[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 30 de outubro de 2021

[2598.] MARIA LAMAS || NASCIDA HÁ 128 ANOS

 * MARIA LAMAS *

NASCIDA HÁ 128 ANOS (06/10/1893 - 06/12/1983)

MULHERES. PAZ. LIBERDADE / MARIA LAMAS

[Torres Novas || Outubro de 2017 || Município de Torres Novas]

Capa do Catálogo da Exposição realizada na Assembleia da República de 19 de Outubro a 6 de Dezembro de 2017

Organização:

Margarida Moleiro (Museu Municipal Carlos Reis / Município de Torre Novas)

Textos:

Alexandra Luís 

Catarina Inverno

Catarina Martins 

Cristina Duarte 

Elza Pais 

Heloísa Apolónio

José Gabriel Pereira Bastos 

Manuela Tavares 

Margarida Freira Moleiro

Maria Leonor Machado de Sousa 

Patrícia Fonseca 

Teresa Leal Coelho 

Teresa Joaquim 

Regina Marques 

Virgínia Baptista

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

segunda-feira, 5 de março de 2018

[1762.] 8 DE MARÇO DE 2018 [II]

* 8 DE MARÇO DE 2018 || 10 HORAS || BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL *

Lançamento, na Biblioteca Nacional de Portugal, do livro de actas do 2.º Congresso Maria Lamas: Vida e Obra de Maria Lamas - Actualizar o pensamento, abalar a indiferença


sábado, 17 de fevereiro de 2018

[1743.] ADELAIDE BRAMÃO [I]

* ADELAIDE BRAMÃO *
[1872 - 1963]

* ACTIVISTA DO CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || 1945 || LISBOA *

Nasceu em 1872 e faleceu, nonagenária, em 1963. 

Casada com o escritor e político Alberto Allen Pereira de Sequeira Bramão [1865-1944] que, nos últimos anos da Monarquia, reivindicou a Lei do Divórcio e cooperou, em 1909, com Ana de Castro Osório na campanha promovida pela Liga Republicana das Mulheres Portuguesas a favor da sua aprovação pelo Parlamento. 

A sua casa era frequentada por Maria Lamas, enviuvou em 1944 e no ano seguinte, já septuagenária, integrou o numeroso grupo de mulheres que, em Lisboa, aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas quando aquele passou a ser presidido por aquela escritora. 

[12/01/1935 || O júri do concurso infantil promovido pelo Modas e Bordados || Maria Lamas; Alice Ogando; Adelaide de Lima Cruz; Maria Rio de Carvalho; Adelaide Bramão; Judite Maggioli Serra Ribeiro || ANTT]

Na mesma época, substituiu o marido na chefia da delegação da Voz de Portugal, periódico do Rio de Janeiro, e colaborou em O Senhor Doutor, “um amigo que diverte, educa e instrui”, jornal para crianças criado na década de trinta. 

Usou o pseudónimo Baronesa X, sob o qual publicou O que as crianças devem saber: história de dois traquinas, para os mais novos, e os livros Breviário da dona de casa e Saber viver: regras de etiqueta, opiniões e conselhos, que teve várias edições. 

Esteve representada com este último na “Exposição de Livros Escritos por Mulheres” promovida pelo CNMP na Sociedade Nacional de Belas Artes (1947). 

Colaborou na organização de dois livros póstumos do marido, ambos datados de 1945. 

[João Esteves]

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

[1688.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XLII] || 1947

* CARTA DO GOVERNADOR CIVIL DE LISBOA, MÁRIO MADEIRA, A MARIA LAMAS, CONFIRMANDO O ENCERRAMENTO DO CNMP E DA SUA SEDE || 08/07/1947 *



[1685.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESES [XXXIX] || 1947

* DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO AO RECURSO INTERPOSTO PELO CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS NA AUDITORIA ADMINISTRATIVA DE LISBOA || 16/08/1947 *

Em 28 de Junho de 1947, o CNMP foi proibido por despacho do Governador Civil de Lisboa, Mário Madeira, tendo a sua sede sido encerrada.

Em 23 de Julho, Maria Lamas, na qualidade de Presidente do CNMP, interpôs recurso para a Auditoria Administrativa de Lisboa que suspendeu, provisoriamente, o despacho do Governador Civil.

O Governador Civil recorreu para o Supremo Tribunal Administrativo, tendo este revogado a decisão da Auditoria Administrativa de Lisboa, considerando que este não tinha competência para decidir sobre o recurso apresentado pelo CNMP.

Esta decisão data de 16 de Agosto de 1947.

Em 1 de Outubro, Maria Lamas tentou interpor recurso directo perante o Supremo Tribunal Administrativo, o qual não foi aceite "por haverem já passado vinte dias sobre a notificação ao Conselho da decisão recorrida."



terça-feira, 10 de outubro de 2017

[1662.] MARIA LAMAS || EXPOSIÇÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

* MULHERES, PAZ, LIBERDADE // MARIA LAMAS *

|| ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA: 19 de Outubro a 6 de Dezembro | Piso 0 ||


A Assembleia da República e o Município de Torres Novas promovem a exposição "Mulheres, Paz, Liberdade // Maria Lamas", uma exposição que evidencia as lutas, as causas e a acção da escritora e activista política, dos anos 20 do século XX ao 25 de Abril de 1974.

A mostra inaugura no dia 19 de Outubro, após as 18 horas, com a participação do Conservatório de Música do Choral Phydellius. 

No mesmo espaço, será lançado do livro "Maria Lamas, mulher de causas (biografia breve)", de José Gabriel Pereira Bastos.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

domingo, 14 de fevereiro de 2016

[1347.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXXII] || COIMBRA [VI] || FIGUEIRA DA FOZ [II]

* CNMP || COIMBRA || FIGUEIRA DA FOZ || 1946 *

|| CARTA DE MARIA LAMAS, DATADA DE 21 DE AGOSTO, A MARIA DA NATIVIDADE PINHEIRO CORREIA, INFORMANDO-A DA POSSÍVEL DESLOCAÇÃO A COIMBRA E À FIGUEIRA DA FOZ ||
[AP/JE || Cópia cedida por Natividade Correia em Fevereiro de 1998]

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

[1341.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXVII] || COIMBRA [II]

* CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || COIMBRA || 1946 *

Carta subscrita por 113 mulheres de Coimbra e enviada a Maria Lamas, enquanto Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a solicitar a criação de uma Delegação na região centro.

[AP/JE || A cópia desta carta manuscrita foi gentilmente enviada pela Dr.ª Natividade Correia em Fevereiro de 1998]
Esta carta, com as respetivas subscritoras, foi publicada na revista Alma Feminina, órgão do CNMP, no número de Maio de 1946.

Publica-se o nome dessas 113 mulheres segundo a lista manuscrita cedida pela Dr.ª Natividade Correia. Pode haver algumas incorreções nos nomes, sendo de referir pequenas diferenças em relação à listagem saída naquela publicação. 

Para facilitar a pesquisa, os nomes estão por ordem alfabética. São "mulheres, muitas, hoje totalmente desconhecidas ou talvez até arrependidas do seu ato, outras de prestígio na sociedade atual, mas tendo todas demonstrado grande coragem numa época de ditadura fascista e de completo desprezo pelos direitos da mulher" [NC, 24/02/1998]. 

1. Adelaide de Almeida [doméstica].
2. Adelaide Ramos Pamplona.
[Nasceu no Bombarral em 20/06/1887 e casou com António Franco Pamplona (1893-1974); as filhas Maria Fernanda e Maria Manuela também subscrevem o documento.]
3. Adélia Rosales Marques de Almeida [doméstica].
[Filha de José Marques de Almeida e de Adelaide Rosales de Almeida, nasceu em Lisboa a 27 de Novembro de 1914. Foi sócia, por proposta de Maria Joana Rosendo Dias, do núcleo local da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Familiar de Judite e Odete Rosales Marques de Almeida, que assinam este mesmo documento. O nome Rosales também surge com a grafia Rosalles.] 
4. Alice de Quadros Figueiredo [estudante].
[Poderá ter casado com o professor primário Abílio dos Santos Costa Simões que lecionou em escolas nos municípios de Anadia e Nazaré; residiu muitos anos em Mogofores (Anadia); e foi provedor honorário da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, terra onde faleceu em 28 de Março de 2014, com 85 anos de idade.]
5. Aldina Neves de Pinho [estudante].
[Nasceu em Aveiro, em 22/07/1924. Frequentou, a partir do ano letivo de 1946-1947, a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, tendo concluído o Curso Profissional em 25 de Julho de 1950.]
6. Alzira Bouchet Gomes Simões [licenciada em Matemáticas].
[Professora, lecionou no Liceu Alexandre Herculano nos anos letivos de 1958-1959 e 1959-1960.]
7. Amália Santiago da Silva Soares.
8. Ângela Maria da Silva Venâncio Ferrer [licenciada em Letras].
9. Angelina Vaz Morais [estudante da Faculdade de Letras].
10. Armanda Fernandes Ferreira da Costa [doméstica].
[Filha de Francisco António Bichão e de Carmina Fernandes Bichão, nasceu em Ílhavo em 5 de Fevereiro de 1910. Casada, tornou-se no mesmo período, por intermédio de Maria Joana Rosendo Dias, sócia do núcleo de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz.]
11. Arménia Correia Duarte [estudante].
12. Áurea de Jesus Ribeiro [estudante de Farmácia].
13. Aurora Godinho Moreira [licenciada em Físico-Químicas].
[Licenciada em Ciências Físico-Químicas. Filha de Emídio Duarte Moreira, natural de Avelar, concelho de Ansião (Leiria), frequentou a Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra entre os anos letivos de 1938-1939 e 1942-1943.]
14. Balbina da Costa Braga [doméstica].
[Filha do comerciante de Coimbra Miguel José da Costa Braga e irmã de Luísa da Costa Braga. A sobrinha, Maria Luísa Isabel Braga Temido, também subscreveu este documento.]
15. Beatriz Mendes Arnaut de Almeida.
16. Branca de Araújo Franqueira de Oliveira Pegado [doméstica].
17. Branca de Sousa Ferreira [doméstica].
18. Branca Rosa Valença Marques Pinto [estudante].
19. Carmen de Assunção Rodrigues Ribeiro Crespo [mestra do Ensino Técnico Profissional].
20. Celeste Araújo Pereira e Sousa [estudante].
21. Celeste da Cruz David dos Reis e Cunha.
22. Celeste Teles de Almeida Costa [professora].
23. Celeste Teles de Oliveira [doméstica].
24. Ernestina Batista Miranda [doméstica].
25. Esmeralda Braancamp Mancelos da Silva [estudante].
26. Glória Mendes dos Santos [estudante].
27. Gracilda Gouveia Carneiro [estudante].
28. Guilhermina Carrajola Namorado [diplomada com o curso da Escola Normal].
[Diplomada com o Curso da Escola Normal. Filha de António Eugénio da Silva Carrajola, militar natural de Vila Nova de Gaia, ficou órfã de mãe muito cedo e estudou no Instituto de Odivelas. Frequentou, em 1940-1941, o primeiro ano Ciências Históricas e Filosóficas da Universidade de Coimbra, onde foi colega de curso de João José Cochofel. Casou, em 1942, com Joaquim Namorado [1914-1986], poeta, matemático e militante comunista desde os anos 30. Guilhermina Carrajola Namorado participou na fundação, em 1942, do núcleo de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Conviveu com as principais ativistas das delegações locais de Associação Feminina Portuguesa para a Paz e do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Em 1931, o pai, tenente do Quadro Auxiliar de Artilharia, foi alvo de um processo político.]
29. Guiomar Alice Figueiredo Paixão e Costa [doméstica].
30. Inoi Aires de Andrade [doméstica].
31. Isaura de Castro César da Silva [estudante].
32. Judith Rosales Marques de Almeida [doméstica].
33. Julieta Ribeiro de Carvalho [professora do Ensino Particular].
34. Luciana Navarro Duarte Pedro.
35. Lucinda Mariana Gomes Franco [farmacêutica].
36. Madalena Coelho Marques de Almeida [licenciada em Germânicas].
37. Manuela Trindade Neto [parteira].
38. Margarida de Vasconcelos Matias Féria [doméstica].
39. Maria A. C. de Campos.
40. Maria Adelaide Cristina da Silva [estudante].
41. Maria Adelina de Queiroz B. Campos.
42. Maria Aida Fernandes Gerardo Vaz [estudante].
44. Maria Alice Ribeiro Correia [estudante].
45. Maria Alzira de Moura Pires Machado [estudante].
[Filha de José Pires da Silva Machado, empregado bancário, e de uma professora do ensino oficial, nasceu em Cernache, em 28 de Novembro de 1929. Em 1946, quando seria estudante liceal, fez parte do grupo que subscreveu o documento a solicitar à Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Maria Lamas, a formação de uma delegação em Coimbra. Matriculou-se na Faculdade de Letras (e não de Direito como escreveu Henrique Gariso) da Universidade de Coimbra no ano letivo de 1948-1949, quando tinha 19 anos, e licenciou-se em Filologia Germânica em 1955, com 12 valores. Irmã de José Manuel de Moura Pinto Machado, que frequentou a Faculdade de Direito a partir do ano letivo de 1950-1951 e casou com Jaime Moura Botelho Antunes [1929-2009], colega do irmão. É autora da peça infantil ilustrada Natalinho.]
46. Maria Antónia Pereira Martinho Ferrão [licenciada em Letras].
47. Maria Augusta Campos [estudante].
48. Maria Augusta Cancela de Amorim [professora dos liceus].
[Frequentou, nos anos lectivos de 1922-1923 a 1925-1926, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.]
49. Maria Benedita Albuquerque [doméstica].
[Casada com o historiador e professor universitário Luís de Albuquerque (Luís Guilherme de Mendonça Albuquerque), 1917-1992.]
50. Maria Celeste da Silva Tavares Pinto [estudante].
[Filha de António Tavares Pinto, nasceu em Coimbra. Estudou, no final da década de 40, entre 1948-1949 e 1950-1951, na Escola de Farmácia da Universidade de Coimbra, tornando-se farmacêutica em Unhais da Serra (Farmácia Estrela). Irmã de Maria de Fátima da Silva Tavares Pinto que integrou o mesmo grupo. Com o casamento, acrescentou o apelido Ribeiro ao nome.]
51. Maria da Anunciação Almeida Oliveira [estudante].
[Estudante de Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra quando integrou o numeroso grupo de mulheres da região centro que, em 1946, subscreveu o documento a solicitar a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a formação de uma delegação naquela cidade. Casou com Joaquim Rosado Carmelo Rosa (Évora, 06/10/1920 – Lisboa, 21/10/2001) que fez parte da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra eleita na Assembleia Magna de 13 de Dezembro de 1944 e que seria demitida poucos meses depois, em maio de 1945, pelo governo salazarista. A Direção era presidida por Francisco Salgado Zenha e Joaquim Rosado Carmelo Rosa era o Secretário. Na Tese de Licenciatura de Maria da Anunciação, intitulada História breve do romance gótico, aparece já o nome de casada: Maria da Anunciação de Almeida Oliveira Carmelo Rosa. O marido foi um conceituado arquivista e bibliotecário, tendo trabalhado na Biblioteca Pública de Évora (1949) e na Assembleia Nacional durante 18 anos, onde cessou funções no final da década de 60 por ter sido provido no cargo de Chefe da Secretaria do Secretariado Técnico da Presidência do Conselho.]
52. Maria da Anunciação Trindade Pinharanda. 
54. Maria da Luz Elias Casanova [doméstica]. 
55. Maria da Natividade de Pinheiro Correia [doméstica].
[Filha de Natividade Pinheiro, nasceu a 9 de Fevereiro de 1922. Estudou em Coimbra, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas e fez o curso de Ciências Pedagógicas. Casada com António Correia, foi recrutada com este para o Partido Comunista em 1942, por intermédio de Fernando Pinto Loureiro, usou o pseudónimo “Maria” e desenvolveu importante papel político de retaguarda em Coimbra, nomeadamente  aquando da organização, em Julho de 1946, do II Congresso Ilegal numa casa da Lousã. Nesse mesmo ano, foi em sua casa que Álvaro Cunhal, então na mais rigorosa clandestinidade, recuperou parcialmente de uma operação de urgência motivada por uma apendicite aguda.] 
56. Maria da Natividade Mateus das Neves [estudante].
57. Maria de Fátima da Silva Tavares Pinto [estudante].
[Filha de Amélia da Silva Pinto e de António Tavares Pinto, nasceu a 8 de maio de 1929 em Coimbra, freguesia de Santa Clara. Provável irmã de Maria Celeste da Silva Tavares Pinto, subscritora da mesma petição.]
58. Maria de Lurdes Castro Lopes Duarte Pedro.
59. Maria de Lurdes Nascimento Duarte Braga Temido [professora de piano].
[Professora de piano. Casada com o médico comunista e oposicionista Mário Armando Braga Temido (freguesia de S. Bartolomeu, Coimbra, 03/12/1914 – Coimbra, 03/10/1980), preso em 1949. Segundo Manuel Bontempo, que a conheceu e conviveu com o casal, era uma “exímia pianista”, “fez arranjos corais para as peças de Gil Vicente que o marido dirigiu e levou por terras do distrito de Coimbra incluindo elementos telúricos” e também sofreu, enquanto professora, consequências políticas da prisão do marido. O marido exerceu clínica em Pereira (concelho de Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra), sendo conhecido como o “médico do povo”, acontecendo “também, ser, muitas vezes, chamado durante a noite para prestar apoio aos enfermos, rumando imediatamente a Pereira com a companhia da sua esposa, D. Maria de Lurdes” [http://paudecanelaementa.blogspot.pt/2009/12/pessoas-bonitas-4.html]. Maria de Luirdes Braga Temido assina o pedido a Maria Lamas com o nome completo, apresentando-se como professora de piano. A cunhada, Maria Luísa Isabel Braga Temido, farmacêutica, também subscreveu o mesmo apelo.]
60. Maria de Lurdes Reis e Cunha.
61. Maria Delfina da Cunha Borges [licenciada em Germânicas].
[Professora particular. Filha de Maria Henrique de Cunha Borges e de Viriato Borges Pereira da Silva, nasceu em Setúbal em 16 de Abril de 1905. Licenciou-se em 1939, com 14 valores, em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequentou, nos anos letivos de 1938-1939 a 1941-1942, o Curso de Bibliotecário Arquivista, tendo-o concluído com 15 valores. Militou, no mesmo período, no núcleo local da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, a que aderiu por intermédio de Maria Joana Rosendo Dias. Traduziu do inglês, em colaboração com António Augusto Gonçalves Rodrigues, O poder e a glória de Graham Green (Lisboa, Gama, 1946).]
62. Maria do Carmo Alarcão Júdice [doméstica].
63. Maria do Carmo Canelas de Castro Duarte.
64. Maria do Céu de Jesus Santos [estudante]
65. Maria Elisa Montezuma de Carvalho Sá Marta [licenciada em Direito].
66. Maria Emília de Pina Cabral do Espírito Santo [doméstica].
67. Maria Fernanda Antão Pinto Loureiro [mestra do Ensino Técnico].
68. Maria Fernanda de Albuquerque Amaral [doméstica].
69. Maria Fernanda Pires Correia Mourão [estudante de Farmácia].
70. Maria Fernanda Ramos Pamplona.
[Filha de Adelaide Ramos Pamplona e de António Franco Pamplona (1893-1974), nasceu em 1927 e faleceu em 2013. Integrou, tal como a mãe e a irmã Maria Manuela, o grupo de mulheres da região centro que, em 1946, subscreveu o documento solicitando a Maria Lamas a formação de uma delegação em Coimbra. O nome de casada terá passado a ser Maria Fernanda Ramos Pamplona Costa Santos e viveu em Moçambique. O irmão, António João Ramos Pamplona (Marinha Grande, 1920), frequentou a Universidade de Coimbra no final da década de 30.]
71. Maria Fernanda Rocha de Morais.
72. Maria Gouveia Telo Gonçalves da Silva [proprietária].
[Casada com Mário Silva, professor universitário da Universidade de Coimbra.]
73. Maria Guiomar Ferreira de Abreu e Lima [estudante].
[Nasceu no Machico, em 30 de Julho de 1926, e matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra no ano lectivo de 1944-1945, quando tinha 18 anos. Ainda estudante, subscreveu o documento enviado a Maria Lamas. Segundo o estudo de Henrique Gariso, concluiu o curso no ano lectivo de 1950-1951 e entre, pelo menos, 1962 e 1970, exerceu as profissões de advogada e notária em Melgaço.]
74. Maria Helena de Sousa Ferreira de Abreu e Lima [doméstica]. 
75. Maria Helena de Quadros Sampaio Gomes Madahil [estudante].
[Filha de Maria Margarida Teixeira Rebelo Veloso de Quadros Telles Sampaio Rio (Leiria, 08/06/1902) e de António Gomes da Rocha Madail (10/12/1893-1969), nasceu em Coimbra a 24 de Junho de 1926.] 
76. Maria Helena Moreira Álvares Pinto Loureiro [estudante da Faculdade de Letras].
77. Maria Helena Nogueira de Lemos [estudante].
78. Maria Helena Pereira Martins [estudante].
79. Maria Irene Fernandes Vaz [licenciada em Ciências].
[Licenciada em Ciências Biológicas. Natural de Sebal Grande, Condeixa-a-Nova, filha de António Vaz. Frequentou a Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra entre 1938-1939 e 1941-1942, concluindo a licenciatura em 1942.]
81. Maria Isabel de Campos Matos da Silva [estudante de Farmácia].
82. Maria Isabel Mallaguerra Franco [doméstica].
83. Maria Isabel Trindade Pinharanda [doméstica].
84. Maria Isabel Vieira Martins [estudante].
[Filha de António Martins da Cunha, nasceu em Oliveira do Conde, concelho de Carregal do Sal. Subscreveu, com a irmã Maria Luísa Vieira Martins, o documento solicitando a Maria Lamas a formação de uma delegação do CNMP em Coimbra. Frequentou, na segunda metade da década de 40, Ciências Histórico e Filosóficas e Ciências Pedagógicas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, licenciando-se em 1953.]
85. Maria Joana Rosendo Dias [professora de Educação Física].
[Filha de João Rosendo Dias e de Emília de Sousa Duarte, nasceu em Lisboa a 1 de Outubro de 1913. Subscreveu o documento solicitando a Maria Lamas a formação de uma delegação do CNMP em Coimbra. Posteriormente, em Outubro de 1950, foi eleita Vice-Presidente da Delegação de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, agremiação a que aderira por proposta de Gabriela Monjardino Gomes Nemésio. Angariou vários nomes para a AFPP e era familiar de Maria do Carmo Rosendo Dias.]
86. Maria José de Sousa Varanda [licenciada em Germânicas].
87. Maria José Horta e Costa Henriques.
88. Maria José Osório.
89. Maria José Osório dos Santos Carvalheira [estudante].
90. Maria José Vitorino Namorado [licenciada em Filosóficas].
[Professora no Liceu Infanta D. Maria, em Coimbra, na década de 50 (4.º grupo). Filha de Maria Augusta Dinis Vitorino e de Mário Marques Vitorino, natural de Alter do Chão. Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra entre 1936-1937 e 1941-1942, beneficiando de Bolsa de Estudos. Licenciada em Ciências Históricas e Filosóficas com a monografia Breves notas sobre o Bergsonismo (1942). Irmã de António (Medicina) (Alter do Chão, 14/02/1916 – Loureiro de Silgueiros, 16/07/1981), de Egídio (Ciências Físico-Químicas) (Alter do Chão, 1920 – Carcavelos, 1976) e de Joaquim Vitorino Namorado (Ciências Matemáticas) (Alter do Chão, 30/06/1914 – Coimbra, 29/12/1986), todos estudantes da Universidade de Coimbra e com atividade política oposicionista e os dois últimos com prolongada e destacada militância no Partido Comunista. Cunhada de Guilhermina Adelaide de Araújo Carrajola, que também fez parte da Delegação de Coimbra do CNMP, e de Maria Lúcia Ramos Frutuoso (26/04/1937-08/01/2011) que integrou a Delegação de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz.]
91. Maria Judite Pinto Mendes de Abreu [licenciada em Direito].
92. Maria Leonor Cardoso de Vasconcelos [estudante].
93. Maria Luísa Fonseca de Sousa Andrade [estudante].
94. Maria Luísa Isabel Braga Themido [farmacêutica].
[Natural de Coimbra, filha de Luísa da Costa Braga Temido e de Manuel Mário de Figueiredo Temido, comerciante, casados em Fevereiro de 1911. Frequentou a Escola de Farmácia da Universidade de Coimbra no início da década de 40. Já farmacêutica, integrou o numeroso grupo de mulheres da região centro que, em 1946, subscreveu o documento a solicitar a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a formação de uma delegação em Coimbra. Colaborou, em 1946-1947, com o MUD Juvenil local. Fixou-se, posteriormente, em Lisboa, onde terá falecido. O pai integrou, entre 1919-1922 e 02/01/1926-05/06/1926, a Vereação da Câmara Municipal de Coimbra; o irmão médico, Mário Armando Braga Temido [03/12/1914-03/10/1980], teve intensa atividade cultural e antifascista, sendo preso em 1949 por militância comunista; e a tia Balbina da Costa Braga, irmã da mãe, e a cunhada Maria de Lurdes do Nascimento Duarte, integraram o apelo feito a Maria Lamas. Irmã de Luís Augusto Braga Temido que frequentou, na mesma altura, a Faculdade de Coimbra (Direito).]
95. Maria Luísa Nogueira Seco [licenciada em Letras].
96. Maria Luísa Vieira Martins [licenciada em Germânicas].
[Professora. Filha de António Martins da Cunha, nasceu em Tourais, concelho de Seia. Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra entre os anos letivos de 1938-1939 e 1942-1943, licenciando-se em Filologia Germânica. Irmã mais velha de Maria Isabel Vieira Martins que também integrou o mesmo grupo. Lecionou, nos anos 40, no Liceu Bissaia Barreto - Figueira da Foz e, na década seguinte, no Liceu Rodrigues Lobo de Leiria (professora agregada do 3º grupo).] 
97. Maria Madalena Biscaia Farinha [licenciada em Matemáticas].
[Licenciada em Ciências Matemáticas. Filha de Lídia Maria Bagão da Silva Biscaia e de Severo da Silva Biscaia (Figueira da Foz, 04/12/1899-23/07/1987), que dirigia grupos de teatro, nasceu na Figueira da Foz em 28 de Abril de 1923, terra onde começou a estudar piano aos sete anos e completou o liceu, “tendo obtido a melhor nota na disciplina de Matemática no exame do 7.º ano, entre todos os alunos do país” (Marília Viterbo de Freitas). Frequentou, com distinção, a Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra na primeira metade da década de 40 (1940-1944), onde foi colega, entre outros, de Joaquim Namorado. Casou, em 17 de Setembro de 1944, com João José Lopes Farinha (Abrantes, 05/07/1910 – Paris, 19/10/1957), que se tinha evidenciado desde o final da década de 20, quando estudante de matemáticas da Universidade de Coimbra, e durante os anos 30 como antifascista ativo e militante comunista, com ligações à Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas. Em 1946, com o nome de Maria Madalena Biscaia Farinha, integrou o grupo de mulheres da região centro que subscreveu o documento solicitando a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a formação de uma delegação naquela cidade. Devido às suas atividades políticas, o marido foi preso pela Inspeção de Coimbra em 02/09/1936, foi transferido para Caxias em 25/10/1936 e saiu em liberdade em 7 de Dezembro por ter sido despronunciado pelo Tribunal Militar Especial. Foi novamente detido em 10/12/1936, sendo libertado em 08/03/1937. No entanto, durante a década de 40, aderiu ao salazarismo e retratou-se em carta de 16 de maio de 1949 enviada ao Diretor da polícia política, confirmando a PIDE de Coimbra, em missiva de 21 de maio de 1949, que estava completamente modificado e que “a sua esposa se tem mantido também, desde 1945, completamente alheia a assuntos políticos”. Em fevereiro de 1950 foi contratado para o desempenho das funções de 2º assistente além do quadro na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e faleceu em 1957, vítima de um enfarto de miocárdio, quando se encontrava em Paris com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para fazer o doutoramento em Ciências Matemáticas. Maria Madalena Biscaia Farinha começou a trabalhar na Fundação Calouste Gulbenkian em 1958, onde foi Diretora do Serviço de Música, e casou, em 1960, com José Henrique de Azeredo Perdigão (Viseu, 19/09/1896 – Lisboa, 10/09/1993), passando a ser referenciada como Madalena Azeredo Perdigão. Faleceu em Lisboa em 5 de Dezembro de 1989, com 66 anos de idade.]
98. Maria Manuela Delgado de Oliveira [estudante da Faculdade de Letras].
[Filha de Maria Celeste Pires Delgado e de Mário Augusto Delgado de Oliveira, nasceu no Porto, freguesia de Victória, em 4 de Dezembro de 1927. Em 1946, quando estudante de Ciências Históricas e Filosóficas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, integrou o grupo de mulheres que solicitou a Maria Lamas a formação de uma delegação do CNMP naquela cidade. Posteriormente, no início da década de 50, quando vivia no Porto, militou na Associação Feminina Portuguesa para a Paz: sócia nº 137, segundo manuscrito de Irene Castro, desempenhou, em 1950 e 1951, as funções de 1.ª Secretária da Assembleia Geral. A cota de 3$50 seria cobrada, segundo o mesmo documento, no Conservatório de Música. Em 29 de Abril de 1952 foi presa no Porto, posta à disposição do 1.º Juízo Criminal daquela cidade e libertada em 8 de Setembro por ter prestado a caução que lhe foi arbitrada. Por decisão de 25/05/1953, foi despronunciada (Proc. 88/1952). Irmã de Jorge Alberto Delgado de Oliveira (Porto, 10/06/1916), com militância comunista na década de 40. A cunhada, Alcinda da Conceição Ferreira de Moura e Sousa Delgado [de Oliveira], era também ativista da AFPP, sendo uma das suas fundadoras.]
99. Maria Manuela Ferreira de Abreu e Lima [funcionária pública].
[Familiar de Maria Guiomar e de Maria Helena de Sousa Ferreira de Abreu e Lima, que tiveram o mesmo percurso associativo.]
100. Maria Manuela Ramos Pamplona.
[Filha de Adelaide Ramos Pamplona (Bombarral, 20/06/1887) e de António Franco Pamplona (1893-1974), nasceu em 1924 e faleceu em 2006. Integrou, tal como a mãe e a irmã Maria Fernanda o grupo que solicitou a Maria Lamas uma Delegação do CNMP em Coimbra.]
101. Maria Margarida de Bulhões Magalhães Mexia Salazar.
[O nome transcrito na revista Alma Feminina e referenciado por Natividade Correia é Maria Margarida de Bulhões Magalhães Mexia Salazar, mas pode tratar-se de Margarida de Bulhões Proença de Magalhães Mexia (Lousã, 28/02/1904 – Coimbra, 30/07/1974). Filha de Maria José Barros de Magalhães Mexia de Macedo Pimentel (Vila Nova de Pussos, Alvaiázere, 28/08/1873) e de Fernando Carlos Pinto de Campos de Magalhães Mexia (Lousã, 08/07/1876), casou aos 19 anos de idade, em 8 de Setembro de 1923, com Fernando de Faria Vessadas Salazar.]  
102. Maria Martins Pereira de Sá Marta [doméstica]
103. Maria Miquelina Neves Coelho [doméstica].
104. Maria Olívia do Nascimento Duarte [doméstica].
105. Maria Quadros de Morais Sarmento [licenciada em Físico-Químicas].
106. Maria Raquel Santos Oliveira Ribeiro [estudante].
107. Maria Rita Trindade Pinharanda [doméstica].
108. Maria Virgínia Nogueira Seco [licenciada em Matemática].
[Professora. Nasceu em Coimbra em 1923 e faleceu em 2013, filha de Júlio Nogueira Seco, empregado dos correios. Frequentou, a partir do início da década de 40, a Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, licenciando-se em Ciências Matemáticas. Irmã de Maria Luísa Nogueira Seco, licenciada em Filologia Germânica e que pertenceu ao mesmo núcleo. Casou com José Machado Gil, também professor de matemática e mãe do médico psiquiatra José Augusto Seco Machado Gil (Coimbra, 13/03/1953 – Joanesburgo, 15/06/1996).]
109. Odete Rosales de Almeida [doméstica].
110. Osita Ribeiro [estudante]
111. Sofia Amélia Baptista d’Ornelas.
112. Sofia de Jesus Ribeiro [doméstica].
113. Trindade Gama Matutino [estudante].

[João Esteves, 11/02/2016]

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

[1258.] MARIA EUGÉNIA CUNHAL [I] || 1927 - 2015

* MARIA EUGÉNIA CUNHAL *
[17/01/1927 - 10/12/2015]

Filha de Mercedes Simões Ferreira Barreirinhas 05/05/1888 - 12/09/1971] e de Avelino Henriques da Costa Cunhal [28/10/1877 - 19/12/1966], advogado nascido em Seia, e irmã de Álvaro Cunhal, Maria Eugénia Cunhal nasceu em Lisboa em 17 de Janeiro de 1927.

Presa em 2 de Fevereiro de 1945, quando tinha apenas 18 anos, como forma de pressionar a família e o irmão, então muito procurado pela PIDE, seria libertada durante a noite em resultado da atitude da mãe, que se recusou a abandonar a sede da polícia política sem levar a filha. Tal procedimento por parte da PIDE, que também deteve o pai, mas por vários meses, esteve na origem de uma carta denúncia de Álvaro Cunhal ao Ministro da Justiça. 


14 anos mais nova do que o irmão, acompanhou-o sempre na atividade cívica e política e, para além da militância comunista, Maria Eugénia Cunhal aderiu muito nova ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, tendo participado em várias reuniões sob a direção de Maria Lamas, e fez parte da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. 

Mãe de Pedro [08/09/1950 - 1999], Miguel [1951-2006: publicou, em 1999 e 2001,  Esboços - Antifascistas relatam as suas experiências nas prisões do fascismo], Duarte e Joana, os dois primeiros prematuramente desaparecidos. 

Em 13 de Junho de 2006, Júlia Coutinho, no seu blogue As causas da Júlia, publicou a seguinte carta de Álvaro Cunhal para Maria Eugénia e que, com a devida vénia, aqui se transcreve:

«Moscovo, 1 de Março de 1966

Minha muito querida irmã:

Terríveis notícias me chegaram nos últimos tempos: o suicídio do Fernando [Fernando Manuel da Rocha Medina (15/03/1924 - 09/09/1965), médico psiquiatra], a Morte do Pai. Que te posso dizer das lágrimas que chorei e choro, e de todas as razões delas, e das mil inquietações para que não tenho resposta? Por via indirecta, recebi as duas notícias. Secas, sem qualquer referência a mais. Nada mais sei, a não ser o que suponho.

A grande distância, o não ter visto mais o Pai, o não ter podido dizer-lhe um último adeus e uma última palavra, são dores irreparáveis. Sofreste mais de perto, querida irmã, mas não isto. E o que ele terá sofrido. Esforçado e paciente decerto, mas decerto também inconformado e profundamente triste. Perdemos a pessoa que mais nos amava, que melhor nos compreendia e a quem devemos elevadas lições de honestidade e isenção pessoal. Por isso não perdemos tudo. Apenas lamento, se ele o não sabia.

Chorando os mortos, penso nos vivos, querida, muito querida irmã. Penso em ti, na mãe cega, nos teus filhos, na vossa situação. Que posso eu fazer por vós? Eu sei (e é necessário que tu saibas também) que algo posso fazer. Continuo a ser o teu irmão infinitamento amigo, o teu irmão de sempre. Conta comigo, querida irmã. 

À nossa pobre mãe, diz que vos escrevi algumas linhas, que sofro por não vos ter dado o muito que gostaria de dar-vos e que por isso me perdõem, se é coisa de perdoar. Diz-lhe mais, atribuindo-me a mim, todas aquelas palavras que entendas que a podem auxiliar. Do coração to agradeço, a ti a quem coube o leme de tão amargas situações.

Neste momento, quero dizer-te alguma coisa mais: olha para o futuro! Não descreias da vida e da alegria! Tem forças para recomeçar, se de recomeçar se trata!

Peço-te, querida irmã, que procures escrever-me algumas palavras, se não do que se passou (por te ser demasiado penoso) ao menos do que se passa. Eu não sei se esta carta te chegará às mãos, dada a pessoa que a escreve, dado o país de onde vai e dado que nem certo estou dos endereços para onde a envio (que em tempos me disseram ser o teu e o do Pai). Tenho porém uma certa esperança em que a venhas a receber. E, se a receberes, tenta escrever-me. A direcção é simples: 
URSS - Moscovo 132
Hotel
Álvaro Cunhal

É o bastante e, tratando-se como se trata, de questões familiares e questões desta natureza, pode ser que a tua carta me chegue.

Querida, muito querida irmã: um grande, grande abraço, aquele que gostaria de poder dar-te neste momento de profunda tristeza.
Repito ainda: não desanimes, olha em frente, olha para a vida e confia.
Com a imensa ternura do teu irmão
Álvaro»

[Jornal de Letras, Junho de 2004 || Fotografia de João Ribeiro]

Em Junho de 2004, Maria Leonor Nunes publicou no Jornal de Letras o texto "Maria Eugénia Cunhal: Palavras resistentes".

[Jornal de Letras, Junho de 2004]

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

[1194.] ETELVINA LOPES DE ALMEIDA [IV] || 1916 - 2004

* ETELVINA LOPES DE ALMEIDA *
[Serpa, 17/03/1916 – Tábua, 30/04/2004]


[Fontanelas]

O nome de Etelvina Lopes de Almeida merece atenção não só pelo percurso profissional e enquanto escritora, mas também enquanto lutadora pelos direitos das mulheres, oposicionista à Ditadura e construtora de um país livre, nunca, mesmo em tempos difíceis, sombrios e adversos, deixando de intervir enquanto cidadã.

Nascida em 1916, em Serpa, filha de dois professores primários, fez a instrução primária em Idanha-a-Nova e, depois de um percurso atribulado, a família fixou-se em Lisboa, tendo então frequentado o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho e um colégio interno, em Queluz. 

Naquele Liceu foi aluna de Olímpia Perry Vidal Pereira Bastos - filha do republicano e militar João Pereira Bastos - que tinha sido ativista, quando estudante, da Associação de Propaganda Feminista e que militou, na década de 40, no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas [integrou, entre 1940 e 1943, a Secção de Literatura, com as ativistas Leontina Hogan, Maria da Luz Albuquerque, Maria da Luz de Deus, Maria Lamas e Teresa Leitão de Barros]. 

Afirmou-se profissionalmente na Rádio Renascença e, seguidamente, na Emissora Nacional, onde foi afastada por motivos políticos, tendo ainda sido chefe de redação da revista Modas & Bordados, onde colaborou e trabalhou com Maria Lamas.

Enquanto mulher atenta aos problemas e dificuldades das outras mulheres, aderiu, em 1945, ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidido por Maria Lamas e onde Sara Beirão tinha tido igualmente um papel relevante.

Assistiu a várias reuniões, disso dando conta as respetivas atas, esteve representada com O tontinho da esquina na Exposição Livros Escritos por Mulheres, iniciativa do Conselho realizada na Sociedade Nacional de Belas Artes em Janeiro de 1947, e participou nas conferências então realizadas, juntamente com Maria Lamas, Fernanda Tasso de Figueiredo, Maria Palmira Tito de Morais, Maria Helena Lucas, Alice Maia Magalhães, Maria Alda Nogueira, Joana Campino Miguel, Carmen Dolores, Manuela Porto, Maria da Luz Espírito Santo, Maria Valentina de Sousa, Maria Teresa Ana de Neves, Benvinda Caires e Amália Neves.

No dia 8 de Janeiro, Etelvina Lopes de Almeida e Carmen Dolores leram textos e declamaram poemas de várias autoras, cujos perfis foram esboçados por Joana Campina Miguel.

Terá militado também na Associação Feminina Portuguesa para a Paz, ambas agremiações encerradas e proibidas pela Ditadura.

A sua consciência política levou-a a enfrentar publicamente essa mesma Ditadura: aderiu, em 1945, ao MUD – Movimento de Unidade Democrática; subscreveu, em 1948, um documento a solicitar o fim da censura e a libertação dos presos políticos, sendo, por isso mesmo, afastada da Emissora Nacional no ano seguinte; participou nas campanhas de Norton de Matos e do general Humberto Delgado; e, em 1962, denunciou a Guerra de África, sendo, então, demitida da revista Modas & Bordados.

Foi ainda, segundo Maria Antónia Fiadeiro, uma mulher generosa, solidária e amável, nomeadamente aquando da prisão de Stella Piteira Santos em 1961.

Se a adesão ao associativismo feminino e as iniciativas contra a Ditadura já bastariam para que o nome de Etelvina Lopes de Almeida ficasse registado na História, em 1969 integrou o grupo restrito de mulheres que fizeram parte das listas da oposição candidatas à Assembleia Nacional.

Depois de Lília da Fonseca ter sido o primeiro nome feminino a integrá-las em 1957, Etelvina Lopes de Almeida fez parte, juntamente com Joana de Barros e Sophia de Mello Breyner Andresen, das listas da CEUD dinamizadas por Mário Soares, colaborando e discursando em inúmeras iniciativas que os jornais República e Diário de Lisboa destacaram.

Na Fundação Mário Soares há várias fotografias dessa época e em que é percetível a presença de Etelvina Lopes de Almeida.

Tinha então 53 anos e era, a seguir a Raúl Rego, a candidata mais velha pelo círculo de Lisboa.

Em todo o país, foram apenas 11 as mulheres candidatas pela Oposição, sendo somente 25 as que integraram as suas listas entre 1945 e 1974.

O 25 de Abril de 1974 apanhou-a com 58 anos feitos, tendo Etelvina Lopes de Almeida continuado a revelar-se uma cidadã empenhada, interveniente e militante.

Foi reintegrada na Rádio em 26 de Julho de 1974, passou a chefiar, em 1975, o departamento da RDP Internacional e aderiu ao Partido Socialista, tendo sido uma das primeiras mulheres a ser eleita deputada para a Assembleia Constituinte de 1975 (cerca de 9% de mulheres) e, nas eleições subsequentes, para a Assembleia da República, sempre pelo distrito de Évora.

Numa intervenção feita na Assembleia Constituinte afirmou que a sua vida de antifascista começou aos 16 anos, «visitanto presos nas cadeias», tendo a sua mãe sido professora de Francisco Miguel e outros comunistas eleitos deputados «fizeram antifascismo dentro da minha casa com o meu pai» [fotocópia do Diário da Assembleia Constituinte cedida pela Dr.ª Edite Estrela].

Em 1993, presidiu em Estrasburgo a uma sessão do parlamento Europeu para idosos, de que resultou a Carta Europeia para os Idosos.

Revelou-se igualmente como escritora, tendo o conto Maria Verdade, editado em 1952, sido muito bem acolhido pela crítica e estado na origem de uma peça de teatro representada no Teatro de S. Luís.


Escreveu, ainda, Bia Calatroia, «a história de uma mulher sofrida, igual a tantas outras» centrada no Alentejo (1948), Histórias que o mundo conta, bem como o conhecido ABC da Culinária, apreendido pela PIDE na grande confiscação feita nos armazéns da editora Europa-América.


Enquanto escritora, integrou, em 1959, a direção da Sociedade Portuguesa de Escritores presidida por Jaime Cortesão.

Em 1995, foi agraciada pelo Presidente da República Mário Soares com a Comenda da Ordem de Mérito

Fez parte da Associação das Mulheres Socialistas, que a homenageou em 1994, e manteve a mesma militância política até ao fim, tendo dedicado os últimos anos de vida à Fundação Sara Beirão – António Costa Carvalho, em Tábua, instituição fundada por si e pelo amigo e correligionário Igrejas Caeiro. 

Diga-se, num aparte, que Sara Beirão foi uma das militantes da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas em Tábua, ainda antes da implantação da República, e integrou a direção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas nos anos 30 e 40.

Em 2001, três anos antes do seu desaparecimento físico, Etelvina Lopes de Almeida declarou num autorretrato feito para a revista Faces de Eva que «Não lamento nada do que me aconteceu. Quero que se saiba que não trocava a minha vida por nada».

Faleceu em 2004, a 30 de Abril, em Tábua, 20 anos depois de se ter aposentado da RDP.

[João Esteves ||
19 de Novembro de 2015]