[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 12 de março de 2022

[2758.] ALEXANDRE JOSÉ DOS SANTOS || MILITANTE DO PARTIDO COMUNISTA DURANTE A 1ª REPÚBLICA - DEPORTADO EM 1925

 * ALEXANDRE JOSÉ DOS SANTOS *

[Alexandre José dos Santos || F. 14/07/1923 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-1-NT-8902 || "Fotografia cedida pelo ANTT"]

Militante do Partido Comunista durante a 1ª República, foi por diversas vezes preso em 1923, 1924 e 1925, sendo deportado para Cabo Verde.

Pintor, Alexandre José dos Santos nasceu na Charneca, Lisboa, em finais dos anos setenta do século XIX.

Filho de Ana da Conceição Santos e de Henrique José dos Santos, era casado e residia no Largo dos Defensores da República, 28 - Charneca.

Preso em 13/07/1923, "por suspeita de ser detentor de explosivos".

Preso em 16/05/1924, "por ser agitador"; libertado em 05/06/1924. 

Preso em 03/09/1924, "por agitador"; libertado em 04/09/1924.

Preso em 16/05/1925, "como suspeito de tomar parte no atentado ao Comissário Geral da PSP"; libertado em 20/05/1925.  

Preso em 21/05/1925, "por agitador".

Deportado para Cabo Verde, seguiu, em 29/05/1925, a bordo do vapor Carvalho Araújo.

[João Esteves]

[2757.] MANUEL TAVARES || MILITANTE DO PARTIDO COMUNISTA DURANTE A 1ª REPÚBLICA - DEPORTADO EM 1925

 * MANUEL TAVARES *

[Manuel Tavares || F. 20/08/1923 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-1-NT-8902 || "Fotografia cedida pelo ANTT"]

Militante do Partido Comunista durante a 1ª República, foi preso em 1923, 1924 e 1925 e deportado para a Guiné ou Cabo Verde, tendo falecido pouco tempo depois do desembarque.

Barbeiro, Manuel Tavares nasceu em Maçainhas, Belmonte, em finais do século XIX.

Filho de Ana Angélica Martins Tavares e de Manuel Antão Tavares, residia na Rua Capitão Leitão ou Largo do Olival, em Lisboa.

Em 1923, já integrava o Secretariado da Comuna n.º 1, «Tibério Graco», do Beato e Olivais (Lisboa).

Preso em 22/05/1924, "por ser bombista e agitador"; libertado em 25/06/1924. 

Preso em 20/05/1925, "por pertencer à Legião Vermelha e ter tomado parte em diversos atentados dinamitistas".

Deportado por ordem do Governo, seguiu, em 30/06/1925, a bordo do vapor Carvalho Araújo.

Viria a morrer na Guiné em Agosto de 1925, após dois meses de deportação, vítima dos rigores do clima tropical e da falta de assistência médica.

[João Esteves]

[2756.] FAUSTO DA SILVA TEIXEIRA || MILITANTE DO PARTIDO COMUNISTA DURANTE A 1ª REPÚBLICA - DEPORTADO PARA A GUINÉ EM 1925

 * FAUSTO DA SILVA TEIXEIRA *

[Fausto da Silva Teixeira || c. 1922/1923 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-1-NT-8902 || "Fotografia cedida pelo ANTT"]

Militante do Partido Comunista Português durante a 1ª República, tendo sido preso em 1922, 1923, 1924 e 1925. Deportado neste ano para a Guiné, tal como outros militantes comunistas.

Preso em 06/08/1922, "por andar distribuindo manifestos revolucionários".

Preso em 26/08/1923, "por distribuir manifestos".

Preso em 09/07/1924, "por ser perigoso agitador e bombista"; libertado em 06/08/1924.

Preso em 11/05/1925, "por agitador"; libertado em 19/05/1925.

Deportado, em 29/05/1925, pelo Ministério do Interior para a Guiné, "por delitos sociais e legionário": seguiu a bordo do vapor Carvalho Araújo e desembarcou em 13/06/1925. 

A bordo, iam também os militantes comunistas, todos sem julgamento, Alexandre José dos Santos, Luís Ferreira da Silva e o barbeiro Manuel Tavares, que faleceu dois meses depois, vítima dos rigores do clima tropical e da falta de assistência médica.

O blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné" contém informações relevantes sobre o seu percurso na Guiné: era, em 1928, dono de modernas serrações mecânicas e tornou-se exportador de madeiras tropicais, tendo mantido contatos com Amílcar Cabral e Luís Cabral, a quem ajudou a fugir, em 1960, para o Senegal.

Luís Cabral, na sua Crónica da Libertação (O Jornal, 1984), refere-se a Fausto Teixeira, o madeireiro português, como "deportado político [...] muito conhecido pelas suas opiniões contra o governo fascista" (p. 83), tendo tido um papel fundamental na sua fuga ao fornecer-lhe meios de transporte e acompanhando-o até ao Senegal de forma a escapar à vigilância da PIDE: 

«Foi uma viagem deveras agradável o meu companheiro falou-me muito da sua vida política em Portugal, da sua prisão e do seu envio para a Guiné. Aqui, o governador deportou-o para a ilha de Bubaque, donde não podia sair. Pouco a pouco a pressão foi no entanto diminuindo, até ele poder viver como toda a gente.

Queria ajudar a luta de libertação da Guiné. Que podia ele fazer? A todo o momento estava pronto a correr os riscos necessários para nos ajudar. Considerava-se devedor dessa contribuição. Para já, estava em condições de tirar do país qualquer militante que tivesse de sair. Mesmo que não estivesse em Bissau, a pessoa que se sentisse em perigo podia tomar um carro e ir ter com ele à serração. Para facilitar a vida aos que não conhecessem o local, tinha pintado uma tira branca numa grande àrvore, a entrada do entroncamento que conduzia à serração, partindo da entrada de Mansabá a Bafatá. Mesmo vindo de Bissau no transporte coletivo, seria sempre possível parar nesse local e fazer o resto do caminho a pé.

Chegámos ao entroncamento e lá estava a árvore pintada de branco. Entrámos na serração e logo a seguir continuámos em direção à fronteira, perto da localidade de Fajonquito. A estrada tinha sido aberta pela Missão Geo-Hidrográfica e nunca era utilizada. A mata era tão cerrada que muitas vezes o caminho parecia de longe não poder dar passagem a um carro. Mas Fausto Teixeira conhecia bem o caminho que tinha sido recentemente reconhecido para servir as necessidades da nossa luta. Pouco depois, passávamos ao lado da tabanca de Fajonquito e em seguida o meu companheiro parava o carro e mostrava-me a tabanca senegalesa de Salekenié.

Com um apertado e fraternal abraço, despedimo-nos. Ele não quis que eu agradecesse. Alguns meses depois, o meu irmão mais novo, Fernando, era conduzido a este mesmo local [...]

Antifascista desde a sua juventude, via-se no comportamento de Fausto Teixeira toda a história de um velho democrata que amou profundamente a liberdade, lutou por ela e acabou por ser vencido pelas forças da repressão e do mal. No entusiasmo e dedicação que pôs no cumprimento desta arriscada missão, sentia-se todo o seu orgulho em poder participar na luta que então travávamos, também pela liberdade, contra os mesmos inimigos.

Devia ser por volta das três horas da madrugada quando nos separámos.» (Luís Cabral, pp. 86-87) 

[João Esteves]