[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 14 de fevereiro de 2021

[2496.] JOSÉ MARQUES CENTEIO [I] || ASSASSINADO PELA PIDE EM 11/02/1957

 * JOSÉ MARQUES CENTEIO *

[1934/35 - 11/02/1957]

Atropelado mortalmente por uma viatura da PIDE em 11 de Fevereiro de 1957.

[José Marques Centeio || Fotografia do Arquivo de Ricardo Hipólito, recolhida em FNM]

Em 11 de Fevereiro de 1957, com apenas 22 anos, José Marques Centeio foi atropelado mortalmente por uma viatura da PIDE no entroncamento da Tapada com a Estrada do Campo para Alpiarça, quando se deslocava de bicicleta com um grupo de camaradas de trabalho. 

Embora estivesse na tropa, nas Caldas da Rainha, continuava a trabalhar no campo quando estava livre, vindo naquele dia da poda das vinhas no Campo do Rossio, nas imediações da Ribeira de Santarém [Ricardo Hipólito].

A GNR de Alpiarça ainda prendeu Jaime Queimadela e António Paulos, dois colegas que o acompanhavam, por tentarem impedir que o carro que tinha provocado o acidente abandonasse o local. A pedido de Jaime Queimadela, a sua esposa entrou em contacto com José Faustino Rodrigues Pinhão, um antifascista muito conhecido em Alpiarça, tendo já estado preso que, por sua vez, falou com o advogado Humberto Lopes, outro oposicionista da Santarém e militante do Partido Comunista.   

Segundo o Avante! da 2.ª Quinzena de Março de 1957, o carro iria «a mais de 100 quilómetros à hora» e José Centeio era «um democrata de Alpiarça»; Ricardo Hipólito identifica-o, baseado em companheiros de luta, como sendo há algum tempo militante do Partido Comunista.

[João Esteves]

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

[2248.] ARMINDA DOS SANTOS SOARES [II] || PRESA EM 1953

* ARMINDA DOS SANTOS SOARES *
[N. 07/12/1917 ]

[Arminda Lopes Soares || 26/12/1953 || ANTT || RGP/21435 || PT-TT-PIDE-E-010-108-21435]

Filha de Olívia dos Santos Espinho Soares e de Luís António Soares, antifascista que se opôs à ditadura salazarista, combateu na Guerra Civil de Espanha, disso dando testemunho Pedro Rocha, e na França ocupada. Foi preso e esteve internado num campo de concentração, de onde terá fugido e voltado ao combate contra os nazis. Terá sido condecorado pelo General de Gaulle enquanto herói da resistência francesa. No final da década de 1960, quando já era muito idoso e quando se encontrava a viver em Portela das Padeiras (Santarém), foi entrevistado para o Jornal do Ribatejo por João Matos Madeira e Helena Neves, estando presentes Alves Castela e Lino Ribeiro [informação retirada de um poste de João Matos Madeira no FB - FNM].

Irmã de Pedro dos Santos Soares [13/01/1915 - 10/05/1975], militante clandestino do Partido Comunista, Arminda dos Santos Soares nasceu em 7 de Dezembro de 1917, em Beringel - Beja.

Casou, no início da década de 1940, com o advogado escalabitano Humberto Pereira Diniz Lopes [17/10/1919 - 23/11/1984], jovem militante do Partido Comunista, embora na legalidade, passando o casal a revelar as mesmas opções políticas. 

Segundo Teresa Lopes Moreira, Arminda Soares envolveu-se, em 1944, na criação do Club Literário Guilherme de Azevedo e do Grupo Pró-Cultura dos Empregados no Comércio para fundar o primeiro jardim-de-infância em Santarém, projecto pioneiro que durou apenas três meses.

A partir de 1946, a militância política fez com que Humberto Lopes fosse várias vezes preso, passando Arminda Soares a visitá-lo, bem como ao irmão Pedro

[Arminda Lopes Soares || 26/12/1953 || ANTT || RGP/21435 || PT-TT-PIDE-E-010-108-21435]

Em 24 de Dezembro de 1953, Arminda Soares foi presa «por desobediência» quando estava a assistir ao julgamento do julgamento do marido, acusado de desenvolver propaganda do Partido Comunista através do Movimento Nacional Democrático, tendo sido condenado a dois anos e meio de prisão. Levada para os calabouços da 20.ª Esquadra da PSP, foi julgada em 26 de Dezembro no Tribunal da Polícia, sendo-lhe aplicada uma multa e suspendendo a pena de 15 dias de prisão correccional por dois anos. 

Quando Humberto Lopes e Pedro Soares se encontravam presos no Forte de Peniche e se preparou a fuga de Álvaro Cunhal, do irmão e de outros camaradas em Janeiro de 1960, Arminda dos Santos Soares constituía o primeiro sinal para a confirmar, através da visita dominical ao marido, o que não sucedeu pelo facto dos planos terem sido antecipados uma semana. 

[Arminda Lopes Soares || 26/12/1953 || ANTT || RGP/21435 || PT-TT-PIDE-E-010-108-21435]

Segundo Teresa Lopes Moreira, em texto no Correio do Ribatejo de 31 de Outubro de 2014, «o divórcio e a morte do irmão e da cunhada [Maria Luísa Costa Dias] num acidente [9 de maio de 1975] tornaram-na mais amarga, mas não quebraram os laços da militância».

Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado em 2013 pela CIG, inseriu a biografia possível de Arminda dos Santos Soares, constituindo um primeiro passo para a divulgação e estudo do seu percurso político. Por sua vez, os textos de Teresa Lopes Moreira no Correio do Ribatejo permitem redescobrir o percurso comum do casal.

Fonte:
ANTT, Registo Geral de Presos 21435 [Arminda dos Santos Soares / PT-TT-PIDE-E-010-108-21435].

[João Esteves]

sábado, 3 de janeiro de 2015

[0891.] ARMINDA DOS SANTOS SOARES [I] || UMA MULHER NOS PREPARATIVOS DA FUGA DE PENICHE (1960)

* ARMINDA SOARES *


|| UMA MULHER NOS PREPARATIVOS DA FUGA DE PENICHE A 3 DE JANEIRO DE 1960 ||

[Gravura de Margarida Tengarrinha segundo desenho de Álvaro Cunhal]

Filha de Olívia dos Santos Espinho Soares e de Luís António Soares, antifascista que se opôs à ditadura salazarista, combateu na Guerra Civil de Espanha, foi preso e esteve internado num campo de concentração em França aquando da Segunda Guerra Mundial.

Irmã de Pedro dos Santos Soares [13/01/1915-10/05/1975], militante clandestino do Partido Comunista.

Casou, no início da década de 1940, com o advogado escalabitano Humberto Pereira Diniz Lopes [17/10/1919-23/11/1984], jovem militante do Partido Comunista, embora na legalidade, passando o casal a revelar as mesmas opções políticas. 

Segundo Teresa Lopes Moreira, Arminda Soares envolveu-se, em 1944, no projecto do Club Literário Guilherme de Azevedo e do Grupo Pró-Cultura dos Empregados no Comércio para fundar o primeiro jardim-de-infância em Santarém, projecto pioneiro que durou apenas três meses.

A partir de 1946, a militância política fez com que Humberto Lopes fosse várias vezes preso nas cadeias políticas, passando Arminda Soares a visitar quer o marido, quer o irmão Pedro. 

Arminda também conheceu, temporariamente, a prisão durante dois dias, entre 24 e 26 de Dezembro de 1953, quando o marido estava novamente detido e condenado a dois anos e meio, acusado de pertencer ao Movimento Nacional Democrático.

Quando Humberto Lopes e Pedro Soares se encontravam presos no Forte de Peniche e se preparou a fuga de Álvaro Cunhal, do irmão e de outros camaradas em janeiro de 1960, Arminda dos Santos Soares constituía o primeiro sinal para a confirmar, através da visita dominical ao marido, o que não sucedeu pelo facto dos planos terem sido antecipados uma semana. 

Recorrendo novamente às palavras de Teresa Lopes Moreira, inscritas no Correio do Ribatejo de 31 de outubro de 2014, "o divórcio e a morte do irmão e da cunhada [Maria Luísa Costa Dias] num acidente [9 de maio de 1975] tornaram-na mais amarga, mas não quebraram os laços da militância".

Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado em 2013 pela CIG, inseriu a biografia possível de Arminda dos Santos Soares, constituindo um primeiro passo para a divulgação e estudo do seu percurso político. Por sua vez, os textos de Teresa Lopes Moreira no Correio do Ribatejo permitem redescobrir o percurso comum do casal.