[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 31 de dezembro de 2022

[3135.] REGINA QUINTANILHA || COMISSÃO DA CONDIÇÃO FEMININA

 * REGINA QUINTANILHA *


Fotografia retirada de Mulheres portuguesas: Vidas e Obras celebradas - Vidas e obras ignoradas, da autoria de Maria Regina Tavares da Silva e Ana Vicente, Comissão da Condição Feminina.

[João Esteves]

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

[3087.] FRANCISCA DE ASSIS MARTINS WOOD || 1802 - 1900

 * FRANCISCA WOOD *

[04/10/1802 - 27/11/1900]

Francisca de Assis Martins Wood foi uma escritora com escassa obra publicada e que, no entanto, deixou marcas no periodismo feminino de caráter progressista. 

Nascida em Lisboa e casada com William Thorold Wood, viveu décadas em Inglaterra, de onde regressou ao fim de 35 anos para fundar e dirigir, em conjunto com o marido, primeiro, o jornal A Voz Feminina (janeiro de 1868-1869), “empenhado no desenvolvimento social e intelectual da mulher”, e, depois, O Progresso  (julho a dezembro de 1869), considerado por Ivone Leal “o primeiro jornal feminista surgido na Europa”. Aliás, no apelo lançado às mulheres portuguesas por Francisca Wood no primeiro número, os objetivos propostos eram quase revolucionários para a época:

“Não queiramos por mais tempo ser, o que até agora temos sido, - bonecas! Aos atrativos que a natureza nos deu, juntemos a preponderância que dá o saber. Às portuguesas não falta inteligência: falta-lhes o amor do estudo sério, falta-lhes o espírito de análise filosófica, não só sobre assuntos abstratos, mas até sobre os fenómenos mais familiares que nos circundam. Façamo-nos pois verdadeiros «Anjos do lar» mostremos ao mundo varonil que lhe não somos inferiores senão em força física. Trabalhemos, e a recompensa será um triunfo glorioso.” 

Nos dois periódicos, Francisca Wood evidenciou-se como uma intelectual progressista que, com colaboradores e leitores, procurava esbater a futilidade e a acefalia associadas ao sexo feminino, considerando-se que o atraso em Portugal derivava da deficiente e incipiente instrução e educação das raparigas e mulheres, com repercussões nas limitações que apresentavam e no desinteresse pela causa pública: A Voz Feminina continha na primeira página a frase “A mulher livre ao lado do homem livre”, enquanto o lema de O Progresso era “La justice soit faite, coûte que coûte”. 

Além da valorização da emancipação intelectual, económica, profissional e política dos dois sexos, sendo que a inteligência era um atributo idêntico a ambos, publicitaram-se documentos sobre os direitos das mulheres, o sufragismo e as carreiras profissionais, elucidando os leitores do que ocorria noutros países quanto aos avanços femininos. 

Neles, deram a conhecer ativistas como Victor Hugo, Jules Ferry, Charles Lemonier, Jules Simon, Garibaldi e as ideias do filósofo Stuart Mill, e do livro A sujeição da mulher, foram apregoadas, recomendadas e comentadas. 

Estava-se perante um avanço de duas décadas em relação às conceções da periodista Antónia Pusich, sendo que Francisca Wood pode ser englobada no grupo das pré-feministas da Europa e dos Estados Unidos. 

Segundo Ana Maria Costa Lopes, “ao lermos os artigos de A Voz Feminina (1868) e de O Progresso (1869) verificamos que este casal deu um contributo imprescindível para a internacionalização dos movimentos pré-feministas no nosso país, ao mesmo tempo que pôs certas entidades estrangeiras a par da situação portuguesa. Tanto eles como alguns dos colaboradores, tentaram fazer uma reflexão séria sobre uma questão prioritária, a da emancipação.” [Ana Maria Costa Lopes, “Francisca de Assis Martins Wood”, Feminae. Dicionário Contemporâneo]

Por sua vez, Maria Regina Tavares da Silva considera A Voz Feminina “um grito feminista”, “crítico da situação das mulheres, do seu confinamento doméstico e cultural, do vazio das suas vidas e interesses”, sendo que “iguais no nascimento e na morte, queremos ser iguais na vida…”. [Maria Regina Tavares da Silva, A Mulher, Bibliografia Portuguesa Anotada (1518-1998), Lisboa, Cosmos, 1999]

Não por acaso, a jovem Maria Amália Vaz de Carvalho recusou dar a sua colaboração, sendo da opinião “que as folhas diárias, as publicações efémeras, o jornal enfim, deve ser masculino, porque só homens têm o espírito positivo que esse género demanda”. [Ivone Leal, “A Voz Feminina”, Um século de periódicos femininos]

 Se o projeto jornalístico e o ideário de Francisco Wood não triunfaram na sociedade conservadora portuguesa, constituíram, no entanto, mais um avanço na passagem de algumas mulheres da esfera privada para a pública, antecipando as republicanas e as feministas novecentistas.

[João Esteves]

sábado, 27 de maio de 2017

[1603.] ZÍLIA OSÓRIO DE CASTRO [I] || 26/05/2017

* HOMENAGEM A ZÍLIA OSÓRIO DE CASTRO || BIBLIOTECA NACIONAL || 26 DE MAIO *

|| "FACES DE EVA E OS ESPELHOS DE CLIO" ||

|| ORADORAS: ANNE COVA | REGINA TAVARES DA SILVA ||

|| LEITURA DE POESIA: MARIA JOSÉ AREAL ||

 

[Biblioteca Nacional de Portugal || 26 de Maio de 2017]

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

[0854.] MARIA REGINA TAVARES DA SILVA // PRÉMIO DIREITOS HUMANOS


* JUSTÍSSIMO RECONHECIMENTO A MARIA REGINA TAVARES DA SILVA *



"A Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, no âmbito do «Prémio Direitos Humanos 2014», atribuiu a Regina Tavares da Silva uma das duas medalhas de ouro comemorativas do 50.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Regina Tavares da Silva foi presidente da Comissão da Condição Feminina (CCF) de 1986 a 1991, e da Comissão para a Igualdade e Direitos das Mulheres (CIDM) de 1991 a 1992. Por convite de Maria de Lourdes Pintasilgo, em 1974, integrou a primeira Comissão que em Portugal se ocupou das questões relativas à situação das mulheres e à não discriminação com base no sexo e, desde então até 2004, não mais deixaria de exercer funções nesta instituição. Segundo palavras da própria, [trata-se] de uma área de trabalho que em termos substantivos significava [e significa] uma nova visão de sociedade e das relações entre mulheres e homens, decisiva para o bem-estar, o desenvolvimento humano e o progresso da Humanidade.

Visionária e percursora, desenvolveu trabalho de especial complexidade em Portugal, na Organização das Nações Unidas e no contexto europeu. É-lhe reconhecido um percurso profissional, e pessoal, singular, tanto nacional como internacionalmente, em prol dos direitos humanos das mulheres, criando com isso mais sinergias para as questões das portuguesas, uma herança que ainda hoje se faz sentir na CIG.

Esta homenagem deve-se à presença incontornável de Regina Tavares da Silva na intervenção pelos direitos das mulheres e da igualdade de género enquanto direitos fundamentais e exigência da democracia, com vista a um desenvolvimento global mais equilibrado e justo.

A cerimónia terá lugar no dia 10 de dezembro (por convite) na Assembleia da República."

* * *
Autora de vasta bibliografia, Regina Tavares da Silva colaborou no Dicionário Feminino (séculos XIX-XX), editado pelos Livros Horizonte em 2005, e Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado pela CIG em 2013.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

[0824.] BIBLIOTECA ANA DE CASTRO OSÓRIO / CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO [V]

* 24 de Outubro de 2014 *
[IV]



[Homenagem a Carolina Beatriz Ângelo organizada pela UMAR a 16 de Abril de 2010, com a presença da bisneta e trineto daquela médica]




[Peças de Maria Borges [designer] e de Artur Madeira [joalheiro] alusivas à Exposição organizada pelo Museu da Guarda em 2010]





Existe ainda uma Banda Desenhada inédita sobre a vida de Carolina Beatriz Ângelo da autoria do Mestre José Ruy.

[João Esteves]

segunda-feira, 10 de março de 2014

[0538.] FEMINAE - DICIONÁRIO CONTEMPORÂNEO [VIII] || AUTORAS/AUTORES [06]

* FEMINAE *

AUTORAS || AUTORES


51. [M. R. T. B.] Maria do Rosário Themudo Barata.

52. [M. R. T. S.] Maria Regina Tavares da Silva.

53. [M. T.] Manuela Tavares.

54. [M. T. P. M.] Maria Teresa Pinto Mendes.

55. [M. T. S.] Maria Teresa Santos.

56. [M. V. F.] Marília Viterbo de Freitas.

57. [N. C.] Manuel Norberto Corrêa.

58. [N. M.] Natividade Monteiro.

59. [N. S.] Nuno Saldanha.

60. [O. G.] Odette Gonçalves.

61. [P. G.] Paulo Guinote.

62. [P. P.] Palmira Parente.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

[0250.] REGINA TAVARES DA SILVA || A MULHER. BIBLIOGRAFIA PORTUGUESA ANOTADA (1518-1998)

* REGINA TAVARES DA SILVA *

A MULHER. BIBLIOGRAFIA PORTUGUESA ANOTADA (1518-1998)

PREFÁCIO: MARIA DE LOURDES PINTASILGO

EDIÇÕES COSMOS || 1999

[Edições Cosmos || 1999]

Dando continuação aos seus estudos sobre o papel da mulher na sociedade portuguesa, Regina Tavares da Silva abalança-se, com esta última obra, ao trabalho ambicioso de apresentar o levantamento de cinco séculos de produção escrita específica sobre a situação e os problemas das mulheres.

Perante uma delimitação temporal e uma temática tão vastas, a autora explicita, com detalhe, os critérios por que se norteou, não deixando de alertar para a impossibilidade de garantir a “exaustividade absoluta” da pesquisa bibliográfica e, apesar de deixar de fora alguns géneros eventualmente importantes (manuais de civilidade; autobiografias e biografias; sexualidade), a «recolha efectuada é suficientemente ampla e significativa daquilo que, em Portugal, foi sendo dito e escrito sobre a mulher, e sobre as mulheres» [p. 7].

O resultado é a construção de um instrumento metodológico de inegável relevância, envolvendo um rol de cerca de milhar e meio de títulos e atravessando vários géneros, facultando-se ao leitor/investigador pertinentes resumos e anotações sintéticas sobre cada uma das monografias, acompanhados do local de consulta e das respectivas cotas.

Na sua pesquisa, Regina Tavares da Silva incluiu separatas, folhetos volantes, estudos que deixaram rasto, embora se desconheça o seu paradeiro, e não se esqueceu dos trabalhos de natureza académica, em nítido crescendo durante a última década. Teve ainda a feliz preocupação de esmiuçar as obras colectivas, abrangendo colóquios, congressos, seminários e outras reuniões científicas, sublinhando algumas comunicações e artigos que, de outra forma, seriam de difícil visibilidade.

Desta Bibliografia ressalta igualmente a valorização da Biblioteca, especializada, da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, contendo documentos únicos a nível de conferências, folhetos e pequenos estudos, sendo, por exemplo, possível encontrar fontes essenciais para o estudo de agremiações femininas (Cruzada das Mulheres Portuguesas; Grémio Feminino de Lisboa; Juventude Independente Católica Feminina; Liga Portuguesa Abolicionista; Movimento Democrático das Mulheres), incluindo a brochura de Ana de Castro Osório A educação Cívica da Mulher (1908), publicada pelo efémero Grupo Português de Estudos Feministas.

As entradas merecem redobrada atenção, já que proporcionam a clara percepção de como o discurso sobre a mulher mudou demasiado lentamente e, tal como salienta Maria de Lourdes Pintasilgo, autora do Prefácio, «ao olhar o que Portugal pensou e escreveu sobre as mulheres entre 1518 e 1998, esclarece-se toda uma herança que não pode deixar de estar ainda presente nas convicções, nos atavismos, nas reacções espontâneas da sociedade em que vivemos» [p. XI].

Aliás, e ainda como nota M. de Lourdes Pintasilgo, «se houve progresso, talvez ele tenha mais a ver com a contenção das palavras e até, é justo dizê-lo, com a evolução das leis, do que com as práticas directa ou subtilmente discriminatórias que atingem ainda hoje as mulheres» [p. XII].

Regina Tavares da Silva não se limitou à compilação e organização da recolha e propõe, numa Introdução minuciosa e bem fundamentada, a merecer cuidada reflexão, o agrupamento das monografias, em função do seu conteúdo, em três grandes grupos (obras de carácter laudatório ou de exaltação; obras de carácter didáctico e crítico; e obras sobre os direitos e a acção das mulheres), de forma a fazer ressaltar «as principais linhas sobre as quais o tema tem sido abordado ao longo dos tempos» [p. 14].

Já a II parte, bem mais pequena, mas não menos trabalhosa, corresponde à distribuição das obras analisadas por 17 temas abrangentes. [...]

Se esta Bibliografia é «um marco para a investigação sobre a representação das mulheres na história das ideias em Portugal» [p. XIV], também dá relevo a muitas das protagonistas que intentaram transformar a condição feminina na sociedade e que tiveram de enfrentar inúmeras adversidades para veicular as suas aspirações a uma plena cidadania. No entanto, não se pode deixar de reafirmar que a parte mais significativa da sua intervenção em prol de um novo estatuto para as mulheres reside em artigos publicados na imprensa, atingindo, só na primeira década do século XX, várias centenas.

Pelo rigor, diversidade, comentários e pistas que contém, trata-se de um guia precioso para quem se dedica aos Estudos sobre as Mulheres, com a garantia de se deparar, pelo menos, com dezenas de títulos de consulta apetecível.

[Fevereiro de 2000 ||
Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher || n.º 3 || 2000]

[João Esteves]

[0249.] AS MULHERES E A REPÚBLICA - MUSEU DA GUARDA || 17/12/2010

* AS MULHERES E A REPÚBLICA *

MUSEU DA GUARDA || 17/12/2010

MARIA REGINA TAVARES DA SILVA || NATIVIDADE MONTEIRO


Maria Regina Tavares da Silva

Licenciada em Filosofia Germânica, com pós-graduação em “English Studies” pela Universidade de Cambridge.

Investigadora em Estudos sobre as Mulheres, publicou, entre outras, A Mulher: bibliografia portuguesa anotada (1518-1998) (1999), obra de referência para a investigação neste domínio; e o primeiro livro sobre Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911) (2005).

Perita e consultora em igualdade de género em várias organizações internacionais (Conselho da Europa e Nações Unidas).

Membro do Comité para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres da ONU, para o qual foi reeleita em 2004.

Natividade Monteiro

Licenciada em História e Mestra em Estudos sobre as Mulheres.

Professora de História e investigadora de Faces de Eva-Cesnova da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e do CEMRI-Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais da Universidade Aberta.

Membro dos órgãos sociais da APH - Associação de Professores de História e sócia da APEM – Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres.

Tem trabalhos publicados em revistas e sites nacionais e estrangeiros sobre temas relevantes para a educação histórica, patrimonial, museológica e artística, assim como recursos educativos inovadores, no âmbito das tecnologias da informação e comunicação.

No âmbito dos Estudos sobre as Mulheres, tem publicado livros e artigos e participado em Congressos, Seminários, Encontros e Colóquios sobre feminismo, educação e cidadania na 1.ª República.
 
Tem coordenado exposições e ciclos de conferências dedicados a biografias e percursos de mulheres republicanas e feministas.

[0239.] AS MULHERES E A REPÚBLICA - MUSEU DA GUARDA || 17/12/1910

* AS MULHERES E A REPÚBLICA *

MUSEU DA GUARDA || 17/12/2010

MARIA REGINA TAVARES DA SILVA || NATIVIDADE MONTEIRO


sábado, 27 de novembro de 2010

[0152.] TERTÚLIA NO MUSEU DA GUARDA [II] || 03/12/2010

* TERTÚLIA NO MUSEU DA GUARDA || AS MULHERES E A REPÚBLICA || 03/12/2010 *

REGINA TAVARES DA SILVA || NATIVIDADE MONTEIRO



[CIDM || Colecção Fio de Ariana || N.º 2]


[CIDM || Colecção Fio de Ariana || N.º 1]