[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 20 de abril de 2014

[0594.] FEMINAE [XXVI] || LETRA L

* FEMINAE || L *


0507. Lar da Boa Vontade [Cheshire Home] 
Lar de Santa Teresa - v. Asilo de Meninas Órfãs e Desamparadas
0508. Lar Internacional de Lisboa  
Laura Ayres - v. Laura Guilhermina Martins Ayres
0509. Laura Barbosa
0510. Laura Celeste Tavares Mendes Lemos
Laura Costa - v. Laura dos Santos Costa 
0511. Laura Cruz
0512. Laura dos Santos Costa
0513. Laura Fernandes
0514. Laura Fialho
0515. Laura Godinho
0516. Laura Gonçalves
0517. Laura Guilhermina de Menezes 
0518. Laura Guilhermina Martins Ayres
0519. Laura Santos
0520. Laura Saraiva Raio 
0521. Laura Sauvinet Bandeira
0522. Laura Simões
0523. Laura Tágide Roquete de Sequeira Tavares
0524. Laura Verediana de Castro e Almeida Soares 
0525. Laurinda Moraes Sarmento
0526. Leocádia Maria Serra
0527. Leonor da Câmara
0528. Leonor da Cunha de Eça Costa e Almeida
Leonor de Almeida - Leonor da Cunha de Eça Costa e Almeida
Leonor d’Eça - v. Leonor da Cunha de Eça Costa e Almeida
Leonor de Campos - v. Helena de Sousa Costa Belo Correia
0529. Leontina de Cabral Hogan
Leslie Baker - v. Gladys Mary Leslie Baker
0530. Libânia de Carvalho 
Liberdade Banha da Conceição - v. Bonequeiras de Estremoz
0531. Liceu D. Filipa de Lencastre
0532. Liceus Secundários Femininos em Portugal (1888-1906) 
Liga dos Direitos das Mulheres - v. Associações de Mulheres nas décadas de 70 e 80 do século XX
0533. Lina Cardoso
Lopo de Sousa - Pseudónimo de Ana Augusta Plácido.
0534. Lúcia Augusta Dias dos Santos 
0535. Lúcia Berner de Vasconcelos
0536. Lúcia de Jesus dos Santos
0537. Lucie Pauline Christiane Plá Norton 
Inglesa em Portugal.
0538. Lucília Assunção Moreira
0539. Lucília Simões
0540. Lucinda Augusta da Silva Borges
0541. Lucinda Conde
0542. Lucinda da Silva
0543. Lucinda do Carmo
0544. Lucinda Mariana Gomes Franco
0545. Lucinda Mendes [Saboga]
0546. Lucinda Pinto
Lucinda Simões - v. Lucinda Augusta da Silva Borges
0547. Lucinda Tavares 
0548. Lucrécia de Brito Berredo Furtado de Melo Arriaga
0549. Ludomila Mota Portocarrero
0550. Ludovina De Vecchi
0551. Ludovina do Carmo Pereira Neves 
0552. Ludovina Soares da Costa
0553. Luísa Adelaide Massey
0554. Luísa Augusta da Cunha Castro Meneses Pita 
0555. Luísa Cândida de Jesus
0556. Luísa Chagas da Costa
0557. Luísa da Conceição Paulo
0558. Luísa Emília Seixas Robertes
0559. Luísa Ferreira Ludovice
Luísa Fialho - v. Luísa Leopoldina Fialho
Luísa Grande - v. Luísa Susana Grande Freitas Lomelino
0560. Luísa Leopoldina Fialho
0561. Luísa Lopes
0562. Luísa Mafra
Luisa Maire - v. Maria Luísa Maire
0563. Luísa Meredith Read
0564. Luísa Rodrigues
0565. Luísa Susana Grande Freitas Lomelino 
Luna - Pseudónimo utilizado por Maria Carolina Frederico Cris-pim*.
0566. Lusitana Saial
Luz Veloso - v. Maria da Luz Veloso
0567. Luzia Campino
0568. Luzia Maria Martins

[Edição da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) / 2013]

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

[0458.] LUÍSA PAULO [II]


* LUÍSA DA CONCEIÇÃO PAULO *

Biografia Prisional
 
[Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, Presos Políticos no Regime Fascista II – 1936-1939, Mem Martins, 1982, pp. 374-375]

[0456.] LUÍSA PAULO [I]

* LUÍSA DA CONCEIÇÃO PAULO *
[25/12/1898-1966]


Tecedeira.

Nasceu em Lisboa a 25 de dezembro de 1898 e faleceu em 1966, com 67 anos de idade, após décadas de militância no Partido Comunista.

Começou a trabalhar aos 17 anos na indústria têxtil, onde se evidenciou nas lutas por melhores salários e condições de trabalho. Durante a I República, terá participado nas grandes manifestações e greves da CGT.

Casou-se, aos 19 anos, com Carlos Luís Paulo, pintor da construção civil, perseguido, várias vezes preso no Governo Civil de Lisboa e deportado para Angola em 1927, devido às suas posições políticas.

Dezoito meses depois partiu com a filha, Aida da Conceição Paulo, para África.

Regressadas a Portugal, mãe e filha desenvolveram intensa actividade conspirativa, com angariação de fundos para os presos políticos, que visitavam ao domingo.

Durante a Guerra Civil de Espanha, Luísa Paulo cuidou de quatro refugiados espanhóis em sua casa, enquanto continuava a trabalhar numa fábrica. Data desse período o início da militância activa no Partido Comunista, formando com a filha um dos pares com mais experiência da vida clandestina.

Presa com Aida Paulo a 27 de Maio de 1939, numa tipografia ilegal em Algés, manteve-se incomunicável numa esquadra até ser transferida, a 21 de Junho, para a Cadeia das Mónicas: julgada no Tribunal Militar Territorial em 19 de Outubro de 1940, foi condenada a vinte meses de prisão correccional, que cumpriu naquele estabelecimento, onde conviveu com presas de delito comum, e saiu em liberdade a 1 de Fevereiro de 1941.

Voltou à militância activa, passando imediatamente com a filha para uma casa na Chamboeira (Freixial, Loures), com Sérgio Vilarigues e, posteriormente, Álvaro Cunhal, de quem fazia de “mãe”.

Trabalhou nos serviços de apoio, participaram ao I Congresso Ilegal do PCP, realizado no Monte Estoril em 1943.

Tornou a ser detida em 1947, também numa tipografia, e com a filha, numa casa clandestina, a 2 de dezembro de 1958, data do último trio de fotografias que consta da sua Biografia Prisional.

Enviada para Caxias, foi julgada em 25 de fevereiro de 1960 pelo Plenário do Tribunal Criminal da Comarca de Lisboa e sentenciada a dois anos de prisão maior, suspensão dos direitos políticos durante 15 anos e a medida de segurança de internamento indeterminado de seis meses a três anos, prorrogável. Acabou por ser libertada em 5 de Julho de 1962, por se encontrar gravemente doente.

Aprendeu a ler e a escrever somente na clandestinidade, quando tinha mais de 40 anos. Maria Eugénia Varela Gomes, sua companheira de cela, descreve-a no livro Contra ventos e marés:

“A velha Luísa Paulo, a mãe Luísa, como lhe chamávamos. Era uma verdadeira operária. Só entrara para o Partido Comunista aos quarenta anos, já viúva, depois de uma vida de luta cá fora, e de caminhadas para as cadeias, a apoiar o marido e os amigos. Fora no partido que aprendera a ler, e a sua ânsia de se cultivar era comovedora. Inteligente, esperta como um alho, era capaz de pensar pela sua cabeça, e não havia demagogia nem artes oratórias que a dobrassem, enfrentando constantemente as intelectuais. Doentíssima, superava a doença com a sua energia indomável. Estudava, lia, fazia ginástica, apesar da sua idade avançada e de um coração que funcionava muito mal. Tive sempre o apoio dela, embora discreto. Só não se lhe podia falar em padres, porque perdia a cabeça. Viera da I República, e era de um anticlericalismo total” [MMC, Maria Eugénia Varela Gomes..., p. 233].

Considerada um símbolo da defesa das casas clandestinas durante três décadas, Rose Nery Nobre de Melo dedicou-lhe um capítulo no livro Mulheres Portuguesas na Resistência. Tal como a filha, o apelido aparece frequentemente como Paula.
[João Esteves]

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[0452.] AIDA PAULO [I]

* AIDA DA CONCEIÇÃO PAULO *
[09/12/1918-25/10/1993]

[Fotografia publicada por António Ventura, Memórias da Resistência – Literatura Autobiográfica da Resistência ao Estado Novo, Câmara Municipal de Lisboa, 2001]

Ajuntadeira de Calçado.

Filha de Luísa da Conceição Paulo, tecedeira, e de Carlos Luís Paulo, pintor da construção civil, nasceu em Lisboa, na Rua de Campo de Ourique, a 9 de Dezembro de 1918, e faleceu a 25 de Outubro de 1993, com 75 anos de idade.

Aderiu ao Partido Comunista Português em 1936, com apenas 18 anos, e manteve, tal como a mãe, duradoura actividade nas casas de apoio, sendo indissociável o percurso e cumplicidade de ambas na luta clandestina e durante as várias prisões.

Presa pela polícia política do Estado Novo (PVDE, PIDE) por 3 vezes, entre 1939 e 1967, duas das quais com a mãe.

A primeira detenção aconteceu com a mãe e Augusto da Costa Valdez (01/02/1914-1988) a 27 de Maio de 1939, numa tipografia clandestina em Algés. Transferida para a Cadeia das Mónicas a 13 de Junho, seria julgada pelo Tribunal Militar Especial a 19 de Outubro de 1940 e condenada a 12 meses de prisão e perda de direitos políticos por cinco anos [de 27/05/1939 a 27/10/1940 (Cadeia das Mónicas)].

Libertada, voltaria à militância, passando com a mãe para uma casa na Chamboeira (Freixial, Loures), com Sérgio Vilarigues e, posteriormente, Álvaro Cunhal. A filha e a mãe foram as duas únicas mulheres que, através dos serviços de apoio, participaram no I Congresso Ilegal do PCP realizado no Monte Estoril em 1943.

A segunda prisão deu-se quase 20 anos depois, numa habitação clandestina em Lisboa, na Rua Castilho, da qual resultou a condenação a dois anos e meio e a que correspondeu, na prática, a mais de 6 anos de reclusão [de 02/12/1958 a 14/01/1965 (Caxias)]. Foi, então, autora duma das treze cartas incluídas no manifesto enviado clandestinamente da Prisão de Caxias, datado de Maio de 1961, e dirigido às “organizações femininas e democráticas do mundo inteiro”, onde se fazia a denúncia das torturas e das precárias condições em que as presas políticas estavam encarceradas.

Abandonou a clandestinidade em 1965, para cuidar da mãe, gravemente doente.

A última detenção [de 28/07/1967 a 02/05/1968 (Caxias)] deu-se na legalidade, em Julho de 1967. Enviada incomunicável para a esquadra de Campolide e torturada pela PIDE, foi julgada a 2 de Maio de 1968, absolvida e imediatamente libertada.

Trabalhou no consultório da médica Julieta Gandra, na Rua Manuel da Maia, cujo conhecimento datava da prisão de Caxias, onde partilharam a mesma cela.

Pouco tempo depois da revolução de 25 de Abril de 1974, assinou o livro  Com a certeza de quem quer vencer e prestou depoimentos separados a Gina de Freitas [“E assim passavam os meses que se podiam somar por anos”, A Força Ignorada das Companheiras] e a Rose Nery Nobre de Melo [Mulheres Portuguesas na Resistência] sobre três décadas de vivência política clandestina, antes e depois da reorganização do PCP em 1940-1941, e as prisões sofridas. Neles, evocou a infância em Campo de Ourique, a aspiração de ser médica, a deportação do pai para Angola, em 1927, a leitura do jornal Avante! e a adesão ao PCP, actividades clandestinas, a família, a solidão, o isolamento, situações em que se deram as detenções, agentes envolvidos, interrogatórios, humilhações, condições prisionais, torturas e contacto com presas de delito comum, entre muitos outros aspetos.


O apelido surge na maior parte das vezes como Paula, inclusive na ficha prisional da PIDE e na capa do seu livro, editado em 1974, na coleção Episódios da Resistência Antifascista contados por quantos a viveram.
[João Esteves]