[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 5 de novembro de 2022

[3017.] VIRGÍNIA QUARESMA || FEMINISMO E FEMINISTAS - 08/08/1907

 * VIRGÍNIA QUARESMA *

"Feminismo e feministas..."

Alma Feminina || N.º 9 || 08/08/1907

Virgínia Quaresma escreve sobre “Feminismo e Feministas...” no N.º 9 da revista Alma Feminina, de 8 de Agosto de 1907, onde considera que «duas correntes intensas e desencontradas representam no nosso meio social as reivindicações feministas»:

«Feminismo e Feministas...

Duas correntes intensas e desencontradas representam no nosso meio social as reivindicações feministas.

Numa predomina o exagero, a falta de senso levada ao ridículo,  correria vertiginosa de todos os que, deslumbrados por uma utopia, desejam alcançar um fim, sem medir nem os meios de o fazer nem as consequências funestas que dele podem advir.

Este feminismo pouco criterioso mas, que, por vezes, se impões à nossa simpatia por ser um brado generoso de espíritos muito liberais, não pode de forma nenhuma interessar-nos nem ter jus aos nossos aplausos mulher que simplesmente pelas áridas paixões da política, ataca entidades pessoais, que vai gesticular e combater na tribuna os representantes dos regimes governamentais – essa mulher, para nós, despiu-se totalmente de todos os encantos femininos, para se converter num dragão de saias.

As mulheres portuguesas podem desde já ,mesmo no estado atrasado e deprimente em que se encontra a nossa sociedade, começar a interferir nos movimentos políticos sem que se revistam de atitudes exaltadas e ridículas.

Em França o espírito enciclopédico que preparou o país para a revolução foi agitado, principalmente pelo elemento feminino. Em todos os períodos de esplendor, assinalados na história pelo espírito francês, a acção da mulher pode, sem grandes dificuldades, ser revelada.

Os salões literários presididos pelos mais ilustrados e graciosos vultos femininos da França de então tiveram um poderio inconsiderável na sociedade daquele tempo.

[...]

A mulher tem, é certo, direito de interferir em todos os problemas sociais, tanto de ordem política como moral, porque a sua existência e a dos entes que lhe são queridos está indissoluvelmente ligada a eles e desinteressar-se do que a cerca é sair, por uma apatia condenável duma parte capital e integrante do que constitui a sua própria vida física e psíquica, mental e afectiva.

Mas como deverá exercer essa influência? Eis em que consiste o problema. Pelo sentimento, pela bondade, pela propaganda do ideal do amor, da Solidariedade e da Paz irá a pouco e pouco, por uma evolução lenta mas eficaz, transformando as sociedades e levantando e aperfeiçoando o espírito dos povos.

A política dever-lhe-á um dia muito, porque a educação moral das sociedades lhe deverá tudo, mas a história que assinalará a sua acção e os seus impulsos não será a de D. Quixote de la Mancha nem a dos Três Mosqueteiros de Dumas.

Eis a diferença.

Esboçada e fugitivamente comentada uma das correntes feministas que predominam no nosso país, falta-nos tratar da outra, retrograda, receosa, lembrando a indecisão duma criança que começa a ensaiar os primeiros passos e que tem o espírito aterrorizado com a ideia do esforço.

Há dias que um dos nossos melhores e mais lidos jornais diários, nos  punha, ante os olhos a imagem dum espectáculo assim com um artigo feminista que publicava.

Enaltecia o movimento feminista impulsionado pela mulher portuguesa, mostrava-se apóstolo fervoroso da educação da mulher mas só - a sua conclusão restringia-se a isto - porque a mulher deverá ser a educadora dos filhos.

Como facilmente se infere uns pecam por excesso outros por defeito.

A educação da mulher não poderá ser ministrada simplesmente com o intuito de a tornar uma educadora dos filhos.

Isto já é alguma coisa mas não é tudo.

Pois todas as mulheres têm como destino o casamento ou o serem mães? por certo que não. As estatísticas, principalmente em Portugal, demonstram-nos que o número de mulheres viúva e solteiras se eleva ao das casadas.

E neste caso quais serão as medidas sensatas tomadas pelas sociedades modernas para que a mulher providencie sobre as suas condições de vida e da família se a tiver?

O feminismo não terá apontadas estas circunstâncias, um importantíssimo aspecto económico?

De certo que o tem e nele trataremos analiticamente no próximo número deste jornal.

Agora como nota final adicionaremos uma caso passado connosco numa Escola Superior do nosso país

Discutia um grupo de rapazes com grande calor e com a lógica costumada em tais casos, o assunto da mulher estudar e pretender seguir carreiras científicas como o homem.

Julgámo-nos indirectamente alvejadas mas conservámo-nos impassíveis. Um nosso condiscípulo estranhou o facto da nossa indiferença e pediu-nos uma discussão imediata.

- Não discuto essa opinião, disse tranquilamente, porque a aceito.

A estranheza pela nossa atitude redobrou de intensidade.

- Sim, aceito-a, repeti. Quanto mais tentador não seria, para mim, agora, pelo menos, ir para minha casa e, com o espírito sossegado sem o sobressalto das lições, das dissertações e dos exames que me esperam ler Bourguet, Alphonse Daudet, Flaubert, Balzac, etc. mas ...se eu o fizer, encarregam-se os meus colegas de acudir um dia aos meus meios de subsistência e de minha família?

Todos se calaram e neste emudecimento sentimos comprovada a ideia de que o aspecto económico é o ponto capital em que deve assentar o problema feminista que interessa verdadeiramente as sociedades modernas.

O utilitarismo sobrelevou-se nos meios sociais de hoje, às noções do belo e do agradável. Abandonemos, portanto, um pouco o domínio da filosofia e levemos a nossa causa para o lado, por todos compreendido e aceite, da prática da vida – e o feminismo terá  encontrado, enfim, uma arma invencível e criteriosa para todos os espíritos.» 

[Alma Feminina, n.º 9, 08/08/1907]

[Alma Feminina || N.º 9 || 08/08/1907]

[João Esteves]

terça-feira, 1 de novembro de 2022

domingo, 16 de outubro de 2022

[2987.] "JORNAL DA MULHER" || ALMA FEMININA - 05/05/1907

 * PUBLICAÇÃO DO 1.º NÚMERTO DA REVISTA ALMA FEMININA *

"A mulher portuguesa no jornalismo"

"Jornal da Mulher" || 05/05/1907

O “Jornal da Mulher” pronuncia-se sobre a revista Alma Feminina, em vias de ser publicada, anunciando que «inserirá artigos feministas firmados pelos mais aureolados nomes de individualidades portuguesas e estrangeiras, acompanhará em todos os seus números, todo o movimento que fora auscultado em todas as sociedades cultas em prol deste ideal, mas não deixará, por isso, de se interessar pela literatura, pela vida no sport, de relatar em interessantes crónicas, todos os acontecimentos que se forem dando nos nossos mundanos.» 

O primeiro número da revista Alma Feminina saiu em 6 de Maio de 1907, tendo Albertina Paraíso como Directora e Virgínia Quaresma como Secretária da Redacção. Redigida por escritoras portuguesas e brasileiras, cada número avulso custava 40 réis. 


[O Mundo || 05/05/1907]

[João Esteves]

sábado, 20 de fevereiro de 2021

[2503.] BÁRBARA ROSA DE CARVALHO PEREIRA [I] || CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS

 * BÁRBARA ROSA DE CARVALHO PEREIRA *

[Rosa Pereira || 1928 || Pormenor de uma fotografia do II Congresso Feminista]

Natural de Tomar, Bárbara Rosa de Carvalho Pereira distinguiu-se por mais de três décadas dedicadas às causas republicana, pacifista, maçónica e feminista.

Aderiu, no primeiro trimestre de 1907, ao Comité Português da associação pacifista francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes e tornou-se numa das militantes mais activas do núcleo de Tomar da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (sócia n.º 223): interveio, em 1910, no plebiscito interno sobre a revisão dos Estatutos, manifestando-se pela eliminação do antigo art.º 11, já que a “Liga deve interessar-se por tudo quanto seja a emancipação da mulher e quebrar todos os preconceitos que a oprimem e sufocam”; contribuiu para subscrições; participou, em 1912, na campanha a favor da aprovação pelo Parlamento duma lei proibitiva da venda de tabaco e bebidas alcoólicas a menores; e, enquanto subscritora da Obra Maternal, apoiou a manutenção da sua directora em 1915.

Posteriormente, estando já a residir em Lisboa, na R. Augusto José Vieira, n.º 11, r/c, aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde se manteve em actividade durante mais de 20 anos, até à sua proibição pelas autoridades salazaristas.

Tal como muitas outras activistas, o desempenho de cargos directivos no CNMP coincidiu com a iniciação na Maçonaria.

Rosa Pereira distinguiu-se sobretudo na área financeira e na gestão das quotas das associadas da província: foi eleita Secretária do Interior - Arquivista (1923); Tesoureira Adjunta da Direcção (1927) e Tesoureira da Província (1928, 1929, 1931-1934, 1936-1945); e 1.ª Vogal da Assembleia Geral (1946). Pertenceu à Comissão de Beneficência (1924), onde exerceu a presidência em 1925 e 1926, e à Secção de Finanças (1931-1934).

Colaborou em parceria com Mariana da Assunção da Silva, a outra Tesoureira do Conselho, secretariou a 2.ª Sessão Ordinária do Congresso Abolicionista Português (03/08/1926), integrou a Comissão responsável pela aquisição duma bandeira nacional a ser enviada à Aliança Internacional Feminista, participou na recepção promovida pelo Conselho a Adelaide Cabete quando do seu regresso de África e fez parte da delegação que, em 10 de Fevereiro de 1940, entregou à Assembleia Nacional um requerimento, onde se pedia que as competências da Tutoria da Infância sobre as raparigas fosse alargada dos 16 para os 21 anos, de forma a impedir o registo de toleradas antes desta idade, como estava sucedendo.

Assinou, na revista Alma Feminina, uma carta de homenagem à activista Angélica Lopes Viana Porto.

A par da militância feminista, foi iniciada na Maçonaria em 1922 e integrou a Loja Humanidade do Grande Oriente Lusitano Unido e a Loja Humanidade do Direito Humano, com o nome simbólico de Leonor da Fonseca Pimentel.

Enquanto republicana, e num momento particularmente difícil, aderiu, em Maio de 1928, à campanha promovida pelo jornal O Rebate a favor dos presos, deportados e emigrados políticos.

O seu nome aparece indistintamente como Rosa de Carvalho, Rosa de Carvalho Pereira ou Rosa Pereira e era irmã da activista Maria Emília de Carvalho Gonçalves, tendo ambas idêntico percurso político e associativo.

[v. JE, "Bárbara Rosa de Carvalho Pereira", Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005, pp. 162-163]

[João Esteves]

terça-feira, 24 de março de 2020

quinta-feira, 19 de março de 2020

[2312.] ALMA FEMININA || N.º 1 (1907)

* ALMA FEMININA || N.º 1 *

Directora: Albertina Paraíso
Secretária da Redacção: Virgínia Quaresma

[Alma Feminina || N.º 1 || 1907]

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

terça-feira, 1 de março de 2016

[1376.] SEGUNDO CONGRESSO FEMINISTA E DE EDUCAÇÃO [XII] || AURORA TEIXEIRA DE CASTRO [V]

* 10.ª TESE || AURORA TEIXEIRA DE CASTRO || REIVINDICAÇÕES FEMINISTAS *

[Aurora Teixeira de Castro || 1891-1931]

  


[Alma Feminina || N.º 3 || Maio-Junho de 1928]

[1374.] SEGUNDO CONGRESSO FEMINISTA E DE EDUCAÇÃO [XI] || MARIA O'NEILL [III]


* 9.ª TESE || MARIA O'NEILL || O VOTO ÀS MULHERES *

[Maria O'Neill || 1928]

  


[Alma Feminina || N.º 3 || Maio-Junho de 1928]


[1373.] SEGUNDO CONGRESSO FEMINISTA E DE EDUCAÇÃO [X] || DEOLINDA LOPES VIEIRA [II]


* 8.ª TESE || DEOLINDA LOPES VIEIRA || ESCOLA ÚNICA *

[Deolinda Lopes Vieira || 1928]





[Alma Feminina || N.º 3 || Maio-Junho de 1928]