Sepultado no Cemitério do Alto de S. João, no talhão dos Combatentes da Grande Guerra.]
[alterado em 31/05/2024]
   [alterado em 14/04/2025]
[alterado em 30/05/2025]

[João Esteves]

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

[2257.] LUÍS ANTÓNIO SOARES [I] || 3 VEZES PRESO, 2 VEZES DEPORTADO, COMBATENTE NA GUERRA CIVIL DE ESPANHA

* LUÍS ANTÓNIO SOARES *

[Luís António Soares || Guerra Civil de Espanha]

Antes de fugir de Portugal para combater na Guerra Civil de Espanha ao lado dos Republicanos, Luís António Soares foi preso por três vezes, entre 1928 e 1937, e deportado para Moçambique [1929] e Cabo Verde [1932]. Aderiu neste ano ao Partido Comunista Português e, na sequência das vivências no país vizinho, filiou-se no Partido Comunista de Espanha.

Filho de Mariana das Dores Soares e de Joaquim Ramos Soares, Luís António Soares era natural de Beringel - Beja.

Os seus familiares seriam de origem operária e camponesa e, em 1911, terá integrado, durante três meses, o Batalhão de Voluntários da República Portuguesa, tendo-se filiado no Partido Republicano Português em 1914.

Participou nos movimentos revolucionários contra a Ditadura Militar saída do 28 de Maio de 1926, tendo sido preso pela primeira vez em Abril de 1928 e deportado, talvez em 1929, para Lourenço Marques. 

A segunda prisão de Luís António Soares aconteceu em 23 de Abril de 1931, em Moçambique, onde seria empregado no comércio, na sequência de uma tentativa de levantamento militar para secundar os movimentos da Madeira (4 de Abril), Açores (8 de Abril) e Guiné (17 de Abril), tendo sido detido com armas na mão.

Deportado para Cabo Verde, aí conheceu e conviveu com Bento Gonçalves que, preso em 29 de Setembro de 1930, fora deportado para Cabo Verde em 15 de Fevereiro de 1931, para as ilhas do Sal e Fogo, de onde regressou em Fevereiro de 1933. 

Foi por intermédio do Secretário-Geral do Partido Comunista Português que Luís António Soares aderiu, em 1932, a esta organização. Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro deste ano, apesar de só ter sido informado de tal em 1933, foi enviado, em Agosto, para a Guiné.

A terceira, e última prisão, verificou-se naquela colónia, onde estava como funcionário público. Preso no Comando de Polícia da Guiné Portuguesa, daí fugiu em 26 de Fevereiro de 1937 e terá seguido para a Guiné Francesa, onde as autoridades lhe terão facultado um passaporte para Espanha, país onde chegou em 17 de Outubro via Dakar.

Trabalhou, então, na União dos Antifascistas Portugueses Residentes em Espanha, cujo Secretário-Geral era Francisco Oliveira Pio [1897 - 1972], e no Socorro Rojo Internacional (Grupo Manuel dos Santos), sob a direcção de Joaquim Caetano. 

Em Abril de 1938, solicitou o ingresso no Partido Comunista de Espanha.

Com a derrota dos republicanos, passou para França, onde integrou a Resistência. Já idoso, em meados da década de 1960 terá regressado a Portugal e, quando se encontrava a viver em Portela das Padeiras (Santarém), foi entrevistado para o Jornal do Ribatejo por João Matos Madeira e Helena Neves, estando presentes Alves Castela e Lino Ribeiro.

Luís António Soares é o pai de Pedro dos Santos Soares [1915 - 1975] e de Arminda dos Santos Soares, ambos com relevante militância clandestina no Partido Comunista.

[João Esteves]

quinta-feira, 21 de março de 2019

[2080.] AMÉLIA ALMEIDA BRANDÃO DE CAL OU AMÉLIA ALMEIDA CAL BRANDÃO [IV] || 1935

* AMÉLIA DE ALMEIDA BRANDÃO DE CAL || CARLOS CAL BRANDÃO *

Requerimento de Amélia de Almeida Brandão de Cal ao Ministro do Interior, datado de Janeiro de 1935, reclamando da situação do seu filho Carlos Cal Brandão [1906 - 1973] que se encontrava há anos deportado: primeiro em Cabo Verde, seguindo depois para Timor.

Preso no Porto em Março de 1931, Carlos Cal Brandão passou para as cadeias de Lisboa e, em Maio desse mesmo ano, integrou o grupo de presos políticos embarcado no navio Pedro Gomes para São Nicolau, Cabo Verde. Meses depois, seguiu para Timor no navio Gil Eanes, só regressando em meados de Fevereiro de 1946, altura em que desembarcou em Lisboa.

O Ministro do Interior enviou o requerimento à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

[2064.] EDMUNDO GONÇALVES [I] || PRESO POR SEIS VEZES E DEPORTADO PARA O TARRAFAL, ONDE FALECEU

* EDMUNDO GONÇALVES *
[19/02/1900 - 13/06/1944]

PRESO SEIS VEZES ENTRE 1929 E 1936 || DEPORTADO PARA CABO VERDE (1930 - 1932) || ENVIADO PARA O TARRAFAL ONDE FALECEU (1937 - 1944)

[Edmundo Gonçalves || 1935 ou 1936 || ANTT || PT-TT-PIDE-E-010-7-1214_m0033]

Ex-2.º Sargento, Edmundo Gonçalves foi um resistente que não abdicou de combater a Ditadura Militar e a Ditadura do Estado Novo a partir de, pelo menos, 1929. Apesar de deportado uma primeira vez para Cabo Verde, não desistiu de lutar contra o regime saído do 28 de Maio de 1926 e, em 1937, foi enviado para o Tarrafal, de onde não voltaria.

Filho de Francisca Júlia e de Henrique Gonçalves, Edmundo Gonçalves nasceu em 19 de Fevereiro de 1900, em Lisboa.

Preso pela primeira vez em 13 de Abril de 1929, «por estar comprometido na organização revolucionária de Infantaria 17» [ANTT, Cadastro Político 320; Processo 4322].

Ainda no mesmo ano, em 20 de Dezembro, voltou a ser detido «por ter ligações com elementos revolucionários, entre eles o Tenente Cardoso», sendo libertado em 3 de Março de 1930 [Processo 4472].

Em 30 de Abril desse ano tornou a ser preso, «por suspeita de possuir uma pistola e resistência ao agente captor», e libertado em 10 de Junho «por nada se ter provado» [Processo 4567-A].

Vigiado pelas autoridades policiais, o "Informador Bom" indicou, em 23 de Junho de 1930, que Edmundo Gonçalves «costuma parar na "Brasileira" na companhia de Zacarias José Cordeiro, do sargento Pinho [de Infantaria 17] e do Cabral». 

Em 17 de Julho de 1930, foi preso pela quarta vez «por ser considerado indesejável, sendo entregue ao Ministério da Guerra e proposto ao mesmo Ministério para que lhe seja fixada residência fora do Continente»: «Não foi organizado processo».

Foi-lhe fixada residência obrigatória em Cabo Verde, por motivos políticos, Edmundo Gonçalves foi abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, tendo-se apresentado na Polícia em 18 de Janeiro e continuado a viver na Travessa das Laranjeiras, 9. 

[Edmundo Gonçalves || 1935 ou 1936 || ANTT || PT-TT-PIDE-E-010-7-1214_m0033]

Dois anos e meio depois, em 9 de Junho de 1935, «foi preso por ser acusado de ter aliciado sargentos e assistido a reuniões políticas para o bom êxito do movimento revolucionário que estava para eclodir», sendo-lhe aprendido versos que cantaria [Processo 1495]. 

Encerrado no Aljube em 25 de Junho e libertado, por falta de provas, em 15 de Julho, Edmundo Gonçalves foi preso pela sexta vez em 6 de Dezembro de 1936.

[Edmundo Gonçalves || 1935 ou 1936 || ANTT || PT-TT-PIDE-E-010-7-1214_m0033]

Transferido para a 1.ª Esquadra em 2 de Janeiro de 1937, seguiu para Caxias em 22 de Março e, em 17 de Abril, entrou no Aljube.

Julgado pelo Tribunal Militar Espacial em 23 de Abril, foi condenado a quatro anos de desterro [Processo 284/937] e enviado para o Tarrafal, integrando a 2.ª leva de presos políticos. 

Apesar de ter sido condenado a quatro anos, aí permaneceu sete anos e um dia, falecendo em 13 de Junho de 1944, com 44 anos de idade.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 320 [Edmundo Gonçalves / PT-TT-PIDE-E-001-CX08_m0703, m0703a].
ANTT, Registo Geral de Presos 1214 [Edmundo Gonçalves / PT-TT-PIDE-E-010-7-1214_m0033].

[João Esteves]

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

[2033.] ALEXANDRE ALVES [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1928)

* ALEXANDRE ALVES *

REVOLTA DE 7 DE FEVEREIRO DE 1927 CONTRA A DITADURA MILITAR || DEPORTADO PARA TIMOR (1928) || RESIDÊNCIA FIXADA EM CABO VERDE

Filho de Maria da Piedade e de Cândido Alves, terá nascido em 1884, em Oliveira do Hospital.

Enquanto chefe de esquadra da Polícia de Segurança Pública da Lisboa, participou activamente no movimento revolucionário de 7 de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura Militar, mobilizando os agentes seus subordinados. Residia, então, na Rua Campo de Ourique - 191.

Apesar de procurado pela Polícia Internacional Portuguesa, só foi detido em 18 de Julho de 1928, acusado de ser «o organizador dum grupo de civis, em Caneças, quando em 11 do corrente esteve para eclodir um movimento revolucionário» [ANTT, Cadastro Político 1872]. 

Por ter, antes e depois dos acontecimentos de 7 de Fevereiro de 1927, «ligações com os mais perigosos "Legionários" e bombistas», terá sido deportado para Timor em 21 de Agosto de 1928 [Processo 3831].

Quando da amnistia de 5 de Dezembro de 1932, encontrava-se «com residência fixada em Cabo Verde, por motivos políticos».

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 1872 da Polícia Internacional Portuguesa [Alexandre Alves / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0547, m0524a].

[João Esteves]

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

[1937.] CLEMENTE SANCHES PARRACIAS [I] || DEPORTADO PARA ANGOLA E CABO VERDE

* CLEMENTE SANCHES PARRACIAS || DEPORTADO PARA ANGOLA (1927 - 1930), AÇORES, MADEIRA E CABO VERDE (1931 - 1932) *

[Clemente Sanches Parracias || Fotografia de 18/11/1927 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Teresa Sanches Parracias e de Alexandre Gonçalves Rocha, Clemente Sanches Parracias nasceu em 1893, em Nossa Senhora da Conceição - Novo Redondo (Angola).

Integrou o Corpo Expedicionário Português enquanto soldado do Regimento de Infantaria 14 e embarcou em 23 de Março de 1917. Nessa data, a mãe já tinha falecido e o parente mais próximo era a irmã Adelaide de Jesus Oliveira, residente em Terras de Bouro.

Em 6 de Novembro de 1927, quando tinha mais de 40 anos, foi preso por «conspirar contra a Ditadura Militar e por ter ligações revolucionárias com José dos Santos "O 90", Domingos Lopes Bibi e outros que fazem parte do grupo civil chefiado por António Silva» [ANTT, Cadastro Político 1906].

[Clemente Sanches Parracias || Fotografia de 18/11/1927 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Deportado para África nesse mesmo mês, em 15 de Novembro [Processo 3314], terá seguido para Angola.

Ao fim de quase três anos, «seguiu de Angola para os Açores a bordo do vapor "Mouzinho"».

Em 12 de Maio de 1931, embarcou no vapor João Belo «com destino a Cabo Verde, onde lhe foi fixada residência por ter tomado parte na Revolta da Madeira» [ANTT, Cadastro Político 1906].

[Clemente Sanches Parracias || Fotografia de 18/11/1927 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Por ter sido abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, regressou ao Continente, apresentou-se na Polícia Internacional Portuguesa em 17 de Janeiro de 1933 e foi residir para a Travessa das Trinas 16, em Lisboa.

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes: 
ANTT, Cadastro Político 1906 [Clemente Sanches Parrassias / PT-TT-PIDE-E-001-CX08_m0373, m0373a].
ANTT, Livro de Cadastrados, Fotografia 1804 [Clemente Sanches Parracias / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0017].

[João Esteves]

sexta-feira, 20 de abril de 2018

[1793.] AFONSO DE MOURA [I] || A MORTE NA DEPORTAÇÃO (1898 - 1931)

* AFONSO DE MOURA || ANARQUISTA || DEPORTADO PARA CABO VERDE EM 1931, ONDE FALECEU EM 7 DE DEZEMBRO *

Filho de Amélia Machado de Moura e de Augusto de Moura, Afonso de Moura nasceu em 1898, em Coimbra. 

Cerâmico, era um conhecido anarquista e libertário de Coimbra, tendo participado no respectivo associativismo nas décadas de 1910 e de 1920. 

Com a Ditadura Militar, por estar identificado como anarquista, foi preso uma primeira vez em 10 de Maio de 1927, sendo libertado no mesmo dia.

Novamente preso em 23 de Dezembro de 1930, acusado de estar envolvido na organização de um grupo civil contra a Ditadura, juntamente com Henrique Magalhães e Hermenegildo Granadeiro [Processo 4745, enviado ao Tribunal Especial de Instrução]. Casado, residia, então, na Rua dos Esteireiros. 

Deportado para Cabo Verde em 6 de Junho de 1931, embarcou no vapor "Pedro Gomes".

Faleceu em 7 de Dezembro de 1931, "pelas 12 horas e 30 minutos, na Ilha de São Nicolau da Colónia de Cabo Verde, onde se encontrava deportado" [ANTT, Cadastro Político 2551].

O que consta da certidão de óbito é que faleceu de septicemia pós furunculose, informação apurada por José J. Cabral. 

Roberto das Neves descreve-o como "um dos homens mais inteligentes, mais leais e mais destemidos que tenho conhecido, uma espécie de Suvarine do Germinal de Zola, e que, por tudo isto, foi, mais tarde preso e deportado, pelo governo do sr. dr. Oliveira Salazar, para África, onde morreu de febres" ["O Diário do Dr. Satã", A Ideia, 75-76,  Outono de 2015].

Fotografia da sua sepultura na Ilha de São Nicolau, enviada por José J. Cabral, a quem muito se agradece por mais este contributo. 


Na lápide, consta a seguinte inscrição: "Afonso de Moura || Deportado Político Defensor da Liberdade || Homenagem dos seus camaradas || 1898 - 1931".

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 2551 [Afonso de Moura / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0280].

[João Esteves]

quinta-feira, 1 de março de 2018

[1756.] ABÍLIO ADRIANO BRANCO [I]

* ABÍLIO ADRIANO BRANCO || TENENTE || DEPORTADO PARA CABO VERDE *

Em 1911, Abílio Adriano Branco seria 2.º Sargento de Infantaria e ofereceu-se para «servir no ultramar» [Colecção das Ordens do Exército do Ano de 1911 (2.ª série), Imprensa Nacional, 1912].

Tenente, por ter participado nas revoltas contra a Ditadura Militar foi deportado para Cabo Verde, onde ficou com «residência obrigatória por motivos políticos» [ANTT, Cadastro Político 4102].

Abrangido pela Amnistia de 5 de Dezembro de 1932, voltou à carreira militar.

Em 1935, o Capitão de Infantaria Abílio Adriano Branco foi proposto para ser condecorado com o Grau de Oficial da Ordem Militar de Avis: Decreto de Concessão de 11 de Novembro de 1935, publicado no Diário do Governo nº 266, de 14 de Novembro de 1935.

Em 1945, «tomou parte numa reunião política de oposição ao governo» [Processo Político do Tenente de Infantaria Abílio Adriano Branco].

Fonte: 
ANTT, Cadastro Político 4102 [Abílio Adriano Branco / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0029a].

[João Esteves]

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

[1738.] ABEL BATISTA DA SILVA [I] || DEPORTADO PARA ANGOLA E CABO VERDE

* ABEL BAPTISTA DA SILVA || DEPORTADO PARA ANGOLA E CABO VERDE || 1928-1932 *

* CAPITÃO DE INFANTARIA - BATALHÃO DE CAÇADORES 7 || PARTICIPAÇÃO, EM 20 DE JULHO DE 1928, NA "REVOLTA DO CASTELO" CONTRA A DITADURA MILITAR *

Nasceu em 1883.

Em 10 de Outubro de 1922, quando era Tenente de Infantaria, Abel Batista da Silva foi proposto pelo Ministro da Guerra para ser condecorado com o Grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo, o que sucedeu no ano seguinte [Conselho das Ordens, em 1 de Março de 1923; Boletim de Aceitação, de 14 de Março de 1923; Decreto de Concessão, Diário do Governo de 31 de Outubro de 1923].

Em 1928, já Capitão de Infantaria do Batalhão de Caçadores 7, instalado no Castelo de S. Jorge, foi um dos oficiais detidos por ter participado no movimento revolucionário de 20 de Julho de 1928 contra a Ditadura Militar.

Preso em 20 de Julho, foi deportado para Angola em 21 de Agosto [Ofício do Ministério da Guerra N.º 3185, de 24/08/1928] e, posteriormente, seguiu para Cabo Verde.

Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, encontrando-se, então, «com residência obrigatória em Cabo Verde, por motivos políticos» [ANTT, Cadastro Político 2759].
  
Fonte: 
ANTT, Cadastro Político 2759 [Abel Baptista da Silva / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0014].

[João Esteves]