[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 27 de dezembro de 2015

[1285.] MARIA TERESA DE MACHADO TEIXEIRA RUELA [I]

* MARIA TERESA RUELA *

|| ASSOCIAÇÃO FEMININA PORTUGUESA PARA A PAZ || PORTO ||

[Maria Teresa de Machado Teixeira Ruela || 23/06/1958 || ANTT || RGP/23176]

Filha de Maria Olga de Machado Teixeira Ruela e de Augusto Ruela, Maria Teresa de Machado Teixeira Ruela nasceu em 7 de Setembro de 1922.

Na década de 40 e início dos anos 50, quando residia na Avenida Fabril do Norte, Senhora da Hora, Matosinhos, pertenceu à Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, sendo, segundo apontamento de Irene Castro, sua última Presidente, a sócia nº 296.

Integrou a Direção da AFPP-Porto e era sua Vice-Presidente desde 1950 quando, em Março de 1952, a agremiação foi proibida pela ditadura. 

Devido à sua consequente militância antifascista, foi presa no Porto pela PIDE em 23 de Junho de 1958, tendo recolhido às prisões privativas daquela cidade, enquanto o marido, também detido, foi enviado para Caxias. Morava, então, no mesmo arruamento de Matosinhos, só que noutra habitação.

Julgada em 7 de Setembro de 1959, foi condenada a dois meses de prisão, já expiada com a detenção sofrida, e suspensão dos direitos políticos por três anos.

Na década de 60, devido à possibilidade de nova detenção do marido e do filho João, nascido em 23 de Setembro de 1945, a família partiu para Argel, onde viveu exilada.

Maria José Ribeiro, no depoimento em 40 vidas por Abril [Modo de Ler, 2015], refere que "Foi no Porto que me iniciei na luta política, foi no Porto que conheci pessoas excelentes, solidárias, de um profundo humanismo, símbolos de coerência na luta pela dignidade do nosso povo e a soberania do nosso país. Desde logo, o Manuel e a Maria Teresa Teixeira Ruela - os primeiros camaradas  que conheci - [...]".

Casada com o médico comunista Manuel Joaquim de Machado Teixeira Ruela, conhecido na Senhora da Hora como o médico dos pobres, filho de Maria Vera Machado Teixeira [Ruela] e do tenente de infantaria João Pedro Ruela. Exilado em Argel, Manuel Teixeira Ruela saiu do Partido Comunista na sequência da invasão da Checoslováquia.  

[João Esteves]

segunda-feira, 27 de julho de 2015

[1039.] NATÉRCIA IZOLINA AZEVEDO ALVES CARAMALHO || NATÉRCIA BABO [II]

* NATÉRCIA BABO *
[1914 - 2004 ?]

[21/09/1914 - 2004[?)]

Advogada. 

Filha de Albertina Vieira de Azevedo e de Isolino Alves Caramalho [Póvoa de Varzim, 1889 — Lisboa, 1943], nasceu a 21 de Setembro de 1914 em Santa Leocádia de Briteiros, Guimarães. 

Frequentou, na segunda metade da década de 30, a Faculdade de Direito de Lisboa, então no Campo Santana, onde foi colega, entre outros de Álvaro Cunhal [1913 - 2005] e Alexandre Babo [30/09/1916 - 02/11/2007], com quem casou.

Após a licenciatura, conseguiu, no início dos anos 40, colocação num Bairro administrativo do Porto, cidade onde o casal passou a viver.

Integrou o grupo fundador da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, onde era a sócia nº 182: proferiu conferências,  marcou presença no almoço de homenagem à escritora Maria Lamas aquando da sua deslocação àquela cidade e foi por seu intermédio que João Villaret aceitou realizar um recital  a favor da Paz promovido pela agremiação no Teatro S. João, o qual foi apresentado por si. 

Natércia Babo esteve ainda associada a outros episódios da luta antifascista. 

Pertenceu à Comissão Distrital Feminina do Porto do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e assinou a Circular nº 1, juntamente com Amélia Cal Brandão, Beatriz Almeida Cal Brandão, Irene Cortesão, Irene de Castro, Maria Branca Lemos, Maria Elvira Cortesão e Maria Manuela David, todas sócias da AFPP. 

Em 1949, participou activamente na campanha presidencial de Norton de Matos e discursou na sessão realizada em Viana de Castelo, no Teatro de Sá de Miranda, onde fez «uma intervenção bem estruturada e firme, condenando e atacando o regime sem tibiezas» [Alexandre Babo, Recordações de um caminheiro, 1993].

Foi na sequência dessa reunião de propaganda que foi presa um mês depois pela PIDE, em 4 de Março de 1949, por ter afrontado publicamente o comandante daquela polícia local por não se ter levantado para cantar o Hino Nacional.

Por intermédio do marido, escritor a advogado que passou a militar no Partido Comunista a partir de 1943 e de quem se divorciou na segunda metade da década de 50, Natércia Babo conviveu com o activismo antifascista do Porto e, embora nunca tenha sido daquela organização, por influência de Joaquim Pires Jorge, dirigente que muitas vezes se abrigou na casa do casal, chegou a «tomar posição e praticar actos que muita gente do partido não seria capaz», responsabilizando-se por ir várias vezes a Coimbra de comboio buscar o jornal Avante! para ser redistribuído no Norte: «Arriscava comigo sem se opor e sabia perfeitamente que, sendo presa, nada lhe valia afirmar que não era filiada» [A. Babo].

Traduziu alguma literatura com Alexandre Babo, tendo o seu pai também sido tradutor de nomes como Gogol, Tolstoi, Maupassant e Sienkiewicz. 

Aparece referenciada no Caderno de Irene de Castro como Dr.ª Natércia Babo, com escritório na Rua Alexandre Braga, 40, 2º e residência na Rua do Bairro do Comércio, 91, R/C, Porto. É esta a morada que também aparece no Registo Geral de Presos da PIDE como sua residência [ANTT, RGP, Registo nº 19002].
 
[João Esteves || 29/09/2015]

quinta-feira, 2 de julho de 2015

[1013.] ARMANDA DA CONCEIÇÃO SILVA MARTINS [I] || 1919 - 1955

* ARMANDA DA CONCEIÇÃO SILVA MARTINS FORJAZ DE LACERDA *

[1919-1955]

Eis um nome e uma família de importância indiscutível na luta contra a ditadura do Estado Novo, ainda que insuficientemente referenciado, tendo Armanda Lacerda sido sócia da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, militado clandestinamente no Partido Comunista e, nesse âmbito, sido presa em 1945, dez anos antes do seu falecimento precoce.


Filha de Maria Josefina da Conceição Rocha e Silva e de José Martins Pacheco, grande proprietário rural, Armanda da Conceição Silva Martins nasceu em Nogueira do Cravo, Oliveira de Azeméis a 26 de Fevereiro de 1919 e desposou Miguel Pereira Sarmento Forjaz de Lacerda [28/12/1913-20/04/1993]. 

Militante comunista na década de 40 e sócia nº 301 da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, Armanda Lacerda constitui um exemplo paradigmático da importância das teias familiares na intervenção política e associativa das mulheres, nomeadamente sob a ditadura.

Pertencia a uma família muito politizada, com vários intervenientes na luta política ativa: os irmãos José Augusto [08/10/1912-1956] e Júlio da Conceição Silva Martins e o marido eram importantes quadros e dirigentes do Partido Comunista; a sogra, Adélia Augusta Gonçalves de Morais e Castro [n. 09/12/1889], era irmã de Amílcar Gonçalves de Morais e Castro [n. 22/05/1896], casado com Irene Fernandes Morais Castro [05/09/1895-28/07/1975] que teve um papel relevante na Delegação do Porto da AFPP, tendo sido a sua última presidente [1949-1952]; o marido, Miguel Pereira Sarmento Forjaz de Lacerda, era, assim, primo de Armando, Raúl e Amílcar de Castro, cujas esposas, respetivamente Maria Virgínia Castro, Maria Carolina Campos e Maria Adelaide Lima Oliveira Ribeiro, eram igualmente sócias da mesma associação; as irmãs Helena Maria e Maria Lucília da Silva Martins eram também sócias da AFPP, com os números 172 e 39. 

Casou pouco tempo antes de passar à clandestinidade; usou o pseudónimo “Conceição”; participou, enquanto companheira, no apoio logístico à V reunião ampliada do Comité Central realizada, em Maio de 1945, na Casa da Granja; e escassos dias depois, a 14 de Junho, foi presa com o marido, então membro suplente do CC, numa casa em Moreira da Maia usada como tipografia pelo Comité Local do Porto. 

Tal como Dalila Duque da Fonseca, presa na mesma data mas noutro local, foi solta em liberdade condicional e, em 4 de Novembro de 1946, condenada em três meses de prisão correcional, por ter acompanhado o marido na clandestinidade. Neste mesmo ano, segundo documento de Setembro, o Secretariado do Comité Central acusara o marido de ter “contribuído para o afrouxamento da firme posição que sua companheira, Armanda Martins de Lacerda, vinha mantendo e para que ela fizesse algumas declarações prejudiciais”, aconselhando-a a confirmar “o que a polícia já sabia”, expulsando-o do PCP. 

Mãe de um único filho, nascido em Pinheiro de Bemposta, Oliveira de Azeméis, morreu muito nova, no dia 22 de Fevereiro de 1955, a 4 dias de completar 36 anos de idade. 

[João Esteves]

quinta-feira, 18 de junho de 2015

[1004.] OLÍVIA DE OLIVEIRA VALENTE DE VASCONCELOS RODRIGUES [I]

* OLÍVIA VALENTE VASCONCELOS *
[07/08/1923-2015]
[Papiniano Carlos e Olívia, pormenor de uma fotografia retirada de Alberto Castro Ferreira

Parteira. 

Sócia nº 313 da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, com residência, primeiro, na Rua do Urgal, Oliveira de Azeméis, e depois na R. de S. Victor, no Largo da Cividade, 33. 

O nome com que aparece inscrita na AFPP - Porto é Olívia Valente Vasconcelos, sendo então esta delegação presidida por Irene Castro [1895-1975].

Casou em 1942 com o escritor Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues [09/11/1918-05/12/2012] e o casal iniciou a militância comunista durante a década de 40 por intermédio de Pedro Soares [1915-1975], tendo a sua residência em Oliveira de Azeméis servido de apoio aos funcionários clandestinos do Partido Comunista.

Marcou presença, com Arnaldo Mesquita, Óscar Lopes, Virgínia Moura e Papiniano Carlos, na libertação dos presos políticos no Porto a 26 de Abril de 1974. 

Integrou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Maia, envolveu-se ativamente no país de Abril e manteve, até ao fim, a mesma militância política.

Tal como Papiniano Carlos, seu companheiro de sempre, Olívia faleceu na Maia aos 92 anos.

[Papiniano Carlos e Olívia numa fotografia retirada do sítio da Biblioteca José Régio - Vila do Conde]

sábado, 28 de junho de 2014

[0696.] IRENE CASTRO [II]


* IRENE FERNANDES DE MORAIS E CASTRO *
[05/09/1895 - 28/07/1975]

[in Lúcia Serralheiro, Mulheres em grupo contra a corrente, 2011]


Filha de Torquato Fernandes e de Maria Augusta Loureiro Dias, nasceu a 5 de Setembro de 1895 na freguesia da Sé, no Porto, e faleceu a 28 de Julho de 1975. 

Tal como a mãe e irmãs, exerceu a profissão de professora do Ensino Primário, cujo exame na Escola Normal do Porto concluiu em 5 de Junho de 1914, com 20 valores. 

Foi Directora da Escola da Freguesia da Sé no Porto. 

Em 1917, casou com Amílcar Gonçalves de Morais e Castro, nascido a 22 de Maio de 1896, filho de Manuel Joaquim Gonçalves de Castro e de Ana Adelaide das Dores de Morais e Castro. Maçon e franco-atirador, escriturário de 3.ª classe dos Caminhos-de-Ferro Portugueses, terminou o Curso de Direito depois de casado e passou a exercer a advocacia. Devido às suas ideias, esteve preso onze vezes na PIDE do Porto. 

Sócia fundadora da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, foi,  de 1949 a 1952, a sua última presidente. 

Organizou, em articulação com a sede de Lisboa, entre outras actividades, as comemorações do XV Aniversário da AFPP no ano de 1950, que tiveram como ponto alto as conferências O Dilema da Paz e da Guerra e Pró Paz proferidas, respectivamente, por Maria Lamas e Teixeira de Pascoaes. As conferências tiveram lugar no Salão Nobre do Clube Fenianos Portuense, a primeira a 25 de Maio e a segunda a 1 de Junho. 

Mãe de três filhos e de uma filha, a todos apoiou nas suas lutas políticas, tendo pedido às autoridades melhores condições de vida para os presos políticos e reclamado das injustiças praticadas. 

O filho mais velho, Armando Fernandes de Morais e Castro [18/07/1918 - 16/06/1999], professor e historiador de Economia e reconhecido oposicionista portuense, era casado com a sócia da AFPP Maria Virgínia Castro. 

O segundo filho, Raul Fernandes de Morais e Castro [25/08/1921 - 08/2004], advogado antifascista preso em 1947 e um dos Constituintes após 1974, casou com a sócia da AFPP Maria Carolina Campos.  

O terceiro filho, Amílcar Fernandes de Morais e Castro, nasceu em 1927; e a filha mais nova, Irene, em 1933. 

Irene de Castro apoiou os filhos nas lutas académicas e quando estavam presos na PIDE. 

Acolheu na sua casa todos os que precisavam de ajuda durante os tempos das lutas antifascistas e da oposição ao Estado Novo. 

Foi uma mulher política, mas não por influência do seu marido, de quem sempre ocultou a sua militância no Partido Comunista. Fez parte do Partido Comunista por vontade própria e nem os filhos, todos com relevante actividade oposicionista, souberam. Exigiu que o partido a contactasse através de uma mulher para que ninguém de casa desconfiasse. 

Integrou todos os Movimentos Unitários até ao 25 de Abril de 1974. Esteve presente na sessão do Olímpia em 13 de Outubro de 1945, onde se organizou o MUD no Porto. Pertenceu ao MDM - Movimento Democrático de Mulheres - e nessa qualidade recebeu no Porto a russa Valentina Tereshkova, a primeira mulher a ir ao espaço. 

Em 11 de Outubro de 1992 foi homenageada por um grupo de personalidades, entre elas antigas sócias das AFPP, como Branca de Lemos. Nesse dia, domingo, foi organizada uma romagem com colocação de flores ao Cemitério Prado do Repouso, onde Virgínia Moura [19.07.1915-19.04.1998] relembrou o perfil de mãe, de mulher e de professora lutadora por uma educação progressista pela Paz e pelos direitos das mulheres. À tarde realizou-se uma sessão pública no Salão Nobre do Clube Fenianos do Porto, com apresentação de um vídeo feito especialmente com testemunhos de pessoas que com ela conviveram, música poesia e pintura. 

O filho Raul de Castro escreveu-lhe o seguinte epitáfio: à memória exemplar de quem sempre enfrentou a vida de forma a nem na morte deixar a imagem de vencida.  

O filho mais velho, Armando de Castro, disse dela no vídeo feito por ocasião da homenagem prestada em 1992: morreu de pé como sempre viveu, coerente consigo própria e, tal como Romain Rolland dizia, “esteve sempre em marcha e só parou na morte”. 

Como pedagoga, é referida pelo respeito que votava às crianças. Na sala de aula tinha uma caixa com lacinhos de organdi, que todas as suas alunas colocavam, enquanto estavam na escola, para que todas estivessem bonitas.

Lúcia Serralheiro escreveu a sua biografia para o Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005, sendo alguns dos elementos aqui mencionados retirados dessa importante entrada.

Em 2011, Lúcia Serralheiro editou Mulheres em Grupo Contra a Corrente [Rio Tinto, Edições Evolua, 2011], livro centrado na história da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz e onde Irene de Castro foi figura central.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

[0427.] IRENE FERNANDES MORAIS CASTRO [I] || 1895 - 1975

* IRENE FERNANDES MORAIS CASTRO *
[05/09/1895-28/07/1975]

[extratos da biografia escrita por Lúcia Serralheiro para o Dicionário no Feminino (Livros Horizonte, 2005)]

Filha de Torquato Fernandes e de Maria Augusta Loureiro Dias, nasceu a 5 de Setembro de 1895 na freguesia da Sé, no Porto, e faleceu a 28 de Julho de 1975. 

Tal como a mãe e irmãs, exerceu a profissão de professora do Ensino Primário, cujo exame na Escola Normal do Porto concluiu em 5 de Junho de 1914, com 20 valores. 

Foi Directora da Escola da Freguesia da Sé no Porto. 

Em 1917, casou com Amílcar Gonçalves de Morais e Castro, nascido a 22 de Maio de 1896, filho de Manuel Joaquim Gonçalves de Castro e de Adelaide das Dores de Morais e Castro. Maçon e franco-atirador, escriturário de 3.ª classe dos Caminhos-de-Ferro Portugueses, terminou o Curso de Direito depois de casado e passou a exercer a advocacia. Devido às suas ideias, esteve preso onze vezes na PIDE do Porto. 

Sócia fundadora da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, foi,  de 1949 a 1952, a sua última presidente. 

Organizou, em articulação com a sede de Lisboa, entre outras actividades, as comemorações do XV Aniversário da AFPP no ano de 1950, que tiveram como ponto alto as conferências O Dilema da Paz e da Guerra e Pró Paz proferidas, respectivamente, por Maria Lamas e Teixeira de Pascoaes. As conferências tiveram lugar no Salão Nobre do Clube Fenianos Portuense, a primeira a 25 de Maio e a segunda a 1 de Junho. 

Mãe de três filhos e de uma filha, a todos apoiou nas suas lutas políticas, tendo pedido às autoridades melhores condições de vida para os presos políticos e reclamado das injustiças praticadas. 

O filho mais velho, Armando de Castro [18/7/1918-16/6/1999], conhecido professor e historiador de Economia, era casado com a sócia da AFPP Maria Virgínia Castro. 

O segundo filho, Raul de Castro [nascido a 25/08/1921], advogado antifascista, casou com a sócia da AFPP Maria Carolina Campos e andou fugido à PIDE. 

O terceiro filho, Amílcar, nasceu em 1927; e a filha mais nova, Irene, em 1933. 

Irene de Castro apoiou os filhos nas lutas académicas e quando estavam presos na PIDE. 

Acolheu na sua casa todos os que precisavam de ajuda durante os tempos das lutas antifascistas e da oposição ao Estado Novo. 

Foi uma mulher política, mas não por influência do seu marido, de quem sempre ocultou a sua militância no Partido Comunista. Fez parte do Partido Comunista por vontade própria e nem os filhos souberam. Exigiu que o partido a contactasse através de uma mulher para que ninguém de casa desconfiasse. 

Integrou todos os Movimentos Unitários até ao 25 de Abril de 1974. Esteve presente na sessão do Olímpia em 13 de Outubro de 1945, onde se organizou o MUD no Porto. Pertenceu ao MDM - Movimento Democrático de Mulheres - e nessa qualidade recebeu no Porto a russa Valentina Tereskova, a primeira mulher a ir ao espaço. 

Em 11 de Outubro de 1992 foi homenageada por um grupo de personalidades, entre elas antigas sócias das AFPP, como Branca de Lemos. Nesse dia, domingo, foi organizada uma romagem com colocação de flores ao Cemitério Prado do Repouso, onde Virgínia Moura relembrou o perfil de mãe, de mulher e de professora lutadora por uma educação progressista pela Paz e pelos direitos das mulheres. À tarde realizou-se uma sessão pública no Salão Nobre do Clube Fenianos do Porto, com apresentação de um vídeo feito especialmente com testemunhos de pessoas que com ela conviveram, música poesia e pintura. 

O filho Raul de Castro escreveu-lhe o seguinte epitáfio: à memória exemplar de quem sempre enfrentou a vida de forma a nem na morte deixar a imagem de vencida.  

O filho mais velho, Armando, disse dela no vídeo feito por ocasião da homenagem prestada em 1992: morreu de pé como sempre viveu, coerente consigo própria e, tal como Romain Rolland dizia, “esteve sempre em marcha e só parou na morte”. 

Como pedagoga, é referida pelo respeito que votava às crianças. Na sala de aula tinha uma caixa com lacinhos de organdi, que todas as suas alunas colocavam, enquanto estavam na escola, para que todas estivessem bonitas.

[Lúcia Serralheiro]