[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

[2607.] GERMINAL DE SOUSA [I] || PRESO POLÍTICO EM 1927, 1929, 1930, 1932, 1948, 1961

 * GERMINAL DE SOUSA *

[22/05/1909 - 03/11/1968]

Militante anarquista com responsabilidade em Portugal e em Espanha, Germinal de Sousa foi preso por seis vezes (1927, 1929, 1930, 1932, 1948, 1961), permaneceu em Espanha durante quase toda a Guerra Civil desencadeada pelo golpe militar contra o governo republicano legítimo e, quando refugiado em França, ficou detido no campos de concentração de Le Vernet, passando, depois, para Djelfa e Berrouaghia, na Argélia.

[Germinal de Sousa ||  F. 06/05/1929 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria José de Sousa e do activista anarcossindicalista Manuel Joaquim de Sousa [1883 - 1944], Germinal de Sousa nasceu no Porto, na freguesia do Bonfim, em 22 de Maio de 1909.

Tipógrafo, a viver em Lisboa na Vila Cândida (Caminho de Baixo da Penha), terá iniciado a militância nas Juventudes Sindicalistas e no grupo anarquista "Germinal" em 1925.  

Em 6 de Fevereiro de 1926, foi preso no jornal A Batalha e "libertado pelos revoltosos" (Processo 2954). 

Já sob a Ditadura Militar, foi preso em 3 de Dezembro de 1927, "por ser anarquista e companheiro de Américo Vilar" [Processo 3475], sendo libertado em 28 de Maio do ano seguinte. 

[Américo Vilar viria a estar associado aos acontecimentos ocorridos em Moncarapacho em 17 de Fevereiro de 1928, quando uma violenta explosão o matou, juntamente com António Calhabotas, dois anarcossindicalistas idos do Barreiro que se encontravam a preparar bombas num pardieiro]

Novamente preso em 26 de Abril de 1929, acusado de "ser bombista e fazer parte de um grupo revolucionário, tendo-se comprometido a carregar as bombas encontradas no Instituto de Medicina Legal", saiu em liberdade em 8 de Maio de 1929 [Processo 4324]. 

Voltaria a ser detido no ano seguinte, em 29 de Novembro, "por suspeita de estar implicado no movimento revolucionário em preparação", e libertado no dia seguinte [Processo s/número].

Em 1931, participou na fundação da Aliança Libertária Portuguesa, sendo preso em 24 de Agosto de 1932, "por estar envolvido em organizações extremistas" e indiciado, segundo o seu Cadastro Político, por ser um dos fundadores da Aliança Libertária de Lisboa e o filiado N.º 4 - integrou o primeiro Secretariado e tornou-se, depois, Secretário da Comissão de Propaganda; libertado do Aljube em 13 de outubro do mesmo ano [Processo 507]. 

Em Março de 1933, era procurado pela Polícia Política "por se tratar de um elemento com graves responsabilidades" no âmbito da Aliança Libertária, tendo o processo sido enviado ao Tribunal Militar Especial [Processo 646]. Estava, então, refugiado em Espanha, onde militou na Federação Anarquista Ibérica (FAI), com quem já colaborava desde a sua fundação. 

Em Março de 1935, foi expulso daquele país para França pela fronteira de Puigcerdà, devido a ser considerado um anarquista "extremamente perigoso". Permaneceu em Espanha durante quase toda a Guerra Civil desencadeada pelo golpe militar contra a República, integrando o Comité Peninsular da FAI, sendo nomeado seu Secretário-Geral em 1938. Fez parte da coluna catalã "Tierra y Libertad", com a qual combateu em Aragão, Madrid e Cuenca. 

Passou, em Janeiro de 1939, para França, através dos Pirenéus, estando na constituição do Conselho Geral do Movimento Libertário Espanhol surgido em Março. 

Com o desencadear da 2.ª Guerra, ficou detido nos campos de concentração de Le Vernet, em França, e Djelfa e Berrouaghia, na Argélia, residindo em Argel até 1948. 

Regressou a Portugal neste ano, foi preso em 6 de Abril de 1948, "para averiguações", levado para o Aljube e transferido para Caxias em 27 de Abril; libertado em 10 de Maio [Processo 283/48]. 

[Germinal de Sousa ||  F. 22/06/1964 || ANTT || RGP/18204 || PT-TT-PIDE-E-010-92-18204]

Retomou, então, contactos com antigos companheiros, nomeadamente com Acácio Tomás de Aquino, Emídio Santana, José dos Santos e Raul Curado

Preso pela sexta, e última vez, em 22 de Junho de 1961, "por exercício de actividades contra a segurança do Estado", levado para o Aljube e transferido, em 29 de Junho, para Caxias, acabou por ser libertado, "mediante termo de identidade e residência", em 4 de Julho [Processo 645/61]. 

Faleceu em 3 de Novembro de 1968, com 59 anos.

[João Esteves]
[alterado em 23/03/2022]
[alterado em 30/11/2022]

[2606.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXXXVIII] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXXXVIII *

00691. Celso dos Santos [1928, 1937, 1944]

[Celso dos Santos || F. 09/06/1937 || ANTT || RGP/6934 || PT-TT-PIDE-E-010-35-6934_p2_m0271b]

[Porto - Bonfim, 18/08 ou 09/1909, sapateiro - Porto. Filiação: Maria Rosa Ferreira dos Santos e Alfredo dos Santos. Preso em 21/07/1928, quando tinha 18 anos, "por suspeita de estar implicado no movimento revolucionário de 20 de Julho"; libertado em 31/07/1928. Preso em 07/06/1937, no Porto, "por fazer parte das Juventudes Comunistas", numa célula controlada por Rodrigo Nóbrega Pinto Pizarro, estar a organizar outra, para quem terá convidado Horácio Pereira Marques, fazer propaganda do Socorro Vermelho Internacional e participar, em Dezembro de 1936 e Janeiro de 1937, na distribuição, em Gaia e Matosinhos, do manifesto intitulado "Frente Popular Portuguesa" (Processo 117/937, 650/93732/938 - Porto; 213/938 - Sede, 3377/SPS). Julgado pelo TME em 20/07/1938 e condenado na multa de 600 escudos que, caso não fosse liquidada, seria convertido num mês de prisão; como não a tivesse pagado, foi libertado em 20/08/1938. 

[Celso dos Santos || F. 28/06/1944 || ANTT || RGP/6934 || PT-TT-PIDE-E-010-35-6934_p2_m0271a]

Preso em 27/06/1944, no Porto, "para averiguações de propaganda subversiva"; libertado em 15/07/1944.]

00692. Germinal de Sousa [1927, 1929, 1930, 1932, 1948, 1961]

[Germinal de Sousa ||  F. 06/05/1929 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Porto - Bonfim, 22/05/1909, tipógrafo / compositor tipográfico - Lisboa. Filiação: Maria José de Sousa e Manuel Joaquim de Sousa, activista anarcossindicalista (1883-1944). A viver em Lisboa, na Vila Cândida (Caminho de Baixo da Penha), terá iniciado a militância nas Juventudes Sindicalistas e no grupo anarquista "Germinal" em 1925. Preso no jornal A Batalha em 06/02/1926 e "libertado pelos revoltosos" (Processo 2954). Preso em 03/12/1927, "por ser anarquista e companheiro de Américo Vilar" (Processo 3475); libertado em 28/05/1928. Preso em 26/04/1929, "por ser bombista e fazer parte de um grupo revolucionário, tendo-se comprometido a carregar as bombas encontradas no Instituto de Medicina Legal"; libertado em 08/05/1929 (Processo 4324). Preso em 29/11/1930, "por suspeita de estar implicado no movimento revolucionário em preparação"; libertado em 30/11/1930 (Processo s/número). Participou, em 1931, na fundação da Aliança Libertária Portuguesa. Preso em 24/08/1932, "por estar envolvido em organizações extremistas" e indiciado, segundo o seu Cadastro Político, por ser um dos fundadores da Aliança Libertária de Lisboa e o filiado N.º 4 - integrou o primeiro Secretariado e tornou-se, depois, Secretário da Comissão de Propaganda; libertado em 13/10/1932 (Processo 507). Em Março de 1933, era procurado pela Polícia Política "por se tratar de um elemento com graves responsabilidades" no âmbito da Aliança Libertária, tendo o processo sido enviado ao Tribunal Militar Especial (Processo 646). Estava, então, refugiado em Espanha, onde militou na Federação Anarquista Ibérica (FAI), com quem já colaborava desde a sua fundação. Em Março de 1935, foi expulso daquele país para França pela fronteira de Puigcerdà, devido a ser considerado "extremamente perigoso". Permaneceu em Espanha durante quase toda a Guerra Civil desencadeada pelo golpe militar contra a República, integrando o Comité Peninsular da FAI, sendo nomeado seu Secretário-Geral em 1938. Fez parte da coluna catalã "Tierra y Libertad", com a qual combateu em Aragão, Madrid e Cuenca. Passou, em Janeiro de 1939, para França, através dos Pirenéus, estando na constituição do Conselho Geral do Movimento Libertário Espanhol surgido em Março. Com o desencadear da 2.ª Guerra, ficou detido nos campos de concentração de Le Vernet, em França, e Djelfa e Berrouaghia, na Argélia, residindo em Argel até 1948. Regressou a Portugal neste ano, sendo preso em 06/04/1948, "para averiguações", levado para o Aljube e transferido para Caxias em 27/04/1948; libertado em 10/05/1948 (Processo 283/48). 

[Germinal de Sousa ||  F. 22/06/1964 || ANTT || RGP/18204 || PT-TT-PIDE-E-010-92-18204]

Retomou, então, contactos com antigos companheiros, nomeadamente com Acácio Tomás de Aquino, Emídio Santana, José dos Santos e Raul Curado. Preso em 22/06/1961, "por exercício de actividades contra a segurança do Estado", levado para o Aljube e transferido, em 29/06/1961, para Caxias; libertado, "mediante termo de identidade e residência", em 04/07/1961 (Processo 645/61). Faleceu em 03/11/1968, com 59 anos.]
[alterado em 23/03/2022]

00693. José da Rosa [1928]

[José da Rosa ||  F. 29/08/1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

["O José Risota". Preso em 25/08/1928, "acusado de ter andado na camioneta que conduziu os indivíduos que assaltaram a Fábrica de Barcarena"; libertado em 04/10/1928.]

00694. José da Graça [1928]

[Tomar, c. 1893, trabalhador - Lisboa. Solteiro. Filiação: Maria Rosalina Graça. Preso em 21/03/1928, quando teria 35 anos, "por suspeita de ser bombista"; libertado em 09/04/1928.]

[João Esteves]