[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 26 de março de 2022

[2777.] ÁLVARO DUQUE DA FONSECA || 1909 - 1971

 * ÁLVARO DUQUE DA FONSECA *

[24/11/1909 - 18/09/1971]

[Álvaro Duque da Fonseca || ANTT || RGP/430 || PT-TT-PIDE-E-010-3-430]

Filho de Ermelinda Fernanda Monteiro Duque [1890-1945] e de Vasco Loff da Fonseca [1884-1959], Álvaro Duque da Fonseca nasceu na Cidade da Praia, Cabo Verde, em 24 de Novembro de 1909.

Estudante, revelou-se um importantíssimo quadro do Partido Comunista em toda a década de 1930, trabalhando diretamente com os principais dirigentes, nomeadamente Bento Gonçalves

Primo de Carolina Loff da Fonseca e irmão de Dalila Duque da Fonseca, também ativistas, pertencia à estrutura diretiva da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas, tendo a responsabilidade do setor académico. 

Com as prisões, em Janeiro de 1932, de Bernard Freund e de Armando Soares [o futuro médico Armando Ducla Soares], participou na reorganização daquela, sendo eleito, na reunião realizada na Costa da Caparica, para o seu Secretariado, passando a ocupar a parte militar, anteriormente da responsabilidade do 2º sargento Armando Soares: os outros membros eram Carolina Loff da Fonseca (comissão feminina), Francisco de Paula Oliveira (imprensa), Júlio dos Santos Pinto (comissão sindical) e Silvino Leitão Fernandes Costa (organização). 

Passou a reunir-se semanalmente com os restantes membros do Bureau Militar, acompanhando o que se passava na Armada e no Exército. O setor militar das Juventudes Comunistas na Armada era composto por dois Comités de Zona: o terrestre, com células na Brigada de Marinheiros e no Quartel de Marinha; e o marítimo, com células nos navios de guerra Carvalho Araújo, República e Vasco da Gama e, ainda, no Navio Escola Sagres. 

Já as ligações com o Exército revelaram-se mais difíceis de reatar, devido à prisão de Armando Soares. No entanto, estabeleceu contactos com o Batalhão de Automobilistas, Regimento de Artilharia, Artilharia 3 e Companhia de Saúde (1º cabo Mamede, 1º cabo António Roque Pinto). 

Foi da sua responsabilidade, juntamente com Carlos Luís Correia Matoso e Silvino Leitão Fernandes Costa, a impressão do primeiro número do órgão O Soldado Vermelho, distribuído por todas as unidades da Guarnição Militar de Lisboa e da Armada. 

Com o mesmo grupo e a prima, redigiu e imprimiu o manifesto referente à jornada prevista para o dia 29 de Fevereiro de 1932, um outro destinado aos trabalhadores rurais da região de Lisboa e  vários números de O Jovem, órgão das Juventudes Comunistas, O Jovem Militante (teoria), O Elétrico Vermelho (Carris), O Aprendiz Vermelho e O Fatexa, órgãos da célula do Arsenal de Marinha, para além da impressão, também através de copiógrafo ciclostil, do primeiro dos Seis Cursos Elementares de Educação Comunista, traduzido do francês por Carlos Matoso

Com as prisões na Serra de Monsanto, em 24 de Abril, de Carlos Matoso e de Silvino Costa, transferiu da sede clandestina da FJCP para um quarto, alugado pela mãe de Francisco de Paula Oliveira, todo o material de organização e de propaganda, incluindo as máquinas. 

A responsabilidade política era cada vez mais abrangente, substituindo Silvino Costa no setor da Organização e ocupando, temporariamente, o lugar de Pavel na Comissão Política de Agitação e Propaganda, por este se ter deslocado a Bilbau para assistir ao Congresso da União das Juventudes Comunistas Espanholas. 

Entre as suas múltiplas atividades, estava, também, a redação de textos para diversa imprensa partidária, a par de reuniões com o setor militar e do Secretariado Político das Juventudes Comunistas. Em reunião deste, participou na delineação e aprovação do plano das comemorações da XVIII Jornada Internacional das Juventudes, a realizar em 4 de Setembro, que incluía pinturas nas paredes, cartazes de propaganda, selos, hasteamento de bandeiras em diversas partes da cidade de Lisboa e realização de uma manifestação e comício-relâmpago em Alcântara, por seu uma zona operária. 

Foi, então, convidado por Manuel Francisco Roque Júnior a participar na reunião do Comité Regional de Lisboa do Partido Comunista, a realizar em 17 de Setembrona sede da Associação de Classe dos Empregados de Escritório, situada na Rua da Madalena, 225 - 1º dto, e durante a qual foi preso, juntamente com Armando Ramos, Manuel Francisco Roque Júnior, que andava a ser vigiado, Raul Nunes Leal (Processo 568). 

Deodato Ramos, também daquele Comité, já tinha sido detido e, na mesma leva de presos relacionada com esta reunião constavam, também, José de VasconcelosJosé Nunes Scheidecker Togo da Silva Batalha. Foram ainda detidos no mesmo dia António dos Santos SerraHenrique FragosoJosé Amorim José Soares - "O Malatesta". 

Tal como os restantes detidos, recolheu, incomunicável, a uma esquadra, sendo, depois, sujeito a um "apertado interrogatório", ou seja barbaramente torturado e espancado. 

Como era 1º sargento cadete miliciano do Batalhão de Caçadores 7, na situação de licenciado, e fora convocado, em Agosto, para se apresentar no Regimento de Infantaria 1, em Mafra, acabou por ser entregue ao Quartel General do Governo Militar de Lisboa ao ser considerado desertor. 

Julgado pelo TME em 16/12/1933 (Processos 11/933  e 14/933 do TME), foi considerado abrangido pelas disposições do Decreto de 05/12/1932, cessando o respetivo procedimento criminal quanto à sua ação política. 

No entanto, continuava sob a alçada da justiça militar, tendo conseguido evadir-se aquando de uma deslocação para ser ouvido no Tribunal Militar, refugiando-se em Madrid.

Em 1933 estava, pois, em Espanha, onde colaborou com Miguel Wager Russell na impressão de propaganda política destinada ao seu país. Aí nasceu, em 24 de Novembro de 1933, a sua filha Magda

Regressou, clandestinamente, a Portugal e retomou os contactos com Partido Comunista através de Carlos Matoso. Passou a trabalhar diretamente com Bento Gonçalves e aquele, entre outros, sendo responsável pela ligação entre o Comité Central e o Socorro Vermelho Internacional e revisão de textos doutrinários publicados na imprensa partidária, para além de tarefas administrativos, funcionando junto da Comissão Política ligada ao Comité Central (Processos 1435 e 1500)

Preso em 27/02/1935, quando andava fugido e procurado há muito, levado para uma esquadra e transferido para o Aljube em 27/03/1935 e, em 26/05/1935, para Peniche (Processo 1273). Regressou ao Aljube em 03/03/1936 e julgado pelo TME em 04/03/1936, foi condenado a dois anos de prisão e perda de direitos políticos por dez anos (Processos 47 e 102/935 do TME).

Embarcou no Carvalho Araújo em 23/03/1936 com destino a Angra do Heroísmo e, em 23/10/1936, seguiu para o Tarrafal, de onde regressou em 01/10/1944 e levado para Caxias.

No Tarrafal, devido ao agudizar das divergências no seio dos tarrafalistas comunistas, foi expulso em 1943 e integrou, com outros, o Grupo dos Comunistas Afastados: na opinião de Joaquim Ribeiro, que permaneceu 16 anos naquele Campo, "era um indivíduo bastante culto e foi pena que tivesse resvalado na luta-antipartidária" (No Tarrafal, prisioneiro, 1976, p. 98).

Libertado em 12/10/1944, foi residir para a Rua Filipe da Mata, 126 - Lisboa. 

Por intermédio de José de Sousa, com quem tinha militado no Partido Comunista e estado em Cabo Verde, aderiu, por volta de 1946/1947, à Fraternidade Operária Lisbonense, tal como alguns outros antigos camaradas. 

Partiu para Angola e, na década de 1950, vivia em Moçambique, onde foi assassinado, juntamente com a mulher, no Dondo, Sofala, em 28/09/1971. Joaquim Ribeiro também se refere a este assassinato, "em condições trágicas ainda por esclarecer" (p. 98). 

Foi casado com Anémona Adelaide Pinto da França Xavier de Basto (1914-1975) e com Maria de Lurdes Matos Cardoso (1925-1971), havendo descendência dos dois enlaces.

[João Esteves]

segunda-feira, 24 de março de 2014

[0557.] DALILA DUQUE DA FONSECA [II]

DALILA DUQUE DA FONSECA *
[1911 - 1992]

[31/10/1942]

Manteve importante actividade clandestina no Partido Comunista durante as décadas de 30 e 40.

Presa cinco vezes entre 1937 e 1945: a primeira captura deu-se a 6 de Junho de 1937. 

Voltou a ser detida, para averiguações, a 28 de Junho de 1938. 

Novamente presa um ano depois, a 28 de Junho de 1939. 

Segundo José Pacheco Pereira, entrou para funcionária do PCP em 1941 e desempenhava funções na casa do Secretariado, sita na Estrada das Amoreiras, 245, quando presa em 1 de Agosto de 1942, juntamente com os importantes dirigentes Joaquim Pires Jorge [28/11/1907 - 06/06/1984], Júlio de Melo Fogaça [10/08/1907 - 28/01/1980] e Pedro dos Santos Soares [13/01/1915 - 10/05/1975]. 

Reingressou na clandestinidade em 1944, a instâncias de Alfredo Diniz, que seria assassinado a 4 de Julho de 1945, com 28 anos.

Presa, pela última vez, a 14 de Junho de 1945. 

Abandonou a actividade política, partiu para Lourenço Marques, provavelmente no final dos anos 40, onde viveu com José Marques Pereira [04/04/1909 - 1984], reencontrou antigos camaradas e o irmão Álvaro. 

Segundo Ana Barradas, no Dicionário de Mulheres Rebeldes, “manteve-se sempre em oposição ao regime colonial-fascista”. 

[consultar entrada de "Dalila Duque da Fonseca" em Feminae. Dicionário Contemporâneo, Lisboa, Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 2013, pp. 217-218]

[João Esteves]

[0556.] DALILA DUQUE DA FONSECA [I]


* DALILA DUQUE DA FONSECA *
[1911-1992]
[31.10.1942 ]
 - Biografia Prisional -
[in Rose Nery Nobre de Melo, Mulheres Portuguesas na Resistência, Lisboa, Seara Nova, 1975 / Silêncios e Memórias]

domingo, 23 de março de 2014

[0554.] FEMINAE [XVIII] || LETRA D

* FEMINAE || D *


0235. Daisy Price
0236. Dalila Duque da Fonseca
0237. Dalila Marques Maia
0238. Dalila Pereira
0239. Delfina Costa
0240. Delfina Cruz
0241. Delfina da Conceição
0242. Delfina Lopes
0243. Delfina Perpétua do Espírito Santo
0244. Delmira Mendes
Denise Lester - v. Margaret Denise Eileen Lester
0245. Deodata Costa Castilho
0246. Deolinda A. Loureiro
0247. Deolinda da Luz
0248. Deolinda de Campos
0249. Deolinda de Macedo
0250. Deolinda Lopes Vieira Pinto Quartin
0251. Deolinda Saial
0252. Deonilde Gouveia
0253. Diamantina Jesus Vicente
0254. Dina Pereira
0255. Dinah Santos Lima
0256. Dinah Stichini
Dinorah Noémia - v. Conceição Vitória Marques
0257. Direitos Sexuais e Reprodutivos
0258. Dolores Rentini
Dona Amélia - v. Maria Amélia Luísa Helena de Orleães e Bragança
Dona Maria Pia - v. Maria Pia de Sabóia e Bragança
0259. Dora Vieira
Dores Aço - v. Maria das Dores Aço Rodrigues
0260. Dores Brêa 
Dorinda Rodriguez - v. Maria Dorinda Rodrigues Nóvoa
0261. Doroteia Coutinho
0262. Doroteia Cruz
0263. Dorothea Mary Potter Lewis Mitchell 
0264. Dorothy Eleanor Houssemayne du Boulay
0265. Dulce de Almeida Sant’Anna
Duquesa de Palmela (3.ª) - v. Maria Luísa de Sousa Holstein