[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

[2430.] JOAQUIM VIDEIRA [I] || DEPORTADO PARA S. TOMÉ, TIMOR E AÇORES

 * JOAQUIM VIDEIRA *

[06/09/1884 - 1948]

Joaquim Videira foi um dos muitos militares que se insurgiu contra a Ditadura Militar e a combateu, sendo várias vezes preso e deportado, tal como o irmão José Maria Videira.

[Joaquim Videira || c. 1938-1940 || ANTT || RGP/10421 || PT-TT-PIDE-E-010-53-10421]

Joaquim Videira nasceu em Bendada, concelho de Sabugal, em 6 de Setembro de 1884, sendo filho de Manuel Videira. 

Seguiu a carreira militar até ser dela afastado por motivos políticos. Terá participado na Revolução de 5 de Outubro de 1910, integrando as suas barricadas, e pertenceu ao Corpo Expedicionário Português durante a 1.ª Guerra. 

Oficial da GNR, tomou parte activa na revolução de 7 de Fevereiro de 1927: afastado da Corporação e deportado para S. Tomé no vapor “Lourenço Marques”, desembarcou por volta de 12 de Março de 1927 [ANTT, PT-TT-MI-DGAPC-2-700-138]. 

No ano seguinte, em 20 de Julho, participou no movimento revolucionário de 20 de Julho, tendo sido, provavelmente, enviado para os Açores com residência fixa. 

Novamente preso em 16 de Março de 1929, «por estar implicado no movimento revolucionário em preparação» [Processo 4346], relacionando-se, entre outros, com Alberto Alexandrino Augusto dos Santos (tenente Alexandrino), Alfredo António Chaves (capitão Chaves), Álvaro Costa, seu advogado, Álvaro Troçolo (tenente), Domingos Pereira, José de Freitas Macedo (farmacêutico de Aveiro), José Maria Videira (ex-sargento, seu irmão), Nuno Cerqueira Machado Cruz (capitão Nuno Cruz) e Virgílio (ex-sargento). O processo foi enviado ao Ministério da Guerra em 26/06/1929 [Processo 4346], que o mandou arquivar em Novembro. 

Em 1931, engrossou o movimento revolucionário que eclodiu em 26 de Agosto e deportado para Timor, sendo abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932: desembarcou em 09/06/1933 e apresentou-se no dia 12, ficando a residir em Lisboa. 

A quinta prisão aconteceu em 31 de Outubro de 1933, por envolvimento no movimento revolucionário em preparação, acusado de conspirar, entre outros, com António Marques Pereira (comerciante na Pontinha), Jaime Joaquim das Neves (furriel), José de Matos Machado, José Pedro Muralha (1.º sargento do Exército) e Pires Marques, então procurado pela Polícia [Processo 835]. Em 19 de Novembro, embarcou de Peniche para Angra do Heroísmo, de onde regressou em Setembro de 1935, apresentando-se na PVDE no dia 8. 

[Joaquim Videira || 30/03/1934 || Retirado de uma fotografia de presos políticos em Angra do Heroísmo e que consta da Casa Comum || Fundação Mário Soares / Arquivo Mário Soares, Disponível HTTP: http://www.casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06786.001.105 (2020-11-30)]

A última detenção deu-se em 9 de Julho de 1938: recolheu a uma esquadra incomunicável, foi transferido para o Aljube em 2 de Agosto e, em 6 de Dezembro, seguiu para Caxias. Voltou ao Aljube em 20 de Junho de 1939, para ser julgado pelo TME em 27 de Junho [Processo 877/38, 203/38] e condenado a três anos de desterro. No dia seguinte, regressou a Caxias, recorreu da sentença e voltou a ser julgado em 19 de Agosto, mantendo-se a pena aplicada.

[Joaquim Videira || ANTT || RGP/10421 || PT-TT-PIDE-E-010-53-10421]

Libertado em 3 de Junho de 1940, por ter sido amnistiado, faleceu em 1948. O irmão, o sargento José Maria Videira, teve idêntico percurso de resistente, sendo um dos nomes que não foi explicitamente abrangido pela amnistia de 05/12/1932. 

[Segundo informação da Neta, que muito agradecemos, Palmira Cândido dos Reis Videira era casada com Joaquim Videira e não sua mãe, como consta erroneamente no Registo Prisional da PVDE.]
[alterado em 09/05/2023]

[João Esteves]

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

[2251.] ABÍLIO DOS REIS MORAIS [I] || DEPORTADO PARA TIMOR

* ABÍLIO DOS REIS MORAIS *
[16/08/1896 - 1955]

Tenente, com participação na 1.ª Guerra, Abílio Morais, esteve envolvido nas revoltas contra a Ditadura Militar de 3 de Fevereiro de 1927, 20 de Julho de 1928 e 26 de Agosto de 1931 e teve papel de destaque na chamada Revolta de Mendes Norton.

[Abílio dos Reis Morais || ANTT || RGP/1760 || PT-TT-PIDE-E-010-9-1760_m0339]

Filho de Valentina dos Reis Morais e de Augusto César Morais, nasceu em 16 de Agosto de 1896, na Cidade da Praia - Cabo Verde.

Alferes Miliciano de Infantaria, integrou o 1.º Corpo Expedicionário Português e terá recebido louvores.

Tenente, aderiu às revoltas contra a Ditadura Militar de 3 de Fevereiro de 1927, 20 de Julho de 1928 e 26 de Agosto de 1931 e, na sequência desta última, foi deportado para Timor, tendo embarcado no navio Pedro Gomes na noite de 2 de Setembro de 1931, com mais 357 deportados (271 civis e 87 militares).

Abílio dos Reis Morais terá sido abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932 e regressado a Portugal em meados de 1933.

Continuou a conspirar e participou activamente na Revolta de Mendes Norton, sendo preso em 26 de Agosto de 1935, acusado de ser o lugar-tenente do ex-Tenente-Coronel Ribeiro de Carvalho que, entretanto, se refugiou em Espanha.

A Secção Política e Social da PVDE prendeu-o por indicação dos serviços secretos que consideravam a sua detenção como uma das «indispensáveis para fazer abortar o movimento prestes a eclodir» [Processo 1623]. Quando foi detido, preparava-se para se deslocar a Mafra para mobilizar tropas para a revolta, tendo andado anteriormente pela província a fazer ligações revolucionárias, contando com a adesão de muitos sargentos e alguns oficiais.

[Abílio dos Reis Morais || ANTT || RGP/1760 || PT-TT-PIDE-E-010-9-1760_m0339]

Levado para uma esquadra, seguiu para o Aljube em 1 de Outubro. Por decisão do Conselho de Ministros de 16 de Dezembro de 1935, foi deportado, preso, para Angra do Heroísmo, para onde seguiu, em 18 do mesmo mês, a bordo do vapor Cabo Verde.

Abílio dos Reis Morais foi mandado regressar em 13 de Maio de 1936, por ter sido autorizado a ir para o Brasil. Embarcou, em 14 de Junho, com destino ao Rio de Janeiro, onde faleceu em Fevereiro de 1955, com 58 anos.

[Abílio dos Reis Morais || ANTT || RGP/1760 || PT-TT-PIDE-E-010-9-1760_m0339]

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5759 [Abílio dos Reis Morais / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0069, m0069a].

ANTT, Registo Geral de Presos 1760 [Abílio dos Reis Morais / PT-TT-PIDE-E-010-9-1760_m0339].

[João Esteves]

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

[2237.] NARCISO FERREIRA JORGE [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1931)

* NARCISO FERREIRA JORGE *
[1891 - ?]

DEPORTADO PARA TIMOR POR TER PARTICIPADO NA REVOLTA DE 26 DE AGOSTO DE 1931

[Navio "Pedro Gomes" que, em 2 de Setembro de 1931, transportou 358 deportados políticos para Timor]

Filho de Eufémia Ferreira e de José Maria Ferreira Jorge, Narciso Ferreira Jorge terá nascido em 1891, na Figueira da Foz.

Carpinteiro, foi preso uma primeira vez em 23 de Abril de 1928, «por tentar ocultar bombas nuns buracos que para isso fez» [Processo 3664], tendo sido libertado em 8 de Maio.

Quando residia na Rua Tomás da Anunciação - Vila Bonito, foi novamente preso em 26 de Agosto de 1931, «acusado de ter tomado parte no movimento revolucionário deste dia» contra a Ditadura [Processo 192].

Preso por um aspirante a oficial da Escola Militar, que o conduziu ao Batalhão de Caçadores 5, foi entregue à Polícia Política e deportado uma semana depois para Timor.

Em 2 de Setembro de 1931, Narciso Ferreira Jorge integrou o grupo de 358 deportados políticos que embarcou no navio "Pedro Gomes". Nele, seguiam os principais chefes militares da revolta de 26 de Agosto, tendo o barco navegado pelo Mar Mediterrâneo, atravessado o Canal do Suez e chegado a Dili em 16 de Outubro, sem fazer qualquer escala nas colónias portuguesas.

Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, Narciso Ferreira Jorge foi autorizado a regressar à metrópole, tendo desembarcado em Lisboa em 9 de Junho de 1933.

Apresentou-se à Polícia Política em 12 de Junho, indo residir para a Rua de Campo de Ourique, Pátio do Luso - Barraca N.º 1.

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 3193 [Narciso Ferreira Jorge / PT-TT-PIDE-E-001-CX14_m0607].

[João Esteves]

quinta-feira, 21 de março de 2019

[2080.] AMÉLIA ALMEIDA BRANDÃO DE CAL OU AMÉLIA ALMEIDA CAL BRANDÃO [IV] || 1935

* AMÉLIA DE ALMEIDA BRANDÃO DE CAL || CARLOS CAL BRANDÃO *

Requerimento de Amélia de Almeida Brandão de Cal ao Ministro do Interior, datado de Janeiro de 1935, reclamando da situação do seu filho Carlos Cal Brandão [1906 - 1973] que se encontrava há anos deportado: primeiro em Cabo Verde, seguindo depois para Timor.

Preso no Porto em Março de 1931, Carlos Cal Brandão passou para as cadeias de Lisboa e, em Maio desse mesmo ano, integrou o grupo de presos políticos embarcado no navio Pedro Gomes para São Nicolau, Cabo Verde. Meses depois, seguiu para Timor no navio Gil Eanes, só regressando em meados de Fevereiro de 1946, altura em que desembarcou em Lisboa.

O Ministro do Interior enviou o requerimento à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado.


domingo, 17 de fevereiro de 2019

[2061.] BOAVENTURA GONÇALVES [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1931) E PARA O TARRAFAL (1936)

* BOAVENTURA GONÇALVES *
[1907 - ?]

DEPORTADO PARA TIMOR (1931 - 1932) E PARA O TARRAFAL (1936 - 1944)

[Boaventura Gonçalves || 1936 || RGP/3406 || PT-TT-PIDE-E-010-18-3406_m0025]

Filho de Maria Teresa e de Joaquim Gonçalves, Boaventura Gonçalves nasceu em 5 de Janeiro de 1907, em Silves.

Operário da construção civil, com residência na Avenida 5 de Outubro - Quinta  do Ferro, participou na Revolta de 26 de Agosto de 1931 e foi preso nesse mesmo dia por uma força da PSP «numas terras próximas de Entrecampos, onde se encontrava escondido juntamente com outros civis armados que fizeram fogo sobre a mesma força» [ANTT, Cadastro Político 3308].

Levado para a Cadeia Nacional / Penitenciária de Lisboa e deportado para Timor na semana seguinte, Boaventura Gonçalves integrou a leva de 358 presos políticos (271 civis e 87 militares) que, em 2 de Setembro, embarcou no navio Pedro Gomes [Processo 324].

[Boaventura Gonçalves || 1936 || RGP/3406 || PT-TT-PIDE-E-010-18-3406_m0025]

Naquele transporte seguiam os principais chefes militares da revolta de 26 de Agosto, tendo o barco navegado pelo Mar Mediterrâneo, atravessado o Canal do Suez e chegado a Dili em 16 de Outubro, sem fazer qualquer escala nas colónias portuguesas. 

Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, regressou no paquete Moçambique que atracou no Cais da Rocha do Conde de Óbidos em 9 de Junho de 1933.

Apresentou-se na Polícia Política em 12 de Junho de 1933, onde declarou ir residir para a Rua do Barão - 14.

[Boaventura Gonçalves || 1936 || RGP/3406 || PT-TT-PIDE-E-010-18-3406_m0025]

Três anos após o regresso da primeira deportação, Boaventura Gonçalves estava como empregado no comércio em Lisboa e residiria na Rua Carvalho Araújo, nº 28 - 4.º. 

Em 12 de Julho de 1936 foi preso pela Secção Política e Social da Polícia de Vigilância e Defesa Social, sendo então responsável por uma tipografia do Partido Comunista. Encaminhado para uma esquadra, foi transferido, em 17 de Agosto, para a 1.ª Esquadra e, em 27 do mesmo mês, passou para o Aljube.

[Boaventura Gonçalves || 1936 || RGP/3406 || PT-TT-PIDE-E-010-18-3406_m0025]

Em 17 de Outubro de 1936 seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, incorporando o grupo de presos políticos que o inaugurou em 29 do mesmo mês. Aí, integrou a Organização Comunista Prisional do Tarrafal (OCPT) e, na sequência de divergências no seu seio, formou, com Álvaro Duque da Fonseca, Fernando Macedo, Fernando Quirino, Jaime Tiago, José de Sousa, Leonilde Felizardo e Virgílio de Sousa, o Grupo dos Comunistas Afastados, todos expulsos do Partido Comunista em 1943 [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal - Uma Biografia Política, Vol. I, 1999]. 

Cândido de Oliveira, no livro póstumo Tarrafal - O Pântano da Morte [Editorial República, 1974], refere que Boaventura Gonçalves foi um dos muitos tarrafalistas afectados pela biliosa, registada em 16 de Janeiro de 1938.

Regressou do Tarrafal em 1 de Outubro de 1944, seguiu para Caxias e só em 1 de Novembro desse ano é que foi a julgamento, tendo sido condenado pelo Tribunal Militar Especial a 24 meses de prisão correccional. Tinha estado preso preventivamente 8 anos e 112 dias!

Libertado em 8 de Novembro de 1944, desconhece-se seu o percurso posterior. 

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 3308 [Boaventura Gonçalves / PT-TT-PIDE-E-001-CX07_m0884].
ANTT, Registo Geral de Presos 3406 [Boaventura Gonçalves / PT-TT-PIDE-E-010-18-3406_m0025].

[João Esteves]

sábado, 16 de fevereiro de 2019

[2060.] BENJAMIM FERREIRA [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1931)

* BENJAMIM FERREIRA *
[1892 - ?]

PARTICIPAÇÃO NA REVOLTA DE 26 DE AGOSTO DE 1931 || DEPORTADO PARA TIMOR (1931) 

[Benjamim Ferreira || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0032 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria da Piedade Ferreira, Benjamim Ferreira terá nascido em 1892, em Oeiras.

Fiscal dos impostos, com residência na Rua das Amoreiras 143, Lisboa, foi preso em 26 de Agosto de 1931 «por ter tomado parte no movimento revolucionário deste dia e ter emprestado o seu fato a um sargento do Batalhão de Metralhadoras 1 tendo, em substituição do seu, vestido o do referido sargento». Além disso, recebeu deste «uma espingarda de guerra» [ANTT, Cadastro Político 3201].

Deportado para Timor na semana seguinte, Benjamim Ferreira integrou a leva de 358 presos políticos (271 civis e 87 militares) que, em 2 de Setembro, embarcou no navio Pedro Gomes.

[Benjamim Ferreira || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0032 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Naquele transporte seguiam os principais chefes militares da revolta de 26 de Agosto, tendo o barco navegado pelo Mar Mediterrâneo, atravessado o Canal do Suez e chegado a Dili em 16 de Outubro, sem fazer qualquer escala nas colónias portuguesas. 

Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, regressou no paquete Moçambique que atracou no Cais da Rocha do Conde de Óbidos em 9 de Junho de 1933.

O PAQUETE MOÇAMBIQUE, COM OS DEPORTADOS DE TIMOR A BORDO, ATRACANDO AO CAIS DA ROCHA DO CONDE DE ÓBIDOS || TORRE DO TOMBO

[09/06/1933 || ANTT || PT-TT-EPJS-SF-001-001-0026-0669H]

Apresentou-se na Polícia Política em 12 de Junho de 1933 e continuou a residir na Rua das Amoreiras 143, Vila Fortes 5 - 1.º Esquerdo.

Benjamim Ferreira foi novamente preso em 16 de Janeiro de 1934, «por suspeita de ser portador de manifestos clandestinos de matéria comunista». 

Segundo terá dito, os manifestos tinham-lhe sido entregues por António Simões, quando estava acompanhado de António da Silva Neves, tendo-os deitado fora [Processo 999; Cadastro Político 3201].

Foi libertado em 12 de Fevereiro de 1934.

Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 3201 [Benjamim Ferreira / PT-TT-PIDE-E-001-CX07_m0805, m0805a].
ANTT, Livro de Cadastrados - 3 / Fotografia 2048 [Benjamim Ferreira / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0032].

[João Esteves]

sábado, 2 de fevereiro de 2019

[2043.] AMÉRICO DE SOUSA [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1931)

* AMÉRICO DE SOUSA *
[1902 - ?]

PARTICIPAÇÃO NO 1.º DE MAIO DE 1931 || DEPORTADO PARA TIMOR (1931)

Filho de Antónia de Sousa e de José de Sousa, Américo de Sousa terá nascido em 1902, em Lisboa - Freguesia do Castelo.

Surrador de peles, a viver na Rua Washington nº 64 - 1.º, foi preso pela Polícia de Defesa Política e Social em 25 de Maio de 1931 por ter lançado, no dia 1.º de Maio, «duas bombas numas das ruas desta cidade» [ANTT, Cadastro Político 4870].

Considerado «um agitador perigoso», foi deportado para Timor em 27 de Junho de 1931 e integrou a leva de presos políticos que, no dia seguinte, seguiu a bordo do navio Gil Eanes. 

Tal como os restantes deportados, desembarcou em Oecussi em 21 de Outubro, ao fim de quatro meses de viagem.

Segundo Madalena Ceppas Salvação Barreto, na sua Dissertação de Mestrado Timor do século XX: deportações, colonialismo e interações culturais [Outubro de 2015, FCSH - UNL], em Maio de 1943, não conseguindo embarcar para a Austrália e estando a viver com muitas dificuldades nas montanhas, entregou-se às tropas japonesas, juntamente com o padre Serra e outros. 

Levado para Liquiçá, permaneceu em Timor até ao final da Guerra, altura em que, com muitos outros deportados, embarcou no navio Angola, chegando a Lisboa em meados de Fevereiro de 1946.

[Diário de Lisboa || 15 de Fevereiro de 1946]

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 4870 [Américo de Sousa / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0997].

[João Esteves]

[2041.] AMARO DOS SANTOS [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1931)

* AMARO DOS SANTOS *
[1903 - ? ]

PARTICIPAÇÃO NO MOVIMENTO DE 26 DE AGOSTO DE 1931 || DEPORTADO PARA TIMOR (1931)

Filho de Otília de Jesus e de António dos Santos, Amaro dos Santos terá nascido em 1903, em Lisboa.

Serralheiro da Câmara Municipal de Lisboa, conhecido por "O Tamanco", foi preso pela Polícia de Segurança Pública em 26 de Agosto de 1931, acusado de estar envolvido no movimento contra a Ditadura que eclodiu nesse dia, estando na posse de uma pistola de guerra.

Deportado para Timor na semana seguinte, Amaro dos Santos integrou a leva de 358 presos políticos (271 civis e 87 militares) que, em 2 de Setembro, embarcou no navio Pedro Gomes.

Naquele transporte seguiam os principais chefes militares da revolta de 26 de Agosto, tendo o barco navegado pelo Mar Mediterrâneo, atravessado o Canal do Suez e chegado a Dili em 16 de Outubro, sem fazer qualquer escala nas colónias portuguesas. 

Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, regressou no Paquete Moçambique que atracou no Cais da Rocha do Conde de Óbidos em 9 de Junho de 1933.

O PAQUETE MOÇAMBIQUE, COM OS DEPORTADOS DE TIMOR A BORDO, ATRACANDO AO CAIS DA ROCHA DO CONDE DE ÓBIDOS || TORRE DO TOMBO

[09/06/1933 || ANTT || PT-TT-EPJS-SF-001-001-0026-0671H]

NO CAIS DO DESEMBARQUE, AGUARDANDO A CHEGADA DO VAPOR MOÇAMBIQUE, QUE TROUXE OS DEPORTADOS DE TIMOR À METRÓPOLE || ANTT

[09/06/1933 || ANTT || PT-TT-EPJS-SF-001-001-0026-0666H]

Apresentou-se na Polícia Política em 12 de Junho de 1933 e continuou a residir na Rua Alves Torgo, Quinta do Dr. Lobo, 4-A - R/Chão.

Novamente preso e libertado em 14 de Outubro de 1933, «por suspeita de conspirar contra a actual Situação Política do País» [ANTT, Cadastro Político 3207; Processo 806].

Quando preso em 9 de Janeiro de 1934, por delito comum, «manifestou-se com ameaças à Polícia e vivas ao comunismo» quer na esquadra do Areeiro, quer no trajecto para o Governo Civil [Cadastro 3207; Processo 1050].

Amaro dos Santos passou para a Cadeia do Limoeiro e, em 23 de Março de 1934, foi entregue ao Comando da PSP de Lisboa.

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 3207 [Amaro dos Santos / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0927, m0927a].

[João Esteves]

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

[2034.] ÁLVARO FREIRE [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1931)

* ÁLVARO FREIRE ou ÁLVARO DE ALMEIDA ou ÁLVARO FREIRE DUARTE DE ALMEIDA SABUGAL *
[1897 - ?]

DEPORTADO PARA TIMOR EM 27 DE JUNHO DE 1931

Filho de Herculana Maria de Jesus ou Helena Freire de Jesus Almeida Fuertes e de Abel Freire ou Abel Duarte de Almeida Sabugal, Álvaro Freire terá nascido em 1897, em Lisboa, e residia na R. Joaquim Bonifácio, 32 - 4.º Esquerdo.

Empregado do comércio na capital, foi preso por diversas vezes durante o período da 1.ª República: em 05/07/1917, «por ameaças e insultos ao captor»; em 07/08/1917, «por agressão e contender»; e em 08/05/1921, «por ser desertor do exército» [Regimento de Infantaria 5]. 

Voltou a ser várias vezes detido durante a Ditadura Militar, sendo que em 09/04/1929 foi «por burla, com o nome de Álvaro de Almeida». Remetido a Juízo em 17 de Abril, foi enviado para a Cadeia na mesma data.

Só a partir de 1931 é que o o nome de Álvaro Freire começa a ser associado a motivações políticas contra a Ditadura Militar.

Preso pela PSP em 8 de Abril de 1931, «por soltar gritos subversivos» [Processo 4859], saiu em liberdade no dia 12.

Novamente preso em 9 de Junho de 1931 por ter, «no dia 24 de Maio findo, lançado uma bomba da "passerelle" do elevador de Santa Justa, que feriu várias pessoas» [ANTT, Cadastro 3125]. Foi, então, apreendido em duas casas suas material destinado ao fabrico de bombas explosivas.

Desta detenção resultou a acusação de que integrava o grupo que pretendia levar a efeito o atentado pessoal contra o Ministro das Finanças [Salazar] e que também planeou, com Augusto César dos Santos, a fuga de presos do Aljube.

Deportado para Timor em 27 de Junho de 1931 [Processo 4997A], embarcou no navio Gil Eanes e desembarcou, tal como os restantes deportados, em Oecussi em 21 de Outubro, ao fim de quatro meses de viagem.

Abriu uma fábrica de tijolos em Balide e permaneceu em Timor depois da amnistia de 5 de Dezembro de 1932.

Segundo Madalena Ceppas Salvação Barreto, na sua Dissertação de Mestrado Timor do século XX: deportações, colonialismo e interações culturais [Outubro de 2015, FCSH - UNL], o nome de Álvaro Feire já não consta numa relação de deportados datada de 1940.

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 3125 [Álvaro Freire ou Álvaro de Almeida ou Álvaro Freire Duarte de Almeida Sabugal / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0805, m0805a]

[João Esteves]

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

[2033.] ALEXANDRE ALVES [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1928)

* ALEXANDRE ALVES *

REVOLTA DE 7 DE FEVEREIRO DE 1927 CONTRA A DITADURA MILITAR || DEPORTADO PARA TIMOR (1928) || RESIDÊNCIA FIXADA EM CABO VERDE

Filho de Maria da Piedade e de Cândido Alves, terá nascido em 1884, em Oliveira do Hospital.

Enquanto chefe de esquadra da Polícia de Segurança Pública da Lisboa, participou activamente no movimento revolucionário de 7 de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura Militar, mobilizando os agentes seus subordinados. Residia, então, na Rua Campo de Ourique - 191.

Apesar de procurado pela Polícia Internacional Portuguesa, só foi detido em 18 de Julho de 1928, acusado de ser «o organizador dum grupo de civis, em Caneças, quando em 11 do corrente esteve para eclodir um movimento revolucionário» [ANTT, Cadastro Político 1872]. 

Por ter, antes e depois dos acontecimentos de 7 de Fevereiro de 1927, «ligações com os mais perigosos "Legionários" e bombistas», terá sido deportado para Timor em 21 de Agosto de 1928 [Processo 3831].

Quando da amnistia de 5 de Dezembro de 1932, encontrava-se «com residência fixada em Cabo Verde, por motivos políticos».

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 1872 da Polícia Internacional Portuguesa [Alexandre Alves / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0547, m0524a].

[João Esteves]

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

[2031.] ALBERTO DE ALMEIDA [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1931)

* ALBERTO DE ALMEIDA *
[1907 - 1932]

REVOLTA DE 26 DE AGOSTO DE 1931 CONTRA A DITADURA MILITAR || DEPORTADO PARA TIMOR, ONDE FALECEU EM 1932

[Navio "Pedro Gomes" que, em 2 de Setembro de 1931, transportou 358 deportados políticos para Timor]

Filho de Maria do Carmo de Almeida e de Manuel de Almeida, Alberto de Almeida terá nascido em 1907, em Viseu.

Pintor, antigo empregado da Câmara Municipal de Lisboa, com residência no Bairro da Bélgica - 265, em Lisboa, foi preso em 26 de Agosto de 1931, acusado de ter participado na Revolta contra a Ditadura Militar ocorrida nesse dia.

Preso por praças do Exército na Avenida António Augusto de Aguiar e levado para o Batalhão de Caçadores 5, seguiu para a Cadeia Nacional / Penitenciária de Lisboa.

Deportado para Timor [Processo 326], uma semana depois, na noite de 2 de Setembro de 1931, foi levado da Penitenciária de Lisboa e embarcou, com mais 357 deportados (271 civis e 87 militares), no navio Pedro Gomes.

FOTOGRAFIAS DE MILITARES DEPORTADOS A AGUARDAR O EMBARQUE NO NAVIO PEDRO GOMES || TORRE DO TOMBO

[27/08/1931 || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0020/1022F || Pormenor]

[27/08/1931 || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0020/1023F || Pormenor]



[27/08/1931 || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0020/1029F || Pormenor]

[27/08/1931 || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0020/1026F || Pormenor] 

No Pedro Gomes seguiam os principais chefes militares da revolta de 26 de Agosto, tendo o barco navegado pelo Mar Mediterrâneo, atravessado o Canal do Suez e chegado a Dili em 16 de Outubro, sem fazer qualquer escala nas colónias portuguesas. 

Segundo ofício do Ministério do Interior, faleceu em Timor em 25 de Maio de 1932. 

No entanto, segundo documentação disponibilizada por J. Quintanilha Mantas, Alberto de Almeida faleceu com uma biliosa em 8 de Janeiro de 1932, quando seguia numa lancha do campo de concentração de Ataúro para o hospital de Dili. Segundo a mesma fonte, teria enlouquecido naquele campo de concentração onde, logo que o seu estado se manifestou, perdeu a fala - que nunca mais recuperou - passando a comunicar por mímica.


[Manuscrito de João da Silva, publicado em FNM por J. Quintanilha Mantas]

António Monteiro Cardoso, no livro Timor na 2.ª Guerra Mundial - O Diário do Tenente Pires [colaboração de Luísa Tiago de Oiveira, CEHCP, 2007], refere que a comissão organizadora do seu funeral foi composta por Carlos Santos Barata, Jaime Pereira Rodrigues Baptista [Capitão de Infantaria, 1883 - 1938], Manuel dos Santos Pimenta [ex-Alferes de Artilharia / escriturário] e Mário de Moura [1.º Sargento de Metralhadoras 1].

Nota: Muito obrigado a J. Quintanilha Mantas pelo envio de preciosas informações complementares sobre Alberto de Almeida.

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 3342 [Alberto de Almeida / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0367].


[João Esteves]
[actualizado em 22/09/2019]

segunda-feira, 2 de abril de 2018

[1781.] TOMÁS GARCIA [I]

* TOMÁS GARCIA || DEPORTADO PARA TIMOR (1931 - 1933) || DEPORTADO PARA O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL (1937 - 1945) *

[Tomás Garcia || 1937 || CLNSRF II || RGP/6512]

Filho de Inácia da Conceição e de José Garcia, Tomás Garcia nasceu em 10 de Março de 1907, na Azambuja e, em 1931, residia em Lisboa, na Estrada dos Prazeres, 35.

Ajudante de chofer, foi preso, pela primeira vez, em 26 de Agosto de 1931, na Rua do Salitre, acusado de estar implicado na revolta contra a Ditadura Militar.

Levado para o Quartel do Carmo por soldados da GNR, passou para a Cadeia Nacional e, em 3 de Setembro, foi deportado para Timor, onde chegou em 16 de Outubro, no navio Pedro Gomes [Processo 326].

[Tomás Garcia || 1937 || CLNSRF II || RGP/6512]

Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, regressou em 9 de Junho de 1933. Libertado, terá ido viver para Tagarro, no concelho da Azambuja [ANTT, Cadastro 5296].

Novamente a viver em Lisboa, onde era canalizador, Tomás Garcia voltou a ser preso quatro anos depois, em 16 de Abril de 1937, e mantido numa esquadra incomunicável. Em 13 de Maio, seguiu para a 1.ª Esquadra e daí, em 2 de Junho, para o Aljube. 

[Tomás Garcia || 1937 || CLNSRF II || RGP/6512]

Em prisão preventiva, a aguardar julgamento, embarcou para o Tarrafal em 5 de Junho desse mesmo ano e aí permaneceu oito anos e meio, até 23 de Janeiro de 1946, regressando no navio Guiné [Processo 390/938, enviado ao TME em 19/04/1938]. 

Desembarcou em Lisboa em 1 de Fevereiro e, libertado, voltou a viver na Rua de Campo de Ourique.

Fontes:
ANTT: Cadastro Político 3382 [Tomás Garcia / PT-TT-PIDE-E-001-CX15_m0549].
ANTT: Registo Geral de Presos / 6512.
CLNSRF, Presos Políticos no Regime Fascista - II (1936-1939),  1982, p. 222.

[João Esteves]

domingo, 18 de fevereiro de 2018

[1744.] ACÁCIO AUGUSTO [I]

* ACÁCIO AUGUSTO || REVOLTA DE 26 DE AGOSTO DE 1931 CONTRA A DITADURA MILITAR || DEPORTADO PARA TIMOR *

Guarda dos Caminhos-de-Ferro.

Filho de Maria da Conceição e de Francisco Augusto, Acácio Augusto nasceu em 1896, em Moimenta da Beira.

Preso por dois militares da GNR, acusado de ter participado na Revolta de 26 de Agosto de 1931 contra a Ditadura Militar [Processo 192].

Na semana seguinte, em 2 de Setembro de 1931, foi deportado para Timor e, abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, regressou a Portugal em meados de 1933.

Apresentou-se às autoridades em 12 de Junho e declarou ir residir para Ponte de Carenque - Queluz, morada onde vivia aquando da sua detenção.

Voltou a ser detido em 19 de Dezembro de 1933, "por suspeita de ter ligações revolucionárias com vários indivíduos desafectos à Situação, e ainda por suspeita de saber do paradeiro de vário material de guerra" [Processo 905].

Libertado em 13 de Janeiro de 1934 [ANTT, Cadastro Político 3208].

Fonte: ANTT, Cadastro 3208.

[João Esteves]

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

[1731.] ALBERTO EMÍDIO MIDÕES [I]

* 3 DE FEVEREIRO DE 1927 || DEPORTADO PARA TIMOR E S. TOMÉ || ALJUBE (LISBOA E PORTO) || PENICHE *

[Alberto Emídio Midões || ANTT || RGP/197]

Alberto Emídio Midões é um dos muitos nomes insuficientemente estudados na luta contra a Ditadura Militar e o Estado Novo, tendo desenvolvido a sua ação política conspirativa a partir de Matosinhos, localidade onde era dono do Central Hotel, situado no então n.º 19 da R. Brito Capelo, e do Café Central. 

Republicano e, posteriormente, comunista, por estar envolvido nas primeiras revoltas contra a Ditadura, foi deportado para Timor e transferido, depois, para Angola, esteve ainda preso no Aljube, de Lisboa e do Porto, e em Peniche.

Filho de Guilhermina de Jesus Midões e de Valentim José Midões, nasceu em Lisboa, em 21 de Novembro de 1882.

Negociante, comerciante e proprietário conotado, inicialmente, como elemento influente do Partido Republicano Português, foi preso, pela primeira vez, em 28 de Outubro de 1927, quando já tinha 45 anos, por ser "o chefe do grupo civil da conspiração revolucionária", que integrava Alfredo Fonseca Campelo, Augusto Araújo, Emílio Campos  Negrais, Pimentel e Silva, e "por ser revolucionário de 3 de Fevereiro" [ANTT, Cadastro Político 367].

Segundo as informações recolhidas pela Polícia de Informações do Ministério do Interior do Porto, era em Matosinhos, no seu Central Hotel, que se reuniam, sendo Alberto Midões acusado de "chefiar o grupo que atacou a coluna fiel ao governo que desembarcou em Leixões" [ANTT].

[Alberto Emídio Midões || ANTT || RGP/197]

Enviado para Lisboa em 29 de Outubro, foi deportado, em 22 de Novembro de 1927, para Timor, de onde se evadiu em 17 de Janeiro de 1929. No entanto, a fuga pode ter-se dado já a caminho de Angola, para onde fora transferido em 6 de Janeiro, segundo registo do seu Cadastro Político.

Segundo informações prestadas a Manuela Espírito Santo pelo neto, Alberto Midões "fugiu de S. Tomé, onde estava deportado, para Tenerife. De Tenerife chegou a Vigo, cidade onde permaneceu algum tempo, graças à  generosidade de uma família galega que o acolheu. A relação  (e amizade) com essa família chegou até  às gerações mais próximas" [informação via Manuela Espírito Santo].

Em 3 de Janeiro de 1930, um informador dava conta da sua presença em Matosinhos, com várias deslocações à Póvoa do Varzim.

Mais de meio ano depois, em 23 de Julho, era dada a informação que Alberto Midões continuava a deslocar-se a Matosinhos.

No ano seguinte, em 1 de Maio, é referenciado como estando envolvido na revolução preparada para o dia 2 e que acabou por fracassar. O mesmo informador dá conta de, ao ter conhecimento do movimento revolucionário, se ter deslocado de Vila do Conde para Matosinhos, talvez "acompanhado do ex-capitão Ramalho" [ANTT] e ter sido "hasteado no café de que é proprietário" "uma bandeira vermelha".

Alberto Emídio Midões só seria preso em 2 de Dezembro de 1931, no Porto, por andar fugido da deportação e estar envolvido nos acontecimentos do 1.º de Maio.

Enviado para Lisboa em 19 de Dezembro, saiu em liberdade em 18 de Fevereiro de 1932.

Novamente preso em 3 de Outubro de 1934, no Porto, "por estar envolvido em manejos revolucionários", envolvendo, entre outros, Armando Soares, Camilo Cortesão, Gregório Mendes e José Ferreira da Costa e Silva.

[ANTT || RGP/197]

Considerado pela Polícia como "um elemento irrequieto, conspirando sempre, embora o faça com toda a segurança, pois trata-se de uma pessoa esperta" [ANTT], foi transferido para a Fortaleza Militar de Peniche em 14 de Outubro, onde ficou a aguardar julgamento. e, em 9 de Novembro, passou para o Aljube.

Libertado em 14 de Dezembro de 1934, voltou a ser preso em 21 de Maio de 1935, no Porto. e enviado para o Aljube daquela cidade.

Solto em 1 de Julho, seria novamente detido, sempre no Porto, em 5 de Maio de 1937 e libertado em 2 de Agosto.

[Central Hotel || Matosinhos]

Segundo José Rodrigues, Alberto Midões "foi um comerciante, proprietário e militante do PCP que residiu em Matosinhos a maior parte da sua vida" e comprara o Central Hotel antes de Janeiro de 1927, tendo, durante a Ditadura Militar, pedido "a um pedreiro para fazer um quarto falso", "no qual ele sempre se escondia quando se perspectivava a sua prisão (além do pedreiro que o fez e do seu amigo e barbeiro Miguel Garcia, seus companheiros de Partido, ninguém mais sabia da existência desse quarto secreto)" [José Rodrigues].

Alberto Emídio Midões faleceu em 1946.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

Fontes: ANTT, Cadastro Político 367; RGP/197. 
Informações prestadas pelo neto de Alberto Midões a Manuela Espírito Santo, a quem muito agradecemos a preciosa colaboração.

[João Esteves]