[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quinta-feira, 1 de maio de 2025

[3600.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDXLVIII

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDXLVIII *

02342. António Maria Carneiro Franco [1927, 1931]

[António Maria Carneiro Franco || Outubro de 1917 || Trincheiras na Flandres]

[António Maria Carneiro Franco.
Figueira de Castelo Rodrigo, 22/10/1895. Tenente. Filiação: Lucinda Augusta Rodrigues (19/05/1866 - 13/03/1933), António Maria Carneiro Franco (04/03/1860 - 03/12/1923). Irmão de: Ernesto Carneiro Franco (07/11/1886 - 1965], de Ivandro César Carneiro Franco (1889 - 1889), Albano Carneiro Franco (n. 11/12/1892), César Carneiro Franco (n. 14/04/1898], José Luís Carneiro Franco (14/09/1900 - 19/03/1969), Aníbal Carneiro Franco (n. 20/02/1903), Virgínia Maria Carneiro Franco (11/01/1905 - 29/07/1935), Amílcar Rodrigues Carneiro Franco (n. 12/03/1909). Teve uma filha do primeiro casamento, Maria Helena, falecida aquando do segundo parto, a 22/10/1946, no dia do aniversário natalício do pai e no mesmo ano do desaparecimento deste. Casou, em segundas núpcias, com Maria Rodrigues [Franco], nascida a 29/05/1909 em S. Pedro do Sul, tendo tido mais duas filhas: Virgínia Maria Rodrigues Carneiro Franco (n. 10/04/1938) e Belmira Maria Rodrigues Carneiro Franco (n. 01/09/1941), naturais de Castro Daire e que emigraram para o Brasil, juntamente com a mãe, em 1958. Integrou, em 1917-1918, o Corpo Expedicionário Português, tendo embarcado em 14/04/1917. 

[António Maria Carneiro Franco || Setembro de 1917 || França]

No mesmo período, fez parte do Batalhão de Infantaria 23.
 
[António Maria Carneiro Franco]

[Militares do Regimento de Infantaria 23]

Recebeu, em 04/10/1918, um louvor "Pelo notável zelo e distinta inteligência com que durante o seu comando exerceu os cargos que lhe estiveram confiados."

[PT AHM-DIV-1-35A-1-02-0454_m0026]

Recebeu, em 02/01/1919, novo louvor "Porque em todo o serviço nas linhas deu sempre provas de um excelente moral e exemplar dedicação e boa vontade. Mostrou sempre um inalterável bom humor mesmo nas circunstâncias mais críticas." O terceiro louvor data de 16/05/1919: "Pelo muito interesse, dedicação e lealdade com que tem desempenhado o cargo que lhe está confiado."

[PT AHM-DIV-1-35A-1-02-0454_m0027]

Combateu, tal como os irmãos e outros familiares, a Ditadura Militar, tendo participado no movimento revolucionário de fevereiro de 1927. Estaria, então, na Figueira da Foz, onde foi visto a dar ordens no dia 3. Seria preso e deportado para Malanje (Angola).

[António Maria Carneiro Franco || Malanje, 01/07/1927]

[António Maria Carneiro Franco || Malanje, 22/10/1927]

Fotografia tirada em 24 de Dezembro de 1927 em Malanje (Angola), pertencente ao espólio de Manuel da Piedade e publicada pelo neto, Manuel Mesquita, em Antifascistas da Resistência || Em primeiro plano, da esquerda para a direita: 4.º - capitão DJALME de AZEVEDO, Caçadores 9; 5.º - comandante AGATÃO LANÇA, Armada; 9.º - alferes António CARNEIRO FRANCO10.º - Dr. RAFAEL SAMPAIO, Infantaria 2; na segunda fila, o 6.º, envergando uniforme militar, MANUEL DA PIEDADE]

Apresentou-se, em 19/12/1929, no Ministério do Interior. Preso em agosto de 1931, ficando em reclusão temporária no Forte de S. Julião da Barra. Ter-lhe-á sido fixada residência obrigatória em Castro Daire, onde conheceu a segunda esposa.

[António Maria Carneiro Franco || F. 28/07/1936 || Castro Daire]

Faleceu em 26/05/1946, com 50 anos de idade.]


[João Esteves]

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

[2284.] GRUPO DE DEPORTADOS EM MALANJE || DEZEMBRO DE 1927

* GRUPO DE DEPORTADOS EM MALANJE *
Grupo de implicados na Revolução de 7 de Fevereiro de 1927

[Colecção Particular de Manuel Mesquita || 24/12/1927 || Malanje]

Fotografia tirada em 24 de Dezembro de 1927 em Malanje (Angola), pertencente ao espólio de Manuel da Piedade e publicada pelo neto, Manuel Mesquita, em Antifascistas da Resistência

Em primeiro plano, da esquerda para a direita:
4.º - Capitão DJALME de AZEVEDO, Caçadores 9
5.º - Comandante AGATÃO LANÇA, Armada
9.º - Alferes António CARNEIRO FRANCO
10.º - Dr. RAFAEL de Sampaio, Infantaria 2
Na segunda fila, o 6.º, envergando uniforme militar é MANUEL DA PIEDADE.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

[2275.] AGATÃO LANÇA [I] || REVOLTA DE FEVEREIRO DE 1927 - LISBOA

* ARMANDO PEREIRA DE CASTRO AGATÃO LANÇA *
[19/08/1894 - 23/05/1965]

A Revolta de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura Militar teve início no Porto e só muito tardiamente foi secundada por Lisboa, quando aquele movimento já estava perdido. 

O 1.º Tenente Agatão Lança foi um dos militares que se evidenciou na capital, comandando os marinheiros revoltosos.

Fotografia publicada no periódico Ilustração || 16 de Fevereiro de 1927


[Lisboa || Fevereiro de 1927 || Agatão Lança comandando os marinheiros revoltosos]

segunda-feira, 21 de julho de 2014

[0715] ALCINA DE SOUSA BASTOS [III] || 1915 - 1993

[07/04/1915 - 17/08/1993]
[Alcina Bastos sentada à direita durante o comício do general Humberto Delgado no Liceu Camões a 18 de Maio de 1958] [Fonte: CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_114759 (2014-7-22)]

Advogada e jurista, Alcina Bastos é mais um nome que tem sido estranhamente esquecido tanto pelo periodismo mediático como pela historiografia contemporânea, apesar de ter sido uma das poucas advogadas de presos políticos e da activa participação na campanha presidencial do general Humberto Delgado [15/05/1906-13/02/1965] em 1958, sendo, não raras vezes, a única mulher a marcar presença nas mesas das sessões políticas então realizadas, apesar de se omitir a sua identificação.

Desde muito nova que Alcina Bastos, até por motivos familiares já que o pai, republicano, conspirou contra o salazarismo e foi condenado a quatro anos de prisão, se associou a quase todas as principais iniciativas de combate às ditaduras salazarista e marcelista, sempre com enorme coerência e dignidade, mantendo a mesma intervenção cívica nos quase 20 anos que viveu em democracia na sequência da revolução de Abril de 1974.

Filha de Filomena de Sousa Vilarinho Bastos e de Adelino Soares Bastos, professor e inspetor escolar, nasceu em Fiães, concelho de Vila da Feira, a 7 de abril de 1915.

Fez a instrução primária na terra natal, frequentou o Colégio dos Carvalhos e, entre 1934-1935 e 1939-1940, cursou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou e deu colaboração ao Socorro Vermelho Internacional (SVI).

Inicialmente, exerceu a advocacia no Porto, Espinho e Vila da Feira. Aí aderiu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD) e militou na Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, onde era a sócia n.º 211. 
  
Em 1949, empenhou-se na candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República e, em 1958, integrou, juntamente com o irmão Joaquim Bastos, também advogado, a equipa que promoveu e organizou a candidatura presidencial do general Humberto Delgado, de quem foi colaboradora próxima e a quem procurou honrar a memória póstuma. Esteve directamente envolvida no processo que procurou fundir as candidaturas de Arlindo Vicente [05/03/1906-24/11/1977] e a de Delgado.

Após as eleições, fez parte da Comissão Permanente do Movimento Nacional Independente (MNI), criado pelo general em 18 de junho, e desempenhou cargos no Centro Republicano António José de Almeida e Centro Escolar Republicano Almirante Reis

Solidária, defensora, enquanto advogada, de vários presos políticos, integrou a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem.

Reconquistada a liberdade, empenhou-se no julgamento dos assassinos de Humberto Delgado, marcando presença nas audiências dos agentes da PIDE, e na trasladação dos restos mortais do general para Portugal e, depois, para o Panteão Nacional.

Após o 25 de Abril de 1974, aderiu ao Movimento Democrático Português (MDP), onde se manteve entre 1975 e 1979; participou no Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC); interveio no âmbito da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), de que fora uma das fundadoras e dirigente; tornou-se sócia da Associação das Mulheres Juristas; e integrou o Conselho Nacional do Movimento Democrático de Mulheres, eleita no II Congresso (1980) e no III Congresso (1984).

Casada com o militar republicano Armando Pereira de Castro Agatão Lança [19/08/1894-23/05/1965], também interveniente ativo nas conspirações para derrubar o regime que pôs fim à I República, teve uma filha (n. 1955) que seguiu o mesmo trajecto profissional da mãe.

Aquando da sua morte preparava um livro sobre o assassinato de Humberto Delgado.

Faleceu em 17 de Agosto de 1993, tendo o voto de pesar aprovado pela Assembleia da República sublinhado que “o seu nome, ultimamente, aparecia pouco nas colunas da imprensa. Esquecimento injusto, porque Alcina Bastos foi uma das personalidades cuja intervenção na vida nacional, nos difíceis anos do fascismo, se caracterizou por uma firmeza e uma coerência exemplares”.
  
Quis ser enterrada com a sua toga no Cemitério dos Prazeres e, um ano depois, a título póstumo, foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade. 

[João Esteves]