[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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terça-feira, 4 de novembro de 2014

[0828.] RICARDO MACHAQUEIRO [III]

* RICARDO AUGUSTO LOURENÇO MACHAQUEIRO *


[09/01/1958-04/11/2013] 

O Ricardo é único.

Conheci-o em 1974 e, até ao fim, foi sempre o mesmo Ricardo. 

Solidário, sensível, fraterno, afectuoso, saudando de uma maneira muito própria sempre que acontecia cada reencontro. 

Sabedor, como poucos, da História e de Histórias de Homens e Mulheres que, durante 48 anos, resistiram e lutaram, tendo mesmo convivido e entrevistado muitos deles, era um contador de acontecimentos vividos, escutados e estudados. 

Aquando de Feminae. Dicionário Contemporâneo, recorri ao Ricardo para confirmar dados biográficos sobre a irmã de Manuel Rodrigues Oliveira [1911-1996], editor da Biblioteca Cosmos:

  • "Não há qualquer dúvida. A Alice é irmã do Manuel Rodrigues de Oliveira. E uma mana dedicada. E uma mulher corajosa. Na casa deles, em Campo d'Ourique, foi ela a responsável por guardar muitos livros de editoras comunistas brasileiras (Calvino e outras), proibidos cá e, a partir de certa altura, também outra vez lá. Isto seria pelo final da 2.ª Guerra quando o MRO esteve na fundação das Publicações Europa-América com o Lyon de Castro. Paralelamente, o Castro e o MRO importaram esses livro que o Castro dizia que eram dele mas, por causa das coisas, estavam à guarda da Alice. Se houvesse busca e apreensão estás a ver quem se entalava... O MRO foi preso, sim. trabalhava na altura n' O Século como jornalista. Não sei bem se em 1934 ou 35. Posso ver. Esteve preso com o Vilarigues em Peniche e foram juntos para Angra. Quando abriu o Tarrafal, o Vilarigues e outros foram lá dar com os costados, mas, ao que parece por intervenção de alguém ligado ao regime e que conhecia a família do MRO de Campo d'Ourique, o MRO regressou ao continente. Não me recordo se tenho informações sobre as profissões dos pais, mas acerca disso ainda se pode falar com a Alice que, tanto quanto sei ainda está rija."

Partiu, sem nos deixar, já há um ano. 



E eis, de novo, as palavras de António Lobo Antunes:

O último abraço...

"- Abrace-me porque é o último abraço que me dá

durante o abraço

- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento

e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito."

[António Lobo Antunes, "O último abraço que me dás", Visão,  12/12/2013]

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

[0425.] RICARDO MACHAQUEIRO (1958-2013) [I] || O ÚLTIMO ABRAÇO

O último abraço...

"- Abrace-me porque é o último abraço que me dá
durante o abraço
- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento
e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito."

António Lobo Antunes, "O último abraço que me dás", 
Visão, 12/12/2013
Ricardo Machaqueiro
[09/01/1958 - 04/11/2013]



[João Esteves]